terça-feira, 19 de junho de 2012
Tenho um azar com as bichas!...
isto acontece-me nos correios, nos supermercados, nas repartições... o único local onde não me acontece é nos bancos... porque será?!...
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Cristiano Ronaldo todo nu
Antes demais deixem-me dizer que sei que estes desabafos são contraproducentes - quanto mais desabafamos, menos interessantes nos tornamos e, este blogue é real, cortês mas é caseiro, é de gaveta.
Não quer isto dizer que não se acompanhem as visitas, quantas, de onde e o que apreciam. Se se tem casa aberta é para servir os clientes e eles existem e são observados e contabilizados em aplicações que servem para isso mesmo. Observei agora, e só agora, que esta pocilga ultrapassou as 100 000 visitas. Não é um grande feito, blogueres maiores se rirão de eu pretender assinalar essa contabilidade.
Presto a modéstia, já foram de 80 a 100 diárias e agora são de 40 a 60 e tal. Muito pouco, portanto. Mas muito mais, acreditem, também não as exijo porque me exigiriam mais responsabilidade o que, os que me vão conhecendo, sabem que não é o meu forte. De qualquer forma já tive experiências piores: escrevi para o jornal da minha freguesia até ao dia em que me apercebi que as únicas pessoas que liam a minha coluna eram o pároco e a mulher do director.
Quando descobri como é que se punha um contador de visitas - sou porco, não sou burro - coloquei-o a 100. Desde 2006 que outros blogueres-fidalgos acompanham este reino e sabem bem o que é que a corte gasta. São eles a parte mais valiosa das visitas. Outros o foram e foram-se cansados deste terrétété ou aliciados pelo hipermercado social do facebook. Deles e outros, registo 200 links/ligações.
Outras tantas visitas existirão de outra gente que veio ao encontro daquilo que procurava. Umas gostaram, voltaram, outras nem por isso. Também existem visitas de voyeurs cá do burgo, de amigos dignos desta identidade e minhas - pois claro! o autor da personagem, do espaço, do reino, do rei, também vem cá duas ou três vezes por dia ver o andamento do negócio!
Antes que me dê para acabar esta mensagem que pretendia ser curta, quero dizer-vos: o Rei dos Leittões já conheceu melhores dias, provavelmente poderá vir a conhecer piores dias, poderá estar parado dias, meses, perderá leitores mas não acabará lido apenas pela mulher do pároco e pelo director do google, acabará apenas quando o rei perder completamente as suas faculdades mentais.
Como vedes, visitantes, amigos, companheiros, camaradas, não estou num dos meus melhores dias. Estou quase sem faculdades mentais. A intenção desta mensagem era revelar as motivações que, para além das já enunciadas, fazem ultrapassar as 100 000 visitas: títulos, frases, imagens que fazem os motores de busca incrementar contagens desejadas mas tantas vezes inócuas. Revelo então - e a esta altura do texto já estarei só a ser lido pela fidalguia, amigos bloggers que partilham das mesmas diversões contabilísticas - as mensagens que mais deram e continuam a dar pontos nas visitas:
1º lugar - Sexo online, grátis, portuguesas - vá-se lá saber porquê!
2º lugar - O que é um transistor? - percebo porquê, você mesmo não sabe o que é!
3º lugar - De Moçambique afectuosamente - afectuosamente, eis a palavra chave...
4º lugar - Ary Toledo - O rico e o pobre - grande cantor, grande cantiga!
5º lugar - 16 - A Fábrica do Torneiras - nem eu, francamente, percebo porquê!
E anda para aqui o monarca em textos de escárnio e maldizer, em reflexões profundas ou banais, em políticas palacianas e de rua, em poesias de amor ou de vinagre, em histórias de amor ou de palheiro para ser visitado por dá cá aquela palha?! Percebeis agora o título deste post?!
Este post vai ter muitas visitas. Poucos irão além da primeira frase. Meia dúzia, talvez sete, chegará ao segundo parágrafo. E só tu, meu grande amigo, o leste todo - afinal, ainda tenho uma razão para continuar!
Para não ser desmancha-prazeres:
domingo, 17 de junho de 2012
11º mandamento
11º mandamento: não fazer caridade pela mão dos ricos.
Reprodução dum comentário furtivo ao post anterior. Repito: reprodução.
Reprodução dum comentário furtivo ao post anterior. Repito: reprodução.
PROGRAMA DE LUTA CONTRA A FOME.
Nada é o que parece. Ora vejam:
Decorreu num passado fim de semana mais uma ação, louvável, do programa da luta contra a fome mas....façam o vosso juízo!
A recolha em hipermercados, segundo os telejornais, foi cerca de 2.644 toneladas!
Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, 0.50 €, reparem que: 2.644.000 kg x 0,50 € dá 1.322.000,00 € (1 milhão, trezentos e vinte e dois mil euros), total pago nas caixas dos hipermercados.
Quanto ganharam?:
- o Estado: 304.000,00 € (23% iva)
- o Hipermercado: 396.600,00 € (margem de lucro de cerca de 30%).
Nunca tinha reparado quem é que mais engorda com estas campanhas!
Devo dizer que não deixo de louvar a ação da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários.
MAIS...
É triste, mas é bom saber...
- Porque é que os madeirenses receberam 2 milhões de euros da solidariedade nacional, quando o que foi doado eram 2 milhões e 880 mil? Querem saber para onde foi esta "pequena" parcela de 880.000,00 €? A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada.
Pelas televisões a promoção reza assim: preço da chamada 0,60 € + IVA. São 0,72 € no total. O que por má-fé não se diz é que o donativo que terá chegado (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50 €. Assim oferecemos 0,50 € a quem carece, mas cobram-nos 0,72 €, mais 0,22 € ou seja 30%.
Quem ficou com esta diferença?
- a PT com 0,10 € (17%) isto é a diferença dos 50 para os 60.
- o Estado com 0,12 € (20%) referente ao IVA sobre 0,60 €.
Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da baixa moral a que tudo isto chegou.
A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado atingiu os 2.000.000,00 €. Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44%, ou seja, mais 880.000,00 € divididos entre a PT (400.000,00 € para a ajuda dos salários dos administradores) e o Estado (480.000,00 € para auxílio do reequilíbrio das contas públicas e aos trafulhas que por lá andam).
A PT cobra comissão de quase 20% num acto de solidariedade!!!
O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade!!!
"O que me preocupa não é o grito dos maus`. É o silêncio dos bons."
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Manipulação de informação
Talvez já conheçam este texto. Eu, pelo menos, já o li há um tempo e algures. Hoje alguém mo enviou "powerpointado" e deu-me para o revelar a quem não o conhece. Trata-se de uma versão de José Mauro Rodrigues sobre as Visões Alternativas de Noam Chomsky, adaptado/amputado por mim por razões de espaço de atenção.
1. Promover a distracção
O elemento primordial do controlo social é a regra da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas. Consiste em inundar os meios de comunicação com distracções contínuas e notícias sem importância ... Trata-se de manter a atenção do público longe dos verdadeiros problemas sociais, atraída por temas sem importância, ocupada, sem nenhum tempo para pensar.
2. Criar problemas e oferecer soluções
O método consiste em criar uma situação que se espera causar certa reacção no público, de modo a que este suplique a aplicação das medidas que se pretende fazer acatar. Por exemplo: ... - gerar e agravar uma crise económica para que o povo aceite como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3. Actuar com gradualidade
Para conseguir que seja aceite uma medida inadmissível, basta aplicá-la gradualmente, em pequenas doses, ao longo do tempo. Desta forma, as novas condições são aceites sem provocar revoltas.
4. Gerar aceitação pelo adiamento
Uma decisão impopular, é apresentada como “dolorosa e necessária”, conseguindo obter num dado momento a aceitação pública para aplicação futura, mais facilmente acatável do que um sacrifício imediato.
Deste modo, não há esforço imediato e a massa ingenuamente crê que “amanhã tudo irá melhor” e conseguirá evitar-se o sacrifício exigido. Assim, dá-se tempo para instalar habituação à ideia da mudança e resignação no acatamento quando chegar o sacrifício de facto.
5. Dirigir-se ao público como imaturo
O público utiliza com frequência discursos, argumentos, personagens e entonações característicamente infantis, muitas vezes próximos da debilidade, como se os receptores fossem criaturas de pouca idade ou deficientes mentais.
Quanto mais se procura enganar a audiência, mais se tende a adoptar um tom infantil. “Porque ao dirigir-se a uma pessoa como se tivesse 12 anos ou menos, tenderá, por sugestão, a adoptar respostas ou reacções mais infantis e desprovidas de sentido crítico”.
6. Utilizar a emoção mais do que a reflexão
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para curto-circuitar a análise racional e neutralizar o sentido crítico dos indivíduos.
Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar e injectar ideias, desejos, medos, temores, compulsões ou induzir a determinados comportamentos.
7. Manter o povo na ignorância e na mediocridade
Fazer com que o público seja incapaz de compreender a tecnologia e os métodos utilizados para conseguir o seu controlo e escravidão.
“A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância entre estas e as classes altas permaneça inalterada no tempo e seja impossível alcançar uma autêntica igualdade de oportunidades para todos”.
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade
Fazer crer ao povo que está na moda a vulgaridade, a incultura, o ser mal falado ou admirar personagens sem talento ou mérito algum, o desprezo ao intelectual, o exagero do culto ao corpo e a desvalorização do espírito de sacrifício e do esforço pessoal.
9. Reforçar o sentimento de culpa pessoal
Fazer crer ao indivíduo que ele é o único culpado da sua própria desgraça, por insuficiência de inteligência, de capacidade, de preparação ou de esforço.
Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema económico e social, o indivíduo se desvaloriza, se culpa, gerando em si um estado depressivo, que inibe a sua capacidade para reagir. E sem reacção não haverá revolução.
10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmo se conhecem
Nos últimos 50 anos, os avanços da ciência geraram uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles utilizados pelas elites dominantes.
Graças à biologia, a neurobiologia e a psicologia aplicada, o Sistema tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicológica.
O Sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele se conhece a si próprio. Isto significa que, na maioria dos casos, o Sistema exerce grande controlo e poder sobre os indivíduos, superior ao que pensam que realmente têm.
13 - Isto está a ser aplicado em Portugal, primeiro pelos batedores da era sócrates e agora pelos agentes da força coelho.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Patriotismo a pontapés
Hoje é dia de futebol. É dia de puxar pelo patriotismo.
Pena que também não tenhas saído mais cedo do trabalho quando, há dias, houve uma manifestação contra o ataque aos direitos laborais.
Pena que só hoje, porque queres chegar mais cedo a casa, tenhas dado pela lentidão dos transportes e não tenhas estado presente quando, há dias, houve uma concentração contra à supressão de carreiras públicas.
Pena que também não te tenhas juntado à malta do bairro quando, há dias, houve uma assembleia contra o fecho do centro de saúde.
Pena que também não te tenhas juntado com os teus filhos quando, há dias, te pediram ajuda num trabalho contra o abate da zona florestal da tua futura extinta freguesia.
Pena que há dias que faças contas para este dia e nem sequer deste conta que já passou o 10 de Junho.
Mas não, para ti só há dias nos dias em que há futebol.
Que bom que era que a tua vontade de estar com os outros se manifestasse também nas causas sociais,
Que a tua vontade de intervir se revelasse também contra a violência e a corrupção,
Que também tivesses opinião quando há eleições,
Que o teu patriotismo se erguesse sempre que estrangeiros quisessem mandar no teu país.
Mas não, o teu patriotismo começa e acaba na selecção de Portugal.
O teu euro é de quatro em quatro anos. O outro euro apenas te interessa no plural para teres umas sagres no frigorífico, isto se não chegarem para comprar umas alemãs em lata.
Para manifestações que não sejam de futebol tens sempre uma palavra:
- Eu não sou contra nada, eu não quero é que venham contra mim!...
Ou melhor, és contra tudo e todos, por isso não tem sentido estares com alguém em alguma causa!
Contra a Alemanha não! Eles é que nos salvam! Contra a Alemanha só no futebol!
Alemanha-Portugal - é hoje?! Se fosse só hoje!...
Não sei nada de futebol, não é?! Calma aí! Também sei que há umas dinamarquesas boas e não são em lata!
sábado, 9 de junho de 2012
Portugal-Alemanha
Esqueci-me daquilo que ia para escrever.
Não! Não tinha nada a ver com futebol! São coisas minhas!...
Não! Não tinha nada a ver com futebol! São coisas minhas!...
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Um sinal de esperança
Sócrates chegou ao poder camuflado de socialista e preparou o terreno para que a direita, em que militou na juventude, faça presentemente o seu trabalho. Um gesto de entrega total a um ideal que, sabia de antemão, lhe iria custar a carreira política. Se o PSD honrar os seus mártires fazer-lhe-á um dia justiça na galeria dos seus heróis.
Mas ninguém sabe se outros infiltrados não estarão agora mesmo a fazer trabalho idêntico e um dia as coisas mudem no sentido inverso. Não sou eu que digo - transcrevo:
"Instruído e calejado pelas vitórias e revezes o povo português estancará a actual ofensiva reaccionária, fará de novo tremer o punhado de vendidos que ensombram o futuro da pátria e criará, com a sua luta, novas condições democráticas e revolucionárias que permitirão o avanço de Portugal para a liberdade e o socialismo."
Isto é, esta é uma das razões porque acredito que a educação pública pode vir a ter o papel que lhe compete na sociedade. Aparentemente pode parecer que estou a delirar mas eu acredito na coerência dos homens que cresceram movidos por ideais e, quem disse isto em 1977, então com 25 anos, é actualmente ministro da educação e não tem nada aspecto de vira-casacas. Ele lá sabe o que anda a fazer. Não tarda revela-se e vinga o plano Sócrates.
A transcrição é da página 135 deste livro:
Obrigado Nuno Crato, tiraste-me as palavras da boca!
terça-feira, 5 de junho de 2012
Ei-los que partem
Cinco quartos, quatro
quartos de banho, três salas, duas cozinhas, uma churrasqueira, varandas, muros
e mais janelas – grande como os sonhos. Ao lado, uma casa de duas águas cujo
alçado principal deixa adivinhar o interior. Frente a uma das duas janelas, num
banco de pau marcado por estios e invernos, está sentado um homem, marcado pela
idade, com a mesma vontade de falar que outros homens e mulheres da sua idade
que sentam em lugares idênticos.
- Há dez anos atrás ele
tirava mais de duzentos contos por mês nas obras. Comprou um carro novo e pensou
em fazer a casa para ver se arranjava mulher. Agora a coisa virou para o torto
e teve de ir, os bancos não perdoam! ...
Conheço bem ambos. Do
pai, foi minha mãe que me falou em tempos, quando na idade das perguntas a
interroguei sobre a alcunha do Mato Grosso. Foi para o Brasil novinho e sozinho
e voltou três anos depois tísico e teso que nem um carapau. Não o quiseram para
a tropa e os pais arranjaram-lhe uma alcofa que o veio a safar.
Ela tinha muitas vinhas
mas também bebia muito vinho, por isso e por casar com ele ficou-lhe a matar o
nome da Grossa. Foi-se cedo e deixou o viúvo atado com o cachopo que, talvez
pela vida e morte da mãe, demorou a tomar corpo e a falar direito. Na escola chamávamos-lhe
o Tó Espinhas.
Quando saí do carro para
cumprimentar o Ti Mato Grosso ele estava a pensar no filho. Imaginava-o a desembarcar
do navio no porto de Luxemburgo. Imaginava-o num país tão grande como o Brasil
a julgar pela gente da terra que para lá está. Imaginava-o a arranhar no
francês e a arranjar mulher. Via-o a regressar contente num valente carro e com
a situação resolvida. Via-o a regressar de mãos a abanar como ele regressou do
Brasil. Via-o sempre e era dele que gostava sempre de falar.
- Tu é que estás bem na
vida! Quando ele andava contigo na escola, eu dizia-lhe sempre “estuda como o
João! junta-te com o João! olha para o João!” … não quis e agora olha! Só gostava
que ele cá estivesse quando eu morrer!...
- As coisas não são bem
assim Ti Mato Grosso! Sabe que também estou seriamente a pensar em emigrar!
Quem sabe o seu Tó ainda me vá arranjar para lá trabalho.
sábado, 2 de junho de 2012
Dum país sem saúde
Dum país sem
saúde
Nos dias em
que fecham empresas, escolas, aldeias,
freguesias, tribunais, lojas, correios, centros de saúde e hospitais…
E pasme-se:
tudo é fechado para melhor servir as populações.
Que ninguém
chore, que em cada mão se abra um gesto que devolva ao povo o que é seu
E este, hoje, é o meu:
Queres-me
teu.
Esperas que
eu me dobre para te sentares.
Queres-me
ver de mão estendida ao fundo da tua rua.
Esperas que
as minhas lágrimas inspirem os teus pintores.
Queres-me
servo.
Pois fica
sabendo que me terás em todas os desfiles, marchas e batalhas,
Em todas as
assembleias, protestos e lutas.
Queres-me
eunuco.
Esperas que
eu sirva de motivo à tua caridade.
Queres ver-me
chorar por falta de pão.
Esperas
ver-me implorar ao teu poder.
Pois fica
sabendo que não chorarei por perder o direito ao trabalho, à saúde e à
educação,
À justiça, à
casa ou a eletricidade.
Estarei
sempre com os outros trabalhadores em luta.
Terei sempre
a minha dignidade nem que um cancro me leve à porta do hospital e os teus
colaboradores perguntem “tem seguro?!”
Terei sempre
uma palavra: filhos da puta!
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Não sei se sou italiano ou irlandês
Porque na mensagem anterior só tive direito a um comentário o qual, ainda por cima, reprova a minha decisão de reproduzir as imagens, redimo-me com a reprodução desta imagem única de autor que não consigo identificar.
O que nos move:
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Duma violência extrema
Todo o cuidado é pouco quando se reproduzem imagens destas. Hesitei antes de decidir a sua reprodução.
Muitas vezes conhecer a realidade dói. Muitas vezes ocultar a realidade é preferível. Dói-me vê-la, quero partilhá-la. Talvez assim possamos lutar juntos contra ela. Hoje é no Brasil, amanhã pode ser em Portugal.
Muitas vezes conhecer a realidade dói. Muitas vezes ocultar a realidade é preferível. Dói-me vê-la, quero partilhá-la. Talvez assim possamos lutar juntos contra ela. Hoje é no Brasil, amanhã pode ser em Portugal.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Puta da Conjuntura
Sinto-me sem pachorra para "postar". A culpa é da
Conjuntura! A Conjuntura é tão...tão... que não tem adjectivação que se lhe adjective. Vivo com a Conjuntura desde que me fiz ser, pessoa, cidadão. Nunca vi a
Conjuntura como agora: vive em Cascais e no Intendente; é secretária do governo
e trabalha na caixa do Continente; é formada em letras e não sabe escrever;
acusa 0,0 no balão e tem uma adega; tem um Jaguar e deve a conta do
pão; constrói a pobreza e exalta o patrão; cultiva os humildes e gaba-lhes a
inveja; compra roupa de marca e põe esmola na Igreja...
A minha relação com a Conjuntura é para toda a Vida - assim seja! Sou um Corno da Conjuntura! Fui traído pela Conjuntura! Não me resta outra saída senão viver o resto dos meus dias com a Conjuntura! Puta da Conjuntura! Puta que pariu a Conjuntura!
« E agora estou perdido!
Devo parar?
- Não, se páras, estás perdido.» (Goethe: Poemas.)»
A minha relação com a Conjuntura é para toda a Vida - assim seja! Sou um Corno da Conjuntura! Fui traído pela Conjuntura! Não me resta outra saída senão viver o resto dos meus dias com a Conjuntura! Puta da Conjuntura! Puta que pariu a Conjuntura!
« E agora estou perdido!
Devo parar?
- Não, se páras, estás perdido.» (Goethe: Poemas.)»
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Faça um manguito, está a ser observado.
Com tanta gente a observar, quem é que trabalha?
Observatório do medicamento e dos produtos da saúde
Observatório nacional de saúde
Observatório português dos sistemas de saúde
Observatório da vida nas escolas
Observatório do ordenamento do território
Observatório do comércio
Observatório da imigração
Observatório das famílias e das políticas de família
Observatório permanente da juventude
Observatório nacional da droga e toxicodependência
Observatório europeu da droga e toxicodependência
Observatório geopolítico das drogas
Observatório do ambiente
Observatório das ciências e tecnologias
Observatório(s) do turismo (há 'n'!)
Observatório para a igualdade de oportunidades [ e o das Desigualdades?]
Observatório da imprensa
Observatório das ciências e do ensino superior
Observatório dos [trajectos dos] estudantes do ensino superior
Observatório da qualidade em serviços de informação e conhecimento
Observatório da comunicação
Observatório das actividades culturais
Observatório local da Guarda
Observatório(s) de inserção profissional
Observatório do emprego e formação profissional
Observatório nacional dos recursos humanos
Observatório regional de Leiria
Observatório permanente do ensino secundário
Observatório permanente das escolas (acrescentado à lista original)
Observatório permanente da justiça [portuguesa]
Observatório estatístico de Oeiras
Observatório da criação de empresas
Observatório Mcom
Observatório têxtil
Observatório da neologia do português
Observatório de segurança [, criminalidade organizada e terrorismo]
Observatório da segurança humana (acrescentado à lista original)
Observatório do desenvolvimento do Alentejo
Observatório de cheias
Observatório de secas (acrescentado à lista original)
Observatório da sociedade de informação
Observatório da inovação e conhecimento
Observatório da qualidade em serviços de informação e conhecimento
Observatório das regiões em reestruturação
Observatório das artes e tradições
Observatório de festas e património
Observatório dos apoios educativos
Observatório da globalização
Observatório do endividamento dos consumidores
Observatório do sul Europeu
Observatório europeu das relações profissionais
Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal
Observatório europeu do racismo e xenofobia
Observatório dos territórios rurais
Observatório dos mercados agrícolas [e das importações agro-alimentares]
Observatório virtual da astrofísica
Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais
Observatório da segurança rodoviária
Observatório das prisões portuguesas
Observatório nacional dos diabetes
Observatório de políticas de educação e de contextos educativos
Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira
Observatório estatístico
Observatório dos tarifários e das telecomunicações
Observatório da natureza
Observatório qualidade
Observatório da literatura e da literacia
Observatório da inteligência económica
Observatório para a integração de pessoas com deficiência
Observatório da competitividade e qualidade de vida
Observatório nacional das profissões de desporto
Observatório das ciências do 1º ciclo
Observatório nacional da dança
Observatório da língua portuguesa
Observatório de entradas na vida activa
Observatório europeu do sul
Observatório de biologia e sociedade
Observatório sobre o racismo e intolerância
Observatório permanente das organizações escolares
Observatório médico
Observatório solar e heliosférico
Observatório do sistema de aviação civil
Observatório da cidadania
Observatório da segurança nas profissões
Observatório da comunicação local
Observatório jornalismo electrónico e multimédia
Observatório urbano do eixo atlântico
Observatório robótico
Observatório permanente da segurança do Porto
Observatório do fogo
Observatório da comunicação (Obercom)
Observatório da qualidade do ar
Observatório do centro de pensamento de política internacional
Observatório ambiental de teledetecção atmosférica e comunicações aeroespaciais
Observatório europeu das PME
Observatório da restauração
Observatório de Timor Leste
Observatório de reumatologia [doenças reumáticas?]
Observatório da censura
Observatório do design
Observatório da economia mundial
Observatório do mercado de arroz
Observatório da DGV
Observatório de neologismos do português europeu
Observatório para a educação sexual
Observatório para a reabilitação urbana
Observatório para a gestão de áreas protegidas
Observatório europeu da sismologia
Observatório nacional das doenças reumáticas
Observatório da caça
Observatório da habitação
Observatório do emprego em portugal
Observatório Alzheimer
Observatório magnético de Coimbra
E ainda:
Observatório sobre crises e alternativas
Observatório do risco
Observatório para a política da diversidade cultural e religiosa na europa do sul
Observatório sobre género e violência armada
Observatório das políticas de educação e formação
Observatórios sortidos na área da saúde (o "baptismo" deste é meu)- http://www.portaldasaude.pt/portal/servicos/pesquisa/resultados?q=observat%C3%B3rio
http://espectadorinteressado.blogspot.pt/2012/05/observando-os-observatorios.html#more
Observatório sobre crises e alternativas
Observatório do risco
Observatório para a política da diversidade cultural e religiosa na europa do sul
Observatório sobre género e violência armada
Observatório das políticas de educação e formação
Observatórios sortidos na área da saúde (o "baptismo" deste é meu)- http://www.portaldasaude.pt/portal/servicos/pesquisa/resultados?q=observat%C3%B3rio
http://espectadorinteressado.blogspot.pt/2012/05/observando-os-observatorios.html#more
Incrédulo, ainda ainda googlei - existe tudo!
domingo, 20 de maio de 2012
Quem tem um patrão tem tudo
Por favor senhor Coelho não me despeça que preciso de ganhar
a vida!
Sim, pode baixar-me o salário - a crise quando toca, toca a
todos! …
Sim, posso trabalhar mais umas horas – temos de baixar os
custos do trabalho! …
Mas por favor senhor Coelho não me despeça!
Eu sei que exagerei, fui dois anos seguidos para a praia, fui
à Galiza numa excursão de tachos. Como se não bastasse, pedi dinheiro ao banco,
meti-me num apartamento e comprei um carro alemão.
Tenho contas a pagar, por favor senhor Coelho não me
despeça!
Lá em casa já tenho dois no desemprego e já não tenho força
para emigrar.
O filho estudou não sei para quê, a mãe fez uma greve e veio
para a rua.
Tenho de sustentar aquela gente senhor Coelho! ….
Prometo que não
vou em sindicatos e que venho trabalhar no 1º de Maio.
Mas por favor
senhor Coelho, não me despeça!
Sim senhor Coelho!
Este governo é muito bom!
Este era o único país
da Europa onde não se trabalhava no 1ºde Dezembro!
A Inglaterra por exemplo,
não festeja o dia da República! ...
Sim senhor Coelho,
vivemos acima das nossas possibilidades!
A malta estava
cheia de regalias! As greves é que deram cabo disto tudo!
Este governo é
muito competente Senhor Coelho!
A malta queria
médicos à borla e escola para os filhos sem pagar!
Mas por favor
senhor Coelho não me despeça!
A vida está má
para os pobres mas os ricos também têm dificuldades!
Por favor senhor Coelho
não me despeça!
Quer que eu dê umas voltas a ver por onde anda a sua mulher?
Com certeza Senhor
Coelho! Eu faço tudo desde que não me despeça! ...
Quer dar umas
voltas comigo?!
Aí paras Coelho!
Espero sinceramente
que chegue a altura em que o povo diga não!
Entretanto, segundo
as sondagens, os partidos que nos trouxeram até aqui continuam a liderar as
intenções de voto.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Novíssimas oportunidades
Foi Sócrates que abriu o caminho aos passos que Passos dá. Passos acaba com as Novas Oportunidades, ordena a transferência em massa dos professores envolvidos para a iniciativa Novíssimas Oportunidades. Se nas primeiras o mote era "se não estudaste em novo, ao menos estuda em velho", nas segundas é "se não tens emprego, inventa-o".
... mas como há gente com mais imaginação e talento que eu, não resisti em publicar aqui um excerto do dum texto lido no Nós Temos Vacas no Jardim:
mas como há gente com mais imaginação e talento pelo que eu não resisti em publicar aqui um excerto do texto do Ricardo Araújo Pereira, sobretudo depois de muitos já lhe gritarem aos ouvidos, "Passos Ladrão, o teu lugar é na prisão".
"Sigamos o exemplo de Passos Coelho e descortinemos oportunidades em todas as desgraças. Porquê ficar apenas pelo desemprego? Os acidentes rodoviários são uma oportunidade para trocar de carro. Os incêndios são uma oportunidade para organizar uma grande churrascada com amigos. As cheias são uma oportunidade para fazer um passeio de barco bem romântico. E a cadeia é uma oportunidade para descansar e descobrir novas sensações no duche".
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Cá nos vamos aguentando
Se os baixos salários, os impostos altos,
o trabalho precário e a economia controlada por interesses privados fossem a
solução para a crise, a crise nunca teria chegado a Portugal. Mais: Portugal
seria o país mais desenvolvido e próspero da Europa.
Se fosse na inovação tecnológica que
estivesse o futuro ? e a salvação ? de Portugal, e estando o país atascado em
telemóveis, computadores (sem esquecer os Magalhães), IPODs, IPADs,
internet e cliques a torto-e-a-direito, certamente que teria aumentado a
produção de carne, cereais, fruta, legumes, aço, leite, sapatos, camisolas,
componentes electrónicos, agulhas e alfinetes. E o peixe pescado por nós seria a
nossa principal fonte de proteínas. Um enter e nasce a bezerra; dois
cliques e cresce o trigo; um copy and paste e apanha-se um
cardume. E seria sempre a aviar.
Se aumentar os impostos correspondesse a
arrecadar mais receita fiscal, o Estado estaria rico. Ora, se o Estado, depois
de ter aumentado brutalmente os impostos, está a arrecadar menos 5,8% em relação
ao que se verificava há um ano, é porque alguém chamado Vítor não percebe nada
disto. Ou finge que não percebe.
Se os bancos, que são os principais
responsáveis pela dívida externa portuguesa ? e não o Estado, como gostam de
fazer crer ?, já que se financiaram no estrangeiro para, por sua vez,
financiarem a compra de casa própria pelos portugueses, se alambazaram ao
avaliar as casas e a aplicar os seus vorazes spreads, que resolvam,
então, a bolha imobiliária que está a rebentar-lhe nas mãos. Para não sermos
todos nós, outra vez, a cobrir os riscos do negócio bancário. Que é privado,
como sabemos. Ou privados serão, apenas, os lucros?
Se, após cinco anos numa empresa, um
trabalhador português apenas recebe 34% (cerca de um terço) do que um alemão
recebe quando perde o emprego, e 46,9% (menos de metade) do que recebe um
espanhol, está mesmo a ver-se que só quando a indemnização for zero é que
Portugal passará a ser um país desenvolvido e próspero. Calma, que está
quase.
Posto isto,
recordemos Miguel Torga. Há cinquenta e um anos,
afirmou:
É um
fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado,
come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo
cívico da agressão. Somos, socialmente, uma sociedade pacífica de
revoltados.
Se isto foi dito há mais de 50 anos, em
plena ditadura (a tal longa noite fascista, que durou 48 anos), e serve que nem
luva nos dias que correm, será que vivemos, há 38 anos, uma longa noite?
democrática? E que ainda seremos capazes de aguentar mais
dez?
Se não fôssemos tão mansos, o que é que
gostaríamos de ser?
Embora não os aguente, cá me vou aguentando como posso. Um abraço a todos os fiéis leitores que continuam a aguentar-me.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Diário da beira da estrada
Tanta gente que aqui passa a viajar. Não nos vemos. Eu sei que eles vão e eles sabem que eu
estou. Que penso eu deles? Pensarão eles em quem vive nesta
casa?
Sou agora outro homem. Puseram na minha aldeia o ruído da
cidade.
Aquele vai cá numa brasa!
Isso é que aquele leva uma velocidade!
Está cara a gasolina!
Olha um deles numa limusina!
Isso é que aquele leva uma carrada!
Olha lá vai a brigada!
Outra vez o INEM!
Ganda BM!
Ganda camião!
Que irão a pensar? Para onde irão?
Aquele deve de ir de férias para norte!
Aquele deve de ir buscar porcos ao oeste!
Olha a sorte que me deste querido progresso:
A minha aldeia ferida num país em retrocesso.
Se os pássaros sobreviverem, também hei-de sobreviver.
Só
não posso garantir se continuarei a cantar e a escrever.
Para onde irá aquele? Aquele andará a fazer o quê?
Não anda a fazer nada! Anda só a chatear as gentes da beira da estrada!
Puta é a icê! Nunca está calada!
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Desemprego surpreendente
- Portugal tem de ser mais competitivo.
- A competividade é maior se forem menores os custos do trabalho.
- Quanto mais desempregados existirem, mais barata é a mão de obra.
- Facilitando os despedimentos, aumenta o emprego.
É assim que eles pensam. E, no entanto, ninguém questiona que, quando eles se dizem surpreendidos com os números do desemprego, estão a querer dizer que esperavam que eles fossem ainda maiores.
Não contaram com o surto de emigração?!
- Quem não está contente, emigre.
- A emigração é uma mais valia para o país.
Meus caros, não se pode querer tudo! Queriam emigração? Agora não têm o desemprego que desejavam!
Já sou recorrente nesta mas tenho de a repetir:
A ideia central desta corja que sobreviveu ao fim do Estado Novo e que faz agora o seu voo de abutre é:
Quanto pior viverem as pessoas melhor vive o seu país.
- A competividade é maior se forem menores os custos do trabalho.
- Quanto mais desempregados existirem, mais barata é a mão de obra.
- Facilitando os despedimentos, aumenta o emprego.
É assim que eles pensam. E, no entanto, ninguém questiona que, quando eles se dizem surpreendidos com os números do desemprego, estão a querer dizer que esperavam que eles fossem ainda maiores.
Não contaram com o surto de emigração?!
- Quem não está contente, emigre.
- A emigração é uma mais valia para o país.
Meus caros, não se pode querer tudo! Queriam emigração? Agora não têm o desemprego que desejavam!
Já sou recorrente nesta mas tenho de a repetir:
A ideia central desta corja que sobreviveu ao fim do Estado Novo e que faz agora o seu voo de abutre é:
Quanto pior viverem as pessoas melhor vive o seu país.
domingo, 6 de maio de 2012
Mães há muitas
Enquanto os nossos pais faziam o" sol a sol" por conta dum patrão, as nossas mães tratavam da comida, da roupa, da horta, da seara, da eira, do celeiro, das compras, das vendas, do ror de cabeças de gado, da catrefa de filhos, de tudo. Quando nos perguntavam a profissão da mãe, nós respondíamos: doméstica.
A minha era uma mulher sabida da vida porque ficou orfã de pai aos quatro anos e de mãe aos nove e os irmãos fugiram para o Brasil. A tua era uma mulher sabida da vida porque ficou orfã de mãe aos três dias e o pai desapareceu para o Brasil. De tão iguais que eram na vida, na sorte, na prole, na sabedoria e na humildade, talvez, sem sabermos, nos tenham unido para que tu fosses a mãe dos meus filhos.
Só que agora os tempos são outros: sou eu que faço tudo e tu só fazes compras e conversas com as amigas.
"- Mas que merda de história vem a ser esta?!"
- Não escrevas o que eu não disse, eu perguntei: "mas o que é isto?!"
- Pois, mas isto é uma técnica que agora eu utilizo para evitar que outras pessoas utilizem as minhas histórias. Se eu escrever "merda" ou coisa parecida, a história fica borrada e já ninguém se vai servir dela ou apreciá-la como "bonita!...". Não gosto que adjectivem as coisas com "bonita!...". Penso sempre que se estão a referir a ti!
- Bonito!
- Cala-te mãe! O blogue é meu e eu é que mando nele!
- Estás bonito, estás!
- Hoje é dia da mãe?!
A minha era uma mulher sabida da vida porque ficou orfã de pai aos quatro anos e de mãe aos nove e os irmãos fugiram para o Brasil. A tua era uma mulher sabida da vida porque ficou orfã de mãe aos três dias e o pai desapareceu para o Brasil. De tão iguais que eram na vida, na sorte, na prole, na sabedoria e na humildade, talvez, sem sabermos, nos tenham unido para que tu fosses a mãe dos meus filhos.
Só que agora os tempos são outros: sou eu que faço tudo e tu só fazes compras e conversas com as amigas.
"- Mas que merda de história vem a ser esta?!"
- Não escrevas o que eu não disse, eu perguntei: "mas o que é isto?!"
- Pois, mas isto é uma técnica que agora eu utilizo para evitar que outras pessoas utilizem as minhas histórias. Se eu escrever "merda" ou coisa parecida, a história fica borrada e já ninguém se vai servir dela ou apreciá-la como "bonita!...". Não gosto que adjectivem as coisas com "bonita!...". Penso sempre que se estão a referir a ti!
- Bonito!
- Cala-te mãe! O blogue é meu e eu é que mando nele!
- Estás bonito, estás!
- Hoje é dia da mãe?!
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Doce 1º de Maio
Por estranha coincidência o local de concentração para o desfile foi à saída dum Pingo Doce. O povo que saía com os carrinhos de compras entrecruzava-se com o povo que envergava bandeiras e cartazes. O povo que passava com as compras esboçava satisfação de ter realizado bom negócio e o povo que se preparava para a marcha mostrava-se satisfeito por ver a manifestação composta. Pareciam ignorar-se mutuamente como se de dois povos diferentes se tratasse.
"Dê-me licença senhor!"; "Deixa passar a senhora camarada!"; "Viste! Ganhámos duzentos euros!... Estes estão a manifestar-se para quê!?..."; " Já somos mais de mil!... Parece que há ali uma grande promoção no Pingo Doce!..."
Chegou mais polícia, pensámos que era pelo facto dos manifestantes ultrapassarem os números previstos. Mas, afinal, entraram para o centro comercial - um desentendimento entre clientes do supermercado.
O desfile partiu deixando espaço livre aos carrinhos de compras. Só soubemos que o grande acontecimento do dia tinha sido a promoção do Pingo Doce e não as manifestações que ocorreram por todo o país, quando nos contaram já em casa.
Mandem lixar o Soares dos Santos, querem ouvir a nossa história?
Estávamos já no autocarro de regresso. O "marcamos às seis para sair às seis e meia" fora um mau prenúncio: falta sempre alguém; há gente que não se importa de fazer esperar os outros; podem ter-se perdido; se calhar não sabem que é aqui; isto é o que mais me irrita nestas coisas; faz parte; falta sempre alguém...
Faltava eu: contei os passageiros que estavam no exterior do autocarro em rodas de espera, contei os lugares vazios e fui ter com o chefe de viatura que também estava lá fora.
- Ouve lá! Mas para arrancar não faltam só vocês?!
Entraram. Afinal, há mais de um quarto de hora que estávamos todos, só que ninguém quis acreditar.
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