sábado, 30 de janeiro de 2010

E o porco sou eu?!

Conheço-o de vista mas não falo com ele. Sei que é um traste que não olha a meios para conseguir os seus fins. Ontem, cruzou-se comigo num local público. Começou "Ah! Ah! Ah!" e rematou com um "Atchin!".
Espirrou-me para cima e não pediu desculpa. Terá sido de propósito? Será só mal educado? Como é que devemos reagir quando nos espirram para cima e ainda por cima não nos pedem desculpa?  Ainda que tenhamos ficado com a cara coberta de gafanhotos e manchado o colarinho que tanto dinheiro nos custou,acabamos por não reagir.

A gripe dos porcos foi um espirro gigante do monstro porco capitalista! Sabíamos que era capaz de tudo! Já tinha ensaiado as cuspidelas da gripe das aves e das vacas loucas! Para o monstro porco capitalista não passam de actividades de lazer, rentáveis números de circo: compram-se os melhores laboratórios no fabrico de vírus e anti-vírus, uma poderosa agência de informação que arraste todas as outras atrás de si e depois é só colocar as televisões e uns meio-peritos a debitar cenários. Não chega a ser necessário que o vírus se espalhe mas apenas a sua notícia. Gastou-se dinheiro?! Que importa?! Criou-se riqueza!
O pior é se isto um dia se torna na história do rapaz e do lobo.

Quem sou eu para falar sobre isto?! Ninguém?! Da...a! É a gripe do porcos e eu sou o Rei dos Leittões!
A paranóia afectou tragicamente este blogue, das centenas passei para as dezenas de visitas diárias! Isto apesar de eu ter garantido que blogaria de máscara!
Imagem vista no Fliscorno e no Cantigueiro

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A caminho de Belém



Doze valorosos apoios de personalidades blogosféricas já manifestaram, aqui, o seu apoio. Lembro que foi assim que começou o cristianismo.

Numa democracia plena qualquer cidadão poderia, por inerência, ser eleito para a presidência da república sem necessitar de formalizar qualquer candidatura. Por cá, essa possibilidade está aberta apenas a personalidades apoiadas, directamente ou indirectamente, por partidos ou que, no mínimo, possuam conhecimentos e influências que lhes facultem o acesso aos meios que fazem o poder.

Conclusão, embora muitos cidadãos comuns já tenham manifestado pública intenção de se apresentarem como candidatos, nunca conseguiram concretizar o seu direito a tal. Ainda que alguns destes tenham conseguido vencer a praxadela das 7500 assinaturas, entregue o processo, existiu sempre um procedimento incorrecto ou faltou um papel que o reprovou.

Sendo assim, e porque não parecem inocentes as exigências que negam o espírito constitucional, nós que não gostamos de papas nem de bolos, temos um dever de nos mobilizar para provocar o sistema apresentando uma candidatura monárquica à república. (Ajudem-me porra!)

Nota: para os que acham que ainda é cedo para começar lembro que, com muitos mais apoios, Amin Niguen Mecala já iniciou a sua campanha e que eu, que não possuo cavalos, se quero chegar à meta em primeiro não devo esperar mais.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

7- Será que tem de ter título?

Ligue a música enquanto lê. Para a semana a história continua.


A casa de Cipriano tornara-se uma casa de espectáculos. Ele próprio tinha máquinas de filmar e projectar fita “super 8” e proporcionava sessões de cinema documentando a sua vida em Paris, a cópia do King Kong e mais duas ou três fitas mais do que repetidas. Com esse mesmo espírito começou a ceder o espaço a um indivíduo que semanalmente ali vinha projectar dois filmes - um de Kung Fu e outro pornográfico - e que num certo dia trouxe com ele, a roulote, a mulher, o cunhado e uma prima para darem um espectáculo de circo.

E assim foi, com o salão com a malta do costume e mais alguma, sentei-me, entre amigos, na segunda ou terceira fila. Tudo a fazer lembrar os antigos saltimbancos que vinham à aldeia e nem o número de contorcionismo faltou:

Uma moça magra, de biquini com brilhantes, dobra-se e desdobra-se em cima de uma tapeçaria, entrelaça os membros, anda com as mãos como se fossem pés, desfaz-se num corpo disforme sem, no entanto, perder a sensualidade. O projector acrescenta-lhe luz mas cria sombras que não deixam avivar as feições que se foram com o tempo e com a memória.

- Quase de certeza que é Teresinha! Agora ela está com as costas totalmente dobradas para trás e o rosto aparece, de frente para o público, junto ao tapete e invertido entre as pernas flectidas. Nestas condições é difícil concluir com segurança se será a Teresinha e, por outro lado, se for ela, nunca me reconhecerá na penumbra da plateia. Além disso, neste preciso momento, na posição em que está, vê tudo ao contário. Já sei! Acendo um cigarro e mantenho o isqueiro alguns instantes de modo a chamar a atenção e a iluminar-me a cara. Vá lá! Olha! Repara aqui no do isqueiro!... Resultou?! Sinto quatro olhos a tocarem-se! Sinto a certeza de que é ela mas tenho dúvidas que me tenha reconhecido. Se tal acontecesse teria mudado o ritmo do número e teria existido um sorriso dedicado.

Chegado o momento bati palmas de pé, ela saiu pela porta do fundo e foi para a roulote. No fim da noite desabafo com Cipriano e conto-lhe o primeiro e o segundo capítulo desta história . No dia seguinte ele irá averiguar o nome verdadeiro da artista e

sábado, 23 de janeiro de 2010

Três tristes questões


- Um homem sério é aquele que não engana ninguém. Será Pinto da Costa um homem sério?
- A justiça é igual para todos. Será possível aparecerem no youtube as escutas a Sócrates?
- Um árbitro é um juiz. Serão os juízes árbitros?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A caminho de Belém



Fiquei tremendamente surpreendido pelo anúncio da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, fiquei igualmente surpreendido pelo pronto apoio do Bloco de Esquerda, mastiguei durante os últimos dias estas surpresas e tomei uma decisão que nesta hora concretizo:
ANUNCIO, INFORMALMENTE, A MINHA CANDIDATURA ÀS PRÓXIMAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS.

Acompanhe neste blogue os desenvolvimentos desta surpreendente candidatura..


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

6- Não estou preocupado com o título

Esta é uma história de músicos. A música faz parte da história. Mais vale ler sem óculos do que sem a música ligada. Esta história já vem de há semanas e para a semana continuará a ficção se o autor for real.


Estou preocupado porque receio não poder descrever a história sem descrever primeiro as personagens o que, na minha humilde pena, não é pêra doce de se dar e pode-me até sair cara se afugentar os fregueses da fruta que aqui se vende. Porém, Cipriano merece mais do que ser conhecido de vista. Cipriano tinha uma biblioteca só com um livro e a esse livro recorrentemente recorria para fazer prova do seu saber:

- Não acreditas que é verdade?! Eu vou já buscar-te o livro!

Para tudo o livro de São Cipriano tinha uma receita, o que explica, portanto, que “Cipriano” fosse alcunha. Cipriano tinha sido baixo nos Quentes seniores mas connosco só dava um “coup de main” por falha do músico ou se bebesse, o que acontecia duas ou três vezes por ano, podia subir ao palco para cantar o seu interminável blues com letra em português, francês e inglês, tudo à mistura, e fazer uns números de acrobacia que abriam a boca ao público.

Numa dessas ocasiões, Cipriano levara os seus dotes circenses demasiado longe, já tinha passeado pelo palco com as mãos no chão e com os pés à volta do pescoço, já tinha feito de anão dobrando as pernas pelo joelho com os pés junto ao traseiro, já rodara o microfone pelo cabo à moda de rancheiro do velho oeste, já o blues levava mais de meia hora e dá-lhe para andar pendurado na estrutura de suporte do telhado do recinto até se acomodar, escarrapachado, dois metros acima do público que o admirava de cabeça virada para o ar:

“Eu sou um velho maltês/ Casa para mim nunca se fez/Já não tenho sola nos sapatos/Passo as noites duas e três/Embrulhado numa manta de farrapos….”

E eis senão quando, ao tentar um mortal de regresso ao solo, fica espalhado sobre a mesa misturadora. De imediato ergue-se entre aplausos e dá ordem à banda para continuar.

No final de tão brilhante actuação a organização do baile recusou-se a pagar-nos o contrato alegando que não tínhamos tocado nada de jeito e quem teve de conduzir a J7 no regresso foi o menor Nini.

No dia seguinte a minha mãe interrogou-me acerca dos acontecimentos já que soubera que Cipriano, durante a manhã, fora transportado de ambulância para o hospital.

Vem esta história a propósito da arte de Cipriano e do seu gosto pelo circo e pelo espectáculo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pense no Haiti



Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Caetano Veloso

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dáme pica

- Que erro! "Dáme" sem traço!!
Pois prefiro não saber escrever "dá-me" do que utilizar a expressão, muito em voga, "dá-me pica". Eu até tolero que apareçam, de vez enquando, novas expressões ou que certos termos façam moda e sejam utilizados até fartar. Lembro-me do tempo em que o recurso insistente a certos advérbios de modo, que nada acrescentavam ao assunto, ser utilizado para disfarçar o discurso pobre de oradores mal aculturados.
Em tempos cheguei a recorrer ao "ó meu", ao "bué" e, uma dúzia de vezes já corri ao "paradigmático! Nunca embalei no "por tudo e por nada" começar as frases por "é assim" mas, acho graça que todas as rapariguinhas de balcão, comecem assim as suas explicações.
Agora o "dá-me pica" é que não! Para mim será sempre uma expressão brejeira porque "pica", não sendo do verbo picar será sempre palavrão e se fôr de seringa sugerir-me-á dor e não prazer!
Claro que uma mulher ou um gay poderão sempre dizer "dá-me pica" mas aí reside a razão porque não o poderei dizer ou, quando muito, palavrão por palavrão, diria "dá-me tesão". Mas, como tudo me dá tesão, o melhor é não andar sempre a repetir a mesma coisa e continuar a tentar falar português decente.
"Dá-me pica", não.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

5- Terei de arranjar título

Ouvir a música, enquanto se lê, ajuda a entrar no ambiente da história. Depois do 4, do 3, do 2 e do 1, este é o 5. Como se vê, ainda sei contar a quantas ando.


Cipriano investiu todo o dinheiro que trouxe de França. Além do bar, da sala de petiscos e do salão, fez também uma piscina, uma pista de motocross, uma loja de instrumentos musicais, uma pequena empresa de construção civil, pintura e decoração. Na designação actual chamar-se-ia o “Grupo Cipriano”.

Os putos dos Quentes, em cuja formação base eu, com 16 anos, era o mais velho, começaram a ter sucesso e contratos para todos os sábados e domingos. Fazíamos quilómetros e viajávamos horas na Peugeot J7 de matrícula francesa. Cipriano não legalizava a carrinha e mantinha a banda registada em França para poder atravessar a fronteira com a J7 carregada de aparelhagens sem pagar direitos alfandegários – era o conjunto que vinha actuar a Portugal. Esta actividade de contrabando permitia-nos estar sempre a tocar com bons equipamentos e das melhores marcas, que eram aquelas que proporcionavam melhores negócios e que, simultaneamente, nos davam algum prestígio. Durante as longas viagens que fazíamos o nosso empresário ditava recomendações de maestro e outras instruções:
- Se a polícia nos mandar parar “nós vivemos em Neuilly Plaisance – Champinhy e viemos actuar a Portugal!...”
E assim aconteceu. Durante a inspecção da autoridade, Cipriano e o filho Nini não pararam de falar francês. Os restantes passageiros, limitados ao português, fizeram o melhor e mantiveram-se calados. Num remate de desconfiança, e dando prova de arranhar francês, o polícia dirigiu-se ao Tarolas:
- Comment tu t’appelles?!
- Neuilly Plaisance.
- Tu as bu quelque chose?
 - Champinhy.
O Tarolas foi brilhante, o polícia mandou-nos seguir e lá continuámos “sur la route” a tocar e a cantar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Olha o passarinho!!!

Afectado pela paragem do tempo e pelos tempos que correm recorro à anedota:


Motociclista a 140 Km/h numa estrada. De repente deu de encontro com um passarinho, não conseguiu esquivar-se e 'poof'.
Pelo retrovisor, ainda viu o bicho dando várias piruetas no asfalto até ficar estendido. Não contendo o remorso ecológico, parou a moto e voltou para socorrer a vítima.
O passarinho estava lá, inconsciente, quase morto.
Era tal a angústia do motociclista que recolheu a pequena ave, levou-a ao veterinário, foi tratada e medicada, comprou uma gaiola e levou-a para casa, tendo o cuidado de deixar um pouco de pão e de água para o acidentado..

No dia seguinte, o passarinho recupera a consciência. Ao despertar, vendo-se PRESO, cercado por GRADES, com um pedaço de pão e a vasilha de água no canto, o bicho põe as asas na cabeça e grita:
- Puta que pariu, matei o motoqueiro!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

No dia em que o Rei faz anos

Hoje, Dia de Reis, o Rei está triste, há quatro anos que anda a dizer as mesmas coisas e não passa da cepa torta!


É preciso lembrar a malta que eu faço anos?! Deêm-me ao menos os parabens! Fica sempre bem!

Vou ficar por aqui. O ano passado é que foi uma festa de bolotas, até recebi prendas:


Foi a prenda do Fliscorno



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

4- Porque é que há-de ter título?


A música é  ingrediente necessário à história. É bom ouvi-la enquanto se lê.
Se é o 4 é porque já houve o 3, o 2o 1 e haverá 5 se existir tempo real.

O Salão do Cipriano alterou a vida de muita gente e particularmente a dos que, como eu, eram músicos dos Quentes.

Aí ensaiávamos de porta aberta para os clientes do café e, se houvesse instrumento livre, qualquer um podia participar ou praticar. Nos fins-de-semana em que não havia contrato para fora, haveria ali baile até às tantas. Os mais chegados à casa participavam como porteiros, baristas, técnicos de luzes e, algum que desse uns toques, podia dar uma folga a um músico que precisasse de dar uma volta.

Cipriano ocupava a juventude na serventia aos seus sete ofícios e, por vezes, cedia-nos por completo a gestão das noites do seu “bataclan” reclamando para si apenas a exploração do bar.

Foi neste contexto que descobrimos e decidimos realizar o que só ao diabo lembraria: Um Baile de Noite de Natal. O sucesso e o dinheiro em caixa foram de tal ordem que repetimos o evento alguns anos. O sucesso advinha do facto de sermos os únicos da região suficientemente doidos para escrever num cartaz:

“Passa a Noite de Natal connosco, somos todos uma família”

Afinal muita gente não saía de casa porque não tinha para onde ir; afinal quem vive o Natal todos os dias não precisa nada do dia de Natal e quem só o vive no Dia de Natal, só por um dia, mais valia estar quieto; afinal os nossos pais não nos reprovavam porque queriam era que nós ganhássemos dinheiro para umas calças de ganga mas, e apenas no primeiro ano, impuseram uma salvaguarda:

- Tens de ir à Missa no Dia de Natal dar um beijo ao Menino Jesus!

Porque o baile acabara pelas cinco da madrugada, porque no fim da festa o salão teria de ser limpo e arrumado, porque era no dia que se faziam as contas, porque haveria ainda lugar para uma cerveja de conversa, fizemos directa e fizemos a pé os três quilómetros até à Igreja tendo sido dos primeiros a chegar depois do sacristão. Sentámo-nos no banco dos fundos. A nossa longa noite revelava-se nas nossas roupas, nos nossos cabelos, nos nossos olhos, e nos olhares cruzados. Sentámo-nos no banco dos réus.

O Natal daquela Igreja já não era o nosso. O padre dava apenas aos lábios, nos nossos ouvidos ecoava a potência das músicas da longa noite com outros santos … talvez Santana...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Prognósticos leba-os o Bento

Bento XVI aconselhou os católicos a «não se fiarem em improváveis prognósticos...».



Sei mais do que o Papa. Em 2010
vai fechar uma empresa e mais de 100 trabalhadores irão para o desemprego,
um ministro vai ser acusado de corrupção mas o processo vai ser arquivado por falta de provas,
uma criança vai ser retirada dos pais adoptivos e entregue à mãe biológica,
um padre católico vai ser acusado de pedofilia,
um conhecido homossexual vai animar um programa de entretenimento na TV,
um jogador de futebol vai ver-se envolvido num escândalo com putas,
o primeiro ministro vai fazer uma comunicação ao país reafirmando a sua inocência,
o presidente da república vai dizer numa entrevista que está muito preocupado,
o Belmiro de Azevedo vai lançar uma campanha de solidariedade,
um dos maiores clubes nacionais de futebol vai ganhar o campeonato,
um jornal noticiará em primeira página o vencimento do Ronaldo,
no Verão existirá um grande incêndio florestal que acabará por ser extinto,
um estudo revelará que os portugueses têm dias de descanso a mais,
os combustíveis vão aumentar e o preço do crude vai descer,
o PSD vai ter uma crise de liderança,
Manuel Alegre anunciará a sua candidatura à presidência da república com o apoio do PS,
vai ser preso o principal cabecilha da ETA,
vai ser feita a maior apreensão de droga em território nacional,
Maria de Lurdes Rodrigues vai ser entrevistada por Judite de Sousa,
o Prós e Contras vai ter um programa dedicado à crise,
um ex-ministro das finanças vai dizer que é preciso diminuir a despesa e aumentar a receita,
um camião cisterna vai incendiar-se na auto-estrada,
um bloguer vai ser processado por ter feito referência a uma relação de Fernanda Câncio,
o governo cairá de podre e sócrates voltará a ganhar as eleições,
o papa virá a Fátima e apelará à paz e à oração,
vai-me avariar uma torneira e um estore em casa,
um colega de trabalho chamar-me-á incompetente,
o meu património irá de mal a pior,
vai existir uma noite em que beberei um copo a mais,
a minha companheira vai dizer todos os dias que sou sempre o mesmo,
será anunciado o fim deste blogue mas passadas três semanas recomeçará


sábado, 2 de janeiro de 2010

CASO BPN: ESCÂNDALO E IMPUNIDADE




A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal !!!

O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.

Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS…..) poderíamos:
Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).
Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.
Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.
Construir 5 pontes para travessia do Tejo.
Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.

Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4850 carrinhas de transporte de valores!
Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.
Distribuído pelos 10 milhões de portugueses, caberia a cada um cerca de 971 € !!!

E que tamanho deveria ter a prisão para albergar esta gente?!
recebido por e-mail

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bom


Video gentilmente indicado pela amiga Maria.
Desta forma me despeço do sucesso deste ano. Bom revirão e bom ano bão para todo o Reino

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

3- Não encontro título

Não se sabe o que teria acontecido e também ninguém se preocupou em investigar mas a malta do circo nunca mais apareceu por aquelas bandas e a aldeia só voltou a ter serões de animação, uma década depois, quando Cipriano olhou para ela.

Cipriano, como muitos da sua geração, encontrou na França dos anos sessenta o caminho para se fazer a uma vida que, dificilmente, realizaria em Portugal. Por lá se fez músico e criou, com outros emigrantes, um grupo musical que se viria a tornar conhecido entre a comunidade portuguesa de Paris.

Já não vinha a Portugal há cerca de 10 anos quando, no Verão de 76, vem, com a sua banda, actuar em algumas festas da região. A “digressão” foi uma revelação. Música portuguesa, brasileira – Eh meu amigo Charlie!- anglo-saxónica e francesa, compunham um repertório que, facilmente, fez sucesso entre residentes e emigrantes. No ano seguinte voltaram e repetiu-se a receptividade.

Os tempos de esperança que então se viviam e o clima de entusiasmo que se criou à volta da banda de Cipriano levaram-no a decidir regressar definitivamente à sua terra com a sua família: reúne os melhores músicos das redondezas e dá uma nova formação ao seu conjunto, transforma a sua casa num salão de festas, revela a sua faceta de homem de sete ofícios, reclama melhores condições para a sua Terrinha, ajuda tudo e todos, vive rodeado de amigos, é um homem imparável.

É nesta altura que sou convidado para fazer parte do “conjunto dos putos” – assim era conhecida a segunda formação que assegurava os intervalos das actuações do grupo adulto e que tinha como atracção principal as qualidades musicais do seu filho Nini, de 12 anos. Não tardou que tomássemos o lugar da banda sénior. Seguiram-se os sete anos – com quase mil actuações anotadas na agenda que ainda guardo - em que privei de perto com o Cipriano, na sua vida familiar, em longas viagens, em arraiais, casamentos, bailaricos, palcos, trabalhos e sarilhos.

A sua casa foi, durante esse tempo, um autêntico centro recreativo e cultural, frequentado por velhos e novos, por forasteiros de ocasião e malta assídua, por músicos e curiosos de toda a espécie. A casa era de todos, o bar estava aberto até haver assunto, todos podiam tocar bateria, viola ou cantar, havia sempre música ao vivo, podia haver cinema, aos sábados dançava-se, falava-se de tudo e, às vezes, também havia porrada.

Espero que esta história caminhe por esses sete anos.


Os leitores já foram avisados que devem ouvir a música enquanto leêm, faz parte da história. Esta história já vem de trás e continuará para a semana se houver real vontade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

2- Continua sem título

Chegavam numa ou duas carrinhas de guarda lamas a bater, punham as cornetas a tocar o “obládi obládá”, abriam dois buracos na terra batida, espetavam dois paus na vertical, ligavam ambos na ponta por uma corda esticada e abancavam arraiais. Era uma família e meia das margens dum circo maior e faziam os números de atravessar a corda em equilíbrio, do equilíbrio em três rolos de madeira, do bota fogo pela boca, do atira facas para a mulher no disco a rodar, do pomba na manga, dum cão com um macaco e, claro, dos palhaços.
Mas a novidade deste ano que a aldeia, que se reuniu por dois serões com moedas no bolso e palmas para dar, mais apreciou foi a da menina que já veio artista da barriga da mãe. A Teresinha, magrinha, de biquini com brilhantes, dobrava-se e desdobrava-se em cima de uma mesa, entrelaçava os membros, andava com as mãos como se fossem pés, desfazia-se num corpo disforme sem, no entanto, perder a forma graciosa de um obra das mãos da Natureza.
Não sei de que dimensão do fantástico poderia vir a ideia de fazer um número de circo com grilos. A menina nomeou-me parceiro: haveríamos de conseguir pôr vários grilos a grigar em sequência de modo a conseguir alguma melodia. Enfim, éramos crianças!
Dois dias de treinos e havia sempre o grilo de uma nota que morria. Valeu-nos a brincadeira pela amizade que encetámos e o rótulo que nos colaram os adultos, de sermos namorados, sem que a inocência nos desse para percebermos porquê.
Os saltimbancos não recolhiam apenas as moedas que lhes caíam nos chapéus, a vida familiar da aldeia fazia-os da família e, nos dias em que por ali conviviam, não lhes faltavam couves, tomates, batatas e até, uns nacos de toucinho.
Dessa proximidade, que o meu pai tanto cultivava com o patriarca saltimbanco, num fim de tarde de taberna, teria surgido a ideia peregrina de eu ir com a “malta do trapézio” ao Sítio. Seria a próxima paragem dos nómadas; seria a oportunidade do Mar, que nunca me tinha visto, me poder ver; seria uma maneira de me fazer crescer; daria sempre jeito, ainda que pouco destro, para dar assistência a um número; poderia dar um palhaço e, quem sabe, se o número dos grilos não poderia ser mais do que um sonho de crianças e pudesse vir a unir o futuro do par tão engraçado.

Não sei como o assunto caiu na mesa a céu aberto e iluminada com o pitromax mas lá em casa foi de toda a gente ficar de boca aberta:
- Ó homem, isso foi tempo de taberna a mais!?
- Eles da Nazaré vêm para Leiria e logo o devolvem na carreira do Arlindo!
- E já perguntaste ao menino se ele quer ir?!
Não fui! A minha mãe não era mulher de me deixar ir em aventuras! Além disso: e se eu fizesse chichi na cama!?


Este filme é para ouvir durante a leitura. Esta história começou a semana passada e para a semana, se tiver real disposição, escreverei outro capítulo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sinais da província

Na mesa do restaurante disse-se "anti-socrátes": da mesa ao lado sentiram-se olhares de condenação: um sinal de que um novo regime se está a implantar por todo o país: já não se pode discutir filosofia à mesa!