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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Canções Proibidas

... no seguimento da mensagem anterior...
Se a canção-arma se bate no abstracto, porque a situação se deve à crise, à conjuntura, ao sistema, à vida ou ao Além, poderá consolar lamentações mas será pouco eficiente no combate. Mesmo que ela se carregue de subtileza para ter êxito - porque tem medo de ser mal entendida, de arriscar, de ser frontal e no extremo, até de ser proibida - como não põe o dedo na ferida mas apenas fala da doença será pouco consequente. O mesmo se pode dizer do humor.
Talvez então seja a hora de perguntar porque se calaram os Gatos Fedorentos e eles não dizem nada, porque se deixou de ouvir o Sem Eira Nem Beira dos Xutos e Pontapés e eles não dizem nada, porque nunca ouvi esta canção de Paco Bandeira na Rádio?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Para animar a parvalheira

aqui se fez reconhecimento ao trabalho dos Deolinda. Que a música é boa, portuguesa, talentosa, é do reconhecimento geral e chega a todos. O mesmo não se poderá dizer da sua mensagem política. Ouvem-se e entoam-se as letras em concerto mas tudo se canta como se fossem letras do Carlos Tê ou de ridículas canções de amor.
Depois do "picadela" do Movimento Perpétuo e Associativo acaba de sair do forno uma mordidela com "Que parva que eu sou!". 
Ouvi dizer que houve um espectáculo no Porto e o público adorou! Mas será que a doçura da voz e o embalar da melodia permitirão que os dentes se sintam e façam doer?! Será que ainda não temos pedras para descalcetar a nossa praça Tahrir? O que nos falta para ir para a rua gritar?

Entretanto Anibal Cavaco Silva ganhou as eleições e quase todos sentenciam que é irrealista pensar que o próximo primeiro ministro não seja José Sócrates Pinto Sousa ou Pedro Passos Coelho.
Isto, ao mesmo tempo que quase ninguém afirma que vota neles.
Não votam, consentem! Não votam mas cantam!

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.

Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?

Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar

Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.

Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

domingo, 22 de abril de 2007

Bagdade, música e blogosfera

Abdul Nawaf, 12 anos, vivia com quatro primos num abrigo, entre ruínas, na cidade de todas as notícias! Há alguns meses que nenhum deles se afastava mais de cem metros do “lar”. Resistiam física e psicologicamente a cada dia, inventavam, naquele círculo, a sua sobrevivência e a sua razão de existir. Tinham receios mas não medos! Medo tinham de dali sair porque sentiam e pressentiam os acontecimentos da sua terra em guerra! Um estrondo daqui, um grito dacolá, a proximidade do ruído de um carro de combate, ao longe um vulto de arma içada, um avião americano rasgando o céu, um cão farejando nas ruínas próximas, um gato morto…
Um dia Abdul Nawaf, fez-se às ruas transformando todos os medos em receios, e foi verificando como a cidade era feita de abrigos iguais aos seus, como eram iguais os métodos de sobrevivência dos seus semelhantes e como continuava igual a sua razão de existir! À medida que ia caminhando, ia perdendo a identidade, ia sentindo que não valia a pena viver em lado algum mas, pior que isso, que também não valia a pena morrer! Encontrou um meio-termo, deixou de falar! Continuou deambulando, entretido a observar os outros, evitando despertar olhares e foi neste passo que o narrador lhe perdeu o rasto …

Na idade dos “deza” – em inglês dos “teen” – toquei bateria num quarteto de baile! Aquilo é que era rasgar! A malta curtia com a nossa potência e houve um baile de inspecção em que até nos bateram palmas! Até levarmos a palco o nosso “I Can't Get No Satisfaction” tivemos não sei quantos ensaios. Portanto trabalhávamos muito. Aconteceu que no desenvolvimento da nossa cultura musical começámos a ouvir jazz. Foi o início da nossa decadência e o alívio do medo que tínhamos do sucesso que nos espreitava nas esquinas de cada festa! De ouvir tocar tão bem, sentimos tocar tão mal, que desistimos! Os nossos sonhos, ácidos e húmidos, veiculavam lucidez suficiente para nos receitarem rendição em vez de luta.

Pois estava eu abrigado, com três ou quatro amigos, neste cantinho da blogosfera, jogando pensamentos e coisas, indiferentes aos disparos, disparates e gigabytes da grande world wibe web quando de link em link, de click em click, me vi personagem destas duas histórias que vos contei: perdido, sem razão de escrever, encontrando por toda a parte as minhas ideias, reveladas em formas, que as minhas qualidades não ensejam nem engenham!
Estamos de facto no tempo em que todas as palavras foram ditas! Estamos na cidade que engoliu o futuro! Estamos no país em que todos os outros são melhores que nós!
Será que vale a pena este blog!? (Não me respondam com a alma pequena do Pessoa! – estou farto de feitas!!)

Sócrates – diminui a auto-estima, traz depressão e desesperança – mas aumenta o número de visitas num blog. Por isso escrevo o seu nome a despropósito.
(Espero um comentário que me esclareça a diferença entre medo e receio.)