E se metessem a TSU no... vá lá, pronto!... nos RSU!...
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
Conversa de sábado na quinta
De como o desenvolvimento dos meios de comunicação permite às pessoas viajar tanto e tão depressa.
- Estou no Central. Onde é que estás?
- Estou a comer uma sopa da pedra em Santarém.
- Estou na Feira no lançamento do livro do Sérgio. Onde é que estás?
- Estou em Setúbal a beber um moscatel.
- Estou num fórum, num debate sobre a vida. Onde é que estás?
- Estou em Aveiro a comer uma sandes de leitão.
- Estou no 1º de Maio num concerto tão bonito. Onde é que estás?!
- Estou no Porto a beber uma aguardente.
- Estou aqui numa sombra porreira na Madeira. Onde é que estás?
- Estou em Beja a beber um copo com o Norberto.
- Onde é que estás?
- Estou em Évora com um jarro, a Mariazinha e o marreta do marido.
- Onde é que estás que nunca mais te encontro?
- No Brasil na caipirinha! Está aqui num ambiente do caraças!
- Vem já para Santarém!
- Como é que te vou encontrar numar degente.
- "Numar degente"?! Que é isso?! Estou aqui em Braga à tua espera! Onde é que estás?!
- Estou no Central.
- A estas horas?!
- Então não é aqui que se apanha a camioneta para o Casal da Confraria?!
- Vou aí buscar-te! Deixa-te estar junto ao Guernica!
- És tão linda!
- Estás lindo!
A que sábado e a que quinta nos estamos a referir?
- Estou no Central. Onde é que estás?
- Estou a comer uma sopa da pedra em Santarém.
- Estou na Feira no lançamento do livro do Sérgio. Onde é que estás?
- Estou em Setúbal a beber um moscatel.
- Estou num fórum, num debate sobre a vida. Onde é que estás?
- Estou em Aveiro a comer uma sandes de leitão.
- Estou no 1º de Maio num concerto tão bonito. Onde é que estás?!
- Estou no Porto a beber uma aguardente.
- Estou aqui numa sombra porreira na Madeira. Onde é que estás?
- Estou em Beja a beber um copo com o Norberto.
- Onde é que estás?
- Estou em Évora com um jarro, a Mariazinha e o marreta do marido.
- Onde é que estás que nunca mais te encontro?
- No Brasil na caipirinha! Está aqui num ambiente do caraças!
- Vem já para Santarém!
- Como é que te vou encontrar numar degente.
- "Numar degente"?! Que é isso?! Estou aqui em Braga à tua espera! Onde é que estás?!
- Estou no Central.
- A estas horas?!
- Então não é aqui que se apanha a camioneta para o Casal da Confraria?!
- Vou aí buscar-te! Deixa-te estar junto ao Guernica!
- És tão linda!
- Estás lindo!
A que sábado e a que quinta nos estamos a referir?
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Excederam todas as medidas
Hitler acabou de anunciar que vai invadir a Polónia.
A ofensiva avança a Passos largos.
Uma longa batalha nos espera
Havemos de relevantar tudo e dispensaremos a ajuda dos americanos.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Com todo o respeito
Tenho andado acravado em trabalho até aos artelhos, em festas até ao umbigo, em crise até ao pescoço e com a cabeça cheia de merdas, com todo o respeito, pelo que não tenho dado grandes patadas à corte, com todo o respeito que me merece a fidalguia.
Deixo pois este youtube, com todo o respeito e com as palmas que ele me merece.
E no sábado vou ouvir na Festa do Avante o rapaz de que sou ouvinte desde o tempo que ele ainda não cantava.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A Festa
Passam-se os anos, as festas, o desejo de ir, a satisfação de ir, a insatisfação de não poder ir e este ano vou. Descrever, contar ou bem dizer não vale a pena: o melhor é ir quem quiser ir!
Serve o parágrafo para justificar o repescar de um post já antigo, de um texto conhecido, para lembrar a festa e marcar a agenda.
Saquei do Cantigueiro do Samuel este recorte de uma crónica do “reaccionário” (como ele próprio se classifica no texto) Miguel Esteves Cardoso, sobre a sua visita à Festa do Avante de 2007.
"O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante! faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?"
"Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias."
"Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete."
"Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez."
"É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau."
Porque é que a Festa do Avante! faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?"
"Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias."
"Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete."
"Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez."
"É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau."
Crónica completa em: António Vilarigues, do blog “O Castendo”.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Do outro lado da crise
O Zé começou por cortar nos copos e no tabaco. Depois começou a fechar o chuveiro enquanto punha o sabão. Cortou de seguida a refeição semanal de leitão. Cortou nos cortes de cabelo. Vendeu o cão. Deixou de viajar. Deixou atrasar as quotas da Associação. Não foi de férias. Não foi ver o musical La Féria. Não comprou o último livro do pivot de televisão (para poupar a sua própria inteligência começou a fazer só rimas em ão e em vez de chamar ao Passos porco começou a chamar-lhe cão). Mas nem por isso fundiram os seus rendimentos, nem tão pouco ouviu melhoras no equilíbrio das contas da nação. Fundiu-se ele. Em nome da dívida pública, fecharam-lhe o acesso aos serviços públicos, cortaram-lhe os rendimentos e aumentaram-lhe a contribuição. E, como se não bastasse, convenceram-no que esse era o único contributo que podia dar para a solução. Está difícil o Zé convencer-se que o único contributo que pode dar para a solução é afirmar de todas as maneiras que não é essa a solução.
Entretanto o Zé está desempregado, com problemas bem maiores que os do país. As sardinhas estão caras mas o peixeiro Belmiro de Azevedo tem permanentes promoções de bacalhau e lá se vai desenrascando.
O Zé começa a compreender que está do outro lado da crise, o lado que não é o da troika dos tecnocratas, do governo ou da televisão. A crise que se resolve da forma que eles dizem, não é a dele. A dele tem de ser resolvida amanhã mesmo, num balcão do banco ou das finanças, na banca do peixe ou num amigo que lhe empreste algum. O Zé já se está nas tintas para o serviço nacional de saúde, voltou a fumar, "amegou-se" com uma enfermeira e diz que quando morrer, o futuro vai ficar cá.
sábado, 25 de agosto de 2012
Um pouco de lenha para a fogueira
Herdei um carvalho centenário que tive de cortar porque fazia sombra à aldeia. Este sábado lá fui eu prá terra ter com os meus três primos mestres na lide do moto-serra. Cortar um carvalho é tão violento e tão bárbaro como matar um porco. O moto-serra é a faca afiada, o tombo imponente, o derradeiro cuinho da matança e a extinção da sombra é como um curral que acabou de ficar vazio.
Passámos a manhã no desmancho do animal vegetal. O meu primo Manuel ganha 450 euros mensais, o meu primo Miguel está desempregado e o meu primo Arnaldo está emigrado e está de férias.
Passámos a manhã no desmancho do animal vegetal. O meu primo Manuel ganha 450 euros mensais, o meu primo Miguel está desempregado e o meu primo Arnaldo está emigrado e está de férias.
Para os sábios economistas da tv, os baixos salários são bons para a competitividade da economia, o desemprego é bom para flexibilizar a economia, a emigração é boa para os emigrantes mandarem as suas economias para Portugal e ter folga ao sábado tem graves implicações na economia nacional. Mas eu e os meus três primos estivemos a trabalhar, a produzir lenha e a produzir energia. Para compensar a energia dispensada com a força do nosso trabalho, tive de os compensar com um almoço de leitão já que o meu primo Manuel não me quis levar nada e tem sempre um porco a criar, o meu primo Miguel não quis nada e tem uma horta com tudo e o meu primo Arnaldo não precisa e diz que não manda para cá nem mais um tostão.
Passámos a tarde a jogar à sueca no bar da Associação, bebemos uns copos e, por causa da crise, a conversa foi parar à política. O meu primo operário deu sova no PSD e no Passos e diz que o PS fez coisas erradas mas que com eles não teria fechado o Centro de Saúde e que o Sócrates estava a começar a pôr os funcionários públicos no seu lugar e que isto assim vai dar merda. O meu primo sem emprego diz que o PS é que fez esta merda, que o Centro de Saúde só servia para as velhas porem a conversa em dia, que não há dinheiro, que o Sócrates é que se abotoou, que o Passos está a tirar os lugares aos funcionários públicos e que isto agora vai mudar. O meu primo que vive no estrangeiro, diz que são todos a mesma merda, que as enfermeiras são uma putas, que quer que se fodam os funcionários públicos e que mesmo que vivesse cá não votava.
E eu que sou funcionário público com pouca saúde, que sempre votei e nunca votei no PS/D, que acho um escândalo existirem salários tão baixos que tanto produzem, desempregados num país com tantas coisas para fazer, gente ter de partir de onde nunca chegou, que gosto tanto dos meus primos, não tive coragem dos mandar para o carvalho: fui eu!:
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Salários salazarentos
Viveremos melhor com menores salários. Com menores salários seremos os melhores. Não, não estamos a falar de altos salários, esses não podem baixar senão os gajos emigram e fazem cá muita falta. Estamos a falar de baixar baixos salários, de gajos que podem emigrar que não fazem cá falta nenhuma. Estou sempre a dizer isto: quanto pior viverem as pessoas, melhor vai o país!
Tudo isto a propósito da correspondência de Cid Simões:
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Dá-se blogue
Desde que este blogue foi posto à venda não apareceu um único comprador interessado. Só tenho uma hipótese: DÁ-SE BLOGUE
Não! Não são férias nem doença, eu estou bem!... mas...
sábado, 11 de agosto de 2012
Vende-se blogue
Vende-se carro, vende-se carrinha, vende-se tractor. Vende-se senhora, vende-se lençol, vende-se cobertor. Vende-se cama, vende-se menina na beira da estrada, vende-se senhor. Vende-se ama, vende-se porca com ninhada, vende-se gado. Vende-se mato, vende-se pinhal, vende-se tê um, tê dois, tê três, tê quatro. Vende-se pato, "se vende abobras", vende-se fábrica, vende-se armazém. Vende-se vinho ao garrafão.
- Li-qui-da-ção to-tal!... Vende-se Portugal!
Vende-se pavilhão do atlântico, vende-se companhia dos caminhos de ferro, companhia dos aviões, companhia de eletricidade, companhia das águas, fontes, pontes, estradas, escolas, hospitais, retretes públicas e quando já não puderem vender mais, vender-nos-ão escravos que é coisa que eles sabem comprar.
- Li-qui-da-ção to-tal!... Vende-se Portugal!
Vende-se pavilhão do atlântico, vende-se companhia dos caminhos de ferro, companhia dos aviões, companhia de eletricidade, companhia das águas, fontes, pontes, estradas, escolas, hospitais, retretes públicas e quando já não puderem vender mais, vender-nos-ão escravos que é coisa que eles sabem comprar.
Compraram a opinião e as consciências. É tudo deles! Cambada de vendidos!
Isto não está a dar! Vende-se este blogue! Comprem-no porra! Eu vou para o carvalho!
imagem um povo à rasca
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Visão de vida ou espera do milagre
2011. "Aluga-se" em janelas. "Vende-se" em varandas. Estendais com toalhas de praia. Num
terraço com vista sobre o Atlântico, a praia e a avenida, um casal não faz mais
nada a não ser apanhar o sol, a brisa e a boa vida.
Rés do chão
de lojas de motivos balneares, bares e esplanadas que atravessam a estrada para
o lado de areia, o passeio de calçada portuguesa, muita gente diferente, tão
diferentemente vestida que todos parecem iguais.
Entre
brinquedos e bolas de plástico, jornais e novelos, no areal, só as crianças e
os velhos parecem fazer alguma coisa. O resto são toalhas e corpos répteis a
apanhar sol, brisa e boa vida.
Fraco o
narrador que descreve o que toda a gente conhece e reconhece com a palavra praia.
Não fosse eu e nem o narrador saberia do homem que desceu as escadarias vestido como
ninguém ali está, com passo como ninguém ali tem, atravessar entre os quarentões
das toalhas, os velhos dos jornais e os meninos das bolas, e entrar determinado
no mar de bandeira vermelha.
O banheiro apitou, o banhista correu e o homem
desapareceu.
- Haja quem o veja! Haja quem o salve! - gritavam os aflitos.
O
banheiro corria de um lado para o outro, as pessoas perguntavam e contavam umas
às outras. Cabia-me a
mim, ser testemunha central do acontecimento.
Pensei: se aquele homem teve a coragem
de enfrentar tamanha massa de água, porque diabo não hei-de eu enfrentar esta
massa de gente que aposta nas teses da irresponsabilidade, do suicídio e do
passado da cabeça?!
- Esse homem,
meus caros, não foi incauto nem desistiu. Passou por mim, ali em cima, e disse-me
com o olhar: vou emigrar para o Canadá!
Fui vítima de
troça, senti que havia vontade de me deitarem ao mar. Ponto final.
2012. Dez
quilómetros a sul encontrei uma praia, entre rochedos, daquelas que parecem que
só existem porque existe um bar. Dispense-se o narrador porque só estorva. O que importa é que,
juro que era ele, o homem que me serviu era aquele que há um ano atrás vi dado
como desaparecido!
- O senhor veio
para aqui a nado?!... Isso de atravessar o Atlântico tem que se lhe diga mas não é impossível!...
Um sorriso cheio
e silencioso confirmou a cumplicidade. O meu filho disse que não era ele e que se riu porque me
achou piada. Seria a primeira vez que alguém me achava piada.
- Não, meu
filho, a história deste homem é uma lição de vida. Se vires que estás mal sabes
o que deves fazer!?...Nada!... bla! bla! bla!... O problema tem de ser resolvido aqui,
esta também é uma crise de oportunidades.
- Passaste-te?!
– olhar reprovativo de pai velho – para o partido do governo?!
-
Passaste-te?! Além do homem que queria emigrar para o Canadá e foi viver um
pouco mais para sul, eu sou dos poucos que não estou passado! Sabes onde existe
um restaurante com o nome Pata Negra que se trespasse?!
domingo, 29 de julho de 2012
A importância do tamanho do pénis
Qualquer dia ainda vamos ouvir a Merkel a dizer:
- Embora isso não me seja indiferente, eu não tenho a culpa de vocês terem a coisa grande!!...
- Embora isso não me seja indiferente, eu não tenho a culpa de vocês terem a coisa grande!!...
Lisboa, 20 jul (Lusa) - Um economista finlandês decidiu analisar a correlação entre o tamanho do órgão sexual masculino e o crescimento económico, e uma das conclusões do estudo publicado é que onde o tamanho do órgão é maior, o crescimento económico é menor.
No estudo publicado pelo Centro de Investigação Económica da Universidade de Helsínquia, e elaborado pelo economista Tatu Westling, é analisada a correlação entre o crescimento económico e o tamanho do órgão sexual masculino com recurso a dados estatísticos de 121 países entre 1960 e 1985.
O economista, no trabalho intitulado, "Male Organ and Economic Growth: Does Size Matter?", explica que decidiu fazer esta análise porque a maioria dos estudos sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se concentram em fatores políticos, económicos e sociais mas abstêm-se de fazer considerações biológicas e sexuais, e que este encontrou "ligações estatísticas robustas"...
Juro solenemente que tenho dificuldades económicas e aviso todas as porcas nórdicas que tenho um relação amorosa estável com uma porca mediterrânica. Também tenho os tomates tratados contra o míldio.
Fico sempre na dúvida sobre os dados dos economistas - como é que a conseguiram fazer tantas medidas?! Confio mais no nosso governo - não as faz, toma-Os!
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Três tristes notas
1- O número de consultas nos Centros de Saúde baixou acentuadamente. Que diabo, isto não terá nada a ver com o facto de terem fechado muitos Centros de Saúde?!
2- O equilíbrio das contas públicas não poderá passar por mais aumentos de impostos. Bem, se esse aumento for de valor inferior ao corte de subsídios de férias e natal, eu não me importo que aumentem ainda mais um bocadinho os impostos!
3-"Que se lixem as eleições!" Ou "que se lixem os eleitores"?! Será que a democracia se esgota no ato eleitoral?! O que estes democratas querem dizer é que têm consciência que estão a agir contra a vontade daqueles que os elegeram, que os interesses do povo não contam quando outros valores mais altos se levantam...
De facto, se a eleições servem para ter gente desta no poder, às vezes também me apetece dizer: que se lixem as eleições!
sábado, 21 de julho de 2012
O ator Rui Carvalho é meu amigo?!
Acabei as férias. Vim ver a pocilga e as caixas de correio. Uma catrefa de comentários, menor que o número de anedotas sobre Miguel Relvas, mas um número de mensagens de correio eletrónico a fazer inveja aos convocadores de manifestações via facebook. Não sei por onde começar. Tenho de postar. Há um comentário de um tal Rui Carvalho. É um grande amigo mas não costuma fazer suíno-reflexões. Existe também um ator com esse nome mas não gosto dele e, por isso, se ele aqui viesse também não deveria gostar de mim. Intriga-me o comentário. Publico-o. Obrigado Rui Carvalho - és tu?!
Quando a Igreja fez vingar a Senhora de Fátima, outras Senhoras, outros Santuários, foram ficando sem “fregueses”. Para a maioria dos crentes a Senhora de Fátima passou a ser a Senhora de todos os milagres. Usando uma imagem já utilizada, digamos que a Senhora de Fátima, qual eucalipto, “secou” todas as santas ao seu redor e poucos continuaram devotos das suas santas de antigamente. Mas mesmo esses vão a Fátima!
Dir-me-ão: a Senhora da Agonia, a Senhora de Matosinhos, a Rainha Santa, a Senhora da Boa Viagem, o S. Bentinho e outras de santos e santas ainda são importantes. Tirem-lhes os comes e bebes (e pagas) associados, os carroceis, o fogo de artifício e verão o que lhes acontece. E, na verdade, para a maioria dos que lá vão, a Senhora de Fátima é que é capaz de todos os milagres.
Mas a que propósito vem este chorilho de disparates? Vem a propósito da secundarização dos blogues a favor do facebook (e do twitter?), as nossas senhoras de fátima da blogosfera. Como os eucaliptos, secaram os blogues. Basta comparar a quantidade (e a qualidade - agora é a despachar) dos comentários de há 3 ou 4 anos com os de hoje.
Sigo desde o início o Rei dos Leittões, sempre gostei dos seus posts e também tinha prazer em ler os comentários dos que também o visitavam. Agora, apesar dos posts não desmerecerem dos de então, os comentários são telegráficos, a despachar, sem jeito. Anda toda a gente a coleccionar amigos no facebook, a inventar perfis, a indicar as suas preferências musicais, literárias e outras, sem tempo a perder com os dinossauros que insistem nos blogues. Para mim o facebook é uma mentira imensa, ninguém é o que lá dizem, todos querem ficar bem na fotografia e para isso mentem descaradamente e omitem tudo o que possa prejudicar a sua imagem. Não há maus, nem cínicos, nem loucos no facebook. É tudo boa gente…
E o que fazem os bloguers? À mingua de visitantes, perante a porcaria dos comentários, desistem, deixam de dizer as coisas interessantes que têm para dizer e todos ficamos a perder.
Faço sinceros votos para que o Rei dos Leittões não desista. Se continuar a ser ignorado pelos que dantes o visitavam, nem que eu tenha que inventar quatro ou cinco identidades diferentes, comentários não lhe hão-de faltar.
O admirador confesso,
Rui Carvalho
Nas caixas de correio encontrei esta imagem do amigo Cid Simões. Santo Nome de Jesus! Conheço-os todos! Apenas tenho algumas dúvidas sobre o da ponta! Não é o António Ferro!?
Amanhã, depois de regar a horta, voltarei! Amen!
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Férias?!
O meu pai nunca teve férias. Nunca teve um dia de férias. Mesmo quando Abril lhe atribuiu o direito, trabalhava na mesma, num mês recebia três.
Nós tínhamos férias mas eram escolares. Nas férias grandes aprendíamos as coisas que não se aprendem na escola. Quando chegava a Outubro estávamos tão fartos dos trabalhos das férias que desejávamos o regresso às aulas.
De modo que só comecei a gozar férias quando tive um emprego. Nos primeiros anos passávamos um mês fora, depois começámos a ir só três semanas, depois a quinzena, depois dez dias, depois a semana, o ano passado não fomos e este ano vamos quatro dias. Está tudo bem! Vamos! Mas vamos com medo que para o ano nos tirem as férias ou o trabalho!...
Porque diabo têm os patrões de pagar os dias que os trabalhadores estão em férias?! Já há mentes a colocar questões destas. Não admira, estamos a viver um retrocesso histórico sem precedentes. Eles avançam quando pressentem medo. Eles têm as melhores armas, nós somos muitos mais, temos os números.
Amigos, companheiros e camaradas: isto só se resolve na rua.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Porque ando desassossegado
Tenho um amigo, que me vem ajudando a construir-me há vinte anos, que tem uma mania antiga de oferecer coisas aos amigos. A primeira coisa que me ofereceu foi, evidentemente, a amizade. Seguiu-se a sua casa humilde, cheia de livros e objectos que não se encontram em mais nenhuma casa do mundo; depois o seu jardim onde cresce a maior colecção de coníferas da Península Ibérica. Evidentemente que também já tenho algumas coníferas no meu jardim. Mas a primeira prenda factual que ele me deu, foi uma malga de azeitonas curtidas e temperadas pela sua prendada e saudosa mãe. Depois seguiram-se, entre tantas, outras coisas, um loureiro; durante tempos, com frequência irregular, pisa papéis de todas as formas e feitios; três termómetros iguais em três semanas consecutivas, um para medir a temperatura na vinha, outro na cave e o terceiro na sala de jantar; a capa do vinil do primeiro album dos Deep Purple e, recentemente, o livro do Desassossego de Bernardo Soares.
Está deixada a primeira razão porque tenho vindo a citar trechos dessa obra. Porque ele é o amigo com quem mais privo e mais aprendo coisas da arte; falamos de arte por arte e sem limites ou preconceitos, universal, arte mesmo, arte do grande pintor, arte do graffiti, arte de Mozart, arte da flauta do pastor, arte do jazz, arte de enxertar, arte de cozer, arte de coser, arte de da Vinci, arte da poesia, de escrever e de inventar, e porque tanto gostarmos de arte, ganhámos a arte de ver, de ouvir e de falar - desde que não estejam mais de três pessoas! ... Nós os dois e o Bernardo:
"A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual ou da emoção, distinta da vida, que é expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida a acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem, e o que exprime o que sobrou do que teve."
Depois concluímos, há dois tipos de não artistas: os que sentem e admiram a arte e aqueles que acham certas coisas engraçadas e dão o desconto aos seus autores.
"A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual ou da emoção, distinta da vida, que é expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida a acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem, e o que exprime o que sobrou do que teve."
Depois concluímos, há dois tipos de não artistas: os que sentem e admiram a arte e aqueles que acham certas coisas engraçadas e dão o desconto aos seus autores.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Relvas equivale ou é equino?!
1- Dantes tudo era relativo, agora tudo é equivalente.
2- O Rei não perde tempo com assuntos do momento.
3- Quanto mais se fala de Relvas, mais o Coelho sai da toca para destruir a horta.
Mas...
2- O Rei não perde tempo com assuntos do momento.
3- Quanto mais se fala de Relvas, mais o Coelho sai da toca para destruir a horta.
Mas...
recebido por e-mail ou coisa equivalente
Infelizmente Relvas tem muitos equivalentes. A presença desse homem no governo é importantíssima como exemplar perfeito da corja que o acompanha. Que ninguém ouse reclamar a sua demissão. O lugar dele é ao lado de Passos. Ele faz-nos falta. A não ser que já tenham outro equivalente para lhe tomar a cadeira. Que estas brincadeiras não nos sirvam para nos distrair do essencial: este tipos estão a dar cabo da vida das pessoas, do país e da nossa paciência!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Leitão da quinta
Só me faltava esta. Num país de tanta entidade reguladora que nada regula porque regulam pela bitola dos interesses que as nomeiam, devia, pelo menos, existir uma entidade reguladora, regulada por mim, obviamente, que regulasse a gastronomia do leitão - a ERL.
Depois do Frango Tipo Leitão, vem-me agora esta pelas mãos corteses do amigo D"Sul :
Chefe Tiger: pizza de leitão
Esta semana, o chefe Tiger traz-lhe uma sugestão de pizza de leitão. Veja, confecione, desfrute e impressione.
sábado, 7 de julho de 2012
Como fazer uma flauta de cana
O som da flauta nascia do silêncio longínquo da escuridão dos pinheirais e crescia até aparecer junto de nós de corpo e alma. Interrompia as nossas conversas de adolescentes acerca de raparigas, de grupos de blues e rock n´roll, da existência e dos fins do universo, que preenchiam as nossas noites longas na esplanada iluminada junto à piscina ou no aconchego sombrio da mesa de pedra que estava sob a copa do carvalho grande.
O
velho Xote era assim, livre e espontâneo, na data e na hora a que lhe desse na
telha, partia da casa onde vivia sozinho e percorria pelos caminhos florestais sem
vivalma, os sete quilómetros que separavam a sua aldeia daquela onde o filho,
por casamento, vivia e onde tinha um autêntico centro recreativo e cultural,
palco aberto, bar aberto, casa aberta diferente de todas as outras porque
também o filho era diferente como o pai.
Sobre
a pequena estatura, sentava a altivez da idade. Sobre as botas pesadas,
levantava os passos pequenos mas com destino. Sob a boina queimada do sol,
mostrava o olhar melodioso e vivo. Sob o bigode grisalho largava as respostas
curtas e acossadas – não era um velho de contar histórias. Não se conhecia por
ali velho novo como aquele. Tão jovem que nenhum jovem o tratava por você, mas
por shot - ou short?! ... Ele era tão eclético! Era xote, merecidamente, porque
também dava um jeito de flauta e dança, a essa música, quando o copo a mais o fazia
exibir nos arraiais das redondezas e deixava de tocar canções tradicionais ou
aquela do Bob Dylan de que ele também gostava muito.
Talvez
a sua maior qualidade fosse a habilidade com que equilibrava as agruras da vida
e a crueldade duns tantos, com as belezas do mundo e a simpatia de uns poucos.
O
filho, a nora e os netos estimavam-no mas respeitavam a sua liberdade. Poderia
ficar ali uma noite, uma semana fazendo companhia à família e tocando flauta
para os clientes mas a qualquer momento do dia ou da noite se poderia ver partir sem dizer aqui vou eu.
Era ele próprio que fazia as suas flautas e vendia algumas para os copos.
Era ele próprio que fazia as suas flautas e vendia algumas para os copos.
Num
desses convívios de madrugadas espontâneas aconteceu-me tentar negociar com o
Xote uma flauta.
-
Quinhentos escudos!
-
E aonde é que eu tenho esse dinheiro?!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Estou num desassossego
Estou num desassossego por tudo o que se está a passar, anda tudo passado, parece que nada se passa e a minha intervenção não consegue ir além da piada sem graça, da rima pobre ou da chalaça.
Como se não bastasse, verifiquei agora que o texto da última mensagem, a das moscas, que está em itálico, não é meu mas dum tal Bernardo Soares, como similarmente acontece na presente mensagem, com o que não está em itálico.
De facto, acontece-me por vezes escrever coisas que venho a reencontrar escritas por outros, sem possibilidade de ter existido plágio ou desmemorização.
Outras vezes encontro trechos que não me lembro de ter escrito - o que é um pouco de pasmar -, mas que nem me lembro de poder ter escrito - o que me apavora. Certas frases são de outra mentalidade. É como se encontrasse um retrato antigo, sem dúvida meu, com uma estatura diferente, com umas feições incógnitas - mas indiscutivelmente meu, pavorosamente eu.
Eu, cujo espírito de crítica própria não me permite senão que veja os defeitos, as falhas, eu, que não ouso escrever mais que trechos, bocados, excertos do inexistente, eu mesmo, no pouco que escrevo no pouco que escrevo sou imperfeito também.
Vim a descobrir que esse tal Bernardo Soares não é militante do PCP mas um heterónimo de Fernando Pessoa com o qual, óbvia e modestamente não ousarei comparar-me. Esta mensagem de desassossego - vejam: mensagem, desassossego - não se liberta da propositada coincidência, do tem jeito, do engraçado, do pretensioso escritor de gaveta e é apenas uma forma desajeitada de evitar revelar a intenção ou reconhecer a imprudência de uma mosca quando se aproxima dum prato de sopa de letras de Pessoa.
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