quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Escola Prática de Artilharia

A casa mãe da artilharia portuguesa, reside num palácio do século XVII, construído para uma pernoita de troca de rainhas com Espanha e viria a ser a embrião da agora cidade de Vendas Novas. Foi lá, que ao longo de 17 longos meses, cumpri o Serviço Militar Obrigatório. Voltei lá há uns tempos, cumpridos muitos anos de “reserva”, para um encontro de antigos camaradas ou muito mais que isso de um núcleo de Amigos.
O tempo pode ter passado por nós mas não passou a forma de nos entendermos nem tão pouco o “tu cá tu lá” desses idos anos oitenta. O que me tocou mais foi a inércia dos espaços, as mesmas portas, as mesmas cores, o mesmo cheiro. De então para cá, do lado humano, foi tal a volta, que já não existem soldados de Portimão, de Bragança e de Leiria, já ninguém se apresenta a fim de receber o seu pré, já ninguém se encharca na aguardente dos não sei quantos bares. Os militares são sobretudo mulheres.
Todo o lado humano foi profundamente alterado e reduzido mas o quartel continua lá, à espera duma guerra que nunca mais acontece, a servir um país que simplesmente o ignora e que nem sequer sabe distinguir infantaria de artilharia.
Eram os tempos de revolta e incompreensão em que eu era contra o SMO e escrevi isto:

Aqueles soldados que ali vão marchando,
são artilheiros.
O símbolo da paz é, pomba!...
Os caçadores dizem: pombos!!...
Eu digo: irra que é burro!...
Brado às armas – por certo acordaste a noite de ontem
- distâncias não matam ideias!...
O comandante da unidade é um sucesso!...
Eu sou um fracasso!...Passo...
Passa. Raça. Pátria.
Passo a palavra e acerto o passo.

Aqui no aquémtejo, toda a tristeza é árida,
diferente dos olhos húmidos que conheço...

Daqueles soldados que ali vão marchando,
eu sou um deles.
Eles gostam tanto de mim
que me apertam
a mão
quando eu preciso.
Preciso sempre...
De Agosto nada quero, é vosso!

Eu e aqueles soldados que ali vão marchando
queremos ir embora.
Estamos inocentes.

Daqueles soldados que ali vão marchando,
eu sou um deles,
o mais igual aos outros, o mais subtil, o mais pacato.
E digo mais,
um homem sem esperança é um animal,
um homem sem sonho é um macaco
e eu sou um homem
que vai ali marchando
em Agosto de 1986, em Vendas Novas

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Passos, Relvas e equívocos


Não foi Passos que trouxe Relvas ao poder, foi Relvas que levou Passos ao governo. Por isso, não faz sentido nenhum perguntar porque é que Passos não demite Relvas, Relvas é que pode afastar Passos. O primeiro ministro não é o ministro mais poderoso, o ministro mais poderoso é Relvas. Estão a afundar-se juntos? Ainda bem, um de cada vez seria um desperdício noticioso. O pior é que estão a levar o navio com eles!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Uma família normal


Vanessa conhece-me ainda suficientemente bem para chegar ao café, aproximar-se de passagem da mesa que ocupo em solidão, espetar-me duas beijocas e fazer daquelas perguntas triviais do “então tudo bem?”, “onde é que estás?”, “que fazes?”, “casaste?” e mais duas ou três destas, intercaladas de respostas curtas e rematadas na minha simpatia anti-social com um “e tu?”
- Eu? Sou sempre a mesma! Vou sentar-me aqui ao lado com estas primas!...

Há muitos anos que não a revia. Tenho um vaga ideia de na meninice chegarmos a brincar aos doutores e dela se ter adiantado na emancipação, por ser mulher, e lhe perder a proximidade. Saiu da terra, deve ter arrendado quarto na vila, falou-se dela, que andaria na passa, que dera em puta para sustentar o vício, uma desgraçada, enfim, comentários que a aldeia não perdoa a quem a rejeitar. Eu, sempre do contra, lembro-me de um dia lhe fazer defesa:
- Fosse eu mulher, também não seriam as mãos as partes do corpo o meu sustento, vendido ando eu, aqui na fábrica, a rebolar barris de duzentos e cinquenta quilos e a rachar lenha para a lareira do patrão!

Vanessa, pela ausência, esqueceu e só me voltei a lembrar dela quando o António Variações saiu da tumba, na voz de outros cantores, a falar da filha de uma tal Maria Albertina. Coincidência, o único dia de Agosto que dediquei à terra, Vanessa estar ali para rever as primas, na mesa ao lado, a debitar vivências com o seu conservado estilo, enquanto eu disfarçava o ouvido, com as folhas do Correio da Manhã da casa e um tinto já com pique, também da casa!

Contava ela – eram duas as atentas – as suas férias todas cinco estrelas, desde o hotel à praia, passando pelo tempo, a comida e a diversão. Vanessa contava de tal modo entusiasmada que deixava transparecer a ideia que o ponto alto do seu gozo não eram as vivências mas sim a oportunidade de as contar. E mais ali, em que as primas, a julgar pela pele, nunca deviam ter passado além da Nazaré, o efeito do seu relato era de ginjas.

Ficara muito barato, os quatro com comida e meia pensão – ela devia querer dizer dormida e não comida – com todos os spas, lençóis novos todos os dias e "garçons" falando português – percebi que o paraíso fora algures entre Quarteira e Vilamoura – ficara em não sei quantos euros.
O António só estava bem na rua, o Fernando a comer, o João a nadar.
O João gosta de marisco, o Fernando de estranhos, o António do mar.
O Fernando dormia à tardinha, o João à noite, o António de dia.
O João é de discoteca, o Fernando é de livros e o António é de bar.
O Fernando adorou, o António adorou, o João adorou.
- Tu adoras os três!
Disse uma das primas! A conversa andou por aqui à volta e eu a pensar nas voltas da vida, com a Vanessa casada, dois filhos e férias de sonho…
- Prazer em ver-te João!

As três de saída e eu feliz com a Vanessa, a revivê-la na bacidez do tempo.
- Quanto é que devo Ti Etelvina?
- Está tudo pago!
- Quem?
- Foi essa cabra que acaba de sair! Vê lá o que fazes João, tu tens família!
- O quê?
- Então essa!!!... não regressou aqui ao fim de tantos anos com três homens?!…
- E então?! Fez família!…
- Quais família quais caralho João! Foda-se! Estou a dizer-te que vive com três homens ao mesmo tempo!
- Foda-se!

A Vanessa contou umas férias normais. Se for necessário continuarei a defender a Vanessa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A carta que nunca escreverei

Ex.mo Senhor

Não o trato pelo nome, cargo ou função, porque na realidade nem sei bem quem é o senhor nem isso interessa, deverá ser alguém com responsabilidades no cartório e isso basta.
Nunca lhe escreverei esta carta porque, mesmo que a secretária do seu assessor lhe desse seguimento, mesmo que o senhor a lesse, ela não passaria de mais um carta, daquelas que apenas servem para aliviar a revolta dos seus autores. Para tão pouco basta assim.

Sou o do meio de cinco irmãos e deles o único que se formou a nível superior. Nessa altura, havia uma crise e toda a família apostou nesse desejo e acompanhou esse caminho, os meus pais venderam um pinhal e babavam-se quando de mim falavam aos vizinhos, os meus irmãos mais velhos davam-me coisas e dinheiro e falavam do irmão quase doutor aos companheiros, os mais novos não estudaram porque se zangaram com as insistentes comparações com o menino bonito e porque não apreciavam por aí além serem um jovem dependente como eu era.
Nunca entre nós existiram ajustes de gratidão ou retribuição, tudo ficou pela partilha de um de nós ser mais letrado, pela pequena satisfação familiar de haver canudo na família. Não aconteceu, nem tinha que acontecer, que a minha situação económica fosse muito diferente, que os meus filhos fossem proprietários de brinquedos muito diferentes ou que o meu carro tivesse maior cilindrada.

Vivemos em crise e, ironia do destino, sou dos cinco, o primeiro a ser despedido, um dos culpados da crise nos tribunais de opinião, prestes a ir pedir batatinhas à horta que era da avó.
Que hei-de fazer? Não sou mais que os outros! O problema, senhor responsável, é que o meu mais velho termina agora o ensino secundário com média de dezanove e tal e conversa e tal saíu-se assim:
- Pai, não quero mais ser doutor! Quero ir contigo para Angola!
- Não rapaz, isto resolve-se cá! A primeira coisa a fazer, é correr com o destinatário desta carta!
(- Ouviu? Ó Ex.mo Senhor!... Desande! Não nos peça isto! Não nos peça aquilo! Não nos peça nada! Nós é que  temos de pedir-lhe contas!)

(Já não engano ninguém, para evitar confusões: carta recebida por e-mail)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Este admirável mundo novo

Acredito, e já o tenho dito e repetido, que a divulgação de vídeos no formato blogue, não terá muitos "visualizadores". Contudo, a vontade de partilhar alguma coisa que vimos e gostámos, por vezes, obriga a fazer excepções e esta é uma delas. Encontrei este vídeo no "bons tempos hein?!" com o título "Excessos".
Se vale a pena perder três minutos do nosso tempo para ver, valerá ainda mais ganhá-los para pensar. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fúria de loucura mansa

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Última hora - Relvas já se demitiu

 Se não se demitiu, pelo menos foi embora. Se não aprende a Grândola a bem, aprende a mal!



Quem organizar uma iniciativa e pretender ter muita gente e televisão, é convidar o Relvas!
Ah!Ah!Ah!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

ser e não ser


se falo do passado, dizem que sou saudosista
se advinho o futuro, exercito a bruxaria
se sou crítico do presente, dizem que sou pessimista
se revelo um pensamento, isso é filosofia
se defendo um ideal, dizem que sou idealista
se faço uma metáfora,  faço uma poesia
se defendo a revolução, dizem que sou anarquista
se apelo à revolta, quero é rebaldaria
se faço greve, dizem que sou sindicalista
se me mantenho em silêncio, estou em estado de apatia
se me manifesto, dizem que sou comunista
se aponto um negro, isso é xenofobia
se me reparo na saia curta, dizem que sou machista
se abraço crianças, acusam-me de pedofilia
se grito de insatisfação, dizem que sofro de histerismo
se me queixo duma dor, sofro de hipocondria
se me levanto a sonhar, dizem que é sonambulismo
se me dói a barriga, são efeitos da bolimia
se compro um canivete, dizem que sou consumista
se bebo um copo, dependo da alcoolemia
se me sai um traque chamam-me porco

antes porco de que louco
antes doido que varrido
pois que  o seja
sei que é pouco
poeta não sou
fazer uma lista
não é poesia
mas pouco mais
se não me lembro do porco
terminava tudo em "ista"
e "ia"
- ia pá! falta-me a rima com "ais"! já sei:
ai os ais de quem não aia!
- ai pá! falta-me a rima com "aia"! já sei:
que o primeiro ministro caia
ao descer a escadaria de S.Bento
- ai pá! ele não sai por lá!
... pronto é melhor não falar da saia do papa Bento que saía
estou completamente e ia...
... aonde é que eu ia?!
se até o papa saiu porque é que eu não me posso sair! saiu-me assim!
que é que eu hei-de fazer?! não sei escrever de outra maneira!
(o importante é fazer textos incitáveis que não se possam citar)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ontem foi hora


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define como perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer –

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo-fátuo encerra.


Ninguém sabe que coisa quer,

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!

(Fernando Pessoa)
Ontem tivemos uma hora! Fizémo-la! Fizémo-la acontecer!
No meio do nevoeiro nem foi notícia! Felizes os que a viveram porque os que a ignoraram nem sequer vão estar preparados quando a verdadeira hora acontecer!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Uma questão de prioridades

Agenda para 16 de Fevereiro

Manhã: exame ao fígado em Coimbra para ver se ele está gordo; visitar a tia solteirona no hospital da universidade para ver se ela nos assina um papel; o Jorge, que tem gabinete na cidade, faz anos e quer pagar-nos o almoço para ver se ainda somos os mesmos.

Tarde: comprometi-me com o Zé que o ajudaria na poda da vinha do vale da porca; no final iria comigo na sua tratorinha roubar varas de eucalipto para reconstruir a estufa abalada pelo temporal; 
a mãe tem marcação para o cabeleiro; a míuda tem uma audição de piano às desanove horas; o rapaz diz que não abdica da aula de danças latinas.

Noite: às vinte temos marcada reunião da associação para fazer o balanço do Carnaval e preparar a festa da Páscoa; no final haverá um jantar de homenagem ao padre da terra que vai abandonar a vida religiosa; talvez dê para a malta ir com ele a um bar; "tens de vir fresco, não te esqueças que ontem nos esquecemos de festejar o Dia dos Namorados durante a noite!".

Ordem de serviço do cabeça de casal: 
- Desmarcar todos os compromissos para sábado:
- Vai toda a família! Podes ir despenteada, ela pode levar o mp3, ele pode levar o mp4! Para o meu fígado o melhor é levar uma máquina fotográfica de sete e meio! Prometo-te que quando nos deitarmos não adormecerei logo!
- E se a velha morre???!
- Tudo se resolve, de uma forma ou de outra mas há coisas que só se resolvem na rua!


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Terei de lhe pedir para ir levar no cu


Estranharão o título. Este blogue, embora por vezes roce o ordinário e a brejeirice, nunca foi tão longe. Quando muito diz rabo, traseiro, fundo das costas e creio que nunca juntou esses sítios com os verbos ir ou levar, quer juntos, quer separadamente. Porco mas não tanto! Sabe Deus quanto me contenho! 

Pois veja-se que o título é retirado do contido semanário Sol a propósito de um texto dum ex-secretário de estado da cultura e duma factura.

Nunca percebi para que serve um secretário de estado da cultura, quanto mais um ex-secretário de estado da cultura! Nunca li um texto do semanário Sol, quanto mais do Francisco José Viegas! Nunca percebi como me podem obrigar a pedir esmola, quanto mais uma factura! 

Só me faltava esta, não perceber porque é que esta gente está a baixar a linguagem ao nível das classes mais baixas. Qualquer coisa de novo está a acontecer. Espero que não se fiquem pelas palavras! Comam-se uns aos outros se isso lhes dá prazer! Nós não entraremos no filme mas gostaremos de os ver! Temos medo! Temos cu ao fundo das costas mas em filme é diferente!

Nunca arriscaria dirigir-me fosse a quem fosse, violenta ou docemente, nem que fosse a um ex-secretário de estado com a frase:
- Terei de lhe pedir para ir levar no cu.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O papa bolos

Só pode renunciar quem tem consciência. Pode renunciar o papa ao papado, o bebé à papa nestlé, o papa formigas ao formigueiro, o analfabeto ao papa reformas, o papa açordas à alentejana mas há um papa que nunca renunciará: o papa bolos.

Mais bale um papa que o bento lebe do que uma bentosidade que o boto trouxe.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O raio do Papa


Esta é metade da imagem que corre mundo hoje. A outra metade é a cúpula da Basílica de S.Pedro no Vaticano.

(Por respeito, não deixo aqui o conjunto das duas metades porque há tarados a quem qualquer coisa faz lembrar sempre a mesma coisa)


Mas vamos aos factos: Bento 16 diz que está cansado e vai renunciar; um núncio diz que o anúncio "cai como um raio num céu sereno"; cai uma trovoada sobre o céu da cidade de Roma; cai um raio no pára-raios da cúpula da basílica; um fotografo capta o momento.
Conclusão: milagre do papa, palavras proféticas do núncio, há trovoadas que não acontecem por coincidência; aquela cúpula nem precisava de pára-raios, é importante garantir que não houve tratamento na imagem.

Se, segundo a notícia, até o mais crente dos fiéis está incrédulo, por que santo deveria eu dar importância ao assunto? De momento só esperaria uma reação oficial do raio do papa ao raio, para o ouvir falar de milagres!.
Enfim, também eu estou tão cansado que me apetecia renunciar a este trono porco, mas como é carnaval, último dia de porco, apeteceu-me brincar como os fotografos e as agências de notícias. Enfim é carnaval, nem um milagre parece mal!

Um pára raios na igreja
serve para lembrar aos ateus
que um cristão por mais que o seja
não tem confiança em Deus!

António Aleixo



sábado, 9 de fevereiro de 2013

Nestes últimos tempos


Nestes últimos tempos
tem sido tão claro, descarado e arrogante
o voo da águia
que cada vez vejo mais longe Santa Helena.

Napoleónicos, nazis, fascistas já não o são,
porque já não são do século XX mas do XXI.
Nenhum deles se revê em generais,
são banqueiros, financeiros, comentadores, 
do arco da velha, do arco governativo, todos doutores.

A sua infantaria são os rendidos ao pensamento único:
- Eu penso como eles! Não há alternativa! São todos iguais! 
A sua cavalaria são os políticos da igreja única:
- Para teres o céu tens de passar pelo sacrifício!
A sua artilharia é o dinheiro:
- Se o queres ajoelha-te que eu atiro-te uns euritos!

Como se vê já não tenho tento para falar disto! Aliás, isto já não vai lá com conversas!
Isto só se resolve na rua! Ninguém, de seu bom juízo, pode acreditar que a sua luta está num blogue, num texto, numa mesa de família ou de café, num desabafo ou num copo partido!

A clara, descarada e arrogante postura dos que oprimem só se combate com uma resposta física!
Por isso, baterei todas as ruas, todas as praças, todas as portas porque, afinal, é a única liberdade que me resta! Mas irei sempre sereno porque só serenamente se pode vencer a raiva!

- É assim, vou ser sincero!
(detesto que comecem as frases por "é assim" e ainda mais se acrescentarem "vou ser sincero".
Como se eu não entendesse quando é "assado" e seja levado a pensar que das mais vezes há mentira)

Se pensar em agir isso é na rua! Se pensar em escrever, terá de ser sobre coisas banais.

Parece que há para aí umas universidades que acrescentam nota a quem termina o curso nos anos normais.
Parece que há gente a quem isso revolta porque isso viola a aferição das competências. Como se se pudesse medir metricamente o conhecimento, como se o universitário não pudesse aprender mais nas tertúlias do que entre portas.
Pois meus senhores, na minha banal opinião, as universidades deviam ter em conta na classificação os anos de frequência, mas dando mais nota a quem anda lá mais tempo. Ou vão querer dizer-me  que dez anos de Coimbra não valem mais que cinco?!

Pronto e assim fica este poste banal, um texto desconstruído, inclassificável, tal qual uma conversa de família ou de café, um desabafo, no fim de um copo bem bebido e agora venha o comentador de serviço falar-me de tarimba: 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A carta de Franquilina

Franquilina não ocultou ter participado em orgias para se fazer passar por virgem!
Ninguém no seu perfeito juízo vai para secretária dum episcopado colocando no seu currículo a sua vasta experiência sexual! Isso, obviamente, não significa que o prelado o desconheça, não pontue esse passado omisso e não o tenha em consideração. 
Franquilina não tem olhar de santa e o prelado só acredita em santos de barro.
As pessoas acham normal que a castidade valha apenas como promessa e parecença.

Franquilina não escreveu uma carta para revelar que o convento em que vivera era afinal um bordel.
Aliás, Franquilina não escreveu carta nenhuma porque é puta fina e só comunica por SMS. 
Mas um bispo é um bispo, pode esconder, deve omitir, pode ocultar, deve dizer linchar em vez de foder, só não pode é mentir.
Se mentiu para poder manter Franquilina nos quartos do paço e foi descoberto,  se quer manter o santo bom nome da santa madre que o sustenta, só tem uma coisa a fazer, desaparecer com as suas franquelinas para uma casa no Quebeque, rezar a suas contas e pode estar descansado que a santa madre que o tem sustentado lhe há-de, por costume da casa, arranjar uma subvenção vitalícia.

Oh homem de Deus, você se queria continuar a usar saias curtas, nunca devia ter aceite a vida religiosa! 
Já o gostar de linchar e não linchar na praça pública é outra coisa! 


Quem tem poder e não teve nada a ver com o BPN que atire a primeira pedra!



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A esperteza católica e a santa ingenuidade.

Deixem-se de contas, vantagens, desvantagens, argumentos, boas intenções: a diluição dos subsídios de férias e natal em duodécimos tem um único objectivo - o seu desaparecimento num futuro a prazo!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A baixeza dos grandes

A um baixo é sempre possível descer mais baixo, o ultrarrico podia ter dito:
- Se os sem abrigo se sentem ofendidos, tirem o dinheiro do BPI!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Masturbação mútua

Neste blogue não há matéria tabu. Por isso hoje vamos falar de sexo. Não é assunto em que eu me sinta muito à vontade porque só tenho um sexo mas farei uma abordagem com um toque de sexólogo da revista Maria e com ar de doutor Vaz de tudo.
Bem, a masturbação mútua acontece quando:
- O presidente da Junta convida o presidente da câmara. Não se gramam porque são de partidos diferentes mas, na hora do discurso, ambos elogiam mutuamente os seus feitos e o público consuma o orgasmo batendo palmas.
- O presidente da associação do rancho folclórico recebe do ministro do turismo a grande medalha da ordem das medalhas. O ministro não gosta de corridinhos nem de viras, o rancheiro mor costuma desancar na petulância burguesa dos governantes da nação mas, na hora, ambos se enaltecem mutuamente.
- O autor da tese académica cita uns que por sua vez o citam a ele e, no final da biblioteca, temos um amontoado de páginas de teses que se resumem a citações mútuas de quem não tem mais nada para dizer a não ser a mesma coisa.
- O Herman convida ao seu programa o seu amigo Goucha e o amigo Goucha convida ao seu programa o seu amigo Herman.
- O comentador Tavares do equador elogia o ministro que fez o que ele disse e o ministro justificou o que fez pela opinião do comentador, legítimo representante dos telespectadores que o adoram.
- O senhor Relvas elogia o senhor Alberto e o senhor Alberto elogia o senhor Relvas.

Neste país, os chamados actos públicos, redundam em prazeres de masturbação mútua! É por isso que não passam de actos de prazer! É por isso que deles não pode resultar procriação de coisa alguma!

Neste país não interessa o parceiro, podemos não gostar dele, podemos até passar a vida a dizer que nunca nos deitaríamos com ele mas, na hora, não resistimos ao prazer. E assim nos vamos amando uns aos outros sem nunca nos darmos à coragem de dar algo à luz.

Se alguém me vier a elogiar um dia eu posso até retribuir-lhe o elogio, mas o gesto de criar estará sempre na minha ideia.

Afinal até nem é difícil falar de sexo. Espero que os leitores tenham compreendido, ou até aprendido, do que se trata afinal quando falamos de masturbação mútua.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Estão-me a dar música

Não sei se gosto da música, se da letra - mesmo não sabendo letra de francês / ou será inglês?! - se do filme, se da moça! Gosto! E é tão bom gostar!...
Ou estão a dar-me música?!... (nem português sei escrever mais je veux)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O meu mau feitio

- Depressa esqueço o mal que me fazem!
- Ah! Eu não! Não consigo perdoar o mal que me fazem!

- Eu não sou daqueles que digo mal dos outros!
- Ah! Eu Não! Adoro cortar nestes e naqueloutros!

- Nunca traí ninguém!
- Bem…eu… sempre que me dá jeito!...

- Para mim, os partidos são todos iguais!
- Pois eu ainda estou naquela que há uns mais iguais que outros!

- Só não ajudo os outros se não puder!
- Eu até ajudava mas o meu coração não me ajuda!

- Para os meus, quero o melhor!
- Desde que eles queiram aquilo que eu quero!

- Não gosto de ver acidentes!
- Fico orgulhoso se sou a testemunha entrevistada.

- Não ando por aí a espreitar a vida privada dos outros!
- Se a chave não estiver na fechadura dá sempre jeito.

- Nunca fecho a porta a ninguém!
- A minha porta, normalmente, está fechada.

- Por bem sou bom mas por mal! …
- Sou mau!

- Sou capaz de dar a camisa a outro que precise!
- Se ela estiver rota! …

- Penso pela minha própria cabeça!
- Sigo sempre o pensamento dos grandes pensadores.

- Não gosto de me armar em rei!
- Eu sou o rei dos leittões!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Acidente com porcos

Há porcos que repugnam a sua própria porcaria, mas se não afastam dela por aquele mesmo extremo de um sentimento, pelo qual o apavorado se não afasta do perigo. Há porcos de destino, como eu, que se não afastam da banalidade quotidiana por essa mesma atracção da própria impotência. São aves fascinadas pela ausência de serpente; moscas que pairam nos troncos sem ver nada, até chegarem ao alcance viscoso da língua do camaleão.
Fernando Pessoa - Livro do Desassossego

"nunca te atires à lama a lutar com um porco – primeiro, porque te sujas; segundo, porque é disso que o porco gosta.”
Walter Winchell

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Diário inTemporal

Depois de dias sem energia eléctrica, sem água canalizada e sem comunicações, a reviver à força tempos idos, de queimaduras de cera, barbas mal feitas, televisões desligadas, sem sequer poder ter lareira para contar histórias porque o carvalho do recuperador de calor tem um motor, "tá bem pai! já contaste como era! mas tem piada?...", eis finalmente o meu lar de classe média, em decadência, no seu pleno: já tenho net!

Estas histórias dos alertas do mau tempo fazem lembrar a história do Pedro e o Lobo. Na manhã cedo de sábado, tudo a postos para um sábado normal, a descida à cidade trouxe o vento e aconselhou um regresso rápido ao quintal. Os deuses começaram a soprar, falhou a energia e afinal não havia nada para fazer! Ficámos a acompanhar, de olhos atentos, a ventania e às meias tantas apareceu o Tó Zé a dizer que estava tempo para assar um pouco de toucinho na sua lareira e que se eu não fosse lá também não mo trazia.


O saboroso petisco foi atingido por uma telha que deu de si na cozinha sem forro e pobre do vizinho, viemos para a porta, lá se foi uma chapa do curral das cabras, fugimos para minha casa, lá se foi a minha querida estufa que tinha nove alfaces prontas para comer, lá se foi o cedro que fazia sombra ao cão, "que é que a pinheira abana!", "abana mas não cai!", "ainda bem que temos fogão a gás!", o almoço comido com os olhos postos nas janelas, "estamos cercados!", há árvores caídas nas estradas aqui e acolá, uma tarde de motoserras a roncar, foi bonito estar com toda a gente a trabalhar.

À noite: a escuridão em casa e nas terras que se avistam, "só nos faltava também faltar a água! Insistimos nas teclas dos telefones, estamos isolados. Não estamos sequer preparados com um rádio a pilhas. Vou ao carro, as rádios locais estão em piloto automático a cantar inglês para o lado, as rádios nacionais falam da transferência de um jogador e passam um excerto dum discurso do António José Seguro, não sei aonde, a dizer "não contem com o PS...!" Penso: se por acaso tivesse entupido uma sarjeta em Lisboa não faltariam repórteres no local. Não, não queríamos ser notícia, queríamos apenas informação que nos sossegasse.

Na segunda feira, tivemos luz. Na quarta feira um canal de televisão descobre, finalmente, que há muitas populações sem luz. O Mexia mexe-se e junta-se à Mixórdia de Tomates a gozar com a situação. No mínimo exigia-se que passassem novamente os dois últimos episódios da Grabriela e a gala da Casa dos Segredos!

Hoje passei-me, não larguei os tipos da PT. " Temos toda a nossa capacidade técnica no terreno!" E quem me diz a mim que essa capacidade técnica não estará diminuída pela sucessiva dispensa da força do trabalho? E o meu aluguer de rede, será diminuído este mês?  Afinal de contas isto não foi um "katrina" e isto não é a Indochina, foi apenas uma ciclogénese explosiva!

Mas pronto, salvou-se Lisboa e isso é o mais importante! Mas pronto, já tenho net e o Pata Negra já pode mandar umas bacoradas! Que se lixe o mau tempo, o pior são os maus tempos que vivemos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O regresso aos mercados

Vai pá! Mas não te esqueças que agora é preciso levar uma máquina de passar facturas! E olha, leva-a embrulhada num plástico para não se molhar!

domingo, 13 de janeiro de 2013

E viva 2013


Este blogue está temporariamente encerrado. Enquanto o tema central dos outros blogues e dos noticiários forem relatórios do FMI, nada deverá ser postado aqui. 

Com que então despedir quase metade dos professores?! Deve tratar-se de uma campanha de alfabetização! Só pode! 

E depois aquela ideia que os portugueses são uma cambada de privilegiados preguiçosos, com altas regalias, com altos salários, com saúde a mais, com educação a mais, com serviços sociais a mais!... Isto só pode lembrar ao diabo! Isto é, ao FMI!
Agir não pode ser apenas falar, escrever, protestar, agitar. Agir tem mesmo de ser agir e é só por isso que nos próximos dias vou ter mais que fazer.


domingo, 6 de janeiro de 2013

Estou zangado

Ninguém se lembrou do meu aniversário?!
Blogue Rei dos Leittões, há sete anos a dizer a mesma coisa.
6/1/2006 - 6/1/2013

sábado, 5 de janeiro de 2013

Pobre América


Em pequeno joguei aos índios e cowboys e queria sempre ser índio porque, entre outras coisas, as flechas que fazia eram mais próximas da realidade do que as pistolas de pau de oliveira que só faziam pum. Cresci a ver filmes americanos onde tiros e morte são uma constante e, no entanto, pertenço a uma geração de gente pacifica. 
É verdade que todos nós já enjoámos esse cinema, somos mais exigentes com o que nos oferecem embora ninguém ligue às nossas exigências. Nas notícias da guerra, nos filmes, nos desenhos animados, nos vídeos e vídeo-jogos, as imagens de violência e sangue são um ingrediente indispensável ao alimento mediático. Curiosamente têm quase sempre a presença dum fator - os Estados Unidos da América.
A questão que coloco é talvez tão banal como a  violência na América: são as imagens violentas que fazem a América violenta, ou é a América violenta que faz as imagens violentas?
A resposta será comum como o costume: são as duas coisas!
Sim, mas nós comemos as mesmas brincadeiras de guerras a sério e a brincar e somos pacíficos, dizem, até de mais!...
Mas então porque é que um país vendedor de imagens de violência vende uma notícia destas?

Apontou o dedo como se fosse uma arma e disse “pow”. O gesto foi feito por um aluno de seis anos numa escola primária norte-americana e valeu-lhe um dia de suspensão.

A notícia em si não me preocupa muito - eles que se curem! - o que me preocupa é que o jornalista se tenha rendido à América e tenha escrito "pow" em vez de "pum". 
Nem com "pow" nem com "pum", eu não me rendo aos Estado Unidos da América!

Miguel Relvas vai sair

Miguel Relvas e Santos Pereira fora do governo?
É a pior notícia que nos podem dar neste momento. Quanto mais tempo a presença destes rapazolas se arrastar na governação, mais fácil será fazermos o governo cair! E a queda deste governo é a nossa maior esperança para 2013!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Surge Janeiro frio e pardacento

JOSÉ RÉGIO,1969

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Boa ideia

Com esta ideia já me posso dar ao trabalho de voltar  a ler jornais.

Boa passagem de ano para todos os que pensam e para todos os animais, incluindo os porcos, também.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Mensagem do Pata Negra

Neste tempo de mensagens e boas ações, vejo-me obrigado, eu também, a deixar aqui uma mensagem que não estava previsto ter de acontecer. Efetivamente, as inovações do novo blogger são perigosas para um velho bloguer:
- Eu alguma vez pensei que ao clicar no botão "eliminar comentários - spam" aquilo apagasse a torto e a direito?! Vai daí, inadvertidamente, apaguei todos os comentários das últimas mensagens, sem possibilidades de voltar atrás. Pelo facto peço desculpa a todos os comentadores, especialmente ao senhor Manel Silva que logo veio esbracejar protestos e lagartos e fazer ameaças vãs.
Acreditem que o episódio não é de porco, é mais de pato, por isso hoje o Pata Negra é assim: 
 
Bem sei que a mensagem que se esperava seria outra, já tinha o título: Mensagem de Ano Novo de Sua Majestade Rei dos Leittões. Acontece que, na minha real preguiça, andava googleando à procura de uma mensagem do Rei D.Carlos que mantivesse a atualidade - está tão na mouche ir à literatura do século xix caçar excertos para comprovar aquela comum de que a história repete-se! - e vejo que de reis está o mundo farto, até já existe o Rei das Mensagens!....
Dito isto, até amanhã se não for depois.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Como se estraga uma noite de natal

Desde há muitos anos que é ditado que em família não se discute política. Talvez porque em família conhecemos melhor os fracos e as intenções de cada um. Contudo, a conjuntura a isso obriga e a política, desta vez, não deu tréguas aos assuntos costumeiros.

Colocada a crise na mesa como uma travessa, cada um puxou das suas razões e das suas receitas para compor a conversa.

O da direita tomou as culpas ao rendimento social de inserção e disse de sua sentença que o que não querem é trabalhar (e eu a encher); a outra disse que também não se importava de estar desempregada e que não compreendia porque é que certa gente recebe tanto como quem está a trabalhar (e eu a encher); outro, ainda à direita, criticou as reformas dos políticos e mostrou-se totalmente a favor da redução do número de deputados (e eu a encher); outra lembrou o buraco do BPN e elogiou a esperteza de varas e duartes e do cavaco que não é burro nenhum (e eu a encher); também à direita, um novo ainda, disse que não se pode querer ter saúde à borla quando se fuma e se come toucinho (e eu a encher); ainda do mesmo lado, um dos mais velhos não compreende porque é que se tem de estudar à borla se quem ganha com isso são eles (e eu a encher); e a europa e o euro; e o passos e o sócrates; e os funcionários públicos e os maquinistas; e a grécia e a alemanha... (e eu encher) ; e as reformas que já ninguém vai ter; e o morrer sem remédios; e a fome e a caridade e o padre (e eu a encher) e para o ano seja o que Deus quiser ( e eu a encher); são todos iguais e se tu lá estivesses farias o mesmo... e já lá vão... deixem-me contar... já não sei quantos copos enchi... parece que não vi ninguém à minha esquerda, deixei de ver quem estava em frente, levantei-me em direcção ao presépio, peguei no burro e na vaca e atirei-os ao chão para evitar partir um copo!
- Vós já nem ao papa obedeceis! Também não obedeceis à memória dos nossos avós nem sequer a vós próprios obedeceis! Vamos sim, vamos ter direito a reformas e ao estado social! Vamos sim, ter um futuro mais justo para nós e para os nossos filhos! Portugal tem futuro! Basta que tenhamos consciência de classe e vontade de lutar! Foi assim sempre: eles têm as armas, nós temos os números! Protestem comigo, encham as ruas comigo! Foi o povo nas ruas que fez a revolução de Abril!

E sai lá do canto da lareira a voz da minha prima beata solteira, debaixo do bigode postiço e beato - sim, porque um bigode daqueles numa mulher só pode ser postiço para enganar o padre que não gosta de mulheres:
- O papa não disse nada disso! Foram os comunistas que inventaram isso só para o foder!
- Tu é que precisavas disso!

E dito isto fui arrastado para fora da sala, para o frio da rua, para o carro e cheguei a casa com o Natal estragado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O meu segundo casamento

A vida de criança na aldeia deixa marcas pela primeira vindima de que se tem memória, pelo primeiro porco que se ouviu cuinhar antes de morrer, pelo Ti Não Sei Quantos, quieto dentro do caixão, pelos mais antigos sapatos que se lembra de ter estreado na procissão da Nossa Senhora da Apresentação, pelo casamento que era festa de roupas novas, cantar, dançar, comer nozes e dormir onde o menino tivesse escuro para não acordar.

O primeiro casamento, de que tenho cirrus de memória, deve ter sido o último amigo da geração de meus pais a casar. Teria sido novidade porque de último, era o primeiro a casar com dinheiro da França, casa de primeiro andar com terraço, revestida a marmorite e noiva de branco que viria a tornar-se tradição. No adro da igreja, ao ver uma mulher assim vestida, lembro-me de ter perguntado à minha mãe:
- É a Nossa Senhora da Apresentação?!
Além da risada de resposta à minha interrogação, lembro-me de me ter apaixonado pela menina que ficou à minha frente na mesa do banquete, do baile e do som dele, das canções e de ver a minha mãe a cantar ao desafio com o meu pai e de ouvir palmas. Depois ficou escuro, devem-me ter levado a dormir num quarto escuro de alguma avó vizinha que cuidaria de mim também dormindo.

No segundo casamento já não era menino de embalar e assisti a tudo.  Deve ter sido o primeiro amigo do meu pai a ter filha criada para dar boda. Não foi com dinheiro de França, vinham de Lisboa, provavelmente já casados de véspera, vinham também raparigas vestidas de calças e rapazes com calças à cobói e ao cancioneiro de tradição impôs-se uma canção:

E esta canção ficou por ali na aldeia a ecoar a partir de então,  fez-se canção cantada como as outras que sempre se cantaram e aquele casamento ainda hoje deve ser recordado como aquele em que apareceu aquela canção.
Mais crescido, quando abril me acordou do quarto escuro, eu reconheci aquela canção, hoje esquecida, como a minha primeira canção de intervenção.

Estavam à espera que eu contasse a experiência pessoal de um segundo casamento?! Vontade não me falta! Só que ela diz que se eu fizer isso nunca mais dorme comigo nem nunca mais faz favas com chouriço!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Soltem os prisioneiros

"Soltem os prisioneiros" é tema dos"Delfins" pelo qual não tenho especial consideração. Acontece que, de há uns tempos para cá, estas notas não me largam os tempos de barba e de banho, só que em vez de "Soltem os prisioneiros" a letra que encaixo na melodia é: "Desliguem os televisores!". 

Já o disse aqui, eu que me estou nas tintas para o natal e dele espero apenas o pretexto para uns tintos, que aguardo ansiosamente a mensagem de natal do senhor primeiro ministro, o fedelho Passos Coelho! E aguardo-a, não para o ouvir, mas para exercer o meu direito de não o ouvir desligando o televisor  como forma de protesto.

Desliguem os televisores à hora marcada!

Ah, se tem curiosidade em ouvi-lo, aqui fica de antemão o discurso esperado, incluindo algumas coisas que ele não vai dizer mas que irá pensando enquanto lê:

Portugueses e portuguesas, gostaria de vos estar a ler esta mensagem de natal em condições menos difíceis do que aquelas que estamos a atravessar mas a verdade, e isso põe-me contente, é que se as condições não se tivessem tornado tão difíceis, quem estaria aqui não seria eu mas o meu antecessor. 

Foi ele que nos pôs neste caminho e não há outro caminho se não aquele que escolhemos e, como era o único, escolhemos bem. Nestes tempos difíceis em que mergulhámos, o importante é falar verdade aos portugueses e a verdade é que este caminho nos vai conduzir a um ano de mais dificuldades, de mais sacrifícios, de mais pobreza. A maioria dos portugueses deu-nos um voto de confiança para seguirmos este caminho e, custe o que custar, é este caminho que vamos seguir.

Nesse sentido, a nossa maior satisfação é honrar os compromissos dos nossos antecessores e satisfazer os nossos credores. A eles lhes devemos o que somos, o que não temos e o nosso futuro!
Não se trata apenas de pagar a dívida e os juros, em tempo de natal há que dar gestos de reconhecimento perante aqueles de quem dependemos. Foi por isso que, hoje mesmo, decidi atribuir, como presente de natal, uma medida extraordinária para agradar aos mercados e aos nossos credores: para o ano os hipermercados estarão abertos no dia de natal e os funcionários públicos só irão receber metade do décimo segundo mês.

Portugueses e portuguesas, estes são tempos difíceis mas são também tempos de oportunidades, de aprender com as dificuldades: comer menos porque comer muito faz mal, não ir ao médico só porque se está doente,  trabalhar mais para não se ser despedido, aceitar tudo porque se está desempregado, emigrar para aliviar os números do desemprego, morrer para não sobrecarregar a segurança social, blá...blá...blá...

São também tempos de poupança, eu, por exemplo, ainda há dias ralhei à  Laura porque ela estava a comprar leitão com dinheiro dela - ó fofa  porque não debitas essa despesa no cartão de crédito de despesas de representação?!
São também tempos de solidariedade, eu por exemplo, já falei com a Laura para ela dar os restos da noite de natal à empregada mais magra cá da casa!...

... a este parágrafo o leitor já deve ter pensado - este Pata Negra já bebeu uns copos! Não, ele é que bebeu! A revelação antecipada deste discurso só foi possível porque eu tenho alguns conhecimentos! o discurso que o tipo entregou aos assessores foi este! Agora, se eles o vão corrigir e transformar e vai sair outro, isso já é outro assunto! De qualquer forma o blá, blá, blá deve terminar mais ao menos assim:

- Desejo a todos os portugueses e portuguesas um natal muito feliz e um ano novo cheio de prosperidades.

Esta última frase não é da autoria do primeiro ministro, plagiou-me!


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Fim do Mundo

Eu sei que me ando a repetir muito - que é que querem? Está tudo dito e hoje era para esta merda toda ter acabado!
O fim do mundo acontecerá um dia, se não for para todos juntos, pelo menos para cada um individualmente. Mas esta história de se repetirem as ameaças de que o mundo acaba, já chateia! Talvez por isso me tenha apetecido chatear-vos com a reposição desta história do Pata Negra. Quem preferir, em vez de lê-la, pode ouvi-la, no youtube abaixo, pela voz do actor Miguel Guilherme no "saudoso" programa História Devida da Antena 1. Ou, se quiserem, também podem fazer as duas coisas conjuntamente.


Eu ainda tinha a idade de me acharem graça pelas graças de menino. Aos serões, dava uma corrida a casa da ti Nini para receber a atenção dela, do tio Jofre e das suas duas filhas. Era uma casa de agricultores pobres que acendiam a candeia de azeite para poupar energia eléctrica e que tinha uma lareira tradicional com gatos e tudo. Às vezes apanhava a hora do terço e, de ave-maria em ave-maria, esperava as cinco últimas contas para depois ouvir, do tio Jofre, lendas e histórias que pareciam ter atravessado os séculos, de boca em boca, sem nunca se venderem ao elitismo da palavra impressa.
O tema daquele dia foi parar a um ponto que mereceu achega da Ti Nini, rara de intervenções por feitio e pelos papéis de dona que não lhe davam tempo para conversas de lareira. Disse ela, num tom apocalíptico, que Jesus havia dito numa qualquer aparição: “a mil chegarás, a dois mil não passarás!”
O tio Jofre, ciente do medo que a profecia poderia causar, a mim e às filhas adolescentes, atalhou:
- Ah! Mas a Nossa Senhora estava ao lado, pegou numa macheia de areia, atirou com ela para o mundo e disse: “e estes dou-os eu”!
Puto esperto, como eu era, fui para a cama descansado com a generosa oferta da Mãe do Criador, uma mão dá uma porrada de grãos de areia que, transformados em anos, dariam para a minha vida e para as daqueles que por cá ficarão com memória para me recordarem.
Já lá vão doze grãos e eu vejo a coisa preta! Será que os tempos corroeram a história, que a Senhora agarrou foi em areão ou brita ou até, azeitonas? É que eu vejo o Fim do Mundo à minha porta, em minha casa, na minha televisão, na minha Internet, no meu país.

O Tiazinha era um pedinte castiço que, naquele tempo, de tempos a tempos, passava na Terrinha.
Tenho pena de não ter letras para descrever o porte, o discurso e a vestimenta! Mas o nome - Tiazinha - já diz muito. Era um vulto santo antoninho, asadinho, de andar beato, de capa rodada e mitra de bandarilheiro, sobre a qual o pescoço afemeado equilibrava uma saca de alqueire com o grão que conseguia nas portas. Todas as portas lhe rendiam a esmola! Porque a humildade extrema com que nos abordava não nos deixava alternativa. Palmeava as léguas – ninguém como ele conhecia a geografia das aldeias - bichanando um rosário interminável de orações e ladainhas e só parava as palavras para respirar. Cheguei a segui-lo e a espreitá-lo pelas bordas do mato, e posso testemunhar que, mesmo onde já ninguém o ouvia, ele continuava debitando preces, sinal de que a sua oração não era para seduzir os pobres beneméritos mas era uma Fé genuína que acreditava que, assim rezando, se salvaria do Fim do Mundo.
Falo dele porque foi dele que adoptei a minha visão do Fim do Mundo, tão diferente de outras aterradoras que me foram contando. Dizia-nos ele:
- Pró Fim do Mundo tudo aparece: é mulheres grávidas, porcos com escagarrinha, reis na miséria, doidos varridos a governar, cães a uivar; cachopos a chorar, é pais abraçados às filhas, homens ameigados com galinhas, sapos nas cozinhas, luzes a acender e a apagar, etc. etc.
Não retive todos os indicadores mas vejo que qualquer coisa de parecido começa a acontecer: tenho uma galinha que é como um cão para mim.

Pontos de vista

  • Do ponto de vista do mocho, do morcego, do boémio e do ladrão, o crepúsculo é a hora do café da manhã.
    A chuva é uma maldição para o turista e uma boa nova para o camponês.
    Do ponto de vista dos autóctones, o que é pitoresco é o turista.
    Do ponto de vista dos índios das ilhas Caraíbas, Cristóvão Colombo, com seu chapéu com plumas e sua capa de veludo vermelho, era um papagaio de dimensões nunca vistas.
  • Do ponto de vista do Sul, o verão do Norte é o inverno.
    Do ponto de vista de uma minhoca, um prato de espaguetes é uma orgia.
    Onde os hindus vêem uma vaca sagrada, outros vêem um grande hambúrguer.
    Do ponto de vista de Hipocrátes, de Galeno, de Maimónídes e de Paracelso, existia uma doença chamada indigestão, mas nenhuma doença chamada fome.
  • Do ponto de vista do Oriente do mundo, o dia do Ocidente é a noite.
    Na Índia, os que estão de luto vestem-se de branco.
    Na Europa antiga, o negro, cor da terra fecunda, era a cor da vida, e o branco, cor dos ossos, era a cor da morte.
    Segundo os velhos sábios da região colombiana do Chocó, Adão e Eva eram negros e negros eram seus filhos Caim e Abel. Quando Caim matou o seu irmão com um golpe de bastão, a cólera de Deus trovejou. Diante da fúria do Senhor, o assassino empalideceu de culpabilidade e de medo, e empalideceu tanto que continuou branco até morrer. Nós, os brancos, somos todos filhos de Caim.
  • Se os santos que escreveram os Evangelhos tivessem sido santas, como seria explicada a primeira noite da era cristã?
    São José, contam as santas, era mal-humorado. Era o único amuado na creche em que o menino Jesus, recém-nascido, resplandescia em seu berço de palha. Todos sorriam: a Virgem Maria, os anjinhos, os pastores, as cabras, o boi, o asno, os magos que vieram do Oriente e a estrela que os conduzira até Belém. Todos sorriam, salvo um. São José, entristecido, murmurou: “Eu queria uma filha.”

Eduardo Galeano via Agitação

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Um velho do PCP com alguma piada

Vejam pelo menos o princípio do video. O velho Miguel lê, os tipos acenam de contente concordância mas afinal... acabam a rir-se deles próprios...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Desliguem os televisores



Nunca na vida escrevi sobre o natal.
Não me lembro sequer de trazer para casa uma redacção sobre o natal.
E continuo a não conseguir escrever sobre o natal.
Para mim o natal não tem de bem mais que a páscoa ou o carnaval
Mas também não tem mais de mal.
Para mim essas coisas são simplesmente o natal, a páscoa e o carnaval.
Não escrevo sobre elas porque também não escrevo sobre muitas outras coisas.
As únicas coisas sobre as quais gosto de escrever
e sobre as quais vale a pena escrever
é sobre o a primavera, o verão, o outono e o inverno.
Dependo muito mais desse tempo do que dos tempos do calendário católico
Até porque não sei quando vou morrer e se vou ter enterro católico.
Mas sei que vou morrer numa estação.
Também nunca escrevi sobre comboios.
Deixei também de escrever sobre o papel,
Comprei um PC este natal.
Dirão: afinal estás a escrever sobre o natal!
Não, estou a escrever sobre a TV:
Aguardo ansiosamente o tempo da mensagem de natal do primeiro ministro.
As pessoas não devem mudar de canal. As pessoas devem simplesmente desligar o televisor.
Mas alguém, minimamente lúcido, vai ouvir o blá blá  habitual?!
Mega Watts de energia serão poupados a bem do ambiente ecológico e familiar.
É este o meu desejo de natal: que toda a gente desligue os televisores quando se anunciar o senhor primeiro ministro!
Se se cumprir o meu desejo e as audiometrias registarem o fenómeno ver-me-ei  obrigado a escrever sobre a primavera. Isto, se entretanto, os comboios não me pregarem alguma partida!

(mesmo que eu tivesse escrito sobre o natal, este texto continuaria a ser banal mas o importante é que além de rimas em al deixei um desejo de natal)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Vale Tudo

Aqui neste vale sem nome onde o rio só corre quando chove, de onde se vê ao longe um povoado grande que é aldeia e mais perto um sítio com capela e dez ou doze casas e, de resto, a vista se enche com olivais, vinhas e pinheiras - aqui vivo.
Aqui há campo, ovelhas, gatos sem dono, cães vadios, milharolas, popas, cobras, as uvas pisadas com os pés, água pé e azeite sem rótulos, a omnipresente tratorinha do Tó Zé sempre a assapar e a conversa por entre um tinto de descanso:
o tempo, por quem dobraram os bombeiros, de que família era o falecido, porque não deram os tomates este ano, o pó ideal para o corcomilho e "o que eles querem agora"…
Querem que o Tó Zé tire um curso para ter uma carteira que o habilite a tratar do gado de que sempre tratou desde criança! Querem que ele diga onde põe o estrume dos animais!
- Na terra! Ora que porra! Onde é que eu o havia de pôr?!

Para isto ser verdadeiramente campo inteiro só falta um burro. Ando a pensar em criar condições para ter um burro, espero que não seja necessária carta para o montar, toda a família está de acordo, um burro comporia muito as nossas vidas! Se não houver maneira de levar o projecto por diante - sim, porque até já para ter um burro é preciso um projecto! - nem que faça eu de burro para completar a harmonia!
E o Tó Zé a malandrar:
- Mas tu não és porco lá na "internete" ou lá o que isso é!? Afinal agora queres ser burro!?
O Tó Zé não me trata como um animal, não me diz: asta pra lá, tens fome, estragaste a palha toda, estás triste, falta-te o macho e outras longas conversas que ele trava com o gado. Fala assim para mim, por amizade e porque me acha estranho.
- Já chega por hoje Zé, nem mais um, não bebo mais, sinto-me estranho! Vou estranhar!...

sábado, 8 de dezembro de 2012

o pai pedro e a mãe segura

descalço vai para a prússia
passos de toino, a mistura;
o pai pedro e a mãe segura.

leva na nuca o decote,
da merkel com as mãos na massa,
senta-se ao lado da carcaça,
ajoelha sob o saiote;
pede à vaquinha o pacote,
ela o nega com usura;
o pai pedro e a mãe segura.

descobre a coisa à governanta,
bacalhau de euro salgado,
finta o seguro encornado...
tão manso que até espanta!
abre-se dele a garganta
que dá pena a criatura;
o pai pedro e a mãe segura

Luís Masnão Camões

PS - Socialista Masnão tanto:
E é então que os filhos maltrapilhos dizem à madrasta:
- Ó mãe! Tu devias pôr os cornos ao padrasto!
- Lá por causa do pai preferir  as estrangeiras, não quer dizer que eu deva namorar com socialistas!  Prefiro que os meus enteados passem fome, a perder a honra dos meus antecessores! 

P(arvo)S Masnão tanto: "não nos ajudaram em nada mas enalteceram a nossa capacidade de empobrecimento!..." O Pedro é moço para todo o serviço, o Toninho, coitado! Os filhos deste povo que se cuidem porque os filhos da puta que os governam não morrem de cuidados pelos que vão morrendo sem pátria que os honre! 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ser de esquerda, Ser de direita

Irrita-me discutirem o que é ser de esquerda ou de direita!
Irrita-me dizerem que nos dias de hoje essa divisão já não tem muito sentido!
Irrita-me sentir que esse não ter sentido é sentir à direita!
Irrita-me ouvir que ser do centro é ser equilibrado!
Irrita-me concluírem que ser de esquerda é ser pelo aborto!
Irrita-me escrever este texto e ter que lhe dar um sentido!

Mas nunca me irrito solenemente!
Mesmo quando os tempos correm da esquerda para a direita! Agora mesmo, que o progresso económico nos faz mais pobres, que a palavra de ordem da criação de riqueza nos faz escravos, que uma onda capitalista nos engole! É tempo de esquerda! È tempo de furar a onda!

A direita diz, à sua maneira, que para os pobres serem menos pobres é necessário que os ricos sejam mais ricos!
A esquerda reclama, que para os pobres serem mais ricos é necessário que os ricos sejam mais pobres! 

Nunca me irrito com solenidade! Sou de esquerda!
Esquerda, canhota, revolta, do povo e escorreita,
Vermelha, bandeira, mastro, braço, punho, erecta e direita!

(uns colocam em todas as discussões as fraudes no rendimento social de inserção, outros falam sempre da fraude do BPN)
(se não te conseguires colocar no lugar deles, inverte a imagem)