- Depressa esqueço o mal que me fazem!
- Ah! Eu não! Não consigo perdoar o mal que me fazem!
- Eu não sou daqueles que digo mal dos outros!
- Ah! Eu Não! Adoro cortar nestes e naqueloutros!
- Nunca traí ninguém!
- Bem…eu… sempre que me dá jeito!...
- Para mim, os partidos são todos iguais!
- Pois eu ainda estou naquela que há uns mais iguais que outros!
- Só não ajudo os outros se não puder!
- Eu até ajudava mas o meu coração não me ajuda!
- Para os meus, quero o melhor!
- Desde que eles queiram aquilo que eu quero!
- Não gosto de ver acidentes!
- Fico orgulhoso se sou a testemunha entrevistada.
- Não ando por aí a espreitar a vida privada dos outros!
- Se a chave não estiver na fechadura dá sempre jeito.
- Nunca fecho a porta a ninguém!
- A minha porta, normalmente, está fechada.
- Por bem sou bom mas por mal! …
- Sou mau!
- Sou capaz de dar a camisa a outro que precise!
- Se ela estiver rota! …
- Penso pela minha própria cabeça!
- Sigo sempre o pensamento dos grandes pensadores.
- Não gosto de me armar em rei!
- Eu sou o rei dos leittões!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Acidente com porcos
Há porcos que repugnam a sua própria porcaria, mas se não afastam dela por aquele mesmo extremo de um sentimento, pelo qual o apavorado se não afasta do perigo. Há porcos de destino, como eu, que se não afastam da banalidade quotidiana por essa mesma atracção da própria impotência. São aves fascinadas pela ausência de serpente; moscas que pairam nos troncos sem ver nada, até chegarem ao alcance viscoso da língua do camaleão.
Fernando Pessoa - Livro do Desassossego
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Diário inTemporal
Depois de dias sem energia eléctrica, sem água canalizada e sem comunicações, a reviver à força tempos idos, de queimaduras de cera, barbas mal feitas, televisões desligadas, sem sequer poder ter lareira para contar histórias porque o carvalho do recuperador de calor tem um motor, "tá bem pai! já contaste como era! mas tem piada?...", eis finalmente o meu lar de classe média, em decadência, no seu pleno: já tenho net!
Estas histórias dos alertas do mau tempo fazem lembrar a história do Pedro e o Lobo. Na manhã cedo de sábado, tudo a postos para um sábado normal, a descida à cidade trouxe o vento e aconselhou um regresso rápido ao quintal. Os deuses começaram a soprar, falhou a energia e afinal não havia nada para fazer! Ficámos a acompanhar, de olhos atentos, a ventania e às meias tantas apareceu o Tó Zé a dizer que estava tempo para assar um pouco de toucinho na sua lareira e que se eu não fosse lá também não mo trazia.
O saboroso petisco foi atingido por uma telha que deu de si na cozinha sem forro e pobre do vizinho, viemos para a porta, lá se foi uma chapa do curral das cabras, fugimos para minha casa, lá se foi a minha querida estufa que tinha nove alfaces prontas para comer, lá se foi o cedro que fazia sombra ao cão, "que é que a pinheira abana!", "abana mas não cai!", "ainda bem que temos fogão a gás!", o almoço comido com os olhos postos nas janelas, "estamos cercados!", há árvores caídas nas estradas aqui e acolá, uma tarde de motoserras a roncar, foi bonito estar com toda a gente a trabalhar.
À noite: a escuridão em casa e nas terras que se avistam, "só nos faltava também faltar a água! Insistimos nas teclas dos telefones, estamos isolados. Não estamos sequer preparados com um rádio a pilhas. Vou ao carro, as rádios locais estão em piloto automático a cantar inglês para o lado, as rádios nacionais falam da transferência de um jogador e passam um excerto dum discurso do António José Seguro, não sei aonde, a dizer "não contem com o PS...!" Penso: se por acaso tivesse entupido uma sarjeta em Lisboa não faltariam repórteres no local. Não, não queríamos ser notícia, queríamos apenas informação que nos sossegasse.
Na segunda feira, tivemos luz. Na quarta feira um canal de televisão descobre, finalmente, que há muitas populações sem luz. O Mexia mexe-se e junta-se à Mixórdia de Tomates a gozar com a situação. No mínimo exigia-se que passassem novamente os dois últimos episódios da Grabriela e a gala da Casa dos Segredos!
Hoje passei-me, não larguei os tipos da PT. " Temos toda a nossa capacidade técnica no terreno!" E quem me diz a mim que essa capacidade técnica não estará diminuída pela sucessiva dispensa da força do trabalho? E o meu aluguer de rede, será diminuído este mês? Afinal de contas isto não foi um "katrina" e isto não é a Indochina, foi apenas uma ciclogénese explosiva!
Mas pronto, salvou-se Lisboa e isso é o mais importante! Mas pronto, já tenho net e o Pata Negra já pode mandar umas bacoradas! Que se lixe o mau tempo, o pior são os maus tempos que vivemos.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
O regresso aos mercados
Vai pá! Mas não te esqueças que agora é preciso levar uma máquina de passar facturas! E olha, leva-a embrulhada num plástico para não se molhar!
domingo, 13 de janeiro de 2013
E viva 2013
Este blogue está temporariamente encerrado. Enquanto o tema central dos outros blogues e dos noticiários forem relatórios do FMI, nada deverá ser postado aqui.
Com que então despedir quase metade dos professores?! Deve tratar-se de uma campanha de alfabetização! Só pode!
E depois aquela ideia que os portugueses são uma cambada de privilegiados preguiçosos, com altas regalias, com altos salários, com saúde a mais, com educação a mais, com serviços sociais a mais!... Isto só pode lembrar ao diabo! Isto é, ao FMI!
Agir não pode ser apenas falar, escrever, protestar, agitar. Agir tem mesmo de ser agir e é só por isso que nos próximos dias vou ter mais que fazer.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Estou zangado
Ninguém se lembrou do meu aniversário?!
Blogue Rei dos Leittões, há sete anos a dizer a mesma coisa.
6/1/2006 - 6/1/2013
sábado, 5 de janeiro de 2013
Pobre América
Em pequeno joguei aos índios e cowboys e queria sempre ser índio porque, entre outras coisas, as flechas que fazia eram mais próximas da realidade do que as pistolas de pau de oliveira que só faziam pum. Cresci a ver filmes americanos onde tiros e morte são uma constante e, no entanto, pertenço a uma geração de gente pacifica.
É verdade que todos nós já enjoámos esse cinema, somos mais exigentes com o que nos oferecem embora ninguém ligue às nossas exigências. Nas notícias da guerra, nos filmes, nos desenhos animados, nos vídeos e vídeo-jogos, as imagens de violência e sangue são um ingrediente indispensável ao alimento mediático. Curiosamente têm quase sempre a presença dum fator - os Estados Unidos da América.
A questão que coloco é talvez tão banal como a violência na América: são as imagens violentas que fazem a América violenta, ou é a América violenta que faz as imagens violentas?A resposta será comum como o costume: são as duas coisas!
Sim, mas nós comemos as mesmas brincadeiras de guerras a sério e a brincar e somos pacíficos, dizem, até de mais!...
Mas então porque é que um país vendedor de imagens de violência vende uma notícia destas?
Apontou o dedo como se fosse uma arma e disse “pow”. O gesto foi feito por um aluno de seis anos numa escola primária norte-americana e valeu-lhe um dia de suspensão.
A notícia em si não me preocupa muito - eles que se curem! - o que me preocupa é que o jornalista se tenha rendido à América e tenha escrito "pow" em vez de "pum".
Nem com "pow" nem com "pum", eu não me rendo aos Estado Unidos da América!
Miguel Relvas vai sair
Miguel Relvas e Santos Pereira fora do governo?
É a pior notícia que nos podem dar neste momento. Quanto mais tempo a presença destes rapazolas se arrastar na governação, mais fácil será fazermos o governo cair! E a queda deste governo é a nossa maior esperança para 2013!
É a pior notícia que nos podem dar neste momento. Quanto mais tempo a presença destes rapazolas se arrastar na governação, mais fácil será fazermos o governo cair! E a queda deste governo é a nossa maior esperança para 2013!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Surge Janeiro frio e pardacento
JOSÉ RÉGIO,1969
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Boa ideia
Com esta ideia já me posso dar ao trabalho de voltar a ler jornais.
Boa passagem de ano para todos os que pensam e para todos os animais, incluindo os porcos, também.
Boa passagem de ano para todos os que pensam e para todos os animais, incluindo os porcos, também.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Mensagem do Pata Negra
Neste tempo de mensagens e boas ações, vejo-me obrigado, eu também, a deixar aqui uma mensagem que não estava previsto ter de acontecer. Efetivamente, as inovações do novo blogger são perigosas para um velho bloguer:
- Eu alguma vez pensei que ao clicar no botão "eliminar comentários - spam" aquilo apagasse a torto e a direito?! Vai daí, inadvertidamente, apaguei todos os comentários das últimas mensagens, sem possibilidades de voltar atrás. Pelo facto peço desculpa a todos os comentadores, especialmente ao senhor Manel Silva que logo veio esbracejar protestos e lagartos e fazer ameaças vãs.
Acreditem que o episódio não é de porco, é mais de pato, por isso hoje o Pata Negra é assim:
Bem sei que a mensagem que se esperava seria outra, já tinha o título: Mensagem de Ano Novo de Sua Majestade Rei dos Leittões. Acontece que, na minha real preguiça, andava googleando à procura de uma mensagem do Rei D.Carlos que mantivesse a atualidade - está tão na mouche ir à literatura do século xix caçar excertos para comprovar aquela comum de que a história repete-se! - e vejo que de reis está o mundo farto, até já existe o Rei das Mensagens!....
Dito isto, até amanhã se não for depois.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Como se estraga uma noite de natal
Desde há muitos anos que é ditado que em família não se discute política. Talvez porque em família conhecemos melhor os fracos e as intenções de cada um. Contudo, a conjuntura a isso obriga e a política, desta vez, não deu tréguas aos assuntos costumeiros.
Colocada a crise na mesa como uma travessa, cada um puxou das suas razões e das suas receitas para compor a conversa.
O da direita tomou as culpas ao rendimento social de inserção e disse de sua sentença que o que não querem é trabalhar (e eu a encher); a outra disse que também não se importava de estar desempregada e que não compreendia porque é que certa gente recebe tanto como quem está a trabalhar (e eu a encher); outro, ainda à direita, criticou as reformas dos políticos e mostrou-se totalmente a favor da redução do número de deputados (e eu a encher); outra lembrou o buraco do BPN e elogiou a esperteza de varas e duartes e do cavaco que não é burro nenhum (e eu a encher); também à direita, um novo ainda, disse que não se pode querer ter saúde à borla quando se fuma e se come toucinho (e eu a encher); ainda do mesmo lado, um dos mais velhos não compreende porque é que se tem de estudar à borla se quem ganha com isso são eles (e eu a encher); e a europa e o euro; e o passos e o sócrates; e os funcionários públicos e os maquinistas; e a grécia e a alemanha... (e eu encher) ; e as reformas que já ninguém vai ter; e o morrer sem remédios; e a fome e a caridade e o padre (e eu a encher) e para o ano seja o que Deus quiser ( e eu a encher); são todos iguais e se tu lá estivesses farias o mesmo... e já lá vão... deixem-me contar... já não sei quantos copos enchi... parece que não vi ninguém à minha esquerda, deixei de ver quem estava em frente, levantei-me em direcção ao presépio, peguei no burro e na vaca e atirei-os ao chão para evitar partir um copo!
- Vós já nem ao papa obedeceis! Também não obedeceis à memória dos nossos avós nem sequer a vós próprios obedeceis! Vamos sim, vamos ter direito a reformas e ao estado social! Vamos sim, ter um futuro mais justo para nós e para os nossos filhos! Portugal tem futuro! Basta que tenhamos consciência de classe e vontade de lutar! Foi assim sempre: eles têm as armas, nós temos os números! Protestem comigo, encham as ruas comigo! Foi o povo nas ruas que fez a revolução de Abril!
E sai lá do canto da lareira a voz da minha prima beata solteira, debaixo do bigode postiço e beato - sim, porque um bigode daqueles numa mulher só pode ser postiço para enganar o padre que não gosta de mulheres:
- O papa não disse nada disso! Foram os comunistas que inventaram isso só para o foder!
- Tu é que precisavas disso!
E dito isto fui arrastado para fora da sala, para o frio da rua, para o carro e cheguei a casa com o Natal estragado.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O meu segundo casamento
A vida de criança na aldeia deixa marcas pela primeira vindima de que se tem memória, pelo primeiro porco que se ouviu cuinhar antes de morrer, pelo Ti Não Sei Quantos, quieto dentro do caixão, pelos mais antigos sapatos que se lembra de ter estreado na procissão da Nossa Senhora da Apresentação, pelo casamento que era festa de roupas novas, cantar, dançar, comer nozes e dormir onde o menino tivesse escuro para não acordar.
O primeiro casamento, de que tenho cirrus de memória, deve ter sido o último amigo da geração de meus pais a casar. Teria sido novidade porque de último, era o primeiro a casar com dinheiro da França, casa de primeiro andar com terraço, revestida a marmorite e noiva de branco que viria a tornar-se tradição. No adro da igreja, ao ver uma mulher assim vestida, lembro-me de ter perguntado à minha mãe:
- É a Nossa Senhora da Apresentação?!
Além da risada de resposta à minha interrogação, lembro-me de me ter apaixonado pela menina que ficou à minha frente na mesa do banquete, do baile e do som dele, das canções e de ver a minha mãe a cantar ao desafio com o meu pai e de ouvir palmas. Depois ficou escuro, devem-me ter levado a dormir num quarto escuro de alguma avó vizinha que cuidaria de mim também dormindo.
No segundo casamento já não era menino de embalar e assisti a tudo. Deve ter sido o primeiro amigo do meu pai a ter filha criada para dar boda. Não foi com dinheiro de França, vinham de Lisboa, provavelmente já casados de véspera, vinham também raparigas vestidas de calças e rapazes com calças à cobói e ao cancioneiro de tradição impôs-se uma canção:
E esta canção ficou por ali na aldeia a ecoar a partir de então, fez-se canção cantada como as outras que sempre se cantaram e aquele casamento ainda hoje deve ser recordado como aquele em que apareceu aquela canção.
Mais crescido, quando abril me acordou do quarto escuro, eu reconheci aquela canção, hoje esquecida, como a minha primeira canção de intervenção.
Estavam à espera que eu contasse a experiência pessoal de um segundo casamento?! Vontade não me falta! Só que ela diz que se eu fizer isso nunca mais dorme comigo nem nunca mais faz favas com chouriço!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
domingo, 23 de dezembro de 2012
Soltem os prisioneiros
"Soltem os prisioneiros" é tema dos"Delfins" pelo qual não tenho especial consideração. Acontece que, de há uns tempos para cá, estas notas não me largam os tempos de barba e de banho, só que em vez de "Soltem os prisioneiros" a letra que encaixo na melodia é: "Desliguem os televisores!".
Já o disse aqui, eu que me estou nas tintas para o natal e dele espero apenas o pretexto para uns tintos, que aguardo ansiosamente a mensagem de natal do senhor primeiro ministro, o fedelho Passos Coelho! E aguardo-a, não para o ouvir, mas para exercer o meu direito de não o ouvir desligando o televisor como forma de protesto.
Desliguem os televisores à hora marcada!
Ah, se tem curiosidade em ouvi-lo, aqui fica de antemão o discurso esperado, incluindo algumas coisas que ele não vai dizer mas que irá pensando enquanto lê:
Portugueses e portuguesas, gostaria de vos estar a ler esta mensagem de natal em condições menos difíceis do que aquelas que estamos a atravessar mas a verdade, e isso põe-me contente, é que se as condições não se tivessem tornado tão difíceis, quem estaria aqui não seria eu mas o meu antecessor.
Foi ele que nos pôs neste caminho e não há outro caminho se não aquele que escolhemos e, como era o único, escolhemos bem. Nestes tempos difíceis em que mergulhámos, o importante é falar verdade aos portugueses e a verdade é que este caminho nos vai conduzir a um ano de mais dificuldades, de mais sacrifícios, de mais pobreza. A maioria dos portugueses deu-nos um voto de confiança para seguirmos este caminho e, custe o que custar, é este caminho que vamos seguir.
Nesse sentido, a nossa maior satisfação é honrar os compromissos dos nossos antecessores e satisfazer os nossos credores. A eles lhes devemos o que somos, o que não temos e o nosso futuro!
Não se trata apenas de pagar a dívida e os juros, em tempo de natal há que dar gestos de reconhecimento perante aqueles de quem dependemos. Foi por isso que, hoje mesmo, decidi atribuir, como presente de natal, uma medida extraordinária para agradar aos mercados e aos nossos credores: para o ano os hipermercados estarão abertos no dia de natal e os funcionários públicos só irão receber metade do décimo segundo mês.
Portugueses e portuguesas, estes são tempos difíceis mas são também tempos de oportunidades, de aprender com as dificuldades: comer menos porque comer muito faz mal, não ir ao médico só porque se está doente, trabalhar mais para não se ser despedido, aceitar tudo porque se está desempregado, emigrar para aliviar os números do desemprego, morrer para não sobrecarregar a segurança social, blá...blá...blá...
São também tempos de poupança, eu, por exemplo, ainda há dias ralhei à Laura porque ela estava a comprar leitão com dinheiro dela - ó fofa porque não debitas essa despesa no cartão de crédito de despesas de representação?!
São também tempos de solidariedade, eu por exemplo, já falei com a Laura para ela dar os restos da noite de natal à empregada mais magra cá da casa!...
... a este parágrafo o leitor já deve ter pensado - este Pata Negra já bebeu uns copos! Não, ele é que bebeu! A revelação antecipada deste discurso só foi possível porque eu tenho alguns conhecimentos! o discurso que o tipo entregou aos assessores foi este! Agora, se eles o vão corrigir e transformar e vai sair outro, isso já é outro assunto! De qualquer forma o blá, blá, blá deve terminar mais ao menos assim:
- Desejo a todos os portugueses e portuguesas um natal muito feliz e um ano novo cheio de prosperidades.
Esta última frase não é da autoria do primeiro ministro, plagiou-me!
Esta última frase não é da autoria do primeiro ministro, plagiou-me!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
O Fim do Mundo
Eu sei que me ando a repetir muito - que é que querem? Está tudo dito e hoje era para esta merda toda ter acabado!
O fim do mundo acontecerá um dia, se não for para todos juntos, pelo menos para cada um individualmente. Mas esta história de se repetirem as ameaças de que o mundo acaba, já chateia! Talvez por isso me tenha apetecido chatear-vos com a reposição desta história do Pata Negra. Quem preferir, em vez de lê-la, pode ouvi-la, no youtube abaixo, pela voz do actor Miguel Guilherme no "saudoso" programa História Devida da Antena 1. Ou, se quiserem, também podem fazer as duas coisas conjuntamente.
Eu ainda tinha a idade de me acharem graça pelas graças de menino. Aos serões, dava uma corrida a casa da ti Nini para receber a atenção dela, do tio Jofre e das suas duas filhas. Era uma casa de agricultores pobres que acendiam a candeia de azeite para poupar energia eléctrica e que tinha uma lareira tradicional com gatos e tudo. Às vezes apanhava a hora do terço e, de ave-maria em ave-maria, esperava as cinco últimas contas para depois ouvir, do tio Jofre, lendas e histórias que pareciam ter atravessado os séculos, de boca em boca, sem nunca se venderem ao elitismo da palavra impressa.
O tema daquele dia foi parar a um ponto que mereceu achega da Ti Nini, rara de intervenções por feitio e pelos papéis de dona que não lhe davam tempo para conversas de lareira. Disse ela, num tom apocalíptico, que Jesus havia dito numa qualquer aparição: “a mil chegarás, a dois mil não passarás!”
O tio Jofre, ciente do medo que a profecia poderia causar, a mim e às filhas adolescentes, atalhou:
- Ah! Mas a Nossa Senhora estava ao lado, pegou numa macheia de areia, atirou com ela para o mundo e disse: “e estes dou-os eu”!
Puto esperto, como eu era, fui para a cama descansado com a generosa oferta da Mãe do Criador, uma mão dá uma porrada de grãos de areia que, transformados em anos, dariam para a minha vida e para as daqueles que por cá ficarão com memória para me recordarem.
Já lá vão doze grãos e eu vejo a coisa preta! Será que os tempos corroeram a história, que a Senhora agarrou foi em areão ou brita ou até, azeitonas? É que eu vejo o Fim do Mundo à minha porta, em minha casa, na minha televisão, na minha Internet, no meu país.
O Tiazinha era um pedinte castiço que, naquele tempo, de tempos a tempos, passava na Terrinha.
Tenho pena de não ter letras para descrever o porte, o discurso e a vestimenta! Mas o nome - Tiazinha - já diz muito. Era um vulto santo antoninho, asadinho, de andar beato, de capa rodada e mitra de bandarilheiro, sobre a qual o pescoço afemeado equilibrava uma saca de alqueire com o grão que conseguia nas portas. Todas as portas lhe rendiam a esmola! Porque a humildade extrema com que nos abordava não nos deixava alternativa. Palmeava as léguas – ninguém como ele conhecia a geografia das aldeias - bichanando um rosário interminável de orações e ladainhas e só parava as palavras para respirar. Cheguei a segui-lo e a espreitá-lo pelas bordas do mato, e posso testemunhar que, mesmo onde já ninguém o ouvia, ele continuava debitando preces, sinal de que a sua oração não era para seduzir os pobres beneméritos mas era uma Fé genuína que acreditava que, assim rezando, se salvaria do Fim do Mundo.
Falo dele porque foi dele que adoptei a minha visão do Fim do Mundo, tão diferente de outras aterradoras que me foram contando. Dizia-nos ele:
- Pró Fim do Mundo tudo aparece: é mulheres grávidas, porcos com escagarrinha, reis na miséria, doidos varridos a governar, cães a uivar; cachopos a chorar, é pais abraçados às filhas, homens ameigados com galinhas, sapos nas cozinhas, luzes a acender e a apagar, etc. etc.
Não retive todos os indicadores mas vejo que qualquer coisa de parecido começa a acontecer: tenho uma galinha que é como um cão para mim.
Pontos de vista
- Do ponto de vista do mocho, do morcego, do boémio e do ladrão, o crepúsculo é a hora do café da manhã.
A chuva é uma maldição para o turista e uma boa nova para o camponês.
Do ponto de vista dos autóctones, o que é pitoresco é o turista.
Do ponto de vista dos índios das ilhas Caraíbas, Cristóvão Colombo, com seu chapéu com plumas e sua capa de veludo vermelho, era um papagaio de dimensões nunca vistas.
- Do ponto de vista do Sul, o verão do Norte é o inverno.
Do ponto de vista de uma minhoca, um prato de espaguetes é uma orgia.
Onde os hindus vêem uma vaca sagrada, outros vêem um grande hambúrguer.
Do ponto de vista de Hipocrátes, de Galeno, de Maimónídes e de Paracelso, existia uma doença chamada indigestão, mas nenhuma doença chamada fome.
- Do ponto de vista do Oriente do mundo, o dia do Ocidente é a noite.
Na Índia, os que estão de luto vestem-se de branco.
Na Europa antiga, o negro, cor da terra fecunda, era a cor da vida, e o branco, cor dos ossos, era a cor da morte.
Segundo os velhos sábios da região colombiana do Chocó, Adão e Eva eram negros e negros eram seus filhos Caim e Abel. Quando Caim matou o seu irmão com um golpe de bastão, a cólera de Deus trovejou. Diante da fúria do Senhor, o assassino empalideceu de culpabilidade e de medo, e empalideceu tanto que continuou branco até morrer. Nós, os brancos, somos todos filhos de Caim.
- Se os santos que escreveram os Evangelhos tivessem sido santas, como seria explicada a primeira noite da era cristã?
São José, contam as santas, era mal-humorado. Era o único amuado na creche em que o menino Jesus, recém-nascido, resplandescia em seu berço de palha. Todos sorriam: a Virgem Maria, os anjinhos, os pastores, as cabras, o boi, o asno, os magos que vieram do Oriente e a estrela que os conduzira até Belém. Todos sorriam, salvo um. São José, entristecido, murmurou: “Eu queria uma filha.”
Eduardo Galeano via Agitação
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Um velho do PCP com alguma piada
Vejam pelo menos o princípio do video. O velho Miguel lê, os tipos acenam de contente concordância mas afinal... acabam a rir-se deles próprios...
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Desliguem os televisores
Nunca na vida escrevi sobre o natal.
Não me lembro sequer de trazer para casa uma redacção sobre o natal.
E continuo a não conseguir escrever sobre o natal.
Para mim o natal não tem de bem mais que a páscoa ou o carnaval
Mas também não tem mais de mal.
Para mim essas coisas são simplesmente o natal, a páscoa e o carnaval.
Não escrevo sobre elas porque também não escrevo sobre muitas outras coisas.
As únicas coisas sobre as quais gosto de escrever
e sobre as quais vale a pena escrever
é sobre o a primavera, o verão, o outono e o inverno.
Dependo muito mais desse tempo do que dos tempos do calendário católico
Até porque não sei quando vou morrer e se vou ter enterro católico.
Mas sei que vou morrer numa estação.
Também nunca escrevi sobre comboios.
Deixei também de escrever sobre o papel,
Comprei um PC este natal.
Dirão: afinal estás a escrever sobre o natal!
Não, estou a escrever sobre a TV:
Aguardo ansiosamente o tempo da mensagem de natal do primeiro ministro.
As pessoas não devem mudar de canal. As pessoas devem simplesmente desligar o televisor.
Mas alguém, minimamente lúcido, vai ouvir o blá blá habitual?!
Mega Watts de energia serão poupados a bem do ambiente ecológico e familiar.
É este o meu desejo de natal: que toda a gente desligue os televisores quando se anunciar o senhor primeiro ministro!
Se se cumprir o meu desejo e as audiometrias registarem o fenómeno ver-me-ei obrigado a escrever sobre a primavera. Isto, se entretanto, os comboios não me pregarem alguma partida!
(mesmo que eu tivesse escrito sobre o natal, este texto continuaria a ser banal mas o importante é que além de rimas em al deixei um desejo de natal)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
O Vale Tudo
Aqui neste vale sem nome onde o rio só corre quando chove, de onde se vê ao longe um povoado grande que é aldeia e mais perto um sítio com capela e dez ou doze casas e, de resto, a vista se enche com olivais, vinhas e pinheiras - aqui vivo.
Aqui há campo, ovelhas, gatos sem dono, cães vadios, milharolas, popas, cobras, as uvas pisadas com os pés, água pé e azeite sem rótulos, a omnipresente tratorinha do Tó Zé sempre a assapar e a conversa por entre um tinto de descanso:
o tempo, por quem dobraram os bombeiros, de que família era o falecido, porque não deram os tomates este ano, o pó ideal para o corcomilho e "o que eles querem agora"…
Querem que o Tó Zé tire um curso para ter uma carteira que o habilite a tratar do gado de que sempre tratou desde criança! Querem que ele diga onde põe o estrume dos animais!
- Na terra! Ora que porra! Onde é que eu o havia de pôr?!
Aqui há campo, ovelhas, gatos sem dono, cães vadios, milharolas, popas, cobras, as uvas pisadas com os pés, água pé e azeite sem rótulos, a omnipresente tratorinha do Tó Zé sempre a assapar e a conversa por entre um tinto de descanso:
o tempo, por quem dobraram os bombeiros, de que família era o falecido, porque não deram os tomates este ano, o pó ideal para o corcomilho e "o que eles querem agora"…
Querem que o Tó Zé tire um curso para ter uma carteira que o habilite a tratar do gado de que sempre tratou desde criança! Querem que ele diga onde põe o estrume dos animais!
- Na terra! Ora que porra! Onde é que eu o havia de pôr?!
Para isto ser verdadeiramente campo inteiro só falta um burro. Ando a pensar em criar condições para ter um burro, espero que não seja necessária carta para o montar, toda a família está de acordo, um burro comporia muito as nossas vidas! Se não houver maneira de levar o projecto por diante - sim, porque até já para ter um burro é preciso um projecto! - nem que faça eu de burro para completar a harmonia!
E o Tó Zé a malandrar:
- Mas tu não és porco lá na "internete" ou lá o que isso é!? Afinal agora queres ser burro!?
O Tó Zé não me trata como um animal, não me diz: asta pra lá, tens fome, estragaste a palha toda, estás triste, falta-te o macho e outras longas conversas que ele trava com o gado. Fala assim para mim, por amizade e porque me acha estranho.
- Já chega por hoje Zé, nem mais um, não bebo mais, sinto-me estranho! Vou estranhar!...
E o Tó Zé a malandrar:
- Mas tu não és porco lá na "internete" ou lá o que isso é!? Afinal agora queres ser burro!?
O Tó Zé não me trata como um animal, não me diz: asta pra lá, tens fome, estragaste a palha toda, estás triste, falta-te o macho e outras longas conversas que ele trava com o gado. Fala assim para mim, por amizade e porque me acha estranho.
- Já chega por hoje Zé, nem mais um, não bebo mais, sinto-me estranho! Vou estranhar!...
sábado, 8 de dezembro de 2012
o pai pedro e a mãe segura
descalço vai para a prússia
passos de toino, a mistura;
o pai pedro e a mãe segura.
leva na nuca o decote,
da merkel com as mãos na massa,
senta-se ao lado da carcaça,
ajoelha sob o saiote;
pede à vaquinha o pacote,
ela o nega com usura;
o pai pedro e a mãe segura.
descobre a coisa à governanta,
bacalhau de euro salgado,
finta o seguro encornado...
tão manso que até espanta!
abre-se dele a garganta
que dá pena a criatura;
o pai pedro e a mãe segura
PS - Socialista Masnão tanto:
o pai pedro e a mãe segura.
leva na nuca o decote,
da merkel com as mãos na massa,
senta-se ao lado da carcaça,
ajoelha sob o saiote;
pede à vaquinha o pacote,
ela o nega com usura;
o pai pedro e a mãe segura.
descobre a coisa à governanta,
bacalhau de euro salgado,
finta o seguro encornado...
tão manso que até espanta!
abre-se dele a garganta
que dá pena a criatura;
o pai pedro e a mãe segura
Luís Masnão Camões
PS - Socialista Masnão tanto:
E é então que os filhos maltrapilhos dizem à madrasta:
- Ó mãe! Tu devias pôr os cornos ao padrasto!
- Lá por causa do pai preferir as estrangeiras, não quer dizer que eu deva namorar com socialistas! Prefiro que os meus enteados passem fome, a perder a honra dos meus antecessores!
P(arvo)S Masnão tanto: "não nos ajudaram em nada mas enalteceram a nossa capacidade de empobrecimento!..." O Pedro é moço para todo o serviço, o Toninho, coitado! Os filhos deste povo que se cuidem porque os filhos da puta que os governam não morrem de cuidados pelos que vão morrendo sem pátria que os honre!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Ser de esquerda, Ser de direita
Irrita-me discutirem o que é ser de esquerda ou de direita!
Irrita-me dizerem que nos dias de hoje essa divisão já não tem muito sentido!
Irrita-me sentir que esse não ter sentido é sentir à direita!
Irrita-me ouvir que ser do centro é ser equilibrado!
Irrita-me concluírem que ser de esquerda é ser pelo aborto!
Irrita-me escrever este texto e ter que lhe dar um sentido!
Mas nunca me irrito solenemente!
Mesmo quando os tempos correm da esquerda para a direita! Agora mesmo, que o progresso económico nos faz mais pobres, que a palavra de ordem da criação de riqueza nos faz escravos, que uma onda capitalista nos engole! É tempo de esquerda! È tempo de furar a onda!
A direita diz, à sua maneira, que para os pobres serem menos pobres é necessário que os ricos sejam mais ricos!
A esquerda reclama, que para os pobres serem mais ricos é necessário que os ricos sejam mais pobres!
Nunca me irrito com solenidade! Sou de esquerda!
Esquerda, canhota, revolta, do povo e escorreita,
Vermelha, bandeira, mastro, braço, punho, erecta e direita!
(uns colocam em todas as discussões as fraudes no rendimento social de inserção, outros falam sempre da fraude do BPN)
Irrita-me dizerem que nos dias de hoje essa divisão já não tem muito sentido!
Irrita-me sentir que esse não ter sentido é sentir à direita!
Irrita-me ouvir que ser do centro é ser equilibrado!
Irrita-me concluírem que ser de esquerda é ser pelo aborto!
Irrita-me escrever este texto e ter que lhe dar um sentido!
Mas nunca me irrito solenemente!
Mesmo quando os tempos correm da esquerda para a direita! Agora mesmo, que o progresso económico nos faz mais pobres, que a palavra de ordem da criação de riqueza nos faz escravos, que uma onda capitalista nos engole! É tempo de esquerda! È tempo de furar a onda!
A direita diz, à sua maneira, que para os pobres serem menos pobres é necessário que os ricos sejam mais ricos!
A esquerda reclama, que para os pobres serem mais ricos é necessário que os ricos sejam mais pobres!
Nunca me irrito com solenidade! Sou de esquerda!
Esquerda, canhota, revolta, do povo e escorreita,
Vermelha, bandeira, mastro, braço, punho, erecta e direita!
(uns colocam em todas as discussões as fraudes no rendimento social de inserção, outros falam sempre da fraude do BPN)
(se não te conseguires colocar no lugar deles, inverte a imagem)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Muro da Palestina
Em 1980, uma canção que
escrevi, Another Brick in theWall (Part 2), foi proibida pelo governo da
África do Sul porque estava a ser usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar
o seu direito a uma educação igualitária. Esse governo de apartheid impôs
um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.
Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinianas que participavam
num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid
israelita. Cantavam: "Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!"
Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo que elas cantavam.
Um ano mais tarde, em 2006,
fui contratado para actuar em Telavive.
Palestinianos do movimento
de boicote académico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já me tinha
manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse
a via certa. Os defensores palestinianos do boicote pediram-me que visitasse o território
palestiniano ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão.
Concordei.
Sob a protecção das Nações
Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi
nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados
israelitas que me trataram, observador casual
dum outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro,
imaginem o que deve ser com os palestinianos,com os sub-proletários, com os portadores
de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me
desse muro, do destino dos palestinianos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas
diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de
alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: "Não precisamos
do controle das ideias".
Tomando nesse momento consciência
que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão
que estava a testemunhar, cancelei o concerto no estádio de futebol de Telavive
e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintinhos e
também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, ond muçulmanos,
cristãos e judeus vivem e trabalham lado alado em harmonia.
Contra todas as expectativas,
ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram
contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente
para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens
que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com
os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinianos que vivem
em Israel.
Infelizmente, nos anos que
se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação
que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas,
e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.
Aprendi nesse dia de 2006
em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás
de um muro. Significa que um agricultor palestino tem de ver oliveiras centenárias
ser arrancadas. Significa que um estudante palestino ...
(Excerto dum texto de Roger Waters - Pink Floyd)
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Cartaria
Correspondência. Cartas de amor. Cartas ridículas de Álvaro de Campos. Cartas de São Paulo aos ebreus. Cartas do banco. Cartas na mesa. Cartas da sueca. Cartas da sorte. Cartas abertas e cartas fechadas.
Carta de condução. À la carte. Carta de apresentação. Carta de despedimento.Carta dos direitos humanos. Carta constitucional. Todas a cartas são precisas.
Carta do filho que está emigrado para a mãe, Preciosa, que não sabe ler. A vizinha lê a carta do filho da mãe.
E, a partir de hoje, existe também a Carta de Mário Soares e de outros filhos da mãe ao primeiro ministro cuja mãe não tem culpa.
O Mário Soares também podia ter estado presente frente à assembleia mas, se calhar, estava a escrever a carta. O primeiro ministro não tem ninguém que lhe leia a carta. Os signatários da carta, entre os quais não consta nenhum operário, camponês, comerciante ou técnico de informática, não sabem que já ninguém escreve cartas mas sim e-mails. Só me saem duques e cartas furadas! Se é mais uma cartada saibam que não vou a jogo quando é o Mário a dar cartas - tem as mangas muito largas e amigos com porta-aviões!...
Também existe a Cartaria mas isso é uma coisa que pouca gente conhece e só vem aqui ao texto cá por coisas e, entre outras coisas, porque foi lá que aprendi a jogar lerpa.
domingo, 25 de novembro de 2012
Não sei uma letra de chinês
Não nos faltam especialistas de caserna, de café, da tv ou de taberna para falar da China: da mão de obra barata, das lojas de chineses, da nova super-potência, do comunismo chinês, dos direitos humanos, dos olhos em bico, das coisas a atravessar...
Quando estas opiniões de superfície me provocam a opinião, costumo dizer: da China só sei um nome, Mao Tsé Tung, e de chinês não sei uma única letra!... Dito de outra forma: da China não sei nada!..
Quando Mao Tsé Tung morreu eu era uma criança de abril em regime de internato e nunca mais esqueci a sentença do padre, anti-comunista, que nos interpretava as notícias: digam o que disserem este homem livrou os chineses da fome!
De então para cá, ao longo do meu lento e tortuoso crescimento, só tenho ouvido cobras e lagartos do regime chinês, do sistema chinês, do governo chinês, dos martelos chineses, das tomadas chinesas, da economia chinesa, do gigante China!
Mas ontem uma notícia pôs-me os olhos em bico:
"Uma casa no meio da autoestrada está a tornar-se num símbolo da resistência dos chineses contra a fúria demolidora.Luo Baogen recusou a indemnização proposta pelo governo para demolir a casa. A autoestrada foi construída na mesma e recusa-se a sair, mesmo se o caminho para casa é complicado.Só quero que o governo construa uma nova casa para mim. Podem construir noutro sítio, do mesmo tamanho, decorá-la como está esta. É só isso que eu quero”, conta."
Distraíram-se os nossos orgãos de informação! Não viram a contradição! Não bate a bota com a perdigota! Afinal que raio de ditadura é esta que permite que um homem reclame o seu direito à habitação?
Moral da história: a China não é uma democracia, na China não existe direito de propriedade, em Portugal é que existe uma democracia e direito de propriedade!
Por acaso sofro na pele a passagem de um estrada no meu sítio: houve expropriações à força, as obras causaram danos irreparáveis na estrutura da minha casa mas, segundo os técnicos sub-empreitados pela super-empresa de advogados, foi coincidência! talvez toupeiras!...
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Foda-se para esta merda!
Não! Do fígado!... Dos fígados! ...
Não consigo escrever, ter opinião, ter caminho!
Vivemos um momento histórico único - sempre se disse em todos os momentos históricos.
Vivemos uma crise única - sempre se disse em todas as crises!
Somos governados por filhos da puta - sempre fomos!
Devíamos ter uma palavra a dizer sobre o assunto - não faltam opiniões!
Digo-vos, o Rei dos Leitões está moribundo! Mantê-lo-ei ligado à máquina! Se querem postes escrevam-nos! Ergam-nos! Roubem-nos à EDP!
Não consigo cagar para esta merda! Ontem comi leitão com muita pimenta! Se calhar tudo não passa de uma crise hemorroidal! Desculpem lá! Passei-me com esta merda!
Que se fodam os blogues, os jornais, as opiniões, o povo e os demais!
Que se fodam as crises, os governos, os partidos, os ricos, os pobres e os fodidos!
Não consigo cagar para esta merda! Estou fodido!
Devo parar? Não, se paro, estou fodido!
(são caralhadas a mais?! caralho! eu sou um porco!)
até quando calhar!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Uma pedra da calçada no sapato
Não limito as minhas apreciações ao que vejo pelo buraco da fechadura ou da abertura das televisões. Hoje, de torrada na mão, tive oportunidade de ver um directo do exterior da Assembleia da República em que a objetiva filmava o chão do passeio com as pedras arrancadas, deslocando-se de seguida para um grande plano de uma pedra da calçada nas mãos de um pequeno jornalista. Uma reportagem exaustiva acerca das arestas, dos vértices e das funções que pode ter um paralelepípedo. Como sempre, agucei o meu sentido crítico à tendência da informação: alguém atirou uma pedra para a cabeça de outro ou alguma cabeça se atravessou na trajetória dum projétil arremessado ao ar?! E, se caso existia um alvo específico, poderá ser igualmente considerada a agressão, se o atingido tinha a trunfa ao léu ou se tinha um capacete e um escudo de protecção?!
Isto é, esse assunto interessa-me pouco e a violência ainda menos. Se querem ver uma manifestação acabar em desordem, ponham-lhe polícia à frente! De preferência uma polícia cuja única função seja apenas essa! Nenhum bombeiro hesitará em apagar a queimada de um agricultor se estiver trinta anos sem apagar incêndios! Por outro lado, se quiseram provocar a virilidade de jovens sem vida sexual, ponham-lhe trinta mulheres nuas à frente!
Quanto maior é o afastamento dos governantes da realidade social, maior segurança se exige à sua integridade física. Quanto mais polícias estiverem à sua volta, maior é a provocação aos que se sentem afastados das decisões.
Mas a pergunta que se deve fazer antes de atirar uma pedra a um polícia instrumentalizado, ou de arrear com um cassetete num popular indefeso, é: a quem mais serve a violência desorganizada?!
O caso de ontem é um bom exemplo:
1º- Deita para segundo plano as razões, os objetivos e os resultados da greve.
2º- Cria na opinião pública geral antipatia pela luta dos movimentos sociais.
3º- Inibe os mais pacíficos de participar em manifestações populares.
Isto, se ontem houve mesmo caso? "A televisão é um periscópio no oceano".
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Uma foto soberana
Retirada do Cantigueiro
Não! Não é a expressão da senhora, a pose das suas mãos, o olhar ou sorriso! Acreditarão que não é montagem! À altura do umbigo da chancelera está a identificação Governo de Portugal! Incidente? Lapso? Acaso? Mau gosto? Não sei! Infeliz coincidência num momento histórico em que abdicamos duma soberania de 800 anos!
Mais um motivo para fazer greve!
Este Aleixo que vos deixo
Não me dêem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!
António Aleixo
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
A porca não vem torcer o rabo
Esta imagem do Kaos não está aqui para ser legendada.
Apenas coloco aqui a imagem porque este é o reino dos leitões. Este blogue deve ser o local da world wide web onde existe a maior concentração de imagens de porcos.
Longe de mim querer ofender a criatura, a bácora, que apenas acorre em socorro da liderança europeia porque não existe presidente da comissão europeia ou, se existe, não sabe onde fica Portugal. Vão ser cinco longas horas de paradas, cumprimentos, andamentos, policiamentos, palavras vãs, palavras de ordem, de mocada, de mocanço e de espaço televisivo. E, no entanto, nada de novo acontecerá, nada se decidirá e a porca não torcerá o rabo. Quando muito, e quero pensar que a visita não foi para isso pensada, a coisa apenas servirá para o povo descarregar a tripa.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Quem me come a carne não vai dar-me dentes
Três duma assentada que a brasileira lhe arrancou!
- Abra a boquinha! Abra a boquinha! Não vai doer! Tubos prá aqui! Seringas e alicates para acolá! Abra a boquinha! E dá cá 180 euros!
Andou todo o santo dia com a roupa do trabalho sujo, com a gola da samarra velha a roçar-lhe as orelhas, com a boina velha a guardar-lhe a chuva miudinha do olhar fitado nos seus próprios passos, com uma expressão de rochedo polido, entre a lareira e a soleira, entre o fundo e o cimo do quintal, cem metros de vai e vem pela nossa rua, de vez em quando uma macheia de desabafo, de quando em vez um dedo de conversa.
- A carteira e o serrote que se lixem! O que tenho para fazer e a dor é que me estão a lixar!
Nem pôde cumprir o seu habitual trabalho de domingo: arranjar trato para as ovelhas, arranjar uma pouca de lenha, arranjar uma dobradiça ou uma torneira, comer a cacecruta, ir de mota ao amigo Toino do Vale tratar de um assunto menor para justificar um copo, comer o cozido, dormir a sesta e depois vir a minha casa para lhe ler uma carta ou preencher um papel!
- Dez dias sem beber! Caso contrário os comprimidos não fazem efeito!
Também para mim foi um domingo diferente, sem ouvir a tratorinha, o berbequim, a mota... E depois ver o vizinho e amigo Tó Zé, com a boca dorida e calada, com o andar sem firmeza ou destino, fixado na recordação da cadeira artilhada e na voz sensual da brasileira:
- Abra a boquinha! Abra a boquinha!
Viria o lusco-fusco e, no recolher da última voltinha, teria de surgir o habitual convite:
- Queres ver como é que ela está?!
- Então e bebo sozinho?!
- Não és capaz?!
Costumamos beber cada um no seu copo mas é como se bebêssemos num único, unindo as nossas vidas em temas que servem para tornar iguais vidas diferentes: a avaliação do estado e da evolução da pinga, das azeitonas barrasquentas ou dos tremoços; a conversa do tempo, do acidente da semana, do outro que morreu ou da outra que foi apanhada com o cunhado ou com a cunhada... desta vez tudo ficou para segundo plano, foi copo para falar de dentes:
- Deixa lá! Agora vais ficar com uma cremalheira nova!
- Isso queria ela! 3000 euros se for assado, 400 euros se for não sei como! Ó senhora doutora o que eu ganho não dá para a cova de um dente! "Vai dar cabo da sua saúde sem dentes senhor António! Mastigar bem a comida é importante!"
- Ainda por cima este gajos estão a dar cabo do SNS!
- Tanto se me dá que eles acabem com isso como não, eu só utilizo o telemóvel para chamadas!
- Não é SMS, é SNS!
- Tanto se me faz que seja uma coisa como outra! Não preciso de dentes para beber! ... Abra a boquinha! Abria, abria se pudesse! Mas era para dizer umas verdades! Mas infelizmente nem falar sei!... SNS!... SNS!... Lá estás tu com as tuas políticas! Quem me come a carne, não vai dar-me dentes! Pronto, eu bebo meio!...
É assim a vida na minha rua.
domingo, 4 de novembro de 2012
Humilham e ofendem
Eles falam que pedem sacrifícios aos portugueses mas o que fazem é impor a pobreza e a miséria.
Eles asseguram que os sacrifícios são para todos mas continuam a exibir o seu bem estar.
Eles dizem que decidem mas não escondem que outros decidem por eles.
Eles afirmam que governam em nome do povo mas não se escusam em dizer que as suas medidas são impopulares.
Eles acabam com o estado social e descaradamente afirmam que vamos ficar melhor servidos.
Eles queixam-se que a população está envelhecida mas não hesitam em aconselhar os jovens a emigrar.
Eles reconhecem o direito à indignação mas reforçam a ação policial.
Eles dizem que estão do lado dos mais pobres mas vemo-los sempre a cumprimentar os ricos.
Eles dizem que o amanhã será melhor mas quando o amanhã é hoje estamos sempre pior.
Eles não são assim tão incompetentes, eles não estão por bem!...
Não lhes basta humilhar-nos com a pobreza que nos impõem, ofendem-nos com as suas razões.
- Ó porcos, nós não somos burros!
sábado, 3 de novembro de 2012
Estamos em pleno neoliberalismo
É bom não esquecer que Passos Coelho sempre se assumiu como neoliberal. É bom não esquecer que o neoliberalismo é uma doutrina. É bom não esquecer que uma doutrina tem os seus pensadores. É bom não esquecer que nem sempre os que pensam estão do lado do povo. É bom não esquecer que o povo só se tem a si para se defender a si próprio. É bom que se lembrem que a greve é uma das poucas armas que restam ao povo.
Retirei da Classe Política esta citação que é das mais emblemáticas da cartilha neoliberal:
“ a sociedade teatraliza em todas as instâncias a luta pela sobrevivência. Somente os fortes sobrevivem cabendo aos fracos conformarem-se com a exclusão natural. Esses, por sua vez, devem ser atendidos não pelo Estado, que estimula o parasitismo e a irresponsabilidade, mas pela caridade feita por associações e instituições privadas, que amenizam a vida dos infortunados. Qualquer política de assistência social mais intensa atira os pobres nos braços da preguiça e da inércia. Os ricos são a parte dinâmica da sociedade. Deles é que saem as iniciativas racionais de investimentos baseados em critérios lucrativos. Irrigam com seus capitais a sociedade inteira, assegurando sua prosperidade”ou ainda “os homens não nascem iguais, nem tendem à igualdade. Logo, qualquer tentativa de suprimir a desigualdade é um ataque irracional à própria natureza das coisas. Deus ou a natureza dotou alguns com talento e inteligência mas foi avaro com os demais. Qualquer tentativa de justiça social torna-se inócua por que novas desigualdades fatalmente ressurgirão. A desigualdade é um estimulante que faz com que os mais talentosos desejem destacar-se e ascender ajudando dessa forma o progresso geral da sociedade. Tornar iguais os desiguais é contraproducente e conduz à estagnação. Segundo W. Blake: "A mesma lei para o leão e para o boi é opressão!".
sábado, 27 de outubro de 2012
Efeitos dos maus tempos
O cão apareceu morto e caiu o vaso que estava no parapeito da varanda do quarto da avó que também já morreu.
Naturalmente que por uma questão de respeito não vou revelar aqui o nome do cão nem a natureza da planta.
Dizem que o tempo chuvoso e as temperaturas altas desta altura do ano são propícias à ocorrência de tornados mas felizmente as forças de segurança estão atentas a todas as manifestações. Era um cão de família, não era um cão polícia e a natureza da planta quedada não está relacionada com a natureza deste desabafo.
Além do cão e do vaso que tombaram, também tombam folhas, chuva, homens e mulheres. Só não tomba o governo. Às tempestades das ruas e avenidas suceder-se-á um inverno imprevisível. Nem o professor Marcelo, nem o Mário Soares sabem o que vai acontecer! Ninguém sabe o que vai acontecer! Sabe-se apenas que é impossível que outra revolução não aconteça!
E agora vou trabalhar para o quintal. Vou enterrar o cão e pôr a planta a secar no chão da eira. Está um dia triste e eu estou contente. Logo à tarde vamos assar umas castanhas e provar o vinho novo.
(Dedico este texto que não é um poema ou este poema que não é texto, ao comentador furtivo Crisântemo Ciclomotor com pena que o vaso não lhe tenha caído na cabeça - lembrei-me agora: para manter o anonimato o cão tem o nome fictício Dogue e era primo do Joaquim Agostinho)
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Maus tempos
É o Outono...
tombam as folhas, os bêbados, os soldados...
e o caruncho rompe impiedoso nos lábios da poesia
funerais parados na beira da estrada
palavras doentes perecem no leito
um carro chegando com as primeiras chuvas
à quinta do Tio do Vale das Promessas...
os sinos dobrando os lençóis assinados
a um canto da alma
pela último período que a avó experimentou...
e o cão desapareceu...
nova estação... mau tempo
não haverá sol
porque haverá ausência
não haverá voz
porque o canto no silêncio é desrespeito
e se os mortos permanecem vivos na nossa memória
não haverá mortos nem vivos
haverá Outono
(depois, as varredeiras apanham as folhas secas
para as esquecer)
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Vem Merkel vem
Ainda falta um mês e já não se fala de outra coisa. Não sei se tanta conversa terá a ver mais com importância ou com desejo da coisa. Nem a visita da rainha de Inglaterra ou do papa foi tão previamente anunciada.
Já me puseram a sonhar com esse dia: as televisões, os cumprimentos, as fotografias, as declarações, os comentários, as manifestações... Pena que não venha um dia antes para lhe espetarmos uma borracheira de S.Martinho ou dois dias depois para lhe mostrarmos a nossa força! Vai ser um dia histórico?! Tudo depende do número de polícias que ela valer!
Vem, doce senhora da europa, fazer a copa com o Silva dos pastéis.
Vem Merkel! Vem lamber os anéis de Gaspar e chupar os dedos da manada.
Vem, sensual gorda ariana, desafiar na dança do varão a virilha de Passos.
Vem Merkel! Vem abrir a braguilha da nossa bandeira içada.
Vem, puta, acertar os passos dos soldados que te recebem na parada.
Vem Merkel! Vem jantar e folear com a nossa gente rica.
Vem, coisa, mas não saias dos palácios para que nenhuma coisa te aconteça.
Vem Merkel! Vem passear, qual fuhrer, nas vésperas de Guernica.
Vem, mulher de armas, mas não vás à rua que o povo perde a cabeça.
Vem-te Merkel! Afinal de contas que tens tu a ver com as nossas contas!?
Tu fazes tudo isto apenas por prazer! Tu és estéril!...
Que sabes tu, chanceler, de abril?! Que te importa saber que fechou o Centro de Saúde de Belver?
Que interesse tens tu em conhecer o senhor Silva que não é presidente da república?
Vem-te!
Mas vai-te ... !
... que nós já estamos!
terça-feira, 16 de outubro de 2012
A crise que tudo leva
São dez ilhas
Gritam de alegria quando chove
Veio a crise
Ficaram nove
São nove ilhas
Com o mesmo sentimento a bater no peito
Veio a crise
Ficaram oito
São oito ilhas
Com tanta gente
Veio a crise
Ficaram sete
São sete ilhas
Que querem acabar com a crise deveis
Veio a crise
Ficaram seis
São seis ilhas
Por aqui até os homens usam brinco
Veio a maldita crise
Ficaram cinco
São cinco ilhas
Gostam de musica, dança e teatro
Veio a crise
Ficaram quatro
São quatro ilhas
Que sabem falar português
Veio a crise
Ficaram três
São três ilhas
As mulheres vestem para não ficarem nuas
Veio a crise
Ficaram duas
São duas ilhas
Esperança? Resta alguma
Veio a crise
Ficou apenas uma
Uma ilha
Que sozinha brilha
Apenas uma
Que luta para que a crise durma
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















