quarta-feira, 31 de março de 2010

16 - Os meus ténis Sanjo

- Olha, tenho ali no carro as fotografias! - Desculpa, não me lembro de ti! Quais fotografias!?
- Tu não és o organista que tocas descalço?!
O interlocutor era, pelo todo, filho de emigrantes que viera ao novo Agosto e que se abeirara da minha mesa de café pela hospitalidade que ela sempre emanava. Circunspectos ficaram também os meus companheiros de rodada, pela humildade do desconhecido que mandara vir mais uma, pela história do “eu descalçadinho” e, ainda mais, pela prova fotográfica que, depois de volta e meia à rua e ao carro, o fã ali trouxe. Passaram de mão e mão as fotos, provocando gargalhadas, o “olha aqui!”, o “lembras-te desta?”, o “que é feito desta?”, olha a Gibson! Porque diabo trocaram vocês a Gibson pela Fender e porque diabo estavas tu a tocar descalço?!

Tinha acontecido só naquele dia. Eu calçava os meus ténis brancos “sanjo” de verão, sujos e rotos, não sei se por desleixo, penúria, estilo, marca, mania ou ideologia – talvez fosse por estas coisas todas juntas! Eu tocava sentado e entretido e, na boca do palco, vieram sentar-se umas miúdas que trocavam os olhares entre o baile, entre si e para mim. Os meus pés, que eu não via porque estavam sob os teclados, estavam a escassos centímetros dos rabos das moças. Eram, de certeza, de Lisboa e andavam por ali a passar as férias grandes, bem vestidas, asseadas, divertidas, dentes brancos de sorrisos de fazer estremecer qualquer artista de província que arranhasse rhythm and blues e rock'n'roll. Eu não tinha vergonha, muito pelo contrário, sentia até orgulho dos meus ténis mas, naquele momento, senti-me traído por eles, eles não estavam à altura do que a coisa prometia. O fim-de-série era sempre ao fim de três ou quatro músicas, para a banda descansar, o bar trabalhar e a malta trocar as necessárias palavras. Fui atrás das colunas e descalcei-me. Actuei e andei o resto da noite descalço, fiquei nas fotos da noite descalço, as miúdas não conheceram os meus ténis sanjo mas também não me recordo de terem sido seduzidas pelos meus pés descalços. Mas também não são as meninas de Lisboa que vem aqui à história, a história pretende apenas revelar que estivemos muito perto do sucesso: um desconhecido, fotografias, a marca descalço…

Entrei em caminhos perigosos / a ficção começou a confundir-se com a realidade / entrei em caminhos perigosos / os velhos amigos e amigas que cruzam esta história não me deram autorização para tanto / estão demasiado perto de mim para que os dispa / estão demasiado perto de mim para que lhes vista outra roupa / receio que a história tenha falido / por minha culpa, minha tão grande culpa / deixo ainda um vídeo do princípio - de quando ainda não recebíamos um chavo / depois logo se vê / não gosto de deixar as coisas a meio mas nem por isso deixo de apreciar as capelas imperfeitas do mosteiro da Batalha sobretudo pelo facto de elas nunca terem sido concluídas / este blogue há-de um dia encontrar um rumo... e se não encontrar, que se lixe!

domingo, 28 de março de 2010

Educação burguesa

- Vá, mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa! Filhos da puta do caralho de progressistas da revolução que vos foda a todos!
(José Mário Branco - FMI)

sábado, 27 de março de 2010

Sócrates sucederá a Sócrates

Os quadros partidários dos países europeus são muito semelhantes. Portugal tem a particularidade dos dois maiores partidos ocuparem o mesmo espaço político, já só os militantes de ambos não o reconhecem e, aos mesmos, custa reconhecer que foi o PS que roubou o espaço ao PSD e não o contrário.
Nesta circunstância os eleitores que tomam as suas decisões de voto, não em função da representação parlamentar mas na expressão redutora de votar em quem tem sondagens de ganhar e constituir governo, estão condenados a escolher, até que isto rebente, mais do mesmo.
Neste quadro, os militantes do PSD, escolheram bem: a melhor maneira de combater Sócrates é com outro Sócrates. Se, para muitos, em Sócrates a esperança é nada, em Passos Coelho é coisa nenhuma!
Este povo parece estar determinado a continuar assim, tal qual se resignou a tolerar ,durante quase cinquenta anos, Salazar! Se se não pode emigra-se!
Estes rapazes são produto das jotas esse ou esse dê, aliás, ambos foram iniciados em esse dê! Continuemos pois, cabisbaixos e sem esperança! Oh "people"! Há mais políticos para além do PS/D!

sexta-feira, 26 de março de 2010

A caminho de Belém

Qualquer um se pode candidatar e as 7500 assinaturas são para impedir que se possa candidatar qualquer um.



Por acaso, entregues as assinaturas, alguém as vai ler, averiguar a sua autenticidade? O que fazem às resmas de papel? E porquê 7500 e não 750 ou 75000?

Não nos submeteremos às regras que o sistema impõe para nos excluir. Esta candidatura, porque é anti-burocrática, porque é amiga do ambiente e porque é tecnologicamente avançada, recorrerá a uma petição on-line apenas como forma de avaliar os seus apoios e exige de si própria apenas os subscritores que conseguir.
Se os tubarões da democracia se recusarem a inclui-la nos boletins de voto temos uma solução simples: acrescentaremos o nosso candidato e a sua quadrícula de forma manuscrita
Quero ver se terão a coragem de ignorar e considerar nulos milhões de boletins de voto que expressem a mesma escolha:
Pata Negra X

quarta-feira, 24 de março de 2010

Denúncia no Parlamento

Se em nome da segurança temos de ter vigilância electrónica então, em nome da verdade, acabe-se com o segredo de justiça.
Quando uma Assembleia fala noutra língua há grandes probabilidades de estarmos em Portugal.

segunda-feira, 22 de março de 2010

15 - 7 anos numa J7

E porque a história singular pifou por ordens várias que cada um concluirá, cumprir-se-á a história da banda com histórias no plural e não foram poucas as que ao longo de sete anos se cumpriram. O grupo não se consumava no palco, o grupo vivia muitas outras horas agrupado e, entre essas horas, foram muitas as que se cumpriram em sete anos a viajar na J7. Na J7, ao longo de sete anos os ora quatro, ora cinco, ora seis, ora sete, ora mais elementos, cansados, ensonados, sujos, mal acomodados, cumpriam uma ou mais histórias em cada viagem de ida ou volta.

– Porra! Ainda dizem que Portugal é pequeno! Fui à vila e estava a ver que nunca mais lá chegava!

Dissera uma mulher lá da terra, nos tempos em que se passava uma vida sem quase sair da aldeia onde se nasceu, quando se viu obrigada a deslocar-se à comarca que distava 17 km. Esta expressão era frequentemente repetida para o riso nos aliviar a saturação das viagens de horas que, muitas vezes, acabavam com o nascer do sol.

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas.

Também o ambiente de certos salões, garagens, barracões, era pesado. Num fim de série era um alívio vir à rua tomar ar fresco, fumar ou mandar uma mijada. Quando os porteiros não identificavam o artista discreto e impediam a reentrada, era um gozo ficar à porta à espera que o problema fosse resolvido para que o baile recomeçasse.

Nas imediações do recinto há sempre um sítio escuro propício à prática de certos actos. Entre sombras e clareiras procura-se o local com melhores condições para realizar vontades. Uma imensa vontade, uma aflição de expelir massas acumuladas e, um cinto desapertada à pressa, um baixar as calças e, de cócoras, a satisfação do alívio. Passados segundos, vindo das profundezas da terra, o eco de um pesado “choc” em águas paradas… Esperei outros tantos segundos pelo retorno dos salpicos na pele esfriada!... Nada!!!

- Já viste?! Podia ter caído para dentro do poço!

Custava a acreditar mas o boss Cipriano afiançou a situação de perigo até à exaustão e nós, os outros, respeitavelmente acreditámos! Até porque outra história alguém tinha para repostar:

- Vim cá fora! Procurei um sítio para mijar! De repente do escuro um cão: ão! ão!... – Ai!...
Olha se eu não fujo a tempo! O que podia ter acontecido!... Nunca mais! ...De noite só em urinóis!

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas. E muitas eram dos tempos áureos de França. Prova documental: 1975 - Uma banda de emigrantes portugueses actua em Paris. Cipriano é o baixo.

sábado, 20 de março de 2010

De Moçambique afectuosamente

Era eu pequeno e ouvia intenções de terço por dois primos que estavam na guerra em Moçambique. Era 1972 e um padre, recém regressado de capelão militar dos matos de Tete, fazia matinés de domingo aos meninos projectando slides e minutos de filme que testemunhavam a sua passagem pela africanidade. Depois vieram as anedotas do Samora até que um dia, no despertar da minha consciência política, dei comigo a defender o grande estadista africano que na chegada ao aeroporto tratava os nossos cagões por pá.. Em Coimbra nasceu-me o grande amigo Parsotan, colega de engenharia e arte, que tinha a vida amarrada a uma pequena bolsa de sobrevivência de estudante e que teria toda a famílía por lá. Nesses anos vivi o Quarto em casa das moçambicanas. Já adulto, veio-me o Mia Couto, antes de ser escritor de montra, através de uma peça de teatro do Trigo Limpo construída sobre histórias suas e, atrás dele, a literatura dos dele. E como se não bastasse tudo isto, por afinidade, ganho um familiar de reconhecida estatura que anda, de Tete em Beira e de Nampula em Maputo, desde os anos sessenta e nunca de lá arredou pé a não ser para vir ao médico a Lisboa e conversar comigo.

Desta forma dou umas pinceladas sobre a meu especial afecto por Moçambique! Tudo isto para dizer que este filme me faz rir mas não só.

(Nota só para alguns: surumático vem de suruma, maconha, marijuana, erva, boi, trator, cânhamo... tanta coisa que lhe chamam, até droga)



quinta-feira, 18 de março de 2010

A Arte de Pensar


Lili Caneças, simplesmente não pensa.
Rute Marques pensa que é Grace Kelly.
Paulo Pires pensa que é o Diogo Infante.
Diogo Infante pensa que é Paulo Pires.
Pedro Abrunhosa pensa que é António Variações.
E António Variações já não pensa mais.

Manuel Luís Goucha pensa que é a Teresa Guilherme.
Teresa Guilherme pensa que é a Manuela Moura Guedes.
Manuela Moura Guedes não pensa, quem pensa é o Moniz.

Luís de Matos pensa que é David Copperfield.
Edite Estrela pensa que é Hillary Clinton.
E Ana Malhoa, simplesmente pensa que pensa

Júlia Pinheiro pensa que é Barbara Walters.
Herman José pensa que tem graça.
João Baião pensa que vai ser mãe.
João Pinto pensa que é intelectual.
Belmiro de Azevedo, com todo o dinheiro que tem,
pode pensar o que quiser.

Ronaldo pensa que é o número 1.
A irmã dele pensa que canta.
O sr. José Sócrates da Silva pensa que é Deus.
E José Mourinho tem a certeza!

O teu chefe pensa que estás a trabalhar.
O meu também…

(isto anda a vaguear pela web com variações ao sabor dos interesses de cada um/ peço desculpa, não consegui identificar o autor / enfim, é a web!)



segunda-feira, 15 de março de 2010

14- Intervalo

Este número catorze é um intervalo. Atenção ao filme no final.
A história está cansada. Esta coisa do “sem título” já chateava e, apesar de ter recebido, da parte de alguns leitores, interessantes sugestões acho que vou optar por títulos avulso.
A história está cansada: o reviver da juventude está a dar-me para o verbo fácil, pró piroso e para a irresponsabilidade. A história deveria acabar aqui! E o que faço das notas que tenho para desenvolver? E que dizer desta mania das histórias terem de durar 24 semanas? 24 quartos!... 24 fábricas!... Não sei porque é que tenho esta fixação no número 24! Por serem duas vezes doze, doze meses, um ano, doze apóstolos, duas dúzias?! Por ser metade da minha idade?
O que fazer duma história que nem sequer tem centro para título? E os leitores? Parece que fugiram todos para o caralivro! – Preferem o palavreado encaixotado do jovem caixa belmiro-dependente do Continente, às histórias do senhor Cartucho da mercearia do bairro!
- Blogosfera?!
- Não, agora virei para o facebook!
Que se lixe! Nós os bons somos tão poucos! Suficientes para estarmos aqui a mastigar uma história com poucos condimentos!...
Mas, como vou conseguir chegar ao número 24 sem a Teresa? Pode haver história sem amor de mulher pelo meio? Deixei Teresa ir para Espanha. O que faço da história sem Teresa? Volto a Teresa? Teresa despediu-se de mim com uns beijos mas, entre os queixos, atravessou e comprimiu a sua mão e fez distinguir o dedo médio para que ele se humidificasse e entretivesse entre os lábios fartos de encontros repetidos. Aquele dedo médio, lascivo, íntimo, irreverente, mastro, revoltoso, submisso, altivo, soube-me a desfecho, a começo, a presente, a passado, a futuro. Melhor dizendo, era de Teresa e soube-me a Teresa.

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que ontem mesmo, 14 de Março de 2010, voltei a reler. Visitou-me/nos em anos seguintes em casa ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas que eu recebi, reli-as hoje, são um molho delas.

A filmagem vídeo ainda era só para alguns. Filmar em fita de cinema era muito caro. Por isso restam escassos e curtos registos em filme. Aqui fica um deles. Andaríamos na estrada há poucos meses e ainda apenas a fazer os intervalos da banda sénior. Ainda tocávamos pouco mas éramos tão engraçados! Algures em 78 ou 79.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Poste pró cara...!

Estou com o período, com o período blogosférico. Esta é daquelas vezes em que vou começar a escrever sem saber o quê, para quê, para quem ou porquê. Garanta-vos que este post vai durar todo o fim-de-semana. Irei escrevendo e publicando. Entre desabafos irei assar a carne, dar banho ao cão, fazer a barba, dormir, buscar o pão, fazer a barba, dormir, cagar, comer (não! o contrário! como aconselhava sempre o meu pai!)  plantar as batatas, cultivar o amor, fazê-lo! Estou mesmo... Já volto!  

Voltei. Este post é pró cara...! Bem sei que esperariam que eu completasse a palavra com o melhor amigo do bacalhau, aquele que faz bem a tudo, até ao cancro ou que a palavra dissese aquilo que o primeiro ministro não tem. No melhor brasileiro-língua o cara seria até um sujeito! Pode também faltar o col, o melo ou o pau!... Mas não! Criei um palavrão: o caralivro!
Já volto!
´
Vou à padaria! Já volto!
.....................................
Deixei queimar a carne toda. À refeição só se aproveitou o venho! Vou ali e já vinho!

Zé Povinho disse...

Eu tenho vontade de dizer uns quantos palavrões, mas também vou deixando um post marado, que talvez anteceda alguma coisa de jeito.
Pata Negra diz: uma vezes vale mais a palavra,  outra vezes o palavrão!

Compadre Alentejano disse...
Sempre ouvi dizer que se deve fazer aquilo que se gosta. Ah,e uma coisa de cada vez!...
Pata Negra diz: e revelo, em primeira mão, que não gosto de fazer aquilo que não gosto! Contudo, fazer duas coisas ao mesmo tempo, como por exemplo, comer e beber, gosto.

opolidor disse...
pode ser que o acordo ortográfico o considere...
Pata Negra diz: osto dacordo con o grafico nom cum o horto!
antonio - o implume disse...
A vida porcina em directo...
Pata Negra diz: directo com porcos sim, mas se houver porcas o melhor é fechar o pano.

Marreta disse...
Muito bem! Candidato que se quer popular e javardo deve abrir o livro da sua vida para o povo!Caralivro?! Não me digas que te rendeste à pocilga do farmville!!!
A propósito já há hino oficial!
Pata Negra diz: eu abro o livro, eu abro a vida mas não abrutudo! Não me rendo, avanço sobre a lavas da merda incandescente!... Porra! Vocês não se calam com o hino! Até me parece que vocês são o hino! Vou arranjar um hino! Vou falar com os gaiteiros da Terrinha! Feliz o mandatário!

Este post está do cara (Quim Barreiros)! Não do caralivro! Não será que estamos a construir um caralivro caseiro??!
Vou cagar, volto já!
........................
Entretanto: fui à tribuna do Mandatário. Temos hino! É este o hino! Com um mandatário destes nem é preciso haver mandatado! Estava eu a pensar no "entrai pastores, entrai, por este portal sa...sa..." e porca aqui e porca ali....


E vou ali já venho aqui! Ai porca do carago!....

Foi um dia do caraças. Nove e meia, a comprar carapaus e alface no mercado. Plantei a alface; estrumei um talho para batatas; assei os carapaus; recebi um telefonema de um amigo e deixei queimar os carapaus; enquanto salvava os carapaus bebi um copo com o vizinho; não me lembro de comer os carapaus; afinal este post é para os cara-paus; fui à Terrinha, que dista 5 léguas, visitar a minha madrinha.

A minha madrinha fala e eu ouço-a; a minha madrinha é um pedaço de passado que eu tenho no presente; às vezes a minha madrinha está a falar e eu não a ouço; os olhos e o sorriso da minha madrinha não me a deixam ouvir; a minha madrinha é uma biblioteca; eterneço e choro ao ouvir as histórias e as dores da minha madrinha; a minha madrinha quando me ouve iça as suas orelhas inteligentes; quando a minha madrinha deixa transparecer que não está atenta aquilo que eu lhe digo é porque eu não estou a ter uma conversa inteligente, a minha madrinha é a minha terra e ela diz que eu sou o seu afilhado. A minha madrinha ainda canta e só chora quando se lembra de que morreram todos os que viveram as suas histórias!

Cheguei a casa. Rearmei o churrasco para uns pedaços de entrecosto. Dei cabo dele e agora estou aqui. Queria falar do caralivro que está a dar cabo da blogosfera, não consigo! Talvez amanhã! Julgo que estou/estamos a fazer a mesma coisa que se faz no caralivro.

Entretanto, dois comentários:
MARIA disse...

Majestade,
Eu própria tenho já várias vezes observado que nos nossos dias,neste País, qualquer tema serve de livro, quaisquer palavras se editam em livro e qualquer pessoa ou aparentada :-) chega a titular do mais algo cargo político de Estado.
Fica portanto demonstrada a sua ideia, nem precisa de acrescentar mais nada ao publicado !
A melhor demonstração é tantas vezes a do absurdo!
Quanto ao hino e uma vez que trata de livro, se fosse a minha candidatura lembrar-me-ia deste. Bastaria substituir o nome a gosto :). No seu caso Majestade, certamente seria o livro da Presidência da República, em vez de inês.
E se alguém lhe disser que não será o 1º presidente português a ser eleito, responda-lhes de peito cheio, porque estará com a razão, que só o Povo conhece de facto quem 1º lhe ocupa o coração!

Pata Negra disse: Maria, ainda tenho coração mas já não tenho juventude para o caralivro.

O Guardião disse...
Com o odor a carne esturrada ouvi a porca do Nélio e lembrei-me do café que acabou por ficar frio enquanto dava no neclado

Pata Negra disse: amigo Guardião, vês? Falaste do teu café, estás no caralivro!





















No meu trabalho de averiguação das fontes do hino do Marreta, não vá um gajo ver-se a contas com essas  tretas burguesas dos direitos de autor, encontrei este artista brasileiro e já está contratado para a campanha.

E agora? Vou-me deitar? Ou vou-me inscrever no facebook?!
Vou lavar os dentes. Já volto!

Peço desculpa, este post não cumpriu os seus propósitos, falhou! Falhou porque o fim de semana descambou e hoje já é segunda feira.
Volto já!

terça-feira, 9 de março de 2010

13- Aceitam-se títulos

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que hoje mesmo, 9 de Março de 2010, num serão de sótão me entreti a reler. Detive-me nos envelopes emoldurados pelas barras coloridas e oblíquas do envio por avião e nos selos sempre iguais do retrato de Franco – a história já deu voltas e o meu sótão faz-me velho. Visitou-me/nos em anos seguintes na Terrinha ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas, reli-as hoje, são um molho delas, perto de cem.

Sem Teresa, a banda “remasculinisou-se” e mudou de rumo. O Chico Fininho deu o pontapé de saída para o êxito do rock em português e nós começamos a ensaiar os nossos próprios temas. Cantar em português sobre sonoridades anglo-saxónicas era um desafio e tomámos uma determinação: vencer o complexo que os portugueses tinham, e mantêm, em relação aos ingleses pelo facto de não saberem falar, como eles, inglês.

E assim surgiu esta canção original, a dois ou três tons em “ritmo slow”, numa sonoridade do tipo “ Child in Time", que se inspirava numa quarentona, fã da banda e senhora “amercedada” lá das redondezas.


A dona Preciosa tem cu e tem corpo
Mas estão por debaixo da roupa
A dona Preciosa tem uma filha de Deus
Mas o marido não se importa
Na esplanada do café vi as pernas à dona Preciosa,
Fiquei tão flipado que fui internado
Por ter acompanhado o meu enlouquecimento
A dona Preciosa foi-me visitar ao estabelecimento
Entreguei-lhe um bilhete dobrado que rezava
"os desejos que você me determina
menina da casa dos quarenta
gostava de ir um dia à sua vivenda”
A dona Preciosa alojou o papel no decote
E eu invejei a sorte do terceto
A dona Preciosa linguarou-me
Que se pudesse comigo casava
Que marido tinha
Que a filha esperava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem um cu e tem corpo
Como eu nunca o vi
Como o meu português
A dona Preciosa riu-se e eu esclareci
Que meu português não é homem
É língua
A dona Preciosa linguou-me
E que se pudesse pois continuava
Que o marido faltava
Que a coisa não içava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem cu e tem corpo
E o meu português é coisa de louco
Poema mas pouco

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres cheguei



Sou contra dias disto e daquilo.

"Toda mulher deve ser amada
No dia-a-dia conquistada
No ser mãe endeusada
Na cama desejada
Na boca beijada
Na alegria multiplicada
No lar compartilhada
No seu dia festejada
Na tristeza consolada
Na queda levantada
Na luta encorajada
No trabalho motivada
No aniversário presenteada
Na alma massageada
Na beleza admirada
Na dificuldade ajudada
No cangote bem cheirada
Na vida abençoada
No mundo inteiro respeitada
E sempre que possível... abraçada!"

Madre Teresa de Calcutá

dum comentário da Mariazinha faz hoje um ano

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cara Blogosfera

Cara Blogosfera

Quando consumo conteúdos blogosféricos, não procuro notícias. Se eu quiser saber quem é que ganhou os globos de ouro, vou ao site dos globos de ouro. Se eu quiser saber qual foi a magnitude do sismo no Haiti, vou à procura do site da entidade que mede essas merdas.

Nos Blogs eu quero opinião. Mesmo que seja lúdica. Ou que me dê a conhecer coisas que a comunicação social tradicional deixa passar.

É verdade, eu não uso a comunicação social tradicional para estar informada, uso os Blogs. Mas se estes me começam a dar exactamente o mesmo que os outros....deixam de me ter como consumidora, da mesma forma que os outros deixaram de me ter como leitora, espectadora, ouvinte, etc.

Muito agradecida.
Da Jonasnuts via Fliscorno


quinta-feira, 4 de março de 2010

Vou pô-lo em tribunal


Diz-se que a justiça não funciona, diz-se que não se confia na justiça, diz-se que a justiça é só para alguns.
Mas eu não sei se quando um "fulano" de bem, porque "sicrano" dele disse mal, responde de imediato "vou pô-lo em tribunal", está à espera que a justiça funcione só para alguns por se considerar alguém ou se, sabendo de antemão que a justiça não funciona, atire essa ameaça porque lhe fica bem, embora saiba que lhe assenta a acusação!
- Se alguém disser mal de mim fique sabendo que, embora não confie na justiça e ache que a justiça é só para alguns, vou pô-lo em tribunal.

terça-feira, 2 de março de 2010

12- Isto não tem jeito sem título

Esta era eu que cantava para dar descanso ao vocalista principal
Se ela estivesse por baixo, teria visto, através das frestas do soalho do palco, o rasto dos meus ténis Sanjo, teria feito amor ao ritmo do compasso que o meu pé batia, não me teria traído completamente porque teria gozado sob a minha superior presença. Subi as escadas do palco, a banda gozava um fim de série, só o “informador” Tarolas parecia estar a par do meu problema de testa. Levantou-se da bateria na minha direcção com a mini Sagres que era para mim na mão, passou-ma com uma expressão neutra, esperando que eu, tão senhor do meu nariz, tão dono de Teresa, comentasse a situação. Afinal de contas, ele tinha sido o primeiro a saber e, graças a ele, eu não seria o último mas o segundo, facto que, traindo a tradição, era uma atenuante.

- Oh Tarolas, tu alguma vez conheceste mulher?! Tu conheces-me, conheces a Teresa e o Cipriano, que mal tem? Antes com ele do que contigo! Eu não sou dono dela e se vontades lhe deram, a mim não pôde recorrer por eu estar a tocar, antes com um amigo comum do que com um estranho! O desejo de experimentar a sapiência dos mais velhos não concorre com a juventude dos mais novos! Também nós temos construído fantasias na nudez da Dona Preciosa!

Tarolas, engelhou a testa e o nariz e replicou:

- Tu estás a passar-te, essa merda dos fumos, do sucesso da banda a subir-te à cabeça e de leres revistas dos grandes, estão a transformar-te em quê?! Porra, vê a tua testa ao espelho! A Dona Preciosa nunca passará da letra da canção que andamos a ensaiar!

Pensando bem, Tarolas teria alguma razão! Mas, por outro lado, não havia  assim nada de tão trágico, foder, de duplo desejo, nunca pode ser crime. Encerrei com ele a conversa deixando em entrelinhas que, embora normal, o episódio não deveria chegar aos microfones da banda.

Aparentemente, o resto da noite, a desmontagem da aparelhagem, o carregamento da J7 decorrei como sempre. Na viagem de regresso a casa Teresa veio sentada a meu lado sobre as duas colunas Hiwatt e, chegados a casa de Cipriano, na hora habitual das seis da manhã, recebi o cachet e o beijo da namorada.

No dia seguinte regressei ao trabalho, tínhamos outra actuação, e procurei as devidas explicações do patrão. Não teria equilíbrio emocional para colocar a questão a Teresa mas o traidorzito não se fez de engasgos:

- Já várias vezes te tenho dado a perceber que ela não é mulher para ti e já sabes o que penso sobre o mal que as namoradas podem fazer a um conjunto musical! Foi esta a solução que encontrei para cortar o mal pela raiz! Repara que não fiz nada às escondidas, dancei com ela à tua frente e fiz-me nela a um metro de ti!

- Mas um metro na vertical é diferente de um metro na horizontal!?

- Este assunto tem de ser resolvido entre ti e ela! Não é preciso armares um chilifrim, dizes-lhe, "acabou!" Eu trato do resto! Os familiares dela estão abancados na Figueira e eu próprio a irei levar!
- E eu não posso ir também?!
- Mas estás armado em quê?! Está descansado que eu não lhe toco mais! Cumpri o meu papel, tu agora cumpre o teu!
Cipriano era amigo. A banda continuou por muitos anos e eu nunca perdi completamente essa Teresa nem a vontade de me vingar da lição do patrão.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Anunciação do mandatário

Estimados apoiantes, é com profunda tristeza e imensa alegria que vos anuncio o mandatário da candidatura do Pata Negra à Presidência da Rebública. É triste ver-me obrigado a candidatar-me mas é alegre poder nomear um mandatário sem sequer ter falado com ele: há determinações do destino que não se questionam.
Diz dele próprio que "pratica a maledicência e o bota-abaixismo quando merecidos, mas não tolera o compadrio, o lambe-botismo e o chupismo". Ele é o Marreta e isso basta-me.

Aguarda-se para mais tarde o anuncio formal da candidatura. Estamos ainda na fase das segundas intenções. Precisamos de estudar os adversários e de averiguar os motivos porque se estão a apresentar com tanta antecedência.

Os outros candidatos dizem-se apartidários, eu renuncio ao apoio dos partidos; os outros candidatos reunem apoios financeiros, eu farei a campanha sem gastar dinheiro; os outros candidatos rendem-se à comunicação social, eu abomino-a; os outros candidatos prometem que serão presidentes de todos os portugueses, eu prometo que serei presidente só para alguns.

Ainda a candidatura vai no adro: apoia, divulga, participa!

Registo como apoio as referências do Miradouro de A.J. Soares e do Guardião.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De onde nascem os cabrões


Violam cabra e são forçados a casar com o animal
Dois jovens de Matsinho, Gondola, centro de Moçambique, foram apanhados pela polícia a manter relações sexuais com uma cabra e agora os donos do animal exigem indemnização e casamento. O caso está em tribunal.
O caso de "flagrante delito" aconteceu na semana passada, no distrito de Manica, e fonte ligada ao dono da cabra disse à agência Lusa que o mesmo exige que os jovens sejam condenados em tribunal a casar com o animal.
Os jovens, cuja identidade não foi revelada, terão sido apanhados a manter relações com a cabra no âmbito de uma espécie de ritual satânico.
"Um dos jovens estava nu enquanto segurava a cabeça, e outro a fazer sexo com o animal", contou uma testemunha a propósito da detenção policial.
Mário Creva, a testemunha, disse que o caso se deu numa pequena mata na zona de Mbucuta, arredores do posto administrativo de Matsinho.
"Recebi o caso e já remeti ao tribunal. Mas os jovens serão ouvidos em juízo por furto simples qualificado e não necessariamente por prática sexual, pois a nossa Constituição não acomoda este tipo de acto", disse à Agência Lusa Leonides Mapasse. Fora do processo-crime, acrescentou o magistrado, o ofendido (proprietário da cabra) pode intentar processo civil e moral contra os dois jovens pela prática sexual com a cabra.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

De boys a moscas

Os portugueses estão conformados com o controle da informação pelo poder político-económico. Os portugueses entendem como garantia de liberdade de expressão o facto de não existir uma PIDE. Eu, português, tento exercer a minha libertação dos media do poder e exercitar a minha liberdade de me informar e dizer na blogosfera.
Na blogosfera e na web em geral, estão aparentemente em maioria as vozes antí-sócrates e companhia. Aceita-se que os pró-sócrates e companhia exerçam igual direito.
Mas que a corja  tenha assalariados para manter blogues e sites de apoio, para inundar com elogios ao grande líder as caixas de comentários, para multiplicar mensagens de correio de propaganda governamental é, para mim, mais grave, porque mais baixo, do que as alegadas intenções do controlo da comunicação social. 
Quem anda na blogosfera não precisará de ler este texto do Joaquim Letria, nem outros que, nos últimos dias, têm vindo a público, para reconhecer esta actividade. Todos já depararam com repetidas mensagens de fiéis socialistas, identificados pelo teor da opinião, nos comentários dos principais portais de informação, nos blogues mais visitados, nos foruns e outros locais - sabemos agora que alguns são pagos. Testemunho que essa actividade também existe a nível local. Cá para as minha bandas os blogues sócretinos são para aí uma dezena e tudo indica que são todos geridos por um mesmo indivíduo que se desdobra em nomes, amigos, amigas, filhos e enteados. O mesmo se observa nas colunas dos pasquins locais.

Esta gente para mim são moscas:

Tinha que dar merda!

Obrado o alimento de 30 anos de liberalismo, liberalização e libertinagem,
o país sente-se agora mais aliviado!
A Merda é dura, negra e tem nome de filósofo! Não a pisem! Quem a cagou obviamente que não lhe incomoda o cheiro!

Eu vou aguentando, embora não tenha nada a ver com esta merda! Entendo-a como um processo natural! Estou atento para não a pisar, tapo o nariz e cá vou indo!

Mas o que eu não suporto mesmo são as moscas que nos perseguem por toda a parte! Sabemos que são as mesmas que pousavam nas travessas, nos talheres e nas toalhas mas só que agora têm as patas sujas do excremento!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

11- Alguém acha por aí um título?!

Para ouvir durante a leitura. "Tango para Tereza" em boa hora sugerido pela fidalga Maria.

Em Setembro tivemos direito a novos equipamentos. Cipriano partilhou comigo os pormenores do segredo da sua viagem e o seu projecto de voltar a Paris daí a uns meses para preparar o nascimento do filho que ia ter da cunhada. Na sequência, alertou-me para os cuidados que eu deveria ter com a fecundidade da minha namorada e topei que começava a preparar terreno para a afastar sem me melindrar. A família dela já havia telefonado várias vezes advogando a sua falta no circo; apesar de já estar connosco há dois meses ainda não se tornara na vocalista principal; fazia os seus coros e cantava as suas canções passando o resto do tempo a fumar e a beber nas imediações do palco; estava a contribuir para o abandalhamento da banda; Cipriano tolerava os fumos mas o cheiro não lhe podia chegar ao nariz; a família estava a ficar farta da empregada e hóspede…


Apesar desta conversa, o patrão, que também era técnico de som, passava com a Teresa muitos dos momentos em que esta não estava no palco. Por vezes dançavam juntos uma ou outra moda mais agitada mas, naquela noite, um tango pareceu-me mais intenso que o habitual. Depois do tango, tocámos um dos longos blues que chegavam a dar para um dos músicos ir ao bar buscar cervejas entre os solos, quando dou pelos dois muito agarradinhos a dançar “slowmente”. Comecei a ficar incomodado e a parecer-me que os meus colegas, enquanto tocavam, davam olhares maledicentes à situação. Levantei-me dos teclados e fui junto a cada um sugerir uma aceleração gradual que fizesse o lento blues evoluir para rock n´roll “speedado”. Consumada a transformação do tema dei pela falta do par no salão de baile.

Terminada a música, Tarolas sorriu de escárnio e apontou duplamente para o chão. Desci as escadas da lateral do palco ao fundo das quais existia uma entrada de meia altura fora das vistas do público. Baixei-me para espreitar sobre o olhar atento do denunciante. O espaço tinha pouco mais de um metro de altura e tinha a escuridão rasgada pelas linhas de luz que as frestas do soalho do palco deixavam passar. Não vi quase nada, não quis ver! Mas que estava para lá um casal em vias de facto lá isso estava!...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mais poeta do que alegre

Procurei informações sobre um adversário: está à altura! Neste momento conheço quatro candidatos: dois do povo e dois dos outros! António Pedro Ribeiro, tal como eu, candidato a presidente da república, também é poeta:

"Estou apaixonado pelo primeiro-ministro

por todos os primeiros-ministros
e pelos segundos
e pelos terceiros
estou apaixonado por todos os presidentes de Câmara
e de Junta
por todos os benfeitores de obra feita
por todos os que erguem e mandam erguer
estradas, pontes, casas, estadios, fontanários, saloes paroquiais
estou apaixonado por todos aqueles que governam, que executam,
que decidem sem pestanejar
por todos aqueles que dão o cu pela causa pública
que se sacrificam pelo bem comum sem nada pedir em troca.
Quero votar entusiasticamente em todos eles
afogá-los em votos
até que se venham
em triunfo

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num bacanal
com todos os ministros
e todos os ministérios
a arfar de prazer
a enrabar o défice, o orçamento,
o IVA, a inflação, a recessão
agil e empreendedor
como um super-homem

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
Quero ve-lo num filme porno.