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O governo não é o Estado. Falar do governo em
abstracto favorece e iliba as criaturas que o compõem. Esta gente tem nome e a
sua governação tem contornos criminosos: estão a acabar com o interior do país!
O Pintainho Sousa com os seus Sousa, Soares,
Santos, Pedros, Pereiras, Augustos, Silvas, Silveiras, Teodoros, Vieiras, Marias, Marianos, Valentes, Lacões, Mendonças,
Alçada e toda a cambada, chegaram num bando de audis pretos à vila de Adantes e foram
recebidos em passadeiras vermelhas protegidas do vento, por vasos de flores de
plástico e com palmas de galinhas amestradas.
O mestre Pintainho falou:
- Em nome da melhoria da vossa qualidade de vida,
da melhoria da qualidade dos serviços prestados, da melhoria da qualidade de
acesso aos serviços, dos serviços com qualidade melhorada, da qualidade
melhorada de serviços, venho anunciar-vos um conjunto de medidas que visam
combater a desertificação do interior e comprovam o investimento que o governo
faz na melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem no interior:
1º- Vamos fechar a escola
2º- Vamos fechar o hospital
3º - Vamos fechar o centro de saúde
4º- Vamos fechar o quartel
5º- Vamos fechar a esquadra
6º- Vamos fechar o cartório e o tribunal
7º- Vamos fechar as empresas e as pocilgas
9º - Vamos fazer aqui uma reserva ecológica e dar
incentivos ao arranque da vinha e do olival
10º- Passará nestes campos uma auto-estrada com
um nó a 20 Km
daqui
10º- Quando houver disponibilidade orçamental
faremos aqui um lar de idosos.
Seria criminoso que não tomassemos estas medidas.
E as galinhas contentes bateram palmas, cortaram fitas como nas inaugurações e foram todos viver para a cidade de Adagora. A seguir veio o mestre Coelhinho e ouviram em Adagora, o mesmo discurso que o Pintainho lhe tinha lido
em Adantes. Ficaram
à toa mas ficaram na mesma contentes e então foram todos viver para Adalisboa.
Em Adalisboa há escolas, hospitais, quartéis,
esquadras, tribunais, cartórios, pontes, transportes, empresas, empregos e,
quando as pessoas querem ver a natureza, podem sempre passear pela auto-estrada
e ver Adantes ao longe, a sonhar com o dia em que terão qualidade de vida para poderem
irem passar os últimos dias da vida àquela vila onde, segundo ouviram dizer,
existe um lar.
Entretanto, não tarda, mais Coelho, menos Pinto,
em Adantes vive apenas um casal holandês e em Adagora o Presidente da Câmara
queixa-se que já não tem eleitores.
O autor deste texto, residente em A-dos-Bácoros, jura solenemente que não sabe onde fica Adantes e que o Chico Buarque nunca o convidou para tomar um café em sua casa.