sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Maus tempos


É o Outono...
tombam as folhas, os bêbados, os soldados...
e o caruncho rompe impiedoso nos lábios da poesia

funerais parados na beira da estrada
palavras doentes perecem no leito

um carro chegando com as primeiras chuvas
à quinta do Tio do Vale das Promessas...
os sinos dobrando os lençóis assinados
a um canto da alma
pela último período que a avó experimentou...
e o cão desapareceu...

nova estação... mau tempo
não haverá sol
porque haverá ausência
não haverá voz
porque o canto no silêncio é desrespeito
e se os mortos permanecem vivos na nossa memória
não haverá mortos nem vivos
haverá Outono

(depois, as varredeiras apanham as folhas secas
para as esquecer)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vem Merkel vem


Ainda falta um mês e já não se fala de outra coisa. Não sei se tanta conversa terá a ver mais com importância ou com desejo da coisa. Nem a visita da rainha de Inglaterra ou do papa foi tão previamente anunciada.
Já me puseram a sonhar com esse dia: as televisões, os cumprimentos, as fotografias, as declarações, os comentários, as manifestações... Pena que não venha um dia antes para lhe espetarmos uma borracheira de S.Martinho ou dois dias depois para lhe mostrarmos a nossa força! Vai ser um dia histórico?! Tudo depende do número de polícias que ela valer!

Vem Merkel! Vem correr a passadeira vermelha de Belém.
Vem, doce senhora da europa, fazer a copa com o Silva dos pastéis.
Vem Merkel! Vem lamber os anéis de Gaspar e chupar os dedos da manada.
Vem, sensual gorda ariana, desafiar na dança do varão a virilha de Passos.
Vem Merkel! Vem abrir a braguilha da nossa bandeira içada.
Vem, puta, acertar os passos dos soldados que te recebem na parada.
Vem Merkel! Vem jantar e folear com a nossa gente rica.
Vem, coisa, mas não saias dos palácios para que nenhuma coisa te aconteça.
Vem Merkel! Vem passear, qual fuhrer, nas vésperas de Guernica.
Vem, mulher de armas, mas não vás à rua que o povo perde a cabeça.

Vem-te Merkel! Afinal de contas que tens tu a ver com as nossas contas!?
Tu fazes tudo isto apenas por prazer! Tu és estéril!...
Que sabes tu, chanceler, de abril?! Que te importa saber que fechou o Centro de Saúde de Belver?
Que interesse tens tu em conhecer o senhor Silva que não é presidente da república?
Vem-te!
Mas vai-te ... !
... que nós já estamos!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A crise que tudo leva

São dez ilhas
Gritam de alegria quando chove
Veio a crise
Ficaram nove

São nove ilhas
Com o mesmo sentimento a bater no peito
Veio a crise
Ficaram oito

São oito ilhas
Com tanta gente
Veio a crise
Ficaram sete

São sete ilhas
Que querem acabar com a crise deveis
Veio a crise
Ficaram seis

São seis ilhas
Por aqui até os homens usam brinco
Veio a maldita crise
Ficaram cinco

São cinco ilhas
Gostam de musica, dança e teatro
Veio a crise
Ficaram quatro

São quatro ilhas
Que sabem falar português
Veio a crise
Ficaram três

São três ilhas
As mulheres vestem para não ficarem nuas
Veio a crise
Ficaram duas

São duas ilhas
Esperança? Resta alguma
Veio a crise
Ficou apenas uma

Uma ilha
Que sozinha brilha
Apenas uma
Que luta para que a crise durma 

domingo, 14 de outubro de 2012

Os meus braços


A esperança que eu tenho está só nos meus braços
Os braços que eu tenho são apenas dois
Os dois filhos que tenho querem ter dois filhos
Quero apenas três coisas:
outro país
o meu país
e o meu direito
e o meu direito é que o meu país seja outro país
Cresce nas ruas o que não cresceu nas igrejas
Cresce nas cidades o que não cresce nos campos
Crescerá nos meus filhos a esperança porque eu não me deixo morrer
Vou estar em todas as ruas da cidade semeando cereais

Ah! Eles vão ter de se haver connosco!

Nós somos o povo! Eles são apenas um abcesso de nós.
Dói-me um dente! Dói-me mesmo muito um dente!
Não há dor como a dor de dentes!
Tenho cá uma vontade de morder!

Os meus braços trabalham
Os meus braços amparam
Os meus braços erguem-se de punhos fechados
Os meus braços erguem-se de mãos abertas
As minhas mãos têm cinco dedos
o médio é para os mata-esperanças

sábado, 13 de outubro de 2012

Cardeal Policarpo Cerejeira


Eis o cardeal patriarca, eleito democraticamente, em todo o seu esplendor, falando de política num refeitório austero onde não faltam criadas de mesa, que fica nas imediações da sacristia do Santuário de Fátima, enquanto se preparava para presidir a mais uma grande manifestação popular do Milagre do Sol, milagre que contra-revolucionou a república e sentou Salazar até ele cair da cadeira, o povo não ouviu as suas declarações porque estava a comprar terços e velas para ver se a fé o livra dos imis, sem saber que aquele lucrativo santuário imobilário não paga imi nem nada, eu sei que a frase pedia pontos finais mas estou com fôlego demais. 
Eu já só queria, ao menos, que as declarações do patriarca fascista pagassem imposto!


O Cardeal Patriarca considera que "não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações". "Nem com uma revolução se resolveria", disse D. José Policarpo, em Fátima, depois de ter sido questionado sobre a situação política e os sucessivos protestos contra o Governo.


O Cardeal Patriarca lamenta que a democracia portuguesa esteja "na rua". "Uma coisa preocupante é que uma democracia que se define constitucionalmente como uma democracia representativa, onde as soluções alternativas têm sítio próprio para serem apresentadas, está na rua", começou por dizer a este propósito.



Sobre a questão da austeridade, D. José Policarpo mostrou-se confiante quanto aos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses.

"A reacção colectiva a este momento nacional dá a ideia de que a única coisa que se pretende é mudar, mudar o Governo. Meus queridos amigos, não sei se é esse o caminho, nem tenho opinião a esse respeito", referiu o Cardeal Patriarca, em Fátima. "Sejamos objectivos e tenhamos esperança, porque penso, e há sinais disso, que estes sacrifícios levarão a resultados positivos - não apenas para nós, mas para a Europa."

"Não nos peçam que entremos nesta balbúrdia de opiniões que se tem ouvido em todo o lado. Não contem comigo para isso. Para já, não me sinto competente, não gostaria de ouvir a minha voz a ser mais uma apenas nesta confusão. Agora, a Igreja no seu todo tem estado a reagir numa linha que é a sua própria, que é a da atenção às pessoas." 


O presidente da Conferência Episcopal foi ainda questionado sobre a possibilidade de a Igreja passar a pagar IMI, mas respondeu que isso é um assunto regulamentado pela Concordata, que não pode ser decidida por decreto administrativo.



Conclusão: não podemos contar nem com o João Proença nem com o Patriarca para a revolução!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O último Dia da República


Vive cá em casa uma republicana que faz anos a 5 de Outubro e essa é uma das razões porque sempre me deu um jeito do caraças este feriado - à falta de ideias, a prenda de almoçar fora, funciona sempre. Chateia-me aquela obrigatoriedade burguesa de ter de oferecer prendas em função do calendário católico: porque é natal, porque é dia da mãe, porque é dia do pai, porque é dia dos namorados, porque faz anos, porque faz anos que, qualquer dia serve de pretexto para responder à fúria consumista que alimenta a goela insaciável dos santos soares e azevedos belmiros. 

- Se eu for à feira ou ao monte e reconhecer uma lingerie ou uma papoila do teu agrado, com certeza que te farei um presente mas não peças palha por dá cá aquele dia!

Troça de mim perante todos os amigos porque a primeira prenda que lhe dei foi um baralho de cartas! Mas não conta que o burro em pé queimava os intervalos dos domingos e serões em que os beijos eram tantos, que uma cartada ajudava a retomar fôlegos!
Contudo, hoje a sorte bateu à minha porta, tive uma ideia de valor incalculável, comprei um envelope e coloquei lá dentro um talão com dois euros de euro-milhões. Os números são: 9, 16, 18, 19, 21. Estejam atentos ao sorteio, já sabem, se forem estes podem aparecer por cá porque vai uma sessão de derretimento de euros.
Além de querer dizer que tenho saudades do escudo, era só isto que eu queria dizer sobre a república!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Manifesto Anti-Passos


Transcrevo tal o qual o vi no 2711 sem sequer responder à sugestão final do melhorar:

de Portugal, com raiva, com muita RAIVA !

Um obrigado ao mestre Almada Negreiros e ao Dantas que autorizam uma sonoplastia e divulgação a condizer.

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BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM PASSOS
 É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI !
É UM BANDO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS !
É UMA RESMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, 
E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO !
ABAIXO A GERAÇÃO!

 MORRA O PASSOS, MORRA! PIM!   (*)

(*) morte política

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O Manifesto Anti-Passos e por extenso

MORRA O PASSOS, MORRA!  PIM !

UMA GERAÇÃO COM UM PASSOS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM PASSOS À PROA É UM BARCO AFUNDADO!
O PASSOS É UM CIGANO! 
O PASSOS É MEIO CIGANO!
O PASSOS SABERÁ GRAMÁTICA, SABERÁ SINTAXE,
SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA TRÓIKA,
SABERÁ TUDO MENOS GOVERNAR 
QUE É A ÚNICA COISA QUE ELE FAZ!
O PASSOS PESCA TANTO DE DINHEIRO QUE ATÉ
ROUBA OS POBRES E OS PENSIONISTAS!
O PASSOS É UM HABILIDOSO!
O PASSOS VESTE-SE BEM!
O PASSOS MORA EM MASSAMÁ!
O PASSOS ESPECULA E ENGORDA OS BANQUEIROS!
O PASSOS É PASSOS!   O PASSOS É RELVAS!
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MORRA O PASSOS, MORRA! PIM!
O PASSOS NASCEU PARA PROVAR QUE, 
DE TODOS OS QUE GOVERNAM ELE É O PIOR!
O PASSOS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FORA 
O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAI SAIR... 
MAS É PRECISO ROUBAR DINHEIRO!
O PASSOS É UMA CARICATURA DELE PRÓPRIO!
O PASSOS EM GÉNIO NUNCA CHEGA 
AOS CALCANHARES DO RELVAS 
E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O PASSOS É HORROROSO!
O PASSOS DE TANTA ASNEIRADA 
CHEIRA MAL DA BOCA!

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MORRA O PASSOS, MORRA!   PIM!
O PASSOS É O ESCÁRNIO DA CONSCIÊNCIA!
SE O PASSOS É PORTUGUÊS EU QUERO SER ESPANHOL!
O PASSOS É A VERGONHA DA POLÍTICA PORTUGUESA! 
O PASSOS É A META DA DECADÊNCIA MORAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CORE QUANDO DIZ ADMIRAR O PASSOS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA! E QUEM TENHA DÓ DO PASSOS!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O PASSOS NÃO VALE NADA, 
E QUE NÃO SABE NADA, 
E QUE NEM É INTELIGENTE NEM DECENTE, 
NEM ZERO!
VOCÊS NÃO SABEM QUAL É A HISTÓRIA DO PASSOS? 
EU VOU-LHES CONTAR:
A PRINCÍPIO, POR CARTAZES, ENTREVISTAS 
E OUTRAS PREPARAÇÕES COM AS QUAIS NADA TEMOS QUE VER, 
NOMEADAMENTE JOTAS E JOTINHAS E UNIVERSIDADES DE VERÃO 
PENSEI TRATAR-SE DE UM CANDIDATO A POLÍTICO 

QUE AFINAL É O COVEIRO DE PORTUGAL.
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PASSOS E RELVAS, PASSOS, RELVAS, PASSOS... 
E CERVEJA RELVAS & PASSOS
E FIQUE SABENDO O PASSOS QUE 
SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA EM PORTUGAL 
TODO O MUNDO SABERÁ QUE O SALVADOR DE PORTUGAL É O PASSOS 
QUE N'UM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA 
SÓ CONSENTIU A PRECEDÊNCIA DO SEU PSEUDÓNIMO SALAZAR.
E FIQUE SABENDO O PASSOS QUE SE TODOS FOSSEM COMO EU, 
HAVERIA TAIS MUNIÇÕES DE MANGUITOS 
QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR.
MAS JULGAIS QUE NISTO SE RESUME A POLÍTICA PORTUGUESA? 
NÃO! MIL VEZES NÃO!
TEMOS, ALÉM DISTO O PORTAS QUE JÁ FEZ RIMAS P'RO SOARES 
E QUE DEIXOU DE SER A DERROTA DO PORTAS 
P'RA SER A DERROTA DO SOARES.

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MORRA O PASSOS, MORRA!   PIM !
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, 
CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAÍS 
MAIS ATRASADO DA EUROPA 
E DE TODO O MUNDO! 
O PAÍS MAIS CORRUPTO DE TODA A EUROPA! 
O EXÍLIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! 
A ÁFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! 
O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! 
PORTUGAL INTEIRO HÁ-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA,
SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL, 
E ENTÃO GRITARÁ COMIGO, A MEU LADO, 
A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM 
DE SER QUALQUER COISA DE ASSEADO!
MORRA O PASSOS, MORRA!   PIM!

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PARTILHEM e melhorem o texto p.f. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A História não se repete


Estou farto de ler mensagens com palavras políticas de Eça, de Junqueiro, de Antero, de antanho. Todas elas têm implícita a mensagem que a crise que vivemos, já os nossos antepassados a viveram, que somos assim, que não há nada a fazer, que a história se repete, que é natural que as palavras de hoje sejam iguais às de antigamente. 
Não gosto destas referências históricas no ponto em que elas podem levar ao conformismo, ao  "sempre foi assim", às inevitabilidades, ao acreditar nos ventos dos Lusíadas, a não acreditar que  existem alternativas.

Contudo, quando as conheço, nem eu que sou tão renitente a elas, resisto ao seu valor histórico. Que elas não nos sirvam apenas para ler mas que determinem a nossa vontade em participar na mudança de rumo da História.

O artigo publicado em “A Lanterna”, em 17 de Dezembro de 1870 – há 142 anos – é um exemplo:
Tudo mudou e o que não mudou, há que mudá-lo!...


Aqui fica:

“O governo português anda mendigando em Londres (Berlim?) um novo empréstimo. Os nossos charlatães financeiros não sabem senão estes dois métodos de governo: empréstimos e impostos.

Por um lado, o governo mandou para as cortes (parlamento?) uma carregação de propostas tendentes todas a aumentar de tributos; por outro lado, o governo vai negociar um empréstimo no estrangeiro (é onde fica a troika?).

É dinheiro emprestado e dinheiro espoliado. Pede-se primeiro aos agiotas para pagar às camarilhas; depois tira-se ao povo para pagar aos agiotas!
E ao passo que se trata de um empréstimo em Londres, negoceia-se outro empréstimo com os bancos nacionais. Este tem carácter de dívida flutuante interna e é para pagamento da dívida consolidada  externa!

Este empréstimo que nos está às costas para pagamento no fim de três meses, sai na razão de 13/2%! E no fim não é dinheiro aplicado a nenhum melhoramento público; é só dinheiro para pagar juros da dívida! É a dívida a endividar-nos cada vez mais! É a dívida a crescer para pagar as sinecuras do estado! É a dívida a multiplicar-se para não faltarem à corte banquetes, festas, caçadas, folias!

Esta situação é terrível e tanto mais que ela exige para se não agravar, de sacrifícios com que o país não pode e que de mais não deve fazer, quando eles são penas destinados às extravagâncias da corte e ao devorismo do poder, no qual se inscreve agora o novo subsídio aos pais da pátria!"




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

28 de Setembro à noite

- Cartão de Cidadão
- Um papel para anotar o nº do autocarro
- 20 euros
- 3 saquetas de açucar
- Uma boina de operário
- Uma capa impermeável
- Uma garrafa 0,33 de água da serra
- Um garrafão de água pé
- Uma broa
- Dois chouriços
- Uma bandeira do Benfica
- Pôr o despertador a tocar para as sete da manhã
Será que me estou a esquecer de alguma coisa?!...

Fonte segura: Vitor Gaspar, Passos Coelho e Miguel Relvas não vão estar presentes!

29 de Setembro à noite:
- Feliz por ter ido
- Contente por ter regressado
- Evitar ouvir os orgãos de manipulação social para dormir bem


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Dou graças a Deus?!

Adulteração (ou repetição) de uma velha reflexão:

Quando eu protestei responderam-me:
- Dá graças a Deus por teres emprego!
Quando eu perdi o emprego animaram-me:
- Dá graças a Deus por teres saúde!
Quando eu adoeci conformaram-me:
- Dá graças a Deus porque estás vivo!
Quando eu faleci conversaram entre si:
- Ainda bem, coitado, estava a sofrer tanto!
Portanto, não me resta mais nada senão protestar!

sábado, 22 de setembro de 2012

Porco salva cabra


Doucomomaderam:
Você assistiu ao vídeo em que um porquinho salvou um filhote de cabra do afogamento?
A gravação circulou pelas redes sociais e virou um sucesso nesta semana na internet.
Em um zoológico de filhotes, a pequena cabrinha caiu em um lago e quase se afogou. Só se salvou de uma morte dolorosa graças a um filhote de porco, que apareceu de repente e tratou de tirá-la da água.
As nossas vaias só vão para o cameraman, que filmou todo o sofrimento da cabrinha, mas não moveu um dedo para salvá-la. Que feio!
Assista ao vídeo abaixo.
Eh pá, talvez amanhã, se houver bolota eu torne, eu fale do torno, digo do trono! Eh pá, esta merda está de uma maneira, que nem histórias, nem versos, nem comentários, nem análises, nem choros, nem risos, nem opiniões, nem apoios, nem reservas dá para dar! Reservas?! Porra! Este é o tempo da água-pé, tenho andado nas vindimas e mais não digo!... Ou melhor, vou dizer como muitos já dizem: "o povo unido, jamais será vencido!"
Os sobrinhos de Salazar, os netos do Caetano, os filhos varões dos bastardos do Tenreiro tentam vingar Abril e o povo, surpreendentemente, volta a gritar "o povo unido jamais será vencido!" Porra! É tempo de ir para a rua, salvemos as cabras, vaiemos os cabrões!
Não! Não é saudosismo! Nada será como antes! Mas um novo tempo poderá acontecer! Que o queira o povo porque eu quero o que ele quer!
Fiéis fidalgos, passado o tempo das vindimas eu voltarei para vos dar a provar o vinho novo!

domingo, 16 de setembro de 2012

Estou manifestamente desconfiado

Tudo isto é muito estranho, de um dia para o outro, os sábios comentadores da tv do sistema e arredores, os bons patrões, que naturalmente sempre puxam a brasa à sua sardinha, os maus sindicalistas, que repetidamente assinam acordos menos maus, juntaram a sua voz às vítimas do costume,  contra uma medida em especial que o governo mandou pelos microfones para a fogueira. Com tão estranha unanimidade o pobre desconfia.
Dizem das suas cadeiras, com a eloquência académica e a fluência verbal que são o seu ganha-bem estar: "medida muito injusta", "medida não vai resolver nada", "medida é revoltante", medida tem de voltar atrás", "medida é cega", "medida é merda", "medida é fodida", "eles vão-se foder"...

Quero dizer, eles não dizem bem assim, eu é que o digo, mas também o disse de outras medidas já tomadas e eles não disseram nada como se, para eles, as outras tivessem sido justas e tivessem dado bons resultados!

Companheiros, o estranho comportamento destes ricos e mal agradecidos só nos pode deixar desconfiados!
Eu pergunto, se o governo decidir privatizar todos os serviços públicos, despedir todos os funcionários públicos e vender todas as praias eles reagirão assim? Ná! Há qualquer coisa que não bate certo!

Por outro lado, de um dia para o outro, os inquestionavelmente independentes e bem remediados senhores da tv, resolveram anunciar, cobrir e mostrar simpatia por manifestações populares que propositadamente costumam ignorar, salvo as que acontecem para lá de Vilar Formoso, como se fosse a primeira vez que o povo saiu à rua.

Tudo isto é muito estranho! Eles andam sempre de manga comprida!... Lançar uma medida, levar os beneficiados com a mesma a  brilharem desvalorizando-a, levar os prejudicados a desabafar e a sentirem-se com voz e, seguidamente, recuar para dar um ar democrático conseguindo com uma nova fórmula os mesmos objetivos. 

Sim é verdade, isto só se resolve na rua! Mas que ninguém pense que se resolve num dia, que se resolve com estes atores ou que se resolve sem organizações ou sem democracia!

Não há expressão mais pura de cidadania do que pedir democracia por uma manifestação. Mas cautela, em luta não se lançam dados e os indivíduos só poderão ser ouvidos pela representação!
Não há um governo tão estúpido que julgue os indivíduos estúpidos a ponto de deixarem passar uma transferência descarada da sua segurança social para o capital. Cautela, os dados podem estar viciados e tudo isto pode não passar de uma encenação!


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

domingo, 9 de setembro de 2012

Conversa de sábado na quinta

De como o desenvolvimento dos meios de comunicação permite às pessoas viajar tanto e tão depressa.

- Estou no Central. Onde é que estás?
- Estou a comer uma sopa da pedra em Santarém.
- Estou na Feira no lançamento do livro do Sérgio. Onde é que estás?
- Estou em Setúbal a beber um moscatel.
- Estou num fórum, num debate sobre a vida. Onde é que estás?
- Estou em Aveiro a comer uma sandes de leitão.
- Estou no 1º de Maio num concerto tão bonito. Onde é que estás?!
- Estou no Porto a beber uma aguardente.
- Estou aqui numa sombra porreira na Madeira. Onde é que estás?
- Estou em Beja a beber um copo com o Norberto.
- Onde é que estás?
- Estou em Évora com um jarro, a Mariazinha e o marreta do marido.
- Onde é que estás que nunca mais te encontro?
- No Brasil na caipirinha! Está aqui num ambiente do caraças!
- Vem já para Santarém!
- Como é que te vou encontrar numar degente.
- "Numar degente"?! Que é isso?! Estou aqui em Braga à tua espera! Onde é que estás?!
- Estou no Central.
- A estas horas?!
- Então não é aqui que se apanha a camioneta para o Casal da Confraria?!
- Vou aí buscar-te! Deixa-te estar junto ao Guernica!
- És tão linda!
- Estás lindo!

A que sábado e a que quinta nos estamos a referir?


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Excederam todas as medidas

Hitler acabou de anunciar que vai invadir a Polónia.
A ofensiva avança a Passos largos.
Uma longa batalha nos espera
Havemos de relevantar tudo e dispensaremos a ajuda dos americanos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Com todo o respeito

Tenho andado acravado em trabalho até aos artelhos, em festas até ao umbigo, em crise até ao pescoço e com a cabeça cheia de merdas, com todo o respeito, pelo que não tenho dado grandes patadas à corte, com todo o respeito que me merece a fidalguia.
Deixo pois este youtube, com todo o respeito e com as palmas que ele me merece.


E no sábado vou ouvir na Festa do Avante o rapaz de que sou ouvinte desde o tempo que ele ainda não cantava.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Festa

Passam-se os anos, as festas, o desejo de ir, a satisfação de ir, a insatisfação de não poder ir e este ano vou. Descrever, contar ou bem dizer não vale a pena: o melhor é ir quem quiser ir!
Serve o parágrafo para justificar o repescar de um post já antigo, de um texto conhecido, para lembrar a festa e marcar a agenda.

Saquei do Cantigueiro do Samuel este recorte de uma crónica do “reaccionário” (como ele próprio se classifica no texto) Miguel Esteves Cardoso, sobre a sua visita à Festa do Avante de 2007.
"O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante! faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?"
"Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias."
"Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete."
"Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez."
"É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau."

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Do outro lado da crise

O Zé começou por cortar nos copos e no tabaco. Depois começou a fechar o chuveiro enquanto punha o sabão. Cortou de seguida a refeição semanal de leitão. Cortou nos cortes de cabelo. Vendeu o cão. Deixou de viajar. Deixou atrasar as quotas da Associação. Não foi de férias. Não foi ver o musical La Féria. Não comprou o último livro do pivot de televisão (para poupar a sua própria inteligência começou a fazer só rimas em ão e em vez de chamar ao Passos porco começou a chamar-lhe cão). Mas nem por isso fundiram os seus rendimentos, nem tão pouco ouviu melhoras no equilíbrio das contas da nação. Fundiu-se ele. Em nome da dívida pública, fecharam-lhe o acesso aos serviços públicos, cortaram-lhe os rendimentos e  aumentaram-lhe a contribuição. E, como se não bastasse, convenceram-no que esse era o único contributo que podia dar para a solução. Está difícil o Zé convencer-se que o único contributo que pode dar para a solução é afirmar de todas as maneiras que não é essa a solução.

Entretanto o Zé está desempregado, com problemas bem maiores que os do país. As sardinhas estão caras mas o peixeiro Belmiro de Azevedo tem permanentes promoções de bacalhau e lá se vai desenrascando. 

O Zé começa a compreender que está do outro lado da crise, o lado que não é o da troika dos tecnocratas,  do governo ou da televisão. A crise que se resolve da forma que eles dizem, não é a dele. A dele tem de ser resolvida amanhã mesmo, num balcão do banco ou das finanças, na banca do peixe ou num amigo que lhe empreste algum. O Zé já se está nas tintas para o serviço nacional de saúde, voltou a fumar, "amegou-se" com uma enfermeira e diz que quando morrer, o futuro vai ficar cá.


sábado, 25 de agosto de 2012

Um pouco de lenha para a fogueira

Herdei um carvalho centenário que tive de cortar porque fazia sombra à aldeia. Este sábado lá fui eu prá terra ter com os meus três primos mestres na lide do moto-serra. Cortar um carvalho é tão violento e tão bárbaro como matar um porco. O moto-serra é a faca afiada, o tombo imponente, o derradeiro cuinho da matança e a extinção da sombra é como um curral que acabou de ficar vazio.
Passámos a manhã no desmancho do animal vegetal. O meu primo Manuel ganha 450 euros mensais, o meu primo Miguel está desempregado e o meu primo Arnaldo está emigrado e está de férias.

Para os sábios economistas da tv, os baixos salários são bons para a competitividade da economia, o desemprego é bom para flexibilizar a economia, a emigração é boa para os emigrantes mandarem as suas economias para Portugal e ter folga ao sábado tem graves implicações na economia nacional. Mas eu e os meus três primos estivemos a trabalhar, a produzir lenha e a produzir energia. Para compensar a energia dispensada com a força do nosso trabalho, tive de os compensar com um almoço de leitão já que o meu primo Manuel não me quis levar nada e tem sempre um porco a criar, o meu primo Miguel não quis nada e tem uma horta com tudo e o meu primo Arnaldo não precisa e diz que não manda para cá nem mais um tostão.

Passámos a tarde a jogar à sueca no bar da Associação, bebemos uns copos e, por causa da crise, a conversa foi parar à política. O meu primo operário deu sova no PSD e no Passos e diz que o PS fez coisas erradas mas que com eles não teria fechado o Centro de Saúde e que o Sócrates estava a começar a pôr os funcionários públicos no seu lugar e que isto assim vai dar merda. O meu primo sem emprego diz que o PS é que fez esta merda, que o Centro de Saúde só servia para as velhas porem a conversa em dia, que não há dinheiro, que o Sócrates é que se abotoou, que o Passos está a tirar os lugares aos funcionários públicos e que isto agora vai mudar. O meu primo que vive no estrangeiro, diz que são todos a mesma merda, que as enfermeiras são uma putas, que quer que se fodam os funcionários públicos e que mesmo que vivesse cá não votava.

E eu que sou funcionário público com pouca saúde, que sempre votei e nunca  votei no PS/D, que acho um escândalo existirem salários tão baixos que tanto produzem, desempregados num país com tantas coisas para fazer, gente ter de partir de onde nunca chegou, que gosto tanto dos meus primos, não tive coragem dos mandar para o carvalho: fui eu!: 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Salários salazarentos

Viveremos melhor com menores salários. Com menores salários seremos os melhores. Não, não estamos a falar de altos salários, esses não podem baixar senão os gajos emigram e fazem cá muita falta. Estamos a falar de baixar baixos salários, de gajos que podem emigrar que não fazem cá falta nenhuma. Estou sempre a dizer isto: quanto pior viverem as pessoas, melhor vai o país!
Tudo isto a propósito da correspondência de Cid Simões:



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Dá-se blogue

Desde que este blogue foi posto à venda não apareceu um único comprador interessado. Só tenho uma hipótese: DÁ-SE BLOGUE

Não! Não são férias nem doença, eu estou bem!... mas...

sábado, 11 de agosto de 2012

Vende-se blogue

Vende-se carro, vende-se carrinha, vende-se tractor. Vende-se senhora, vende-se lençol, vende-se cobertor. Vende-se cama, vende-se menina na beira da estrada, vende-se senhor. Vende-se ama, vende-se porca com ninhada, vende-se gado. Vende-se mato, vende-se pinhal, vende-se tê um, tê dois, tê  três, tê quatro. Vende-se pato, "se vende abobras", vende-se fábrica, vende-se armazém. Vende-se vinho ao garrafão.
- Li-qui-da-ção to-tal!... Vende-se Portugal!
Vende-se pavilhão do atlântico, vende-se companhia dos caminhos de ferro, companhia dos aviões, companhia de eletricidade, companhia das águas, fontes, pontes, estradas, escolas, hospitais, retretes públicas e quando já não puderem vender mais, vender-nos-ão escravos que é coisa que eles sabem comprar. 

Compraram a opinião e as consciências. É tudo deles! Cambada de vendidos!

Isto não está a dar! Vende-se este blogue! Comprem-no porra! Eu vou para o carvalho! 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Visão de vida ou espera do milagre


2011. "Aluga-se" em janelas. "Vende-se" em varandas. Estendais com toalhas de praia. Num terraço com vista sobre o Atlântico, a praia e a avenida, um casal não faz mais nada a não ser apanhar o sol, a brisa e a boa vida.

Rés do chão de lojas de motivos balneares, bares e esplanadas que atravessam a estrada para o lado de areia, o passeio de calçada portuguesa, muita gente diferente, tão diferentemente vestida que todos parecem iguais.

Entre brinquedos e bolas de plástico, jornais e novelos, no areal, só as crianças e os velhos parecem fazer alguma coisa. O resto são toalhas e corpos répteis a apanhar sol, brisa e boa vida.

Fraco o narrador que descreve o que toda a gente conhece e reconhece com a palavra praia. Não fosse eu e nem o narrador saberia do homem que desceu as escadarias vestido como ninguém ali está, com passo como ninguém ali tem, atravessar entre os quarentões das toalhas, os velhos dos jornais e os meninos das bolas, e entrar determinado no mar de bandeira vermelha. 
O banheiro apitou, o banhista correu e o homem desapareceu.
- Haja quem o veja! Haja quem o salve! - gritavam os aflitos. 
O banheiro corria de um lado para o outro, as pessoas perguntavam e contavam umas às outras. Cabia-me a mim, ser testemunha central do acontecimento. 
Pensei: se aquele homem teve a coragem de enfrentar tamanha massa de água, porque diabo não hei-de eu enfrentar esta massa de gente que aposta nas teses da irresponsabilidade, do suicídio e do passado da cabeça?!
- Esse homem, meus caros, não foi incauto nem desistiu. Passou por mim, ali em cima, e disse-me com o olhar: vou emigrar para o Canadá!

Fui vítima de troça, senti que havia vontade de me deitarem ao mar. Ponto final.

2012. Dez quilómetros a sul encontrei uma praia, entre rochedos, daquelas que parecem que só existem porque existe um bar. Dispense-se o narrador porque só estorva. O que importa é que, juro que era ele, o homem que me serviu era aquele que há um ano atrás vi dado como desaparecido!

- O senhor veio para aqui a nado?!... Isso de atravessar o Atlântico tem que se lhe diga mas não é impossível!...

Um sorriso cheio e silencioso confirmou a cumplicidade. O meu filho disse que não era ele e que se riu porque me achou piada. Seria a primeira vez que alguém me achava piada.

- Não, meu filho, a história deste homem é uma lição de vida. Se vires que estás mal sabes o que deves fazer!?...Nada!... bla! bla! bla!... O problema tem de ser resolvido aqui, esta também é uma crise de oportunidades.
- Passaste-te?! – olhar reprovativo de pai velho – para o partido do governo?!
- Passaste-te?! Além do homem que queria emigrar para o Canadá e foi viver um pouco mais para sul, eu sou dos poucos que não estou passado! Sabes onde existe um restaurante com o nome Pata Negra que se trespasse?!

domingo, 29 de julho de 2012

A importância do tamanho do pénis

Qualquer dia ainda vamos ouvir a Merkel a dizer:
- Embora isso não me seja indiferente, eu não tenho a culpa de vocês terem a coisa grande!!...



Lisboa, 20 jul (Lusa) - Um economista finlandês decidiu analisar a correlação entre o tamanho do órgão sexual masculino e o crescimento económico, e uma das conclusões do estudo publicado é que onde o tamanho do órgão é maior, o crescimento económico é menor.

No estudo publicado pelo Centro de Investigação Económica da Universidade de Helsínquia, e elaborado pelo economista Tatu Westling, é analisada a correlação entre o crescimento económico e o tamanho do órgão sexual masculino com recurso a dados estatísticos de 121 países entre 1960 e 1985.

O economista, no trabalho intitulado, "Male Organ and Economic Growth: Does Size Matter?", explica que decidiu fazer esta análise porque a maioria dos estudos sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se concentram em fatores políticos, económicos e sociais mas abstêm-se de fazer considerações biológicas e sexuais, e que este encontrou "ligações estatísticas robustas"...

Juro solenemente que tenho dificuldades económicas e aviso todas as porcas nórdicas que tenho um relação amorosa estável com uma porca mediterrânica. Também tenho os tomates tratados contra o míldio.


Fico sempre na dúvida sobre os dados dos economistas - como é que a conseguiram fazer tantas medidas?! Confio mais no nosso governo - não as faz, toma-Os!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Três tristes notas

1- O número de consultas nos Centros de Saúde baixou acentuadamente. Que diabo, isto não terá nada a ver com o facto de terem fechado muitos Centros de Saúde?!

2- O equilíbrio das contas públicas não poderá passar por mais aumentos de impostos. Bem, se esse aumento for de valor inferior ao corte de subsídios de férias e natal, eu não me importo que aumentem ainda mais um bocadinho os impostos!

3-"Que se lixem as eleições!" Ou "que se lixem os eleitores"?! Será que a democracia se esgota no ato eleitoral?! O que estes democratas querem dizer é que têm consciência que estão a agir contra a vontade daqueles que os elegeram, que os interesses do povo não contam quando outros valores mais altos se levantam... 
De facto, se a eleições servem para ter gente desta no poder, às vezes também me apetece dizer: que se lixem as eleições!

sábado, 21 de julho de 2012

O ator Rui Carvalho é meu amigo?!

Acabei as férias. Vim ver a pocilga e as caixas de correio. Uma catrefa de comentários, menor que o número de anedotas sobre Miguel Relvas, mas um número de mensagens de correio eletrónico a fazer inveja aos convocadores de manifestações via facebook. Não sei por onde começar. Tenho de postar. Há um comentário de um tal Rui Carvalho. É um grande amigo mas não costuma fazer suíno-reflexões. Existe também um ator com esse nome mas não gosto dele e, por isso, se ele aqui viesse também não deveria  gostar de mim. Intriga-me o comentário. Publico-o. Obrigado Rui Carvalho - és tu?!

 Rui Carvalho (sem ofensa) disse...
Quando a Igreja fez vingar a Senhora de Fátima, outras Senhoras, outros Santuários, foram ficando sem “fregueses”. Para a maioria dos crentes a Senhora de Fátima passou a ser a Senhora de todos os milagres. Usando uma imagem já utilizada, digamos que a Senhora de Fátima, qual eucalipto, “secou” todas as santas ao seu redor e poucos continuaram devotos das suas santas de antigamente. Mas mesmo esses vão a Fátima!
Dir-me-ão: a Senhora da Agonia, a Senhora de Matosinhos, a Rainha Santa, a Senhora da Boa Viagem, o S. Bentinho e outras de santos e santas ainda são importantes. Tirem-lhes os comes e bebes (e pagas) associados, os carroceis, o fogo de artifício e verão o que lhes acontece. E, na verdade, para a maioria dos que lá vão, a Senhora de Fátima é que é capaz de todos os milagres.
Mas a que propósito vem este chorilho de disparates? Vem a propósito da secundarização dos blogues a favor do facebook (e do twitter?), as nossas senhoras de fátima da blogosfera. Como os eucaliptos, secaram os blogues. Basta comparar a quantidade (e a qualidade - agora é a despachar) dos comentários de há 3 ou 4 anos com os de hoje. 
Sigo desde o início o Rei dos Leittões, sempre gostei dos seus posts e também tinha prazer em ler os comentários dos que também o visitavam. Agora, apesar dos posts não desmerecerem dos de então, os comentários são telegráficos, a despachar, sem jeito. Anda toda a gente a coleccionar amigos no facebook, a inventar perfis, a indicar as suas preferências musicais, literárias e outras, sem tempo a perder com os dinossauros que insistem nos blogues. Para mim o facebook é uma mentira imensa, ninguém é o que lá dizem, todos querem ficar bem na fotografia e para isso mentem descaradamente e omitem tudo o que possa prejudicar a sua imagem. Não há maus, nem cínicos, nem loucos no facebook. É tudo boa gente…
E o que fazem os bloguers? À mingua de visitantes, perante a porcaria dos comentários, desistem, deixam de dizer as coisas interessantes que têm para dizer e todos ficamos a perder.
Faço sinceros votos para que o Rei dos Leittões não desista. Se continuar a ser ignorado pelos que dantes o visitavam, nem que eu tenha que inventar quatro ou cinco identidades diferentes, comentários não lhe hão-de faltar. 
O admirador confesso,
Rui Carvalho

Nas caixas de correio encontrei esta imagem do amigo Cid Simões. Santo Nome de Jesus! Conheço-os todos! Apenas tenho algumas dúvidas sobre o da ponta! Não é o António Ferro!?
Amanhã, depois de regar a horta, voltarei! Amen!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Férias?!


O meu pai nunca teve férias. Nunca teve um dia de férias. Mesmo quando Abril lhe atribuiu o direito, trabalhava na mesma, num mês recebia três.
Nós tínhamos férias mas eram escolares. Nas férias grandes aprendíamos as coisas que não se aprendem na escola. Quando chegava a Outubro estávamos tão fartos dos trabalhos das férias que desejávamos o regresso às aulas.

De modo que só comecei a gozar férias quando tive um emprego. Nos primeiros anos passávamos um mês fora, depois começámos a ir só três semanas, depois a quinzena, depois dez dias, depois a semana, o ano passado não fomos e este ano vamos quatro dias. Está tudo bem! Vamos! Mas vamos com medo que para o ano nos tirem as férias ou o trabalho!... 

Porque diabo têm os patrões de pagar os dias que os trabalhadores estão em férias?! Já há mentes a colocar questões destas. Não admira, estamos a viver um retrocesso histórico sem precedentes. Eles avançam quando pressentem medo. Eles têm as melhores armas, nós somos muitos mais, temos os números.
Amigos, companheiros e camaradas: isto só se resolve na rua.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Porque ando desassossegado


Tenho um amigo, que me vem ajudando a construir-me há vinte anos, que tem uma mania antiga de oferecer coisas aos amigos. A primeira coisa que me ofereceu foi, evidentemente, a amizade. Seguiu-se a sua casa humilde, cheia de livros e objectos que não se encontram em mais nenhuma casa do mundo; depois o seu jardim onde cresce a maior colecção de coníferas da Península Ibérica. Evidentemente que também já tenho algumas coníferas no meu jardim. Mas a primeira prenda factual que ele me deu, foi uma malga de azeitonas curtidas e temperadas pela sua prendada e saudosa mãe. Depois seguiram-se, entre tantas, outras coisas, um loureiro; durante tempos, com frequência irregular, pisa papéis de todas as formas e feitios; três termómetros iguais em três semanas consecutivas, um para medir a temperatura na vinha, outro na cave e o terceiro na sala de jantar; a capa do vinil do primeiro album dos Deep Purple e, recentemente, o livro do Desassossego de Bernardo Soares. 
Está deixada a primeira razão porque tenho vindo a citar trechos dessa obra. Porque ele é o amigo com quem mais privo e mais aprendo coisas da arte; falamos de arte por arte e sem limites ou preconceitos, universal, arte mesmo, arte do grande pintor, arte do graffiti, arte de Mozart, arte da flauta do pastor, arte do jazz, arte de enxertar, arte de cozer, arte de coser, arte de da Vinci, arte da poesia, de escrever e de inventar, e porque tanto gostarmos de arte, ganhámos a arte de ver, de ouvir e de falar - desde que não estejam mais de três pessoas! ... Nós os dois e o Bernardo:


"A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual ou da emoção, distinta da vida, que é expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida a acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem, e o que exprime o que sobrou do que teve."

Depois concluímos, há dois tipos de não artistas: os que sentem e admiram a arte e aqueles que acham certas coisas engraçadas e dão o desconto aos seus autores.