sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ser de esquerda, Ser de direita

Irrita-me discutirem o que é ser de esquerda ou de direita!
Irrita-me dizerem que nos dias de hoje essa divisão já não tem muito sentido!
Irrita-me sentir que esse não ter sentido é sentir à direita!
Irrita-me ouvir que ser do centro é ser equilibrado!
Irrita-me concluírem que ser de esquerda é ser pelo aborto!
Irrita-me escrever este texto e ter que lhe dar um sentido!

Mas nunca me irrito solenemente!
Mesmo quando os tempos correm da esquerda para a direita! Agora mesmo, que o progresso económico nos faz mais pobres, que a palavra de ordem da criação de riqueza nos faz escravos, que uma onda capitalista nos engole! É tempo de esquerda! È tempo de furar a onda!

A direita diz, à sua maneira, que para os pobres serem menos pobres é necessário que os ricos sejam mais ricos!
A esquerda reclama, que para os pobres serem mais ricos é necessário que os ricos sejam mais pobres! 

Nunca me irrito com solenidade! Sou de esquerda!
Esquerda, canhota, revolta, do povo e escorreita,
Vermelha, bandeira, mastro, braço, punho, erecta e direita!

(uns colocam em todas as discussões as fraudes no rendimento social de inserção, outros falam sempre da fraude do BPN)
(se não te conseguires colocar no lugar deles, inverte a imagem)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Muro da Palestina



Em 1980, uma canção que escrevi, Another Brick in theWall (Part 2), foi proibida pelo governo da África do Sul porque estava a ser usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma educação igualitária. Esse governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.
Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinianas que participavam num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid israelita. Cantavam: "Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!" Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo que elas cantavam.

Um ano mais tarde, em 2006, fui contratado para actuar em Telavive.
Palestinianos do movimento de boicote académico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já me tinha manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse a via certa. Os defensores palestinianos do boicote pediram-me que visitasse o território palestiniano ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão. Concordei.
Sob a protecção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram,  observador casual dum outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro, imaginem o que deve ser com os palestinianos,com os sub-proletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino dos palestinianos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: "Não precisamos do controle das ideias".
Tomando nesse momento consciência que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão que estava a testemunhar, cancelei o concerto no estádio de futebol de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintinhos e também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, ond muçulmanos, cristãos e judeus vivem e trabalham lado alado em harmonia.

Contra todas as expectativas, ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinianos que vivem em Israel.
Infelizmente, nos anos que se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas, e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.
Aprendi nesse dia de 2006 em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás de um muro. Significa que um agricultor palestino tem de ver oliveiras centenárias ser arrancadas. Significa que um estudante palestino ...
(Excerto dum texto de Roger Waters - Pink Floyd)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cartaria


Correspondência. Cartas de amor. Cartas ridículas de Álvaro de Campos.  Cartas de São Paulo aos ebreus. Cartas do banco. Cartas na mesa. Cartas da sueca. Cartas da sorte. Cartas abertas e cartas fechadas.
Carta de condução. À la carte. Carta de apresentação. Carta de despedimento.Carta dos direitos humanos. Carta constitucional. Todas a cartas são precisas.
Carta do filho que está emigrado para a mãe, Preciosa, que não sabe ler. A vizinha lê a carta do filho da mãe.
E, a partir de hoje, existe também a Carta de Mário Soares e de outros filhos da mãe ao primeiro ministro cuja mãe não tem culpa.
O Mário Soares também podia ter estado presente frente à assembleia mas, se calhar, estava a escrever a carta. O primeiro ministro não tem ninguém que lhe leia a carta. Os signatários da carta, entre os quais não consta nenhum operário, camponês, comerciante ou técnico de informática, não sabem que já ninguém escreve cartas mas sim e-mails. Só me saem duques e cartas furadas! Se é mais uma cartada saibam que não vou a jogo quando é o Mário a dar cartas - tem as mangas muito largas e amigos com porta-aviões!...
Também existe a Cartaria mas isso é uma coisa que pouca gente conhece e só vem aqui ao texto cá por coisas e, entre outras coisas, porque foi lá que aprendi a jogar lerpa. 

domingo, 25 de novembro de 2012

Não sei uma letra de chinês

Não nos faltam especialistas de caserna, de café, da tv ou de taberna para falar da China: da mão de obra barata, das lojas de chineses, da nova super-potência, do comunismo chinês, dos direitos humanos, dos olhos em bico, das coisas a atravessar... 
Quando estas opiniões de superfície me provocam a opinião, costumo dizer: da China só sei um nome, Mao Tsé Tung, e de chinês não sei uma única letra!... Dito de outra forma: da China não sei nada!..
Quando Mao Tsé Tung morreu eu era uma criança de abril em regime de internato e nunca mais esqueci a sentença do padre, anti-comunista, que nos interpretava as notícias: digam o que disserem este homem livrou os chineses da fome!
De então para cá, ao longo do meu lento e tortuoso crescimento, só tenho ouvido cobras e lagartos do regime chinês, do sistema chinês, do governo chinês, dos martelos chineses, das tomadas chinesas, da economia chinesa, do gigante China!

Mas ontem  uma notícia pôs-me os olhos em bico:
"Uma casa no meio da autoestrada está a tornar-se num símbolo da resistência dos chineses contra a fúria demolidora.Luo Baogen recusou a indemnização proposta pelo governo para demolir a casa. A autoestrada foi construída na mesma e recusa-se a sair, mesmo se o caminho para casa é complicado.Só quero que o governo construa uma nova casa para mim. Podem construir noutro sítio, do mesmo tamanho, decorá-la como está esta. É só isso que eu quero”, conta."
Distraíram-se os nossos orgãos de informação! Não viram a contradição! Não bate a bota com a perdigota! Afinal que raio de ditadura é esta que permite que um homem reclame o seu direito à habitação?
Moral da história: a China não é uma democracia, na China não existe direito de propriedade, em Portugal é que existe uma democracia e direito de propriedade!
Por acaso sofro na pele a passagem de um estrada no meu sítio: houve expropriações à força, as obras causaram  danos irreparáveis na estrutura da minha casa mas, segundo os técnicos sub-empreitados pela super-empresa de advogados, foi coincidência! talvez toupeiras!...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Foda-se para esta merda!


Estou em profunda crise!... Económica? De valores? Social? Existencial? De meia-idade? Psíquica? Política? Nacional? Europeia? Internacional? Histórica?
Não! Do fígado!... Dos fígados! ...
Não consigo escrever, ter opinião, ter caminho!
Vivemos um momento histórico único - sempre se disse em todos os momentos históricos.
Vivemos uma crise única - sempre se disse em todas as crises!
Somos governados por filhos da puta - sempre fomos!
Devíamos ter uma palavra a dizer sobre o assunto - não faltam opiniões!
Digo-vos, o Rei dos Leitões está moribundo! Mantê-lo-ei ligado à máquina! Se querem postes escrevam-nos! Ergam-nos! Roubem-nos à EDP!
Não consigo cagar para esta merda! Ontem comi leitão com muita pimenta! Se calhar tudo não passa de uma crise hemorroidal! Desculpem lá! Passei-me com esta merda!
Que se fodam os blogues, os jornais, as opiniões, o povo e os demais!
Que se fodam as crises, os governos, os partidos, os ricos, os pobres e os fodidos!
Não consigo cagar para esta merda! Estou fodido!
Devo parar? Não, se paro, estou fodido!
(são caralhadas a mais?! caralho! eu sou um porco!)
até quando calhar!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uma pedra da calçada no sapato

Não limito as minhas apreciações ao que vejo pelo buraco da fechadura ou da abertura das televisões. Hoje, de torrada na mão, tive oportunidade de ver um directo do exterior da Assembleia da República em que a objetiva filmava o chão do passeio com as pedras arrancadas, deslocando-se de seguida para um grande plano de uma pedra da calçada nas mãos de um pequeno jornalista. Uma reportagem exaustiva acerca das arestas, dos vértices e das funções que pode ter um paralelepípedo. Como sempre, agucei o meu sentido crítico à tendência da informação: alguém  atirou uma pedra para a cabeça de outro ou alguma cabeça se atravessou na trajetória dum projétil arremessado ao ar?!  E, se caso existia um alvo específico, poderá ser igualmente considerada a agressão, se o atingido tinha a trunfa ao léu ou se tinha um capacete e um escudo de protecção?!

Isto é, esse assunto interessa-me pouco e a violência ainda menos. Se querem ver uma manifestação acabar em desordem, ponham-lhe polícia à frente! De preferência uma polícia cuja única função seja apenas essa! Nenhum bombeiro hesitará em apagar a queimada de um agricultor se estiver trinta anos sem apagar incêndios! Por outro lado, se quiseram provocar a virilidade de jovens sem vida sexual, ponham-lhe trinta mulheres nuas à frente!

Quanto maior é o afastamento dos governantes da realidade social, maior segurança se exige à sua integridade física. Quanto mais polícias estiverem à sua volta, maior é a provocação aos que se sentem afastados das decisões.

Mas a pergunta que se deve fazer antes de atirar uma pedra a um polícia instrumentalizado, ou de arrear com um cassetete num popular indefeso, é: a quem mais serve a violência desorganizada?! 

O caso de ontem é um bom exemplo:
1º- Deita para segundo plano as razões, os objetivos e os resultados da greve.
2º- Cria na opinião pública geral antipatia pela luta dos movimentos sociais.
3º-  Inibe os mais pacíficos de participar em manifestações populares.

Isto, se ontem houve mesmo caso? "A televisão é um periscópio no oceano".
Uma greve geral pode ser uma pedra no sapato do governo mas uma pedra de calçada nunca atingirá o sapato de um governante - quando muito uma bota do polícia que o protege. E, se o protege, só tenho uma opção: entre um manifestante e um polícia, estou sempre do lado do manifestante!


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uma foto soberana

Retirada do Cantigueiro
Não! Não é a expressão da senhora, a pose das suas mãos, o olhar ou sorriso! Acreditarão que não é montagem! À altura do umbigo da chancelera está a identificação Governo de Portugal! Incidente? Lapso? Acaso? Mau gosto? Não sei! Infeliz coincidência num momento histórico em que abdicamos duma soberania de 800 anos! 
Mais um motivo para fazer greve! 

Este Aleixo que vos deixo



Não me dêem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!

António Aleixo

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A porca não vem torcer o rabo

Esta imagem do Kaos não está aqui para ser legendada. 
Apenas coloco aqui a imagem porque este é o reino dos leitões. Este blogue deve ser o local da world wide web onde existe a maior concentração de imagens de porcos. 
Longe de mim querer ofender a criatura, a bácora, que  apenas acorre em socorro da liderança europeia porque não existe presidente da comissão europeia ou, se existe, não sabe onde fica Portugal. Vão ser cinco longas horas de paradas, cumprimentos, andamentos, policiamentos, palavras vãs, palavras de ordem, de mocada, de mocanço e de espaço televisivo. E, no entanto, nada de novo acontecerá, nada se decidirá e a porca não torcerá o rabo. Quando muito, e quero pensar que a visita não foi para isso pensada, a coisa apenas servirá para o povo descarregar a tripa. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quem me come a carne não vai dar-me dentes

Três duma assentada que a brasileira lhe arrancou!
 - Abra a boquinha! Abra a boquinha! Não vai doer! Tubos prá aqui! Seringas e alicates para acolá! Abra a boquinha! E dá cá 180 euros!

Andou todo o santo dia com a roupa do trabalho sujo, com a gola da samarra velha a roçar-lhe as orelhas, com a boina velha a guardar-lhe a chuva miudinha do olhar fitado nos seus próprios passos, com uma expressão de rochedo polido, entre a lareira e a soleira, entre o fundo e o cimo do quintal, cem metros de vai e vem pela nossa rua, de vez em quando uma macheia de desabafo, de quando em vez um dedo de conversa.
- A carteira e o serrote que se lixem! O que tenho para fazer e a dor é que me estão a lixar!

Nem pôde cumprir o seu habitual trabalho de domingo: arranjar trato para as ovelhas, arranjar uma pouca de lenha, arranjar uma dobradiça ou uma torneira, comer a cacecruta, ir de mota ao amigo Toino do Vale tratar de um assunto menor para justificar um copo, comer o cozido, dormir a sesta e depois vir a minha casa para lhe ler uma carta ou preencher um papel!
- Dez dias sem beber! Caso contrário os comprimidos não fazem efeito!

Também para mim foi um domingo diferente, sem ouvir a tratorinha, o berbequim, a mota... E depois ver o vizinho e amigo Tó Zé, com a boca dorida e calada, com o andar sem firmeza ou destino, fixado na recordação da cadeira artilhada e na voz sensual da brasileira:
- Abra a boquinha! Abra a boquinha!
Viria o lusco-fusco e, no recolher da última voltinha, teria de surgir o habitual convite:
- Queres ver como é que ela está?!
- Então e bebo sozinho?!
- Não és capaz?!

Costumamos beber cada um no seu copo mas é como se bebêssemos num único, unindo as nossas vidas em temas que servem para tornar iguais vidas diferentes: a avaliação  do estado e da evolução da pinga, das azeitonas barrasquentas ou dos tremoços; a conversa do tempo, do acidente da semana, do outro que morreu ou da outra que foi apanhada com o cunhado ou com a cunhada... desta vez tudo ficou para segundo plano, foi copo para falar de dentes:
- Deixa lá! Agora vais ficar com uma cremalheira nova!
- Isso queria ela! 3000 euros se for assado, 400 euros se for não sei como! Ó senhora doutora o que eu ganho não dá para a cova de um dente! "Vai dar cabo da sua saúde sem dentes senhor António! Mastigar bem a comida é importante!"
- Ainda por cima este gajos estão a dar cabo do SNS!
- Tanto se me dá que eles acabem com isso como não, eu só utilizo o telemóvel para chamadas!
- Não é SMS, é SNS!
- Tanto se me faz que seja uma coisa como outra! Não preciso de dentes para beber! ...  Abra a boquinha! Abria, abria se pudesse! Mas era para dizer umas verdades! Mas infelizmente nem falar sei!... SNS!... SNS!... Lá estás tu com as tuas políticas! Quem me come a carne, não vai dar-me dentes! Pronto, eu bebo meio!...

É assim a vida na minha rua.

domingo, 4 de novembro de 2012

Humilham e ofendem


Eles falam que pedem sacrifícios aos portugueses mas o que fazem é impor a pobreza e a miséria.
Eles asseguram que os sacrifícios são para todos mas continuam a exibir o seu bem estar.
Eles dizem que decidem mas não escondem que outros decidem por eles.
Eles afirmam que governam em nome do povo mas não se escusam em dizer que as suas medidas são impopulares.
Eles acabam com o estado social e descaradamente afirmam que vamos ficar melhor servidos.
Eles queixam-se que a população está envelhecida mas não hesitam em aconselhar os jovens a emigrar.
Eles reconhecem o direito à indignação mas reforçam a ação policial.
Eles dizem que estão do lado dos mais pobres mas vemo-los sempre a cumprimentar os ricos.
Eles dizem que o amanhã será melhor mas quando o amanhã é hoje estamos sempre pior.
Eles não são assim tão incompetentes, eles não estão por bem!...
Não lhes basta humilhar-nos com a pobreza que nos impõem, ofendem-nos com as suas razões.
- Ó porcos, nós não somos burros!





sábado, 3 de novembro de 2012

Estamos em pleno neoliberalismo


É bom não esquecer que Passos Coelho sempre se assumiu como neoliberal. É bom não esquecer que o neoliberalismo é uma doutrina. É bom não esquecer que uma doutrina tem os seus pensadores. É bom não esquecer que nem sempre os que pensam estão do lado do povo. É bom não esquecer que o povo só se tem a si para se defender a si próprio. É bom que se lembrem que a greve é uma das poucas armas que restam ao povo.
Retirei da Classe Política esta citação que é das mais emblemáticas da cartilha neoliberal:

“ a sociedade teatraliza em todas as instâncias a luta pela sobrevivência. Somente os fortes sobrevivem cabendo aos fracos conformarem-se com a exclusão natural. Esses, por sua vez, devem ser atendidos não pelo Estado, que estimula o parasitismo e a irresponsabilidade, mas pela caridade feita por associações e instituições privadas, que amenizam a vida dos infortunados. Qualquer política de assistência social mais intensa atira os pobres nos braços da preguiça e da inércia. Os ricos são a parte dinâmica da sociedade. Deles é que saem as iniciativas racionais de investimentos baseados em critérios lucrativos. Irrigam com seus capitais a sociedade inteira, assegurando sua prosperidade”ou ainda “os homens não nascem iguais, nem tendem à igualdade. Logo, qualquer tentativa de suprimir a desigualdade é um ataque irracional à própria natureza das coisas. Deus ou a natureza dotou alguns com talento e inteligência mas foi avaro com os demais. Qualquer tentativa de justiça social torna-se inócua por que novas desigualdades fatalmente ressurgirão. A desigualdade é um estimulante que faz com que os mais talentosos desejem destacar-se e ascender ajudando dessa forma o progresso geral da sociedade. Tornar iguais os desiguais é contraproducente e conduz à estagnação. Segundo W. Blake: "A mesma lei para o leão e para o boi é opressão!".

sábado, 27 de outubro de 2012

Efeitos dos maus tempos

O cão apareceu morto e caiu o vaso que estava no parapeito da varanda do quarto da avó que também já morreu.
Naturalmente que por uma questão de respeito não vou revelar aqui o nome do cão nem a natureza da planta. 
Dizem que o tempo chuvoso e as temperaturas altas desta altura do ano são propícias à ocorrência de tornados mas felizmente as forças de segurança estão atentas a todas as manifestações. Era um cão de família, não era um cão polícia e a natureza da planta quedada não está relacionada com a natureza deste desabafo.
Além do cão e do vaso que tombaram, também tombam folhas, chuva, homens e mulheres. Só não tomba o governo. Às tempestades das ruas e avenidas suceder-se-á um inverno imprevisível. Nem o  professor Marcelo, nem o Mário Soares sabem o que vai acontecer! Ninguém sabe o que vai acontecer! Sabe-se  apenas que é impossível que outra revolução não aconteça!

E agora vou trabalhar para o quintal. Vou enterrar o cão e pôr a planta a secar no chão da eira. Está um dia triste e eu estou contente. Logo à tarde vamos assar umas castanhas e provar o vinho novo.


(Dedico este texto que não é um poema ou este poema que não é texto, ao comentador furtivo Crisântemo Ciclomotor com pena que o vaso não lhe tenha caído na cabeça - lembrei-me agora: para manter o anonimato o cão tem o nome fictício Dogue e era primo do Joaquim Agostinho)


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Maus tempos


É o Outono...
tombam as folhas, os bêbados, os soldados...
e o caruncho rompe impiedoso nos lábios da poesia

funerais parados na beira da estrada
palavras doentes perecem no leito

um carro chegando com as primeiras chuvas
à quinta do Tio do Vale das Promessas...
os sinos dobrando os lençóis assinados
a um canto da alma
pela último período que a avó experimentou...
e o cão desapareceu...

nova estação... mau tempo
não haverá sol
porque haverá ausência
não haverá voz
porque o canto no silêncio é desrespeito
e se os mortos permanecem vivos na nossa memória
não haverá mortos nem vivos
haverá Outono

(depois, as varredeiras apanham as folhas secas
para as esquecer)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vem Merkel vem


Ainda falta um mês e já não se fala de outra coisa. Não sei se tanta conversa terá a ver mais com importância ou com desejo da coisa. Nem a visita da rainha de Inglaterra ou do papa foi tão previamente anunciada.
Já me puseram a sonhar com esse dia: as televisões, os cumprimentos, as fotografias, as declarações, os comentários, as manifestações... Pena que não venha um dia antes para lhe espetarmos uma borracheira de S.Martinho ou dois dias depois para lhe mostrarmos a nossa força! Vai ser um dia histórico?! Tudo depende do número de polícias que ela valer!

Vem Merkel! Vem correr a passadeira vermelha de Belém.
Vem, doce senhora da europa, fazer a copa com o Silva dos pastéis.
Vem Merkel! Vem lamber os anéis de Gaspar e chupar os dedos da manada.
Vem, sensual gorda ariana, desafiar na dança do varão a virilha de Passos.
Vem Merkel! Vem abrir a braguilha da nossa bandeira içada.
Vem, puta, acertar os passos dos soldados que te recebem na parada.
Vem Merkel! Vem jantar e folear com a nossa gente rica.
Vem, coisa, mas não saias dos palácios para que nenhuma coisa te aconteça.
Vem Merkel! Vem passear, qual fuhrer, nas vésperas de Guernica.
Vem, mulher de armas, mas não vás à rua que o povo perde a cabeça.

Vem-te Merkel! Afinal de contas que tens tu a ver com as nossas contas!?
Tu fazes tudo isto apenas por prazer! Tu és estéril!...
Que sabes tu, chanceler, de abril?! Que te importa saber que fechou o Centro de Saúde de Belver?
Que interesse tens tu em conhecer o senhor Silva que não é presidente da república?
Vem-te!
Mas vai-te ... !
... que nós já estamos!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A crise que tudo leva

São dez ilhas
Gritam de alegria quando chove
Veio a crise
Ficaram nove

São nove ilhas
Com o mesmo sentimento a bater no peito
Veio a crise
Ficaram oito

São oito ilhas
Com tanta gente
Veio a crise
Ficaram sete

São sete ilhas
Que querem acabar com a crise deveis
Veio a crise
Ficaram seis

São seis ilhas
Por aqui até os homens usam brinco
Veio a maldita crise
Ficaram cinco

São cinco ilhas
Gostam de musica, dança e teatro
Veio a crise
Ficaram quatro

São quatro ilhas
Que sabem falar português
Veio a crise
Ficaram três

São três ilhas
As mulheres vestem para não ficarem nuas
Veio a crise
Ficaram duas

São duas ilhas
Esperança? Resta alguma
Veio a crise
Ficou apenas uma

Uma ilha
Que sozinha brilha
Apenas uma
Que luta para que a crise durma 

domingo, 14 de outubro de 2012

Os meus braços


A esperança que eu tenho está só nos meus braços
Os braços que eu tenho são apenas dois
Os dois filhos que tenho querem ter dois filhos
Quero apenas três coisas:
outro país
o meu país
e o meu direito
e o meu direito é que o meu país seja outro país
Cresce nas ruas o que não cresceu nas igrejas
Cresce nas cidades o que não cresce nos campos
Crescerá nos meus filhos a esperança porque eu não me deixo morrer
Vou estar em todas as ruas da cidade semeando cereais

Ah! Eles vão ter de se haver connosco!

Nós somos o povo! Eles são apenas um abcesso de nós.
Dói-me um dente! Dói-me mesmo muito um dente!
Não há dor como a dor de dentes!
Tenho cá uma vontade de morder!

Os meus braços trabalham
Os meus braços amparam
Os meus braços erguem-se de punhos fechados
Os meus braços erguem-se de mãos abertas
As minhas mãos têm cinco dedos
o médio é para os mata-esperanças

sábado, 13 de outubro de 2012

Cardeal Policarpo Cerejeira


Eis o cardeal patriarca, eleito democraticamente, em todo o seu esplendor, falando de política num refeitório austero onde não faltam criadas de mesa, que fica nas imediações da sacristia do Santuário de Fátima, enquanto se preparava para presidir a mais uma grande manifestação popular do Milagre do Sol, milagre que contra-revolucionou a república e sentou Salazar até ele cair da cadeira, o povo não ouviu as suas declarações porque estava a comprar terços e velas para ver se a fé o livra dos imis, sem saber que aquele lucrativo santuário imobilário não paga imi nem nada, eu sei que a frase pedia pontos finais mas estou com fôlego demais. 
Eu já só queria, ao menos, que as declarações do patriarca fascista pagassem imposto!


O Cardeal Patriarca considera que "não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações". "Nem com uma revolução se resolveria", disse D. José Policarpo, em Fátima, depois de ter sido questionado sobre a situação política e os sucessivos protestos contra o Governo.


O Cardeal Patriarca lamenta que a democracia portuguesa esteja "na rua". "Uma coisa preocupante é que uma democracia que se define constitucionalmente como uma democracia representativa, onde as soluções alternativas têm sítio próprio para serem apresentadas, está na rua", começou por dizer a este propósito.



Sobre a questão da austeridade, D. José Policarpo mostrou-se confiante quanto aos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses.

"A reacção colectiva a este momento nacional dá a ideia de que a única coisa que se pretende é mudar, mudar o Governo. Meus queridos amigos, não sei se é esse o caminho, nem tenho opinião a esse respeito", referiu o Cardeal Patriarca, em Fátima. "Sejamos objectivos e tenhamos esperança, porque penso, e há sinais disso, que estes sacrifícios levarão a resultados positivos - não apenas para nós, mas para a Europa."

"Não nos peçam que entremos nesta balbúrdia de opiniões que se tem ouvido em todo o lado. Não contem comigo para isso. Para já, não me sinto competente, não gostaria de ouvir a minha voz a ser mais uma apenas nesta confusão. Agora, a Igreja no seu todo tem estado a reagir numa linha que é a sua própria, que é a da atenção às pessoas." 


O presidente da Conferência Episcopal foi ainda questionado sobre a possibilidade de a Igreja passar a pagar IMI, mas respondeu que isso é um assunto regulamentado pela Concordata, que não pode ser decidida por decreto administrativo.



Conclusão: não podemos contar nem com o João Proença nem com o Patriarca para a revolução!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O último Dia da República


Vive cá em casa uma republicana que faz anos a 5 de Outubro e essa é uma das razões porque sempre me deu um jeito do caraças este feriado - à falta de ideias, a prenda de almoçar fora, funciona sempre. Chateia-me aquela obrigatoriedade burguesa de ter de oferecer prendas em função do calendário católico: porque é natal, porque é dia da mãe, porque é dia do pai, porque é dia dos namorados, porque faz anos, porque faz anos que, qualquer dia serve de pretexto para responder à fúria consumista que alimenta a goela insaciável dos santos soares e azevedos belmiros. 

- Se eu for à feira ou ao monte e reconhecer uma lingerie ou uma papoila do teu agrado, com certeza que te farei um presente mas não peças palha por dá cá aquele dia!

Troça de mim perante todos os amigos porque a primeira prenda que lhe dei foi um baralho de cartas! Mas não conta que o burro em pé queimava os intervalos dos domingos e serões em que os beijos eram tantos, que uma cartada ajudava a retomar fôlegos!
Contudo, hoje a sorte bateu à minha porta, tive uma ideia de valor incalculável, comprei um envelope e coloquei lá dentro um talão com dois euros de euro-milhões. Os números são: 9, 16, 18, 19, 21. Estejam atentos ao sorteio, já sabem, se forem estes podem aparecer por cá porque vai uma sessão de derretimento de euros.
Além de querer dizer que tenho saudades do escudo, era só isto que eu queria dizer sobre a república!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Manifesto Anti-Passos


Transcrevo tal o qual o vi no 2711 sem sequer responder à sugestão final do melhorar:

de Portugal, com raiva, com muita RAIVA !

Um obrigado ao mestre Almada Negreiros e ao Dantas que autorizam uma sonoplastia e divulgação a condizer.

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BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM PASSOS
 É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI !
É UM BANDO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS !
É UMA RESMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, 
E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO !
ABAIXO A GERAÇÃO!

 MORRA O PASSOS, MORRA! PIM!   (*)

(*) morte política

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O Manifesto Anti-Passos e por extenso

MORRA O PASSOS, MORRA!  PIM !

UMA GERAÇÃO COM UM PASSOS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM PASSOS À PROA É UM BARCO AFUNDADO!
O PASSOS É UM CIGANO! 
O PASSOS É MEIO CIGANO!
O PASSOS SABERÁ GRAMÁTICA, SABERÁ SINTAXE,
SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA TRÓIKA,
SABERÁ TUDO MENOS GOVERNAR 
QUE É A ÚNICA COISA QUE ELE FAZ!
O PASSOS PESCA TANTO DE DINHEIRO QUE ATÉ
ROUBA OS POBRES E OS PENSIONISTAS!
O PASSOS É UM HABILIDOSO!
O PASSOS VESTE-SE BEM!
O PASSOS MORA EM MASSAMÁ!
O PASSOS ESPECULA E ENGORDA OS BANQUEIROS!
O PASSOS É PASSOS!   O PASSOS É RELVAS!
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MORRA O PASSOS, MORRA! PIM!
O PASSOS NASCEU PARA PROVAR QUE, 
DE TODOS OS QUE GOVERNAM ELE É O PIOR!
O PASSOS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FORA 
O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAI SAIR... 
MAS É PRECISO ROUBAR DINHEIRO!
O PASSOS É UMA CARICATURA DELE PRÓPRIO!
O PASSOS EM GÉNIO NUNCA CHEGA 
AOS CALCANHARES DO RELVAS 
E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O PASSOS É HORROROSO!
O PASSOS DE TANTA ASNEIRADA 
CHEIRA MAL DA BOCA!

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MORRA O PASSOS, MORRA!   PIM!
O PASSOS É O ESCÁRNIO DA CONSCIÊNCIA!
SE O PASSOS É PORTUGUÊS EU QUERO SER ESPANHOL!
O PASSOS É A VERGONHA DA POLÍTICA PORTUGUESA! 
O PASSOS É A META DA DECADÊNCIA MORAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CORE QUANDO DIZ ADMIRAR O PASSOS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA! E QUEM TENHA DÓ DO PASSOS!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O PASSOS NÃO VALE NADA, 
E QUE NÃO SABE NADA, 
E QUE NEM É INTELIGENTE NEM DECENTE, 
NEM ZERO!
VOCÊS NÃO SABEM QUAL É A HISTÓRIA DO PASSOS? 
EU VOU-LHES CONTAR:
A PRINCÍPIO, POR CARTAZES, ENTREVISTAS 
E OUTRAS PREPARAÇÕES COM AS QUAIS NADA TEMOS QUE VER, 
NOMEADAMENTE JOTAS E JOTINHAS E UNIVERSIDADES DE VERÃO 
PENSEI TRATAR-SE DE UM CANDIDATO A POLÍTICO 

QUE AFINAL É O COVEIRO DE PORTUGAL.
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PASSOS E RELVAS, PASSOS, RELVAS, PASSOS... 
E CERVEJA RELVAS & PASSOS
E FIQUE SABENDO O PASSOS QUE 
SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA EM PORTUGAL 
TODO O MUNDO SABERÁ QUE O SALVADOR DE PORTUGAL É O PASSOS 
QUE N'UM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA 
SÓ CONSENTIU A PRECEDÊNCIA DO SEU PSEUDÓNIMO SALAZAR.
E FIQUE SABENDO O PASSOS QUE SE TODOS FOSSEM COMO EU, 
HAVERIA TAIS MUNIÇÕES DE MANGUITOS 
QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR.
MAS JULGAIS QUE NISTO SE RESUME A POLÍTICA PORTUGUESA? 
NÃO! MIL VEZES NÃO!
TEMOS, ALÉM DISTO O PORTAS QUE JÁ FEZ RIMAS P'RO SOARES 
E QUE DEIXOU DE SER A DERROTA DO PORTAS 
P'RA SER A DERROTA DO SOARES.

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MORRA O PASSOS, MORRA!   PIM !
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, 
CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAÍS 
MAIS ATRASADO DA EUROPA 
E DE TODO O MUNDO! 
O PAÍS MAIS CORRUPTO DE TODA A EUROPA! 
O EXÍLIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! 
A ÁFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! 
O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! 
PORTUGAL INTEIRO HÁ-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA,
SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL, 
E ENTÃO GRITARÁ COMIGO, A MEU LADO, 
A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM 
DE SER QUALQUER COISA DE ASSEADO!
MORRA O PASSOS, MORRA!   PIM!

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PARTILHEM e melhorem o texto p.f. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A História não se repete


Estou farto de ler mensagens com palavras políticas de Eça, de Junqueiro, de Antero, de antanho. Todas elas têm implícita a mensagem que a crise que vivemos, já os nossos antepassados a viveram, que somos assim, que não há nada a fazer, que a história se repete, que é natural que as palavras de hoje sejam iguais às de antigamente. 
Não gosto destas referências históricas no ponto em que elas podem levar ao conformismo, ao  "sempre foi assim", às inevitabilidades, ao acreditar nos ventos dos Lusíadas, a não acreditar que  existem alternativas.

Contudo, quando as conheço, nem eu que sou tão renitente a elas, resisto ao seu valor histórico. Que elas não nos sirvam apenas para ler mas que determinem a nossa vontade em participar na mudança de rumo da História.

O artigo publicado em “A Lanterna”, em 17 de Dezembro de 1870 – há 142 anos – é um exemplo:
Tudo mudou e o que não mudou, há que mudá-lo!...


Aqui fica:

“O governo português anda mendigando em Londres (Berlim?) um novo empréstimo. Os nossos charlatães financeiros não sabem senão estes dois métodos de governo: empréstimos e impostos.

Por um lado, o governo mandou para as cortes (parlamento?) uma carregação de propostas tendentes todas a aumentar de tributos; por outro lado, o governo vai negociar um empréstimo no estrangeiro (é onde fica a troika?).

É dinheiro emprestado e dinheiro espoliado. Pede-se primeiro aos agiotas para pagar às camarilhas; depois tira-se ao povo para pagar aos agiotas!
E ao passo que se trata de um empréstimo em Londres, negoceia-se outro empréstimo com os bancos nacionais. Este tem carácter de dívida flutuante interna e é para pagamento da dívida consolidada  externa!

Este empréstimo que nos está às costas para pagamento no fim de três meses, sai na razão de 13/2%! E no fim não é dinheiro aplicado a nenhum melhoramento público; é só dinheiro para pagar juros da dívida! É a dívida a endividar-nos cada vez mais! É a dívida a crescer para pagar as sinecuras do estado! É a dívida a multiplicar-se para não faltarem à corte banquetes, festas, caçadas, folias!

Esta situação é terrível e tanto mais que ela exige para se não agravar, de sacrifícios com que o país não pode e que de mais não deve fazer, quando eles são penas destinados às extravagâncias da corte e ao devorismo do poder, no qual se inscreve agora o novo subsídio aos pais da pátria!"




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

28 de Setembro à noite

- Cartão de Cidadão
- Um papel para anotar o nº do autocarro
- 20 euros
- 3 saquetas de açucar
- Uma boina de operário
- Uma capa impermeável
- Uma garrafa 0,33 de água da serra
- Um garrafão de água pé
- Uma broa
- Dois chouriços
- Uma bandeira do Benfica
- Pôr o despertador a tocar para as sete da manhã
Será que me estou a esquecer de alguma coisa?!...

Fonte segura: Vitor Gaspar, Passos Coelho e Miguel Relvas não vão estar presentes!

29 de Setembro à noite:
- Feliz por ter ido
- Contente por ter regressado
- Evitar ouvir os orgãos de manipulação social para dormir bem


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Dou graças a Deus?!

Adulteração (ou repetição) de uma velha reflexão:

Quando eu protestei responderam-me:
- Dá graças a Deus por teres emprego!
Quando eu perdi o emprego animaram-me:
- Dá graças a Deus por teres saúde!
Quando eu adoeci conformaram-me:
- Dá graças a Deus porque estás vivo!
Quando eu faleci conversaram entre si:
- Ainda bem, coitado, estava a sofrer tanto!
Portanto, não me resta mais nada senão protestar!

sábado, 22 de setembro de 2012

Porco salva cabra


Doucomomaderam:
Você assistiu ao vídeo em que um porquinho salvou um filhote de cabra do afogamento?
A gravação circulou pelas redes sociais e virou um sucesso nesta semana na internet.
Em um zoológico de filhotes, a pequena cabrinha caiu em um lago e quase se afogou. Só se salvou de uma morte dolorosa graças a um filhote de porco, que apareceu de repente e tratou de tirá-la da água.
As nossas vaias só vão para o cameraman, que filmou todo o sofrimento da cabrinha, mas não moveu um dedo para salvá-la. Que feio!
Assista ao vídeo abaixo.
Eh pá, talvez amanhã, se houver bolota eu torne, eu fale do torno, digo do trono! Eh pá, esta merda está de uma maneira, que nem histórias, nem versos, nem comentários, nem análises, nem choros, nem risos, nem opiniões, nem apoios, nem reservas dá para dar! Reservas?! Porra! Este é o tempo da água-pé, tenho andado nas vindimas e mais não digo!... Ou melhor, vou dizer como muitos já dizem: "o povo unido, jamais será vencido!"
Os sobrinhos de Salazar, os netos do Caetano, os filhos varões dos bastardos do Tenreiro tentam vingar Abril e o povo, surpreendentemente, volta a gritar "o povo unido jamais será vencido!" Porra! É tempo de ir para a rua, salvemos as cabras, vaiemos os cabrões!
Não! Não é saudosismo! Nada será como antes! Mas um novo tempo poderá acontecer! Que o queira o povo porque eu quero o que ele quer!
Fiéis fidalgos, passado o tempo das vindimas eu voltarei para vos dar a provar o vinho novo!

domingo, 16 de setembro de 2012

Estou manifestamente desconfiado

Tudo isto é muito estranho, de um dia para o outro, os sábios comentadores da tv do sistema e arredores, os bons patrões, que naturalmente sempre puxam a brasa à sua sardinha, os maus sindicalistas, que repetidamente assinam acordos menos maus, juntaram a sua voz às vítimas do costume,  contra uma medida em especial que o governo mandou pelos microfones para a fogueira. Com tão estranha unanimidade o pobre desconfia.
Dizem das suas cadeiras, com a eloquência académica e a fluência verbal que são o seu ganha-bem estar: "medida muito injusta", "medida não vai resolver nada", "medida é revoltante", medida tem de voltar atrás", "medida é cega", "medida é merda", "medida é fodida", "eles vão-se foder"...

Quero dizer, eles não dizem bem assim, eu é que o digo, mas também o disse de outras medidas já tomadas e eles não disseram nada como se, para eles, as outras tivessem sido justas e tivessem dado bons resultados!

Companheiros, o estranho comportamento destes ricos e mal agradecidos só nos pode deixar desconfiados!
Eu pergunto, se o governo decidir privatizar todos os serviços públicos, despedir todos os funcionários públicos e vender todas as praias eles reagirão assim? Ná! Há qualquer coisa que não bate certo!

Por outro lado, de um dia para o outro, os inquestionavelmente independentes e bem remediados senhores da tv, resolveram anunciar, cobrir e mostrar simpatia por manifestações populares que propositadamente costumam ignorar, salvo as que acontecem para lá de Vilar Formoso, como se fosse a primeira vez que o povo saiu à rua.

Tudo isto é muito estranho! Eles andam sempre de manga comprida!... Lançar uma medida, levar os beneficiados com a mesma a  brilharem desvalorizando-a, levar os prejudicados a desabafar e a sentirem-se com voz e, seguidamente, recuar para dar um ar democrático conseguindo com uma nova fórmula os mesmos objetivos. 

Sim é verdade, isto só se resolve na rua! Mas que ninguém pense que se resolve num dia, que se resolve com estes atores ou que se resolve sem organizações ou sem democracia!

Não há expressão mais pura de cidadania do que pedir democracia por uma manifestação. Mas cautela, em luta não se lançam dados e os indivíduos só poderão ser ouvidos pela representação!
Não há um governo tão estúpido que julgue os indivíduos estúpidos a ponto de deixarem passar uma transferência descarada da sua segurança social para o capital. Cautela, os dados podem estar viciados e tudo isto pode não passar de uma encenação!


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

domingo, 9 de setembro de 2012

Conversa de sábado na quinta

De como o desenvolvimento dos meios de comunicação permite às pessoas viajar tanto e tão depressa.

- Estou no Central. Onde é que estás?
- Estou a comer uma sopa da pedra em Santarém.
- Estou na Feira no lançamento do livro do Sérgio. Onde é que estás?
- Estou em Setúbal a beber um moscatel.
- Estou num fórum, num debate sobre a vida. Onde é que estás?
- Estou em Aveiro a comer uma sandes de leitão.
- Estou no 1º de Maio num concerto tão bonito. Onde é que estás?!
- Estou no Porto a beber uma aguardente.
- Estou aqui numa sombra porreira na Madeira. Onde é que estás?
- Estou em Beja a beber um copo com o Norberto.
- Onde é que estás?
- Estou em Évora com um jarro, a Mariazinha e o marreta do marido.
- Onde é que estás que nunca mais te encontro?
- No Brasil na caipirinha! Está aqui num ambiente do caraças!
- Vem já para Santarém!
- Como é que te vou encontrar numar degente.
- "Numar degente"?! Que é isso?! Estou aqui em Braga à tua espera! Onde é que estás?!
- Estou no Central.
- A estas horas?!
- Então não é aqui que se apanha a camioneta para o Casal da Confraria?!
- Vou aí buscar-te! Deixa-te estar junto ao Guernica!
- És tão linda!
- Estás lindo!

A que sábado e a que quinta nos estamos a referir?


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Excederam todas as medidas

Hitler acabou de anunciar que vai invadir a Polónia.
A ofensiva avança a Passos largos.
Uma longa batalha nos espera
Havemos de relevantar tudo e dispensaremos a ajuda dos americanos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Com todo o respeito

Tenho andado acravado em trabalho até aos artelhos, em festas até ao umbigo, em crise até ao pescoço e com a cabeça cheia de merdas, com todo o respeito, pelo que não tenho dado grandes patadas à corte, com todo o respeito que me merece a fidalguia.
Deixo pois este youtube, com todo o respeito e com as palmas que ele me merece.


E no sábado vou ouvir na Festa do Avante o rapaz de que sou ouvinte desde o tempo que ele ainda não cantava.