quarta-feira, 21 de abril de 2010

O que é um transístor

Esta informação não é técnica, é para leigos, para gente que, apesar de se estar nas tintas para o transístor, se sente mal por não fazer a mínima ideia do que é esse bicho.
Não sei se alguém o disse, ou se apenas sou eu que o digo, que o progresso tecnológico da humanidade tem como três principais marcos as invenções da roda, da máquina a vapor e do transístor. Se as duas primeiras são fáceis de entender pelo senso comum já a terceira, regra geral, é aceite mas não compreendida.
Talvez uma explicação caseira ajude a perceber os mais desentendidos na coisa tecnológica, o papel do transístor no nosso quotidiano. Pelo menos é essa a intenção.
O transístor foi inventado no final da década de 40 e, de então para cá, tem sido a peça central no desenvolvimento tecnológico que nos envolve, de tal forma que, podemos dizê-lo, qualquer lar dos tempos de hoje tem em casa milhões de transístores, no limite da ignorância, sem saber o que é isso.

O transístor não tem duas nem quatro patas, tem três terminais - base. emissor e colector - e, na versão mais vulgar,  é internamente constituído por três camadas de silício dopado com elementos de composição electrónica distinta.

O transistor, na sua função tradicional, tem a capacidade de amplificar/ampliar um pequeno sinal, como o que é captado por uma simples antena ou por um microfone, à custa de uma corrente de alimentação (por exemplo de uma pilha).
Em modo, incorrecto na linguagem técnica mas de percepção mais compreensível para o leigo: imaginem que uma nota musical entra pela base, o transístor vai buscar corrente eléctrica à pilha pelo emissor e adiciona-a, amplificando-a e fornece-a no colector (espero que nenhum técnico, daqueles que ninguém percebe nada do que eles dizem, vá ler este post porque certamente iria reprovar a minha simplificação).
E este é o processo básico que torna audíveis e visíveis sinais eléctricos que andam pelos ceús e pelos cabos em absoluto silêncio.

Mas foi a função do transístor como comutador/interruptor que viria a revolucionar as nossas vidas com o aparecimento dos computadores e das tecnlogias digitais. É que, além de poder amplificar, o transístor, consoante tenha ou não corrente na base, conduz ou não conduz, liga ou desliga, isto é, comuta, permitindo, neste haver e não haver corrente eléctrica, a transmissão de informação em uns (1) e zeros (0), isto é, codificada. Se for um "A" o código pode ser 1000001 então o transistor terá de, sucessivamente em tempos sincronos, conduzir (1), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), conduzir (1).

Não sei se ajudei! Talvez tenha baralhado! É que um computador tem milhões de transistores para brincar com um simples "A".



segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Caminho de Belém

A recolha de assinaturas "D.Pata Negra à Presidência da República" já começou:

Assina em
e divulga nos blogues, no facebook, por email, no emprego, na família, à saída da igreja, no autocarro, na cama, na casa do ... mais velho, à chapada. Por tudo e por nada pergunta:

- O quê?! Ainda não deste a tua assinatura pela candidatura do Pata Negra?! Continuas parvo ou quê?!

A primeira candidatura verdadeiramente revolucionária, enraizada no povo anónimo, assumidamente para pisar o esterco da pocilga, sem formalidades, nem formalismos, sem vaidades nem holofotes, sem segundas intenções mas bem intencionada, sem discursos mas com olhares.

Querem 7500 assinaturas, aqui estão elas! Excluam-nos do boletim de voto e nós acrescentaremos à mão a nossa escolha.

Não sou um candidato sabonete, sou um candidato sabão!
Não serei o presidente de todos os portugueses, serei o presidente só para alguns.

sábado, 17 de abril de 2010

E tudo o Bento tolerou


Não me lembro de na história das tolerâncias uma tolerância de ponto ter sido anunciada com tanta antecedência. A pressa é inimiga do perfeito e do Prefeito. 
A tolerância dada aos funcionários públicos não parte de motivações religiosas mas de razões políticas: a maioria dos funcionários já faz programas para aproveitar a folga e, quiçá, fazer ponte, mas é oportuno amaciar os castigos a que tem sido sujeita a classe. Não vai ser um dia de descanso que afectará a sua produtividade já que esta não é maior, não por falta de trabalho mas sobretudo por falta de gestão e orientação das chefias políticas. Por outro lado, qualquer motivo que sirva de pretexto para aprofundarmos uma sociedade de lazer é benvindo e, num país que aposta no turismo como forma de viver, qualquer oportunidade de saída é benvinda para animar a economia.

O que indigna muita gente é o facto discriminatório da tolerância respeitar apenas aos empregados do patrão Estado e, entre esta gente, estão principalmente os que pensam que os funcionários públicos não fazem nada  (nesta linha não percebo qual é o problema de mais um dia sem trabalhar) , aqueles que acham que o Estado não deve mandar no sector privado e outros que exigem do Estado a laicidade mas gozam sem protestar todos os feriados do calendário católico.

Neste caldo de pensamentos de um ser católico culturalmente mas que não reza à Senhora de Fátima e muito menos ao Papa, atrevo-me a sugerir que o país pare todo no dia 13 e trabalhe no feriado da quinta Corpo de Deus que nem mesmo os mais católicos sabem porque o é.

Porque não ter pena dos funcionários públicos que estão a ser instrumentalizados para encher as ruas e dar vivas a um Papa que não anda em boas saias e para fazer desse acontecimento uma diversão mediática que distraia o povo dos problemas em que o poder político o tem enfiado?

Quem que ver o Papa vá a Roma! 
Luta pela sociedade do lazer, pelo país das praias!
Diz não à tolerância! E... lembrei-me agora do título:
- O que é que o Bento tolerou?!
Enfim um caldo de pensamentos...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A tia de Louçã

Já suspeitava que Louça é filho de tia! Não tenho qualquer interesse em conhecer a tia de Louça! Pergunto-me de onde é que Sócrates conhecerá a tia de Louça para lhe chamar mansa. Não é habitual este reino fazer eco de coisas que muita gente agarra mas este vídeo chamou-me a atenção, não pelo manso Sócrates, não pela mansa tia, não pelo "estamos em família" que traduz o abanar de mãos final do sobrinho mas, curiosamente, pelas expressões de rosto, do outrora senhor do seu nariz, Sócrates: cara de morte anunciada!
O Balsemão já começou a construir o novo Sócrates, desta vez não tem nome de filósofo mas de peça de caça! Venha ele! Um dia os fatos de Sócrates serão dele, por agora ainda tem pêlo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A cultura da crise


Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos em tempo de crise.

Na boca dos abastados senhores do poder não se ouve outro pretexto para a situação que não seja a crise. A crise justifica a própria crise. A crise é o melhor remédio para a crise.
Crise atrás de crise. Crise após crise. Sempre crise.
Sempre vivi em crise. Queria viver ao menos um dia da minha vida em que não houvesse crise.

Crise! Crise! Crise!
A crise é filha de uma puta que é a conjuntura!
A crise serve todos os interesses;
conforma os pobres - incha os ricos;
contém os que protestam - alivia os que mandam;
açaima os que trabalham - solta os que exploram;
justifica a miséria - tolera o enriquecimento;
dá mote aos poetas - torna brilhantes os comentadores.

Crise! Crise! Crise!
Palavra banal quando é dita, palavra que irrita, palavra que justifica.
Está instalada a cultura da crise!
Em nome de todas as razões, em nome de todos os interesses, a crise serve e a crise castiga.
Não há nada mais fácil nem mais lucrativo do que gerir em estado de crise,
serve o governo, serve os que mandam, serve os que podem,
em suma, serve a selva capitalista.

Pois então que a crise exploda de uma vez por todas!
Estou farto de ser cidadão pacífico!
Que rebentem os locais de trabalho, os locais de férias e as ruas!
Que rebentem as escolas, os hospitais e os tribunais!
Que rebente o povo e que eu dele rebente!

Crise!... Crise!... Crise!...
A culpa é filha de uma puta, a conjuntura!...
Os intelectuais  falam baixinho entre eles, num canal de televisão que ninguém vê! Falam de fins. Para eles está tudo em fins, acabaram as ideologias, as lutas, os direitos, acabou a História !

Nas veias dos políticos corre o sangue sólido de actores que trocam de papéis e de adereços, que lançam vozes na sala para ouvirem os seus ecos, que lambem os seus espelhos, que abrem e fecham o pano ao ritmos dos seus discursos, que representam personagens e fantasmas provocando a sonolência dos espectadores. Mas um espectador, mesmo entre sonos, bate sempre palmas! E, se os ratos do velho teatro lhe roerem os pés, julgará sempre que é comichão dos sapatos! Nem que esteja descalço!

E depois, nos camarotes, entre cenas de interesse, de prazer e coscuvilho, estão jornalistas, banqueiros, empresários, proprietários, juízes e generais e outros mais a sombrearem, com gestos e acenos, a pequenez da plateia submissa, reverente e admiradora, sempre disposta a sonhar com um lugar nos camarotes!...

Ai! Onde é que eu ia!? Falava da cultura da crise!...
O estado da crise já compete com o estado do tempo quando falamos para alguém sem tema de conversa. Em todas as conversas, pressente-se, que a última coisa que queremos saber é a a verdade.
- Crise? Qual crise? A financeira, a económica, a social, a política, a democrática, a do petróleo, a sectorial, a nacional, a internacional ou a da justiça?

Eu quero que se lixe a crise eu vou mas é ver o Benfica!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

7 anos numa J7

Esta história, pela sua natureza de blogue, tem invertida a ordem cronológica. Deve, por isso, ser lida da mensagem mais antiga para a mais recente. Trata-se de um relato que ficou incompleto porque me estava a fugir a boca de mais para a verdade.

quarta-feira, 31 de março de 2010

16 - Os meus ténis Sanjo

- Olha, tenho ali no carro as fotografias! - Desculpa, não me lembro de ti! Quais fotografias!?
- Tu não és o organista que tocas descalço?!
O interlocutor era, pelo todo, filho de emigrantes que viera ao novo Agosto e que se abeirara da minha mesa de café pela hospitalidade que ela sempre emanava. Circunspectos ficaram também os meus companheiros de rodada, pela humildade do desconhecido que mandara vir mais uma, pela história do “eu descalçadinho” e, ainda mais, pela prova fotográfica que, depois de volta e meia à rua e ao carro, o fã ali trouxe. Passaram de mão e mão as fotos, provocando gargalhadas, o “olha aqui!”, o “lembras-te desta?”, o “que é feito desta?”, olha a Gibson! Porque diabo trocaram vocês a Gibson pela Fender e porque diabo estavas tu a tocar descalço?!

Tinha acontecido só naquele dia. Eu calçava os meus ténis brancos “sanjo” de verão, sujos e rotos, não sei se por desleixo, penúria, estilo, marca, mania ou ideologia – talvez fosse por estas coisas todas juntas! Eu tocava sentado e entretido e, na boca do palco, vieram sentar-se umas miúdas que trocavam os olhares entre o baile, entre si e para mim. Os meus pés, que eu não via porque estavam sob os teclados, estavam a escassos centímetros dos rabos das moças. Eram, de certeza, de Lisboa e andavam por ali a passar as férias grandes, bem vestidas, asseadas, divertidas, dentes brancos de sorrisos de fazer estremecer qualquer artista de província que arranhasse rhythm and blues e rock'n'roll. Eu não tinha vergonha, muito pelo contrário, sentia até orgulho dos meus ténis mas, naquele momento, senti-me traído por eles, eles não estavam à altura do que a coisa prometia. O fim-de-série era sempre ao fim de três ou quatro músicas, para a banda descansar, o bar trabalhar e a malta trocar as necessárias palavras. Fui atrás das colunas e descalcei-me. Actuei e andei o resto da noite descalço, fiquei nas fotos da noite descalço, as miúdas não conheceram os meus ténis sanjo mas também não me recordo de terem sido seduzidas pelos meus pés descalços. Mas também não são as meninas de Lisboa que vem aqui à história, a história pretende apenas revelar que estivemos muito perto do sucesso: um desconhecido, fotografias, a marca descalço…

Entrei em caminhos perigosos / a ficção começou a confundir-se com a realidade / entrei em caminhos perigosos / os velhos amigos e amigas que cruzam esta história não me deram autorização para tanto / estão demasiado perto de mim para que os dispa / estão demasiado perto de mim para que lhes vista outra roupa / receio que a história tenha falido / por minha culpa, minha tão grande culpa / deixo ainda um vídeo do princípio - de quando ainda não recebíamos um chavo / depois logo se vê / não gosto de deixar as coisas a meio mas nem por isso deixo de apreciar as capelas imperfeitas do mosteiro da Batalha sobretudo pelo facto de elas nunca terem sido concluídas / este blogue há-de um dia encontrar um rumo... e se não encontrar, que se lixe!

domingo, 28 de março de 2010

Educação burguesa

- Vá, mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa! Filhos da puta do caralho de progressistas da revolução que vos foda a todos!
(José Mário Branco - FMI)

sábado, 27 de março de 2010

Sócrates sucederá a Sócrates

Os quadros partidários dos países europeus são muito semelhantes. Portugal tem a particularidade dos dois maiores partidos ocuparem o mesmo espaço político, já só os militantes de ambos não o reconhecem e, aos mesmos, custa reconhecer que foi o PS que roubou o espaço ao PSD e não o contrário.
Nesta circunstância os eleitores que tomam as suas decisões de voto, não em função da representação parlamentar mas na expressão redutora de votar em quem tem sondagens de ganhar e constituir governo, estão condenados a escolher, até que isto rebente, mais do mesmo.
Neste quadro, os militantes do PSD, escolheram bem: a melhor maneira de combater Sócrates é com outro Sócrates. Se, para muitos, em Sócrates a esperança é nada, em Passos Coelho é coisa nenhuma!
Este povo parece estar determinado a continuar assim, tal qual se resignou a tolerar ,durante quase cinquenta anos, Salazar! Se se não pode emigra-se!
Estes rapazes são produto das jotas esse ou esse dê, aliás, ambos foram iniciados em esse dê! Continuemos pois, cabisbaixos e sem esperança! Oh "people"! Há mais políticos para além do PS/D!

sexta-feira, 26 de março de 2010

A caminho de Belém

Qualquer um se pode candidatar e as 7500 assinaturas são para impedir que se possa candidatar qualquer um.



Por acaso, entregues as assinaturas, alguém as vai ler, averiguar a sua autenticidade? O que fazem às resmas de papel? E porquê 7500 e não 750 ou 75000?

Não nos submeteremos às regras que o sistema impõe para nos excluir. Esta candidatura, porque é anti-burocrática, porque é amiga do ambiente e porque é tecnologicamente avançada, recorrerá a uma petição on-line apenas como forma de avaliar os seus apoios e exige de si própria apenas os subscritores que conseguir.
Se os tubarões da democracia se recusarem a inclui-la nos boletins de voto temos uma solução simples: acrescentaremos o nosso candidato e a sua quadrícula de forma manuscrita
Quero ver se terão a coragem de ignorar e considerar nulos milhões de boletins de voto que expressem a mesma escolha:
Pata Negra X

quarta-feira, 24 de março de 2010

Denúncia no Parlamento

Se em nome da segurança temos de ter vigilância electrónica então, em nome da verdade, acabe-se com o segredo de justiça.
Quando uma Assembleia fala noutra língua há grandes probabilidades de estarmos em Portugal.

segunda-feira, 22 de março de 2010

15 - 7 anos numa J7

E porque a história singular pifou por ordens várias que cada um concluirá, cumprir-se-á a história da banda com histórias no plural e não foram poucas as que ao longo de sete anos se cumpriram. O grupo não se consumava no palco, o grupo vivia muitas outras horas agrupado e, entre essas horas, foram muitas as que se cumpriram em sete anos a viajar na J7. Na J7, ao longo de sete anos os ora quatro, ora cinco, ora seis, ora sete, ora mais elementos, cansados, ensonados, sujos, mal acomodados, cumpriam uma ou mais histórias em cada viagem de ida ou volta.

– Porra! Ainda dizem que Portugal é pequeno! Fui à vila e estava a ver que nunca mais lá chegava!

Dissera uma mulher lá da terra, nos tempos em que se passava uma vida sem quase sair da aldeia onde se nasceu, quando se viu obrigada a deslocar-se à comarca que distava 17 km. Esta expressão era frequentemente repetida para o riso nos aliviar a saturação das viagens de horas que, muitas vezes, acabavam com o nascer do sol.

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas.

Também o ambiente de certos salões, garagens, barracões, era pesado. Num fim de série era um alívio vir à rua tomar ar fresco, fumar ou mandar uma mijada. Quando os porteiros não identificavam o artista discreto e impediam a reentrada, era um gozo ficar à porta à espera que o problema fosse resolvido para que o baile recomeçasse.

Nas imediações do recinto há sempre um sítio escuro propício à prática de certos actos. Entre sombras e clareiras procura-se o local com melhores condições para realizar vontades. Uma imensa vontade, uma aflição de expelir massas acumuladas e, um cinto desapertada à pressa, um baixar as calças e, de cócoras, a satisfação do alívio. Passados segundos, vindo das profundezas da terra, o eco de um pesado “choc” em águas paradas… Esperei outros tantos segundos pelo retorno dos salpicos na pele esfriada!... Nada!!!

- Já viste?! Podia ter caído para dentro do poço!

Custava a acreditar mas o boss Cipriano afiançou a situação de perigo até à exaustão e nós, os outros, respeitavelmente acreditámos! Até porque outra história alguém tinha para repostar:

- Vim cá fora! Procurei um sítio para mijar! De repente do escuro um cão: ão! ão!... – Ai!...
Olha se eu não fujo a tempo! O que podia ter acontecido!... Nunca mais! ...De noite só em urinóis!

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas. E muitas eram dos tempos áureos de França. Prova documental: 1975 - Uma banda de emigrantes portugueses actua em Paris. Cipriano é o baixo.

sábado, 20 de março de 2010

De Moçambique afectuosamente

Era eu pequeno e ouvia intenções de terço por dois primos que estavam na guerra em Moçambique. Era 1972 e um padre, recém regressado de capelão militar dos matos de Tete, fazia matinés de domingo aos meninos projectando slides e minutos de filme que testemunhavam a sua passagem pela africanidade. Depois vieram as anedotas do Samora até que um dia, no despertar da minha consciência política, dei comigo a defender o grande estadista africano que na chegada ao aeroporto tratava os nossos cagões por pá.. Em Coimbra nasceu-me o grande amigo Parsotan, colega de engenharia e arte, que tinha a vida amarrada a uma pequena bolsa de sobrevivência de estudante e que teria toda a famílía por lá. Nesses anos vivi o Quarto em casa das moçambicanas. Já adulto, veio-me o Mia Couto, antes de ser escritor de montra, através de uma peça de teatro do Trigo Limpo construída sobre histórias suas e, atrás dele, a literatura dos dele. E como se não bastasse tudo isto, por afinidade, ganho um familiar de reconhecida estatura que anda, de Tete em Beira e de Nampula em Maputo, desde os anos sessenta e nunca de lá arredou pé a não ser para vir ao médico a Lisboa e conversar comigo.

Desta forma dou umas pinceladas sobre a meu especial afecto por Moçambique! Tudo isto para dizer que este filme me faz rir mas não só.

(Nota só para alguns: surumático vem de suruma, maconha, marijuana, erva, boi, trator, cânhamo... tanta coisa que lhe chamam, até droga)



quinta-feira, 18 de março de 2010

A Arte de Pensar


Lili Caneças, simplesmente não pensa.
Rute Marques pensa que é Grace Kelly.
Paulo Pires pensa que é o Diogo Infante.
Diogo Infante pensa que é Paulo Pires.
Pedro Abrunhosa pensa que é António Variações.
E António Variações já não pensa mais.

Manuel Luís Goucha pensa que é a Teresa Guilherme.
Teresa Guilherme pensa que é a Manuela Moura Guedes.
Manuela Moura Guedes não pensa, quem pensa é o Moniz.

Luís de Matos pensa que é David Copperfield.
Edite Estrela pensa que é Hillary Clinton.
E Ana Malhoa, simplesmente pensa que pensa

Júlia Pinheiro pensa que é Barbara Walters.
Herman José pensa que tem graça.
João Baião pensa que vai ser mãe.
João Pinto pensa que é intelectual.
Belmiro de Azevedo, com todo o dinheiro que tem,
pode pensar o que quiser.

Ronaldo pensa que é o número 1.
A irmã dele pensa que canta.
O sr. José Sócrates da Silva pensa que é Deus.
E José Mourinho tem a certeza!

O teu chefe pensa que estás a trabalhar.
O meu também…

(isto anda a vaguear pela web com variações ao sabor dos interesses de cada um/ peço desculpa, não consegui identificar o autor / enfim, é a web!)



segunda-feira, 15 de março de 2010

14- Intervalo

Este número catorze é um intervalo. Atenção ao filme no final.
A história está cansada. Esta coisa do “sem título” já chateava e, apesar de ter recebido, da parte de alguns leitores, interessantes sugestões acho que vou optar por títulos avulso.
A história está cansada: o reviver da juventude está a dar-me para o verbo fácil, pró piroso e para a irresponsabilidade. A história deveria acabar aqui! E o que faço das notas que tenho para desenvolver? E que dizer desta mania das histórias terem de durar 24 semanas? 24 quartos!... 24 fábricas!... Não sei porque é que tenho esta fixação no número 24! Por serem duas vezes doze, doze meses, um ano, doze apóstolos, duas dúzias?! Por ser metade da minha idade?
O que fazer duma história que nem sequer tem centro para título? E os leitores? Parece que fugiram todos para o caralivro! – Preferem o palavreado encaixotado do jovem caixa belmiro-dependente do Continente, às histórias do senhor Cartucho da mercearia do bairro!
- Blogosfera?!
- Não, agora virei para o facebook!
Que se lixe! Nós os bons somos tão poucos! Suficientes para estarmos aqui a mastigar uma história com poucos condimentos!...
Mas, como vou conseguir chegar ao número 24 sem a Teresa? Pode haver história sem amor de mulher pelo meio? Deixei Teresa ir para Espanha. O que faço da história sem Teresa? Volto a Teresa? Teresa despediu-se de mim com uns beijos mas, entre os queixos, atravessou e comprimiu a sua mão e fez distinguir o dedo médio para que ele se humidificasse e entretivesse entre os lábios fartos de encontros repetidos. Aquele dedo médio, lascivo, íntimo, irreverente, mastro, revoltoso, submisso, altivo, soube-me a desfecho, a começo, a presente, a passado, a futuro. Melhor dizendo, era de Teresa e soube-me a Teresa.

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que ontem mesmo, 14 de Março de 2010, voltei a reler. Visitou-me/nos em anos seguintes em casa ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas que eu recebi, reli-as hoje, são um molho delas.

A filmagem vídeo ainda era só para alguns. Filmar em fita de cinema era muito caro. Por isso restam escassos e curtos registos em filme. Aqui fica um deles. Andaríamos na estrada há poucos meses e ainda apenas a fazer os intervalos da banda sénior. Ainda tocávamos pouco mas éramos tão engraçados! Algures em 78 ou 79.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Poste pró cara...!

Estou com o período, com o período blogosférico. Esta é daquelas vezes em que vou começar a escrever sem saber o quê, para quê, para quem ou porquê. Garanta-vos que este post vai durar todo o fim-de-semana. Irei escrevendo e publicando. Entre desabafos irei assar a carne, dar banho ao cão, fazer a barba, dormir, buscar o pão, fazer a barba, dormir, cagar, comer (não! o contrário! como aconselhava sempre o meu pai!)  plantar as batatas, cultivar o amor, fazê-lo! Estou mesmo... Já volto!  

Voltei. Este post é pró cara...! Bem sei que esperariam que eu completasse a palavra com o melhor amigo do bacalhau, aquele que faz bem a tudo, até ao cancro ou que a palavra dissese aquilo que o primeiro ministro não tem. No melhor brasileiro-língua o cara seria até um sujeito! Pode também faltar o col, o melo ou o pau!... Mas não! Criei um palavrão: o caralivro!
Já volto!
´
Vou à padaria! Já volto!
.....................................
Deixei queimar a carne toda. À refeição só se aproveitou o venho! Vou ali e já vinho!

Zé Povinho disse...

Eu tenho vontade de dizer uns quantos palavrões, mas também vou deixando um post marado, que talvez anteceda alguma coisa de jeito.
Pata Negra diz: uma vezes vale mais a palavra,  outra vezes o palavrão!

Compadre Alentejano disse...
Sempre ouvi dizer que se deve fazer aquilo que se gosta. Ah,e uma coisa de cada vez!...
Pata Negra diz: e revelo, em primeira mão, que não gosto de fazer aquilo que não gosto! Contudo, fazer duas coisas ao mesmo tempo, como por exemplo, comer e beber, gosto.

opolidor disse...
pode ser que o acordo ortográfico o considere...
Pata Negra diz: osto dacordo con o grafico nom cum o horto!
antonio - o implume disse...
A vida porcina em directo...
Pata Negra diz: directo com porcos sim, mas se houver porcas o melhor é fechar o pano.

Marreta disse...
Muito bem! Candidato que se quer popular e javardo deve abrir o livro da sua vida para o povo!Caralivro?! Não me digas que te rendeste à pocilga do farmville!!!
A propósito já há hino oficial!
Pata Negra diz: eu abro o livro, eu abro a vida mas não abrutudo! Não me rendo, avanço sobre a lavas da merda incandescente!... Porra! Vocês não se calam com o hino! Até me parece que vocês são o hino! Vou arranjar um hino! Vou falar com os gaiteiros da Terrinha! Feliz o mandatário!

Este post está do cara (Quim Barreiros)! Não do caralivro! Não será que estamos a construir um caralivro caseiro??!
Vou cagar, volto já!
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Entretanto: fui à tribuna do Mandatário. Temos hino! É este o hino! Com um mandatário destes nem é preciso haver mandatado! Estava eu a pensar no "entrai pastores, entrai, por este portal sa...sa..." e porca aqui e porca ali....


E vou ali já venho aqui! Ai porca do carago!....

Foi um dia do caraças. Nove e meia, a comprar carapaus e alface no mercado. Plantei a alface; estrumei um talho para batatas; assei os carapaus; recebi um telefonema de um amigo e deixei queimar os carapaus; enquanto salvava os carapaus bebi um copo com o vizinho; não me lembro de comer os carapaus; afinal este post é para os cara-paus; fui à Terrinha, que dista 5 léguas, visitar a minha madrinha.

A minha madrinha fala e eu ouço-a; a minha madrinha é um pedaço de passado que eu tenho no presente; às vezes a minha madrinha está a falar e eu não a ouço; os olhos e o sorriso da minha madrinha não me a deixam ouvir; a minha madrinha é uma biblioteca; eterneço e choro ao ouvir as histórias e as dores da minha madrinha; a minha madrinha quando me ouve iça as suas orelhas inteligentes; quando a minha madrinha deixa transparecer que não está atenta aquilo que eu lhe digo é porque eu não estou a ter uma conversa inteligente, a minha madrinha é a minha terra e ela diz que eu sou o seu afilhado. A minha madrinha ainda canta e só chora quando se lembra de que morreram todos os que viveram as suas histórias!

Cheguei a casa. Rearmei o churrasco para uns pedaços de entrecosto. Dei cabo dele e agora estou aqui. Queria falar do caralivro que está a dar cabo da blogosfera, não consigo! Talvez amanhã! Julgo que estou/estamos a fazer a mesma coisa que se faz no caralivro.

Entretanto, dois comentários:
MARIA disse...

Majestade,
Eu própria tenho já várias vezes observado que nos nossos dias,neste País, qualquer tema serve de livro, quaisquer palavras se editam em livro e qualquer pessoa ou aparentada :-) chega a titular do mais algo cargo político de Estado.
Fica portanto demonstrada a sua ideia, nem precisa de acrescentar mais nada ao publicado !
A melhor demonstração é tantas vezes a do absurdo!
Quanto ao hino e uma vez que trata de livro, se fosse a minha candidatura lembrar-me-ia deste. Bastaria substituir o nome a gosto :). No seu caso Majestade, certamente seria o livro da Presidência da República, em vez de inês.
E se alguém lhe disser que não será o 1º presidente português a ser eleito, responda-lhes de peito cheio, porque estará com a razão, que só o Povo conhece de facto quem 1º lhe ocupa o coração!

Pata Negra disse: Maria, ainda tenho coração mas já não tenho juventude para o caralivro.

O Guardião disse...
Com o odor a carne esturrada ouvi a porca do Nélio e lembrei-me do café que acabou por ficar frio enquanto dava no neclado

Pata Negra disse: amigo Guardião, vês? Falaste do teu café, estás no caralivro!





















No meu trabalho de averiguação das fontes do hino do Marreta, não vá um gajo ver-se a contas com essas  tretas burguesas dos direitos de autor, encontrei este artista brasileiro e já está contratado para a campanha.

E agora? Vou-me deitar? Ou vou-me inscrever no facebook?!
Vou lavar os dentes. Já volto!

Peço desculpa, este post não cumpriu os seus propósitos, falhou! Falhou porque o fim de semana descambou e hoje já é segunda feira.
Volto já!

terça-feira, 9 de março de 2010

13- Aceitam-se títulos

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que hoje mesmo, 9 de Março de 2010, num serão de sótão me entreti a reler. Detive-me nos envelopes emoldurados pelas barras coloridas e oblíquas do envio por avião e nos selos sempre iguais do retrato de Franco – a história já deu voltas e o meu sótão faz-me velho. Visitou-me/nos em anos seguintes na Terrinha ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas, reli-as hoje, são um molho delas, perto de cem.

Sem Teresa, a banda “remasculinisou-se” e mudou de rumo. O Chico Fininho deu o pontapé de saída para o êxito do rock em português e nós começamos a ensaiar os nossos próprios temas. Cantar em português sobre sonoridades anglo-saxónicas era um desafio e tomámos uma determinação: vencer o complexo que os portugueses tinham, e mantêm, em relação aos ingleses pelo facto de não saberem falar, como eles, inglês.

E assim surgiu esta canção original, a dois ou três tons em “ritmo slow”, numa sonoridade do tipo “ Child in Time", que se inspirava numa quarentona, fã da banda e senhora “amercedada” lá das redondezas.


A dona Preciosa tem cu e tem corpo
Mas estão por debaixo da roupa
A dona Preciosa tem uma filha de Deus
Mas o marido não se importa
Na esplanada do café vi as pernas à dona Preciosa,
Fiquei tão flipado que fui internado
Por ter acompanhado o meu enlouquecimento
A dona Preciosa foi-me visitar ao estabelecimento
Entreguei-lhe um bilhete dobrado que rezava
"os desejos que você me determina
menina da casa dos quarenta
gostava de ir um dia à sua vivenda”
A dona Preciosa alojou o papel no decote
E eu invejei a sorte do terceto
A dona Preciosa linguarou-me
Que se pudesse comigo casava
Que marido tinha
Que a filha esperava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem um cu e tem corpo
Como eu nunca o vi
Como o meu português
A dona Preciosa riu-se e eu esclareci
Que meu português não é homem
É língua
A dona Preciosa linguou-me
E que se pudesse pois continuava
Que o marido faltava
Que a coisa não içava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem cu e tem corpo
E o meu português é coisa de louco
Poema mas pouco

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres cheguei



Sou contra dias disto e daquilo.

"Toda mulher deve ser amada
No dia-a-dia conquistada
No ser mãe endeusada
Na cama desejada
Na boca beijada
Na alegria multiplicada
No lar compartilhada
No seu dia festejada
Na tristeza consolada
Na queda levantada
Na luta encorajada
No trabalho motivada
No aniversário presenteada
Na alma massageada
Na beleza admirada
Na dificuldade ajudada
No cangote bem cheirada
Na vida abençoada
No mundo inteiro respeitada
E sempre que possível... abraçada!"

Madre Teresa de Calcutá

dum comentário da Mariazinha faz hoje um ano

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cara Blogosfera

Cara Blogosfera

Quando consumo conteúdos blogosféricos, não procuro notícias. Se eu quiser saber quem é que ganhou os globos de ouro, vou ao site dos globos de ouro. Se eu quiser saber qual foi a magnitude do sismo no Haiti, vou à procura do site da entidade que mede essas merdas.

Nos Blogs eu quero opinião. Mesmo que seja lúdica. Ou que me dê a conhecer coisas que a comunicação social tradicional deixa passar.

É verdade, eu não uso a comunicação social tradicional para estar informada, uso os Blogs. Mas se estes me começam a dar exactamente o mesmo que os outros....deixam de me ter como consumidora, da mesma forma que os outros deixaram de me ter como leitora, espectadora, ouvinte, etc.

Muito agradecida.
Da Jonasnuts via Fliscorno


quinta-feira, 4 de março de 2010

Vou pô-lo em tribunal


Diz-se que a justiça não funciona, diz-se que não se confia na justiça, diz-se que a justiça é só para alguns.
Mas eu não sei se quando um "fulano" de bem, porque "sicrano" dele disse mal, responde de imediato "vou pô-lo em tribunal", está à espera que a justiça funcione só para alguns por se considerar alguém ou se, sabendo de antemão que a justiça não funciona, atire essa ameaça porque lhe fica bem, embora saiba que lhe assenta a acusação!
- Se alguém disser mal de mim fique sabendo que, embora não confie na justiça e ache que a justiça é só para alguns, vou pô-lo em tribunal.

terça-feira, 2 de março de 2010

12- Isto não tem jeito sem título

Esta era eu que cantava para dar descanso ao vocalista principal
Se ela estivesse por baixo, teria visto, através das frestas do soalho do palco, o rasto dos meus ténis Sanjo, teria feito amor ao ritmo do compasso que o meu pé batia, não me teria traído completamente porque teria gozado sob a minha superior presença. Subi as escadas do palco, a banda gozava um fim de série, só o “informador” Tarolas parecia estar a par do meu problema de testa. Levantou-se da bateria na minha direcção com a mini Sagres que era para mim na mão, passou-ma com uma expressão neutra, esperando que eu, tão senhor do meu nariz, tão dono de Teresa, comentasse a situação. Afinal de contas, ele tinha sido o primeiro a saber e, graças a ele, eu não seria o último mas o segundo, facto que, traindo a tradição, era uma atenuante.

- Oh Tarolas, tu alguma vez conheceste mulher?! Tu conheces-me, conheces a Teresa e o Cipriano, que mal tem? Antes com ele do que contigo! Eu não sou dono dela e se vontades lhe deram, a mim não pôde recorrer por eu estar a tocar, antes com um amigo comum do que com um estranho! O desejo de experimentar a sapiência dos mais velhos não concorre com a juventude dos mais novos! Também nós temos construído fantasias na nudez da Dona Preciosa!

Tarolas, engelhou a testa e o nariz e replicou:

- Tu estás a passar-te, essa merda dos fumos, do sucesso da banda a subir-te à cabeça e de leres revistas dos grandes, estão a transformar-te em quê?! Porra, vê a tua testa ao espelho! A Dona Preciosa nunca passará da letra da canção que andamos a ensaiar!

Pensando bem, Tarolas teria alguma razão! Mas, por outro lado, não havia  assim nada de tão trágico, foder, de duplo desejo, nunca pode ser crime. Encerrei com ele a conversa deixando em entrelinhas que, embora normal, o episódio não deveria chegar aos microfones da banda.

Aparentemente, o resto da noite, a desmontagem da aparelhagem, o carregamento da J7 decorrei como sempre. Na viagem de regresso a casa Teresa veio sentada a meu lado sobre as duas colunas Hiwatt e, chegados a casa de Cipriano, na hora habitual das seis da manhã, recebi o cachet e o beijo da namorada.

No dia seguinte regressei ao trabalho, tínhamos outra actuação, e procurei as devidas explicações do patrão. Não teria equilíbrio emocional para colocar a questão a Teresa mas o traidorzito não se fez de engasgos:

- Já várias vezes te tenho dado a perceber que ela não é mulher para ti e já sabes o que penso sobre o mal que as namoradas podem fazer a um conjunto musical! Foi esta a solução que encontrei para cortar o mal pela raiz! Repara que não fiz nada às escondidas, dancei com ela à tua frente e fiz-me nela a um metro de ti!

- Mas um metro na vertical é diferente de um metro na horizontal!?

- Este assunto tem de ser resolvido entre ti e ela! Não é preciso armares um chilifrim, dizes-lhe, "acabou!" Eu trato do resto! Os familiares dela estão abancados na Figueira e eu próprio a irei levar!
- E eu não posso ir também?!
- Mas estás armado em quê?! Está descansado que eu não lhe toco mais! Cumpri o meu papel, tu agora cumpre o teu!
Cipriano era amigo. A banda continuou por muitos anos e eu nunca perdi completamente essa Teresa nem a vontade de me vingar da lição do patrão.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Anunciação do mandatário

Estimados apoiantes, é com profunda tristeza e imensa alegria que vos anuncio o mandatário da candidatura do Pata Negra à Presidência da Rebública. É triste ver-me obrigado a candidatar-me mas é alegre poder nomear um mandatário sem sequer ter falado com ele: há determinações do destino que não se questionam.
Diz dele próprio que "pratica a maledicência e o bota-abaixismo quando merecidos, mas não tolera o compadrio, o lambe-botismo e o chupismo". Ele é o Marreta e isso basta-me.

Aguarda-se para mais tarde o anuncio formal da candidatura. Estamos ainda na fase das segundas intenções. Precisamos de estudar os adversários e de averiguar os motivos porque se estão a apresentar com tanta antecedência.

Os outros candidatos dizem-se apartidários, eu renuncio ao apoio dos partidos; os outros candidatos reunem apoios financeiros, eu farei a campanha sem gastar dinheiro; os outros candidatos rendem-se à comunicação social, eu abomino-a; os outros candidatos prometem que serão presidentes de todos os portugueses, eu prometo que serei presidente só para alguns.

Ainda a candidatura vai no adro: apoia, divulga, participa!

Registo como apoio as referências do Miradouro de A.J. Soares e do Guardião.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De onde nascem os cabrões


Violam cabra e são forçados a casar com o animal
Dois jovens de Matsinho, Gondola, centro de Moçambique, foram apanhados pela polícia a manter relações sexuais com uma cabra e agora os donos do animal exigem indemnização e casamento. O caso está em tribunal.
O caso de "flagrante delito" aconteceu na semana passada, no distrito de Manica, e fonte ligada ao dono da cabra disse à agência Lusa que o mesmo exige que os jovens sejam condenados em tribunal a casar com o animal.
Os jovens, cuja identidade não foi revelada, terão sido apanhados a manter relações com a cabra no âmbito de uma espécie de ritual satânico.
"Um dos jovens estava nu enquanto segurava a cabeça, e outro a fazer sexo com o animal", contou uma testemunha a propósito da detenção policial.
Mário Creva, a testemunha, disse que o caso se deu numa pequena mata na zona de Mbucuta, arredores do posto administrativo de Matsinho.
"Recebi o caso e já remeti ao tribunal. Mas os jovens serão ouvidos em juízo por furto simples qualificado e não necessariamente por prática sexual, pois a nossa Constituição não acomoda este tipo de acto", disse à Agência Lusa Leonides Mapasse. Fora do processo-crime, acrescentou o magistrado, o ofendido (proprietário da cabra) pode intentar processo civil e moral contra os dois jovens pela prática sexual com a cabra.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

De boys a moscas

Os portugueses estão conformados com o controle da informação pelo poder político-económico. Os portugueses entendem como garantia de liberdade de expressão o facto de não existir uma PIDE. Eu, português, tento exercer a minha libertação dos media do poder e exercitar a minha liberdade de me informar e dizer na blogosfera.
Na blogosfera e na web em geral, estão aparentemente em maioria as vozes antí-sócrates e companhia. Aceita-se que os pró-sócrates e companhia exerçam igual direito.
Mas que a corja  tenha assalariados para manter blogues e sites de apoio, para inundar com elogios ao grande líder as caixas de comentários, para multiplicar mensagens de correio de propaganda governamental é, para mim, mais grave, porque mais baixo, do que as alegadas intenções do controlo da comunicação social. 
Quem anda na blogosfera não precisará de ler este texto do Joaquim Letria, nem outros que, nos últimos dias, têm vindo a público, para reconhecer esta actividade. Todos já depararam com repetidas mensagens de fiéis socialistas, identificados pelo teor da opinião, nos comentários dos principais portais de informação, nos blogues mais visitados, nos foruns e outros locais - sabemos agora que alguns são pagos. Testemunho que essa actividade também existe a nível local. Cá para as minha bandas os blogues sócretinos são para aí uma dezena e tudo indica que são todos geridos por um mesmo indivíduo que se desdobra em nomes, amigos, amigas, filhos e enteados. O mesmo se observa nas colunas dos pasquins locais.

Esta gente para mim são moscas:

Tinha que dar merda!

Obrado o alimento de 30 anos de liberalismo, liberalização e libertinagem,
o país sente-se agora mais aliviado!
A Merda é dura, negra e tem nome de filósofo! Não a pisem! Quem a cagou obviamente que não lhe incomoda o cheiro!

Eu vou aguentando, embora não tenha nada a ver com esta merda! Entendo-a como um processo natural! Estou atento para não a pisar, tapo o nariz e cá vou indo!

Mas o que eu não suporto mesmo são as moscas que nos perseguem por toda a parte! Sabemos que são as mesmas que pousavam nas travessas, nos talheres e nas toalhas mas só que agora têm as patas sujas do excremento!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

11- Alguém acha por aí um título?!

Para ouvir durante a leitura. "Tango para Tereza" em boa hora sugerido pela fidalga Maria.

Em Setembro tivemos direito a novos equipamentos. Cipriano partilhou comigo os pormenores do segredo da sua viagem e o seu projecto de voltar a Paris daí a uns meses para preparar o nascimento do filho que ia ter da cunhada. Na sequência, alertou-me para os cuidados que eu deveria ter com a fecundidade da minha namorada e topei que começava a preparar terreno para a afastar sem me melindrar. A família dela já havia telefonado várias vezes advogando a sua falta no circo; apesar de já estar connosco há dois meses ainda não se tornara na vocalista principal; fazia os seus coros e cantava as suas canções passando o resto do tempo a fumar e a beber nas imediações do palco; estava a contribuir para o abandalhamento da banda; Cipriano tolerava os fumos mas o cheiro não lhe podia chegar ao nariz; a família estava a ficar farta da empregada e hóspede…


Apesar desta conversa, o patrão, que também era técnico de som, passava com a Teresa muitos dos momentos em que esta não estava no palco. Por vezes dançavam juntos uma ou outra moda mais agitada mas, naquela noite, um tango pareceu-me mais intenso que o habitual. Depois do tango, tocámos um dos longos blues que chegavam a dar para um dos músicos ir ao bar buscar cervejas entre os solos, quando dou pelos dois muito agarradinhos a dançar “slowmente”. Comecei a ficar incomodado e a parecer-me que os meus colegas, enquanto tocavam, davam olhares maledicentes à situação. Levantei-me dos teclados e fui junto a cada um sugerir uma aceleração gradual que fizesse o lento blues evoluir para rock n´roll “speedado”. Consumada a transformação do tema dei pela falta do par no salão de baile.

Terminada a música, Tarolas sorriu de escárnio e apontou duplamente para o chão. Desci as escadas da lateral do palco ao fundo das quais existia uma entrada de meia altura fora das vistas do público. Baixei-me para espreitar sobre o olhar atento do denunciante. O espaço tinha pouco mais de um metro de altura e tinha a escuridão rasgada pelas linhas de luz que as frestas do soalho do palco deixavam passar. Não vi quase nada, não quis ver! Mas que estava para lá um casal em vias de facto lá isso estava!...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mais poeta do que alegre

Procurei informações sobre um adversário: está à altura! Neste momento conheço quatro candidatos: dois do povo e dois dos outros! António Pedro Ribeiro, tal como eu, candidato a presidente da república, também é poeta:

"Estou apaixonado pelo primeiro-ministro

por todos os primeiros-ministros
e pelos segundos
e pelos terceiros
estou apaixonado por todos os presidentes de Câmara
e de Junta
por todos os benfeitores de obra feita
por todos os que erguem e mandam erguer
estradas, pontes, casas, estadios, fontanários, saloes paroquiais
estou apaixonado por todos aqueles que governam, que executam,
que decidem sem pestanejar
por todos aqueles que dão o cu pela causa pública
que se sacrificam pelo bem comum sem nada pedir em troca.
Quero votar entusiasticamente em todos eles
afogá-los em votos
até que se venham
em triunfo

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num bacanal
com todos os ministros
e todos os ministérios
a arfar de prazer
a enrabar o défice, o orçamento,
o IVA, a inflação, a recessão
agil e empreendedor
como um super-homem

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
Quero ve-lo num filme porno.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O quarto candidato: Fernando Nobre

"Caros amigos,
Decidi escrever estas linhas, no sentido de vos comunicar pessoalmente uma decisão de fundo que tomei enquanto cidadão independente e em nome dum imperativo moral e de consciência para Portugal, uma vez que tenho, por quem acompanha este blog, a maior consideração e respeito."

Tinha eu estas linhas escritas para apresentar, hoje e aqui, quando dei com elas plagiadas num blogue dum tal Fernando Nobre, que pensei inicialmente ser do meu ramo, na especialidade de salsichas mas que, afinal, segundo apurei, é um cidadão considerado e respeitável vindo directamente da AMI para socorrer o país com uma candidatura à Presidência da República.
Quer isto dizer que já somos quatro, por ordem de chegada: António Pedro Ribeiro, Manuel AlegrePata Negra e Fernando Nobre.
E depois ainda dizem que eu começei cedo?! Tirando o Ribeiro - a quem aproveito para enviar um abraço de classe - isto é tudo gente que anda muito alto! Não estamos em pé de igualdade! Reparem que só o Alegre e o Nobre é que são notícia! Já quase há um mês que manifestei a minha intenção de ser candidato e o meu nome ainda não foi dito na comunicação social uma única vez!   

Quanto ao Fernando Nobre, pode ser um bom homem mas, como porco que sou, o senhor não me entusiasma porque lembra-me a velha história do freguês para o talhante:
- Tem  focinho de porco?
- Tenho!
- Tem mãos de vaca?
- Tenho!
- Tem pés de cabra?
- Tenho!
- Então mas que raio de bicho é você?
Foi apoiante da candidatura de Mário Soares em 2006, mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas últimas eleições europeias, fez parte da comissão de Honra das candidaturas autárquicas de António Costa (PS) e António Capucho (PSD), é portanto um homem do establishment.


Vota D. Pata Negra, também nobre, também alegre e também dá umas cavacadas.

Vá, chamem-me demagógico, populista e de mau gosto, porcos gordos da porca democracia que vos engorda a todos!
Sim, serei presidente com metade do vencimento, com metade dos assessores, com metade dos guarda-costas, com metade dos carros, com metade das viagens, com metade dos jantares, metade dos discursos com metade do tempo e, ainda assim, serei muito rico e falarei demais.
Vota D. Pata Negra, também nobre, também alegre e também dá umas cavacadas

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

10 - Tá-se bem sem título

A Teresa cantava isto tão bem que justifica a inadequação de vídeo a este reino.

O bom Cipriano encontrou uma solução para Teresa não se afastar. Ela começaria a fazer parte da banda fazendo uns coros e cantando três ou quatro canções. Durante o dia, ficaria a tomar conta da piscina e do bar da piscina. Já tinha falado com a sua filha e ela não se importaria de partilhar o quarto com a nova empregada do papá.
Em troca pedia-me a guarda dum segredo e a possibilidade de ir com ele e com a cunhada a Aveiro.
- Porra! Mas tu não te controlas!? A gaja está noiva e é irmã da tua mulher!
- Eh pá mas o que é que queres?! Eu …
- Então mas o noivo, não?!…
- Ela queria ir virgem para o casamento….
- Chama-me burro!!!!!
- Eh pá! Eu andava a tentar ensinar-lhe como é que se podia simular a virgindade e olha, calhou!...
- Então mas agora, a semanas do casamento, como é que vais descalçar a bota?
- É por isso que estou a pedir a tua ajuda!

Os familiares de Teresa, fizeram-se amigos da casa e partiram sem colocar obstáculos ao seu novo emprego. Por outro lado, Teresa, da raça que era, rapidamente se fez à casa, se fez amiga dos seus frequentadores e se fez regularmente enamorada.
No grupo, começámos a ensaiar meia dúzia de temas para a nova voz feminina. O ar de Teresa, o seu estilo entre o marginal e o sensual, a sua presença em palco, reanimaram o sucesso da banda e a vida interna do grupo. Os ensaios, as viagens, as desbundas e o convívio transformaram-se. A relação que os dois mantínhamos, não modificou a relação que existia entre a malta porque não éramos do género de nos fecharmos entre carícias nem de vender paixão. Aliás, assumíamos, dia após dia, que o nosso namoro era superior ao amor, era de simpatia e carne, era de juventude e necessidade. Gostávamos um do outro e gostávamos de curtir.

Naquele Agosto tivemos vinte e três actuações. Quase não parámos em casa, Foi sempre a abrir.

A Cipriano convinha este ritmo por todas as razões e mais uma: para esquecer.
- Diz que não, que quer ter o filho!
- Eh lá patrão. Isso vai ser um molho de brocas! E eu que gostava tanto de ir conhecer Aveiro!...
- Deixa-te de brincadeiras! Já tenho uma solução: ela não se importa de ir para França para casa da irmã mais velha, desde que eu a vá levar! Aproveito e trago umas aparelhagens.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Obviamente demito-o!

Dos outros candidatos.

De Alegre muitos falarão, não lhe faltarão apoios, elogios, críticas e tempos de antena. A minha candidatura não é desse mundo, é deste país. É a candidatura de todos os que, ao longo destes anos, manifestando publicamente a intenção de se candidatarem não o puderam fazer porque uma democracia limitada e hipócrita lhes barrou o caminho. Desde um tal pastor da Beira Alta, passando pelo Teixeira da Associação Académica de Coimbra, até ao grande Mário Viegas, todos esses portugueses serão aqui referência.

Por exemplo, sabiam que antes de Manuel Alegre já o poeta António Pedro Ribeiro tinha apresentado oficialmente a sua candidatura?!

Esta candidatura é para ir até onde fôr. Só um adversário ditará a minha desistência: D.Duarte de Bragança.
Julgo que o acabará por fazer. Será uma forma perversa mas inteligente de referendar a monarquia. Se ganhar todos o tratarão por rei e não presidente da república.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A caminho de Belém 5

Postaram sobre a candidatura:
Porque me dizem (...a minha demonstração total de apoio e apreço à melhor candidatura a Belém que pode haver: D. Pata Negra. Finalmente, vai-se poder transformar o Palácio de Belém na verdadeira e genuína pocilga que tem sido ao longo de todos estes anos.);
Anovis Anophelis (Ninguém há-de fazer parar esta fuga para a vitória!);
Fliscorno (Há alguns que mostram intenções, mas esta candidatura é efectivamente a primeira.);


Colocaram o selo na barra lateral:
Silêncio Culpado

e outros para quem o poder é nesta corte
O pequeno gesto, a pequeníssima coragem de divulgar o selo e o link

O Milagre do Sol

O Sol noticia e faz-se notícia. O Sol é igual aos outros jornais.
O Sol publica e republica a podridão da república entre iguais.
O Sol não é mais. O Sol queima. O Sol é esperto. O Sol teima. O Sol é encoberto. O Sol é mole.
É fácil fazer títulos com o Sol:
O Rei Sol; Dia de Sol; Um raio de Sol; Raios que partam o Sol; Tapar o Sol com a peneira; O pôr-do-Sol. Sol de pouca dura; Sol na banca e chuva no nabal.
Títulos lido hoje:
O sol brilhará para todos nós; Ver o sol nos trópicos; Querem apagar o Sol; O sol quando nasce não é para todos; Quem me sabe dizer como se chega a polvinho?; O polvo está sereno; Sócrates engasga-se com comentário de vizinho sobre dia sem sol.
O milagre é que o Sol estava na falência. Quanto ao resto já todos sabemos que é assim e ainda melhor o sabem aqueles que o negam.
O pior é que a mim ninguém me ouve, ninguém me escuta, ninguém me liga,
Embora as empresas de telecomunicações saibam o meu número e eu tenha nome e a face não-oculta.
Vou cantar:
O sole, 'o sole mio, sta 'nfronte a te, sta 'nfronte a te!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

9- Ainda é cedo para existir título


 
Cipriano era louco por mulheres. A presença de mulheres modificava-lhe os gestos, o tom de voz e o sorriso: um maroto humilde, conquistador e servil.
A mulher que veio servir os músicos da festa, exclamou:
- Ai que me esqueci dos guardanapos!
- Não são precisos, não se preocupe!
Enquanto a mulher se retirava para ir buscar os guardanapos, descarregámos sobre o “manager”:
- Também não exageres!
- Já vos disse, se queremos ter contratos com fartura não devemos ser muito exigentes com os que nos contratam e não podemos tocar só rock mas também valsas, tangos e raposódias!

A mulher voltou. Uma dúzia de olhos em pirâmide dirigiram-se para ela. Os de Cipriano eram o vértice e enleavam-se no corpo alto e esbelto, ora à frente, ora atrás das palavras que se trocavam, enquanto os pratos se compunham com a ajuda dos serviços e da simpatia que não tinha só o corpo alto e esbelto.

- Ó pai! O contrato é até que horas?!
- Ó pai! Amanhã vamos tocar aonde?!
- Ó pai!....

A técnica de chamar pai a Cipriano para lhe afastar as presas, fazendo com que os estranhos pensassem que se tratava de um conjunto Pai e Filhos, quando o único que era filho, era o Nini, já tinha sido utilizada mas o abuso que fizemos dela levaram a paciência da vítima à explosão: à mesa a reprovação foi contida mas durante a viagem de regresso a casa, ouvimos das boas e diga-se com razão.
Abuso de confiança, pensarão. Não era só, era também uma vingançazinha pelas regras que o chefe sugeria:

- Diz-me a experiência que uma banda está estragada no dia em que um dos seus músicos começar a namorar. Podem namoriscar, mas mais de um dia com a mesma não é de artista! Se um músico se apaixona só sai música à Roberto Carlos!
Cumpríamos à risca esta regra de trabalho. O aparecimento de Teresa e a falta que me fazia ter uma namorada tinha de fazer excepção:
- É um caso diferente, sim! Ela também é artista! Tem um ar marado! Dá uns toques!.... Vamos tentar pô-la a cantar!
- Sabia que me ias compreender ó grande Chefe! Deixa-me dar-te um beijo!
- Xó! Asta para lá!... Então e já falaste com o teu pai para ela dormir lá em casa?!
De facto estava a esquecer-me que Teresa era nómada e que daí a dois ou três dias partiria com a família "cantar" para outra terra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um grande filme

Ninguém anda pela blogosfera com 6 minutos de tempo para parar num blogue e ver um filme do youtube. 6 minutos é muito tempo! Este filme não é para veres, é para viveres! Se estás com tempo e disposição, começa como espectador e acaba como actor! Este é o nosso tempo! Um tempo a não perder? Um filme a não perder?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A caminho de Belém

Ninguém há-de fazer parar esta fuga para a vitória! A candidatura "Pata Negra à Presidência" vai a caminho de Belém sobre o lema de rectaguarda: "Vai nas calmas".

Está disponível na barra lateral do blogue, o primeiro selo de apoio e divulgação da candidatura, da autoria do responsável pela imagem, o  Fliscorno. Um Presidente Sabão, porque sabe, porque ensaboa, porque recusa emídios rangéis - “É tão fácil vender um presidente como um sabonete”.
Não param de chover apoios à candidatura monárquica à presidência: do Fliscorno ( E Se ), do Marreta (  consciente dos seus deveres cívicos, e depois de ponderada meditação, afirma aqui e agora o seu apoio e incentivo à candidatura de Pata Negra à presidência da república. E porquê, perguntarão vocês? Simples, Pata Negra é o único candidato assumidamente javardo o suficiente para protagonizar a revolução necessária contra a opressão, a tirania e a exploração da corja que nos desgoverna e da trupe que nos chupa o sangue há anos consecutivos, ou já se esqueceram da obra de George Orwell, o Triunfo dos Porcos?), do quink644 no BraganzaMothers ( Finalmente, vejo surgir uma candidatura a Belém que apoio incondicionalmente: um verdadeiro e assumido porco, ainda por cima rei... Podem ficar a conhecer melhor e a apoiarem esta candidatura aqui. Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, vá imediatamente apoiar o primeiro candidato credível a assumir o lugar de primeiro porco do país. Temos candidato assumido, este é o verdadeiro e fará esquecer o presidente - rei Sidónio Pais, imortalizado por Pessoa em poema homónimo.), para além de outros declarados aqui e aqui.

Esta é uma candidatura em construção permanente - só para alguns e só de alguns - Contribui!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sexo na Escola

Maria de Lurdes provocou um acidente escolar grave, deixou a educação de pantanas. O carro não foi para a sucata mas está todo amolgado e com os guarda-lamas a bater. A tragédia deixou sequelas graves a nível psiquiátrico: andam a pintar o carro sem terem feito o trabalho de bate-chapas!
A parte mais atingida foi a nível de chassi, a menos visível do exterior - atingiu-se gravemente a dignidade e a autoridade dos professores. Será difícil, a um professor desautorizado, gerir comportamentos, ensinar os alunos a entrarem na sala, a falarem na sua vez, a estarem sentados, a respeitarem, pelo que deve ser dificílimo ensinar-lhes sexualidade. No entanto o pensamento dominante é que aponta o caminho a seguir. 
Já que não aprendem a contar nem a escrever que aprendam ao menos a copular.

- A stora colocou um pénis de esferovite sobre a mesa e perguntou se sabíamos o que era. Um colega respondeu que era um.... posso dizer pai?!...
- Diz lá filha!
- Era um c*******!
- Espera aí! Como é que sabias que  era de esferovite?
- A stora fê-lo passar de mão em mão!
- De mão em mão?!
- Pediu também que dessemos ideias para acções sobre sexualidade a desenvolver na escola.
- E tu?!
- Sugeri a distribuição gratuita de preservativos e a vinda do Moita Flores à escola!
- És original e criativa como o paizinho!....
- Preciso de uma frase para a campanha...
- Pénis de todo o mundo, vesti-vos! 

Moral do filme: mesmo os que pensam que são muito criativos a ensinar falham, se repararam, nunca foi mudada a camisinha.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

8- Que se lixe o título


No dia seguinte Cipriano confirmou-me:
- Chama-se Teresa!...
Por volta das quatro da tarde saiu da roulote e entrou no café sem olhar os presentes. Nada do que se lhe via poderia identificá-la como rapariga de circo. Trazia um casaco de fato de homem, umas calças de ganga, uns ténis e o cabelo desgrenhado. Sentou-se ao balcão, pediu um café e acendeu um cigarro. Eu estava numa mesa sozinho a folhear uma revista em posição de lhe poder mirar o perfil.
Ouvi-lhe o “até logo” de despedida a quem a servira e eu procurei-lhe o olhar quando passou junto a mim. Atrevido, atirei:
- Olá Teresa!
- Conhecemo-nos?!
- Gri!Gri!
- Deves ser o Joaõzito!?
Uma timidez infantil invadiu-nos a ambos e faltou-nos a inocência que tínhamos em crianças. Não conseguimos prolongar o discurso para que o encontro fosse satisfatório, nem sequer um beijo de cumprimento, apenas o “vemo-nos por aí!”

Como o espaço era público os ensaios da banda tinham sempre gente a assistir. Nesse dia à noite, estávamos nós a preparar o “Something” para o repertório, Teresa entrou no salão com um familiar do circo e ficaram por ali a observar-nos. Cipriano chegou com umas cervejas, mandou-nos parar e apontou algumas passagens da música que não estavam correctas. Teresa e o acompanhante deram-se à conversa e foi-se alargando a confiança. Às duas por três, ela tomou o lugar do Tarolas que se fora embora, e pôs-se na bateria a brincar connosco ao improviso. A noite alongou-se e no fim já era só eu e ela. A partir daí, procurei em cada minuto, em cada gesto, em cada palavra, um pretexto para avançar, estava a precisar muito de ter uma namorada.
- Tu fumas?!
Que raio de pergunta a dela! Pois se eu tinha estado toda a noite a fumar!... Trazia o charro já feito, acendeu-o e passou-mo. Demos mais uns toques inspirados pela erva mas a certa altura as teclas começaram a entrelaçar-se nos pensamentos e …
- Estou a ficar tonto! Vou lá fora!
Ela seguiu-me até ao pinhal, que era ali mesmo, com “seguir” preocupado.
- Queres vomitar?!
Agarrou-me de lado e encostou-me a cabeça.
- Isto já passa!...
Surgiu um beijo oco.
- Estou a ficar melhor!
Um pinheiro ajudou-nos a um beijo terapêutico e volta e meia senti-me curado. Envolvemo-nos até ao ponto de se tornar difícil parar. A certa altura a minha namorada ofegou-me baixinho:
- Estou a sentir uma pasta viscosa na mão!...
Tinha posto a mão num púcaro de resina.
- Como é que eu tiro isto da mão?! Isto sai com água?!