segunda-feira, 24 de maio de 2010

29 de Maio 29 de Maio 29 de Maio


A CGTP-IN, apela ao teu contributo, participando e mobilizando, para a Grande Manifestação do sector Privado e Público, que se vai realizar no dia 29 de Maio, em Lisboa.
Vamos exigir a abolição das medidas penalizadoras dos trabalhadores, que Sócratas e Passos Coelho nos querem impôr.
Vamos juntar todos os descontentamentos e protestos na luta pela defesa da dignidade de quem trabalha.

EM 29 DE MAIO, NA RUAVAMOS SER CLAROS:
NÃO DESCULPAMOS, NEM COMPREENDEMOS… LUTAMOS!
A ONDA DE INDIGNAÇÃO E PROTESTO VAI INVADIR LISBOA E CONTA CONTIGO… CONTA COM TODOS!



O Governo ameaça os trabalhadores e a população mais desfavorecida com aumentos de impostos, o que é de todo intolerável perante as gritantes desigualdades que grassam pelo país, a todos os níveis.
O Governo semeia injustiça em cada medida. É uma marca da sua política classista a favor dos mais poderosos.

Para obter mais receitas o Governo admite aumentar o IVA, o que se traduziria numa diminuição do poder de compra da generalidade dos trabalhadores, pensionistas e outras camadas da população vulneráveis. Os impostos indirectos, pela sua regressividade, penaliza fortemente os que menos rendimentos têm.

O Governo admite tributar os salários e o subsídio de Natal, mas sobre a riqueza mobiliária e imobiliária, os lucros escandalosos dos accionistas das empresas e do sector financeiro e o fim dos benefícios fiscais sem fins sociais, não avança com medidas.

Não venha o Governo a sustentar estas pretensões com a demagogia de que também tomaram medidas para tributar os rendimentos dos mais ricos, como por exemplo as mais-valias.

Apesar de toda a mediatização, os efeitos do regime fiscal proposto para as mais-valias a nível de obtenção de receitas, serão reduzidos.

A proposta do Governo em relação ao Código IRS apenas revoga a isenção do saldo das mais-valias e as menos-valias de acções detidas por pessoas singulares mais de 12 meses, e considera o saldo de mais e menos valias de obrigações e outros títulos de dívida.

O Governo aumenta a taxa de IRS de 10% para 20%, relativamente ao saldo das mais-valias e das menos-valias resultantes de alienação de partes sociais de empresas; a operação relativa a instrumentos financeiros derivados; a operação relativa a certificados que atribuem ao titular o direito de receber um valor de determinado activo subjacente.

Portanto, a proposta do Governo abrange apenas um pequeno conjunto de activos, os de maior dimensão poderão continuar a fugir à tributação agora criada através de vários expedientes admitidos pela própria lei.

A nível do Estatuto de Benefícios Fiscais, a Proposta de Lei do Governo introduz apenas uma alteração no que trata os Fundos de Investimento, em que o saldo positivo entre as mais e menos-valias, resultantes de acções detidas por fundos de investimento durante mais de 12 meses, as obrigações e outros títulos de dívida pública, ficam excluídas da tributação.

Exceptuam-se os casos dos saldos obtidos por fundos de investimento mistos ou fechados, de subscrição particular, aos quais se aplicam as regras previstas ao Código do IRS.

De acordo com a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP), em 31.12.2009, o valor dos activos dos Fundos de Investimento Mobiliários Abertos era de: 4,487,6 milhões de euros; dos Fundos de Investimento Imobiliário Fechados: 5.023,2 milhões de euros; dos Fundos de Gestão de Patrimónios: 59.059,9 milhões de euros; das SGFP: 21.431 milhões de euros.

Dados divulgados recentemente indicam que apenas uma pequena parcela do saldo de mais-valias e de menos-valias poderão ser atingidas pela proposta de lei do governo sobre tributação de mais-valias. Basta apenas ter presente o seguinte: Segundo a CMVM, de Janeiro a Abril de 2010, as transacções na bolsa de Lisboa atingiram 44.813,3 milhões de euros, quando em idêntico período de 2008 tinha alcançado apenas 20.745,2 milhões de euros, ou seja, menos de metade. E que os investidores estrangeiros, portanto não residentes, que continuam isentos do pagamento de mais-valias já controlam actualmente cerca de 60% das transacções na bolsa portuguesa. E estas não são as únicas entidades que, com a proposta de lei do governo, continuarão isentas da tributação de mais valias.

Também ficam isentas as mais-valias resultantes de transacções realizadas pelas SGPS, que são muito significativas, bem como as feitas por Fundos de Investimento que continuam sujeitas a taxas de IRC reduzidas (10% e 12,5%).

Daqui se conclui que os estrangeiros e SGPS dominam a bolsa, e estes não são pelas novas regras de tributação abrangidos.

O Governo apresentou uma previsão de 200 milhões de euros. Mas é evidente que com todas estas isenções das mais-valias que continuarão a existir, o crescimento efectivo da receita será certamente inferior àquele valor.

As medidas que o Governo se propõe tomar para diminuir o défice têm como efeito diminuição dos rendimentos do trabalho, o empobrecimento de quem vive exclusivamente desses rendimentos e, ainda, pensionistas que maioritariamente vivem das pensões mínimas, além dos desempregados.

Como a CGTP-IN tem referido, os ricos para serem cada vez mais ricos, obrigam os trabalhadores a ficarem mais pobres.

A CGTP-IN apela aos trabalhadores, aos reformados e aos desempregados que se indignem contra estas políticas e exijam outras políticas.

Estas são importantes causas que nos devem mobilizar a todos. Vamos realizar uma grande Manifestação, em Lisboa, no dia 29 de Maio.

Lisboa, 11.05.2010CGTP-IN (retirado do Pimenta Negra)



sábado, 22 de maio de 2010

Que Abril fecunde Maio e nasçam os outros meses

Chegaste agora mesmo de um clique. Deste a volta à lista de favoritos, carregaste num link dum blogue anarquista, procuraste notícias de candidatos nobres ou alegres, escreveste no google "leitões" ou qualquer outra merda relacionada com porcos ou, mais certo, és fidalgo ou amigo do Rei dos Leittões. Pois bem, aqui estás e eu não tenho nada de novo para te dar. O velho truque, a rebuçado-filme do youtube para entreter já não dá resultado, estamos fartos de imagens. O Rei, raposa velha, não no sentido Almeida Santos ou Jaime Gama, mas no sentido mais animal do termo, encontra uma forma - que forma?! - de te obrigar a ver um filme do youtube. Como eu te compreendo! Não estás com pachorra para parares por aqui a ver um filme!? Então até amanhã!
Porque o filme me foi indicado pela amiga Maria, porque o filme me diz muitas coisas e, entre essas coisas que sábado é dia 29 de Maio, porque no filme vejo o Sérgio a ser libertado, porque acredito que esta canção do Chico vai ser de amanhã... olhem não tenho mais nada para dizer e compreendo que não estejam para parar por aqui um clique de tempo! Que se clique isto tudo! Mas estou cá com uma fixação no próximo sábado! Vá lá! Não custa nada! Vamos recomeçar Abril!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Palavras que me levam a Belém

Alguns  comentários apanhados na subscrição de apoio à candidatura "Pata Negra à Presidência - O presidente Sabão"
Name: Marreta
Comments: Como Mandatário Nacional da candidatura, deixo aqui o meu firme apoio ao candidato Pata Negra, o único que vejo capaz no panorama suíno nacional de garantir uma mudança real neste atoleiro de podridão em que mergulhou o nosso país, podre de corrupção, compadrio e lambe-botismo. É já tempo de literalmente atirar a javardice que nos tem (des)governado ao longo de tantos anos para o lugar certo: a lixeira. Demos então lugar a sangue novo, a ideias novas, a projectos novos. Elejamos o mais sincero e original de todos os candidatos, aquele que afirma e reafirma com convicção que será o presidente de alguns portugueses e não de todos, coisa que nenhum dos outros candidatos até ao momento foi capaz de assumir, sabdendo nós de antemão que depois de eleitos farão dessa regra o seu modus vivendi. Abaixo os candidatos de plástico, fantoches e cínicos, viva o Rei dos Leittões Pata Negra. Façamos história ao eleger pela primeira vez um presidente monarca. POCILGAS SIM, BARRACAS NÃO! PINHEIRO DE AZEVEDO O PORCO NÃO TEM MEDO! VIVA A JUSTA LUTA DOS OPERÁRIOS DA MEALHADA! # Marreta.

Name: Maria Portugal Comments: Eu que conheço a alma desta candidatura escrita nas palavras de sabedoria e de revolta com que no espaço do seu blogue se pronuncia sobre o que a todos nos aflige e por isso nos deveria unir também a todos, naturalmente digo sim a esta iniciativa. Porque o humor é a arma com que a inteligência combate a injustiça e abençoados aqueles que não dormem sobre a consciência da vida e combatem. E porque é de facto necessário erguer a voz e lembrar aos políticos que é para o Povo que devem dirigir o respectivo trabalho : Em frente, estarei sempre consigo, aonde quer que chegue ou vá! Maria

Name: Compadre Alentejano
Comments: Num momento tão importante como este, não podia faltar. Abraço Compadre Alentejano

Name: Filomena Ferreira
Comments: Apoio e apoiarei um suíno à presidência!..

Name: Donatien Alphonse François
Comments: O candidato certo para a pocilga nacional!

Name: José Alberto Santos 
Comments: Apoio incondicionalmente esta candidatura. As urnas é que devem decidir quem nos governa. Não pode ser meia dúzia de borucratas a impedir, com os pretextos mais variados, viciados e ilógicos candidaturas limpas das más influências partidárias ou de lobis com intensões inconfessáveis. Apoio incondicionalmente esta candidatura porque sei que por detrás de D. Pata Negra está um Homem Inteiro que não corre atrás da fama ou do lucro, apenas pensa que pode fazer mais, melhor e mais limpo que outros candidatos.

Name: José Lopes 
Comments: Apoiante da 1ª hora. Contra a situação voto no D. Pata Negra, o candidato dos descontentes.
Name: Quink644
Comments: Desde a primeira hora a apoiar o candidato no qual me revejo. Em vez de um garrafão, viva o candidato sabão!

Name: José Falado
Comments: Porque é preciso agitar mentes e consciências, voto Pata Negra à Presidência.

Name: Ricardo Madruga
Comments: Porque a intuição das mulheres nunca se engana e Maria o apoia, que vire isto do avesso, buscando novo começo para real democracia. Pata Negra à Presidência!

Name: Maria Isabel Pedrosa Branco Pires
Comments: O melhor Presidente que poderemos ter. Apoio incondicional. Um Homem Público de Superior Competência!

Name: Ferroadas
Comments: Vamos eleger o primeiro presidente da república com tomates negros

Name: Kaos
Comments: O wehavekaosinthegarden apoia a candidatura do Pata Negra e podem contar com a minha assinatura e o meu voto.

Name: Júlio Leitão
Comments: Antes um porco assumido que porcos fingidos...

Name: Maria Paula Adrião Montez
Comments: Qualquer cidadão tem o direito a candidatar-se, mas o D. Pata Negra não é um cidadão qualquer, por isso tem todo o direito a candidatar-se! Apoiado! Já agora deixe que lhe pergunte em primeira mão se apoia as guerras do Iraque e do Afeganistão e se está disposto a colocar em causa a estratégia da NATO. É que a sua resposta em muito contribuirá para obter o meu apoio e o meu voto!

Name: Norberto D'Almeida Fernandes Cavalheiro
Comments: Apoio integralmente a candidatura de Sua Majestade Rei dos Leittões

Name: Lídia Maria Das Neves SoaresComments: Por um Presidente que defenda a justiça social EFECTIVAMENTE. Um Presidente que não diga que defende a justiça social e, ao mesmo tempo, queira defender os mecanismos que geram a injustiça. Por uma candidatura transparente, genuina e sincera.

Name: Jorge Sineiro
Comments: ...e juntos levaremos teu estandarte se a tanto nos ajudar engenho e arte. Por uma política inclusiva Não adesiva!

Name: Águia D'ouro
Comments: Estou contigo REI... a gente só vai conseguir mudar o país quando a maioria entender que um país decente é o povo que faz e não ficar esperando pelo governo ou que a solução de todos os problemas do nosso país caia do céu.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Só me apetece vomitar

A pocilga transborda de esterco. Ninguém ousará ler ou escrever se estiver encravado em merda até ao pescoço. A ninguém lembrará a máquina fotográfica durante um terramoto. Ninguém filmará a tragédia se fizer parte dela. A ninguém lembrará relatar a desgraça se, no tempo do relato, puder fazer algo para a evitar.
Isto, apesar de existirem noivos que filmam o próprio casamento e governantes que apenas governam as suas próprias imagens.
Este clip é feito com imagens, obviamente, do WeHaveKaosInTheGarden (o Kaos foi um dos 100 primeiros subscritores da candidatura "Pata Negra, um presidente só para alguns") e com o fundo sonoro (por acaso não está grande merda) - de Cris Nicolotti. A letra da música, na minha modesta sensibilidade poética, traduz um dos maiores poemas que se fez em língua portuguesa desde D.Dinis. Repetida e insistentemente em redundância, a "palavra maior", "a sempre dita", "a mais popular", a "mais portuguesa", "a proibida", "a que fica mal", "a que todos dizem", transborda das suas sílabas e enche cada verso, cada estrofe, enche o poema, o tempo histórico e cumpre o destino-presente que não foi maldição, nem foi advinhado. Este destino foi por uns meticulosamente preparado, por outros irresponsavelmente ignorado e, por nós outros, conscientemente e repetidamente avisado.
Não me apetece falar do assunto. Estou com vómitos. Para cúmulo dos cúmulos, é dito insistentemente e aceite pacatamente que, para sairmos da merda, devemos continuar nela. Vão para a puta que os pariu com a estabilidade política, duma só vez, tivemos 48 anos dela.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

PS - Partido da Sinceridade

Mas até já no Brasil implicam com os gajos?!

E entretanto!... Enquanto!...

"A RTP 1 transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A SIC transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A TVI transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A RTP África transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A TSF transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A Rádio Renascença transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

Tive medo de ligar a torradeira!..".
(entre aspas encontrado num e-mail que enviaram ao Cantigueiro)

Entretanto, cheio de coragem, mesmo não tendo pão, liguei a torradeira. Deitou fumo. Pensei na rede eléctrica, na tomada, no PT, na EDP, na REN, na teia de generais, sargentos, cabos, fios de ligação que partem da central térmica de interesses - aqueles cabrões entraram-me casa a dentro pelo cabo de alimentação da torradeira! O fumo já não era o de "habemos papa" mas sim de "habemos acordo":  o Partido da Sinceridade  e o Partido da Sinceridade Decalcado anunciavam a Salvação aos PECadores. Da torradeira saiu uma voz, com sotaque de papa, que dizia: "vamos foderunt, estás salvo!"

Reduziram-me os rendimentos do meu trabalho, reduziram-me os direitos de cidadão, aumentaram-me os impostos e as contribuições. Fiquei aliviado, senti-me com um futuro mais risonho e pensei para comigo: só eu é que estou doido, só eu é que ligo a torradeira sem ter pão e ouço vozes estranhas a sair no meio de fumo.

Voltei á sala e fiz "zapping". Todos os canais faziam cobertura a uma grande manifestação de populares em Fátima. Não tinham cartazes nem palavras de ordem. Alguns tinham estolas vermelhas, outros cachecois vermelhos, outros acenavam lenços da Renova. Não reclamavam nada dos seus governantes, nem do seu país. Tinham expressões tristes mas afirmavam felicidade, não advinhavam o futuro mas acreditavam que o sol podia rodar, deitavam lágrimas à sua sorte mas o seu clube era um dos maiores a jogar, não acreditavam no presente mas davam graças por já não usarem lenços de linho como os seus avós.

Pois é, nem a TV, nem a minha torradeira dizem, mas no final do mês a seguir a Abril, mês das espigas,  mês das cantigas, mês de Maria, mês do Dia do Trabalhador vai haver uma Manifestação a sério.
29 de Maio




quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ó Fátima, cala-te, deixa-me ouvir o vento!

Nasci, cresci e vivo com Fátima. A minha mãe agradeceu à Nª Senhora de Fátima o meu nascimento. Em criança, pedi à lareira o terço que a NªSenhora me pediu que pedisse. Já fui não sei quantas vezes a Fátima a pé e conheço de perto a realidade histórica e actual. Gosto de ir a Fátima porque lá se ouve o vento e interesso-me pelo fenómeno nas suas múltiplas vertentes. Conforta-me o facto da Igreja Católica não fazer de Fátima dogma de Fé e rendo-me à evidência de Fátima existir. Ao fim de séculos de aparições e milagres por tudo quanto é ermo parecem ter parado por aqui as revelações do Ceú. Parece que agora é mais difícil ou, ao que "aparece", já não é necessário!
Que ninguém ouse desmistificar Fátima porque Fátima interessa a todos. Interessa ao crente para aliviar a mente e acreditar em melhores dias. Interessa às freiras para terem casa e terem que fazer. Interessa aos padres para colmatar as ausências à Missa Dominical e apascentar os fiéis. Interessa aos bispos para se fazerem ver e serem ouvidos. Interessa ao Papa para sair de S.Pedro e recolher uns fundos. Interessa ao governantes quando não há Benfica ou a fadista está rouca.  Interessa à região porque Fátima é turismo e é comércio. Fátima, interessa a todos! Calemo-nos, pois, todos! Quem souber rezar que reze! Quem souber ganhar que ganhe! Eu fico a ouvir o vento à sombra de uma azinheira que nem sabe a sua idade! E este vento, ainda que venha do norte, não se escreve com "b" nem letra maíscula embora a velocidade XVIKM/h seja uma velocidade aceitável para um pensador "relantim" como eu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Não serei o candidato de todos os portugueses

Recebi, de apoiante desconhecido, este filme de campanha. É um sinal claro de que as vontades não acabam neste blogue, outros blogues começam agora a dar voz a esta candidatura e a subscrição conta já com 600 assinaturas.

Seria a altura de tornar público o Manifesto da Candidatura. Acontece que não me apetece. Esta não é uma candidatura pessoal, é uma candidatura do Reino dos Leitões e espera a participação de todos. Por isso, peço a vossa colaboração com bocas. Depois, juntando todas as bocas, o Manifesto nascerá!

Não vale a pena dizer banalidades do tipo:
 "Quero ser mais do que o vosso Presidente, quero ser o vosso aliado e o vosso companheiro de viagem"
eu poderia dizer: "Quero ser menos do que vosso Presidente, sou um de vós e convosco quero fazer uma viagem" - Tal como Alegre não sei a que viagem se faz referência mas deve de existir uma diferença, a dele é em 1ª classe e a nossa é num vagão de gado.
"Sou candidato a Presidente da República, impulsionado por imperativo moral, de consciência e de cidadania."
eu poderia dizer: "Sou candidato a Presidente da República, por um impulso anormal, de inconsciência e de mania" - Tal como Nobre vivo de impulsos mas os meus rejeitam a moral de sempre, a consciência burguesa e a cidadania parola que começa e acaba nos discursos.

Do vosso Rei e não tarda Presidente
Pata Negra

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estamos gregos mas de cabeça baixa

"...
Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: a mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem política, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa - citam-se ao par a Grécia e Portugal.
..."
Eça de Queirós " in Farpas, pg 312"

Pensaremos, o caso, afinal, não é assim tão grave, já em 1872 estávamos assim! Pois é, só que a Nossa Senhora só apareceu 45 anos depois (1917)!

Valha-nos nossa Senhora de Fátima?!
Imagem da Atlantis representando a NªSrª de Fátima (homenagem a Vento16?!).

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vou ser preso

A conjuntura está a irritar-me: não escrevo, não leio, não penso, não ajo.
Companheiro
Deveríamos morrer na prisão. Mas não, morreremos no hospício, no AVC – sei lá onde é que isso fica! - na rua a ganir ou no acidente de viação!
Eles conduzem-nos a esse fim e nós aceitamos porque gostamos da água quente do esquentador a correr-nos pelo pescoço, pela barriga, pelo cu e dos pés quentes.
Orgulhamo-nos de sermos contidos, descemos a avenida da liberdade em dias e horas marcadas, com a polícia avisada e erguemos umas faixas com frases contidas ou para meterem graça – somos engraçados - à espera da notícia e, afinal, a notícia vem sempre de outro país nem que seja da Grécia.
Somos engraçados. Somos racionais.
Fervemos, queimam-nos a ferida, a raiva é contida e a vida é em casa, temos esquentador. Isso de ser preso por rebentar é coisa antiga. Afinal de contas há liberdade - embora contida!
Mas o grito de agora, já não é “liberdade”, é “existimos”!
Não os venceremos em vida mas deveríamos morrer na prisão e não no chuveiro.Democracia?! Demo! Assim não! Eu tenho o dever de morrer na prisão! Haja água quente, companheiro! Não queria morrer só como toda a gente!

domingo, 2 de maio de 2010

Mãe

A mãe morreu!
A crueza do verbo:
morrer.
O sentimento que faz pequena a palavra:
Mãe!...

Metade de nós
Que vai à frente
Prá lá, pró não sei pra onde!
Finalmente adulto de corpo inteiro:
Órfão de mãe!

A mãe morreu!

E no entanto passados anos,
Os lábios procurando o mamilo
Ao passar pela mesinha do telefone:
- Já não posso telefonar à minha mãe!

Lembrar-me todos os dias
e hoje sobretudo,
Pelo o orgulho de nunca termos ligado patavina a este dia.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Partir

... da palavra mais feia do calão

(porque umas vezes vale mais a palavra,
outras vezes, o palavrão)

Partir...
Partir para aqui e pra acolá
Partir pra lá...
Partir para o Alasca
Partir pro outro lado e partir pra todo o lado
Partir sei lá...
Partir sei lá o quê
Partir a loiça toda
Partir os cornos contra a estátua da liberdade
Partir a cuca a rir...
Partir pra ter saudade
Partir pro infinito porque nunca chegarei
Partir porque já chega
Partir pra onde os outros não vão
Partir só por partir e partir tudo
Partir para a palavra mais feia do calão
Partir uma
Partir sei lá o quê pra onde pra que lado
Partir-me todo
Partir parado

Parti ontem
Cheguei ontem talvez
Talvez de onde de lá de mim de alguém
do mar ou do passado

Cheguei talvez agora
Vou partir
Sei lá pra onde de mim pra lá pra aqui pra aí
pro sol ou pro futuro

Bolas! Nunca parti um copo! Nunca saí daqui!....


(Andei toda a tarde a plantar batatas. Ainda não é tarde, dizem. Estou todo partido!...)

(por falta de dotação onde se lê: "partir os cornos contra a estátua da liberdade" deve ler-se "apalpar as mamas à estátua da liberdade")

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Amélia

O Zorze disse que eu e o Marreta éramos uma Amélias.
Éramos jovens. Amélia fez questão de pernoitar comigo sem que eu percebesse para quê. Passado tantos anos, encontrei-a hoje e percebi - Amélia tem cinco filhos.

Para quê escrever se há tanto para ler

Sobre o envelhecimento

Bolas, esqueci-me daquilo que ia para escrever!....

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Não pedincho votos

Do ilustrador de serviço Fliscorno

Os outros candidatos pedem o voto a todos os portugueses. Eu quero os votos só de alguns. Dispenso e, se puder, impeço, os votos dos fascistas, liberais e outros que mais.
Em particular, dispenso o voto
Do Soares, do Cavaco e do Jardim,
Do Balsemão, do Moniz, do Valentim,
Do Loureiro, do Belmiro e do Amorim.

Do Silva Lopes, do Beleza e do Salgueiro,
Do Salgado, do Vara e do Rogeiro,
Da Goucha, da Baião e da Júlia Pinheiro,

Do Moita Flores, do Miguel e do Marcelo,
Do Pacheco, do António e do Metelo,
E não digo o nome de mais nenhum camelo
Que só dos recordar fiquei pelo cotovelo
De tal forma que me saiu a decisão
De não dar nenhuma entrevista à televisão

Para votar Pata Negra é condição:
Ser limpo, ser porco e ser decente
e ter olhos para ver que sou diferente!

Se queres um lugar na pocilga subscreve em Pata Negra à Presidência

Sigam o exemplo deste súbdito:

Majestade.

Cá em casa assinámos todos e já divulguei pelos amigos e conhecidos pedindo para assinarem e para pedirem aos seus amigos e conhecidos para assinarem e pedirem aos seus amigos e conhecidos para assinarem e pedirem aos seus... bem, Sua Majestade já percebeu, é uma espécie de D. Branca só que não há dinheiro envolvido, apenas a assinatura muma petição. Que não é uma petição qualquer. É uma petição que pretende que a "NOMENKLATURA" permita que um cidadão livre, não comprometido com partidos, movimentos, lóbis, média ou similares, se candidate a um cargo a que, pela nacionalidade, idade e registo criminal, tem direito.
Juntos vamos conseguir!Alberto Cardoso




sexta-feira, 23 de abril de 2010

2574

Todos os anos escrevo em Abril, em Maio e no Outono. Se em Maio me dá vontade de escrever porque os campos me põem a cantar e no Outono escrevo a queda das folhas e o Inverno que aí vem, já em Abril é por uma outra razão especial, é por causa do dia 25, que os outros meses também têm mas não é igual. É verdade que já há gente que não vê nada de especial nesse dia e outra gente que pretende que ele não seja especial mas, para nós outros é! É por isso que se escrevem e se leêm coisas, como este post, em Abril e não no Natal que também é um dia 25 especial.

Tenho a infância marcada pela lembrança ténue e breve de um Abril, no tempo em que à volta das crianças se dizia:
- O Mário Soares é um cabrão! Cabrões dos fascistas! Cabrão do Sá Carneiro! Cabrões dos comunistas! Cabrão do Otelo, do Spínola, do Cunhal! Cabrões da PIDE! Cabrão do Salazar!

E no fim, a Gaiola Aberta a rematar:
- E não há ninguém que parta os cornos a estes cabrões?! 

Depois veio o 1º aniversário. Foi uma seca esperar por ti e por ti, oh pai e mãe, para que votassem pela primeira vez e depois fomos para a Venda ver a televisão até altas horas. Depois veio o segundo aniversário e lembro-me do fervilhar das imagens e das canções na rádio e na TV, das sardinhadas, das corridas, dos cartazes, da política que eu começava a perceber. Como era "esperança" ver as pessoas a discutir o amanhã! Depois veio o quarto, o quinto, o sexto e por aí fora e era bom sentir que Abril era sentir, falar, pulsar, razão, cantar, esperança, justiça, futuro, revolução.
Até que começaram a surgir os discursos de embalar, uns trabalhos para a escola sempre com a mesma foto a preto e branco, a artrose a apanhar o braço e o punho esquerdo, a voz oca dos vereadores a cantar "o povo é quem mais ordena" no largo da câmara, e Abril a esvair-se ano após ano, nas políticas de cada dia.

- O que tem Abril e Sócrates em comum?! Ambos são esperança, excepto o Sócrates!

Também! Para escrever isto, mais valia estar quieto! Vou mas é mudar de assunto:
O padre deixava-me ir para o orgão de pedais do salão paroquial e, porque me ouvia do cartório, foi dizer à minha mãe que eu só tocava o "Malhão" e a "Gaivota" e que um bom instrumento para eu estudar era a enxada.
Faço ideia o que pensou quando soube que eu gostava de Doors e ouvia Sex Pistols e que vivia da música naquele conjunto daquela história que faliu por ser sem título!
Mas!... O que tem isto a ver com Abril?!
Cipriano viveu a infância de Abril em França. Nini, meu companheiro de estrada e palco, começou muito novo a tocar. Era Abril, era Paris, eram muitos os emigrantes portugueses e pela pátria-língua era a mesma Gaivota que voava ou se cantava! E era este o filme (com Proud Mary à mistura):

 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O que é um transístor

Esta informação não é técnica, é para leigos, para gente que, apesar de se estar nas tintas para o transístor, se sente mal por não fazer a mínima ideia do que é esse bicho.
Não sei se alguém o disse, ou se apenas sou eu que o digo, que o progresso tecnológico da humanidade tem como três principais marcos as invenções da roda, da máquina a vapor e do transístor. Se as duas primeiras são fáceis de entender pelo senso comum já a terceira, regra geral, é aceite mas não compreendida.
Talvez uma explicação caseira ajude a perceber os mais desentendidos na coisa tecnológica, o papel do transístor no nosso quotidiano. Pelo menos é essa a intenção.
O transístor foi inventado no final da década de 40 e, de então para cá, tem sido a peça central no desenvolvimento tecnológico que nos envolve, de tal forma que, podemos dizê-lo, qualquer lar dos tempos de hoje tem em casa milhões de transístores, no limite da ignorância, sem saber o que é isso.

O transístor não tem duas nem quatro patas, tem três terminais - base. emissor e colector - e, na versão mais vulgar,  é internamente constituído por três camadas de silício dopado com elementos de composição electrónica distinta.

O transistor, na sua função tradicional, tem a capacidade de amplificar/ampliar um pequeno sinal, como o que é captado por uma simples antena ou por um microfone, à custa de uma corrente de alimentação (por exemplo de uma pilha).
Em modo, incorrecto na linguagem técnica mas de percepção mais compreensível para o leigo: imaginem que uma nota musical entra pela base, o transístor vai buscar corrente eléctrica à pilha pelo emissor e adiciona-a, amplificando-a e fornece-a no colector (espero que nenhum técnico, daqueles que ninguém percebe nada do que eles dizem, vá ler este post porque certamente iria reprovar a minha simplificação).
E este é o processo básico que torna audíveis e visíveis sinais eléctricos que andam pelos ceús e pelos cabos em absoluto silêncio.

Mas foi a função do transístor como comutador/interruptor que viria a revolucionar as nossas vidas com o aparecimento dos computadores e das tecnlogias digitais. É que, além de poder amplificar, o transístor, consoante tenha ou não corrente na base, conduz ou não conduz, liga ou desliga, isto é, comuta, permitindo, neste haver e não haver corrente eléctrica, a transmissão de informação em uns (1) e zeros (0), isto é, codificada. Se for um "A" o código pode ser 1000001 então o transistor terá de, sucessivamente em tempos sincronos, conduzir (1), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), conduzir (1).

Não sei se ajudei! Talvez tenha baralhado! É que um computador tem milhões de transistores para brincar com um simples "A".



segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Caminho de Belém

A recolha de assinaturas "D.Pata Negra à Presidência da República" já começou:

Assina em
e divulga nos blogues, no facebook, por email, no emprego, na família, à saída da igreja, no autocarro, na cama, na casa do ... mais velho, à chapada. Por tudo e por nada pergunta:

- O quê?! Ainda não deste a tua assinatura pela candidatura do Pata Negra?! Continuas parvo ou quê?!

A primeira candidatura verdadeiramente revolucionária, enraizada no povo anónimo, assumidamente para pisar o esterco da pocilga, sem formalidades, nem formalismos, sem vaidades nem holofotes, sem segundas intenções mas bem intencionada, sem discursos mas com olhares.

Querem 7500 assinaturas, aqui estão elas! Excluam-nos do boletim de voto e nós acrescentaremos à mão a nossa escolha.

Não sou um candidato sabonete, sou um candidato sabão!
Não serei o presidente de todos os portugueses, serei o presidente só para alguns.

sábado, 17 de abril de 2010

E tudo o Bento tolerou


Não me lembro de na história das tolerâncias uma tolerância de ponto ter sido anunciada com tanta antecedência. A pressa é inimiga do perfeito e do Prefeito. 
A tolerância dada aos funcionários públicos não parte de motivações religiosas mas de razões políticas: a maioria dos funcionários já faz programas para aproveitar a folga e, quiçá, fazer ponte, mas é oportuno amaciar os castigos a que tem sido sujeita a classe. Não vai ser um dia de descanso que afectará a sua produtividade já que esta não é maior, não por falta de trabalho mas sobretudo por falta de gestão e orientação das chefias políticas. Por outro lado, qualquer motivo que sirva de pretexto para aprofundarmos uma sociedade de lazer é benvindo e, num país que aposta no turismo como forma de viver, qualquer oportunidade de saída é benvinda para animar a economia.

O que indigna muita gente é o facto discriminatório da tolerância respeitar apenas aos empregados do patrão Estado e, entre esta gente, estão principalmente os que pensam que os funcionários públicos não fazem nada  (nesta linha não percebo qual é o problema de mais um dia sem trabalhar) , aqueles que acham que o Estado não deve mandar no sector privado e outros que exigem do Estado a laicidade mas gozam sem protestar todos os feriados do calendário católico.

Neste caldo de pensamentos de um ser católico culturalmente mas que não reza à Senhora de Fátima e muito menos ao Papa, atrevo-me a sugerir que o país pare todo no dia 13 e trabalhe no feriado da quinta Corpo de Deus que nem mesmo os mais católicos sabem porque o é.

Porque não ter pena dos funcionários públicos que estão a ser instrumentalizados para encher as ruas e dar vivas a um Papa que não anda em boas saias e para fazer desse acontecimento uma diversão mediática que distraia o povo dos problemas em que o poder político o tem enfiado?

Quem que ver o Papa vá a Roma! 
Luta pela sociedade do lazer, pelo país das praias!
Diz não à tolerância! E... lembrei-me agora do título:
- O que é que o Bento tolerou?!
Enfim um caldo de pensamentos...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A tia de Louçã

Já suspeitava que Louça é filho de tia! Não tenho qualquer interesse em conhecer a tia de Louça! Pergunto-me de onde é que Sócrates conhecerá a tia de Louça para lhe chamar mansa. Não é habitual este reino fazer eco de coisas que muita gente agarra mas este vídeo chamou-me a atenção, não pelo manso Sócrates, não pela mansa tia, não pelo "estamos em família" que traduz o abanar de mãos final do sobrinho mas, curiosamente, pelas expressões de rosto, do outrora senhor do seu nariz, Sócrates: cara de morte anunciada!
O Balsemão já começou a construir o novo Sócrates, desta vez não tem nome de filósofo mas de peça de caça! Venha ele! Um dia os fatos de Sócrates serão dele, por agora ainda tem pêlo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A cultura da crise


Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos em tempo de crise.

Na boca dos abastados senhores do poder não se ouve outro pretexto para a situação que não seja a crise. A crise justifica a própria crise. A crise é o melhor remédio para a crise.
Crise atrás de crise. Crise após crise. Sempre crise.
Sempre vivi em crise. Queria viver ao menos um dia da minha vida em que não houvesse crise.

Crise! Crise! Crise!
A crise é filha de uma puta que é a conjuntura!
A crise serve todos os interesses;
conforma os pobres - incha os ricos;
contém os que protestam - alivia os que mandam;
açaima os que trabalham - solta os que exploram;
justifica a miséria - tolera o enriquecimento;
dá mote aos poetas - torna brilhantes os comentadores.

Crise! Crise! Crise!
Palavra banal quando é dita, palavra que irrita, palavra que justifica.
Está instalada a cultura da crise!
Em nome de todas as razões, em nome de todos os interesses, a crise serve e a crise castiga.
Não há nada mais fácil nem mais lucrativo do que gerir em estado de crise,
serve o governo, serve os que mandam, serve os que podem,
em suma, serve a selva capitalista.

Pois então que a crise exploda de uma vez por todas!
Estou farto de ser cidadão pacífico!
Que rebentem os locais de trabalho, os locais de férias e as ruas!
Que rebentem as escolas, os hospitais e os tribunais!
Que rebente o povo e que eu dele rebente!

Crise!... Crise!... Crise!...
A culpa é filha de uma puta, a conjuntura!...
Os intelectuais  falam baixinho entre eles, num canal de televisão que ninguém vê! Falam de fins. Para eles está tudo em fins, acabaram as ideologias, as lutas, os direitos, acabou a História !

Nas veias dos políticos corre o sangue sólido de actores que trocam de papéis e de adereços, que lançam vozes na sala para ouvirem os seus ecos, que lambem os seus espelhos, que abrem e fecham o pano ao ritmos dos seus discursos, que representam personagens e fantasmas provocando a sonolência dos espectadores. Mas um espectador, mesmo entre sonos, bate sempre palmas! E, se os ratos do velho teatro lhe roerem os pés, julgará sempre que é comichão dos sapatos! Nem que esteja descalço!

E depois, nos camarotes, entre cenas de interesse, de prazer e coscuvilho, estão jornalistas, banqueiros, empresários, proprietários, juízes e generais e outros mais a sombrearem, com gestos e acenos, a pequenez da plateia submissa, reverente e admiradora, sempre disposta a sonhar com um lugar nos camarotes!...

Ai! Onde é que eu ia!? Falava da cultura da crise!...
O estado da crise já compete com o estado do tempo quando falamos para alguém sem tema de conversa. Em todas as conversas, pressente-se, que a última coisa que queremos saber é a a verdade.
- Crise? Qual crise? A financeira, a económica, a social, a política, a democrática, a do petróleo, a sectorial, a nacional, a internacional ou a da justiça?

Eu quero que se lixe a crise eu vou mas é ver o Benfica!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

7 anos numa J7

Esta história, pela sua natureza de blogue, tem invertida a ordem cronológica. Deve, por isso, ser lida da mensagem mais antiga para a mais recente. Trata-se de um relato que ficou incompleto porque me estava a fugir a boca de mais para a verdade.

quarta-feira, 31 de março de 2010

16 - Os meus ténis Sanjo

- Olha, tenho ali no carro as fotografias! - Desculpa, não me lembro de ti! Quais fotografias!?
- Tu não és o organista que tocas descalço?!
O interlocutor era, pelo todo, filho de emigrantes que viera ao novo Agosto e que se abeirara da minha mesa de café pela hospitalidade que ela sempre emanava. Circunspectos ficaram também os meus companheiros de rodada, pela humildade do desconhecido que mandara vir mais uma, pela história do “eu descalçadinho” e, ainda mais, pela prova fotográfica que, depois de volta e meia à rua e ao carro, o fã ali trouxe. Passaram de mão e mão as fotos, provocando gargalhadas, o “olha aqui!”, o “lembras-te desta?”, o “que é feito desta?”, olha a Gibson! Porque diabo trocaram vocês a Gibson pela Fender e porque diabo estavas tu a tocar descalço?!

Tinha acontecido só naquele dia. Eu calçava os meus ténis brancos “sanjo” de verão, sujos e rotos, não sei se por desleixo, penúria, estilo, marca, mania ou ideologia – talvez fosse por estas coisas todas juntas! Eu tocava sentado e entretido e, na boca do palco, vieram sentar-se umas miúdas que trocavam os olhares entre o baile, entre si e para mim. Os meus pés, que eu não via porque estavam sob os teclados, estavam a escassos centímetros dos rabos das moças. Eram, de certeza, de Lisboa e andavam por ali a passar as férias grandes, bem vestidas, asseadas, divertidas, dentes brancos de sorrisos de fazer estremecer qualquer artista de província que arranhasse rhythm and blues e rock'n'roll. Eu não tinha vergonha, muito pelo contrário, sentia até orgulho dos meus ténis mas, naquele momento, senti-me traído por eles, eles não estavam à altura do que a coisa prometia. O fim-de-série era sempre ao fim de três ou quatro músicas, para a banda descansar, o bar trabalhar e a malta trocar as necessárias palavras. Fui atrás das colunas e descalcei-me. Actuei e andei o resto da noite descalço, fiquei nas fotos da noite descalço, as miúdas não conheceram os meus ténis sanjo mas também não me recordo de terem sido seduzidas pelos meus pés descalços. Mas também não são as meninas de Lisboa que vem aqui à história, a história pretende apenas revelar que estivemos muito perto do sucesso: um desconhecido, fotografias, a marca descalço…

Entrei em caminhos perigosos / a ficção começou a confundir-se com a realidade / entrei em caminhos perigosos / os velhos amigos e amigas que cruzam esta história não me deram autorização para tanto / estão demasiado perto de mim para que os dispa / estão demasiado perto de mim para que lhes vista outra roupa / receio que a história tenha falido / por minha culpa, minha tão grande culpa / deixo ainda um vídeo do princípio - de quando ainda não recebíamos um chavo / depois logo se vê / não gosto de deixar as coisas a meio mas nem por isso deixo de apreciar as capelas imperfeitas do mosteiro da Batalha sobretudo pelo facto de elas nunca terem sido concluídas / este blogue há-de um dia encontrar um rumo... e se não encontrar, que se lixe!

domingo, 28 de março de 2010

Educação burguesa

- Vá, mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa! Filhos da puta do caralho de progressistas da revolução que vos foda a todos!
(José Mário Branco - FMI)

sábado, 27 de março de 2010

Sócrates sucederá a Sócrates

Os quadros partidários dos países europeus são muito semelhantes. Portugal tem a particularidade dos dois maiores partidos ocuparem o mesmo espaço político, já só os militantes de ambos não o reconhecem e, aos mesmos, custa reconhecer que foi o PS que roubou o espaço ao PSD e não o contrário.
Nesta circunstância os eleitores que tomam as suas decisões de voto, não em função da representação parlamentar mas na expressão redutora de votar em quem tem sondagens de ganhar e constituir governo, estão condenados a escolher, até que isto rebente, mais do mesmo.
Neste quadro, os militantes do PSD, escolheram bem: a melhor maneira de combater Sócrates é com outro Sócrates. Se, para muitos, em Sócrates a esperança é nada, em Passos Coelho é coisa nenhuma!
Este povo parece estar determinado a continuar assim, tal qual se resignou a tolerar ,durante quase cinquenta anos, Salazar! Se se não pode emigra-se!
Estes rapazes são produto das jotas esse ou esse dê, aliás, ambos foram iniciados em esse dê! Continuemos pois, cabisbaixos e sem esperança! Oh "people"! Há mais políticos para além do PS/D!

sexta-feira, 26 de março de 2010

A caminho de Belém

Qualquer um se pode candidatar e as 7500 assinaturas são para impedir que se possa candidatar qualquer um.



Por acaso, entregues as assinaturas, alguém as vai ler, averiguar a sua autenticidade? O que fazem às resmas de papel? E porquê 7500 e não 750 ou 75000?

Não nos submeteremos às regras que o sistema impõe para nos excluir. Esta candidatura, porque é anti-burocrática, porque é amiga do ambiente e porque é tecnologicamente avançada, recorrerá a uma petição on-line apenas como forma de avaliar os seus apoios e exige de si própria apenas os subscritores que conseguir.
Se os tubarões da democracia se recusarem a inclui-la nos boletins de voto temos uma solução simples: acrescentaremos o nosso candidato e a sua quadrícula de forma manuscrita
Quero ver se terão a coragem de ignorar e considerar nulos milhões de boletins de voto que expressem a mesma escolha:
Pata Negra X

quarta-feira, 24 de março de 2010

Denúncia no Parlamento

Se em nome da segurança temos de ter vigilância electrónica então, em nome da verdade, acabe-se com o segredo de justiça.
Quando uma Assembleia fala noutra língua há grandes probabilidades de estarmos em Portugal.

segunda-feira, 22 de março de 2010

15 - 7 anos numa J7

E porque a história singular pifou por ordens várias que cada um concluirá, cumprir-se-á a história da banda com histórias no plural e não foram poucas as que ao longo de sete anos se cumpriram. O grupo não se consumava no palco, o grupo vivia muitas outras horas agrupado e, entre essas horas, foram muitas as que se cumpriram em sete anos a viajar na J7. Na J7, ao longo de sete anos os ora quatro, ora cinco, ora seis, ora sete, ora mais elementos, cansados, ensonados, sujos, mal acomodados, cumpriam uma ou mais histórias em cada viagem de ida ou volta.

– Porra! Ainda dizem que Portugal é pequeno! Fui à vila e estava a ver que nunca mais lá chegava!

Dissera uma mulher lá da terra, nos tempos em que se passava uma vida sem quase sair da aldeia onde se nasceu, quando se viu obrigada a deslocar-se à comarca que distava 17 km. Esta expressão era frequentemente repetida para o riso nos aliviar a saturação das viagens de horas que, muitas vezes, acabavam com o nascer do sol.

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas.

Também o ambiente de certos salões, garagens, barracões, era pesado. Num fim de série era um alívio vir à rua tomar ar fresco, fumar ou mandar uma mijada. Quando os porteiros não identificavam o artista discreto e impediam a reentrada, era um gozo ficar à porta à espera que o problema fosse resolvido para que o baile recomeçasse.

Nas imediações do recinto há sempre um sítio escuro propício à prática de certos actos. Entre sombras e clareiras procura-se o local com melhores condições para realizar vontades. Uma imensa vontade, uma aflição de expelir massas acumuladas e, um cinto desapertada à pressa, um baixar as calças e, de cócoras, a satisfação do alívio. Passados segundos, vindo das profundezas da terra, o eco de um pesado “choc” em águas paradas… Esperei outros tantos segundos pelo retorno dos salpicos na pele esfriada!... Nada!!!

- Já viste?! Podia ter caído para dentro do poço!

Custava a acreditar mas o boss Cipriano afiançou a situação de perigo até à exaustão e nós, os outros, respeitavelmente acreditámos! Até porque outra história alguém tinha para repostar:

- Vim cá fora! Procurei um sítio para mijar! De repente do escuro um cão: ão! ão!... – Ai!...
Olha se eu não fujo a tempo! O que podia ter acontecido!... Nunca mais! ...De noite só em urinóis!

Cipriano, porque mais velho, era o que tinha mais histórias para serem ouvidas. E muitas eram dos tempos áureos de França. Prova documental: 1975 - Uma banda de emigrantes portugueses actua em Paris. Cipriano é o baixo.

sábado, 20 de março de 2010

De Moçambique afectuosamente

Era eu pequeno e ouvia intenções de terço por dois primos que estavam na guerra em Moçambique. Era 1972 e um padre, recém regressado de capelão militar dos matos de Tete, fazia matinés de domingo aos meninos projectando slides e minutos de filme que testemunhavam a sua passagem pela africanidade. Depois vieram as anedotas do Samora até que um dia, no despertar da minha consciência política, dei comigo a defender o grande estadista africano que na chegada ao aeroporto tratava os nossos cagões por pá.. Em Coimbra nasceu-me o grande amigo Parsotan, colega de engenharia e arte, que tinha a vida amarrada a uma pequena bolsa de sobrevivência de estudante e que teria toda a famílía por lá. Nesses anos vivi o Quarto em casa das moçambicanas. Já adulto, veio-me o Mia Couto, antes de ser escritor de montra, através de uma peça de teatro do Trigo Limpo construída sobre histórias suas e, atrás dele, a literatura dos dele. E como se não bastasse tudo isto, por afinidade, ganho um familiar de reconhecida estatura que anda, de Tete em Beira e de Nampula em Maputo, desde os anos sessenta e nunca de lá arredou pé a não ser para vir ao médico a Lisboa e conversar comigo.

Desta forma dou umas pinceladas sobre a meu especial afecto por Moçambique! Tudo isto para dizer que este filme me faz rir mas não só.

(Nota só para alguns: surumático vem de suruma, maconha, marijuana, erva, boi, trator, cânhamo... tanta coisa que lhe chamam, até droga)



quinta-feira, 18 de março de 2010

A Arte de Pensar


Lili Caneças, simplesmente não pensa.
Rute Marques pensa que é Grace Kelly.
Paulo Pires pensa que é o Diogo Infante.
Diogo Infante pensa que é Paulo Pires.
Pedro Abrunhosa pensa que é António Variações.
E António Variações já não pensa mais.

Manuel Luís Goucha pensa que é a Teresa Guilherme.
Teresa Guilherme pensa que é a Manuela Moura Guedes.
Manuela Moura Guedes não pensa, quem pensa é o Moniz.

Luís de Matos pensa que é David Copperfield.
Edite Estrela pensa que é Hillary Clinton.
E Ana Malhoa, simplesmente pensa que pensa

Júlia Pinheiro pensa que é Barbara Walters.
Herman José pensa que tem graça.
João Baião pensa que vai ser mãe.
João Pinto pensa que é intelectual.
Belmiro de Azevedo, com todo o dinheiro que tem,
pode pensar o que quiser.

Ronaldo pensa que é o número 1.
A irmã dele pensa que canta.
O sr. José Sócrates da Silva pensa que é Deus.
E José Mourinho tem a certeza!

O teu chefe pensa que estás a trabalhar.
O meu também…

(isto anda a vaguear pela web com variações ao sabor dos interesses de cada um/ peço desculpa, não consegui identificar o autor / enfim, é a web!)



segunda-feira, 15 de março de 2010

14- Intervalo

Este número catorze é um intervalo. Atenção ao filme no final.
A história está cansada. Esta coisa do “sem título” já chateava e, apesar de ter recebido, da parte de alguns leitores, interessantes sugestões acho que vou optar por títulos avulso.
A história está cansada: o reviver da juventude está a dar-me para o verbo fácil, pró piroso e para a irresponsabilidade. A história deveria acabar aqui! E o que faço das notas que tenho para desenvolver? E que dizer desta mania das histórias terem de durar 24 semanas? 24 quartos!... 24 fábricas!... Não sei porque é que tenho esta fixação no número 24! Por serem duas vezes doze, doze meses, um ano, doze apóstolos, duas dúzias?! Por ser metade da minha idade?
O que fazer duma história que nem sequer tem centro para título? E os leitores? Parece que fugiram todos para o caralivro! – Preferem o palavreado encaixotado do jovem caixa belmiro-dependente do Continente, às histórias do senhor Cartucho da mercearia do bairro!
- Blogosfera?!
- Não, agora virei para o facebook!
Que se lixe! Nós os bons somos tão poucos! Suficientes para estarmos aqui a mastigar uma história com poucos condimentos!...
Mas, como vou conseguir chegar ao número 24 sem a Teresa? Pode haver história sem amor de mulher pelo meio? Deixei Teresa ir para Espanha. O que faço da história sem Teresa? Volto a Teresa? Teresa despediu-se de mim com uns beijos mas, entre os queixos, atravessou e comprimiu a sua mão e fez distinguir o dedo médio para que ele se humidificasse e entretivesse entre os lábios fartos de encontros repetidos. Aquele dedo médio, lascivo, íntimo, irreverente, mastro, revoltoso, submisso, altivo, soube-me a desfecho, a começo, a presente, a passado, a futuro. Melhor dizendo, era de Teresa e soube-me a Teresa.

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que ontem mesmo, 14 de Março de 2010, voltei a reler. Visitou-me/nos em anos seguintes em casa ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas que eu recebi, reli-as hoje, são um molho delas.

A filmagem vídeo ainda era só para alguns. Filmar em fita de cinema era muito caro. Por isso restam escassos e curtos registos em filme. Aqui fica um deles. Andaríamos na estrada há poucos meses e ainda apenas a fazer os intervalos da banda sénior. Ainda tocávamos pouco mas éramos tão engraçados! Algures em 78 ou 79.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Poste pró cara...!

Estou com o período, com o período blogosférico. Esta é daquelas vezes em que vou começar a escrever sem saber o quê, para quê, para quem ou porquê. Garanta-vos que este post vai durar todo o fim-de-semana. Irei escrevendo e publicando. Entre desabafos irei assar a carne, dar banho ao cão, fazer a barba, dormir, buscar o pão, fazer a barba, dormir, cagar, comer (não! o contrário! como aconselhava sempre o meu pai!)  plantar as batatas, cultivar o amor, fazê-lo! Estou mesmo... Já volto!  

Voltei. Este post é pró cara...! Bem sei que esperariam que eu completasse a palavra com o melhor amigo do bacalhau, aquele que faz bem a tudo, até ao cancro ou que a palavra dissese aquilo que o primeiro ministro não tem. No melhor brasileiro-língua o cara seria até um sujeito! Pode também faltar o col, o melo ou o pau!... Mas não! Criei um palavrão: o caralivro!
Já volto!
´
Vou à padaria! Já volto!
.....................................
Deixei queimar a carne toda. À refeição só se aproveitou o venho! Vou ali e já vinho!

Zé Povinho disse...

Eu tenho vontade de dizer uns quantos palavrões, mas também vou deixando um post marado, que talvez anteceda alguma coisa de jeito.
Pata Negra diz: uma vezes vale mais a palavra,  outra vezes o palavrão!

Compadre Alentejano disse...
Sempre ouvi dizer que se deve fazer aquilo que se gosta. Ah,e uma coisa de cada vez!...
Pata Negra diz: e revelo, em primeira mão, que não gosto de fazer aquilo que não gosto! Contudo, fazer duas coisas ao mesmo tempo, como por exemplo, comer e beber, gosto.

opolidor disse...
pode ser que o acordo ortográfico o considere...
Pata Negra diz: osto dacordo con o grafico nom cum o horto!
antonio - o implume disse...
A vida porcina em directo...
Pata Negra diz: directo com porcos sim, mas se houver porcas o melhor é fechar o pano.

Marreta disse...
Muito bem! Candidato que se quer popular e javardo deve abrir o livro da sua vida para o povo!Caralivro?! Não me digas que te rendeste à pocilga do farmville!!!
A propósito já há hino oficial!
Pata Negra diz: eu abro o livro, eu abro a vida mas não abrutudo! Não me rendo, avanço sobre a lavas da merda incandescente!... Porra! Vocês não se calam com o hino! Até me parece que vocês são o hino! Vou arranjar um hino! Vou falar com os gaiteiros da Terrinha! Feliz o mandatário!

Este post está do cara (Quim Barreiros)! Não do caralivro! Não será que estamos a construir um caralivro caseiro??!
Vou cagar, volto já!
........................
Entretanto: fui à tribuna do Mandatário. Temos hino! É este o hino! Com um mandatário destes nem é preciso haver mandatado! Estava eu a pensar no "entrai pastores, entrai, por este portal sa...sa..." e porca aqui e porca ali....


E vou ali já venho aqui! Ai porca do carago!....

Foi um dia do caraças. Nove e meia, a comprar carapaus e alface no mercado. Plantei a alface; estrumei um talho para batatas; assei os carapaus; recebi um telefonema de um amigo e deixei queimar os carapaus; enquanto salvava os carapaus bebi um copo com o vizinho; não me lembro de comer os carapaus; afinal este post é para os cara-paus; fui à Terrinha, que dista 5 léguas, visitar a minha madrinha.

A minha madrinha fala e eu ouço-a; a minha madrinha é um pedaço de passado que eu tenho no presente; às vezes a minha madrinha está a falar e eu não a ouço; os olhos e o sorriso da minha madrinha não me a deixam ouvir; a minha madrinha é uma biblioteca; eterneço e choro ao ouvir as histórias e as dores da minha madrinha; a minha madrinha quando me ouve iça as suas orelhas inteligentes; quando a minha madrinha deixa transparecer que não está atenta aquilo que eu lhe digo é porque eu não estou a ter uma conversa inteligente, a minha madrinha é a minha terra e ela diz que eu sou o seu afilhado. A minha madrinha ainda canta e só chora quando se lembra de que morreram todos os que viveram as suas histórias!

Cheguei a casa. Rearmei o churrasco para uns pedaços de entrecosto. Dei cabo dele e agora estou aqui. Queria falar do caralivro que está a dar cabo da blogosfera, não consigo! Talvez amanhã! Julgo que estou/estamos a fazer a mesma coisa que se faz no caralivro.

Entretanto, dois comentários:
MARIA disse...

Majestade,
Eu própria tenho já várias vezes observado que nos nossos dias,neste País, qualquer tema serve de livro, quaisquer palavras se editam em livro e qualquer pessoa ou aparentada :-) chega a titular do mais algo cargo político de Estado.
Fica portanto demonstrada a sua ideia, nem precisa de acrescentar mais nada ao publicado !
A melhor demonstração é tantas vezes a do absurdo!
Quanto ao hino e uma vez que trata de livro, se fosse a minha candidatura lembrar-me-ia deste. Bastaria substituir o nome a gosto :). No seu caso Majestade, certamente seria o livro da Presidência da República, em vez de inês.
E se alguém lhe disser que não será o 1º presidente português a ser eleito, responda-lhes de peito cheio, porque estará com a razão, que só o Povo conhece de facto quem 1º lhe ocupa o coração!

Pata Negra disse: Maria, ainda tenho coração mas já não tenho juventude para o caralivro.

O Guardião disse...
Com o odor a carne esturrada ouvi a porca do Nélio e lembrei-me do café que acabou por ficar frio enquanto dava no neclado

Pata Negra disse: amigo Guardião, vês? Falaste do teu café, estás no caralivro!





















No meu trabalho de averiguação das fontes do hino do Marreta, não vá um gajo ver-se a contas com essas  tretas burguesas dos direitos de autor, encontrei este artista brasileiro e já está contratado para a campanha.

E agora? Vou-me deitar? Ou vou-me inscrever no facebook?!
Vou lavar os dentes. Já volto!

Peço desculpa, este post não cumpriu os seus propósitos, falhou! Falhou porque o fim de semana descambou e hoje já é segunda feira.
Volto já!

terça-feira, 9 de março de 2010

13- Aceitam-se títulos

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que hoje mesmo, 9 de Março de 2010, num serão de sótão me entreti a reler. Detive-me nos envelopes emoldurados pelas barras coloridas e oblíquas do envio por avião e nos selos sempre iguais do retrato de Franco – a história já deu voltas e o meu sótão faz-me velho. Visitou-me/nos em anos seguintes na Terrinha ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas, reli-as hoje, são um molho delas, perto de cem.

Sem Teresa, a banda “remasculinisou-se” e mudou de rumo. O Chico Fininho deu o pontapé de saída para o êxito do rock em português e nós começamos a ensaiar os nossos próprios temas. Cantar em português sobre sonoridades anglo-saxónicas era um desafio e tomámos uma determinação: vencer o complexo que os portugueses tinham, e mantêm, em relação aos ingleses pelo facto de não saberem falar, como eles, inglês.

E assim surgiu esta canção original, a dois ou três tons em “ritmo slow”, numa sonoridade do tipo “ Child in Time", que se inspirava numa quarentona, fã da banda e senhora “amercedada” lá das redondezas.


A dona Preciosa tem cu e tem corpo
Mas estão por debaixo da roupa
A dona Preciosa tem uma filha de Deus
Mas o marido não se importa
Na esplanada do café vi as pernas à dona Preciosa,
Fiquei tão flipado que fui internado
Por ter acompanhado o meu enlouquecimento
A dona Preciosa foi-me visitar ao estabelecimento
Entreguei-lhe um bilhete dobrado que rezava
"os desejos que você me determina
menina da casa dos quarenta
gostava de ir um dia à sua vivenda”
A dona Preciosa alojou o papel no decote
E eu invejei a sorte do terceto
A dona Preciosa linguarou-me
Que se pudesse comigo casava
Que marido tinha
Que a filha esperava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem um cu e tem corpo
Como eu nunca o vi
Como o meu português
A dona Preciosa riu-se e eu esclareci
Que meu português não é homem
É língua
A dona Preciosa linguou-me
E que se pudesse pois continuava
Que o marido faltava
Que a coisa não içava
Que se eu esperasse um dia me a dava
A dona Preciosa tem cu e tem corpo
E o meu português é coisa de louco
Poema mas pouco

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres cheguei



Sou contra dias disto e daquilo.

"Toda mulher deve ser amada
No dia-a-dia conquistada
No ser mãe endeusada
Na cama desejada
Na boca beijada
Na alegria multiplicada
No lar compartilhada
No seu dia festejada
Na tristeza consolada
Na queda levantada
Na luta encorajada
No trabalho motivada
No aniversário presenteada
Na alma massageada
Na beleza admirada
Na dificuldade ajudada
No cangote bem cheirada
Na vida abençoada
No mundo inteiro respeitada
E sempre que possível... abraçada!"

Madre Teresa de Calcutá

dum comentário da Mariazinha faz hoje um ano

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cara Blogosfera

Cara Blogosfera

Quando consumo conteúdos blogosféricos, não procuro notícias. Se eu quiser saber quem é que ganhou os globos de ouro, vou ao site dos globos de ouro. Se eu quiser saber qual foi a magnitude do sismo no Haiti, vou à procura do site da entidade que mede essas merdas.

Nos Blogs eu quero opinião. Mesmo que seja lúdica. Ou que me dê a conhecer coisas que a comunicação social tradicional deixa passar.

É verdade, eu não uso a comunicação social tradicional para estar informada, uso os Blogs. Mas se estes me começam a dar exactamente o mesmo que os outros....deixam de me ter como consumidora, da mesma forma que os outros deixaram de me ter como leitora, espectadora, ouvinte, etc.

Muito agradecida.
Da Jonasnuts via Fliscorno


quinta-feira, 4 de março de 2010

Vou pô-lo em tribunal


Diz-se que a justiça não funciona, diz-se que não se confia na justiça, diz-se que a justiça é só para alguns.
Mas eu não sei se quando um "fulano" de bem, porque "sicrano" dele disse mal, responde de imediato "vou pô-lo em tribunal", está à espera que a justiça funcione só para alguns por se considerar alguém ou se, sabendo de antemão que a justiça não funciona, atire essa ameaça porque lhe fica bem, embora saiba que lhe assenta a acusação!
- Se alguém disser mal de mim fique sabendo que, embora não confie na justiça e ache que a justiça é só para alguns, vou pô-lo em tribunal.

terça-feira, 2 de março de 2010

12- Isto não tem jeito sem título

Esta era eu que cantava para dar descanso ao vocalista principal
Se ela estivesse por baixo, teria visto, através das frestas do soalho do palco, o rasto dos meus ténis Sanjo, teria feito amor ao ritmo do compasso que o meu pé batia, não me teria traído completamente porque teria gozado sob a minha superior presença. Subi as escadas do palco, a banda gozava um fim de série, só o “informador” Tarolas parecia estar a par do meu problema de testa. Levantou-se da bateria na minha direcção com a mini Sagres que era para mim na mão, passou-ma com uma expressão neutra, esperando que eu, tão senhor do meu nariz, tão dono de Teresa, comentasse a situação. Afinal de contas, ele tinha sido o primeiro a saber e, graças a ele, eu não seria o último mas o segundo, facto que, traindo a tradição, era uma atenuante.

- Oh Tarolas, tu alguma vez conheceste mulher?! Tu conheces-me, conheces a Teresa e o Cipriano, que mal tem? Antes com ele do que contigo! Eu não sou dono dela e se vontades lhe deram, a mim não pôde recorrer por eu estar a tocar, antes com um amigo comum do que com um estranho! O desejo de experimentar a sapiência dos mais velhos não concorre com a juventude dos mais novos! Também nós temos construído fantasias na nudez da Dona Preciosa!

Tarolas, engelhou a testa e o nariz e replicou:

- Tu estás a passar-te, essa merda dos fumos, do sucesso da banda a subir-te à cabeça e de leres revistas dos grandes, estão a transformar-te em quê?! Porra, vê a tua testa ao espelho! A Dona Preciosa nunca passará da letra da canção que andamos a ensaiar!

Pensando bem, Tarolas teria alguma razão! Mas, por outro lado, não havia  assim nada de tão trágico, foder, de duplo desejo, nunca pode ser crime. Encerrei com ele a conversa deixando em entrelinhas que, embora normal, o episódio não deveria chegar aos microfones da banda.

Aparentemente, o resto da noite, a desmontagem da aparelhagem, o carregamento da J7 decorrei como sempre. Na viagem de regresso a casa Teresa veio sentada a meu lado sobre as duas colunas Hiwatt e, chegados a casa de Cipriano, na hora habitual das seis da manhã, recebi o cachet e o beijo da namorada.

No dia seguinte regressei ao trabalho, tínhamos outra actuação, e procurei as devidas explicações do patrão. Não teria equilíbrio emocional para colocar a questão a Teresa mas o traidorzito não se fez de engasgos:

- Já várias vezes te tenho dado a perceber que ela não é mulher para ti e já sabes o que penso sobre o mal que as namoradas podem fazer a um conjunto musical! Foi esta a solução que encontrei para cortar o mal pela raiz! Repara que não fiz nada às escondidas, dancei com ela à tua frente e fiz-me nela a um metro de ti!

- Mas um metro na vertical é diferente de um metro na horizontal!?

- Este assunto tem de ser resolvido entre ti e ela! Não é preciso armares um chilifrim, dizes-lhe, "acabou!" Eu trato do resto! Os familiares dela estão abancados na Figueira e eu próprio a irei levar!
- E eu não posso ir também?!
- Mas estás armado em quê?! Está descansado que eu não lhe toco mais! Cumpri o meu papel, tu agora cumpre o teu!
Cipriano era amigo. A banda continuou por muitos anos e eu nunca perdi completamente essa Teresa nem a vontade de me vingar da lição do patrão.