quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bom


Video gentilmente indicado pela amiga Maria.
Desta forma me despeço do sucesso deste ano. Bom revirão e bom ano bão para todo o Reino

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

3- Não encontro título

Não se sabe o que teria acontecido e também ninguém se preocupou em investigar mas a malta do circo nunca mais apareceu por aquelas bandas e a aldeia só voltou a ter serões de animação, uma década depois, quando Cipriano olhou para ela.

Cipriano, como muitos da sua geração, encontrou na França dos anos sessenta o caminho para se fazer a uma vida que, dificilmente, realizaria em Portugal. Por lá se fez músico e criou, com outros emigrantes, um grupo musical que se viria a tornar conhecido entre a comunidade portuguesa de Paris.

Já não vinha a Portugal há cerca de 10 anos quando, no Verão de 76, vem, com a sua banda, actuar em algumas festas da região. A “digressão” foi uma revelação. Música portuguesa, brasileira – Eh meu amigo Charlie!- anglo-saxónica e francesa, compunham um repertório que, facilmente, fez sucesso entre residentes e emigrantes. No ano seguinte voltaram e repetiu-se a receptividade.

Os tempos de esperança que então se viviam e o clima de entusiasmo que se criou à volta da banda de Cipriano levaram-no a decidir regressar definitivamente à sua terra com a sua família: reúne os melhores músicos das redondezas e dá uma nova formação ao seu conjunto, transforma a sua casa num salão de festas, revela a sua faceta de homem de sete ofícios, reclama melhores condições para a sua Terrinha, ajuda tudo e todos, vive rodeado de amigos, é um homem imparável.

É nesta altura que sou convidado para fazer parte do “conjunto dos putos” – assim era conhecida a segunda formação que assegurava os intervalos das actuações do grupo adulto e que tinha como atracção principal as qualidades musicais do seu filho Nini, de 12 anos. Não tardou que tomássemos o lugar da banda sénior. Seguiram-se os sete anos – com quase mil actuações anotadas na agenda que ainda guardo - em que privei de perto com o Cipriano, na sua vida familiar, em longas viagens, em arraiais, casamentos, bailaricos, palcos, trabalhos e sarilhos.

A sua casa foi, durante esse tempo, um autêntico centro recreativo e cultural, frequentado por velhos e novos, por forasteiros de ocasião e malta assídua, por músicos e curiosos de toda a espécie. A casa era de todos, o bar estava aberto até haver assunto, todos podiam tocar bateria, viola ou cantar, havia sempre música ao vivo, podia haver cinema, aos sábados dançava-se, falava-se de tudo e, às vezes, também havia porrada.

Espero que esta história caminhe por esses sete anos.


Os leitores já foram avisados que devem ouvir a música enquanto leêm, faz parte da história. Esta história já vem de trás e continuará para a semana se houver real vontade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

2- Continua sem título

Chegavam numa ou duas carrinhas de guarda lamas a bater, punham as cornetas a tocar o “obládi obládá”, abriam dois buracos na terra batida, espetavam dois paus na vertical, ligavam ambos na ponta por uma corda esticada e abancavam arraiais. Era uma família e meia das margens dum circo maior e faziam os números de atravessar a corda em equilíbrio, do equilíbrio em três rolos de madeira, do bota fogo pela boca, do atira facas para a mulher no disco a rodar, do pomba na manga, dum cão com um macaco e, claro, dos palhaços.
Mas a novidade deste ano que a aldeia, que se reuniu por dois serões com moedas no bolso e palmas para dar, mais apreciou foi a da menina que já veio artista da barriga da mãe. A Teresinha, magrinha, de biquini com brilhantes, dobrava-se e desdobrava-se em cima de uma mesa, entrelaçava os membros, andava com as mãos como se fossem pés, desfazia-se num corpo disforme sem, no entanto, perder a forma graciosa de um obra das mãos da Natureza.
Não sei de que dimensão do fantástico poderia vir a ideia de fazer um número de circo com grilos. A menina nomeou-me parceiro: haveríamos de conseguir pôr vários grilos a grigar em sequência de modo a conseguir alguma melodia. Enfim, éramos crianças!
Dois dias de treinos e havia sempre o grilo de uma nota que morria. Valeu-nos a brincadeira pela amizade que encetámos e o rótulo que nos colaram os adultos, de sermos namorados, sem que a inocência nos desse para percebermos porquê.
Os saltimbancos não recolhiam apenas as moedas que lhes caíam nos chapéus, a vida familiar da aldeia fazia-os da família e, nos dias em que por ali conviviam, não lhes faltavam couves, tomates, batatas e até, uns nacos de toucinho.
Dessa proximidade, que o meu pai tanto cultivava com o patriarca saltimbanco, num fim de tarde de taberna, teria surgido a ideia peregrina de eu ir com a “malta do trapézio” ao Sítio. Seria a próxima paragem dos nómadas; seria a oportunidade do Mar, que nunca me tinha visto, me poder ver; seria uma maneira de me fazer crescer; daria sempre jeito, ainda que pouco destro, para dar assistência a um número; poderia dar um palhaço e, quem sabe, se o número dos grilos não poderia ser mais do que um sonho de crianças e pudesse vir a unir o futuro do par tão engraçado.

Não sei como o assunto caiu na mesa a céu aberto e iluminada com o pitromax mas lá em casa foi de toda a gente ficar de boca aberta:
- Ó homem, isso foi tempo de taberna a mais!?
- Eles da Nazaré vêm para Leiria e logo o devolvem na carreira do Arlindo!
- E já perguntaste ao menino se ele quer ir?!
Não fui! A minha mãe não era mulher de me deixar ir em aventuras! Além disso: e se eu fizesse chichi na cama!?


Este filme é para ouvir durante a leitura. Esta história começou a semana passada e para a semana, se tiver real disposição, escreverei outro capítulo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sinais da província

Na mesa do restaurante disse-se "anti-socrátes": da mesa ao lado sentiram-se olhares de condenação: um sinal de que um novo regime se está a implantar por todo o país: já não se pode discutir filosofia à mesa!


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ai

Ai que eu não tenho tempo para ir comer aos blogues da ronda quanto mais para dar de comer ao meu! Ai que me dói um dente, a dentadura postiça e o cabelo!
O Criador foi justo porque os dias de vinte e quatro horas, fê-los para toda a gente mas falhou, tal como os engenheiros falharam na segurança da ignição do Fiat Uno, na concepção dos dentes dos humanos - quem nunca teve um problema com um dente não é humano.

Ai que estou pelos cabelos! Ai que falta a este país um lúcido para amandar uma estatueta das Caldas à testa do nosso "berlosconito"!
Li que "há dois tipos de grupos no governo do PS: um, formado por gente totalmente incapaz; outro, por gente capaz de tudo..."

Ai Mário Viegas que te foste e

há sempre alguém que não conhece...

Para que conste:
A lei não deve contemplar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nem entre pessoas de sexos diferentes. Essas questões de com quem, com quantos, ou com quantas partilhamos a cama, não são razões de Estado!


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

1- A aguardar título

Eu, menino de 2ª classe, era um exímio caçador de grilos. O meu sucesso não tinha origem no tradicional método da palhinha mas resultava da técnica da rendição do insecto por asfixia: despejava um lata de água no buraco e, passados instantes, contava mais um. Cheguei a ter mais de um quarteirão de grilos enclausurados em gaiolas, latas e frascos - uma verdadeira grigricultura.

Depois trocava-os por folhas de alface e outros géneros (a minha mãe proibiu-me de recorrer à horta), com outros meninos. Não era grande negócio, a moeda de troca, não se traduzia em lucro, assegurava apenas a manutenção da exploração. Além disso tinha sempre reclamações: ou porque não cantavam, ou porque não se calavam, ou porque morriam passadas algumas horas. Eu tentava esclarecer os clientes com teorias sobre a vocação artística dos grilos e com a lei da vida mas nem sempre era convincente.

Que gaita, um grilo não serve só para cantar! A morte dos grilos era a coisa mais natural, eu próprio geria um cemitério desse seres de Deus, com pequenas cruzes sobre cada pequena campa, nas imediações do complexo de gaiolas, latas e frascos!

Teresinha veio a minha casa e ficou encantada com a grigricultura, provavelmente, também com o grigricultor e fizemos negócio. A troco de 10 grilos, deu-me um tractor de plástico, daqueles que eu tão bem conhecia da “feira dos 12” mas que minha mãe sempre se recusara a comprar:
- Não ligues a essa porcaria filho! Isso não vale nada, é só plástico! Para que queres tu um tractor se tens uma junta de bois!?
Para quem não é da zona do pinhal, saiba-se que uma junta de bois eram duas pinhas atadas por um cordel que as crianças arrastavam atrás de si, com um pau às costas e a dizer “anda bórisca!”.

Mas quem era Teresinha para tanto se interessar por grilos em cativeiro e poder para me oferecer em troca um tractor que tanto jeito me daria para o transporte das gaiolas, latas e frascos?! A Teresinha poderiam ser úteis os cantadores para um novo número de circo. Ela queria alargar a sua actividade artística de pequena e aplaudida contorcionista dos saltimbancos que, uma vez por ano, abancavam no largo da aldeia.

história para continuar se me der na real gana

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

História Devida

No passado dia 8 de Novembro, pelas 13 horas, o programa da Antena1, História Devida, passou mais uma história do João Rato/Pata Negra: Como elas acontecem.

Por acaso, no dia anterior, tinha regressado do hospital a Tal que nessa história me aconteceu. Acontece que o almoço desse Domingo foi especial pelo regresso e que a coincidência nos fez ligar o rádio à mesa do fim de refeição. Os dois sós, ao ouvi-la, trocámos lágrima pelo canto do olho.

Amanhã, ela voltará novamente do hospital e, já que não dá para repetir a sobremesa, deixo aqui um arranjo do podcast da história - ela vem aqui espreitar o blogue, carrega no triangulozinho do play, e... logo se vê o que acontece e tal...
Dirão que seria de lhe dizer pura e simplesmente "Amo-te!" mas não sou pessoa de repetir as coisas pela segunda vez.

 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Movimento relativo

Vou desligar.
Parem de me dar notícias
Porque eu já sei que as coisas acontecem.
Parem de escrever bons livros
Porque o meu ritmo de leitura é lento.
Parem de fazer bons filmes
Porque tenho uns em atraso para ver.
Parem de inventar músicas
Porque eu tenho cedês que nunca ouvi.
Parem com a tecnologia
Que eu já não dou conta dos botões.
Parem de me oferecer produtos
Que eu tenho a despensa cheia.
Parem de me anunciar espectáculos
Que eu já não tenho agenda.
Parem de fazer leis
Que eu faço questão de andar legal.
Parem de fazer estradas
Porque eu já não sei por onde hei-de ir.
Parem o comboio
Porque eu vou apear.
Parem a camioneta
Porque me apetece vomitar.

Ainda o sinal não estava verde
E já me estavam a apitar.
Parem! Stop! Dêem-me tempo! Dêem-me espaço!
Parem que eu não consigo acompanhar!
Oh! Estou a ficar para trás!
Parem de me encher a cabeça.
Deixem-me respirar.
Respirem.
Todos os livros, músicas e filmes estão compostos.
Chega de tecnologia.
A Terra está esgotada.
Já vi todos os números de circo.
Todas as leis estão feitas e todas as cidades construídas.
Será este o caminho?! Não são estradas a mais!?
Não vou para mais lado nenhum!
Não quero mais nada!
Vou viver aqui que aqui há terra!
Vou descansar.
E tu

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Carros eléctricos?!

De vez em quando é novidade: um carro eléctrico.
Noticiam-se avanços tecnológicos e apoios do governo, passam-se imagens de protótipos, anunciam-se lançamentos a preços só para alguns.
Pois fiquem sabendo que o primeiro carro em que viajei era eléctrico e andava em cima de carris. Mais tarde, jovem em Coimbra, deslocava-me diariamente nos chamados "troleys".
Porque é que o desenvolvimento das redes de transportes públicos das nossas cidades não apostou nestes veículos pouco poluentes? Porque é que se apresenta  repetidamente, com tiques de pura propaganda, um pequeno automóvel eléctrico de díficil comercialização e não se investe nos troleys?



Refira-se, também, que as características não poluentes dos transportes eléctricos não anula os efeitos poluidores da energia eléctrica produzida a montante nas centrais termoeléctricas. E, já que estou com as mãos entre a fase e o neutro, dou a minha opinião de que a  produção de energia eléctrica não poluente passa pelo recurso à microgeração (a nível doméstico). A aposta nesta solução foi propagandeada pelo governo mas, como se esperava, a dimensão dos custos é só para alguns.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Capitalismo solidário?!


- São 34.99 euros! Não quer arredondar a sua conta para 35 para uma campanha de solidariedade?!
- Olhe! O Belmiro que seja solidário!
A minha resposta seca e irreflectida fez corar de surpresa a pobre funcionária da Worten que me deu como troco uma resposta seca e irreflectida.
Trata-se de uma campanha, segundo apurei posteriormente, em que o poderoso grupo de vendas propõe aos clientes que deixem arredondar a conta por excesso, com a garantia de que esse gesto será automaticamente convertido e garantido em solidariedade que a operadora não identificou. Acredito que seja bem encaminhada mas não compactuo com a forma, nem me convence a inocência do altruísmo:
1º - Já lá vão uns anos em que os preços terminados com um 99 em letra pequena,  cumprem os seus objectivos mas já cheiram mal porque, apesar de reconhecidamente a técnica funcionar é, ao mesmo tempo, uma provocação ao funcionamento do nosso cérebro e à passividade do nosso eu "consumidor".
2º- Salazar foi salazarento ao proibir mendicidade. Seria pedir muito ao Sócrates que, ao menos, proibisse que nos fosse estendida a mão pela gaveta do hiper mercado?!
3º- Que estranha forma de distribuir riqueza é esta, em que a boa acção dos mais ricos dos ricos, é disponibilizarem as suas mãos para fazer o transvase de bens, dos - talvez - menos pobres para os - talvez - mais pobres?
4º - A solidariedade devia começar na grande casa dos directamente dependentes do senhor Belmiro. E que tal dar aos seus trabalhadores - colaboradores como, não inocentemente, insistem que se chamem - uma vida digna de não escravidão?
5º Quem tem inteligência para pensar nesta campanha de marketing temperada com tão engenhosa solidariedade terá, certamente, lucidez suficiente para perceber que a funcionária da caixa pode ser muito bem a primeira a precisar dessa solidariedade, se não puder ser em cêntimos que seja ao menos em menos uns minutos de turno de trabalho.
Posso dar, quero dar, darei sempre mas nunca aos balcões dos semeadores da pobreza!
Boas intenções tem o inferno a mais e eu já estou cheio de natais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Varas, carapaus e varapaus

Começo a acreditar que a mentira do caso Vara, é a prenda do robalo! Tudo parece ter sido dito, a conselho dos assessores de imagem, para dar a ideia de que no meio de peixe nunca se esconde um cheque e para distrair os fregueses da existência de peixe graúdo. Isto é,  o robalo não passou de um isco que todos mordemos alegremente. E mais, até a espécie de peixe foi pensada ao pormenor: porque não cherne, carapau ou um peixe de aquário?!


Um homem que só pensa em ser grande é porque é realmente pequeno.Não sei porque me lembrei desta!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O que é que foi tratado em Lisboa?

Estava eu a levantar-me da mesa quando ouvi:
-Faltam 3 minutos para o Tratado de Lisboa entrar em vigor!
E logo respondi desligando o televisor.

Já tratado, vim para o computador pensar assim, acerca do modo como nos tratam (era para ser pelo voto mas não deu o resultado esperado), acerca do modo como tudo foi tratado (alguém insistiu e insistiu-se até dar o resultado desejado).

Mas afinal de contas o que é que foi tratado?!
- Coisas do meu interesse, pelo certo, e coisas do interesse de outros pelo errado!...

Já passaram algumas horas desde que o Tratado de Lisboa foi assinado. Não noto nada de especial senão a insistência da TV em repetir as declarações banais dos habituais comensais.

Ninguém liga nada a isto! Ninguém questiona isto! Ninguém sabe nada disto! Saberão eles para onde nos levam?! Saberão eles, ao menos, o que foi tratado?!
Parece que são coisas importantes para as pessoas mas não o suficiente para serem votadas! Dizem que todos devíamos participar na discussão, sendo certo que são coisas demasiado complicadas para que da nossa opinião resulte decisão.

Eles decidiram! Eles são porreiros, fazem tudo por nós! Que contributo pode dar um cidadão que, ao escrever sobre isto, só lhe sairam rimas em "ais" e "ão"?!
Enfim, o que importa é que nos tratem, não interessa como, desde que não nos faltem com a ração!


Estamos tratados?! Sim! - Ou talvez não!... O importante é que o Tratado fique com o nome de Lisboa e que o Durão seja português!...

A Restauração


A Crise, o vento de Espanha e a ASAE estão a dar cabo do sector da Restauração.

sábado, 28 de novembro de 2009

mais forte do que eu

PREFÁCIO

Escrevo, de lágrimas no bolso,
como uma criança que faz um boneco e pensa que este vê
porque lhe desenha olhos no rosto!

E para que mais pode servir a inteligência
a quem é piolho da sua própria cabeça
e todos os dias se senta à mesa para se comer a si próprio?!

De si próprio, o poeta da angústia e do mau gosto,
O HOMEM QUE O PERSEGUE;
que de si próprio nasce, cresce e escreve:

porque lhe rebentaram os princípios, as ideias, a cabeça,
e ele não rebenta!

porque saltou sessenta vezes a mulher do ministro
e ela ficou sedenta!
e a rádio não comenta!

porque a morte já não está em causa
nem se lamenta!
e a vida mal se aguenta!!

porque a história da Humanidade
não se emenda!

porque o HOMEM QUE O PERSEGUE é pata negra
que se senta para escrever esta blogue de sebenta,
e um homem destes, não se inventa!!!

Escrevo, a conversa das palavras
despindo e amando a Noite
no quarto onde se veste a Madrugada...

Escrevo, o silêncio das ideias
passeando e sorrindo a Natureza
nos bosques em que se esconde a Primavera...

Escrevi ainda, muitas coisas mais,
menos noventa e nove vírgula nove por cento
das coisas que gostaria de escrever...

A minha dor, são as tuas feridas...
O meu sangue, é mar que se ergue e não desce mais....
Eu sou o homem que me persegue,
O caos e o cais de tantas idas,
O bom dos bons, o mau dos maus...


terça-feira, 29 de setembro de 2009

This is the end

Venho comunicar-vos o fim deste reino em consequência do desaparecimento do monarca D.Pata Negra. Foi tudo muito rápido:
O autor - Face a estes resultados eleitorais só vejo uma solução: fazer a revolução de porta a porta!...
Pata Negra - Assim, à maneira das Testemunhas de Jeová?!...
Revólver do autor - PUM! PUM!...
O corpo fica em brasa ardente até que os servidores do blogger o ousem decompor.
O autor

- Vou andar por aí!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Leitão à sexta

Imagem tirada daqui

Sou obra dum autor, sou uma personagem, por isso, inimputável, ninguém me pode fazer réu, ninguém me pode demandar a coroa. Sou rei.
É difícil separar a realidade do autor da realidade do rei, quanto mais não seja porque um rei é sempre real. As pessoas que constroem personagens têm sempre uma personagem que é mais a sua mas não será por isso que possamos concluir que o Eça defendia o incesto, que o Saramago vota em branco ou que o Garcia Marquez era casado com uma índia.

Não posso votar, porque sou ficcionado, nem sequer posso revelar as opções políticas do meu autor porque esse é um assunto no qual não nos entendemos: ele é republicano e eu monarca, ele é da espécie humana e eu suína, ele é pela revolução e eu pela porcaria!...
Ele queria que o blogue descambasse para a política e eu não deixei; ele queria influenciar a corte e a plebe para que votassem num determinado sentido e eu não permiti; ele queria que eu votasse mas eu não voto, néscio como ele é, demorou tempo a perceber que o nome Pata Negra não constava nos cadernos eleitorais. Estou farto dele! Há por aí alguém que me queira adoptar?!
Eu estou disposto a ser personagem de qualquer um, o tipo irrita-me e está sempre a ameaçar que acaba comigo com um poste final na cabeça!
- Ou tu te calas, ou para a semana não há leitão à sexta! Amanhã eu e o meu país inteiro vamos reflectir! Se o resultado eleitoral de Domingo não me agradar, o Rei dos Leittões vai ser comido!
- E o que virá depois?!
- Um outro rei, mais porco do que este, mais javardo, mais pocilguento! Estou farto de ser manso!
Quando o autor interfere directamente na ficção, a descoberto da sua personagem identitária, o caldo está entornado. Votem! Votem! Votem aos milhares na revolução! Votem como ele quer antes que haja um regícidio!
O tipo está cansado da campanha, só lhe sai disto! Peço-vos perdão em meu nome e no seu!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PS: Nunca mais!

Depois deste governo
NÃO ACREDITO que exista um único funcionário público que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único militar ou polícia que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um médico ou enfermeiro que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único professor que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único operário que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único reformado que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único utente do Serviço de Saúde que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que outros humilhados e ofendidos vão votar PS.

Na boca dos que nos governam e dirigem toda esta gente é culpada do estado em que o país está e não aqueles que os dirigem e governam. Os que nos governam e dirigem e os seus lacaios, a corja xuxalista, irá votar PS!
Na boca da direita liberal e conservadora toda esta gente está ofendida porque lhe tocaram as mordomias e os interesses corporativos e, por isso, este governo era necessário. Estes, que antes se identificavam com a direita tradicional, aderiram à nova direita xuxalista, irão votar PS!

O peso destas partes definirá o peso eleitoral do PS, o resto são sondagens e sondagens valem a quem valem.
E, se numa manhã de dia de eleições, este povo acordar disposto a mandar as sondagens às urtigas e, decididamente, decidir votar diferente?! Então é que vão ser elas!
Que seja já para a próxima! É que eu não acredito que funcionários, operários, militares, médicos, professores, operários, reformados, doentes, trabalhadores vão votar PS! Terão apenas os votos da corja, de alguns saudosistas de direita e daqueles que vivem melhor que há quatro anos!

NÃO ACREDITO QUE ALGUM AMIGO DESTE BLOG VÁ VOTAR PS
Eu sei que já começa a ser demais. Acontece que não tenho disponibilidade para mais. Mais uma vez recorri um post antigo, de há um ano atrás, estará actual?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Por minha culpa, minha tão grande culpa

... e peço ao virgem eleitor e aos incidentes e reencidentes, e a vós companheiros que não voteis neles, mas votai, amen! - Pois pá! A culpa é da oposição, dos sindicatos, das associações!
- Pois pá! A culpa é dos empresários, dos funcionários, dos advogados, dos juízes, dos polícias, dos professores, dos padres, dos jovens, dos velhos, das mulheres, dos pretos, das putas, eu sei lá!...
- E tu pá?!
- Eu nem sequer voto pá!
- Pois é pá, és um canário, os canários também não votam pá! São muito bonitos, cantam, vivem na gaiola, mas não votam pá!
- Não me venhas com políticas pá!

E no final eles voltarão a cantar aquela canção:
- Os portugueses escolheram-nos!
E, afinal, foram apenas eles que se escolheram a si próprios!

E, lá vai ficar tudo na mesma pá! Com os mesmos de sempre que nunca mudam nada pá! Das duas uma, ou tu não queres ou tu tens medo que as coisas mudem pá! Como queres tu ter uma palavra a dizer se nem sequer um sinal de cruz és capaz de escrever pá?! Vota pá!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Leitão à sexta

A Miluzinha, compreendendo as minhas brancas e a real necessidade de haver Leitão à Sexta, largou-me um comentário de socorro há 8 dias. Pode já ser conhecida a história mas, como repararão, este blogue pretende converter-se numa grande base de dados de tudo o que é porcino.
O orgasmo de um porco dura 30 minutos.
(Na minha próxima vida, quero ser um porco!)
Uma barata pode sobreviver 9 dias sem sua cabeça até morrer de fome.
(Ainda não consegui esquecer o porco)
O louva-deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo. A fêmea inicia o acto sexual arrancando-lhe a cabeça.
(”Querida, cheguei! O que é is…..”)
A pulga pode pular até 350 vezes o comprimento do próprio corpo. É como se um homem pulasse a distância de um campo de futebol.
(Trinta minutos…que porco sortudo! Dá pra imaginar?)
O bagre tem mais de 27 000 papilas gustativas.
(O que é que pode haver de tão saboroso no fundo de um rio?)
Alguns leões acasalam-se até 50 vezes num dia.
(Ainda prefiro ser um porco na minha próxima vida…qualidade é melhor que quantidade!)
As borboletas sentem o gosto com os pés.
(Isso eu sempre quis saber)
O músculo mais forte do corpo é a língua.
(Hmmmmmmmm…)
Pessoas destras vivem em média 9 anos mais do que as canhotas.
(E se a pessoa for ambidestra?)
Elefantes são os únicos animais que não conseguem pular.
(E é melhor que seja assim!)
A urina dos gatos brilha quando exposta à luz negra.
(E alguém foi pago para descobrir isso?!)
O olho de um avestruz é maior do que o seu cérebro.
(Conheço gente assim)
Estrelas-do-mar não têm cérebros.
(Conheço gente assim também)
Ursos polares são canhotos.
(Se eles começarem a usar o outro lado, viverão mais)
Seres humanos e golfinhos são as únicas espécies que fazem sexo por prazer.
(E aquele porco???)

Que diabo de ideia tem na cabeça o jardineiro que lhe dá para isto?!

- E Paula Rego?!