quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sexo na Escola

Maria de Lurdes provocou um acidente escolar grave, deixou a educação de pantanas. O carro não foi para a sucata mas está todo amolgado e com os guarda-lamas a bater. A tragédia deixou sequelas graves a nível psiquiátrico: andam a pintar o carro sem terem feito o trabalho de bate-chapas!
A parte mais atingida foi a nível de chassi, a menos visível do exterior - atingiu-se gravemente a dignidade e a autoridade dos professores. Será difícil, a um professor desautorizado, gerir comportamentos, ensinar os alunos a entrarem na sala, a falarem na sua vez, a estarem sentados, a respeitarem, pelo que deve ser dificílimo ensinar-lhes sexualidade. No entanto o pensamento dominante é que aponta o caminho a seguir. 
Já que não aprendem a contar nem a escrever que aprendam ao menos a copular.

- A stora colocou um pénis de esferovite sobre a mesa e perguntou se sabíamos o que era. Um colega respondeu que era um.... posso dizer pai?!...
- Diz lá filha!
- Era um c*******!
- Espera aí! Como é que sabias que  era de esferovite?
- A stora fê-lo passar de mão em mão!
- De mão em mão?!
- Pediu também que dessemos ideias para acções sobre sexualidade a desenvolver na escola.
- E tu?!
- Sugeri a distribuição gratuita de preservativos e a vinda do Moita Flores à escola!
- És original e criativa como o paizinho!....
- Preciso de uma frase para a campanha...
- Pénis de todo o mundo, vesti-vos! 

Moral do filme: mesmo os que pensam que são muito criativos a ensinar falham, se repararam, nunca foi mudada a camisinha.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

8- Que se lixe o título


No dia seguinte Cipriano confirmou-me:
- Chama-se Teresa!...
Por volta das quatro da tarde saiu da roulote e entrou no café sem olhar os presentes. Nada do que se lhe via poderia identificá-la como rapariga de circo. Trazia um casaco de fato de homem, umas calças de ganga, uns ténis e o cabelo desgrenhado. Sentou-se ao balcão, pediu um café e acendeu um cigarro. Eu estava numa mesa sozinho a folhear uma revista em posição de lhe poder mirar o perfil.
Ouvi-lhe o “até logo” de despedida a quem a servira e eu procurei-lhe o olhar quando passou junto a mim. Atrevido, atirei:
- Olá Teresa!
- Conhecemo-nos?!
- Gri!Gri!
- Deves ser o Joaõzito!?
Uma timidez infantil invadiu-nos a ambos e faltou-nos a inocência que tínhamos em crianças. Não conseguimos prolongar o discurso para que o encontro fosse satisfatório, nem sequer um beijo de cumprimento, apenas o “vemo-nos por aí!”

Como o espaço era público os ensaios da banda tinham sempre gente a assistir. Nesse dia à noite, estávamos nós a preparar o “Something” para o repertório, Teresa entrou no salão com um familiar do circo e ficaram por ali a observar-nos. Cipriano chegou com umas cervejas, mandou-nos parar e apontou algumas passagens da música que não estavam correctas. Teresa e o acompanhante deram-se à conversa e foi-se alargando a confiança. Às duas por três, ela tomou o lugar do Tarolas que se fora embora, e pôs-se na bateria a brincar connosco ao improviso. A noite alongou-se e no fim já era só eu e ela. A partir daí, procurei em cada minuto, em cada gesto, em cada palavra, um pretexto para avançar, estava a precisar muito de ter uma namorada.
- Tu fumas?!
Que raio de pergunta a dela! Pois se eu tinha estado toda a noite a fumar!... Trazia o charro já feito, acendeu-o e passou-mo. Demos mais uns toques inspirados pela erva mas a certa altura as teclas começaram a entrelaçar-se nos pensamentos e …
- Estou a ficar tonto! Vou lá fora!
Ela seguiu-me até ao pinhal, que era ali mesmo, com “seguir” preocupado.
- Queres vomitar?!
Agarrou-me de lado e encostou-me a cabeça.
- Isto já passa!...
Surgiu um beijo oco.
- Estou a ficar melhor!
Um pinheiro ajudou-nos a um beijo terapêutico e volta e meia senti-me curado. Envolvemo-nos até ao ponto de se tornar difícil parar. A certa altura a minha namorada ofegou-me baixinho:
- Estou a sentir uma pasta viscosa na mão!...
Tinha posto a mão num púcaro de resina.
- Como é que eu tiro isto da mão?! Isto sai com água?!

sábado, 30 de janeiro de 2010

E o porco sou eu?!

Conheço-o de vista mas não falo com ele. Sei que é um traste que não olha a meios para conseguir os seus fins. Ontem, cruzou-se comigo num local público. Começou "Ah! Ah! Ah!" e rematou com um "Atchin!".
Espirrou-me para cima e não pediu desculpa. Terá sido de propósito? Será só mal educado? Como é que devemos reagir quando nos espirram para cima e ainda por cima não nos pedem desculpa?  Ainda que tenhamos ficado com a cara coberta de gafanhotos e manchado o colarinho que tanto dinheiro nos custou,acabamos por não reagir.

A gripe dos porcos foi um espirro gigante do monstro porco capitalista! Sabíamos que era capaz de tudo! Já tinha ensaiado as cuspidelas da gripe das aves e das vacas loucas! Para o monstro porco capitalista não passam de actividades de lazer, rentáveis números de circo: compram-se os melhores laboratórios no fabrico de vírus e anti-vírus, uma poderosa agência de informação que arraste todas as outras atrás de si e depois é só colocar as televisões e uns meio-peritos a debitar cenários. Não chega a ser necessário que o vírus se espalhe mas apenas a sua notícia. Gastou-se dinheiro?! Que importa?! Criou-se riqueza!
O pior é se isto um dia se torna na história do rapaz e do lobo.

Quem sou eu para falar sobre isto?! Ninguém?! Da...a! É a gripe do porcos e eu sou o Rei dos Leittões!
A paranóia afectou tragicamente este blogue, das centenas passei para as dezenas de visitas diárias! Isto apesar de eu ter garantido que blogaria de máscara!
Imagem vista no Fliscorno e no Cantigueiro

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A caminho de Belém



Doze valorosos apoios de personalidades blogosféricas já manifestaram, aqui, o seu apoio. Lembro que foi assim que começou o cristianismo.

Numa democracia plena qualquer cidadão poderia, por inerência, ser eleito para a presidência da república sem necessitar de formalizar qualquer candidatura. Por cá, essa possibilidade está aberta apenas a personalidades apoiadas, directamente ou indirectamente, por partidos ou que, no mínimo, possuam conhecimentos e influências que lhes facultem o acesso aos meios que fazem o poder.

Conclusão, embora muitos cidadãos comuns já tenham manifestado pública intenção de se apresentarem como candidatos, nunca conseguiram concretizar o seu direito a tal. Ainda que alguns destes tenham conseguido vencer a praxadela das 7500 assinaturas, entregue o processo, existiu sempre um procedimento incorrecto ou faltou um papel que o reprovou.

Sendo assim, e porque não parecem inocentes as exigências que negam o espírito constitucional, nós que não gostamos de papas nem de bolos, temos um dever de nos mobilizar para provocar o sistema apresentando uma candidatura monárquica à república. (Ajudem-me porra!)

Nota: para os que acham que ainda é cedo para começar lembro que, com muitos mais apoios, Amin Niguen Mecala já iniciou a sua campanha e que eu, que não possuo cavalos, se quero chegar à meta em primeiro não devo esperar mais.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

7- Será que tem de ter título?

Ligue a música enquanto lê. Para a semana a história continua.


A casa de Cipriano tornara-se uma casa de espectáculos. Ele próprio tinha máquinas de filmar e projectar fita “super 8” e proporcionava sessões de cinema documentando a sua vida em Paris, a cópia do King Kong e mais duas ou três fitas mais do que repetidas. Com esse mesmo espírito começou a ceder o espaço a um indivíduo que semanalmente ali vinha projectar dois filmes - um de Kung Fu e outro pornográfico - e que num certo dia trouxe com ele, a roulote, a mulher, o cunhado e uma prima para darem um espectáculo de circo.

E assim foi, com o salão com a malta do costume e mais alguma, sentei-me, entre amigos, na segunda ou terceira fila. Tudo a fazer lembrar os antigos saltimbancos que vinham à aldeia e nem o número de contorcionismo faltou:

Uma moça magra, de biquini com brilhantes, dobra-se e desdobra-se em cima de uma tapeçaria, entrelaça os membros, anda com as mãos como se fossem pés, desfaz-se num corpo disforme sem, no entanto, perder a sensualidade. O projector acrescenta-lhe luz mas cria sombras que não deixam avivar as feições que se foram com o tempo e com a memória.

- Quase de certeza que é Teresinha! Agora ela está com as costas totalmente dobradas para trás e o rosto aparece, de frente para o público, junto ao tapete e invertido entre as pernas flectidas. Nestas condições é difícil concluir com segurança se será a Teresinha e, por outro lado, se for ela, nunca me reconhecerá na penumbra da plateia. Além disso, neste preciso momento, na posição em que está, vê tudo ao contário. Já sei! Acendo um cigarro e mantenho o isqueiro alguns instantes de modo a chamar a atenção e a iluminar-me a cara. Vá lá! Olha! Repara aqui no do isqueiro!... Resultou?! Sinto quatro olhos a tocarem-se! Sinto a certeza de que é ela mas tenho dúvidas que me tenha reconhecido. Se tal acontecesse teria mudado o ritmo do número e teria existido um sorriso dedicado.

Chegado o momento bati palmas de pé, ela saiu pela porta do fundo e foi para a roulote. No fim da noite desabafo com Cipriano e conto-lhe o primeiro e o segundo capítulo desta história . No dia seguinte ele irá averiguar o nome verdadeiro da artista e

sábado, 23 de janeiro de 2010

Três tristes questões


- Um homem sério é aquele que não engana ninguém. Será Pinto da Costa um homem sério?
- A justiça é igual para todos. Será possível aparecerem no youtube as escutas a Sócrates?
- Um árbitro é um juiz. Serão os juízes árbitros?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A caminho de Belém



Fiquei tremendamente surpreendido pelo anúncio da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, fiquei igualmente surpreendido pelo pronto apoio do Bloco de Esquerda, mastiguei durante os últimos dias estas surpresas e tomei uma decisão que nesta hora concretizo:
ANUNCIO, INFORMALMENTE, A MINHA CANDIDATURA ÀS PRÓXIMAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS.

Acompanhe neste blogue os desenvolvimentos desta surpreendente candidatura..


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

6- Não estou preocupado com o título

Esta é uma história de músicos. A música faz parte da história. Mais vale ler sem óculos do que sem a música ligada. Esta história já vem de há semanas e para a semana continuará a ficção se o autor for real.


Estou preocupado porque receio não poder descrever a história sem descrever primeiro as personagens o que, na minha humilde pena, não é pêra doce de se dar e pode-me até sair cara se afugentar os fregueses da fruta que aqui se vende. Porém, Cipriano merece mais do que ser conhecido de vista. Cipriano tinha uma biblioteca só com um livro e a esse livro recorrentemente recorria para fazer prova do seu saber:

- Não acreditas que é verdade?! Eu vou já buscar-te o livro!

Para tudo o livro de São Cipriano tinha uma receita, o que explica, portanto, que “Cipriano” fosse alcunha. Cipriano tinha sido baixo nos Quentes seniores mas connosco só dava um “coup de main” por falha do músico ou se bebesse, o que acontecia duas ou três vezes por ano, podia subir ao palco para cantar o seu interminável blues com letra em português, francês e inglês, tudo à mistura, e fazer uns números de acrobacia que abriam a boca ao público.

Numa dessas ocasiões, Cipriano levara os seus dotes circenses demasiado longe, já tinha passeado pelo palco com as mãos no chão e com os pés à volta do pescoço, já tinha feito de anão dobrando as pernas pelo joelho com os pés junto ao traseiro, já rodara o microfone pelo cabo à moda de rancheiro do velho oeste, já o blues levava mais de meia hora e dá-lhe para andar pendurado na estrutura de suporte do telhado do recinto até se acomodar, escarrapachado, dois metros acima do público que o admirava de cabeça virada para o ar:

“Eu sou um velho maltês/ Casa para mim nunca se fez/Já não tenho sola nos sapatos/Passo as noites duas e três/Embrulhado numa manta de farrapos….”

E eis senão quando, ao tentar um mortal de regresso ao solo, fica espalhado sobre a mesa misturadora. De imediato ergue-se entre aplausos e dá ordem à banda para continuar.

No final de tão brilhante actuação a organização do baile recusou-se a pagar-nos o contrato alegando que não tínhamos tocado nada de jeito e quem teve de conduzir a J7 no regresso foi o menor Nini.

No dia seguinte a minha mãe interrogou-me acerca dos acontecimentos já que soubera que Cipriano, durante a manhã, fora transportado de ambulância para o hospital.

Vem esta história a propósito da arte de Cipriano e do seu gosto pelo circo e pelo espectáculo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pense no Haiti



Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Caetano Veloso

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dáme pica

- Que erro! "Dáme" sem traço!!
Pois prefiro não saber escrever "dá-me" do que utilizar a expressão, muito em voga, "dá-me pica". Eu até tolero que apareçam, de vez enquando, novas expressões ou que certos termos façam moda e sejam utilizados até fartar. Lembro-me do tempo em que o recurso insistente a certos advérbios de modo, que nada acrescentavam ao assunto, ser utilizado para disfarçar o discurso pobre de oradores mal aculturados.
Em tempos cheguei a recorrer ao "ó meu", ao "bué" e, uma dúzia de vezes já corri ao "paradigmático! Nunca embalei no "por tudo e por nada" começar as frases por "é assim" mas, acho graça que todas as rapariguinhas de balcão, comecem assim as suas explicações.
Agora o "dá-me pica" é que não! Para mim será sempre uma expressão brejeira porque "pica", não sendo do verbo picar será sempre palavrão e se fôr de seringa sugerir-me-á dor e não prazer!
Claro que uma mulher ou um gay poderão sempre dizer "dá-me pica" mas aí reside a razão porque não o poderei dizer ou, quando muito, palavrão por palavrão, diria "dá-me tesão". Mas, como tudo me dá tesão, o melhor é não andar sempre a repetir a mesma coisa e continuar a tentar falar português decente.
"Dá-me pica", não.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

5- Terei de arranjar título

Ouvir a música, enquanto se lê, ajuda a entrar no ambiente da história. Depois do 4, do 3, do 2 e do 1, este é o 5. Como se vê, ainda sei contar a quantas ando.


Cipriano investiu todo o dinheiro que trouxe de França. Além do bar, da sala de petiscos e do salão, fez também uma piscina, uma pista de motocross, uma loja de instrumentos musicais, uma pequena empresa de construção civil, pintura e decoração. Na designação actual chamar-se-ia o “Grupo Cipriano”.

Os putos dos Quentes, em cuja formação base eu, com 16 anos, era o mais velho, começaram a ter sucesso e contratos para todos os sábados e domingos. Fazíamos quilómetros e viajávamos horas na Peugeot J7 de matrícula francesa. Cipriano não legalizava a carrinha e mantinha a banda registada em França para poder atravessar a fronteira com a J7 carregada de aparelhagens sem pagar direitos alfandegários – era o conjunto que vinha actuar a Portugal. Esta actividade de contrabando permitia-nos estar sempre a tocar com bons equipamentos e das melhores marcas, que eram aquelas que proporcionavam melhores negócios e que, simultaneamente, nos davam algum prestígio. Durante as longas viagens que fazíamos o nosso empresário ditava recomendações de maestro e outras instruções:
- Se a polícia nos mandar parar “nós vivemos em Neuilly Plaisance – Champinhy e viemos actuar a Portugal!...”
E assim aconteceu. Durante a inspecção da autoridade, Cipriano e o filho Nini não pararam de falar francês. Os restantes passageiros, limitados ao português, fizeram o melhor e mantiveram-se calados. Num remate de desconfiança, e dando prova de arranhar francês, o polícia dirigiu-se ao Tarolas:
- Comment tu t’appelles?!
- Neuilly Plaisance.
- Tu as bu quelque chose?
 - Champinhy.
O Tarolas foi brilhante, o polícia mandou-nos seguir e lá continuámos “sur la route” a tocar e a cantar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Olha o passarinho!!!

Afectado pela paragem do tempo e pelos tempos que correm recorro à anedota:


Motociclista a 140 Km/h numa estrada. De repente deu de encontro com um passarinho, não conseguiu esquivar-se e 'poof'.
Pelo retrovisor, ainda viu o bicho dando várias piruetas no asfalto até ficar estendido. Não contendo o remorso ecológico, parou a moto e voltou para socorrer a vítima.
O passarinho estava lá, inconsciente, quase morto.
Era tal a angústia do motociclista que recolheu a pequena ave, levou-a ao veterinário, foi tratada e medicada, comprou uma gaiola e levou-a para casa, tendo o cuidado de deixar um pouco de pão e de água para o acidentado..

No dia seguinte, o passarinho recupera a consciência. Ao despertar, vendo-se PRESO, cercado por GRADES, com um pedaço de pão e a vasilha de água no canto, o bicho põe as asas na cabeça e grita:
- Puta que pariu, matei o motoqueiro!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

No dia em que o Rei faz anos

Hoje, Dia de Reis, o Rei está triste, há quatro anos que anda a dizer as mesmas coisas e não passa da cepa torta!


É preciso lembrar a malta que eu faço anos?! Deêm-me ao menos os parabens! Fica sempre bem!

Vou ficar por aqui. O ano passado é que foi uma festa de bolotas, até recebi prendas:


Foi a prenda do Fliscorno



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

4- Porque é que há-de ter título?


A música é  ingrediente necessário à história. É bom ouvi-la enquanto se lê.
Se é o 4 é porque já houve o 3, o 2o 1 e haverá 5 se existir tempo real.

O Salão do Cipriano alterou a vida de muita gente e particularmente a dos que, como eu, eram músicos dos Quentes.

Aí ensaiávamos de porta aberta para os clientes do café e, se houvesse instrumento livre, qualquer um podia participar ou praticar. Nos fins-de-semana em que não havia contrato para fora, haveria ali baile até às tantas. Os mais chegados à casa participavam como porteiros, baristas, técnicos de luzes e, algum que desse uns toques, podia dar uma folga a um músico que precisasse de dar uma volta.

Cipriano ocupava a juventude na serventia aos seus sete ofícios e, por vezes, cedia-nos por completo a gestão das noites do seu “bataclan” reclamando para si apenas a exploração do bar.

Foi neste contexto que descobrimos e decidimos realizar o que só ao diabo lembraria: Um Baile de Noite de Natal. O sucesso e o dinheiro em caixa foram de tal ordem que repetimos o evento alguns anos. O sucesso advinha do facto de sermos os únicos da região suficientemente doidos para escrever num cartaz:

“Passa a Noite de Natal connosco, somos todos uma família”

Afinal muita gente não saía de casa porque não tinha para onde ir; afinal quem vive o Natal todos os dias não precisa nada do dia de Natal e quem só o vive no Dia de Natal, só por um dia, mais valia estar quieto; afinal os nossos pais não nos reprovavam porque queriam era que nós ganhássemos dinheiro para umas calças de ganga mas, e apenas no primeiro ano, impuseram uma salvaguarda:

- Tens de ir à Missa no Dia de Natal dar um beijo ao Menino Jesus!

Porque o baile acabara pelas cinco da madrugada, porque no fim da festa o salão teria de ser limpo e arrumado, porque era no dia que se faziam as contas, porque haveria ainda lugar para uma cerveja de conversa, fizemos directa e fizemos a pé os três quilómetros até à Igreja tendo sido dos primeiros a chegar depois do sacristão. Sentámo-nos no banco dos fundos. A nossa longa noite revelava-se nas nossas roupas, nos nossos cabelos, nos nossos olhos, e nos olhares cruzados. Sentámo-nos no banco dos réus.

O Natal daquela Igreja já não era o nosso. O padre dava apenas aos lábios, nos nossos ouvidos ecoava a potência das músicas da longa noite com outros santos … talvez Santana...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Prognósticos leba-os o Bento

Bento XVI aconselhou os católicos a «não se fiarem em improváveis prognósticos...».



Sei mais do que o Papa. Em 2010
vai fechar uma empresa e mais de 100 trabalhadores irão para o desemprego,
um ministro vai ser acusado de corrupção mas o processo vai ser arquivado por falta de provas,
uma criança vai ser retirada dos pais adoptivos e entregue à mãe biológica,
um padre católico vai ser acusado de pedofilia,
um conhecido homossexual vai animar um programa de entretenimento na TV,
um jogador de futebol vai ver-se envolvido num escândalo com putas,
o primeiro ministro vai fazer uma comunicação ao país reafirmando a sua inocência,
o presidente da república vai dizer numa entrevista que está muito preocupado,
o Belmiro de Azevedo vai lançar uma campanha de solidariedade,
um dos maiores clubes nacionais de futebol vai ganhar o campeonato,
um jornal noticiará em primeira página o vencimento do Ronaldo,
no Verão existirá um grande incêndio florestal que acabará por ser extinto,
um estudo revelará que os portugueses têm dias de descanso a mais,
os combustíveis vão aumentar e o preço do crude vai descer,
o PSD vai ter uma crise de liderança,
Manuel Alegre anunciará a sua candidatura à presidência da república com o apoio do PS,
vai ser preso o principal cabecilha da ETA,
vai ser feita a maior apreensão de droga em território nacional,
Maria de Lurdes Rodrigues vai ser entrevistada por Judite de Sousa,
o Prós e Contras vai ter um programa dedicado à crise,
um ex-ministro das finanças vai dizer que é preciso diminuir a despesa e aumentar a receita,
um camião cisterna vai incendiar-se na auto-estrada,
um bloguer vai ser processado por ter feito referência a uma relação de Fernanda Câncio,
o governo cairá de podre e sócrates voltará a ganhar as eleições,
o papa virá a Fátima e apelará à paz e à oração,
vai-me avariar uma torneira e um estore em casa,
um colega de trabalho chamar-me-á incompetente,
o meu património irá de mal a pior,
vai existir uma noite em que beberei um copo a mais,
a minha companheira vai dizer todos os dias que sou sempre o mesmo,
será anunciado o fim deste blogue mas passadas três semanas recomeçará


sábado, 2 de janeiro de 2010

CASO BPN: ESCÂNDALO E IMPUNIDADE




A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal !!!

O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.

Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS…..) poderíamos:
Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).
Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.
Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.
Construir 5 pontes para travessia do Tejo.
Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.

Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4850 carrinhas de transporte de valores!
Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.
Distribuído pelos 10 milhões de portugueses, caberia a cada um cerca de 971 € !!!

E que tamanho deveria ter a prisão para albergar esta gente?!
recebido por e-mail

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bom


Video gentilmente indicado pela amiga Maria.
Desta forma me despeço do sucesso deste ano. Bom revirão e bom ano bão para todo o Reino

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

3- Não encontro título

Não se sabe o que teria acontecido e também ninguém se preocupou em investigar mas a malta do circo nunca mais apareceu por aquelas bandas e a aldeia só voltou a ter serões de animação, uma década depois, quando Cipriano olhou para ela.

Cipriano, como muitos da sua geração, encontrou na França dos anos sessenta o caminho para se fazer a uma vida que, dificilmente, realizaria em Portugal. Por lá se fez músico e criou, com outros emigrantes, um grupo musical que se viria a tornar conhecido entre a comunidade portuguesa de Paris.

Já não vinha a Portugal há cerca de 10 anos quando, no Verão de 76, vem, com a sua banda, actuar em algumas festas da região. A “digressão” foi uma revelação. Música portuguesa, brasileira – Eh meu amigo Charlie!- anglo-saxónica e francesa, compunham um repertório que, facilmente, fez sucesso entre residentes e emigrantes. No ano seguinte voltaram e repetiu-se a receptividade.

Os tempos de esperança que então se viviam e o clima de entusiasmo que se criou à volta da banda de Cipriano levaram-no a decidir regressar definitivamente à sua terra com a sua família: reúne os melhores músicos das redondezas e dá uma nova formação ao seu conjunto, transforma a sua casa num salão de festas, revela a sua faceta de homem de sete ofícios, reclama melhores condições para a sua Terrinha, ajuda tudo e todos, vive rodeado de amigos, é um homem imparável.

É nesta altura que sou convidado para fazer parte do “conjunto dos putos” – assim era conhecida a segunda formação que assegurava os intervalos das actuações do grupo adulto e que tinha como atracção principal as qualidades musicais do seu filho Nini, de 12 anos. Não tardou que tomássemos o lugar da banda sénior. Seguiram-se os sete anos – com quase mil actuações anotadas na agenda que ainda guardo - em que privei de perto com o Cipriano, na sua vida familiar, em longas viagens, em arraiais, casamentos, bailaricos, palcos, trabalhos e sarilhos.

A sua casa foi, durante esse tempo, um autêntico centro recreativo e cultural, frequentado por velhos e novos, por forasteiros de ocasião e malta assídua, por músicos e curiosos de toda a espécie. A casa era de todos, o bar estava aberto até haver assunto, todos podiam tocar bateria, viola ou cantar, havia sempre música ao vivo, podia haver cinema, aos sábados dançava-se, falava-se de tudo e, às vezes, também havia porrada.

Espero que esta história caminhe por esses sete anos.


Os leitores já foram avisados que devem ouvir a música enquanto leêm, faz parte da história. Esta história já vem de trás e continuará para a semana se houver real vontade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

2- Continua sem título

Chegavam numa ou duas carrinhas de guarda lamas a bater, punham as cornetas a tocar o “obládi obládá”, abriam dois buracos na terra batida, espetavam dois paus na vertical, ligavam ambos na ponta por uma corda esticada e abancavam arraiais. Era uma família e meia das margens dum circo maior e faziam os números de atravessar a corda em equilíbrio, do equilíbrio em três rolos de madeira, do bota fogo pela boca, do atira facas para a mulher no disco a rodar, do pomba na manga, dum cão com um macaco e, claro, dos palhaços.
Mas a novidade deste ano que a aldeia, que se reuniu por dois serões com moedas no bolso e palmas para dar, mais apreciou foi a da menina que já veio artista da barriga da mãe. A Teresinha, magrinha, de biquini com brilhantes, dobrava-se e desdobrava-se em cima de uma mesa, entrelaçava os membros, andava com as mãos como se fossem pés, desfazia-se num corpo disforme sem, no entanto, perder a forma graciosa de um obra das mãos da Natureza.
Não sei de que dimensão do fantástico poderia vir a ideia de fazer um número de circo com grilos. A menina nomeou-me parceiro: haveríamos de conseguir pôr vários grilos a grigar em sequência de modo a conseguir alguma melodia. Enfim, éramos crianças!
Dois dias de treinos e havia sempre o grilo de uma nota que morria. Valeu-nos a brincadeira pela amizade que encetámos e o rótulo que nos colaram os adultos, de sermos namorados, sem que a inocência nos desse para percebermos porquê.
Os saltimbancos não recolhiam apenas as moedas que lhes caíam nos chapéus, a vida familiar da aldeia fazia-os da família e, nos dias em que por ali conviviam, não lhes faltavam couves, tomates, batatas e até, uns nacos de toucinho.
Dessa proximidade, que o meu pai tanto cultivava com o patriarca saltimbanco, num fim de tarde de taberna, teria surgido a ideia peregrina de eu ir com a “malta do trapézio” ao Sítio. Seria a próxima paragem dos nómadas; seria a oportunidade do Mar, que nunca me tinha visto, me poder ver; seria uma maneira de me fazer crescer; daria sempre jeito, ainda que pouco destro, para dar assistência a um número; poderia dar um palhaço e, quem sabe, se o número dos grilos não poderia ser mais do que um sonho de crianças e pudesse vir a unir o futuro do par tão engraçado.

Não sei como o assunto caiu na mesa a céu aberto e iluminada com o pitromax mas lá em casa foi de toda a gente ficar de boca aberta:
- Ó homem, isso foi tempo de taberna a mais!?
- Eles da Nazaré vêm para Leiria e logo o devolvem na carreira do Arlindo!
- E já perguntaste ao menino se ele quer ir?!
Não fui! A minha mãe não era mulher de me deixar ir em aventuras! Além disso: e se eu fizesse chichi na cama!?


Este filme é para ouvir durante a leitura. Esta história começou a semana passada e para a semana, se tiver real disposição, escreverei outro capítulo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sinais da província

Na mesa do restaurante disse-se "anti-socrátes": da mesa ao lado sentiram-se olhares de condenação: um sinal de que um novo regime se está a implantar por todo o país: já não se pode discutir filosofia à mesa!


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ai

Ai que eu não tenho tempo para ir comer aos blogues da ronda quanto mais para dar de comer ao meu! Ai que me dói um dente, a dentadura postiça e o cabelo!
O Criador foi justo porque os dias de vinte e quatro horas, fê-los para toda a gente mas falhou, tal como os engenheiros falharam na segurança da ignição do Fiat Uno, na concepção dos dentes dos humanos - quem nunca teve um problema com um dente não é humano.

Ai que estou pelos cabelos! Ai que falta a este país um lúcido para amandar uma estatueta das Caldas à testa do nosso "berlosconito"!
Li que "há dois tipos de grupos no governo do PS: um, formado por gente totalmente incapaz; outro, por gente capaz de tudo..."

Ai Mário Viegas que te foste e

há sempre alguém que não conhece...

Para que conste:
A lei não deve contemplar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nem entre pessoas de sexos diferentes. Essas questões de com quem, com quantos, ou com quantas partilhamos a cama, não são razões de Estado!


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

1- A aguardar título

Eu, menino de 2ª classe, era um exímio caçador de grilos. O meu sucesso não tinha origem no tradicional método da palhinha mas resultava da técnica da rendição do insecto por asfixia: despejava um lata de água no buraco e, passados instantes, contava mais um. Cheguei a ter mais de um quarteirão de grilos enclausurados em gaiolas, latas e frascos - uma verdadeira grigricultura.

Depois trocava-os por folhas de alface e outros géneros (a minha mãe proibiu-me de recorrer à horta), com outros meninos. Não era grande negócio, a moeda de troca, não se traduzia em lucro, assegurava apenas a manutenção da exploração. Além disso tinha sempre reclamações: ou porque não cantavam, ou porque não se calavam, ou porque morriam passadas algumas horas. Eu tentava esclarecer os clientes com teorias sobre a vocação artística dos grilos e com a lei da vida mas nem sempre era convincente.

Que gaita, um grilo não serve só para cantar! A morte dos grilos era a coisa mais natural, eu próprio geria um cemitério desse seres de Deus, com pequenas cruzes sobre cada pequena campa, nas imediações do complexo de gaiolas, latas e frascos!

Teresinha veio a minha casa e ficou encantada com a grigricultura, provavelmente, também com o grigricultor e fizemos negócio. A troco de 10 grilos, deu-me um tractor de plástico, daqueles que eu tão bem conhecia da “feira dos 12” mas que minha mãe sempre se recusara a comprar:
- Não ligues a essa porcaria filho! Isso não vale nada, é só plástico! Para que queres tu um tractor se tens uma junta de bois!?
Para quem não é da zona do pinhal, saiba-se que uma junta de bois eram duas pinhas atadas por um cordel que as crianças arrastavam atrás de si, com um pau às costas e a dizer “anda bórisca!”.

Mas quem era Teresinha para tanto se interessar por grilos em cativeiro e poder para me oferecer em troca um tractor que tanto jeito me daria para o transporte das gaiolas, latas e frascos?! A Teresinha poderiam ser úteis os cantadores para um novo número de circo. Ela queria alargar a sua actividade artística de pequena e aplaudida contorcionista dos saltimbancos que, uma vez por ano, abancavam no largo da aldeia.

história para continuar se me der na real gana

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

História Devida

No passado dia 8 de Novembro, pelas 13 horas, o programa da Antena1, História Devida, passou mais uma história do João Rato/Pata Negra: Como elas acontecem.

Por acaso, no dia anterior, tinha regressado do hospital a Tal que nessa história me aconteceu. Acontece que o almoço desse Domingo foi especial pelo regresso e que a coincidência nos fez ligar o rádio à mesa do fim de refeição. Os dois sós, ao ouvi-la, trocámos lágrima pelo canto do olho.

Amanhã, ela voltará novamente do hospital e, já que não dá para repetir a sobremesa, deixo aqui um arranjo do podcast da história - ela vem aqui espreitar o blogue, carrega no triangulozinho do play, e... logo se vê o que acontece e tal...
Dirão que seria de lhe dizer pura e simplesmente "Amo-te!" mas não sou pessoa de repetir as coisas pela segunda vez.

 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Movimento relativo

Vou desligar.
Parem de me dar notícias
Porque eu já sei que as coisas acontecem.
Parem de escrever bons livros
Porque o meu ritmo de leitura é lento.
Parem de fazer bons filmes
Porque tenho uns em atraso para ver.
Parem de inventar músicas
Porque eu tenho cedês que nunca ouvi.
Parem com a tecnologia
Que eu já não dou conta dos botões.
Parem de me oferecer produtos
Que eu tenho a despensa cheia.
Parem de me anunciar espectáculos
Que eu já não tenho agenda.
Parem de fazer leis
Que eu faço questão de andar legal.
Parem de fazer estradas
Porque eu já não sei por onde hei-de ir.
Parem o comboio
Porque eu vou apear.
Parem a camioneta
Porque me apetece vomitar.

Ainda o sinal não estava verde
E já me estavam a apitar.
Parem! Stop! Dêem-me tempo! Dêem-me espaço!
Parem que eu não consigo acompanhar!
Oh! Estou a ficar para trás!
Parem de me encher a cabeça.
Deixem-me respirar.
Respirem.
Todos os livros, músicas e filmes estão compostos.
Chega de tecnologia.
A Terra está esgotada.
Já vi todos os números de circo.
Todas as leis estão feitas e todas as cidades construídas.
Será este o caminho?! Não são estradas a mais!?
Não vou para mais lado nenhum!
Não quero mais nada!
Vou viver aqui que aqui há terra!
Vou descansar.
E tu

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Carros eléctricos?!

De vez em quando é novidade: um carro eléctrico.
Noticiam-se avanços tecnológicos e apoios do governo, passam-se imagens de protótipos, anunciam-se lançamentos a preços só para alguns.
Pois fiquem sabendo que o primeiro carro em que viajei era eléctrico e andava em cima de carris. Mais tarde, jovem em Coimbra, deslocava-me diariamente nos chamados "troleys".
Porque é que o desenvolvimento das redes de transportes públicos das nossas cidades não apostou nestes veículos pouco poluentes? Porque é que se apresenta  repetidamente, com tiques de pura propaganda, um pequeno automóvel eléctrico de díficil comercialização e não se investe nos troleys?



Refira-se, também, que as características não poluentes dos transportes eléctricos não anula os efeitos poluidores da energia eléctrica produzida a montante nas centrais termoeléctricas. E, já que estou com as mãos entre a fase e o neutro, dou a minha opinião de que a  produção de energia eléctrica não poluente passa pelo recurso à microgeração (a nível doméstico). A aposta nesta solução foi propagandeada pelo governo mas, como se esperava, a dimensão dos custos é só para alguns.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Capitalismo solidário?!


- São 34.99 euros! Não quer arredondar a sua conta para 35 para uma campanha de solidariedade?!
- Olhe! O Belmiro que seja solidário!
A minha resposta seca e irreflectida fez corar de surpresa a pobre funcionária da Worten que me deu como troco uma resposta seca e irreflectida.
Trata-se de uma campanha, segundo apurei posteriormente, em que o poderoso grupo de vendas propõe aos clientes que deixem arredondar a conta por excesso, com a garantia de que esse gesto será automaticamente convertido e garantido em solidariedade que a operadora não identificou. Acredito que seja bem encaminhada mas não compactuo com a forma, nem me convence a inocência do altruísmo:
1º - Já lá vão uns anos em que os preços terminados com um 99 em letra pequena,  cumprem os seus objectivos mas já cheiram mal porque, apesar de reconhecidamente a técnica funcionar é, ao mesmo tempo, uma provocação ao funcionamento do nosso cérebro e à passividade do nosso eu "consumidor".
2º- Salazar foi salazarento ao proibir mendicidade. Seria pedir muito ao Sócrates que, ao menos, proibisse que nos fosse estendida a mão pela gaveta do hiper mercado?!
3º- Que estranha forma de distribuir riqueza é esta, em que a boa acção dos mais ricos dos ricos, é disponibilizarem as suas mãos para fazer o transvase de bens, dos - talvez - menos pobres para os - talvez - mais pobres?
4º - A solidariedade devia começar na grande casa dos directamente dependentes do senhor Belmiro. E que tal dar aos seus trabalhadores - colaboradores como, não inocentemente, insistem que se chamem - uma vida digna de não escravidão?
5º Quem tem inteligência para pensar nesta campanha de marketing temperada com tão engenhosa solidariedade terá, certamente, lucidez suficiente para perceber que a funcionária da caixa pode ser muito bem a primeira a precisar dessa solidariedade, se não puder ser em cêntimos que seja ao menos em menos uns minutos de turno de trabalho.
Posso dar, quero dar, darei sempre mas nunca aos balcões dos semeadores da pobreza!
Boas intenções tem o inferno a mais e eu já estou cheio de natais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Varas, carapaus e varapaus

Começo a acreditar que a mentira do caso Vara, é a prenda do robalo! Tudo parece ter sido dito, a conselho dos assessores de imagem, para dar a ideia de que no meio de peixe nunca se esconde um cheque e para distrair os fregueses da existência de peixe graúdo. Isto é,  o robalo não passou de um isco que todos mordemos alegremente. E mais, até a espécie de peixe foi pensada ao pormenor: porque não cherne, carapau ou um peixe de aquário?!


Um homem que só pensa em ser grande é porque é realmente pequeno.Não sei porque me lembrei desta!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O que é que foi tratado em Lisboa?

Estava eu a levantar-me da mesa quando ouvi:
-Faltam 3 minutos para o Tratado de Lisboa entrar em vigor!
E logo respondi desligando o televisor.

Já tratado, vim para o computador pensar assim, acerca do modo como nos tratam (era para ser pelo voto mas não deu o resultado esperado), acerca do modo como tudo foi tratado (alguém insistiu e insistiu-se até dar o resultado desejado).

Mas afinal de contas o que é que foi tratado?!
- Coisas do meu interesse, pelo certo, e coisas do interesse de outros pelo errado!...

Já passaram algumas horas desde que o Tratado de Lisboa foi assinado. Não noto nada de especial senão a insistência da TV em repetir as declarações banais dos habituais comensais.

Ninguém liga nada a isto! Ninguém questiona isto! Ninguém sabe nada disto! Saberão eles para onde nos levam?! Saberão eles, ao menos, o que foi tratado?!
Parece que são coisas importantes para as pessoas mas não o suficiente para serem votadas! Dizem que todos devíamos participar na discussão, sendo certo que são coisas demasiado complicadas para que da nossa opinião resulte decisão.

Eles decidiram! Eles são porreiros, fazem tudo por nós! Que contributo pode dar um cidadão que, ao escrever sobre isto, só lhe sairam rimas em "ais" e "ão"?!
Enfim, o que importa é que nos tratem, não interessa como, desde que não nos faltem com a ração!


Estamos tratados?! Sim! - Ou talvez não!... O importante é que o Tratado fique com o nome de Lisboa e que o Durão seja português!...

A Restauração


A Crise, o vento de Espanha e a ASAE estão a dar cabo do sector da Restauração.

sábado, 28 de novembro de 2009

mais forte do que eu

PREFÁCIO

Escrevo, de lágrimas no bolso,
como uma criança que faz um boneco e pensa que este vê
porque lhe desenha olhos no rosto!

E para que mais pode servir a inteligência
a quem é piolho da sua própria cabeça
e todos os dias se senta à mesa para se comer a si próprio?!

De si próprio, o poeta da angústia e do mau gosto,
O HOMEM QUE O PERSEGUE;
que de si próprio nasce, cresce e escreve:

porque lhe rebentaram os princípios, as ideias, a cabeça,
e ele não rebenta!

porque saltou sessenta vezes a mulher do ministro
e ela ficou sedenta!
e a rádio não comenta!

porque a morte já não está em causa
nem se lamenta!
e a vida mal se aguenta!!

porque a história da Humanidade
não se emenda!

porque o HOMEM QUE O PERSEGUE é pata negra
que se senta para escrever esta blogue de sebenta,
e um homem destes, não se inventa!!!

Escrevo, a conversa das palavras
despindo e amando a Noite
no quarto onde se veste a Madrugada...

Escrevo, o silêncio das ideias
passeando e sorrindo a Natureza
nos bosques em que se esconde a Primavera...

Escrevi ainda, muitas coisas mais,
menos noventa e nove vírgula nove por cento
das coisas que gostaria de escrever...

A minha dor, são as tuas feridas...
O meu sangue, é mar que se ergue e não desce mais....
Eu sou o homem que me persegue,
O caos e o cais de tantas idas,
O bom dos bons, o mau dos maus...


terça-feira, 29 de setembro de 2009

This is the end

Venho comunicar-vos o fim deste reino em consequência do desaparecimento do monarca D.Pata Negra. Foi tudo muito rápido:
O autor - Face a estes resultados eleitorais só vejo uma solução: fazer a revolução de porta a porta!...
Pata Negra - Assim, à maneira das Testemunhas de Jeová?!...
Revólver do autor - PUM! PUM!...
O corpo fica em brasa ardente até que os servidores do blogger o ousem decompor.
O autor

- Vou andar por aí!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Leitão à sexta

Imagem tirada daqui

Sou obra dum autor, sou uma personagem, por isso, inimputável, ninguém me pode fazer réu, ninguém me pode demandar a coroa. Sou rei.
É difícil separar a realidade do autor da realidade do rei, quanto mais não seja porque um rei é sempre real. As pessoas que constroem personagens têm sempre uma personagem que é mais a sua mas não será por isso que possamos concluir que o Eça defendia o incesto, que o Saramago vota em branco ou que o Garcia Marquez era casado com uma índia.

Não posso votar, porque sou ficcionado, nem sequer posso revelar as opções políticas do meu autor porque esse é um assunto no qual não nos entendemos: ele é republicano e eu monarca, ele é da espécie humana e eu suína, ele é pela revolução e eu pela porcaria!...
Ele queria que o blogue descambasse para a política e eu não deixei; ele queria influenciar a corte e a plebe para que votassem num determinado sentido e eu não permiti; ele queria que eu votasse mas eu não voto, néscio como ele é, demorou tempo a perceber que o nome Pata Negra não constava nos cadernos eleitorais. Estou farto dele! Há por aí alguém que me queira adoptar?!
Eu estou disposto a ser personagem de qualquer um, o tipo irrita-me e está sempre a ameaçar que acaba comigo com um poste final na cabeça!
- Ou tu te calas, ou para a semana não há leitão à sexta! Amanhã eu e o meu país inteiro vamos reflectir! Se o resultado eleitoral de Domingo não me agradar, o Rei dos Leittões vai ser comido!
- E o que virá depois?!
- Um outro rei, mais porco do que este, mais javardo, mais pocilguento! Estou farto de ser manso!
Quando o autor interfere directamente na ficção, a descoberto da sua personagem identitária, o caldo está entornado. Votem! Votem! Votem aos milhares na revolução! Votem como ele quer antes que haja um regícidio!
O tipo está cansado da campanha, só lhe sai disto! Peço-vos perdão em meu nome e no seu!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PS: Nunca mais!

Depois deste governo
NÃO ACREDITO que exista um único funcionário público que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único militar ou polícia que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um médico ou enfermeiro que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único professor que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único operário que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único reformado que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que exista um único utente do Serviço de Saúde que vá votar PS;
NÃO ACREDITO que outros humilhados e ofendidos vão votar PS.

Na boca dos que nos governam e dirigem toda esta gente é culpada do estado em que o país está e não aqueles que os dirigem e governam. Os que nos governam e dirigem e os seus lacaios, a corja xuxalista, irá votar PS!
Na boca da direita liberal e conservadora toda esta gente está ofendida porque lhe tocaram as mordomias e os interesses corporativos e, por isso, este governo era necessário. Estes, que antes se identificavam com a direita tradicional, aderiram à nova direita xuxalista, irão votar PS!

O peso destas partes definirá o peso eleitoral do PS, o resto são sondagens e sondagens valem a quem valem.
E, se numa manhã de dia de eleições, este povo acordar disposto a mandar as sondagens às urtigas e, decididamente, decidir votar diferente?! Então é que vão ser elas!
Que seja já para a próxima! É que eu não acredito que funcionários, operários, militares, médicos, professores, operários, reformados, doentes, trabalhadores vão votar PS! Terão apenas os votos da corja, de alguns saudosistas de direita e daqueles que vivem melhor que há quatro anos!

NÃO ACREDITO QUE ALGUM AMIGO DESTE BLOG VÁ VOTAR PS
Eu sei que já começa a ser demais. Acontece que não tenho disponibilidade para mais. Mais uma vez recorri um post antigo, de há um ano atrás, estará actual?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Por minha culpa, minha tão grande culpa

... e peço ao virgem eleitor e aos incidentes e reencidentes, e a vós companheiros que não voteis neles, mas votai, amen! - Pois pá! A culpa é da oposição, dos sindicatos, das associações!
- Pois pá! A culpa é dos empresários, dos funcionários, dos advogados, dos juízes, dos polícias, dos professores, dos padres, dos jovens, dos velhos, das mulheres, dos pretos, das putas, eu sei lá!...
- E tu pá?!
- Eu nem sequer voto pá!
- Pois é pá, és um canário, os canários também não votam pá! São muito bonitos, cantam, vivem na gaiola, mas não votam pá!
- Não me venhas com políticas pá!

E no final eles voltarão a cantar aquela canção:
- Os portugueses escolheram-nos!
E, afinal, foram apenas eles que se escolheram a si próprios!

E, lá vai ficar tudo na mesma pá! Com os mesmos de sempre que nunca mudam nada pá! Das duas uma, ou tu não queres ou tu tens medo que as coisas mudem pá! Como queres tu ter uma palavra a dizer se nem sequer um sinal de cruz és capaz de escrever pá?! Vota pá!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Leitão à sexta

A Miluzinha, compreendendo as minhas brancas e a real necessidade de haver Leitão à Sexta, largou-me um comentário de socorro há 8 dias. Pode já ser conhecida a história mas, como repararão, este blogue pretende converter-se numa grande base de dados de tudo o que é porcino.
O orgasmo de um porco dura 30 minutos.
(Na minha próxima vida, quero ser um porco!)
Uma barata pode sobreviver 9 dias sem sua cabeça até morrer de fome.
(Ainda não consegui esquecer o porco)
O louva-deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo. A fêmea inicia o acto sexual arrancando-lhe a cabeça.
(”Querida, cheguei! O que é is…..”)
A pulga pode pular até 350 vezes o comprimento do próprio corpo. É como se um homem pulasse a distância de um campo de futebol.
(Trinta minutos…que porco sortudo! Dá pra imaginar?)
O bagre tem mais de 27 000 papilas gustativas.
(O que é que pode haver de tão saboroso no fundo de um rio?)
Alguns leões acasalam-se até 50 vezes num dia.
(Ainda prefiro ser um porco na minha próxima vida…qualidade é melhor que quantidade!)
As borboletas sentem o gosto com os pés.
(Isso eu sempre quis saber)
O músculo mais forte do corpo é a língua.
(Hmmmmmmmm…)
Pessoas destras vivem em média 9 anos mais do que as canhotas.
(E se a pessoa for ambidestra?)
Elefantes são os únicos animais que não conseguem pular.
(E é melhor que seja assim!)
A urina dos gatos brilha quando exposta à luz negra.
(E alguém foi pago para descobrir isso?!)
O olho de um avestruz é maior do que o seu cérebro.
(Conheço gente assim)
Estrelas-do-mar não têm cérebros.
(Conheço gente assim também)
Ursos polares são canhotos.
(Se eles começarem a usar o outro lado, viverão mais)
Seres humanos e golfinhos são as únicas espécies que fazem sexo por prazer.
(E aquele porco???)

Que diabo de ideia tem na cabeça o jardineiro que lhe dá para isto?!

- E Paula Rego?!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Foram estes PAH?!

Não foram estes que, conjuntamente com a GNR, estragaram um dia da campanha sócretina?!


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Gato Fedorento - por uma campanha mansa

Há um novo partido, em Portugal, que não está sujeito às regras de tetos de gastos de campanha: chama-se Partido dos Gatos Fedorentos, e tem como única linha programática manter a estupidez média do Português, abaixo da média, num nível de estabilidade médio de estupidez estável.
É uma imagem à qual recorro muito, e nem sequer é minha, é da Sociologia, campo ao qual sou totalmente alheio, a da chamada "Mulher Alibi". A Mulher Alibi, que muitas vezes é um homem, ou um grupo, é uma voz individual, ou coletiva, com lugar no palco dos que têm forte audiência. O seu papel é elementar: trata-se de um dos membros do Sistema que é subsidiado para fazer o papel de quem está CONTRA o Sistema. O princípio é aristotélico e catártico: enquanto o pagode se entretem com as pseudocríticas regurgitadas pela Mulher Alibi, vai diluindo as tensões que poderia ter, e os instintos de se tornar agressivo, agarrar numa moca, e ir direto àquelas caras que são o Sistema. Quando a Mulher Alibi satiriza o Pinto da Costa, o Paulo Pedroso, o Sócrates ou gentalha afim, a raiva coletiva esvai-se no espetáculo intermédio e nunca se atreve aos fins finais, cuja magnitude e extensão vindicativa poderiam ser devastadoras. Os Gatos Fedorentos, como aquela cadela do Eixo do Mal, a Quadratura das Bestas, em tempos, o cocainómano Esteves Cardoso e afins desempenhavam o mesmo papel. Um dia acabarei a engolir o meu próprio veneno, e a perceber que o tempo perdido pelos meus leitores nas divagações do "Arrebenta" também poderão ser engavetadas, nalgum investigador das eras futuras, na mesma gaveta... Sim, não estou livre de ser cronologicamente taxado de Mulher Alibi, mas deixo essa reflexão para os vossos filhos e netos, e passo adiante, que não sou futurólogo, nem masoquista.
Interessa-me agora o presente, e saber o que leva a SIC, creio (?), a pagar a um bando de indivíduos cuja única finalidade é embrutecer ainda mais o pensamento médio, médio baixo, e baixo, das plateias, a aparecer no meio de uma campanha eleitoral, para a descarga de justas energias da massa eleitoral, em plena efervescência.
Quem os paga, a quem servem, e qual a sua finalidade?...
Para mim, a resposta é evidente, mas fica aqui lançada como pergunta, para que, ao contrário de verem os resultados medíocres dessa equipa, PENSAREM um pouco no que vos cerca, e cesso aqui o assunto, porque o que realmente me vai consolar, depois do terramoto de 27 de Setembro, são as virgens púdicas do Bloco de Esquerda que se vão encostar ao Poder, qualquer que ele seja. Tudo indica irmos ter uma minoritaríssima Ferreira Leite, que, se continuar a tocar na tecla da independência e do levantar a cabeça contra os interesses ibéricos talvez se ponha a jeito para uma votação na qual nunca terá pensado... Não é por acaso, nem por humor, que bandeiras monárquicas foram içadas em Cascais e no Porto. Queriam tão só dizer, Português, lembra-te de que houve um tempo em que começaste, porque quiseste e precisaste, de ser Português, e esse sonho está agora em risco.
Com Manuela Ferreira Leite, choverão queijos limianos e zitas seabras, desta vez, a saírem do saco de gatos assanhados a que se usa chamar Bloco de Esquerda, prontos para defenderem TGVs, Contenções Orçamentais, e, por que não, a consolidação dos passivos do BPP. Ana Drago tornar-se-á confidente do Padre Feytor Pinto, e Fernando Rosas irá de mão dada com o Padre Melícias saber se o Guterres ainda anda a mamar leitinho Opus da Vaz Pinto. Vai ser um amor, uma coisa piedosa, e que nos vai cortar o coração, porque nós gostamos, sempre gostámos, de pessoas disponíveis para ajudar o vizinho. É a Síndroma do Empresta me uma colher de açúcar, quando, no fundo, o que o levou a bater à porta da vizinha era uma sublime ânsia de minete. Eu sei que é feio, mas a isto chamar-se Real Politik, e vai ser o cenário Outono/Inverno, para Portugal. Na terminologia da minha doméstica, vai ser um salve se quem puder.

(Provocatório, no Aventar, no A Sinistra Ministra, no Arrebenta-Sol, no Democracia em Portugal, no Klandestino e em The Braganza Mothers)... e também no Rei dos Leittões

domingo, 13 de setembro de 2009

A Crise

De vez em quando (muitas vezes?) dá-me para isto, para a solução fácil: ir rebuscar um post antigo e vênde-lo segunda vez. Assim acontece desta vez (terceiro "vez"?) - vês?! a escrita não está nos meus/seus melhores dias!
Por isso aqui fica um "repostado" que espero que sirva para pensarmos em votos. Faço votos que assim seja!
Alice Serra das Fontes ficou viúva com cinco filhos às costas e fez das tripas coração para chegar aos setenta e cinco anos que ontem completou. Para assinalar o feito convocou os herdeiros, dispensando netos, noras e genros, e fez uma panela de mexudas.
A mais nova, professora, anda revoltada e deprimida com o que está a acontecer nas escolas. Os irmãos acham que ela era uma privilegiada e acham muito bem que a obriguem a não gostar do que faz.
O segundo mais novo é operário e anda preocupado porque é voz corrente que a empresa vai ser deslocalizada. Os irmãos acham natural e que a culpa é dele porque estava acomodado ao dinheirinho certo ao fim do mês e nunca se esforçou por fazer outra coisa.
A do meio tem um “comes e bebes” mas a coisa vai de mal a pior porque a malta não tem dinheiro. Os irmãos sempre acharam que ela escolhera aquela vida porque não dava trabalho e que puxava nos preços quanto queria, e, por isso, as suas dificuldades não os impressionavam.
O segundo mais velho anda na construção e anda desanimado porque a coisa vai torta. Os irmãos acham que ele quase que chegava a rico sem saber ler nem escrever e que é bom que se convença que também tem de saber o que é a crise.
O mais velho é criador de gado e, com as condições que lhe estão a exigir, vai ter de fechar a exploração. Os irmãos concordam porque não lhes agrada o cheiro que, às vezes, anda no ar e porque, além disso, ele dá medicamentos aos porcos.
- Vocês, parece que se esqueceram que precisam uns dos outros! Não foi para ver isto que eu vos andei a criar! Fazem-me lembrar o governo que ataca tudo a torto e a direito como se a única coisa que funciona bem neste país fosse a governação!
Estais todos angustiados porque vos convencestes que o vosso mal era o bem dos outros e que ficarieis bem se os outros ficassem mal!
Pois eu preciso de vós os cinco. Deixei de fazer queijos pelo facto de me exigirem azulejos e fiquei conformada com a reforma de 160 euros. Agora vejo que errei, devia ter lutado contra estes cabrões de Lisboa e acomodei-me! Agora peço-vos que me ajudem, quero 50 euros de cada um como prenda de anos! Em quem vais votar?
- Eu nunca votei!
- Eu nunca mais voto!
- Votar, para quê?
- Com o meu voto, ninguém conte!
- Eu voto na puta que os pariu!
- Puta que os pariu aos cinco! Querem ver que tem de ser a velha a votar por vocês todos! Em trinta anos de votos nunca tive tanta vontade de votar! Vou votar sim! Vou votar contra estes cabrões dos Cavacos e Soares que há trinta anos que nos andam a foder com a crise e não há maneira do povo ver que a crise é esta cambada de adoutorados que andam sempre a cagar sentenças de remédios e não há maneira de acertarem!
De saída, os cinco trocaram entre si umas palavras: se ao menos a gente tivesse dinheiro para a pôr no asilo!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Leitão à sexta

À sexta tem de existir porco! Nem que se tenha de aproveitar um provérbio chinês!
Continuo a pedir reais desculpas e a apresentar explicações esfarrapadas a respeito da alteração circunstancial da actividade suíno-blogosférica. Peço, especial desconto aos fidalgos, cuja lavoura não tenho acompanhado. Com as primeiras chuvas, o cair da folha e o fervilhar do vinho novo, voltarei.








"Se quiseres ser feliz uma hora...embebeda-te.
Se quiseres ser feliz um dia ...mata o teu porco.(???Quim!)
Se quiseres ser feliz uma semana ...faz uma bela viagem.
Se quiseres ser feliz um ano ...casa-te.
Se quiseres ser feliz toda a vida ...planta o teu próprio Jardim."
Isto é, com certeza que queres ser feliz uma hora, uma semana, toda a vida! Não deverás querer ser feliz um dia, nem um ano porque não és pessoa para sacrificar alguém. Pega mas é numa enxada que a terra espera por ti!
Se cumprires o que te digo eu serei salvo!


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Manuela Sócrates

Só me aparecem Manuelas à frente? Não, o país é muito mais do que isso! Acontece que ando mal humorado e não me apetece falar de coisas sérias.



"Este vídeo é pura ficção e não representa as visões de quem o publica. O autor gostaria de reafirmar o seu apreço pelo Senhor Engenheiro José Sócrates, por quem cultiva um enorme respeito e admiração. O autor gostaria ainda de fazer saber que em passados processo judiciais de que foi alvo alegou, com sucesso, insanidade mental."

texto do autor que "youtubou" esta coisa

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ouvir Devidamente

Domingo, 6 de Setembro, 13 h, o programa História Devida da Antena1 - apresentação de Inês Fonseca e Dinarte Branco - passou mais uma história de João Rato/Pata Negra: «Instrução básica».

Quem quiser ouvir que ouça e quem não quiser não oiça (estou mal disposto!)!

Dedico esta história aos cerca de duzentos rapazes que cumpriram comigo a Instrução Básica, na Escola Prática de Artilharia, no 1ºturno de 86. Se por acaso alguma vez por aqui pousar o Goulão, o Almeida ou um outro Cavalheiro de que não lembro o nome: um grande abraço. Se por acaso aqui poisar o, então tenente, Trindade, um grande abraço pois espero, sinceramente, que a sucessão de galões tenha feito dele um homem.

sábado, 5 de setembro de 2009

História Devida

Amanhã, Domingo, 6 de Setembro, 13 h, o programa História Devida da Antena1, passa mais uma história de João Rato/Pata Negra: «Instrução básica» com a música «O fantoche», Carlos Paredes.
Outras histórias já lidas e que podem ouvir:
"Uma família normal,

"O Fim do Mundo"

"História de um rádio"

"Transbordo de memória"

Os "Is" da TVI

Ao longo dos últimos dias muito se tem escrito e falado sobre a demissão da Direcção de Informação da TVI e o cancelamento do Jornal Nacional. Como tantos, não morro de amores pelo mediático casal mas tenho de admitir que tenho com ele uma coisa em comum: uma opinião muito baixa sobre a estatura moral do primeiro ministro.
Estranhar a fixação do "tal jornal" nas sucessivas suspeitas de baixaria que envolvem o percurso pessoal do cidadão José Sócrates Pinto de Sousa?! - Talvez! Mas muito mais preocupante é o sucessivo e absoluto silêncio dos outros jornais da televisão sobre casos tão falados.
Quem não noticia o que é notícia, não informa, tem mordaça!
Não gosto nada que as televisões tenham tanto poder sobre o poder mas gosto ainda menos que o poder tenha tanto poder sobre as televisões.
Já foi "i" de Igreja, já foi "i" de Independente e agora é "i" de Ingerência e eu, por Indisposição, nem sequer Ilustro a Imanuella nem o Iduardo com uma Imagem.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

João, guia turístico de Almeida


Almeida tem um monumento que vale uma boa parte da fortaleza, chama-se João e auto-denomina-se Guia Turístico da Fortaleza.

Procuro, dentro das muralhas, lugar para o carro. Um jovem de mitra preta aconchegada à "pára", óculos de sol, calça e colete de domingueira tradição, indicou-me um lugar.

- Até aqui?! Arrumadores?! - pensei.

Que não e que não vinha à moeda mas tão só para nos pôr à vontade; se conhecia a Igreja da Santíssima "qualquer coisa"? se conhecia o hospital do sangue? se conhecia isto e aquilo? e que se não conhecia que não perdesse! Disse-lhe que, antes demais nada, iria comer a bucha e que depois daria a volta curta porque era longo o itinerário para o dia. Convenceu-me a dar com ele dois passos ao templo "louvado" para aprender como abriria a porta para a visita a não perder. Aí chegados, repetiu professoralmente o gesto de puxar o cordel que desarmava o trinco interior e, já no interior, empurrou demonstrativamente a moderna porta de vidro guarda-vento. Dei dois olhares no espaço arquitectónico e respondi-lhe com educada admiração que "pois claro, voltaria com a família depois das sandes de atum!". Na saída João repetiu, demonstrativamente, o processo de abertura e fecho de portas e eu fui ter com a família para comer as sandes de atum.


Depois do mata-bicho fomos todos à Igreja da Santíssima "qualquer coisa" e eu abri as portas tal qual aprendi. Enquanto visitávamos os altares, João entrou, nave acima, no silêncio a que a religiosidade obriga e nos acenos que o nosso curto conhecimento exigia, terminando a sua marcha junto a um púlpito em devoto afazer de preparação de uma leitura de missal. Quando se apercebeu da nossa retirada, veio educadamente abrir as portas, saiu connosco à rua e perguntou-nos se conhecíamos o hospital de sangue.

- Não conhecem? Eu mostro-lhes!

E daí para a frente mostrou-nos Almeida inteira, entre pormenores arquitectónicos, lições de história, dados da actualidade, remantando os episódios, entre passos ou locais sempre com:

- ... não sabe porquê?! eu já lhe conto!

ou

- ... não conhece?! eu já lhe mostro!

A certa altura, a figura e a simpatia de João, eram o nosso maior entusiasmo e foi assim que andámos quase duas horas de sol com ele e atrás dele.

A certa altura alguém lhe deu vontade do chi-chi e João conduziu-nos aos modernos lavabos:

- Quer ver? Ora abra a porta e pare! Veja!... Acendeu-se a luz!... Avance mais um pouco! Vê acendeu outra luz!... Não sabe porquê?! Eu conto-lhe: vê ali aquela coisa branca no tecto?!...

Se forem a Almeida, perguntem pelo João, conheçam um monumento de autenticidade, de simplicidade, de conhecimento histórico, de amor à terra e paguem-lhe, pois não fazem mais que a vossa obrigação.

Obrigado amigo João