sexta-feira, 30 de abril de 2010

Partir

... da palavra mais feia do calão

(porque umas vezes vale mais a palavra,
outras vezes, o palavrão)

Partir...
Partir para aqui e pra acolá
Partir pra lá...
Partir para o Alasca
Partir pro outro lado e partir pra todo o lado
Partir sei lá...
Partir sei lá o quê
Partir a loiça toda
Partir os cornos contra a estátua da liberdade
Partir a cuca a rir...
Partir pra ter saudade
Partir pro infinito porque nunca chegarei
Partir porque já chega
Partir pra onde os outros não vão
Partir só por partir e partir tudo
Partir para a palavra mais feia do calão
Partir uma
Partir sei lá o quê pra onde pra que lado
Partir-me todo
Partir parado

Parti ontem
Cheguei ontem talvez
Talvez de onde de lá de mim de alguém
do mar ou do passado

Cheguei talvez agora
Vou partir
Sei lá pra onde de mim pra lá pra aqui pra aí
pro sol ou pro futuro

Bolas! Nunca parti um copo! Nunca saí daqui!....


(Andei toda a tarde a plantar batatas. Ainda não é tarde, dizem. Estou todo partido!...)

(por falta de dotação onde se lê: "partir os cornos contra a estátua da liberdade" deve ler-se "apalpar as mamas à estátua da liberdade")

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Amélia

O Zorze disse que eu e o Marreta éramos uma Amélias.
Éramos jovens. Amélia fez questão de pernoitar comigo sem que eu percebesse para quê. Passado tantos anos, encontrei-a hoje e percebi - Amélia tem cinco filhos.

Para quê escrever se há tanto para ler

Sobre o envelhecimento

Bolas, esqueci-me daquilo que ia para escrever!....

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Não pedincho votos

Do ilustrador de serviço Fliscorno

Os outros candidatos pedem o voto a todos os portugueses. Eu quero os votos só de alguns. Dispenso e, se puder, impeço, os votos dos fascistas, liberais e outros que mais.
Em particular, dispenso o voto
Do Soares, do Cavaco e do Jardim,
Do Balsemão, do Moniz, do Valentim,
Do Loureiro, do Belmiro e do Amorim.

Do Silva Lopes, do Beleza e do Salgueiro,
Do Salgado, do Vara e do Rogeiro,
Da Goucha, da Baião e da Júlia Pinheiro,

Do Moita Flores, do Miguel e do Marcelo,
Do Pacheco, do António e do Metelo,
E não digo o nome de mais nenhum camelo
Que só dos recordar fiquei pelo cotovelo
De tal forma que me saiu a decisão
De não dar nenhuma entrevista à televisão

Para votar Pata Negra é condição:
Ser limpo, ser porco e ser decente
e ter olhos para ver que sou diferente!

Se queres um lugar na pocilga subscreve em Pata Negra à Presidência

Sigam o exemplo deste súbdito:

Majestade.

Cá em casa assinámos todos e já divulguei pelos amigos e conhecidos pedindo para assinarem e para pedirem aos seus amigos e conhecidos para assinarem e pedirem aos seus amigos e conhecidos para assinarem e pedirem aos seus... bem, Sua Majestade já percebeu, é uma espécie de D. Branca só que não há dinheiro envolvido, apenas a assinatura muma petição. Que não é uma petição qualquer. É uma petição que pretende que a "NOMENKLATURA" permita que um cidadão livre, não comprometido com partidos, movimentos, lóbis, média ou similares, se candidate a um cargo a que, pela nacionalidade, idade e registo criminal, tem direito.
Juntos vamos conseguir!Alberto Cardoso




sexta-feira, 23 de abril de 2010

2574

Todos os anos escrevo em Abril, em Maio e no Outono. Se em Maio me dá vontade de escrever porque os campos me põem a cantar e no Outono escrevo a queda das folhas e o Inverno que aí vem, já em Abril é por uma outra razão especial, é por causa do dia 25, que os outros meses também têm mas não é igual. É verdade que já há gente que não vê nada de especial nesse dia e outra gente que pretende que ele não seja especial mas, para nós outros é! É por isso que se escrevem e se leêm coisas, como este post, em Abril e não no Natal que também é um dia 25 especial.

Tenho a infância marcada pela lembrança ténue e breve de um Abril, no tempo em que à volta das crianças se dizia:
- O Mário Soares é um cabrão! Cabrões dos fascistas! Cabrão do Sá Carneiro! Cabrões dos comunistas! Cabrão do Otelo, do Spínola, do Cunhal! Cabrões da PIDE! Cabrão do Salazar!

E no fim, a Gaiola Aberta a rematar:
- E não há ninguém que parta os cornos a estes cabrões?! 

Depois veio o 1º aniversário. Foi uma seca esperar por ti e por ti, oh pai e mãe, para que votassem pela primeira vez e depois fomos para a Venda ver a televisão até altas horas. Depois veio o segundo aniversário e lembro-me do fervilhar das imagens e das canções na rádio e na TV, das sardinhadas, das corridas, dos cartazes, da política que eu começava a perceber. Como era "esperança" ver as pessoas a discutir o amanhã! Depois veio o quarto, o quinto, o sexto e por aí fora e era bom sentir que Abril era sentir, falar, pulsar, razão, cantar, esperança, justiça, futuro, revolução.
Até que começaram a surgir os discursos de embalar, uns trabalhos para a escola sempre com a mesma foto a preto e branco, a artrose a apanhar o braço e o punho esquerdo, a voz oca dos vereadores a cantar "o povo é quem mais ordena" no largo da câmara, e Abril a esvair-se ano após ano, nas políticas de cada dia.

- O que tem Abril e Sócrates em comum?! Ambos são esperança, excepto o Sócrates!

Também! Para escrever isto, mais valia estar quieto! Vou mas é mudar de assunto:
O padre deixava-me ir para o orgão de pedais do salão paroquial e, porque me ouvia do cartório, foi dizer à minha mãe que eu só tocava o "Malhão" e a "Gaivota" e que um bom instrumento para eu estudar era a enxada.
Faço ideia o que pensou quando soube que eu gostava de Doors e ouvia Sex Pistols e que vivia da música naquele conjunto daquela história que faliu por ser sem título!
Mas!... O que tem isto a ver com Abril?!
Cipriano viveu a infância de Abril em França. Nini, meu companheiro de estrada e palco, começou muito novo a tocar. Era Abril, era Paris, eram muitos os emigrantes portugueses e pela pátria-língua era a mesma Gaivota que voava ou se cantava! E era este o filme (com Proud Mary à mistura):

 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O que é um transístor

Esta informação não é técnica, é para leigos, para gente que, apesar de se estar nas tintas para o transístor, se sente mal por não fazer a mínima ideia do que é esse bicho.
Não sei se alguém o disse, ou se apenas sou eu que o digo, que o progresso tecnológico da humanidade tem como três principais marcos as invenções da roda, da máquina a vapor e do transístor. Se as duas primeiras são fáceis de entender pelo senso comum já a terceira, regra geral, é aceite mas não compreendida.
Talvez uma explicação caseira ajude a perceber os mais desentendidos na coisa tecnológica, o papel do transístor no nosso quotidiano. Pelo menos é essa a intenção.
O transístor foi inventado no final da década de 40 e, de então para cá, tem sido a peça central no desenvolvimento tecnológico que nos envolve, de tal forma que, podemos dizê-lo, qualquer lar dos tempos de hoje tem em casa milhões de transístores, no limite da ignorância, sem saber o que é isso.

O transístor não tem duas nem quatro patas, tem três terminais - base. emissor e colector - e, na versão mais vulgar,  é internamente constituído por três camadas de silício dopado com elementos de composição electrónica distinta.

O transistor, na sua função tradicional, tem a capacidade de amplificar/ampliar um pequeno sinal, como o que é captado por uma simples antena ou por um microfone, à custa de uma corrente de alimentação (por exemplo de uma pilha).
Em modo, incorrecto na linguagem técnica mas de percepção mais compreensível para o leigo: imaginem que uma nota musical entra pela base, o transístor vai buscar corrente eléctrica à pilha pelo emissor e adiciona-a, amplificando-a e fornece-a no colector (espero que nenhum técnico, daqueles que ninguém percebe nada do que eles dizem, vá ler este post porque certamente iria reprovar a minha simplificação).
E este é o processo básico que torna audíveis e visíveis sinais eléctricos que andam pelos ceús e pelos cabos em absoluto silêncio.

Mas foi a função do transístor como comutador/interruptor que viria a revolucionar as nossas vidas com o aparecimento dos computadores e das tecnlogias digitais. É que, além de poder amplificar, o transístor, consoante tenha ou não corrente na base, conduz ou não conduz, liga ou desliga, isto é, comuta, permitindo, neste haver e não haver corrente eléctrica, a transmissão de informação em uns (1) e zeros (0), isto é, codificada. Se for um "A" o código pode ser 1000001 então o transistor terá de, sucessivamente em tempos sincronos, conduzir (1), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), conduzir (1).

Não sei se ajudei! Talvez tenha baralhado! É que um computador tem milhões de transistores para brincar com um simples "A".



segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Caminho de Belém

A recolha de assinaturas "D.Pata Negra à Presidência da República" já começou:

Assina em
e divulga nos blogues, no facebook, por email, no emprego, na família, à saída da igreja, no autocarro, na cama, na casa do ... mais velho, à chapada. Por tudo e por nada pergunta:

- O quê?! Ainda não deste a tua assinatura pela candidatura do Pata Negra?! Continuas parvo ou quê?!

A primeira candidatura verdadeiramente revolucionária, enraizada no povo anónimo, assumidamente para pisar o esterco da pocilga, sem formalidades, nem formalismos, sem vaidades nem holofotes, sem segundas intenções mas bem intencionada, sem discursos mas com olhares.

Querem 7500 assinaturas, aqui estão elas! Excluam-nos do boletim de voto e nós acrescentaremos à mão a nossa escolha.

Não sou um candidato sabonete, sou um candidato sabão!
Não serei o presidente de todos os portugueses, serei o presidente só para alguns.

sábado, 17 de abril de 2010

E tudo o Bento tolerou


Não me lembro de na história das tolerâncias uma tolerância de ponto ter sido anunciada com tanta antecedência. A pressa é inimiga do perfeito e do Prefeito. 
A tolerância dada aos funcionários públicos não parte de motivações religiosas mas de razões políticas: a maioria dos funcionários já faz programas para aproveitar a folga e, quiçá, fazer ponte, mas é oportuno amaciar os castigos a que tem sido sujeita a classe. Não vai ser um dia de descanso que afectará a sua produtividade já que esta não é maior, não por falta de trabalho mas sobretudo por falta de gestão e orientação das chefias políticas. Por outro lado, qualquer motivo que sirva de pretexto para aprofundarmos uma sociedade de lazer é benvindo e, num país que aposta no turismo como forma de viver, qualquer oportunidade de saída é benvinda para animar a economia.

O que indigna muita gente é o facto discriminatório da tolerância respeitar apenas aos empregados do patrão Estado e, entre esta gente, estão principalmente os que pensam que os funcionários públicos não fazem nada  (nesta linha não percebo qual é o problema de mais um dia sem trabalhar) , aqueles que acham que o Estado não deve mandar no sector privado e outros que exigem do Estado a laicidade mas gozam sem protestar todos os feriados do calendário católico.

Neste caldo de pensamentos de um ser católico culturalmente mas que não reza à Senhora de Fátima e muito menos ao Papa, atrevo-me a sugerir que o país pare todo no dia 13 e trabalhe no feriado da quinta Corpo de Deus que nem mesmo os mais católicos sabem porque o é.

Porque não ter pena dos funcionários públicos que estão a ser instrumentalizados para encher as ruas e dar vivas a um Papa que não anda em boas saias e para fazer desse acontecimento uma diversão mediática que distraia o povo dos problemas em que o poder político o tem enfiado?

Quem que ver o Papa vá a Roma! 
Luta pela sociedade do lazer, pelo país das praias!
Diz não à tolerância! E... lembrei-me agora do título:
- O que é que o Bento tolerou?!
Enfim um caldo de pensamentos...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A tia de Louçã

Já suspeitava que Louça é filho de tia! Não tenho qualquer interesse em conhecer a tia de Louça! Pergunto-me de onde é que Sócrates conhecerá a tia de Louça para lhe chamar mansa. Não é habitual este reino fazer eco de coisas que muita gente agarra mas este vídeo chamou-me a atenção, não pelo manso Sócrates, não pela mansa tia, não pelo "estamos em família" que traduz o abanar de mãos final do sobrinho mas, curiosamente, pelas expressões de rosto, do outrora senhor do seu nariz, Sócrates: cara de morte anunciada!
O Balsemão já começou a construir o novo Sócrates, desta vez não tem nome de filósofo mas de peça de caça! Venha ele! Um dia os fatos de Sócrates serão dele, por agora ainda tem pêlo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A cultura da crise


Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos em tempo de crise.

Na boca dos abastados senhores do poder não se ouve outro pretexto para a situação que não seja a crise. A crise justifica a própria crise. A crise é o melhor remédio para a crise.
Crise atrás de crise. Crise após crise. Sempre crise.
Sempre vivi em crise. Queria viver ao menos um dia da minha vida em que não houvesse crise.

Crise! Crise! Crise!
A crise é filha de uma puta que é a conjuntura!
A crise serve todos os interesses;
conforma os pobres - incha os ricos;
contém os que protestam - alivia os que mandam;
açaima os que trabalham - solta os que exploram;
justifica a miséria - tolera o enriquecimento;
dá mote aos poetas - torna brilhantes os comentadores.

Crise! Crise! Crise!
Palavra banal quando é dita, palavra que irrita, palavra que justifica.
Está instalada a cultura da crise!
Em nome de todas as razões, em nome de todos os interesses, a crise serve e a crise castiga.
Não há nada mais fácil nem mais lucrativo do que gerir em estado de crise,
serve o governo, serve os que mandam, serve os que podem,
em suma, serve a selva capitalista.

Pois então que a crise exploda de uma vez por todas!
Estou farto de ser cidadão pacífico!
Que rebentem os locais de trabalho, os locais de férias e as ruas!
Que rebentem as escolas, os hospitais e os tribunais!
Que rebente o povo e que eu dele rebente!

Crise!... Crise!... Crise!...
A culpa é filha de uma puta, a conjuntura!...
Os intelectuais  falam baixinho entre eles, num canal de televisão que ninguém vê! Falam de fins. Para eles está tudo em fins, acabaram as ideologias, as lutas, os direitos, acabou a História !

Nas veias dos políticos corre o sangue sólido de actores que trocam de papéis e de adereços, que lançam vozes na sala para ouvirem os seus ecos, que lambem os seus espelhos, que abrem e fecham o pano ao ritmos dos seus discursos, que representam personagens e fantasmas provocando a sonolência dos espectadores. Mas um espectador, mesmo entre sonos, bate sempre palmas! E, se os ratos do velho teatro lhe roerem os pés, julgará sempre que é comichão dos sapatos! Nem que esteja descalço!

E depois, nos camarotes, entre cenas de interesse, de prazer e coscuvilho, estão jornalistas, banqueiros, empresários, proprietários, juízes e generais e outros mais a sombrearem, com gestos e acenos, a pequenez da plateia submissa, reverente e admiradora, sempre disposta a sonhar com um lugar nos camarotes!...

Ai! Onde é que eu ia!? Falava da cultura da crise!...
O estado da crise já compete com o estado do tempo quando falamos para alguém sem tema de conversa. Em todas as conversas, pressente-se, que a última coisa que queremos saber é a a verdade.
- Crise? Qual crise? A financeira, a económica, a social, a política, a democrática, a do petróleo, a sectorial, a nacional, a internacional ou a da justiça?

Eu quero que se lixe a crise eu vou mas é ver o Benfica!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

7 anos numa J7

Esta história, pela sua natureza de blogue, tem invertida a ordem cronológica. Deve, por isso, ser lida da mensagem mais antiga para a mais recente. Trata-se de um relato que ficou incompleto porque me estava a fugir a boca de mais para a verdade.

quarta-feira, 31 de março de 2010

16 - Os meus ténis Sanjo

- Olha, tenho ali no carro as fotografias! - Desculpa, não me lembro de ti! Quais fotografias!?
- Tu não és o organista que tocas descalço?!
O interlocutor era, pelo todo, filho de emigrantes que viera ao novo Agosto e que se abeirara da minha mesa de café pela hospitalidade que ela sempre emanava. Circunspectos ficaram também os meus companheiros de rodada, pela humildade do desconhecido que mandara vir mais uma, pela história do “eu descalçadinho” e, ainda mais, pela prova fotográfica que, depois de volta e meia à rua e ao carro, o fã ali trouxe. Passaram de mão e mão as fotos, provocando gargalhadas, o “olha aqui!”, o “lembras-te desta?”, o “que é feito desta?”, olha a Gibson! Porque diabo trocaram vocês a Gibson pela Fender e porque diabo estavas tu a tocar descalço?!

Tinha acontecido só naquele dia. Eu calçava os meus ténis brancos “sanjo” de verão, sujos e rotos, não sei se por desleixo, penúria, estilo, marca, mania ou ideologia – talvez fosse por estas coisas todas juntas! Eu tocava sentado e entretido e, na boca do palco, vieram sentar-se umas miúdas que trocavam os olhares entre o baile, entre si e para mim. Os meus pés, que eu não via porque estavam sob os teclados, estavam a escassos centímetros dos rabos das moças. Eram, de certeza, de Lisboa e andavam por ali a passar as férias grandes, bem vestidas, asseadas, divertidas, dentes brancos de sorrisos de fazer estremecer qualquer artista de província que arranhasse rhythm and blues e rock'n'roll. Eu não tinha vergonha, muito pelo contrário, sentia até orgulho dos meus ténis mas, naquele momento, senti-me traído por eles, eles não estavam à altura do que a coisa prometia. O fim-de-série era sempre ao fim de três ou quatro músicas, para a banda descansar, o bar trabalhar e a malta trocar as necessárias palavras. Fui atrás das colunas e descalcei-me. Actuei e andei o resto da noite descalço, fiquei nas fotos da noite descalço, as miúdas não conheceram os meus ténis sanjo mas também não me recordo de terem sido seduzidas pelos meus pés descalços. Mas também não são as meninas de Lisboa que vem aqui à história, a história pretende apenas revelar que estivemos muito perto do sucesso: um desconhecido, fotografias, a marca descalço…

Entrei em caminhos perigosos / a ficção começou a confundir-se com a realidade / entrei em caminhos perigosos / os velhos amigos e amigas que cruzam esta história não me deram autorização para tanto / estão demasiado perto de mim para que os dispa / estão demasiado perto de mim para que lhes vista outra roupa / receio que a história tenha falido / por minha culpa, minha tão grande culpa / deixo ainda um vídeo do princípio - de quando ainda não recebíamos um chavo / depois logo se vê / não gosto de deixar as coisas a meio mas nem por isso deixo de apreciar as capelas imperfeitas do mosteiro da Batalha sobretudo pelo facto de elas nunca terem sido concluídas / este blogue há-de um dia encontrar um rumo... e se não encontrar, que se lixe!

domingo, 28 de março de 2010

Educação burguesa

- Vá, mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa! Filhos da puta do caralho de progressistas da revolução que vos foda a todos!
(José Mário Branco - FMI)

sábado, 27 de março de 2010

Sócrates sucederá a Sócrates

Os quadros partidários dos países europeus são muito semelhantes. Portugal tem a particularidade dos dois maiores partidos ocuparem o mesmo espaço político, já só os militantes de ambos não o reconhecem e, aos mesmos, custa reconhecer que foi o PS que roubou o espaço ao PSD e não o contrário.
Nesta circunstância os eleitores que tomam as suas decisões de voto, não em função da representação parlamentar mas na expressão redutora de votar em quem tem sondagens de ganhar e constituir governo, estão condenados a escolher, até que isto rebente, mais do mesmo.
Neste quadro, os militantes do PSD, escolheram bem: a melhor maneira de combater Sócrates é com outro Sócrates. Se, para muitos, em Sócrates a esperança é nada, em Passos Coelho é coisa nenhuma!
Este povo parece estar determinado a continuar assim, tal qual se resignou a tolerar ,durante quase cinquenta anos, Salazar! Se se não pode emigra-se!
Estes rapazes são produto das jotas esse ou esse dê, aliás, ambos foram iniciados em esse dê! Continuemos pois, cabisbaixos e sem esperança! Oh "people"! Há mais políticos para além do PS/D!

sexta-feira, 26 de março de 2010

A caminho de Belém

Qualquer um se pode candidatar e as 7500 assinaturas são para impedir que se possa candidatar qualquer um.



Por acaso, entregues as assinaturas, alguém as vai ler, averiguar a sua autenticidade? O que fazem às resmas de papel? E porquê 7500 e não 750 ou 75000?

Não nos submeteremos às regras que o sistema impõe para nos excluir. Esta candidatura, porque é anti-burocrática, porque é amiga do ambiente e porque é tecnologicamente avançada, recorrerá a uma petição on-line apenas como forma de avaliar os seus apoios e exige de si própria apenas os subscritores que conseguir.
Se os tubarões da democracia se recusarem a inclui-la nos boletins de voto temos uma solução simples: acrescentaremos o nosso candidato e a sua quadrícula de forma manuscrita
Quero ver se terão a coragem de ignorar e considerar nulos milhões de boletins de voto que expressem a mesma escolha:
Pata Negra X

quarta-feira, 24 de março de 2010

Denúncia no Parlamento

Se em nome da segurança temos de ter vigilância electrónica então, em nome da verdade, acabe-se com o segredo de justiça.
Quando uma Assembleia fala noutra língua há grandes probabilidades de estarmos em Portugal.

segunda-feira, 22 de março de 2010

15 - 7 anos numa J7

E porque a história singular pifou por ordens várias que cada um concluirá, cumprir-se-á a história da banda com histórias no plural e não foram poucas as que ao longo de sete anos se cumpriram. O grupo não se consumava no palco, o grupo vivia muitas outras horas agrupado e, entre essas horas, foram muitas as que se cumpriram em sete anos a viajar na J7. Na J7, ao longo de sete anos os ora quatro, ora cinco, ora seis, ora sete, ora mais elementos, cansados, ensonados, sujos, mal acomodados, cumpriam uma ou mais histórias em cada viagem de ida ou volta.

– Porra! Ainda dizem que Portugal é pequeno! Fui à vila e estava a ver que nunca mais lá chegava!

Dissera uma mulher lá da terra, nos tempos em que se passava uma vida sem quase sair da aldeia onde se nasceu, quando se viu obrigada a deslocar-se à comarca que distava 17 km. Esta expressão era frequentemente repetida para o riso nos aliviar a saturação das viagens de horas que, muitas vezes, acabavam com o nascer do sol.

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas.

Também o ambiente de certos salões, garagens, barracões, era pesado. Num fim de série era um alívio vir à rua tomar ar fresco, fumar ou mandar uma mijada. Quando os porteiros não identificavam o artista discreto e impediam a reentrada, era um gozo ficar à porta à espera que o problema fosse resolvido para que o baile recomeçasse.

Nas imediações do recinto há sempre um sítio escuro propício à prática de certos actos. Entre sombras e clareiras procura-se o local com melhores condições para realizar vontades. Uma imensa vontade, uma aflição de expelir massas acumuladas e, um cinto desapertada à pressa, um baixar as calças e, de cócoras, a satisfação do alívio. Passados segundos, vindo das profundezas da terra, o eco de um pesado “choc” em águas paradas… Esperei outros tantos segundos pelo retorno dos salpicos na pele esfriada!... Nada!!!

- Já viste?! Podia ter caído para dentro do poço!

Custava a acreditar mas o boss Cipriano afiançou a situação de perigo até à exaustão e nós, os outros, respeitavelmente acreditámos! Até porque outra história alguém tinha para repostar:

- Vim cá fora! Procurei um sítio para mijar! De repente do escuro um cão: ão! ão!... – Ai!...
Olha se eu não fujo a tempo! O que podia ter acontecido!... Nunca mais! ...De noite só em urinóis!

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas. E muitas eram dos tempos áureos de França. Prova documental: 1975 - Uma banda de emigrantes portugueses actua em Paris. Cipriano é o baixo.

sábado, 20 de março de 2010

De Moçambique afectuosamente

Era eu pequeno e ouvia intenções de terço por dois primos que estavam na guerra em Moçambique. Era 1972 e um padre, recém regressado de capelão militar dos matos de Tete, fazia matinés de domingo aos meninos projectando slides e minutos de filme que testemunhavam a sua passagem pela africanidade. Depois vieram as anedotas do Samora até que um dia, no despertar da minha consciência política, dei comigo a defender o grande estadista africano que na chegada ao aeroporto tratava os nossos cagões por pá.. Em Coimbra nasceu-me o grande amigo Parsotan, colega de engenharia e arte, que tinha a vida amarrada a uma pequena bolsa de sobrevivência de estudante e que teria toda a famílía por lá. Nesses anos vivi o Quarto em casa das moçambicanas. Já adulto, veio-me o Mia Couto, antes de ser escritor de montra, através de uma peça de teatro do Trigo Limpo construída sobre histórias suas e, atrás dele, a literatura dos dele. E como se não bastasse tudo isto, por afinidade, ganho um familiar de reconhecida estatura que anda, de Tete em Beira e de Nampula em Maputo, desde os anos sessenta e nunca de lá arredou pé a não ser para vir ao médico a Lisboa e conversar comigo.

Desta forma dou umas pinceladas sobre a meu especial afecto por Moçambique! Tudo isto para dizer que este filme me faz rir mas não só.

(Nota só para alguns: surumático vem de suruma, maconha, marijuana, erva, boi, trator, cânhamo... tanta coisa que lhe chamam, até droga)



quinta-feira, 18 de março de 2010

A Arte de Pensar


Lili Caneças, simplesmente não pensa.
Rute Marques pensa que é Grace Kelly.
Paulo Pires pensa que é o Diogo Infante.
Diogo Infante pensa que é Paulo Pires.
Pedro Abrunhosa pensa que é António Variações.
E António Variações já não pensa mais.

Manuel Luís Goucha pensa que é a Teresa Guilherme.
Teresa Guilherme pensa que é a Manuela Moura Guedes.
Manuela Moura Guedes não pensa, quem pensa é o Moniz.

Luís de Matos pensa que é David Copperfield.
Edite Estrela pensa que é Hillary Clinton.
E Ana Malhoa, simplesmente pensa que pensa

Júlia Pinheiro pensa que é Barbara Walters.
Herman José pensa que tem graça.
João Baião pensa que vai ser mãe.
João Pinto pensa que é intelectual.
Belmiro de Azevedo, com todo o dinheiro que tem,
pode pensar o que quiser.

Ronaldo pensa que é o número 1.
A irmã dele pensa que canta.
O sr. José Sócrates da Silva pensa que é Deus.
E José Mourinho tem a certeza!

O teu chefe pensa que estás a trabalhar.
O meu também…

(isto anda a vaguear pela web com variações ao sabor dos interesses de cada um/ peço desculpa, não consegui identificar o autor / enfim, é a web!)