segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sete Pés Um

O Caminho do Fim da Terra

Sete Pés assistiu ao enterro da mãe acompanhado pelo coveiro, pelo cangalheiro e pelo ajudante. Recebeu os sentimentos do trio com a expressão melancólica com que sempre viveu e desceu sozinho e em paz, entre o mármore das campas, arcanjos e epitáfios, até à saída do cemitério. Engoliu, soluçando, pensamentos que se desfiavam e emaranhavam desde o dia em que nascera até às pazadas de terra que ainda ouvia ecoar.

Finalmente desapertara-se o seu único laço parental, entregue a mãe, sentia-se livre para enfrentar o mundo e a vida. Adorava a solidão, não gostava do lar nem do trabalho, adorava correr mundo, amava a liberdade da aldeia mas detestava os preconceitos dos aldeões que o detestavam por ser filho de quem era.

De pequeno, recordava os tempos em que os conterrâneos o corriam à pedrada e o tratavam por Filho da Puta. Como ele fugia com desembaraço e porque, a certa altura, talvez tivessem achado demasiado cruel a alcunha, começaram a chamar-lhe o Sete Pés. Certo é que a sua presença não era desejada à porta de ninguém. Enquanto cresceu, Sete Pés foi percebendo que, apesar de frequentemente ouvir chamar filho da puta a muita gente, o seu caso era mais sério, ele não era um filho da puta qualquer, a sua mãe era mesmo puta de ofício. Ora, nada mais trágico do que um menino tomar consciência de que é filho duma puta e, ainda por cima, ser conhecido e tratado por Filho da Puta.

Não seria só pela mãe que era corrido; por vezes tinha fome e roubava fruta. Uma vez roubou um par de calçado, facto que lhe valeu a fama de larápio. Aquelas sapatilhas estavam mesmo a pedi-las: as duas, lado a lado, no arrebate da casa a apanhar sol, com ar de quem não entrou para tomar ar e não sujar o chão finório, a olharem para os seus bonitos pés descalços e zás, toca a correr a sete pés, rua abaixo. Quando encontrou um local recatado para as experimentar teve um laivo de consciência e deixou-as ali mesmo:
- Gaita para os meios pequenos, não as posso usar, o dono vai reconhecê-las!
Alguém o viu correr com elas na mão - uma aldeia pode parecer deserta mas existem sempre olhos vigilantes por detrás dos postigos, dos muros, das moitas ou das ovelhas – e Sete Pés acabou por ser julgado por todos os que tiveram conhecimento do ilícito e castigado pela acentuação do desprezo que por nascença lhe moviam.
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Depois do Quarto, da Fábrica e do fracasso da história que não consegui acabar porque não encontrei título, proponho-me a mais um folhetim. Desta vez irei até ao fim, custe o que custar. Todas as segundas! para a semana há o dois.
Abaixo os romancistas, a literatura e o desporto de competição! Isto é apenas para ver se encolho a barriga! 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Leitão à sexta

Está visto que a coisa anda mal e que não tenho coisa para escrever, por isso, fui rebuscar um leitão de 2008. E viva a porca!
Férias? Nunca passei férias! O tempo das férias levei-o sempre a amanhar o milho do Vale Grande, a roçar mato para a vaca, a tirar o esterco ao porco!... Ouvi Agosto sobre Agosto, de emigrantes e migrantes, mil e um palpites acerca da altura exacta da torre Eiffel e contemplei a cultura dos que sabem os nomes das muitas ruas e avenidas de Lisboa.
Se dum lado me ficou a ideia que a tal torre deve ser mesmo muito alta, do outro ficou-me a resposta que se dava à desgarrada quando se perguntava quantas as ruas da cidade maior: "Quantas ruas tem Lisboa / eu te vou “ispelicar” / tem metade ao comprido / outras tantas a atravessar"
Neste vai e vem de uns e no ficar sempre por cá de outros, ganharam-se muitas palavras novas e perderam-se as nossas. Apareceram muitas máquinas novas e desapareceram as noras e os burros. E fiquei eu, até um dia destes, contente por as coisas terem evoluído ao ponto de eu ter um blogue e de nele escrever sobre nada, por tudo e por nada, e à sexta...

Esta coisa de escrever é como dormir. Dorme-se sempre sobre alguma coisa: sobre a enxerga, sobre o chão, no sofá, ou sobre a amada... escreve-se sobre a mesa, sobre o papel, nas costas de outro, sobre porcos... mas nunca sobre nada! A não ser que escrever sobre... Não, hoje não vou falar de Sócrates!...


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Uma ternura de notícia para uma pessoa que não está bem

"O dispositivo de combate a fogos no Gerês actuou para proteger pessoas e bens"
Ao autor da frase desculpa-se! É ministro de Sócrates! Mas que dizer da comunicação social que lhe dá destaque?!
Vou voltar a escrever a frase para meditar mais sobre o seu conteúdo:
"O dispositivo de combate a fogos no Gerês actuou para proteger pessoas e bens"

Variantes da notícia:
Dispositivo protegeu sempre pessoas e bens
"O dispositivo reagiu protegendo sempre o essencial, pessoas e bens"
Gerês: primeira missão era «proteger pessoas e bens»
"A nossa principal preocupação é salvar pessoas e bens e tudo correu bem nesse sentido"
"A nossa primeira preocupação quando é um fogo florestal é salvar pessoas e bens."

Para a desgraça não ser tão grande deveríamos ter também um dispositivo de combate que actuasse para proteger as coisas que não são bens, nem pessoas ou talvez ter um ministro que estivesse bem.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Povo e o Fogo

Ai que arde tudo! Ai que arde tudo!
Olhem-me além aquelas chamas!
Ai credo tanto fumo! Se não houvesse vento!...
Olhem-me aquelas casas e cabanas lá ao fundo!
Não sei se irão a tempo! Está um tempo quente como brasas!
Olhem-me aquela gente! Isto é o fim do Mundo!
Ai que aflição! Não sei que diga mais!...
Olha os bombeiros! Uhhh! Olha o avião! Brrum!
Ardem pinheiros, pinhas e pinhais!
Salve-se quem puder! Salve-nos Deus!
O Estado devia de... Deviam os bombeiros...
Isto devia de ir à televisão!
Olha o avião! Brrum! Um carro de bombeiros! Uhhh!
Ai credo tanto fumo! O prejuízo que aí vai!
As oliveiras que ardem nunca mais dão azeite!
Coitados dos pinheiros! Faltam bombeiros! Uhhh!
Dêem-lhes água! Coitados oh! Dêem-lhes leite!
Isto é o Inferno! O Sol desapareceu!
Olhem-me os céus! Ai Deus!
Ai que arde tudo! - Ardeu.

O senhor ministro, no princípio de Agosto, elogiava a eficiência e dizia que a área ardida era inferior à do ano passado. Em meados de Agosto o senhor ministro garantia eficácia e afirmava que a área ardida era inferior à de dois mil e três. Em finais de Agosto o senhor ministro reconhece que nunca ardeu tanto mas que também nunca as condições foram tão adversas, congratulando-se com a eficácia das medidas do seu ministério, assegurando a inocência do primeiro ministro e registando a preocupação do senhor presidente da república! Em Outubro o senhor ministro acabará a dizer: a Rússia teve mais área ardida!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pata Negra em Filme

Enquanto a Tristíssima Trindade, o sham pum três em um, os três dos três tristes partidos socialistas portugueses, o PS Triste Alegre, o PS Nobre Soares e o PS Defensor de Sócrates, se degladiam na invenção da Tetratíssima Tetraindade, um andor com três tristes rosas enfiadas num Cavaco, Pata Negra de Megafone em Punho anuncia:
- Ainda a Procissão Vai Nu Adro!
Porque calou a comunicação social este filme?!
O filme, sucesso em Cannes e proibido, fala do Rei dos Leittões, Alegre em terra onde os Porcos não se comem, Nobre em terra onde os Porcos são Reis, Defensor de Moura, Barrancos e Olivença e que, se mais fita e crença houvesse, enfiava aos três um Cavaco no buraco de onde vem merda!
Merda de País! Vota Pata Negra! Porque nem todos os porcos são iguais!...
Isto não é montagem:


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ainda bem que não há fogos

A Rússia está a ser assolada por grandes incêndios e Vladimir Putin tem aparecido no terreno a reconhecer a gravidade da situação, a ineficácia dos meios de combate e o apoio às populações afectadas. Ainda bem que por cá não há incêndios de grande gravidade, graças à eficácia das medidas tomadas, e as populações não precisam de apoio porque assim o primeiro ministro não precisa de aparecer.

Alguma comunicação social, em vez de passar reportagens da Rússia, passa reportagens de pequenos focos de incêndio em Portugal mas a verdade virá sempre ao de cima e, com as primeiras chuvas, o primeiro ministro virá à televisão dizer que todos os focos estão extintos e que a área ardida foi bem menor que o ano passado nem que, para existir alguma verdade ao de cima, tenha de se referir apenas às Berlengas.

Rematará o seu discurso assim:
“Fica agora evidente para todos os portugueses de boa fé a enormidade das calúnias, das falsidades e das injustiças que sobre os incêndios foram insistentemente repetidas durante os últimos meses, muitas vezes com um único objectivo: o de me atacarem politicamente e pessoalmente”.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O traçado da IC

(da explicação da imagem da postagem anterior)
- Os gajos explicaram-me, isto é o Ponto de Encontro 736. Se algum gajo se aleijar tem de ser trazido para aqui porque é aqui que vem ter a ambulância!

Tó Zé, o esclarecedor, nasceu aqui, cresceu aqui, aqui aprendeu a tratar do gado, do pasto, da vinha e do vinho. Nunca desenvolveu sonhos de sair daqui, nem mesmo quando, há quinze anos, a asfaltagem da estrada permitiu que aqui chegasse o primeiro automóvel. Com a estrada asfaltada um tipo adoutorado, amante do sossego, comprou aqui um terreno e fez uma casa. Tó Zé e a mãe viúva aprenderam a ter vizinhança e cuidam dela como uma horta. Não há muros entre os dois lares que se completam harmoniosamente com conhecimentos, haveres, gatos, galinhas e copos.

Tó Zé, amante do gado, da terra dura e do sítio com vista para um pedaço de Portugal, herdou uma parcela e comprou outra. Nelas estabeleceu a sua criação de gado bovino e caprino. A coisa não dava para muito mas dava para viver intensamente as alegrias e chatices da sua vocação de pequenino.

E não é que o raio do traçado da estrada lhe acertou ao comprido na propriedade, atirando uma borda de nada para a metade que vai ficar do lado de lá e quatro metros quadrados - quatro metros quadrados, reza a escritura já lavrada - na metade que fica do lado da casa da mãe?!
- Antes queria que tivessem feito aqui um rio! Pelo menos podia comprar um barco para atravessar com a tratorinha para o outro lado! Já viste? Fiquei sem nada! Para que porra quero eu o cheque? Nem dá para ir ao Brasil buscar uma brasileira! Vamos mas é beber um copo que este ano ainda há vinho! Para o ano, nem isso!

Chegaram hoje as máquinas, começaram a tombar árvores quase tão impiedosamente  como os homens que riscaram no mapa a estrada a passar por aqui. São dias trágicos. Dizem que a IC vem desenvolver não sei quê em nome de não sei que progresso, que vem de não sei onde e vai sei lá para  onde, que custa não sei quanto, pago por não sei quem e que tem de estar pronta antes que chova!
- Já viste a minha vida!? Eu já tinha ouvido falar de icês mas nem sequer sabia que eram estradas! Traçado de IC!? Pensei que era alguma marca de gasosa! Como não gosto de estragar o vinho, gosto dele simples, pensei que não era nada comigo! Afinal traçaram-me foi do mapa a mim! E já me disseram que são estradas tão boas que nem podem andar nelas as tratorinhas!... É assim a vida do "home" pobre!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ponto de Encontro

Esta vida está cheia de símbolos e sinais. Alguém foi colocar este a 30 metros da minha porta, ao fim do beco em que vivo. Alguém me é capaz de explicar o que é que isto significa?!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sondagens só para alguns

Depois dum fim-de-semana agitado por arraiais de campanha, eis-me a falar dos outros.

Segundo a sondagem TSF/Diário Económico:

Cavaco – 67%; Alegre – 20%; Nobre 10%; Moura 0,7%. Tais resultados significam que neste momento os candidatos de direita totalizam 97.7% das intenções de voto. Restam 2,3%  para o tradicional candidato comunista, para o Garcia Pereira, para o D.Duarte, para D.Pata Negra e para brancos e nulos?!
Estas sondagens não são sérias nem isentas. Se propuserem às pessoas escolher entre quatro melões, elas escolherão aquele cuja casca lhes for mais familiar. Mas se lhes derem a oportunidade de escolher entre quatro melões e um porco, obviamente que escolherão o porco. A não ser que sejam talibans e, nesse caso, acabarão por ser bombardeados pela aviação norte-americana.

Estes quatro são apenas as quatro patas da mesma porca. Eu sou o porco. Vou cobri-la. Não permitas que limitem as tuas escolhas.
Pata Negra, um presidente só para alguns.

domingo, 1 de agosto de 2010

Na praia com o candidato

Portugueses e Portuguesas do sexo masculino e do sexo feminino.
Regresso mais confiante na vitória, isto apesar de não ter conseguido uma única assinatura de apoio à minha candidatura.
Imagem adulterada daqui
Há um século que este povo solarengo vem intensificando e modificando a tradição de passar férias nos areais. Assim, por esta altura de verão, meio Portugal passa boa parte do dia, em cuecas de licra ou tirilene, a fazer castelos de areia, a molhar os pés e o que cada um tem, a ler a Bola e a TV Guia, a ouvir a conversa do lado, a invejar as mamas do lado, a falar de nada ou de papo para o ar.
Dizem que vêm para ali apanhar ar e apanhar sol! Esta gente nunca apanhou azeitonas, nem túbaras, nem peixe, sacrifica-se um ano inteiro no apanha aqui, no apanha dali e a apanhar bonés para terem a sua semana de êxtase a apanhar ar e sol – por hora, das poucas coisas que ainda não pagam imposto. Sabem que na retaguarda, aqueles em quem votam e que passam o tempo a criticar, lhe estão a tratar do emprego; sabem que por incúria o país, que tanto dizem amar, está a arder e o primeiro ministro poderá estar no Uganda porque não é bombeiro mas, tal muçulmano que cumpre a sua Meca, nada é mais importante do que apanhar ar e sol na certeza que dessa faina terão muitas para contar durante todo o ano.

Percorri quilómetros de praias com uma capa na mão e um bloco A4, abordei milhares de veraneantes pedindo uma assinatura – nem uma! As mais diversas respostas, expressões, olhares, risos, amuos, ofensas, palmadinhas, esguios, ignorações. Podem imaginar!
Um tipo que estava a jogar ao jogo do galo com a sogra com conchinhas deu-me esperança:

- Bom dia! Eu sou o Pata Negra, Rei dos Leittões, candidato à Presidência da República e teria muito prazer em ter a sua assinatura como subscritor.
- Um senhor é um dromedário de duas bossas!
- Um dromedário de duas bossas?! Está a querer dizer-me que eu não existo?! E o senhor anda a papar a sua sogra!
- A papar?! O senhor está a chamar-me bebé?!

E comecei a correr praia além a caminho de Belém.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A grande marcha do candidato

Imagem do Fliscorno


Enganam-se os que pensam que alguém pode parar esta fuga para a vitória.
Como candidato vou jogar mais uma cartada que tenho na manga.
Voltarei vitorioso.
Esperem uns dias.
Só pararei onde Portugal acabar.
Espero milhares e milhares de pessoas seminuas à minha espera!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os soldados também sabem discursar

Anda por aí este vídeo:
"Discurso de um soldado americano, (vejam antes que o vídeo seja banido da net.) O soldado apareceu morto meses depois do discurso. A autópsia revelou ter sido um ataque cardíaco ( depois de um discurso desses, é difícil acreditar em ataque cardíaco. A menos que tenha sido provocado... não seria de estranhar)"

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mais uma grande não apreensão de droga

922 carros?! Isto é um país ou é um cartel?! Anda tudo drogado?!
A palavra ao Corta-Fitas:
A compra pelo governo de 922 automóveis para seu uso entre 2008 e 2010, os piores anos da crise gerada pelos socialistas e agravada pela crise internacional;
A miseravelmente enganadora e profundamente triste explicação do governo de que se trata, não da compra de carros, mas de «actualização do inventário»;
A ideia profundamente socialista de que na compra de 922 automóveis de luxo novos para uso dos governantes não se gastaram dezenas de milhões de euros, mas antes se «pouparam» 3 milhões (em relação ao gasto maior que poderia ter acontecido, reparem), porque a compra foi feita centralizadamente;
...
Mais trágico do que o facto é existir eleitorado que o tolera! Eles consomem coca não apreendida, o povo consome o ópio nosso de cada dia!

domingo, 11 de julho de 2010

Mega, giga e tera-agrupamentos

Mega, giga e tera-agrupamentos criados por micro, nano e pico razões.
Já estamos habituados a que o governo apresente razões esfarrapadas para as medidas mal pensadas com que vai desgovernando. Em muitas delas, a motivação “poupança” é logo posta em cima da mesa, negada por pudor político pelos ministros mas atirada pavlovamente por oposições, partidários e populaça, o que acaba por jogar sempre a favor do governo:
- Pois é pá! Não há dinheiro! Os gajos têm de cortar em algum lado!

E assim se diz também no caso dos mega-agrupamentos escolares. Ora, para mim, essa aqui não pega. Nada se poupa na criação de entidades administrativas com 3000 alunos e 600 professores, é mais fácil alimentar uma capoeira do que um monstro, uma vara do que um “Vara”. A razão esfarrapada da parte do governo é que esta medida vai permitir que um aluno entre num agrupamento com 3 anos e só de lá saia aos 20. É a imobilidade escolar dos filhos a compensar a mobilidade laboral dos pais.

Dizem alguns que por detrás desta medida está a intenção de esvaziar o significado histórico da escola pública, esvaziando o conceito formativo de escola e promovendo a entidade inócua e plebeia do agrupamento/ajuntamento. No futuro não se perguntará “em que escola estudaste” mas “em que agrupamento andaste”. Como não acredito que exista no partido alguém com profundidade ideológica para tanto, não vou nessa.

Outros, dizem que tudo isto está a ser feito meio em segredo e à pressa para criar o cargo de grande director, com direito a motorista e reforma vitalícia, e arranjar lugar para a "boyzada" antes que a vaca mude de quintal. Um partido referenciado nos valores irrepreensíveis que vão de Mário Carlucci Soares a José Pinto de Sousa, de alcunha o Sócrates, nunca faria uma patifaria dessas.

Ora, na minha suína opinião, este é mais um caso que indicia a chegada de um carregamento de coca a Lisboa. Isto é mais ou menos assim:
Enquanto a malta da rua se organiza em gangs, fuma uns charros e diz:
- Eh pá, há muito tempo que não vamos fazer merda ao Mega-Bar! Vamos lá hoje virar umas cadeiras?
A malta da alta dos corredores da Alçada Rodrigues, snifa uns pós e
- Eh pá, há muito tempo que não damos uma golpada na educação! Tens alguma ideia?!
- Eh pá, que tal se desfizéssemos os agrupamentos feitos há dois anos e fizéssemos mega-agrupamentos?
- Porreiro pá! O “mega” dá um toque de novas tecnologias à coisa e é medida para aquecer sindicatos, presidentes de junta e divertir a malta!
- Este pó dá cá uma pica!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

E se metessem o chip no

Os senhores podem portajar,
as estradas, os carreiros e as pontes,
as fontes, os rios e as praias,
os campos, as manadas e os estrumeiros,
as saias da vossa mãe e o cu dos vossos santos tios.

Podem portarjar também senhores,
os castelos, os túmulos e os museus
as igrejas, os túmulos e os mausoléus,
os hospícios, os hospitais e os parques,
as hortas, os tomates e os ceús.

Ponham portagens em todos os carreiros,
nas "ás", nas "bês" e nas "icês",
para vespas, cavalos e ovelhas.
Mas não me acabem com os portageiros,
nem me ponham chips nas orelhas.

É que eu gosto da oralidade de dizer e ouvir "bom dia" durante a viagem
e, só para isso, vale a pena encontrar uma portagem.

Prefiro a medicação oral e ouvi dizer que os chips são ogivais!
Pronto, está-me a dar para isto, estou quase a dar com o título,
não escrevo mais!....

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Portugal foi iluminado?!

Nestes últimos dias não tenho feito nada porque não tenho tempo para nada, não tenho pensado porque não tenho cabeça e não tenho dado de comer ao blogue porque não.
Hoje, ouvi falar por toda a a parte que Portugal foi iluminado pela Espanha. A princípio pensei que tinha a ver com o mercado ibérico de energia. Só mais tarde percebi que se tratava de um jogo da bola! Um tipo que não percebe nada da gíria futebolística pode ser homem?
Agora percebo porque, à noitinha de ontem, a minha vizinha me perguntou, quando me viu de mangueira na mão:
- Então anda a regar e não vê Portugal ?!
E eu na minha inocência, convencido que era mais uma das suas desajeitadas tiradas:
- Não vejo outra coisa à minha volta! Nem que subisse ali à serra de Sicó, só veria território nacional! Já enjoa!
Agora percebo outro zum zum! De facto, não fazia muito sentido aquilo que percebi noutra conversa, que o Eça de Queiroz tinha tirado o Victor Constâncio do banco de Portugal! Não, tudo está relacionado com um jogo da bola que uns rapazolas de ambos os países jogaram e, ao que parece, os portugueses foram iluminados!
Só não percebo é como é que esta gente, cujo gosto musical passa por um estranho instrumento que tem o sugestivo nome de vulvadela, que passa a vida a repetir o ordenado do Futre e a contar cromos do mundial e  cuja principal receita para resolver o problema nacional passa pela soberania do rei de espanha, se sente quando, na terminologia deles, Portugal joga com Espanha! Então ó gente, se fosse tudo junto como é que poderia haver o jogo?! O melhor é continuarmos separados para poderem ver o Portugal-Espanha.
Estas coisas digo eu que de futebol apenas sei dizer que a bola é redonda e que de Portugal sei que é o segundo maior país da Península Ibérica.

Entretanto, continuamos à frente da Espanha, não temos regiões mas, como estamos em crise, temos dois primeiro ministros e o Mário Soares, os três iluminados.


domingo, 20 de junho de 2010

Rica prenda

- Pai, vou fazer anos, ofereces-me um MP4?
- Um MP4? O MP4 dar-to-ei quando casares ou mesmo que não cases, desde que não te “celibates” por optares pela vida religiosa!... Um MP4?! Porque não um hamburguer?!
- Lá tás tu outra vez com a tua mania de que as prendas têm de ter utilidade!
- Pois desta vez vou oferecer-te uma inutilidade, uma coisa que apenas servirá para te lembrares sempre de mim, algo que mostrarás aos teus netos e os teus netos aos seus netos, fazendo sempre referência ao antepassado "eu"!

E assim foi, falei a uma retroescavadora e fui a um sítio do vale onde jazia uma pedra cilíndrica, grande demais para ser marco, pequena demais para ser menir. Ou melhor, um grande marco para assinalar um aniversário, um pequeno menir para sinalizar uma geração.

A máquina ergueu o monumento no quintal, chamei a moça, abraçou a prenda e gritou de emoção:
- Tenho um menir! Tenho um menir!
A moça já é uma rapariga, sabe o que é um menir e sai aos seus, gosta de coisas simples e também tem uma pedra!

A foto da cerimónia:
Adivinhem quantos anos fez?! Quem adivinhar pode casar com ela… se ela quiser! Mas que não seja pelo MP4!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Coisas da minha mãe (2)

No final dos anos sessenta um rapaz ia para França trabalhar e, ao fim de poucos anos, fazia uma casa estilo “maison” com janelas “a la fenêtre”, organizava uma festa de casamento de três ou quatro dias e partia de novo levando consigo a rapariga com quem se havia escrito.

Como quase toda a gente lá da aldeia, eram primos afastados mas só por especiais afinidades a minha mãe acedeu ao convite. Pela dimensão da boda anunciada, a visita aos noivos devida iria esfrangalhar o magro orçamento familiar. Lembrou-se então de uma das dela. Para reforçar o montante da visita, ofereceria ainda um par de galinhas, sabendo de antemão que a casa nova não tinha capoeira e que, nessa situação, a noiva teria das ir entregar à guarda da sua mãe.

E assim foi, entregue a cesta, a rapariga pegou nela agradecida e, toda contente e ao ritmo dos caracácás, dirigiu-se à sua casa de solteira:
- Oh Mariazinha mas eu estou a reconhecer estas galinhas! Estas galinhas parecem-me das minhas! Quem tas deu?
- Foi a mãe do João!
- Não digas mais, está tudo dito! Deixa lá que não as pôs em saco roto! Hei-de pregar-lhe uma partida que ela nunca mais irá esquecer!...
E era assim que se fazia alegre a vida!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Coisas da minha mãe (1)

Levantava-se muito cedo, isso sim, três, quatro, cinco da manhã para ir para a Lisboa, para a Beira Alta, para a Beira Baixa. Chegar tarde era raro. Se tal acontecesse aguardaríamos de orelhas esticadas o apito poderoso da Scania a anunciar a sua entrada na aldeia e a pedir ceia na mesa. No pior dos cenários, a Maria Rosa, do posto de telefone público, a dar o recado de que lhe tinha telefonado a dizer que só viria no dia seguinte porque a camioneta teria ficado atolada nas lamas de Mação.
Mas o vício da sueca, às vezes, também fazia das suas.
- Já que o pai nunca mais chega vamos comer nós, meninos!
Agradecida a refeição ao Pai do Céu, a mulher pôs-se a preparar a do pai da casa. Composto o tacho das migas, aconchegou-o com os frascos de condimentos e utensílios que habitualmente a compunham, a alcofa do almoço para o trabalho.
- Vem comigo João! Guardas-me o medo! Vamos levar a ceia ao teu pai à taberna!
E lá fomos ambos, ladeira abaixo, surpreender os quatro fregueses que, sentados nas únicas quatro cadeiras, à volta da única mesa do estabelecimento, batiam as cartas tão aficionados que nem pela fome davam.
A chegada de mulher e filho, marcou surpresa, concentrou olhares mas não anunciou grandes problemas:
- Ah mulher do diabo! Não me digas que lhe vens bater?!
Quando a alcofa pediu lugar na mesa, as gargalhadas interromperam definitivamente a jogatana mas o esposo não se sentiu troçado, antes se dispôs de imediato à refeição e largou orgulhoso aos companheiros uma cara que perceptivelmente queria dizer “vocês gostavam de ter uma mulher assim!...”
- São servidos?!
- Vamos mas é acabar com isto que se a minha vier traz é a vassoura!
Eis senão quando, depois do entusiasmo das primeiras garfadas se sentiram umas couves cruas entre os dentes para logo de seguida se descobrir que só por cima a comida era de gente. E, sem pensar no que dizia:
- Ah mulher dum cabrão que querias que eu comesse a lavagem do porco!
Com mais um coro de gargalhadas, comentários e impropérios, compôs-se a partida e regressámos ao lar todos bem dispostos.
E era assim que a vida se fazia alegre!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Estou farto do "obviamente demito-o"

Ó Nobre, isso são banalidades! O que é ferir os altos interesses da nação? Onde é que está o risco? Esse "obviamente demito-o", na sua forma original, foi dito incondicionalmente!
Dito dessa forma, antecedido de interesses subjectivos e riscos às curvas, não diz nada! Um tipo pode dizer que "não sabia e sabia" e isso não ser considerado mentira em nome da estabilidade política. O Cristiano Ronaldo não terá perfil intelectual para querer conhecer o Nelson Mandela mas se ele disser que foi o Mandela que o quis conhecer é porque o foi e não o obrigará a fazer figura de Chico BuarqueMas mesmo que Cristiano Ronaldo tivesse mentido poderia continuar a jogar na selecção. Um primeiro ministro é que nunca! Poderia não ter ferido os altos interesses da nação porque a nação já está calejada, poderia não ter pisado o risco porque está habituado a saltá-los, mas no fim de tantas, esta faria a manchete: "Desmentido de cantor provoca demissão de governo".
O senhor Nobre teria sido claro e provaria estar à altura deste seu adversário se dissesse:
"Nas actuais circunstâncias eu demitiria o governo".
Porque sei que existem alguns portugueses que ainda não decidiram se vão votar Pata Negra ou Fernando Nobre vou ser mais claro:
Se eu ganhar as eleições, como espero, quando levantar a caneta da tomada de posse, virar-me-ei para o primeiro ministro e direi em directo:
- E tu pá, estás demitido!
Se nenhum outro candidato tem esta frontalidade é bem possível que daqui a uns meses eu tenha de mudar de casa!