Já
aqui se fez reconhecimento ao trabalho dos Deolinda. Que a música é boa, portuguesa, talentosa, é do reconhecimento geral e chega a todos. O mesmo não se poderá dizer da sua mensagem política. Ouvem-se e entoam-se as letras em concerto mas tudo se canta como se fossem letras do Carlos Tê ou de ridículas canções de amor.
Depois do "picadela" do Movimento Perpétuo e Associativo acaba de sair do forno uma mordidela com "Que parva que eu sou!".
Ouvi dizer que houve um espectáculo no Porto e o público adorou! Mas será que a doçura da voz e o embalar da melodia permitirão que os dentes se sintam e façam doer?! Será que ainda não temos pedras para descalcetar a nossa praça Tahrir? O que nos falta para ir para a rua gritar?
Entretanto Anibal Cavaco Silva ganhou as eleições e quase todos sentenciam que é irrealista pensar que o próximo primeiro ministro não seja José Sócrates Pinto Sousa ou Pedro Passos Coelho.
Isto, ao mesmo tempo que quase ninguém afirma que vota neles.
Não votam, consentem! Não votam mas cantam!
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.