segunda-feira, 8 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O último Dia da República
Vive cá em casa uma republicana que faz anos a 5 de Outubro e essa é uma das razões porque sempre me deu um jeito do caraças este feriado - à falta de ideias, a prenda de almoçar fora, funciona sempre. Chateia-me aquela obrigatoriedade burguesa de ter de oferecer prendas em função do calendário católico: porque é natal, porque é dia da mãe, porque é dia do pai, porque é dia dos namorados, porque faz anos, porque faz anos que, qualquer dia serve de pretexto para responder à fúria consumista que alimenta a goela insaciável dos santos soares e azevedos belmiros.
- Se eu for à feira ou ao monte e reconhecer uma lingerie ou uma papoila do teu agrado, com certeza que te farei um presente mas não peças palha por dá cá aquele dia!
Troça de mim perante todos os amigos porque a primeira prenda que lhe dei foi um baralho de cartas! Mas não conta que o burro em pé queimava os intervalos dos domingos e serões em que os beijos eram tantos, que uma cartada ajudava a retomar fôlegos!
Contudo, hoje a sorte bateu à minha porta, tive uma ideia de valor incalculável, comprei um envelope e coloquei lá dentro um talão com dois euros de euro-milhões. Os números são: 9, 16, 18, 19, 21. Estejam atentos ao sorteio, já sabem, se forem estes podem aparecer por cá porque vai uma sessão de derretimento de euros.
Além de querer dizer que tenho saudades do escudo, era só isto que eu queria dizer sobre a república!
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Manifesto Anti-Passos
Transcrevo tal o qual o vi no 2711 sem sequer responder à sugestão final do melhorar:
de Portugal, com raiva, com muita RAIVA !
Um obrigado ao mestre Almada Negreiros e ao Dantas que autorizam uma sonoplastia e divulgação a condizer.
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BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM PASSOS
É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI !
É UM BANDO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS !
É UMA RESMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS,
E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO !
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O PASSOS, MORRA! PIM! (*)
(*) morte política
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O Manifesto Anti-Passos e por extenso
MORRA O PASSOS, MORRA! PIM !
UMA GERAÇÃO COM UM PASSOS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM PASSOS À PROA É UM BARCO AFUNDADO!
O PASSOS É UM CIGANO!
O PASSOS É MEIO CIGANO!
O PASSOS SABERÁ GRAMÁTICA, SABERÁ SINTAXE,
SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA TRÓIKA,
SABERÁ TUDO MENOS GOVERNAR
QUE É A ÚNICA COISA QUE ELE FAZ!
O PASSOS PESCA TANTO DE DINHEIRO QUE ATÉ
ROUBA OS POBRES E OS PENSIONISTAS!
O PASSOS É UM HABILIDOSO!
O PASSOS VESTE-SE BEM!
O PASSOS MORA EM MASSAMÁ!
O PASSOS ESPECULA E ENGORDA OS BANQUEIROS!
O PASSOS É PASSOS! O PASSOS É RELVAS!
---
MORRA O PASSOS, MORRA! PIM!
O PASSOS NASCEU PARA PROVAR QUE,
DE TODOS OS QUE GOVERNAM ELE É O PIOR!
O PASSOS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FORA
O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAI SAIR...
MAS É PRECISO ROUBAR DINHEIRO!
O PASSOS É UMA CARICATURA DELE PRÓPRIO!
O PASSOS EM GÉNIO NUNCA CHEGA
AOS CALCANHARES DO RELVAS
E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O PASSOS É HORROROSO!
O PASSOS DE TANTA ASNEIRADA
CHEIRA MAL DA BOCA!
---
MORRA O PASSOS, MORRA! PIM!
O PASSOS É O ESCÁRNIO DA CONSCIÊNCIA!
SE O PASSOS É PORTUGUÊS EU QUERO SER ESPANHOL!
O PASSOS É A VERGONHA DA POLÍTICA PORTUGUESA!
O PASSOS É A META DA DECADÊNCIA MORAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CORE QUANDO DIZ ADMIRAR O PASSOS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA! E QUEM TENHA DÓ DO PASSOS!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O PASSOS NÃO VALE NADA,
E QUE NÃO SABE NADA,
E QUE NEM É INTELIGENTE NEM DECENTE,
NEM ZERO!
VOCÊS NÃO SABEM QUAL É A HISTÓRIA DO PASSOS?
EU VOU-LHES CONTAR:
A PRINCÍPIO, POR CARTAZES, ENTREVISTAS
E OUTRAS PREPARAÇÕES COM AS QUAIS NADA TEMOS QUE VER,
NOMEADAMENTE JOTAS E JOTINHAS E UNIVERSIDADES DE VERÃO
PENSEI TRATAR-SE DE UM CANDIDATO A POLÍTICO
QUE AFINAL É O COVEIRO DE PORTUGAL.
---
PASSOS E RELVAS, PASSOS, RELVAS, PASSOS...
E CERVEJA RELVAS & PASSOS
E FIQUE SABENDO O PASSOS QUE
SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA EM PORTUGAL
TODO O MUNDO SABERÁ QUE O SALVADOR DE PORTUGAL É O PASSOS
QUE N'UM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA
SÓ CONSENTIU A PRECEDÊNCIA DO SEU PSEUDÓNIMO SALAZAR.
E FIQUE SABENDO O PASSOS QUE SE TODOS FOSSEM COMO EU,
HAVERIA TAIS MUNIÇÕES DE MANGUITOS
QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR.
MAS JULGAIS QUE NISTO SE RESUME A POLÍTICA PORTUGUESA?
NÃO! MIL VEZES NÃO!
TEMOS, ALÉM DISTO O PORTAS QUE JÁ FEZ RIMAS P'RO SOARES
E QUE DEIXOU DE SER A DERROTA DO PORTAS
P'RA SER A DERROTA DO SOARES.
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MORRA O PASSOS, MORRA! PIM !
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES,
CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAÍS
MAIS ATRASADO DA EUROPA
E DE TODO O MUNDO!
O PAÍS MAIS CORRUPTO DE TODA A EUROPA!
O EXÍLIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES!
A ÁFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS!
O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS!
PORTUGAL INTEIRO HÁ-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA,
SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL,
E ENTÃO GRITARÁ COMIGO, A MEU LADO,
A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM
DE SER QUALQUER COISA DE ASSEADO!
MORRA O PASSOS, MORRA! PIM!
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PARTILHEM e melhorem o texto p.f.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
A História não se repete
Estou farto de ler mensagens com palavras políticas de Eça, de Junqueiro, de Antero, de antanho. Todas elas têm implícita a mensagem que a crise que vivemos, já os nossos antepassados a viveram, que somos assim, que não há nada a fazer, que a história se repete, que é natural que as palavras de hoje sejam iguais às de antigamente.
Não gosto destas referências históricas no ponto em que elas podem levar ao conformismo, ao "sempre foi assim", às inevitabilidades, ao acreditar nos ventos dos Lusíadas, a não acreditar que existem alternativas.
Contudo, quando as conheço, nem eu que sou tão renitente a elas, resisto ao seu valor histórico. Que elas não nos sirvam apenas para ler mas que determinem a nossa vontade em participar na mudança de rumo da História.
O artigo publicado em “A Lanterna”, em 17 de Dezembro de 1870 – há 142 anos – é um exemplo:
Tudo mudou e o que não mudou, há que mudá-lo!...
Aqui fica:
“O governo português anda mendigando em Londres (Berlim?) um novo empréstimo. Os nossos charlatães financeiros não sabem senão estes dois métodos de governo: empréstimos e impostos.
Por um lado, o governo mandou para as cortes (parlamento?) uma carregação de propostas tendentes todas a aumentar de tributos; por outro lado, o governo vai negociar um empréstimo no estrangeiro (é onde fica a troika?).
É dinheiro emprestado e dinheiro espoliado. Pede-se primeiro aos agiotas para pagar às camarilhas; depois tira-se ao povo para pagar aos agiotas!
E ao passo que se trata de um empréstimo em Londres, negoceia-se outro empréstimo com os bancos nacionais. Este tem carácter de dívida flutuante interna e é para pagamento da dívida consolidada externa!
Este empréstimo que nos está às costas para pagamento no fim de três meses, sai na razão de 13/2%! E no fim não é dinheiro aplicado a nenhum melhoramento público; é só dinheiro para pagar juros da dívida! É a dívida a endividar-nos cada vez mais! É a dívida a crescer para pagar as sinecuras do estado! É a dívida a multiplicar-se para não faltarem à corte banquetes, festas, caçadas, folias!
Esta situação é terrível e tanto mais que ela exige para se não agravar, de sacrifícios com que o país não pode e que de mais não deve fazer, quando eles são penas destinados às extravagâncias da corte e ao devorismo do poder, no qual se inscreve agora o novo subsídio aos pais da pátria!"
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
28 de Setembro à noite
- Cartão de Cidadão
- Um papel para anotar o nº do autocarro
- 20 euros- 3 saquetas de açucar
- Uma boina de operário
- Uma capa impermeável
- Uma garrafa 0,33 de água da serra
- Um garrafão de água pé
- Uma broa
- Dois chouriços
- Uma bandeira do Benfica
- Pôr o despertador a tocar para as sete da manhã
Será que me estou a esquecer de alguma coisa?!...
Fonte segura: Vitor Gaspar, Passos Coelho e Miguel Relvas não vão estar presentes!
29 de Setembro à noite:
- Feliz por ter ido
- Contente por ter regressado
- Evitar ouvir os orgãos de manipulação social para dormir bem
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Dou graças a Deus?!
Adulteração (ou repetição) de uma velha reflexão:
Quando eu protestei responderam-me:
- Dá graças a Deus por teres emprego!
Quando eu perdi o emprego animaram-me:
- Dá graças a Deus por teres saúde!
Quando eu adoeci conformaram-me:
- Dá graças a Deus porque estás vivo!
Quando eu faleci conversaram entre si:
- Ainda bem, coitado, estava a sofrer tanto!
Portanto, não me resta mais nada senão protestar!
Quando eu protestei responderam-me:
- Dá graças a Deus por teres emprego!
Quando eu perdi o emprego animaram-me:
- Dá graças a Deus por teres saúde!
Quando eu adoeci conformaram-me:
- Dá graças a Deus porque estás vivo!
Quando eu faleci conversaram entre si:
- Ainda bem, coitado, estava a sofrer tanto!
Portanto, não me resta mais nada senão protestar!
sábado, 22 de setembro de 2012
Porco salva cabra
Doucomomaderam:
Você assistiu ao vídeo em que um porquinho salvou um filhote de cabra do afogamento?
A gravação circulou pelas redes sociais e virou um sucesso nesta semana na internet.
Em um zoológico de filhotes, a pequena cabrinha caiu em um lago e quase se afogou. Só se salvou de uma morte dolorosa graças a um filhote de porco, que apareceu de repente e tratou de tirá-la da água.
As nossas vaias só vão para o cameraman, que filmou todo o sofrimento da cabrinha, mas não moveu um dedo para salvá-la. Que feio!
Assista ao vídeo abaixo.
Eh pá, talvez amanhã, se houver bolota eu torne, eu fale do torno, digo do trono! Eh pá, esta merda está de uma maneira, que nem histórias, nem versos, nem comentários, nem análises, nem choros, nem risos, nem opiniões, nem apoios, nem reservas dá para dar! Reservas?! Porra! Este é o tempo da água-pé, tenho andado nas vindimas e mais não digo!... Ou melhor, vou dizer como muitos já dizem: "o povo unido, jamais será vencido!"
Os sobrinhos de Salazar, os netos do Caetano, os filhos varões dos bastardos do Tenreiro tentam vingar Abril e o povo, surpreendentemente, volta a gritar "o povo unido jamais será vencido!" Porra! É tempo de ir para a rua, salvemos as cabras, vaiemos os cabrões!
Não! Não é saudosismo! Nada será como antes! Mas um novo tempo poderá acontecer! Que o queira o povo porque eu quero o que ele quer!
Fiéis fidalgos, passado o tempo das vindimas eu voltarei para vos dar a provar o vinho novo!
domingo, 16 de setembro de 2012
Estou manifestamente desconfiado
Tudo isto é muito estranho, de um dia para o outro, os sábios comentadores da tv do sistema e arredores, os bons patrões, que naturalmente sempre puxam a brasa à sua sardinha, os maus sindicalistas, que repetidamente assinam acordos menos maus, juntaram a sua voz às vítimas do costume, contra uma medida em especial que o governo mandou pelos microfones para a fogueira. Com tão estranha unanimidade o pobre desconfia.
Dizem das suas cadeiras, com a eloquência académica e a fluência verbal que são o seu ganha-bem estar: "medida muito injusta", "medida não vai resolver nada", "medida é revoltante", medida tem de voltar atrás", "medida é cega", "medida é merda", "medida é fodida", "eles vão-se foder"...
Quero dizer, eles não dizem bem assim, eu é que o digo, mas também o disse de outras medidas já tomadas e eles não disseram nada como se, para eles, as outras tivessem sido justas e tivessem dado bons resultados!
Companheiros, o estranho comportamento destes ricos e mal agradecidos só nos pode deixar desconfiados!
Eu pergunto, se o governo decidir privatizar todos os serviços públicos, despedir todos os funcionários públicos e vender todas as praias eles reagirão assim? Ná! Há qualquer coisa que não bate certo!
Por outro lado, de um dia para o outro, os inquestionavelmente independentes e bem remediados senhores da tv, resolveram anunciar, cobrir e mostrar simpatia por manifestações populares que propositadamente costumam ignorar, salvo as que acontecem para lá de Vilar Formoso, como se fosse a primeira vez que o povo saiu à rua.
Tudo isto é muito estranho! Eles andam sempre de manga comprida!... Lançar uma medida, levar os beneficiados com a mesma a brilharem desvalorizando-a, levar os prejudicados a desabafar e a sentirem-se com voz e, seguidamente, recuar para dar um ar democrático conseguindo com uma nova fórmula os mesmos objetivos.
Sim é verdade, isto só se resolve na rua! Mas que ninguém pense que se resolve num dia, que se resolve com estes atores ou que se resolve sem organizações ou sem democracia!
Não há expressão mais pura de cidadania do que pedir democracia por uma manifestação. Mas cautela, em luta não se lançam dados e os indivíduos só poderão ser ouvidos pela representação!
Não há um governo tão estúpido que julgue os indivíduos estúpidos a ponto de deixarem passar uma transferência descarada da sua segurança social para o capital. Cautela, os dados podem estar viciados e tudo isto pode não passar de uma encenação!
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
Conversa de sábado na quinta
De como o desenvolvimento dos meios de comunicação permite às pessoas viajar tanto e tão depressa.
- Estou no Central. Onde é que estás?
- Estou a comer uma sopa da pedra em Santarém.
- Estou na Feira no lançamento do livro do Sérgio. Onde é que estás?
- Estou em Setúbal a beber um moscatel.
- Estou num fórum, num debate sobre a vida. Onde é que estás?
- Estou em Aveiro a comer uma sandes de leitão.
- Estou no 1º de Maio num concerto tão bonito. Onde é que estás?!
- Estou no Porto a beber uma aguardente.
- Estou aqui numa sombra porreira na Madeira. Onde é que estás?
- Estou em Beja a beber um copo com o Norberto.
- Onde é que estás?
- Estou em Évora com um jarro, a Mariazinha e o marreta do marido.
- Onde é que estás que nunca mais te encontro?
- No Brasil na caipirinha! Está aqui num ambiente do caraças!
- Vem já para Santarém!
- Como é que te vou encontrar numar degente.
- "Numar degente"?! Que é isso?! Estou aqui em Braga à tua espera! Onde é que estás?!
- Estou no Central.
- A estas horas?!
- Então não é aqui que se apanha a camioneta para o Casal da Confraria?!
- Vou aí buscar-te! Deixa-te estar junto ao Guernica!
- És tão linda!
- Estás lindo!
A que sábado e a que quinta nos estamos a referir?
- Estou no Central. Onde é que estás?
- Estou a comer uma sopa da pedra em Santarém.
- Estou na Feira no lançamento do livro do Sérgio. Onde é que estás?
- Estou em Setúbal a beber um moscatel.
- Estou num fórum, num debate sobre a vida. Onde é que estás?
- Estou em Aveiro a comer uma sandes de leitão.
- Estou no 1º de Maio num concerto tão bonito. Onde é que estás?!
- Estou no Porto a beber uma aguardente.
- Estou aqui numa sombra porreira na Madeira. Onde é que estás?
- Estou em Beja a beber um copo com o Norberto.
- Onde é que estás?
- Estou em Évora com um jarro, a Mariazinha e o marreta do marido.
- Onde é que estás que nunca mais te encontro?
- No Brasil na caipirinha! Está aqui num ambiente do caraças!
- Vem já para Santarém!
- Como é que te vou encontrar numar degente.
- "Numar degente"?! Que é isso?! Estou aqui em Braga à tua espera! Onde é que estás?!
- Estou no Central.
- A estas horas?!
- Então não é aqui que se apanha a camioneta para o Casal da Confraria?!
- Vou aí buscar-te! Deixa-te estar junto ao Guernica!
- És tão linda!
- Estás lindo!
A que sábado e a que quinta nos estamos a referir?
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Excederam todas as medidas
Hitler acabou de anunciar que vai invadir a Polónia.
A ofensiva avança a Passos largos.
Uma longa batalha nos espera
Havemos de relevantar tudo e dispensaremos a ajuda dos americanos.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Com todo o respeito
Tenho andado acravado em trabalho até aos artelhos, em festas até ao umbigo, em crise até ao pescoço e com a cabeça cheia de merdas, com todo o respeito, pelo que não tenho dado grandes patadas à corte, com todo o respeito que me merece a fidalguia.
Deixo pois este youtube, com todo o respeito e com as palmas que ele me merece.
E no sábado vou ouvir na Festa do Avante o rapaz de que sou ouvinte desde o tempo que ele ainda não cantava.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A Festa
Passam-se os anos, as festas, o desejo de ir, a satisfação de ir, a insatisfação de não poder ir e este ano vou. Descrever, contar ou bem dizer não vale a pena: o melhor é ir quem quiser ir!
Serve o parágrafo para justificar o repescar de um post já antigo, de um texto conhecido, para lembrar a festa e marcar a agenda.
Saquei do Cantigueiro do Samuel este recorte de uma crónica do “reaccionário” (como ele próprio se classifica no texto) Miguel Esteves Cardoso, sobre a sua visita à Festa do Avante de 2007.
"O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante! faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?"
"Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias."
"Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete."
"Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez."
"É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau."
Porque é que a Festa do Avante! faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?"
"Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias."
"Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete."
"Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez."
"É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau."
Crónica completa em: António Vilarigues, do blog “O Castendo”.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Do outro lado da crise
O Zé começou por cortar nos copos e no tabaco. Depois começou a fechar o chuveiro enquanto punha o sabão. Cortou de seguida a refeição semanal de leitão. Cortou nos cortes de cabelo. Vendeu o cão. Deixou de viajar. Deixou atrasar as quotas da Associação. Não foi de férias. Não foi ver o musical La Féria. Não comprou o último livro do pivot de televisão (para poupar a sua própria inteligência começou a fazer só rimas em ão e em vez de chamar ao Passos porco começou a chamar-lhe cão). Mas nem por isso fundiram os seus rendimentos, nem tão pouco ouviu melhoras no equilíbrio das contas da nação. Fundiu-se ele. Em nome da dívida pública, fecharam-lhe o acesso aos serviços públicos, cortaram-lhe os rendimentos e aumentaram-lhe a contribuição. E, como se não bastasse, convenceram-no que esse era o único contributo que podia dar para a solução. Está difícil o Zé convencer-se que o único contributo que pode dar para a solução é afirmar de todas as maneiras que não é essa a solução.
Entretanto o Zé está desempregado, com problemas bem maiores que os do país. As sardinhas estão caras mas o peixeiro Belmiro de Azevedo tem permanentes promoções de bacalhau e lá se vai desenrascando.
O Zé começa a compreender que está do outro lado da crise, o lado que não é o da troika dos tecnocratas, do governo ou da televisão. A crise que se resolve da forma que eles dizem, não é a dele. A dele tem de ser resolvida amanhã mesmo, num balcão do banco ou das finanças, na banca do peixe ou num amigo que lhe empreste algum. O Zé já se está nas tintas para o serviço nacional de saúde, voltou a fumar, "amegou-se" com uma enfermeira e diz que quando morrer, o futuro vai ficar cá.
sábado, 25 de agosto de 2012
Um pouco de lenha para a fogueira
Herdei um carvalho centenário que tive de cortar porque fazia sombra à aldeia. Este sábado lá fui eu prá terra ter com os meus três primos mestres na lide do moto-serra. Cortar um carvalho é tão violento e tão bárbaro como matar um porco. O moto-serra é a faca afiada, o tombo imponente, o derradeiro cuinho da matança e a extinção da sombra é como um curral que acabou de ficar vazio.
Passámos a manhã no desmancho do animal vegetal. O meu primo Manuel ganha 450 euros mensais, o meu primo Miguel está desempregado e o meu primo Arnaldo está emigrado e está de férias.
Passámos a manhã no desmancho do animal vegetal. O meu primo Manuel ganha 450 euros mensais, o meu primo Miguel está desempregado e o meu primo Arnaldo está emigrado e está de férias.
Para os sábios economistas da tv, os baixos salários são bons para a competitividade da economia, o desemprego é bom para flexibilizar a economia, a emigração é boa para os emigrantes mandarem as suas economias para Portugal e ter folga ao sábado tem graves implicações na economia nacional. Mas eu e os meus três primos estivemos a trabalhar, a produzir lenha e a produzir energia. Para compensar a energia dispensada com a força do nosso trabalho, tive de os compensar com um almoço de leitão já que o meu primo Manuel não me quis levar nada e tem sempre um porco a criar, o meu primo Miguel não quis nada e tem uma horta com tudo e o meu primo Arnaldo não precisa e diz que não manda para cá nem mais um tostão.
Passámos a tarde a jogar à sueca no bar da Associação, bebemos uns copos e, por causa da crise, a conversa foi parar à política. O meu primo operário deu sova no PSD e no Passos e diz que o PS fez coisas erradas mas que com eles não teria fechado o Centro de Saúde e que o Sócrates estava a começar a pôr os funcionários públicos no seu lugar e que isto assim vai dar merda. O meu primo sem emprego diz que o PS é que fez esta merda, que o Centro de Saúde só servia para as velhas porem a conversa em dia, que não há dinheiro, que o Sócrates é que se abotoou, que o Passos está a tirar os lugares aos funcionários públicos e que isto agora vai mudar. O meu primo que vive no estrangeiro, diz que são todos a mesma merda, que as enfermeiras são uma putas, que quer que se fodam os funcionários públicos e que mesmo que vivesse cá não votava.
E eu que sou funcionário público com pouca saúde, que sempre votei e nunca votei no PS/D, que acho um escândalo existirem salários tão baixos que tanto produzem, desempregados num país com tantas coisas para fazer, gente ter de partir de onde nunca chegou, que gosto tanto dos meus primos, não tive coragem dos mandar para o carvalho: fui eu!:
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Salários salazarentos
Viveremos melhor com menores salários. Com menores salários seremos os melhores. Não, não estamos a falar de altos salários, esses não podem baixar senão os gajos emigram e fazem cá muita falta. Estamos a falar de baixar baixos salários, de gajos que podem emigrar que não fazem cá falta nenhuma. Estou sempre a dizer isto: quanto pior viverem as pessoas, melhor vai o país!
Tudo isto a propósito da correspondência de Cid Simões:
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Dá-se blogue
Desde que este blogue foi posto à venda não apareceu um único comprador interessado. Só tenho uma hipótese: DÁ-SE BLOGUE
Não! Não são férias nem doença, eu estou bem!... mas...
sábado, 11 de agosto de 2012
Vende-se blogue
Vende-se carro, vende-se carrinha, vende-se tractor. Vende-se senhora, vende-se lençol, vende-se cobertor. Vende-se cama, vende-se menina na beira da estrada, vende-se senhor. Vende-se ama, vende-se porca com ninhada, vende-se gado. Vende-se mato, vende-se pinhal, vende-se tê um, tê dois, tê três, tê quatro. Vende-se pato, "se vende abobras", vende-se fábrica, vende-se armazém. Vende-se vinho ao garrafão.
- Li-qui-da-ção to-tal!... Vende-se Portugal!
Vende-se pavilhão do atlântico, vende-se companhia dos caminhos de ferro, companhia dos aviões, companhia de eletricidade, companhia das águas, fontes, pontes, estradas, escolas, hospitais, retretes públicas e quando já não puderem vender mais, vender-nos-ão escravos que é coisa que eles sabem comprar.
- Li-qui-da-ção to-tal!... Vende-se Portugal!
Vende-se pavilhão do atlântico, vende-se companhia dos caminhos de ferro, companhia dos aviões, companhia de eletricidade, companhia das águas, fontes, pontes, estradas, escolas, hospitais, retretes públicas e quando já não puderem vender mais, vender-nos-ão escravos que é coisa que eles sabem comprar.
Compraram a opinião e as consciências. É tudo deles! Cambada de vendidos!
Isto não está a dar! Vende-se este blogue! Comprem-no porra! Eu vou para o carvalho!
imagem um povo à rasca
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Visão de vida ou espera do milagre
2011. "Aluga-se" em janelas. "Vende-se" em varandas. Estendais com toalhas de praia. Num
terraço com vista sobre o Atlântico, a praia e a avenida, um casal não faz mais
nada a não ser apanhar o sol, a brisa e a boa vida.
Rés do chão
de lojas de motivos balneares, bares e esplanadas que atravessam a estrada para
o lado de areia, o passeio de calçada portuguesa, muita gente diferente, tão
diferentemente vestida que todos parecem iguais.
Entre
brinquedos e bolas de plástico, jornais e novelos, no areal, só as crianças e
os velhos parecem fazer alguma coisa. O resto são toalhas e corpos répteis a
apanhar sol, brisa e boa vida.
Fraco o
narrador que descreve o que toda a gente conhece e reconhece com a palavra praia.
Não fosse eu e nem o narrador saberia do homem que desceu as escadarias vestido como
ninguém ali está, com passo como ninguém ali tem, atravessar entre os quarentões
das toalhas, os velhos dos jornais e os meninos das bolas, e entrar determinado
no mar de bandeira vermelha.
O banheiro apitou, o banhista correu e o homem
desapareceu.
- Haja quem o veja! Haja quem o salve! - gritavam os aflitos.
O
banheiro corria de um lado para o outro, as pessoas perguntavam e contavam umas
às outras. Cabia-me a
mim, ser testemunha central do acontecimento.
Pensei: se aquele homem teve a coragem
de enfrentar tamanha massa de água, porque diabo não hei-de eu enfrentar esta
massa de gente que aposta nas teses da irresponsabilidade, do suicídio e do
passado da cabeça?!
- Esse homem,
meus caros, não foi incauto nem desistiu. Passou por mim, ali em cima, e disse-me
com o olhar: vou emigrar para o Canadá!
Fui vítima de
troça, senti que havia vontade de me deitarem ao mar. Ponto final.
2012. Dez
quilómetros a sul encontrei uma praia, entre rochedos, daquelas que parecem que
só existem porque existe um bar. Dispense-se o narrador porque só estorva. O que importa é que,
juro que era ele, o homem que me serviu era aquele que há um ano atrás vi dado
como desaparecido!
- O senhor veio
para aqui a nado?!... Isso de atravessar o Atlântico tem que se lhe diga mas não é impossível!...
Um sorriso cheio
e silencioso confirmou a cumplicidade. O meu filho disse que não era ele e que se riu porque me
achou piada. Seria a primeira vez que alguém me achava piada.
- Não, meu
filho, a história deste homem é uma lição de vida. Se vires que estás mal sabes
o que deves fazer!?...Nada!... bla! bla! bla!... O problema tem de ser resolvido aqui,
esta também é uma crise de oportunidades.
- Passaste-te?!
– olhar reprovativo de pai velho – para o partido do governo?!
-
Passaste-te?! Além do homem que queria emigrar para o Canadá e foi viver um
pouco mais para sul, eu sou dos poucos que não estou passado! Sabes onde existe
um restaurante com o nome Pata Negra que se trespasse?!
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