Eis o cardeal patriarca, eleito democraticamente, em todo o seu esplendor, falando de política num refeitório austero onde não faltam criadas de mesa, que fica nas imediações da sacristia do Santuário de Fátima, enquanto se preparava para presidir a mais uma grande manifestação popular do Milagre do Sol, milagre que contra-revolucionou a república e sentou Salazar até ele cair da cadeira, o povo não ouviu as suas declarações porque estava a comprar terços e velas para ver se a fé o livra dos imis, sem saber que aquele lucrativo santuário imobilário não paga imi nem nada, eu sei que a frase pedia pontos finais mas estou com fôlego demais.
Eu já só queria, ao menos, que as declarações do patriarca fascista pagassem imposto!
O Cardeal Patriarca considera que "não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações". "Nem com uma revolução se resolveria", disse D. José Policarpo, em Fátima, depois de ter sido questionado sobre a situação política e os sucessivos protestos contra o Governo.
O Cardeal Patriarca lamenta que a democracia portuguesa esteja "na rua". "Uma coisa preocupante é que uma democracia que se define constitucionalmente como uma democracia representativa, onde as soluções alternativas têm sítio próprio para serem apresentadas, está na rua", começou por dizer a este propósito.
Sobre a questão da austeridade, D. José Policarpo mostrou-se confiante quanto aos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses.
"A reacção colectiva a este momento nacional dá a ideia de que a única coisa que se pretende é mudar, mudar o Governo. Meus queridos amigos, não sei se é esse o caminho, nem tenho opinião a esse respeito", referiu o Cardeal Patriarca, em Fátima. "Sejamos objectivos e tenhamos esperança, porque penso, e há sinais disso, que estes sacrifícios levarão a resultados positivos - não apenas para nós, mas para a Europa."
"Não nos peçam que entremos nesta balbúrdia de opiniões que se tem ouvido em todo o lado. Não contem comigo para isso. Para já, não me sinto competente, não gostaria de ouvir a minha voz a ser mais uma apenas nesta confusão. Agora, a Igreja no seu todo tem estado a reagir numa linha que é a sua própria, que é a da atenção às pessoas."
O presidente da Conferência Episcopal foi ainda questionado sobre a possibilidade de a Igreja passar a pagar IMI, mas respondeu que isso é um assunto regulamentado pela Concordata, que não pode ser decidida por decreto administrativo.
Conclusão: não podemos contar nem com o João Proença nem com o Patriarca para a revolução!



























