segunda-feira, 16 de julho de 2012

Férias?!


O meu pai nunca teve férias. Nunca teve um dia de férias. Mesmo quando Abril lhe atribuiu o direito, trabalhava na mesma, num mês recebia três.
Nós tínhamos férias mas eram escolares. Nas férias grandes aprendíamos as coisas que não se aprendem na escola. Quando chegava a Outubro estávamos tão fartos dos trabalhos das férias que desejávamos o regresso às aulas.

De modo que só comecei a gozar férias quando tive um emprego. Nos primeiros anos passávamos um mês fora, depois começámos a ir só três semanas, depois a quinzena, depois dez dias, depois a semana, o ano passado não fomos e este ano vamos quatro dias. Está tudo bem! Vamos! Mas vamos com medo que para o ano nos tirem as férias ou o trabalho!... 

Porque diabo têm os patrões de pagar os dias que os trabalhadores estão em férias?! Já há mentes a colocar questões destas. Não admira, estamos a viver um retrocesso histórico sem precedentes. Eles avançam quando pressentem medo. Eles têm as melhores armas, nós somos muitos mais, temos os números.
Amigos, companheiros e camaradas: isto só se resolve na rua.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Porque ando desassossegado


Tenho um amigo, que me vem ajudando a construir-me há vinte anos, que tem uma mania antiga de oferecer coisas aos amigos. A primeira coisa que me ofereceu foi, evidentemente, a amizade. Seguiu-se a sua casa humilde, cheia de livros e objectos que não se encontram em mais nenhuma casa do mundo; depois o seu jardim onde cresce a maior colecção de coníferas da Península Ibérica. Evidentemente que também já tenho algumas coníferas no meu jardim. Mas a primeira prenda factual que ele me deu, foi uma malga de azeitonas curtidas e temperadas pela sua prendada e saudosa mãe. Depois seguiram-se, entre tantas, outras coisas, um loureiro; durante tempos, com frequência irregular, pisa papéis de todas as formas e feitios; três termómetros iguais em três semanas consecutivas, um para medir a temperatura na vinha, outro na cave e o terceiro na sala de jantar; a capa do vinil do primeiro album dos Deep Purple e, recentemente, o livro do Desassossego de Bernardo Soares. 
Está deixada a primeira razão porque tenho vindo a citar trechos dessa obra. Porque ele é o amigo com quem mais privo e mais aprendo coisas da arte; falamos de arte por arte e sem limites ou preconceitos, universal, arte mesmo, arte do grande pintor, arte do graffiti, arte de Mozart, arte da flauta do pastor, arte do jazz, arte de enxertar, arte de cozer, arte de coser, arte de da Vinci, arte da poesia, de escrever e de inventar, e porque tanto gostarmos de arte, ganhámos a arte de ver, de ouvir e de falar - desde que não estejam mais de três pessoas! ... Nós os dois e o Bernardo:


"A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual ou da emoção, distinta da vida, que é expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida a acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem, e o que exprime o que sobrou do que teve."

Depois concluímos, há dois tipos de não artistas: os que sentem e admiram a arte e aqueles que acham certas coisas engraçadas e dão o desconto aos seus autores.






quinta-feira, 12 de julho de 2012

Relvas equivale ou é equino?!

1- Dantes tudo era relativo, agora tudo é equivalente.
2- O Rei não perde tempo com assuntos do momento.
3- Quanto mais se fala de Relvas, mais o Coelho sai da toca para destruir a horta.
Mas... 
recebido por e-mail ou coisa equivalente
Infelizmente Relvas tem muitos equivalentes. A presença desse homem no governo é importantíssima como exemplar perfeito da corja que o acompanha. Que ninguém ouse reclamar a sua demissão. O lugar dele  é ao lado de Passos. Ele faz-nos falta. A não ser que já tenham outro equivalente para lhe tomar a cadeira. Que estas brincadeiras não nos sirvam para nos distrair do essencial: este tipos estão a dar cabo da vida das pessoas, do país e da nossa paciência!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Leitão da quinta


Só me faltava esta. Num país de tanta entidade reguladora que nada regula porque regulam pela bitola dos interesses que as nomeiam, devia, pelo menos, existir uma entidade reguladora, regulada por mim, obviamente, que regulasse a gastronomia do leitão - a ERL.
Depois do Frango Tipo Leitão, vem-me agora esta pelas mãos corteses do amigo D"Sul :
Chefe Tiger: pizza de leitão

Esta semana, o chefe Tiger traz-lhe uma sugestão de pizza de leitão. Veja, confecione, desfrute e impressione.



sábado, 7 de julho de 2012

Como fazer uma flauta de cana



O som da flauta nascia do silêncio longínquo da escuridão dos pinheirais e crescia até aparecer junto de nós de corpo e alma. Interrompia as nossas conversas de adolescentes acerca de raparigas, de grupos de blues e rock n´roll, da existência e dos fins do universo, que preenchiam as nossas noites longas na esplanada iluminada junto à piscina ou no aconchego sombrio da mesa de pedra que estava sob a copa do carvalho grande.

O velho Xote era assim, livre e espontâneo, na data e na hora a que lhe desse na telha, partia da casa onde vivia sozinho e percorria pelos caminhos florestais sem vivalma, os sete quilómetros que separavam a sua aldeia daquela onde o filho, por casamento, vivia e onde tinha um autêntico centro recreativo e cultural, palco aberto, bar aberto, casa aberta diferente de todas as outras porque também o filho era diferente como o pai.

Sobre a pequena estatura, sentava a altivez da idade. Sobre as botas pesadas, levantava os passos pequenos mas com destino. Sob a boina queimada do sol, mostrava o olhar melodioso e vivo. Sob o bigode grisalho largava as respostas curtas e acossadas – não era um velho de contar histórias. Não se conhecia por ali velho novo como aquele. Tão jovem que nenhum jovem o tratava por você, mas por shot - ou short?! ... Ele era tão eclético! Era xote, merecidamente, porque também dava um jeito de flauta e dança, a essa música, quando o copo a mais o fazia exibir nos arraiais das redondezas e deixava de tocar canções tradicionais ou aquela do Bob Dylan de que ele também gostava muito.

Talvez a sua maior qualidade fosse a habilidade com que equilibrava as agruras da vida e a crueldade duns tantos, com as belezas do mundo e a simpatia de uns poucos.

O filho, a nora e os netos estimavam-no mas respeitavam a sua liberdade. Poderia ficar ali uma noite, uma semana fazendo companhia à família e tocando flauta para os clientes mas a qualquer momento do dia ou da noite se poderia ver partir sem dizer aqui vou eu. 

Era ele próprio que fazia as suas flautas e vendia algumas para os copos.
Num desses convívios de madrugadas espontâneas aconteceu-me tentar negociar com o Xote uma flauta.
- Quinhentos escudos!
- E aonde é que eu tenho esse dinheiro?!
- Não tens?! Amanhã aparece por aqui que eu ensino-tas a fazer!



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Estou num desassossego

Estou num desassossego por tudo o que se está a passar, anda tudo passado, parece que nada se passa e a minha intervenção não consegue ir além da piada sem graça, da rima pobre ou da chalaça. 
Como se não bastasse, verifiquei agora que o texto da última mensagem, a das moscas, que está em itálico, não é meu mas dum tal Bernardo Soares, como similarmente acontece na presente mensagem, com o que não está em itálico. 
De facto, acontece-me por vezes escrever coisas que venho a reencontrar escritas por outros, sem possibilidade de  ter existido plágio ou desmemorização.
Outras vezes encontro trechos que não me lembro de ter escrito - o que é um pouco de pasmar -, mas que nem me lembro de poder ter escrito - o que me apavora. Certas frases são de outra mentalidade. É como se encontrasse um retrato antigo, sem dúvida meu, com uma estatura diferente, com umas feições incógnitas - mas indiscutivelmente meu, pavorosamente eu.
Eu, cujo espírito de crítica própria não me permite senão que veja os defeitos, as falhas, eu, que não ouso escrever mais que trechos, bocados, excertos do inexistente, eu mesmo, no pouco que escrevo no pouco que escrevo sou imperfeito também.
Vim a descobrir que esse tal Bernardo Soares não é militante do PCP mas um heterónimo de Fernando Pessoa com o qual, óbvia e modestamente não ousarei comparar-me. Esta mensagem de desassossego - vejam: mensagem, desassossego -  não se liberta da propositada coincidência, do tem jeito, do engraçado, do pretensioso escritor de gaveta e é apenas uma forma desajeitada de evitar revelar a intenção ou reconhecer a imprudência de uma mosca quando se aproxima dum prato de sopa de letras de Pessoa.

sábado, 30 de junho de 2012

Uma mosca na sopa

Hoje ao jantar senti-me tão cansado que caí com a cabeça no prato da sopa. Se fosse só isso!...

Senti-me mosca quando supus que me o senti. Fui mosca quando me comparei a mosca. E senti-me uma alma mosca, dormi-me mosca, senti-me fechado mosca. E o horror maior é que ao mesmo tempo me senti eu. Sem querer ergui os olhos para a direção do teto, não baixasse sobre mim uma régua suprema, a esmagar-me, como eu poderia esmagar aquela mosca. Felizmente, quando baixei os  olhos, a mosca, sem ruído, que eu ouvisse, desaparecera. O escritório involuntário estava outra vez sem filosofia.

É claro que já não comi a sopa.
A razão principal de eu escrever sobre isto não é o facto de eu ter caído com a cabeça no prato. A razão principal prende-se com o facto de saber se este naco de prosa tem nexo e se, sendo prosa, eu como mosca posso fazer poesia. É que há quem ache que as moscas não têm poesia.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O efeito Cristiano Ronaldo

Pode acontecer que o fato mais bonito que se veste seja a própria nudez. Todos temos, além do nosso próprio nu, as histórias dos nus com que fomos crescendo.
Tenho uma vaga luz de ter visto, às escondidas, o pipi da minha prima Teresa. / A garotada escondia as bicicletas e ficava a aguardar por trás dos salgueiros: era certo e sabido, se fizesse calor quando a Manuela ia lavar ao rio, ia àquele recanto onde a corrente se escondia  e, no máximo em combinação, havia banho. / Chegámos a fazer uma vaquinha para comprar a Playboy que tinha a Bruna Lamborghini como coelhinha. / Depois fomos crescendo e acontecendo, cada um com as suas, mas nunca se apagou a curiosidade de poder ver coisas despidas e bonitas.

Mulheres da corte! Perdoai-me! Podereis chamar-me macho mas jamais machista! Este texto é uma gratidão do Rei dos Leittões para convosco. Sempre ouvi dizer que o prazer de ver corpos nus não é recíproco entre os dois sexos. Da minha parte compreendo a diferença: o corpo da mulher é bem mais bonito do que o do homem! 

Então, porque carga de desejo, anda tanta a gente à procura de encontrar imagens do Cristiano Ronaldo todo nu? Como previ, o post que publiquei com este título, dia 18, teve resultados dignos de "estudo caso". A imagem do sitemeter comprova - as visitas da Pocilga dispararam. Não podemos averiguar se o interesse parte mais do sexo feminino se do masculino - nestes tempos que correm tudo é possível. Mas podemos constatar que as pesquisas do tema foram ainda mais significativas nos dias em que Portugal jogou. Aí, já é difícil interpretar os dados. O que é que se passa com esta gente?! Está a ver o jogo e, em vez de  descascar amendoins, vai ao google para ver se encontra o puto descascado?!

Entusiasmado com os resultados fiz outra tentativa em o Filho de Cristiano Ronaldo não é dele. Já este titulo à "correio da manhã" não surtiu efeitos maiores o que pode significar que a nossa sociedade está em transformação, já não liga às testas nem à vida privada dos seus ídolos embora não resista à sua intimidade.

Quanto ao título presente não sei o que vai dar, nem já me interessa, sei apenas que o efeito Cristiano Ronaldo tem implicações diretas nas visitas de um "blogue de terceira distrital".

Quando voltar a estar sério, voltarei a falar de coisas séria. e prometo não falar mais no Cristiano Ronaldo. Talvez ainda possa tentar a sorte num título "Angela Merkel toda nua".
Não apertarei o cinto, nem deixarei cair as calças, vou fazer nudismo! - Isso faz-se?!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Arrenda-se quarto

(dedico aos que também não pensam)

Não gosto dos móveis do meu quarto porque me tortura e aborrece a sua quietude, o seu silêncio.
Não é porque me respeitem, é vingança para que eu inveje a sua condição de matéria inerte!
Ah!!! Mas eu sou Vivo!...
Ó vaca de cama onde se deitam toda a espécie de sonhos e pensamentos!...
Ó secretária frustrada e untada com caracteres que nem sequer são de palavra e que tentas convencer-me que vou passar a vida olhos nos nós da tua madeira serrada!...
Ó guarda-roupa que tens a mania que me assustas com o teu espelho cego e mal sabes tu que fui criado à imagem e semelhança de Deus!...
Sou Vivo!...
Ó estante imunda, que nem sequer existes aquém da minha imaginação, que me chamas pobre e desconheces, por natureza, a riqueza do meu conhecimento!...
Ó cadeira emproada de orgulho por me tocares as costas e o traseiro e nem sequer te foi reservado o direito de experimentares os prazeres do corpo!...
Sou um ser Vivo!...
Ó candeeiro que nunca viste o sol nem sabes as causas físicas da electricidade e julgas dar-me luz!...
E tu, que te sentes viril por estares de cabeça e ao corrente dos sexos adúlteros cá do bairro e não passas de mesinha sem penico e com gaveta de trocos!...
Só tu, meu rádio querido, me dás sinais de vida! 
Música! Música!
És tu que fazes do meu quarto meio.

(hoje, mais uma vez, vou dormir dentro do meu rádio que está dentro do meu quarto…)

sábado, 23 de junho de 2012

Mago Gaspar, o insurpreendente surpreendido


Surpreendido com os números do desemprego, surpreendido com a diminuição das receitas fiscais, surpreendido com os indicadores económicos, surpreendido, enfim, com os resultados da sua política. Tão surpreendido, este mago, sábio, competente, doutor Vitor Gaspar que já não surpreende ninguém. Resultados que qualquer taxista mestre em finanças públicas ou a minha padeira que puxa pela máquina calculadora para fazer a contas a cinco carcaças de dez cêntimos, há muito tempo vinham anunciando como esperado.
- Atirei-lhe uma cartuchada porque o malandro não trabalhava como eu queria! Nunca pensei que ele ficasse ferido!...
É claro que ninguém acredita em tanta inocência. 

- Senhor doutor juiz, fui violada pelo meu namorado!
- Conte lá então menina!
- Ele convidou-me para sair com ele à noite no seu carocha...
- E a menina foi?!
- Sim, senhor doutor juiz, na minha inocência, fui.
- Sim, então e depois?!
- Depois parou o carocha numa mata escura...
- E a menina não estranhou?!
- Senhor doutor, na minha inocência, não!
- E a seguir?!
- A seguir começou a fazer-me umas festinhas...
- E a menina?!
- Na minha inocência aceitei...
- Aceitou e depois?!
- Depois mandou-me ir para o banco traseiro e começou a baixar-me as cuequinhas...
- E a menina deixou?! 
- Senhor doutor, eu na minha inocência, deixei!...
- Deixou e...
- Senhor doutor juiz, depois enfiou-me cada um dos pés nas pegas laterais que estão por cima das portas da frente...
- E a menina consentiu?!
- Senhor doutor, eu na minha inocência...
- Ó menina, vá-se lá embora que inocente sou eu que há vinte anos que tenho um volkswagen e ainda não tinha percebido para que é que servem as pegas!...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O filho de Cristiano Ronaldo não é dele


Tenho saudades, meu amor, do tempo em que tínhamos os pés verdes de verdes serem os campos. Tenho saudades do tempo em que os nossos lábios tinham a humidade das fontes e dos púcaros e os teus seios eram montes que eu escalava até aos pícaros.

Tenho saudades, meu amor, do tempo em que regavas o milho e eras boa como ele e eu, da nave, cantarolava a canção do torneiro. Tenho saudades do tempo em que bebias e eu assobiava como o vaqueiro. 
- Lembras-te quando me molhaste todo e me chamaste boi?! 

Tenho saudades, meu amor, do tempo que se foi  e em que  nós íamos com pés verdes e erguíamos bandeiras vermelhas pelas ruas estreitas. Nessa altura isso dava, tu eras magra e eu tinha um mastro que apoiava nas sapatilhas brancas. Tenho saudades do tempo em que marchávamos até à foz para gritar aos peixes "o mar é nosso" e acabávamos deitados de cabeça virada para cima a fazer castelos nas nuvens para não sujar as mãos na areia. Tenho saudades do tempo em que o mar se via da praia. 
- Lembras-te, quando ergui o mastro e lhe atei, com a tua saia, o teu espelho para ver se víamos a Madeira?!

Nesse tempo não se escreviam poesias de mau gosto, os versos eram lúcidos, as palavras eram as certas, as sílabas tinham os devidos erres, existia pontuação e escrevia-se sem erros. Houve-se o Paulo Bento com tranquilidade e o Bento XVI canta.  O meu patriotismo é amor, não é uma queca à república checa nem uma santa padroeira! 
Não se diz o Portugal! O meu amor é sopeira! Meu amor, Portugal!

(estou são e sóbrio, estou quase o amante ideal)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Tenho um azar com as bichas!...

isto acontece-me nos correios, nos supermercados, nas repartições... o único local onde não me acontece é nos bancos... porque será?!...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cristiano Ronaldo todo nu

Antes demais deixem-me dizer que sei que estes desabafos são contraproducentes - quanto mais desabafamos, menos interessantes nos tornamos e, este blogue é real, cortês mas é caseiro, é de gaveta.

Não quer isto dizer que não se acompanhem as visitas, quantas, de onde e o que apreciam. Se se tem casa aberta é para servir os clientes e eles existem e são observados e contabilizados em aplicações que servem para isso mesmo. Observei agora, e só agora, que esta pocilga ultrapassou as 100 000 visitas. Não é um grande feito, blogueres maiores se rirão de eu pretender assinalar essa contabilidade. 
Presto a modéstia, já foram de 80 a 100 diárias e agora são de 40 a 60 e tal. Muito pouco, portanto. Mas muito mais, acreditem, também não as exijo porque me exigiriam mais responsabilidade o que, os que me vão conhecendo, sabem que não é o meu forte. De qualquer forma já tive experiências piores: escrevi para o jornal da minha freguesia até ao dia em que me apercebi que as únicas pessoas que liam a minha coluna eram o pároco e a mulher do  director.

Quando descobri como é que se punha um contador de visitas - sou porco, não sou burro - coloquei-o a 100. Desde 2006 que outros blogueres-fidalgos acompanham este reino e sabem bem o que é que a corte gasta. São eles a parte mais valiosa das visitas. Outros o foram e foram-se cansados deste terrétété ou aliciados pelo hipermercado social do facebook. Deles e outros, registo 200 links/ligações.
Outras tantas visitas existirão de outra gente que veio ao encontro daquilo que procurava. Umas gostaram, voltaram, outras nem por isso. Também existem visitas de voyeurs cá do burgo, de amigos dignos desta identidade e minhas - pois claro! o autor da personagem, do espaço, do reino, do rei, também vem cá duas ou três vezes por dia ver o andamento do negócio!

Antes que me dê para acabar esta mensagem que pretendia ser curta, quero dizer-vos: o Rei dos Leittões  já conheceu melhores dias, provavelmente poderá vir a conhecer piores dias, poderá estar parado dias, meses, perderá leitores mas não acabará lido apenas pela mulher do pároco e pelo director do google, acabará apenas quando o rei perder completamente as suas faculdades mentais.

Como vedes, visitantes, amigos, companheiros, camaradas, não estou num dos meus melhores dias. Estou quase sem faculdades mentais.  A intenção desta mensagem era revelar as motivações que, para além das já enunciadas, fazem ultrapassar as 100 000 visitas: títulos, frases, imagens que fazem os motores de busca incrementar contagens desejadas mas tantas vezes inócuas. Revelo então - e a esta altura do texto já estarei só a ser lido pela fidalguia, amigos bloggers que partilham das mesmas diversões contabilísticas - as mensagens que mais deram e continuam a dar pontos nas visitas:
1º lugar - Sexo online, grátis, portuguesas - vá-se lá saber porquê!
2º lugar - O que é um transistor? - percebo porquê, você mesmo não sabe o que é!
3º lugar - De Moçambique afectuosamente - afectuosamente, eis a palavra chave...
4º lugar - Ary Toledo - O rico e o pobre - grande cantor, grande cantiga!
5º lugar - 16 - A Fábrica do Torneiras - nem eu, francamente, percebo porquê!
E anda para aqui o monarca em textos de escárnio e maldizer, em reflexões profundas ou banais, em políticas palacianas e de rua, em poesias de amor ou de vinagre, em histórias de amor ou de palheiro para ser visitado por dá cá aquela palha?! Percebeis agora o título deste post?! 

Este post vai ter muitas visitas. Poucos irão além da primeira frase. Meia dúzia, talvez sete, chegará ao segundo parágrafo. E só tu, meu grande amigo, o leste todo -  afinal, ainda tenho uma razão para continuar!

Para não ser desmancha-prazeres:

Não está?! Para mim é como se estivesse! Estou-me borrifando para a nudez do rapazote!

domingo, 17 de junho de 2012

11º mandamento

11º mandamento: não fazer caridade pela mão dos ricos.


Reprodução dum comentário furtivo ao post anterior. Repito: reprodução.



PROGRAMA DE LUTA CONTRA A FOME.
Nada é o que parece. Ora vejam:
Decorreu num passado fim de semana mais uma ação, louvável, do programa da luta contra a fome mas....façam o vosso juízo!
A recolha em hipermercados, segundo os telejornais, foi cerca de 2.644 toneladas! 
Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, 0.50 €, reparem que: 2.644.000 kg x 0,50 € dá 1.322.000,00 € (1 milhão, trezentos e vinte e dois mil euros), total pago nas caixas dos hipermercados.
Quanto ganharam?:
- o Estado: 304.000,00 € (23% iva)
- o Hipermercado: 396.600,00 € (margem de lucro de cerca de 30%).
Nunca tinha reparado quem é que mais engorda com estas campanhas!
Devo dizer que não deixo de louvar a ação da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários.
MAIS...
É triste, mas é bom saber...
- Porque é que os madeirenses receberam 2 milhões de euros da solidariedade nacional, quando o que foi doado eram 2 milhões e 880 mil? Querem saber para onde foi esta "pequena" parcela de 880.000,00 €? A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada. 
Pelas televisões a promoção reza assim: preço da chamada 0,60 € + IVA. São 0,72 € no total. O que por má-fé não se diz é que o donativo que terá chegado (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50 €. Assim oferecemos 0,50 € a quem carece, mas cobram-nos 0,72 €, mais 0,22 € ou seja 30%.
Quem ficou com esta diferença?
- a PT com 0,10 € (17%) isto é a diferença dos 50 para os 60.
- o Estado com 0,12 € (20%) referente ao IVA sobre 0,60 €.
Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da baixa moral a que tudo isto chegou.
A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado atingiu os 2.000.000,00 €. Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44%, ou seja, mais 880.000,00 € divididos entre a PT (400.000,00 € para a ajuda dos salários dos administradores) e o Estado (480.000,00 € para auxílio do reequilíbrio das contas públicas e aos trafulhas que por lá andam).
A PT cobra comissão de quase 20% num acto de solidariedade!!!
O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade!!!

"O que me preocupa não é o grito dos maus`. É o silêncio dos bons."

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Manipulação de informação

Talvez já conheçam este texto. Eu, pelo menos, já o li há um tempo e algures. Hoje alguém mo enviou "powerpointado" e deu-me para o revelar a quem não o conhece. Trata-se de uma versão de José Mauro Rodrigues sobre as Visões Alternativas de Noam Chomsky, adaptado/amputado por mim por razões de espaço de atenção.
1.  Promover a distracção
O elemento primordial do controlo social é a regra da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas. Consiste em inundar os meios  de comunicação com distracções contínuas e notícias sem importância ... Trata-se de manter a atenção do público longe dos verdadeiros problemas sociais, atraída por temas sem importância, ocupada, sem nenhum tempo para pensar.
2.  Criar problemas e oferecer soluções
O método consiste em criar uma situação que se espera causar certa reacção no público, de modo a que este suplique a aplicação  das medidas que se pretende fazer acatar. Por exemplo: ... - gerar e agravar uma crise económica para que o povo aceite como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
 3.  Actuar com gradualidade
Para conseguir que seja aceite uma medida inadmissível, basta aplicá-la gradualmente, em pequenas doses, ao longo do tempo. Desta forma, as novas condições são aceites sem provocar revoltas.
 4.  Gerar aceitação pelo adiamento
Uma decisão impopular, é apresentada como “dolorosa e necessária”, conseguindo obter num dado momento a aceitação pública para aplicação futura, mais facilmente acatável do que um sacrifício imediato.
Deste modo, não há esforço imediato e a massa ingenuamente crê que “amanhã tudo irá melhor” e conseguirá evitar-se o sacrifício exigido. Assim, dá-se tempo para instalar habituação à ideia da mudança e resignação no acatamento quando chegar o sacrifício de facto.
 5.  Dirigir-se ao público como imaturo
O público utiliza com frequência discursos, argumentos, personagens e entonações característicamente infantis, muitas vezes próximos da debilidade, como se os receptores fossem criaturas de pouca idade ou deficientes mentais.
Quanto mais se procura enganar a audiência, mais se tende a adoptar um tom infantil. “Porque ao dirigir-se a uma pessoa como se tivesse 12 anos ou menos, tenderá, por sugestão, a adoptar respostas ou reacções mais infantis e desprovidas de sentido crítico”.
 6.  Utilizar a emoção mais do que a reflexão
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para curto-circuitar a análise racional e neutralizar o sentido crítico dos indivíduos.
Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar e injectar ideias, desejos, medos, temores, compulsões ou induzir a determinados comportamentos.
 7.  Manter o povo na ignorância e na mediocridade
Fazer com que o público seja incapaz de compreender a tecnologia e os métodos utilizados para conseguir o seu controlo e escravidão.
“A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância entre estas e as classes altas permaneça inalterada no tempo e seja impossível alcançar uma autêntica igualdade de oportunidades para todos”.
 8.  Estimular o público a ser complacente com a mediocridade
Fazer crer ao povo que está na moda a vulgaridade, a incultura, o ser mal falado ou admirar personagens sem talento ou mérito algum, o desprezo ao intelectual, o exagero do culto ao corpo e a desvalorização do espírito de sacrifício e do esforço pessoal.
 9.  Reforçar o sentimento de culpa pessoal
Fazer crer ao indivíduo que ele é o único culpado da sua própria desgraça, por insuficiência de inteligência, de capacidade, de preparação ou de esforço.
Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema económico e social, o indivíduo se desvaloriza, se culpa, gerando em si um estado depressivo, que inibe a sua capacidade para reagir. E sem reacção não haverá revolução.
 10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmo se conhecem
Nos últimos 50 anos, os avanços da ciência geraram uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles utilizados pelas elites dominantes.
Graças à biologia, a neurobiologia e a psicologia aplicada, o Sistema tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicológica.
O Sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele se conhece a si próprio. Isto significa que, na maioria dos casos, o Sistema exerce grande controlo e poder sobre os indivíduos, superior ao que pensam que realmente têm.

13 - Isto está a ser aplicado em Portugal, primeiro pelos batedores da era sócrates e agora pelos agentes da força coelho.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Patriotismo a pontapés


Hoje é dia de futebol. É dia de puxar pelo patriotismo. 
Pena que também não tenhas saído mais cedo do trabalho quando, há dias, houve uma manifestação contra o ataque aos direitos laborais.
Pena que só hoje, porque queres chegar mais cedo a casa, tenhas dado pela lentidão dos transportes e não tenhas estado presente quando, há dias, houve uma concentração contra à supressão de carreiras públicas.
Pena que também não te tenhas juntado à malta do bairro quando, há dias, houve uma assembleia contra o fecho do centro de saúde. 
Pena que também não te tenhas juntado com os teus filhos quando, há dias, te pediram ajuda num trabalho contra o abate da zona florestal da tua futura extinta freguesia.
Pena que há dias que faças contas para este dia e nem sequer deste conta que já passou o 10 de Junho.
Mas não, para ti só há dias nos dias em que há futebol.

Que bom que era que a tua vontade de estar com os outros se manifestasse também nas causas sociais,
Que a tua vontade de intervir se revelasse também contra a violência e a corrupção, 
Que também tivesses opinião quando há eleições,
Que o teu patriotismo se erguesse sempre que estrangeiros quisessem mandar no teu país.
Mas não, o teu patriotismo começa e acaba na selecção de Portugal. 

O teu euro é de quatro em quatro anos. O outro euro apenas te interessa no plural para teres umas sagres no frigorífico, isto se não chegarem para comprar umas alemãs em lata. 
Para manifestações que não sejam de futebol tens sempre uma palavra:
- Eu não sou contra nada, eu não quero é que venham contra mim!...
Ou melhor, és contra tudo e todos, por isso não tem sentido estares com alguém em alguma causa!
Contra a Alemanha não! Eles é que nos salvam! Contra a Alemanha só no futebol!

Alemanha-Portugal - é hoje?! Se fosse só hoje!...
Não sei nada de futebol, não é?! Calma aí! Também sei que há umas dinamarquesas boas e não são em lata!

sábado, 9 de junho de 2012

Portugal-Alemanha

Esqueci-me daquilo que ia para escrever.
Não! Não tinha nada a ver com futebol! São coisas minhas!...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Um sinal de esperança

Sócrates chegou ao poder camuflado de socialista e preparou o terreno para que a direita, em que militou na juventude, faça presentemente o seu trabalho. Um gesto de entrega total a um ideal que, sabia de antemão, lhe iria custar a carreira política. Se o PSD honrar os seus mártires fazer-lhe-á um dia justiça na galeria dos seus heróis.

Mas ninguém sabe se outros infiltrados não estarão agora mesmo a fazer trabalho idêntico e um dia as coisas mudem no sentido inverso. Não sou eu que digo - transcrevo:

"Instruído e calejado pelas vitórias e revezes o povo português estancará a actual ofensiva reaccionária, fará de novo tremer o punhado de vendidos que ensombram o futuro da pátria e criará, com a sua luta, novas condições democráticas e revolucionárias que permitirão o avanço de Portugal para a liberdade e o socialismo."

Isto é, esta é uma das razões porque acredito que a educação pública pode vir a ter o papel que lhe compete na sociedade. Aparentemente pode parecer que estou a delirar mas eu acredito na coerência dos homens que cresceram movidos por ideais e, quem disse isto em 1977, então com 25 anos, é actualmente ministro da educação e não tem nada aspecto de vira-casacas. Ele lá sabe o que anda a fazer. Não tarda revela-se e vinga o plano Sócrates.
 A transcrição é da página 135 deste livro:

Obrigado Nuno Crato, tiraste-me as palavras da boca!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ei-los que partem


Cinco quartos, quatro quartos de banho, três salas, duas cozinhas, uma churrasqueira, varandas, muros e mais janelas – grande como os sonhos. Ao lado, uma casa de duas águas cujo alçado principal deixa adivinhar o interior. Frente a uma das duas janelas, num banco de pau marcado por estios e invernos, está sentado um homem, marcado pela idade, com a mesma vontade de falar que outros homens e mulheres da sua idade que sentam em lugares idênticos.

- Há dez anos atrás ele tirava mais de duzentos contos por mês nas obras. Comprou um carro novo e pensou em fazer a casa para ver se arranjava mulher. Agora a coisa virou para o torto e teve de ir, os bancos não perdoam! ...

Conheço bem ambos. Do pai, foi minha mãe que me falou em tempos, quando na idade das perguntas a interroguei sobre a alcunha do Mato Grosso. Foi para o Brasil novinho e sozinho e voltou três anos depois tísico e teso que nem um carapau. Não o quiseram para a tropa e os pais arranjaram-lhe uma alcofa que o veio a safar.
Ela tinha muitas vinhas mas também bebia muito vinho, por isso e por casar com ele ficou-lhe a matar o nome da Grossa. Foi-se cedo e deixou o viúvo atado com o cachopo que, talvez pela vida e morte da mãe, demorou a tomar corpo e a falar direito. Na escola chamávamos-lhe o Tó Espinhas.

Quando saí do carro para cumprimentar o Ti Mato Grosso ele estava a pensar no filho. Imaginava-o a desembarcar do navio no porto de Luxemburgo. Imaginava-o num país tão grande como o Brasil a julgar pela gente da terra que para lá está. Imaginava-o a arranhar no francês e a arranjar mulher. Via-o a regressar contente num valente carro e com a situação resolvida. Via-o a regressar de mãos a abanar como ele regressou do Brasil. Via-o sempre e era dele que gostava sempre de falar.

- Tu é que estás bem na vida! Quando ele andava contigo na escola, eu dizia-lhe sempre “estuda como o João! junta-te com o João! olha para o João!” … não quis e agora olha! Só gostava que ele cá estivesse quando eu morrer!...

- As coisas não são bem assim Ti Mato Grosso! Sabe que também estou seriamente a pensar em emigrar! Quem sabe o seu Tó ainda me vá arranjar para lá trabalho.

sábado, 2 de junho de 2012

Dum país sem saúde


Dum país sem saúde
Nos dias em que fecham empresas, escolas,  aldeias, freguesias, tribunais, lojas, correios, centros de saúde e hospitais…
E pasme-se: tudo é fechado para melhor servir as populações.
Que ninguém chore, que em cada mão se abra um gesto que devolva ao povo o que é seu
E este, hoje, é o meu:

Queres-me teu.
Esperas que eu me dobre para te sentares.
Queres-me ver de mão estendida ao fundo da tua rua.
Esperas que as minhas lágrimas inspirem os teus pintores.
Queres-me servo.
Pois fica sabendo que me terás em todas os desfiles, marchas e batalhas,
Em todas as assembleias, protestos e lutas.

Queres-me eunuco.
Esperas que eu sirva de motivo à tua caridade.
Queres ver-me chorar por falta de pão.
Esperas ver-me implorar ao teu poder.
Pois fica sabendo que não chorarei por perder o direito ao trabalho, à saúde e à educação,
À justiça, à casa ou a eletricidade.
Estarei sempre com os outros trabalhadores em luta.
Terei sempre a minha dignidade nem que um cancro me leve à porta do hospital e os teus colaboradores perguntem “tem seguro?!”
Terei sempre uma palavra: filhos da puta!