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sábado, 5 de janeiro de 2019

2019 - o ano do porco


Que em dois mil e dezanove
Eu me levante todos os dias,
Que se levantem as árvores,
Que se levante a vida,
Que se levantem os mortos,
Que se levantem os porcos,
Que se levante o povo,
Que se levante o país,
Que se levantem as vozes,
Que se me levante a voz,
Que se me levante o falo
Que a falar é que a gente se entende
E que outros valores mais altos se levantem!...

Que em dois mil e dezanove
Os juros caiam,
O petróleo caia,
O bêcêpê caia,
A sónai caia,
O governo caia,
O Costa caia da cadeira
E o Marcelo tropece numa passadeira vermelha
E caia pela escada abaixo.

Se os juros caíssem talvez me sobrasse algum.
Se o bêcêpê caísse talvez a casa passasse a ser minha de facto.
Se o petróleo caísse talvez eu pudesse, no Verão, dar uma volta à praia.
Se a sónai caísse talvez eu não acordasse aos domingos com o despertador a dizer:
- Podíamos ir ao Continente! ...
Se o governo caísse eu teria novamente a oportunidade de votar em quem não ganha!
Se o Costa  caísse talvez voltasse um Passos e viesse a seguir outro vinte cinco setenta e quatro e, então, num próximo ano novo eu iria acreditar que vale a pena desejar bom ano aos demais!

Sobem os encargos com juros, o gasóleo, os resultados da banca, as ações das grandes superfícies, as sondagens da direita, o capitalismo vai de vento em popa, o governo sobe, o Costa baba-se, limpa a boca com a direita e o cu com a esquerda!...
Dois mil e dezanove? Eu quero é dois mil e setenta e quatro! Dois mil e setenta e quatro euros de vencimento!...

Escrevi isto num dia em que me achei mais pachorrento...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Dois mil e oito

Que em dois mil e oito
Eu me levante todos os dias,
Que se levantem as árvores,
Que se levante a vida,
Que se levantem os mortos,
Que se levante o povo,
Que se levante o país,
Que se levantem as vozes,
Que se me levante a voz,
Que se me levante o falo
Que a falar é que a gente se entende
E que outros valores mais altos se "alevantem"!...

Que em dois mil e oito
Os juros caiam,
O petróleo caia,
O bêcêpê caia,
A sónai caia,
O governo caia,
O Sócrates caia da cadeira
E que no revirão eu não caia, mais uma vez, ao entrar em casa, como é costume!

Se os juros caíssem talvez me sobrasse algum.
Se o bêcêpê caísse talvez a casa passasse a ser minha de facto.
Se o petróleo caísse talvez eu pudesse, no Verão, dar uma volta à praia.
Se a sónai caísse talvez eu não acordasse aos domingos com o despertador a dizer:
- Podíamos ir ao Continente! ...
Se o governo caísse eu teria novamente a oportunidade de votar em quem não ganha!
Se o Sócrates caísse talvez voltasse um Marcelo e viesse a seguir outro vinte cinco setenta e quatro e, então, num próximo revirão, eu não cairia ao entrar em casa porque ficaria, até aos Reis, a festejar!

E a escrever assim, o melhor é cair!
- Oh filho como é que tu caíste? Quase que partias o computador! Tu estás bêbado ou quê?!
- Eu! Bêbado?! Tu não me voltes a chamar bêbado!
E, depois, não compreendem porque é que há violência doméstica!?
Os juros sobem, o gasóleo sobe, o capitalismo vai de vento em popa, o governo sobe, o Sócrates baba-se, limpa a boca com a direita e o cu com a esquerda!...
Dois mil e oito? Eu quero é dois mil e setenta e quatro! Dois mil e setenta e quatro euros de ordenado!...