sexta-feira, 12 de março de 2010

Poste pró cara...!

Estou com o período, com o período blogosférico. Esta é daquelas vezes em que vou começar a escrever sem saber o quê, para quê, para quem ou porquê. Garanta-vos que este post vai durar todo o fim-de-semana. Irei escrevendo e publicando. Entre desabafos irei assar a carne, dar banho ao cão, fazer a barba, dormir, buscar o pão, fazer a barba, dormir, cagar, comer (não! o contrário! como aconselhava sempre o meu pai!)  plantar as batatas, cultivar o amor, fazê-lo! Estou mesmo... Já volto!  

Voltei. Este post é pró cara...! Bem sei que esperariam que eu completasse a palavra com o melhor amigo do bacalhau, aquele que faz bem a tudo, até ao cancro ou que a palavra dissese aquilo que o primeiro ministro não tem. No melhor brasileiro-língua o cara seria até um sujeito! Pode também faltar o col, o melo ou o pau!... Mas não! Criei um palavrão: o caralivro!
Já volto!
´
Vou à padaria! Já volto!
.....................................
Deixei queimar a carne toda. À refeição só se aproveitou o venho! Vou ali e já vinho!

Zé Povinho disse...

Eu tenho vontade de dizer uns quantos palavrões, mas também vou deixando um post marado, que talvez anteceda alguma coisa de jeito.
Pata Negra diz: uma vezes vale mais a palavra,  outra vezes o palavrão!

Compadre Alentejano disse...
Sempre ouvi dizer que se deve fazer aquilo que se gosta. Ah,e uma coisa de cada vez!...
Pata Negra diz: e revelo, em primeira mão, que não gosto de fazer aquilo que não gosto! Contudo, fazer duas coisas ao mesmo tempo, como por exemplo, comer e beber, gosto.

opolidor disse...
pode ser que o acordo ortográfico o considere...
Pata Negra diz: osto dacordo con o grafico nom cum o horto!
antonio - o implume disse...
A vida porcina em directo...
Pata Negra diz: directo com porcos sim, mas se houver porcas o melhor é fechar o pano.

Marreta disse...
Muito bem! Candidato que se quer popular e javardo deve abrir o livro da sua vida para o povo!Caralivro?! Não me digas que te rendeste à pocilga do farmville!!!
A propósito já há hino oficial!
Pata Negra diz: eu abro o livro, eu abro a vida mas não abrutudo! Não me rendo, avanço sobre a lavas da merda incandescente!... Porra! Vocês não se calam com o hino! Até me parece que vocês são o hino! Vou arranjar um hino! Vou falar com os gaiteiros da Terrinha! Feliz o mandatário!

Este post está do cara (Quim Barreiros)! Não do caralivro! Não será que estamos a construir um caralivro caseiro??!
Vou cagar, volto já!
........................
Entretanto: fui à tribuna do Mandatário. Temos hino! É este o hino! Com um mandatário destes nem é preciso haver mandatado! Estava eu a pensar no "entrai pastores, entrai, por este portal sa...sa..." e porca aqui e porca ali....


E vou ali já venho aqui! Ai porca do carago!....

Foi um dia do caraças. Nove e meia, a comprar carapaus e alface no mercado. Plantei a alface; estrumei um talho para batatas; assei os carapaus; recebi um telefonema de um amigo e deixei queimar os carapaus; enquanto salvava os carapaus bebi um copo com o vizinho; não me lembro de comer os carapaus; afinal este post é para os cara-paus; fui à Terrinha, que dista 5 léguas, visitar a minha madrinha.

A minha madrinha fala e eu ouço-a; a minha madrinha é um pedaço de passado que eu tenho no presente; às vezes a minha madrinha está a falar e eu não a ouço; os olhos e o sorriso da minha madrinha não me a deixam ouvir; a minha madrinha é uma biblioteca; eterneço e choro ao ouvir as histórias e as dores da minha madrinha; a minha madrinha quando me ouve iça as suas orelhas inteligentes; quando a minha madrinha deixa transparecer que não está atenta aquilo que eu lhe digo é porque eu não estou a ter uma conversa inteligente, a minha madrinha é a minha terra e ela diz que eu sou o seu afilhado. A minha madrinha ainda canta e só chora quando se lembra de que morreram todos os que viveram as suas histórias!

Cheguei a casa. Rearmei o churrasco para uns pedaços de entrecosto. Dei cabo dele e agora estou aqui. Queria falar do caralivro que está a dar cabo da blogosfera, não consigo! Talvez amanhã! Julgo que estou/estamos a fazer a mesma coisa que se faz no caralivro.

Entretanto, dois comentários:
MARIA disse...

Majestade,
Eu própria tenho já várias vezes observado que nos nossos dias,neste País, qualquer tema serve de livro, quaisquer palavras se editam em livro e qualquer pessoa ou aparentada :-) chega a titular do mais algo cargo político de Estado.
Fica portanto demonstrada a sua ideia, nem precisa de acrescentar mais nada ao publicado !
A melhor demonstração é tantas vezes a do absurdo!
Quanto ao hino e uma vez que trata de livro, se fosse a minha candidatura lembrar-me-ia deste. Bastaria substituir o nome a gosto :). No seu caso Majestade, certamente seria o livro da Presidência da República, em vez de inês.
E se alguém lhe disser que não será o 1º presidente português a ser eleito, responda-lhes de peito cheio, porque estará com a razão, que só o Povo conhece de facto quem 1º lhe ocupa o coração!

Pata Negra disse: Maria, ainda tenho coração mas já não tenho juventude para o caralivro.

O Guardião disse...
Com o odor a carne esturrada ouvi a porca do Nélio e lembrei-me do café que acabou por ficar frio enquanto dava no neclado

Pata Negra disse: amigo Guardião, vês? Falaste do teu café, estás no caralivro!





















No meu trabalho de averiguação das fontes do hino do Marreta, não vá um gajo ver-se a contas com essas  tretas burguesas dos direitos de autor, encontrei este artista brasileiro e já está contratado para a campanha.

E agora? Vou-me deitar? Ou vou-me inscrever no facebook?!
Vou lavar os dentes. Já volto!

Peço desculpa, este post não cumpriu os seus propósitos, falhou! Falhou porque o fim de semana descambou e hoje já é segunda feira.
Volto já!

terça-feira, 9 de março de 2010

13- Aceitam-se títulos

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que hoje mesmo, 9 de Março de 2010, num serão de sótão me entreti a reler. Detive-me nos envelopes emoldurados pelas barras coloridas e oblíquas do envio por avião e nos selos sempre iguais do retrato de Franco – a história já deu voltas e o meu sótão faz-me velho. Visitou-me/nos em anos seguintes na Terrinha ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas, reli-as hoje, são um molho delas, perto de cem.

Sem Teresa, a banda “remasculinisou-se” e mudou de rumo. O Chico Fininho deu o pontapé de saída para o êxito do rock em português e nós começamos a ensaiar os nossos próprios temas. Cantar em português sobre sonoridades anglo-saxónicas era um desafio e tomámos uma determinação: vencer o complexo que os portugueses tinham, e mantêm, em relação aos ingleses pelo facto de não saberem falar, como eles, inglês.

E assim surgiu esta canção original, a dois ou três tons em “ritmo slow”, numa sonoridade do tipo “ Child in Time", que se inspirava numa quarentona, fã da banda e senhora “amercedada” lá das redondezas.


A dona Preciosa tem cu e tem corpo
Mas estão por debaixo da roupa
A dona Preciosa tem uma filha de Deus
Mas o marido não se importa
Na esplanada do café vi as pernas à dona Preciosa,
Fiquei tão flipado que fui internado
Por ter acompanhado o meu enlouquecimento
A dona Preciosa foi-me visitar ao estabelecimento
Entreguei-lhe um bilhete dobrado que rezava
"os desejos que você me determina
menina da casa dos quarenta
gostava de ir um dia à sua vivenda”
A dona Preciosa alojou o papel no decote
E eu invejei a sorte do terceto
A dona Preciosa linguarou-me
Que se pudesse comigo casava
Que marido tinha
Que a filha esperava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem um cu e tem corpo
Como eu nunca o vi
Como o meu português
A dona Preciosa riu-se e eu esclareci
Que meu português não é homem
É língua
A dona Preciosa linguou-me
E que se pudesse pois continuava
Que o marido faltava
Que a coisa não içava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem cu e tem corpo
E o meu português é coisa de louco
Poema mas pouco

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres cheguei



Sou contra dias disto e daquilo.

"Toda mulher deve ser amada
No dia-a-dia conquistada
No ser mãe endeusada
Na cama desejada
Na boca beijada
Na alegria multiplicada
No lar compartilhada
No seu dia festejada
Na tristeza consolada
Na queda levantada
Na luta encorajada
No trabalho motivada
No aniversário presenteada
Na alma massageada
Na beleza admirada
Na dificuldade ajudada
No cangote bem cheirada
Na vida abençoada
No mundo inteiro respeitada
E sempre que possível... abraçada!"

Madre Teresa de Calcutá

dum comentário da Mariazinha faz hoje um ano

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cara Blogosfera

Cara Blogosfera

Quando consumo conteúdos blogosféricos, não procuro notícias. Se eu quiser saber quem é que ganhou os globos de ouro, vou ao site dos globos de ouro. Se eu quiser saber qual foi a magnitude do sismo no Haiti, vou à procura do site da entidade que mede essas merdas.

Nos Blogs eu quero opinião. Mesmo que seja lúdica. Ou que me dê a conhecer coisas que a comunicação social tradicional deixa passar.

É verdade, eu não uso a comunicação social tradicional para estar informada, uso os Blogs. Mas se estes me começam a dar exactamente o mesmo que os outros....deixam de me ter como consumidora, da mesma forma que os outros deixaram de me ter como leitora, espectadora, ouvinte, etc.

Muito agradecida.
Da Jonasnuts via Fliscorno


quinta-feira, 4 de março de 2010

Vou pô-lo em tribunal


Diz-se que a justiça não funciona, diz-se que não se confia na justiça, diz-se que a justiça é só para alguns.
Mas eu não sei se quando um "fulano" de bem, porque "sicrano" dele disse mal, responde de imediato "vou pô-lo em tribunal", está à espera que a justiça funcione só para alguns por se considerar alguém ou se, sabendo de antemão que a justiça não funciona, atire essa ameaça porque lhe fica bem, embora saiba que lhe assenta a acusação!
- Se alguém disser mal de mim fique sabendo que, embora não confie na justiça e ache que a justiça é só para alguns, vou pô-lo em tribunal.

terça-feira, 2 de março de 2010

12- Isto não tem jeito sem título

Esta era eu que cantava para dar descanso ao vocalista principal
Se ela estivesse por baixo, teria visto, através das frestas do soalho do palco, o rasto dos meus ténis Sanjo, teria feito amor ao ritmo do compasso que o meu pé batia, não me teria traído completamente porque teria gozado sob a minha superior presença. Subi as escadas do palco, a banda gozava um fim de série, só o “informador” Tarolas parecia estar a par do meu problema de testa. Levantou-se da bateria na minha direcção com a mini Sagres que era para mim na mão, passou-ma com uma expressão neutra, esperando que eu, tão senhor do meu nariz, tão dono de Teresa, comentasse a situação. Afinal de contas, ele tinha sido o primeiro a saber e, graças a ele, eu não seria o último mas o segundo, facto que, traindo a tradição, era uma atenuante.

- Oh Tarolas, tu alguma vez conheceste mulher?! Tu conheces-me, conheces a Teresa e o Cipriano, que mal tem? Antes com ele do que contigo! Eu não sou dono dela e se vontades lhe deram, a mim não pôde recorrer por eu estar a tocar, antes com um amigo comum do que com um estranho! O desejo de experimentar a sapiência dos mais velhos não concorre com a juventude dos mais novos! Também nós temos construído fantasias na nudez da Dona Preciosa!

Tarolas, engelhou a testa e o nariz e replicou:

- Tu estás a passar-te, essa merda dos fumos, do sucesso da banda a subir-te à cabeça e de leres revistas dos grandes, estão a transformar-te em quê?! Porra, vê a tua testa ao espelho! A Dona Preciosa nunca passará da letra da canção que andamos a ensaiar!

Pensando bem, Tarolas teria alguma razão! Mas, por outro lado, não havia  assim nada de tão trágico, foder, de duplo desejo, nunca pode ser crime. Encerrei com ele a conversa deixando em entrelinhas que, embora normal, o episódio não deveria chegar aos microfones da banda.

Aparentemente, o resto da noite, a desmontagem da aparelhagem, o carregamento da J7 decorrei como sempre. Na viagem de regresso a casa Teresa veio sentada a meu lado sobre as duas colunas Hiwatt e, chegados a casa de Cipriano, na hora habitual das seis da manhã, recebi o cachet e o beijo da namorada.

No dia seguinte regressei ao trabalho, tínhamos outra actuação, e procurei as devidas explicações do patrão. Não teria equilíbrio emocional para colocar a questão a Teresa mas o traidorzito não se fez de engasgos:

- Já várias vezes te tenho dado a perceber que ela não é mulher para ti e já sabes o que penso sobre o mal que as namoradas podem fazer a um conjunto musical! Foi esta a solução que encontrei para cortar o mal pela raiz! Repara que não fiz nada às escondidas, dancei com ela à tua frente e fiz-me nela a um metro de ti!

- Mas um metro na vertical é diferente de um metro na horizontal!?

- Este assunto tem de ser resolvido entre ti e ela! Não é preciso armares um chilifrim, dizes-lhe, "acabou!" Eu trato do resto! Os familiares dela estão abancados na Figueira e eu próprio a irei levar!
- E eu não posso ir também?!
- Mas estás armado em quê?! Está descansado que eu não lhe toco mais! Cumpri o meu papel, tu agora cumpre o teu!
Cipriano era amigo. A banda continuou por muitos anos e eu nunca perdi completamente essa Teresa nem a vontade de me vingar da lição do patrão.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Anunciação do mandatário

Estimados apoiantes, é com profunda tristeza e imensa alegria que vos anuncio o mandatário da candidatura do Pata Negra à Presidência da Rebública. É triste ver-me obrigado a candidatar-me mas é alegre poder nomear um mandatário sem sequer ter falado com ele: há determinações do destino que não se questionam.
Diz dele próprio que "pratica a maledicência e o bota-abaixismo quando merecidos, mas não tolera o compadrio, o lambe-botismo e o chupismo". Ele é o Marreta e isso basta-me.

Aguarda-se para mais tarde o anuncio formal da candidatura. Estamos ainda na fase das segundas intenções. Precisamos de estudar os adversários e de averiguar os motivos porque se estão a apresentar com tanta antecedência.

Os outros candidatos dizem-se apartidários, eu renuncio ao apoio dos partidos; os outros candidatos reunem apoios financeiros, eu farei a campanha sem gastar dinheiro; os outros candidatos rendem-se à comunicação social, eu abomino-a; os outros candidatos prometem que serão presidentes de todos os portugueses, eu prometo que serei presidente só para alguns.

Ainda a candidatura vai no adro: apoia, divulga, participa!

Registo como apoio as referências do Miradouro de A.J. Soares e do Guardião.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De onde nascem os cabrões


Violam cabra e são forçados a casar com o animal
Dois jovens de Matsinho, Gondola, centro de Moçambique, foram apanhados pela polícia a manter relações sexuais com uma cabra e agora os donos do animal exigem indemnização e casamento. O caso está em tribunal.
O caso de "flagrante delito" aconteceu na semana passada, no distrito de Manica, e fonte ligada ao dono da cabra disse à agência Lusa que o mesmo exige que os jovens sejam condenados em tribunal a casar com o animal.
Os jovens, cuja identidade não foi revelada, terão sido apanhados a manter relações com a cabra no âmbito de uma espécie de ritual satânico.
"Um dos jovens estava nu enquanto segurava a cabeça, e outro a fazer sexo com o animal", contou uma testemunha a propósito da detenção policial.
Mário Creva, a testemunha, disse que o caso se deu numa pequena mata na zona de Mbucuta, arredores do posto administrativo de Matsinho.
"Recebi o caso e já remeti ao tribunal. Mas os jovens serão ouvidos em juízo por furto simples qualificado e não necessariamente por prática sexual, pois a nossa Constituição não acomoda este tipo de acto", disse à Agência Lusa Leonides Mapasse. Fora do processo-crime, acrescentou o magistrado, o ofendido (proprietário da cabra) pode intentar processo civil e moral contra os dois jovens pela prática sexual com a cabra.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

De boys a moscas

Os portugueses estão conformados com o controle da informação pelo poder político-económico. Os portugueses entendem como garantia de liberdade de expressão o facto de não existir uma PIDE. Eu, português, tento exercer a minha libertação dos media do poder e exercitar a minha liberdade de me informar e dizer na blogosfera.
Na blogosfera e na web em geral, estão aparentemente em maioria as vozes antí-sócrates e companhia. Aceita-se que os pró-sócrates e companhia exerçam igual direito.
Mas que a corja  tenha assalariados para manter blogues e sites de apoio, para inundar com elogios ao grande líder as caixas de comentários, para multiplicar mensagens de correio de propaganda governamental é, para mim, mais grave, porque mais baixo, do que as alegadas intenções do controlo da comunicação social. 
Quem anda na blogosfera não precisará de ler este texto do Joaquim Letria, nem outros que, nos últimos dias, têm vindo a público, para reconhecer esta actividade. Todos já depararam com repetidas mensagens de fiéis socialistas, identificados pelo teor da opinião, nos comentários dos principais portais de informação, nos blogues mais visitados, nos foruns e outros locais - sabemos agora que alguns são pagos. Testemunho que essa actividade também existe a nível local. Cá para as minha bandas os blogues sócretinos são para aí uma dezena e tudo indica que são todos geridos por um mesmo indivíduo que se desdobra em nomes, amigos, amigas, filhos e enteados. O mesmo se observa nas colunas dos pasquins locais.

Esta gente para mim são moscas:

Tinha que dar merda!

Obrado o alimento de 30 anos de liberalismo, liberalização e libertinagem,
o país sente-se agora mais aliviado!
A Merda é dura, negra e tem nome de filósofo! Não a pisem! Quem a cagou obviamente que não lhe incomoda o cheiro!

Eu vou aguentando, embora não tenha nada a ver com esta merda! Entendo-a como um processo natural! Estou atento para não a pisar, tapo o nariz e cá vou indo!

Mas o que eu não suporto mesmo são as moscas que nos perseguem por toda a parte! Sabemos que são as mesmas que pousavam nas travessas, nos talheres e nas toalhas mas só que agora têm as patas sujas do excremento!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

11- Alguém acha por aí um título?!

Para ouvir durante a leitura. "Tango para Tereza" em boa hora sugerido pela fidalga Maria.

Em Setembro tivemos direito a novos equipamentos. Cipriano partilhou comigo os pormenores do segredo da sua viagem e o seu projecto de voltar a Paris daí a uns meses para preparar o nascimento do filho que ia ter da cunhada. Na sequência, alertou-me para os cuidados que eu deveria ter com a fecundidade da minha namorada e topei que começava a preparar terreno para a afastar sem me melindrar. A família dela já havia telefonado várias vezes advogando a sua falta no circo; apesar de já estar connosco há dois meses ainda não se tornara na vocalista principal; fazia os seus coros e cantava as suas canções passando o resto do tempo a fumar e a beber nas imediações do palco; estava a contribuir para o abandalhamento da banda; Cipriano tolerava os fumos mas o cheiro não lhe podia chegar ao nariz; a família estava a ficar farta da empregada e hóspede…


Apesar desta conversa, o patrão, que também era técnico de som, passava com a Teresa muitos dos momentos em que esta não estava no palco. Por vezes dançavam juntos uma ou outra moda mais agitada mas, naquela noite, um tango pareceu-me mais intenso que o habitual. Depois do tango, tocámos um dos longos blues que chegavam a dar para um dos músicos ir ao bar buscar cervejas entre os solos, quando dou pelos dois muito agarradinhos a dançar “slowmente”. Comecei a ficar incomodado e a parecer-me que os meus colegas, enquanto tocavam, davam olhares maledicentes à situação. Levantei-me dos teclados e fui junto a cada um sugerir uma aceleração gradual que fizesse o lento blues evoluir para rock n´roll “speedado”. Consumada a transformação do tema dei pela falta do par no salão de baile.

Terminada a música, Tarolas sorriu de escárnio e apontou duplamente para o chão. Desci as escadas da lateral do palco ao fundo das quais existia uma entrada de meia altura fora das vistas do público. Baixei-me para espreitar sobre o olhar atento do denunciante. O espaço tinha pouco mais de um metro de altura e tinha a escuridão rasgada pelas linhas de luz que as frestas do soalho do palco deixavam passar. Não vi quase nada, não quis ver! Mas que estava para lá um casal em vias de facto lá isso estava!...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mais poeta do que alegre

Procurei informações sobre um adversário: está à altura! Neste momento conheço quatro candidatos: dois do povo e dois dos outros! António Pedro Ribeiro, tal como eu, candidato a presidente da república, também é poeta:

"Estou apaixonado pelo primeiro-ministro

por todos os primeiros-ministros
e pelos segundos
e pelos terceiros
estou apaixonado por todos os presidentes de Câmara
e de Junta
por todos os benfeitores de obra feita
por todos os que erguem e mandam erguer
estradas, pontes, casas, estadios, fontanários, saloes paroquiais
estou apaixonado por todos aqueles que governam, que executam,
que decidem sem pestanejar
por todos aqueles que dão o cu pela causa pública
que se sacrificam pelo bem comum sem nada pedir em troca.
Quero votar entusiasticamente em todos eles
afogá-los em votos
até que se venham
em triunfo

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num bacanal
com todos os ministros
e todos os ministérios
a arfar de prazer
a enrabar o défice, o orçamento,
o IVA, a inflação, a recessão
agil e empreendedor
como um super-homem

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
Quero ve-lo num filme porno.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O quarto candidato: Fernando Nobre

"Caros amigos,
Decidi escrever estas linhas, no sentido de vos comunicar pessoalmente uma decisão de fundo que tomei enquanto cidadão independente e em nome dum imperativo moral e de consciência para Portugal, uma vez que tenho, por quem acompanha este blog, a maior consideração e respeito."

Tinha eu estas linhas escritas para apresentar, hoje e aqui, quando dei com elas plagiadas num blogue dum tal Fernando Nobre, que pensei inicialmente ser do meu ramo, na especialidade de salsichas mas que, afinal, segundo apurei, é um cidadão considerado e respeitável vindo directamente da AMI para socorrer o país com uma candidatura à Presidência da República.
Quer isto dizer que já somos quatro, por ordem de chegada: António Pedro Ribeiro, Manuel AlegrePata Negra e Fernando Nobre.
E depois ainda dizem que eu começei cedo?! Tirando o Ribeiro - a quem aproveito para enviar um abraço de classe - isto é tudo gente que anda muito alto! Não estamos em pé de igualdade! Reparem que só o Alegre e o Nobre é que são notícia! Já quase há um mês que manifestei a minha intenção de ser candidato e o meu nome ainda não foi dito na comunicação social uma única vez!   

Quanto ao Fernando Nobre, pode ser um bom homem mas, como porco que sou, o senhor não me entusiasma porque lembra-me a velha história do freguês para o talhante:
- Tem  focinho de porco?
- Tenho!
- Tem mãos de vaca?
- Tenho!
- Tem pés de cabra?
- Tenho!
- Então mas que raio de bicho é você?
Foi apoiante da candidatura de Mário Soares em 2006, mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas últimas eleições europeias, fez parte da comissão de Honra das candidaturas autárquicas de António Costa (PS) e António Capucho (PSD), é portanto um homem do establishment.


Vota D. Pata Negra, também nobre, também alegre e também dá umas cavacadas.

Vá, chamem-me demagógico, populista e de mau gosto, porcos gordos da porca democracia que vos engorda a todos!
Sim, serei presidente com metade do vencimento, com metade dos assessores, com metade dos guarda-costas, com metade dos carros, com metade das viagens, com metade dos jantares, metade dos discursos com metade do tempo e, ainda assim, serei muito rico e falarei demais.
Vota D. Pata Negra, também nobre, também alegre e também dá umas cavacadas

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

10 - Tá-se bem sem título

A Teresa cantava isto tão bem que justifica a inadequação de vídeo a este reino.

O bom Cipriano encontrou uma solução para Teresa não se afastar. Ela começaria a fazer parte da banda fazendo uns coros e cantando três ou quatro canções. Durante o dia, ficaria a tomar conta da piscina e do bar da piscina. Já tinha falado com a sua filha e ela não se importaria de partilhar o quarto com a nova empregada do papá.
Em troca pedia-me a guarda dum segredo e a possibilidade de ir com ele e com a cunhada a Aveiro.
- Porra! Mas tu não te controlas!? A gaja está noiva e é irmã da tua mulher!
- Eh pá mas o que é que queres?! Eu …
- Então mas o noivo, não?!…
- Ela queria ir virgem para o casamento….
- Chama-me burro!!!!!
- Eh pá! Eu andava a tentar ensinar-lhe como é que se podia simular a virgindade e olha, calhou!...
- Então mas agora, a semanas do casamento, como é que vais descalçar a bota?
- É por isso que estou a pedir a tua ajuda!

Os familiares de Teresa, fizeram-se amigos da casa e partiram sem colocar obstáculos ao seu novo emprego. Por outro lado, Teresa, da raça que era, rapidamente se fez à casa, se fez amiga dos seus frequentadores e se fez regularmente enamorada.
No grupo, começámos a ensaiar meia dúzia de temas para a nova voz feminina. O ar de Teresa, o seu estilo entre o marginal e o sensual, a sua presença em palco, reanimaram o sucesso da banda e a vida interna do grupo. Os ensaios, as viagens, as desbundas e o convívio transformaram-se. A relação que os dois mantínhamos, não modificou a relação que existia entre a malta porque não éramos do género de nos fecharmos entre carícias nem de vender paixão. Aliás, assumíamos, dia após dia, que o nosso namoro era superior ao amor, era de simpatia e carne, era de juventude e necessidade. Gostávamos um do outro e gostávamos de curtir.

Naquele Agosto tivemos vinte e três actuações. Quase não parámos em casa, Foi sempre a abrir.

A Cipriano convinha este ritmo por todas as razões e mais uma: para esquecer.
- Diz que não, que quer ter o filho!
- Eh lá patrão. Isso vai ser um molho de brocas! E eu que gostava tanto de ir conhecer Aveiro!...
- Deixa-te de brincadeiras! Já tenho uma solução: ela não se importa de ir para França para casa da irmã mais velha, desde que eu a vá levar! Aproveito e trago umas aparelhagens.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Obviamente demito-o!

Dos outros candidatos.

De Alegre muitos falarão, não lhe faltarão apoios, elogios, críticas e tempos de antena. A minha candidatura não é desse mundo, é deste país. É a candidatura de todos os que, ao longo destes anos, manifestando publicamente a intenção de se candidatarem não o puderam fazer porque uma democracia limitada e hipócrita lhes barrou o caminho. Desde um tal pastor da Beira Alta, passando pelo Teixeira da Associação Académica de Coimbra, até ao grande Mário Viegas, todos esses portugueses serão aqui referência.

Por exemplo, sabiam que antes de Manuel Alegre já o poeta António Pedro Ribeiro tinha apresentado oficialmente a sua candidatura?!

Esta candidatura é para ir até onde fôr. Só um adversário ditará a minha desistência: D.Duarte de Bragança.
Julgo que o acabará por fazer. Será uma forma perversa mas inteligente de referendar a monarquia. Se ganhar todos o tratarão por rei e não presidente da república.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A caminho de Belém 5

Postaram sobre a candidatura:
Porque me dizem (...a minha demonstração total de apoio e apreço à melhor candidatura a Belém que pode haver: D. Pata Negra. Finalmente, vai-se poder transformar o Palácio de Belém na verdadeira e genuína pocilga que tem sido ao longo de todos estes anos.);
Anovis Anophelis (Ninguém há-de fazer parar esta fuga para a vitória!);
Fliscorno (Há alguns que mostram intenções, mas esta candidatura é efectivamente a primeira.);


Colocaram o selo na barra lateral:
Silêncio Culpado

e outros para quem o poder é nesta corte
O pequeno gesto, a pequeníssima coragem de divulgar o selo e o link

O Milagre do Sol

O Sol noticia e faz-se notícia. O Sol é igual aos outros jornais.
O Sol publica e republica a podridão da república entre iguais.
O Sol não é mais. O Sol queima. O Sol é esperto. O Sol teima. O Sol é encoberto. O Sol é mole.
É fácil fazer títulos com o Sol:
O Rei Sol; Dia de Sol; Um raio de Sol; Raios que partam o Sol; Tapar o Sol com a peneira; O pôr-do-Sol. Sol de pouca dura; Sol na banca e chuva no nabal.
Títulos lido hoje:
O sol brilhará para todos nós; Ver o sol nos trópicos; Querem apagar o Sol; O sol quando nasce não é para todos; Quem me sabe dizer como se chega a polvinho?; O polvo está sereno; Sócrates engasga-se com comentário de vizinho sobre dia sem sol.
O milagre é que o Sol estava na falência. Quanto ao resto já todos sabemos que é assim e ainda melhor o sabem aqueles que o negam.
O pior é que a mim ninguém me ouve, ninguém me escuta, ninguém me liga,
Embora as empresas de telecomunicações saibam o meu número e eu tenha nome e a face não-oculta.
Vou cantar:
O sole, 'o sole mio, sta 'nfronte a te, sta 'nfronte a te!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

9- Ainda é cedo para existir título


 
Cipriano era louco por mulheres. A presença de mulheres modificava-lhe os gestos, o tom de voz e o sorriso: um maroto humilde, conquistador e servil.
A mulher que veio servir os músicos da festa, exclamou:
- Ai que me esqueci dos guardanapos!
- Não são precisos, não se preocupe!
Enquanto a mulher se retirava para ir buscar os guardanapos, descarregámos sobre o “manager”:
- Também não exageres!
- Já vos disse, se queremos ter contratos com fartura não devemos ser muito exigentes com os que nos contratam e não podemos tocar só rock mas também valsas, tangos e raposódias!

A mulher voltou. Uma dúzia de olhos em pirâmide dirigiram-se para ela. Os de Cipriano eram o vértice e enleavam-se no corpo alto e esbelto, ora à frente, ora atrás das palavras que se trocavam, enquanto os pratos se compunham com a ajuda dos serviços e da simpatia que não tinha só o corpo alto e esbelto.

- Ó pai! O contrato é até que horas?!
- Ó pai! Amanhã vamos tocar aonde?!
- Ó pai!....

A técnica de chamar pai a Cipriano para lhe afastar as presas, fazendo com que os estranhos pensassem que se tratava de um conjunto Pai e Filhos, quando o único que era filho, era o Nini, já tinha sido utilizada mas o abuso que fizemos dela levaram a paciência da vítima à explosão: à mesa a reprovação foi contida mas durante a viagem de regresso a casa, ouvimos das boas e diga-se com razão.
Abuso de confiança, pensarão. Não era só, era também uma vingançazinha pelas regras que o chefe sugeria:

- Diz-me a experiência que uma banda está estragada no dia em que um dos seus músicos começar a namorar. Podem namoriscar, mas mais de um dia com a mesma não é de artista! Se um músico se apaixona só sai música à Roberto Carlos!
Cumpríamos à risca esta regra de trabalho. O aparecimento de Teresa e a falta que me fazia ter uma namorada tinha de fazer excepção:
- É um caso diferente, sim! Ela também é artista! Tem um ar marado! Dá uns toques!.... Vamos tentar pô-la a cantar!
- Sabia que me ias compreender ó grande Chefe! Deixa-me dar-te um beijo!
- Xó! Asta para lá!... Então e já falaste com o teu pai para ela dormir lá em casa?!
De facto estava a esquecer-me que Teresa era nómada e que daí a dois ou três dias partiria com a família "cantar" para outra terra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um grande filme

Ninguém anda pela blogosfera com 6 minutos de tempo para parar num blogue e ver um filme do youtube. 6 minutos é muito tempo! Este filme não é para veres, é para viveres! Se estás com tempo e disposição, começa como espectador e acaba como actor! Este é o nosso tempo! Um tempo a não perder? Um filme a não perder?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A caminho de Belém

Ninguém há-de fazer parar esta fuga para a vitória! A candidatura "Pata Negra à Presidência" vai a caminho de Belém sobre o lema de rectaguarda: "Vai nas calmas".

Está disponível na barra lateral do blogue, o primeiro selo de apoio e divulgação da candidatura, da autoria do responsável pela imagem, o  Fliscorno. Um Presidente Sabão, porque sabe, porque ensaboa, porque recusa emídios rangéis - “É tão fácil vender um presidente como um sabonete”.
Não param de chover apoios à candidatura monárquica à presidência: do Fliscorno ( E Se ), do Marreta (  consciente dos seus deveres cívicos, e depois de ponderada meditação, afirma aqui e agora o seu apoio e incentivo à candidatura de Pata Negra à presidência da república. E porquê, perguntarão vocês? Simples, Pata Negra é o único candidato assumidamente javardo o suficiente para protagonizar a revolução necessária contra a opressão, a tirania e a exploração da corja que nos desgoverna e da trupe que nos chupa o sangue há anos consecutivos, ou já se esqueceram da obra de George Orwell, o Triunfo dos Porcos?), do quink644 no BraganzaMothers ( Finalmente, vejo surgir uma candidatura a Belém que apoio incondicionalmente: um verdadeiro e assumido porco, ainda por cima rei... Podem ficar a conhecer melhor e a apoiarem esta candidatura aqui. Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, vá imediatamente apoiar o primeiro candidato credível a assumir o lugar de primeiro porco do país. Temos candidato assumido, este é o verdadeiro e fará esquecer o presidente - rei Sidónio Pais, imortalizado por Pessoa em poema homónimo.), para além de outros declarados aqui e aqui.

Esta é uma candidatura em construção permanente - só para alguns e só de alguns - Contribui!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sexo na Escola

Maria de Lurdes provocou um acidente escolar grave, deixou a educação de pantanas. O carro não foi para a sucata mas está todo amolgado e com os guarda-lamas a bater. A tragédia deixou sequelas graves a nível psiquiátrico: andam a pintar o carro sem terem feito o trabalho de bate-chapas!
A parte mais atingida foi a nível de chassi, a menos visível do exterior - atingiu-se gravemente a dignidade e a autoridade dos professores. Será difícil, a um professor desautorizado, gerir comportamentos, ensinar os alunos a entrarem na sala, a falarem na sua vez, a estarem sentados, a respeitarem, pelo que deve ser dificílimo ensinar-lhes sexualidade. No entanto o pensamento dominante é que aponta o caminho a seguir. 
Já que não aprendem a contar nem a escrever que aprendam ao menos a copular.

- A stora colocou um pénis de esferovite sobre a mesa e perguntou se sabíamos o que era. Um colega respondeu que era um.... posso dizer pai?!...
- Diz lá filha!
- Era um c*******!
- Espera aí! Como é que sabias que  era de esferovite?
- A stora fê-lo passar de mão em mão!
- De mão em mão?!
- Pediu também que dessemos ideias para acções sobre sexualidade a desenvolver na escola.
- E tu?!
- Sugeri a distribuição gratuita de preservativos e a vinda do Moita Flores à escola!
- És original e criativa como o paizinho!....
- Preciso de uma frase para a campanha...
- Pénis de todo o mundo, vesti-vos! 

Moral do filme: mesmo os que pensam que são muito criativos a ensinar falham, se repararam, nunca foi mudada a camisinha.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

8- Que se lixe o título


No dia seguinte Cipriano confirmou-me:
- Chama-se Teresa!...
Por volta das quatro da tarde saiu da roulote e entrou no café sem olhar os presentes. Nada do que se lhe via poderia identificá-la como rapariga de circo. Trazia um casaco de fato de homem, umas calças de ganga, uns ténis e o cabelo desgrenhado. Sentou-se ao balcão, pediu um café e acendeu um cigarro. Eu estava numa mesa sozinho a folhear uma revista em posição de lhe poder mirar o perfil.
Ouvi-lhe o “até logo” de despedida a quem a servira e eu procurei-lhe o olhar quando passou junto a mim. Atrevido, atirei:
- Olá Teresa!
- Conhecemo-nos?!
- Gri!Gri!
- Deves ser o Joaõzito!?
Uma timidez infantil invadiu-nos a ambos e faltou-nos a inocência que tínhamos em crianças. Não conseguimos prolongar o discurso para que o encontro fosse satisfatório, nem sequer um beijo de cumprimento, apenas o “vemo-nos por aí!”

Como o espaço era público os ensaios da banda tinham sempre gente a assistir. Nesse dia à noite, estávamos nós a preparar o “Something” para o repertório, Teresa entrou no salão com um familiar do circo e ficaram por ali a observar-nos. Cipriano chegou com umas cervejas, mandou-nos parar e apontou algumas passagens da música que não estavam correctas. Teresa e o acompanhante deram-se à conversa e foi-se alargando a confiança. Às duas por três, ela tomou o lugar do Tarolas que se fora embora, e pôs-se na bateria a brincar connosco ao improviso. A noite alongou-se e no fim já era só eu e ela. A partir daí, procurei em cada minuto, em cada gesto, em cada palavra, um pretexto para avançar, estava a precisar muito de ter uma namorada.
- Tu fumas?!
Que raio de pergunta a dela! Pois se eu tinha estado toda a noite a fumar!... Trazia o charro já feito, acendeu-o e passou-mo. Demos mais uns toques inspirados pela erva mas a certa altura as teclas começaram a entrelaçar-se nos pensamentos e …
- Estou a ficar tonto! Vou lá fora!
Ela seguiu-me até ao pinhal, que era ali mesmo, com “seguir” preocupado.
- Queres vomitar?!
Agarrou-me de lado e encostou-me a cabeça.
- Isto já passa!...
Surgiu um beijo oco.
- Estou a ficar melhor!
Um pinheiro ajudou-nos a um beijo terapêutico e volta e meia senti-me curado. Envolvemo-nos até ao ponto de se tornar difícil parar. A certa altura a minha namorada ofegou-me baixinho:
- Estou a sentir uma pasta viscosa na mão!...
Tinha posto a mão num púcaro de resina.
- Como é que eu tiro isto da mão?! Isto sai com água?!

sábado, 30 de janeiro de 2010

E o porco sou eu?!

Conheço-o de vista mas não falo com ele. Sei que é um traste que não olha a meios para conseguir os seus fins. Ontem, cruzou-se comigo num local público. Começou "Ah! Ah! Ah!" e rematou com um "Atchin!".
Espirrou-me para cima e não pediu desculpa. Terá sido de propósito? Será só mal educado? Como é que devemos reagir quando nos espirram para cima e ainda por cima não nos pedem desculpa?  Ainda que tenhamos ficado com a cara coberta de gafanhotos e manchado o colarinho que tanto dinheiro nos custou,acabamos por não reagir.

A gripe dos porcos foi um espirro gigante do monstro porco capitalista! Sabíamos que era capaz de tudo! Já tinha ensaiado as cuspidelas da gripe das aves e das vacas loucas! Para o monstro porco capitalista não passam de actividades de lazer, rentáveis números de circo: compram-se os melhores laboratórios no fabrico de vírus e anti-vírus, uma poderosa agência de informação que arraste todas as outras atrás de si e depois é só colocar as televisões e uns meio-peritos a debitar cenários. Não chega a ser necessário que o vírus se espalhe mas apenas a sua notícia. Gastou-se dinheiro?! Que importa?! Criou-se riqueza!
O pior é se isto um dia se torna na história do rapaz e do lobo.

Quem sou eu para falar sobre isto?! Ninguém?! Da...a! É a gripe do porcos e eu sou o Rei dos Leittões!
A paranóia afectou tragicamente este blogue, das centenas passei para as dezenas de visitas diárias! Isto apesar de eu ter garantido que blogaria de máscara!
Imagem vista no Fliscorno e no Cantigueiro

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A caminho de Belém



Doze valorosos apoios de personalidades blogosféricas já manifestaram, aqui, o seu apoio. Lembro que foi assim que começou o cristianismo.

Numa democracia plena qualquer cidadão poderia, por inerência, ser eleito para a presidência da república sem necessitar de formalizar qualquer candidatura. Por cá, essa possibilidade está aberta apenas a personalidades apoiadas, directamente ou indirectamente, por partidos ou que, no mínimo, possuam conhecimentos e influências que lhes facultem o acesso aos meios que fazem o poder.

Conclusão, embora muitos cidadãos comuns já tenham manifestado pública intenção de se apresentarem como candidatos, nunca conseguiram concretizar o seu direito a tal. Ainda que alguns destes tenham conseguido vencer a praxadela das 7500 assinaturas, entregue o processo, existiu sempre um procedimento incorrecto ou faltou um papel que o reprovou.

Sendo assim, e porque não parecem inocentes as exigências que negam o espírito constitucional, nós que não gostamos de papas nem de bolos, temos um dever de nos mobilizar para provocar o sistema apresentando uma candidatura monárquica à república. (Ajudem-me porra!)

Nota: para os que acham que ainda é cedo para começar lembro que, com muitos mais apoios, Amin Niguen Mecala já iniciou a sua campanha e que eu, que não possuo cavalos, se quero chegar à meta em primeiro não devo esperar mais.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

7- Será que tem de ter título?

Ligue a música enquanto lê. Para a semana a história continua.


A casa de Cipriano tornara-se uma casa de espectáculos. Ele próprio tinha máquinas de filmar e projectar fita “super 8” e proporcionava sessões de cinema documentando a sua vida em Paris, a cópia do King Kong e mais duas ou três fitas mais do que repetidas. Com esse mesmo espírito começou a ceder o espaço a um indivíduo que semanalmente ali vinha projectar dois filmes - um de Kung Fu e outro pornográfico - e que num certo dia trouxe com ele, a roulote, a mulher, o cunhado e uma prima para darem um espectáculo de circo.

E assim foi, com o salão com a malta do costume e mais alguma, sentei-me, entre amigos, na segunda ou terceira fila. Tudo a fazer lembrar os antigos saltimbancos que vinham à aldeia e nem o número de contorcionismo faltou:

Uma moça magra, de biquini com brilhantes, dobra-se e desdobra-se em cima de uma tapeçaria, entrelaça os membros, anda com as mãos como se fossem pés, desfaz-se num corpo disforme sem, no entanto, perder a sensualidade. O projector acrescenta-lhe luz mas cria sombras que não deixam avivar as feições que se foram com o tempo e com a memória.

- Quase de certeza que é Teresinha! Agora ela está com as costas totalmente dobradas para trás e o rosto aparece, de frente para o público, junto ao tapete e invertido entre as pernas flectidas. Nestas condições é difícil concluir com segurança se será a Teresinha e, por outro lado, se for ela, nunca me reconhecerá na penumbra da plateia. Além disso, neste preciso momento, na posição em que está, vê tudo ao contário. Já sei! Acendo um cigarro e mantenho o isqueiro alguns instantes de modo a chamar a atenção e a iluminar-me a cara. Vá lá! Olha! Repara aqui no do isqueiro!... Resultou?! Sinto quatro olhos a tocarem-se! Sinto a certeza de que é ela mas tenho dúvidas que me tenha reconhecido. Se tal acontecesse teria mudado o ritmo do número e teria existido um sorriso dedicado.

Chegado o momento bati palmas de pé, ela saiu pela porta do fundo e foi para a roulote. No fim da noite desabafo com Cipriano e conto-lhe o primeiro e o segundo capítulo desta história . No dia seguinte ele irá averiguar o nome verdadeiro da artista e

sábado, 23 de janeiro de 2010

Três tristes questões


- Um homem sério é aquele que não engana ninguém. Será Pinto da Costa um homem sério?
- A justiça é igual para todos. Será possível aparecerem no youtube as escutas a Sócrates?
- Um árbitro é um juiz. Serão os juízes árbitros?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A caminho de Belém



Fiquei tremendamente surpreendido pelo anúncio da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, fiquei igualmente surpreendido pelo pronto apoio do Bloco de Esquerda, mastiguei durante os últimos dias estas surpresas e tomei uma decisão que nesta hora concretizo:
ANUNCIO, INFORMALMENTE, A MINHA CANDIDATURA ÀS PRÓXIMAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS.

Acompanhe neste blogue os desenvolvimentos desta surpreendente candidatura..


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

6- Não estou preocupado com o título

Esta é uma história de músicos. A música faz parte da história. Mais vale ler sem óculos do que sem a música ligada. Esta história já vem de há semanas e para a semana continuará a ficção se o autor for real.


Estou preocupado porque receio não poder descrever a história sem descrever primeiro as personagens o que, na minha humilde pena, não é pêra doce de se dar e pode-me até sair cara se afugentar os fregueses da fruta que aqui se vende. Porém, Cipriano merece mais do que ser conhecido de vista. Cipriano tinha uma biblioteca só com um livro e a esse livro recorrentemente recorria para fazer prova do seu saber:

- Não acreditas que é verdade?! Eu vou já buscar-te o livro!

Para tudo o livro de São Cipriano tinha uma receita, o que explica, portanto, que “Cipriano” fosse alcunha. Cipriano tinha sido baixo nos Quentes seniores mas connosco só dava um “coup de main” por falha do músico ou se bebesse, o que acontecia duas ou três vezes por ano, podia subir ao palco para cantar o seu interminável blues com letra em português, francês e inglês, tudo à mistura, e fazer uns números de acrobacia que abriam a boca ao público.

Numa dessas ocasiões, Cipriano levara os seus dotes circenses demasiado longe, já tinha passeado pelo palco com as mãos no chão e com os pés à volta do pescoço, já tinha feito de anão dobrando as pernas pelo joelho com os pés junto ao traseiro, já rodara o microfone pelo cabo à moda de rancheiro do velho oeste, já o blues levava mais de meia hora e dá-lhe para andar pendurado na estrutura de suporte do telhado do recinto até se acomodar, escarrapachado, dois metros acima do público que o admirava de cabeça virada para o ar:

“Eu sou um velho maltês/ Casa para mim nunca se fez/Já não tenho sola nos sapatos/Passo as noites duas e três/Embrulhado numa manta de farrapos….”

E eis senão quando, ao tentar um mortal de regresso ao solo, fica espalhado sobre a mesa misturadora. De imediato ergue-se entre aplausos e dá ordem à banda para continuar.

No final de tão brilhante actuação a organização do baile recusou-se a pagar-nos o contrato alegando que não tínhamos tocado nada de jeito e quem teve de conduzir a J7 no regresso foi o menor Nini.

No dia seguinte a minha mãe interrogou-me acerca dos acontecimentos já que soubera que Cipriano, durante a manhã, fora transportado de ambulância para o hospital.

Vem esta história a propósito da arte de Cipriano e do seu gosto pelo circo e pelo espectáculo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pense no Haiti



Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Caetano Veloso

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dáme pica

- Que erro! "Dáme" sem traço!!
Pois prefiro não saber escrever "dá-me" do que utilizar a expressão, muito em voga, "dá-me pica". Eu até tolero que apareçam, de vez enquando, novas expressões ou que certos termos façam moda e sejam utilizados até fartar. Lembro-me do tempo em que o recurso insistente a certos advérbios de modo, que nada acrescentavam ao assunto, ser utilizado para disfarçar o discurso pobre de oradores mal aculturados.
Em tempos cheguei a recorrer ao "ó meu", ao "bué" e, uma dúzia de vezes já corri ao "paradigmático! Nunca embalei no "por tudo e por nada" começar as frases por "é assim" mas, acho graça que todas as rapariguinhas de balcão, comecem assim as suas explicações.
Agora o "dá-me pica" é que não! Para mim será sempre uma expressão brejeira porque "pica", não sendo do verbo picar será sempre palavrão e se fôr de seringa sugerir-me-á dor e não prazer!
Claro que uma mulher ou um gay poderão sempre dizer "dá-me pica" mas aí reside a razão porque não o poderei dizer ou, quando muito, palavrão por palavrão, diria "dá-me tesão". Mas, como tudo me dá tesão, o melhor é não andar sempre a repetir a mesma coisa e continuar a tentar falar português decente.
"Dá-me pica", não.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

5- Terei de arranjar título

Ouvir a música, enquanto se lê, ajuda a entrar no ambiente da história. Depois do 4, do 3, do 2 e do 1, este é o 5. Como se vê, ainda sei contar a quantas ando.


Cipriano investiu todo o dinheiro que trouxe de França. Além do bar, da sala de petiscos e do salão, fez também uma piscina, uma pista de motocross, uma loja de instrumentos musicais, uma pequena empresa de construção civil, pintura e decoração. Na designação actual chamar-se-ia o “Grupo Cipriano”.

Os putos dos Quentes, em cuja formação base eu, com 16 anos, era o mais velho, começaram a ter sucesso e contratos para todos os sábados e domingos. Fazíamos quilómetros e viajávamos horas na Peugeot J7 de matrícula francesa. Cipriano não legalizava a carrinha e mantinha a banda registada em França para poder atravessar a fronteira com a J7 carregada de aparelhagens sem pagar direitos alfandegários – era o conjunto que vinha actuar a Portugal. Esta actividade de contrabando permitia-nos estar sempre a tocar com bons equipamentos e das melhores marcas, que eram aquelas que proporcionavam melhores negócios e que, simultaneamente, nos davam algum prestígio. Durante as longas viagens que fazíamos o nosso empresário ditava recomendações de maestro e outras instruções:
- Se a polícia nos mandar parar “nós vivemos em Neuilly Plaisance – Champinhy e viemos actuar a Portugal!...”
E assim aconteceu. Durante a inspecção da autoridade, Cipriano e o filho Nini não pararam de falar francês. Os restantes passageiros, limitados ao português, fizeram o melhor e mantiveram-se calados. Num remate de desconfiança, e dando prova de arranhar francês, o polícia dirigiu-se ao Tarolas:
- Comment tu t’appelles?!
- Neuilly Plaisance.
- Tu as bu quelque chose?
 - Champinhy.
O Tarolas foi brilhante, o polícia mandou-nos seguir e lá continuámos “sur la route” a tocar e a cantar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Olha o passarinho!!!

Afectado pela paragem do tempo e pelos tempos que correm recorro à anedota:


Motociclista a 140 Km/h numa estrada. De repente deu de encontro com um passarinho, não conseguiu esquivar-se e 'poof'.
Pelo retrovisor, ainda viu o bicho dando várias piruetas no asfalto até ficar estendido. Não contendo o remorso ecológico, parou a moto e voltou para socorrer a vítima.
O passarinho estava lá, inconsciente, quase morto.
Era tal a angústia do motociclista que recolheu a pequena ave, levou-a ao veterinário, foi tratada e medicada, comprou uma gaiola e levou-a para casa, tendo o cuidado de deixar um pouco de pão e de água para o acidentado..

No dia seguinte, o passarinho recupera a consciência. Ao despertar, vendo-se PRESO, cercado por GRADES, com um pedaço de pão e a vasilha de água no canto, o bicho põe as asas na cabeça e grita:
- Puta que pariu, matei o motoqueiro!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

No dia em que o Rei faz anos

Hoje, Dia de Reis, o Rei está triste, há quatro anos que anda a dizer as mesmas coisas e não passa da cepa torta!


É preciso lembrar a malta que eu faço anos?! Deêm-me ao menos os parabens! Fica sempre bem!

Vou ficar por aqui. O ano passado é que foi uma festa de bolotas, até recebi prendas:


Foi a prenda do Fliscorno



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

4- Porque é que há-de ter título?


A música é  ingrediente necessário à história. É bom ouvi-la enquanto se lê.
Se é o 4 é porque já houve o 3, o 2o 1 e haverá 5 se existir tempo real.

O Salão do Cipriano alterou a vida de muita gente e particularmente a dos que, como eu, eram músicos dos Quentes.

Aí ensaiávamos de porta aberta para os clientes do café e, se houvesse instrumento livre, qualquer um podia participar ou praticar. Nos fins-de-semana em que não havia contrato para fora, haveria ali baile até às tantas. Os mais chegados à casa participavam como porteiros, baristas, técnicos de luzes e, algum que desse uns toques, podia dar uma folga a um músico que precisasse de dar uma volta.

Cipriano ocupava a juventude na serventia aos seus sete ofícios e, por vezes, cedia-nos por completo a gestão das noites do seu “bataclan” reclamando para si apenas a exploração do bar.

Foi neste contexto que descobrimos e decidimos realizar o que só ao diabo lembraria: Um Baile de Noite de Natal. O sucesso e o dinheiro em caixa foram de tal ordem que repetimos o evento alguns anos. O sucesso advinha do facto de sermos os únicos da região suficientemente doidos para escrever num cartaz:

“Passa a Noite de Natal connosco, somos todos uma família”

Afinal muita gente não saía de casa porque não tinha para onde ir; afinal quem vive o Natal todos os dias não precisa nada do dia de Natal e quem só o vive no Dia de Natal, só por um dia, mais valia estar quieto; afinal os nossos pais não nos reprovavam porque queriam era que nós ganhássemos dinheiro para umas calças de ganga mas, e apenas no primeiro ano, impuseram uma salvaguarda:

- Tens de ir à Missa no Dia de Natal dar um beijo ao Menino Jesus!

Porque o baile acabara pelas cinco da madrugada, porque no fim da festa o salão teria de ser limpo e arrumado, porque era no dia que se faziam as contas, porque haveria ainda lugar para uma cerveja de conversa, fizemos directa e fizemos a pé os três quilómetros até à Igreja tendo sido dos primeiros a chegar depois do sacristão. Sentámo-nos no banco dos fundos. A nossa longa noite revelava-se nas nossas roupas, nos nossos cabelos, nos nossos olhos, e nos olhares cruzados. Sentámo-nos no banco dos réus.

O Natal daquela Igreja já não era o nosso. O padre dava apenas aos lábios, nos nossos ouvidos ecoava a potência das músicas da longa noite com outros santos … talvez Santana...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Prognósticos leba-os o Bento

Bento XVI aconselhou os católicos a «não se fiarem em improváveis prognósticos...».



Sei mais do que o Papa. Em 2010
vai fechar uma empresa e mais de 100 trabalhadores irão para o desemprego,
um ministro vai ser acusado de corrupção mas o processo vai ser arquivado por falta de provas,
uma criança vai ser retirada dos pais adoptivos e entregue à mãe biológica,
um padre católico vai ser acusado de pedofilia,
um conhecido homossexual vai animar um programa de entretenimento na TV,
um jogador de futebol vai ver-se envolvido num escândalo com putas,
o primeiro ministro vai fazer uma comunicação ao país reafirmando a sua inocência,
o presidente da república vai dizer numa entrevista que está muito preocupado,
o Belmiro de Azevedo vai lançar uma campanha de solidariedade,
um dos maiores clubes nacionais de futebol vai ganhar o campeonato,
um jornal noticiará em primeira página o vencimento do Ronaldo,
no Verão existirá um grande incêndio florestal que acabará por ser extinto,
um estudo revelará que os portugueses têm dias de descanso a mais,
os combustíveis vão aumentar e o preço do crude vai descer,
o PSD vai ter uma crise de liderança,
Manuel Alegre anunciará a sua candidatura à presidência da república com o apoio do PS,
vai ser preso o principal cabecilha da ETA,
vai ser feita a maior apreensão de droga em território nacional,
Maria de Lurdes Rodrigues vai ser entrevistada por Judite de Sousa,
o Prós e Contras vai ter um programa dedicado à crise,
um ex-ministro das finanças vai dizer que é preciso diminuir a despesa e aumentar a receita,
um camião cisterna vai incendiar-se na auto-estrada,
um bloguer vai ser processado por ter feito referência a uma relação de Fernanda Câncio,
o governo cairá de podre e sócrates voltará a ganhar as eleições,
o papa virá a Fátima e apelará à paz e à oração,
vai-me avariar uma torneira e um estore em casa,
um colega de trabalho chamar-me-á incompetente,
o meu património irá de mal a pior,
vai existir uma noite em que beberei um copo a mais,
a minha companheira vai dizer todos os dias que sou sempre o mesmo,
será anunciado o fim deste blogue mas passadas três semanas recomeçará


sábado, 2 de janeiro de 2010

CASO BPN: ESCÂNDALO E IMPUNIDADE




A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal !!!

O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.

Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS…..) poderíamos:
Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).
Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.
Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.
Construir 5 pontes para travessia do Tejo.
Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.

Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4850 carrinhas de transporte de valores!
Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.
Distribuído pelos 10 milhões de portugueses, caberia a cada um cerca de 971 € !!!

E que tamanho deveria ter a prisão para albergar esta gente?!
recebido por e-mail