quarta-feira, 16 de junho de 2010

Coisas da minha mãe (1)

Levantava-se muito cedo, isso sim, três, quatro, cinco da manhã para ir para a Lisboa, para a Beira Alta, para a Beira Baixa. Chegar tarde era raro. Se tal acontecesse aguardaríamos de orelhas esticadas o apito poderoso da Scania a anunciar a sua entrada na aldeia e a pedir ceia na mesa. No pior dos cenários, a Maria Rosa, do posto de telefone público, a dar o recado de que lhe tinha telefonado a dizer que só viria no dia seguinte porque a camioneta teria ficado atolada nas lamas de Mação.
Mas o vício da sueca, às vezes, também fazia das suas.
- Já que o pai nunca mais chega vamos comer nós, meninos!
Agradecida a refeição ao Pai do Céu, a mulher pôs-se a preparar a do pai da casa. Composto o tacho das migas, aconchegou-o com os frascos de condimentos e utensílios que habitualmente a compunham, a alcofa do almoço para o trabalho.
- Vem comigo João! Guardas-me o medo! Vamos levar a ceia ao teu pai à taberna!
E lá fomos ambos, ladeira abaixo, surpreender os quatro fregueses que, sentados nas únicas quatro cadeiras, à volta da única mesa do estabelecimento, batiam as cartas tão aficionados que nem pela fome davam.
A chegada de mulher e filho, marcou surpresa, concentrou olhares mas não anunciou grandes problemas:
- Ah mulher do diabo! Não me digas que lhe vens bater?!
Quando a alcofa pediu lugar na mesa, as gargalhadas interromperam definitivamente a jogatana mas o esposo não se sentiu troçado, antes se dispôs de imediato à refeição e largou orgulhoso aos companheiros uma cara que perceptivelmente queria dizer “vocês gostavam de ter uma mulher assim!...”
- São servidos?!
- Vamos mas é acabar com isto que se a minha vier traz é a vassoura!
Eis senão quando, depois do entusiasmo das primeiras garfadas se sentiram umas couves cruas entre os dentes para logo de seguida se descobrir que só por cima a comida era de gente. E, sem pensar no que dizia:
- Ah mulher dum cabrão que querias que eu comesse a lavagem do porco!
Com mais um coro de gargalhadas, comentários e impropérios, compôs-se a partida e regressámos ao lar todos bem dispostos.
E era assim que a vida se fazia alegre!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Estou farto do "obviamente demito-o"

Ó Nobre, isso são banalidades! O que é ferir os altos interesses da nação? Onde é que está o risco? Esse "obviamente demito-o", na sua forma original, foi dito incondicionalmente!
Dito dessa forma, antecedido de interesses subjectivos e riscos às curvas, não diz nada! Um tipo pode dizer que "não sabia e sabia" e isso não ser considerado mentira em nome da estabilidade política. O Cristiano Ronaldo não terá perfil intelectual para querer conhecer o Nelson Mandela mas se ele disser que foi o Mandela que o quis conhecer é porque o foi e não o obrigará a fazer figura de Chico BuarqueMas mesmo que Cristiano Ronaldo tivesse mentido poderia continuar a jogar na selecção. Um primeiro ministro é que nunca! Poderia não ter ferido os altos interesses da nação porque a nação já está calejada, poderia não ter pisado o risco porque está habituado a saltá-los, mas no fim de tantas, esta faria a manchete: "Desmentido de cantor provoca demissão de governo".
O senhor Nobre teria sido claro e provaria estar à altura deste seu adversário se dissesse:
"Nas actuais circunstâncias eu demitiria o governo".
Porque sei que existem alguns portugueses que ainda não decidiram se vão votar Pata Negra ou Fernando Nobre vou ser mais claro:
Se eu ganhar as eleições, como espero, quando levantar a caneta da tomada de posse, virar-me-ei para o primeiro ministro e direi em directo:
- E tu pá, estás demitido!
Se nenhum outro candidato tem esta frontalidade é bem possível que daqui a uns meses eu tenha de mudar de casa!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A bola é redonda

nós que... acabávamos os trabalhos de casa à pressa para ir jogar à bola;
nós que... éramos obrigados ao "guarda redes avançado" ou a "quem tiver perto defende".
nós que... obrigados a "guarda redes avançado" perguntávamos "e passar de meio campo vale?";
nós que... quando se faziam as equipas se fossemos escolhidos em primeiro sentíamo-nos os maiores;
nós que... sendo escolhidos em último estávamos destinados a ir à baliza;

nós que... tínhamos sempre um apelido de um jogador importante para nos sentirmos mais fortes;
nós que... quem chegar primeiro aos 10 vence;
nós que... fingíamos não ouvir as nossas mães a chamar quando começava a ficar escuro e depois havia sempre alguém que dizia "quem marcar ganha!" mesmo que o resultado tivesse em 32-1;
nós que... vivemos o terror das botas caneleiras;
nós que... tínhamos ténis sem marca que faziam bolhas nos pés;
nós que... percebíamos o sentido das camisolas alternativas quando víamos TV a preto e branco;
nós que... tínhamos de deixar jogar o dono da bola mesmo que fosse uma nulidade e não quisesse ir à baliza;
nós que... "falta um, posso jogar?" ... "é pá não
 sei, a bola não é minha...";
nós que... "posso entrar?" ... "tens de encontrar um par porque se não ficamos com um a menos";
nós que... as balizas eram feitas com o que houvesse à mão;
nós que... mesmo vivendo um pouco longe uns dos outros, saímos sempre de casa com a esperança de encontrar os amigos com a bola debaixo do braço....
O essencial deste texto  circula pela web com diferentes adaptações sendo difícil identificar o autor. Pareceu-me honesta a referência que liga a sua origem à tradução de um e-mail em italiano. Eu também abusei mas deixo o mérito ao autor desconhecido que, se der por isto, que se acuse!


agora o futebol é outro, muito mais interessante e alienante,
agora praticamos o desporto, de média na mão, frente à TV,
agora é muito importante saber quanto ganha o jogador, 
- é também muito importante que o puto tenha como referência o Cristiano Ronaldo!
- o puto não dá na escola mas ia ser um grande jogador se não fosse uma lesão!

há violência?! paciência!
há corrupção?! onde é que não?!
é ópio do povo?! é ócio e distracção!
é só para homens!? também o sacerdócio! 

nos próximos tempos estamos todos a olhar na direcção do Cabo das Tormentas a pensar em Portugal, como se Portugal se reduzisse a uma equipa de futebol, como se fosse possível cumprirmos aí nosso sucesso pessoal e colectivo.
Não confundam futebol com patriotismo! Estou-me nas tintas para o lugar de Portugal no festival da canção!
Estou-me nas tintas para o futebol! Serei pouco homem?!

sábado, 12 de junho de 2010

Incensurável mentira

2Ele disse que não sabia e sabia, isso não quer dizer que tivesse mentido. Até porque, se tivesse mentido, nasceria outro mentiroso que disse que apenas censuraria a mentira "do que disse que sabia e não sabia" mas que se absteria de censurar a moção de censura que censurava o caminho da estagnação económica, do retrocesso social e da liquidação da soberania nacional. 
Isto é, chegámos a uma situação em que, em nome da estabilidade política mais vale ter no poder um homem que diz que não sabe e sabe dumas coisas, do que um outro que, tal como ele, diz que sabe de soluções económicas e sociais para Portugal e que, tal como ele, escolhe o caminho das políticas económicas que se fazem com o sacrifício das políticas sociais.
Espremido este texto julgo que exprimi a opinião que também sou pela estabilidade política. A não ser que amanhã acorde num país em que as pessoas não suportem ser governados por gente que não mente e  que habitualmente falta à verdade.
Enfim,
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.]
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.]A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.]vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso ,pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

10 de Junho - Condecorem-me porra!

Ai estas carinhas, estes portes, estes fatos, estas satisfações mútuas, estas palmas, este público, este país! Eu nunca vi pátria assim tão pequena e com tantos feitos!

Olha quem está ali! O omnipresente, o opinador geral da república, o especialista de generalidades! De manhã está numa escola  a falar sobre preservativos, à tarde no grémio a falar sobre touradas, à noite na TV a falar sobre os capacetes das forças de segurança e durante a noite a escrever sobre o caso Esmeralda ou sobre as qualidades do presidente da Câmara de Santarém. Nem sei como consegue arranjar tempo para ser condecorado.
Juro que me pus ao poste por ser 10 de Junho, que escolhi este vídeo porque gosto da música e abomino os actores.  Deus está em todo o lado e o Moita Flores pode aparecer por lá. Portanto, é-me difícil justificar que não esperava encontrá-lo aqui! Veio mesmo a calhar, era para servir o filme cru, não era para escrever nada que já é tarde e já escrevi!
- Oh querida que horas são?!
- Olha, pergunta ao Moita Flores!
- Não tenho o número dele!
- Não faz mal, ele tem o teu!
Vou acabar por aqui, tenho de ir atender!

Vídeo amador do blogue http://aventar.eu

terça-feira, 8 de junho de 2010

Tirem os vossos filhos do conservatório!



Angolana?! O tipo que colocou este vídeo no youtube devia ser amarrado às cordas do violão! Segundo alertou o amigo Salvoconduto: "Ao que parece de angolana não tem nada, nem o sexo, uma vez que se trata de um homem, Ronnie de seu nome e do Botswana".

domingo, 6 de junho de 2010

Governo é criminoso ou tem o fecho aberto?!

Imagem daqui

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O governo não é o Estado. Falar do governo em abstracto favorece e iliba as criaturas que o compõem. Esta gente tem nome e a sua governação tem contornos criminosos: estão a acabar com o interior do país!

O Pintainho Sousa com os seus Sousa, Soares, Santos, Pedros, Pereiras, Augustos, Silvas, Silveiras, Teodoros, Vieiras,  Marias, Marianos, Valentes, Lacões, Mendonças, Alçada e toda a cambada, chegaram num bando de audis pretos à vila de Adantes e foram recebidos em passadeiras vermelhas protegidas do vento, por vasos de flores de plástico e com palmas de galinhas amestradas.
O mestre Pintainho falou:
- Em nome da melhoria da vossa qualidade de vida, da melhoria da qualidade dos serviços prestados, da melhoria da qualidade de acesso aos serviços, dos serviços com qualidade melhorada, da qualidade melhorada de serviços, venho anunciar-vos um conjunto de medidas que visam combater a desertificação do interior e comprovam o investimento que o governo faz na melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem no interior:
1º- Vamos fechar a escola
2º- Vamos fechar o hospital
3º - Vamos fechar o centro de saúde
4º- Vamos fechar o quartel
5º- Vamos fechar a esquadra
6º- Vamos fechar o cartório e o tribunal
7º- Vamos fechar as empresas e as pocilgas
9º - Vamos fazer aqui uma reserva ecológica e dar incentivos ao arranque da vinha e do olival
10º- Passará nestes campos uma auto-estrada com um nó a 20 Km daqui
10º- Quando houver disponibilidade orçamental faremos aqui um lar de idosos.

Seria criminoso que não tomassemos estas medidas. 

E as galinhas contentes bateram palmas, cortaram fitas como nas inaugurações e foram todos viver para a cidade de Adagora. A seguir veio o mestre Coelhinho e ouviram em Adagora, o mesmo discurso que o Pintainho lhe tinha lido em Adantes. Ficaram à toa mas ficaram na mesma contentes e então foram todos viver para Adalisboa.
Em Adalisboa há escolas, hospitais, quartéis, esquadras, tribunais, cartórios, pontes, transportes, empresas, empregos e, quando as pessoas querem ver a natureza, podem sempre passear pela auto-estrada e ver Adantes ao longe, a sonhar com o dia em que terão qualidade de vida para poderem irem passar os últimos dias da vida àquela vila onde, segundo ouviram dizer, existe um lar.
Entretanto, não tarda, mais Coelho, menos Pinto, em Adantes vive apenas um casal holandês e em Adagora o Presidente da Câmara queixa-se que já não tem eleitores.

O autor deste texto, residente em A-dos-Bácoros,  jura solenemente que não sabe onde fica Adantes e que o Chico Buarque nunca o convidou para tomar um café em sua casa.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A caminho de Belém

Escolhi-me para vosso rei, vós escolher-me-eis para vosso Presidente!
Não farei a figura triste da figura alegre que diz que fará e, ao mesmo tempo ,diz que quem pode fazer é o governo. Não terei a nobreza de mudar a minha dedicação aos outros dos confins para Belém. Não serei cavaco porque seria incapaz de pernoitar com maria.

A minha candidatura não está adormecida, eu é que tenho sono! Pedem-me ideias, promessas, programas, manifestos!... Ainda não perceberam, eu quero ser apenas o Presidente!

1- Quando eu for presidente dormirei nas arcadas da Praça do Comércio e lá deixarei toda a frota automóvel com a chave na ignição.
2- Quando eu for presidente comerei sandes de fiambre e nos faustos jantares haverá apenas vinho e pão.
3- Quando eu for presidente todos os soldados que andam em missões em países de que o povo não sabe o nome serão mobilizados para beber sagres e apanhar sol na costa.
4- Quando eu for presidente irei, como discreto cidadão, na manifestação.
5- Quando eu for presidente demitirei de imediato o governo porque quem vai mandar sou eu.
6- Quando eu for presidente não haverá perto de mim nenhum cabrão.
7- Quando eu for presidente não irei à europa porque a europa é aqui.
8- Quando eu for presidente acabarei com o dinheiro que não existe.
9- Quando eu for presidente a minha companheira nã será primeira dama porque esse assunto é meu.
10- Quando eu for presidente os meus amigos terão razões para contentamento e os meus inimigos irão viver para o Brasil.
 
Vota em mim! Não tenho ideias nem discurso articulado! Sou do povo! Sou porco no sentido poético do termo! Não tenham medo alguns! Tenham medo outros! A candidatura vai de estrume em popa!
Não me peçam ideias, nem promessas, nem programas, nem manifestos! Quem vos pede sou eu: votem em mim! Mudem o rumo da pocilga!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Acto

Eu falei que isto ia dar merda! Postei isto em 9 de Julho de 2007. O estuário do Tejo, Lisboa, o país, nunca mais foram os mesmos. Não está actual e tudo indica que já passou o orgasmo.

Legenda: não tenho pincel para mais.

Eles estão aí
Tomando posições, ocupando lugares, arrastando cadeiras!
Uns assistem, outros dão assistência,
Uns apontam notas, outros apontam o dedo!

A televisão é a ordem, a informação a fonte segura!
A estátua é outdoor, a acção é a comitiva,
A lei é o fax, o estudo, a circular!
Eles estão aí!
“Senhores à força, mandadores sem lei”…
Sócrates vive a sua grande noite! O seu acto! O país vive as trevas do seu eclipse.
A virilidade do traste está à prova. É evidente o recurso ao "viagra"! A sua esterilidade é evidente!

Há rapazes de fato preto e aprumado empunhando as velas, preparando clisteres, agarrando as toalhas, afiando as línguas, castrando os cavalos, puxando as cortinas, ligando holofotes, apagando luzes, para que Sócrates possa foder a nação! São os mordomos de companhia!
Eles andam por aí!
"São os mordomos do Universo todo"

Já ocuparam as sedes, as escolas, os jornais e a repartição!
Entram pelos arraiais de microfone ao alto,
estão na paragem auscultando a conversa,
carregam as urnas das suas vítimas,
selaram as urnas das suas escolhas.
Eles estão em toda a parte e veem na noite!
"Dançam a ronda no pinhal do rei"

A legitimidade das sondagens assegura à nação uma longa e escura noite!
Muitos preparam-se para ficarem acordados! Muitos adormecem embalados!
Uma madrugada destas a praça imunda viverá a ressaca e concluirá acerca da inutilidade da festa grande!

A arrogância da corja de Sócrates sedimenta-se na ideia da perpetuidade da sua grande noite! Os boys vão assegurando lugares seguros e reformas generosas.

Já só tenho ideias e sentimentos a granel! Entrei no estado de revolta! Acredito que em certas intimidades se esteja preparando a revolução!
Tenho de ir dormir! O acto de Sócrates é uma violação!
O seu governo está para a democracia assim como a pornografia está para o amor!

A falsa nobreza da classe da classe política! Um ciclo com fim em si mesmo!
"Vêm em bando com pés de veludo"
Eles andam por aí!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Centenas de manifestantes

O que querem, porque vão, quem são, de onde são, quantos são. Estará fora da realidade o espectador que se interrogue sobre o que querem. Será pouco informado o jornalista que lhes pergunte porque vão. Não saberá o que é o povo quem perguntar quem são. Será do SIS quem se interessar por de onde são. 
Mas o que dizer do orgão de informação que dá título à notícia assim: "Centenas manifestam-se contra políticas do Governo (DE)"??


Juntaram-se 299 999 almas em Lisboa, mal foi notícia. Fosse em Madrid, Atenas, Fátima, ou se o Benfica tivesse ganho o Mundial haveria cobertura e reportagem, directos e indirectos, prós e prós, quadraturas, miguéis, marcelos, metê-los!...
Juntaram-se em Lisboa 299 999 mulheres e homens e a notícia quase não o era. Se um touro manso  passeasse no Rossio ou um alpinista escalasse o Marquês, o país inteiro teria de ouvir das boas!

Fazer que não se ouve, fazer que não se vê, fazer que não faz mal, dar ao desprezo: eis a estratégia. 
Os senhores, podem trocar 299 999 votos por 30 moedas de ouro de Bruxelas, podem trocar os mimos dos belmiros pelos sacrifícios que pedem a quem sempre os fez, podem até ter garantidos 40 anos de poder! Mas não esperem por outro Abril, desperdiçaram o último!
Estes 299 999 são muitos mais e atrás destes vêm muitos outros que vossas excelências vêm multiplicando todos os dias.
Por agora, saem à rua ordenados, segundo as regras da sua, vossa, democracia mas vem aí o tempo em que perante a pobreza, a ostentação, o desprezo, a arrogância, a humilhação, perderão as estribeiras e a contenção!
Os senhores aprofundam agora o caminho rumo ao inevitável império do mercado. Mas na Grécia a Revolução já começou, sem regras, incontrolável e incompreensivelmente com razões!
.
299 999 senhores jornalistas! 299 999 e não um homem que não quis pagar a conta num bar das Portas de Santo Antão! 299 999 porque a mim ninguém me conta,

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Amanhã sou todo Ave Nida

Porque amanhã é dia 29 de Maio só voltarei lá para meados da semana
Quem sabe se com uma palavra de ordem
Quem sabe se com uma foto
Quem sabe se com uma canção
Quem sabe se com um poema
Quem sabe se com mais um amigo
Quem sabe se apaixonado
Quem sabe se enfeitado
Quem sabe se com o nariz partido
Quem sabe se mais revoltado
Quem sabe se mais confortado
Quem sabe se saciado
Quem sabe se mais gordo
Quem sabe se mais magro
Quem sabe se num caixão
De certeza que voltarei cumprindo uma frase minha:
"tudo vale a pena se a alma não é pequena"

Não tenham medo, eu vou à frente!
(este post começou a ser comentado há três anos, espero que o seja por muitos mais)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Federação Ibérica

 Salazar diz a Franco que para isso já está muito velho.


Sócrates e Zapatero sonham em dormir juntos.


Custa-me aceitar que os espanhóis não conheçam D.Duarte de Bragança nem o candidato Pata Negra e que os portugueses desconheçam o duo sevilhano Pata Negra e o líder da ETA, Ibon Gogeascoechea.

Mesmo assim, apoio a Federação Ibérica porque sempre sonhei fazer parte de uma organização separatista lusa.

Eu sei que já é a segunda vez que ponho este vídeo ou eles não se chamassem Pata Negra

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lukanikos, um exemplo a seguir

Já decidi, vou levar o meu cão! Cuidado! Não o pisem!
(imagem daqui)
"O nome dele é Loukanikos (Respeito, em grego). Um cão extremamente esperto, charmoso e cheio de graça. Seu porte altivo e elegância chamam a atenção. Seu olhar é doce e fulminante. Ele transparece segurança e confiança. Não se assusta nem foge da luta, da repressão fardada, dos gases lacrimogéneos, do fogo inimigo.

É impressionante como por detrás deste animal salta aos olhos uma imagem terna, de dignidade e rebeldia. Mais uma das tantas poesias anarquicas gregas.
Nos últimos dois anos ele foi visto em quase todas as manifestações em Atenas, tanto nos protestos dos anarquistas como nos dos trabalhadores e estudantes. Presume-se que ele pertença a um dos manifestantes. Mas é um cão livre.

E novamente, lá estava ele, firme, no meio da multidão, do lado do povo grego, participando dos protestos contra as medidas de austeridade do governo grego, FMI e União Europeia.
Na edição da última quinta-feira (6), o jornal inglês The Guardian divulgou uma galeria de imagens deste cachorro, que já foi destaque em outras mídias"
Alexei Bueno



29 de Maio / Quem não tem cão, leve o gato!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

29 de Maio 29 de Maio 29 de Maio


A CGTP-IN, apela ao teu contributo, participando e mobilizando, para a Grande Manifestação do sector Privado e Público, que se vai realizar no dia 29 de Maio, em Lisboa.
Vamos exigir a abolição das medidas penalizadoras dos trabalhadores, que Sócratas e Passos Coelho nos querem impôr.
Vamos juntar todos os descontentamentos e protestos na luta pela defesa da dignidade de quem trabalha.

EM 29 DE MAIO, NA RUAVAMOS SER CLAROS:
NÃO DESCULPAMOS, NEM COMPREENDEMOS… LUTAMOS!
A ONDA DE INDIGNAÇÃO E PROTESTO VAI INVADIR LISBOA E CONTA CONTIGO… CONTA COM TODOS!



O Governo ameaça os trabalhadores e a população mais desfavorecida com aumentos de impostos, o que é de todo intolerável perante as gritantes desigualdades que grassam pelo país, a todos os níveis.
O Governo semeia injustiça em cada medida. É uma marca da sua política classista a favor dos mais poderosos.

Para obter mais receitas o Governo admite aumentar o IVA, o que se traduziria numa diminuição do poder de compra da generalidade dos trabalhadores, pensionistas e outras camadas da população vulneráveis. Os impostos indirectos, pela sua regressividade, penaliza fortemente os que menos rendimentos têm.

O Governo admite tributar os salários e o subsídio de Natal, mas sobre a riqueza mobiliária e imobiliária, os lucros escandalosos dos accionistas das empresas e do sector financeiro e o fim dos benefícios fiscais sem fins sociais, não avança com medidas.

Não venha o Governo a sustentar estas pretensões com a demagogia de que também tomaram medidas para tributar os rendimentos dos mais ricos, como por exemplo as mais-valias.

Apesar de toda a mediatização, os efeitos do regime fiscal proposto para as mais-valias a nível de obtenção de receitas, serão reduzidos.

A proposta do Governo em relação ao Código IRS apenas revoga a isenção do saldo das mais-valias e as menos-valias de acções detidas por pessoas singulares mais de 12 meses, e considera o saldo de mais e menos valias de obrigações e outros títulos de dívida.

O Governo aumenta a taxa de IRS de 10% para 20%, relativamente ao saldo das mais-valias e das menos-valias resultantes de alienação de partes sociais de empresas; a operação relativa a instrumentos financeiros derivados; a operação relativa a certificados que atribuem ao titular o direito de receber um valor de determinado activo subjacente.

Portanto, a proposta do Governo abrange apenas um pequeno conjunto de activos, os de maior dimensão poderão continuar a fugir à tributação agora criada através de vários expedientes admitidos pela própria lei.

A nível do Estatuto de Benefícios Fiscais, a Proposta de Lei do Governo introduz apenas uma alteração no que trata os Fundos de Investimento, em que o saldo positivo entre as mais e menos-valias, resultantes de acções detidas por fundos de investimento durante mais de 12 meses, as obrigações e outros títulos de dívida pública, ficam excluídas da tributação.

Exceptuam-se os casos dos saldos obtidos por fundos de investimento mistos ou fechados, de subscrição particular, aos quais se aplicam as regras previstas ao Código do IRS.

De acordo com a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP), em 31.12.2009, o valor dos activos dos Fundos de Investimento Mobiliários Abertos era de: 4,487,6 milhões de euros; dos Fundos de Investimento Imobiliário Fechados: 5.023,2 milhões de euros; dos Fundos de Gestão de Patrimónios: 59.059,9 milhões de euros; das SGFP: 21.431 milhões de euros.

Dados divulgados recentemente indicam que apenas uma pequena parcela do saldo de mais-valias e de menos-valias poderão ser atingidas pela proposta de lei do governo sobre tributação de mais-valias. Basta apenas ter presente o seguinte: Segundo a CMVM, de Janeiro a Abril de 2010, as transacções na bolsa de Lisboa atingiram 44.813,3 milhões de euros, quando em idêntico período de 2008 tinha alcançado apenas 20.745,2 milhões de euros, ou seja, menos de metade. E que os investidores estrangeiros, portanto não residentes, que continuam isentos do pagamento de mais-valias já controlam actualmente cerca de 60% das transacções na bolsa portuguesa. E estas não são as únicas entidades que, com a proposta de lei do governo, continuarão isentas da tributação de mais valias.

Também ficam isentas as mais-valias resultantes de transacções realizadas pelas SGPS, que são muito significativas, bem como as feitas por Fundos de Investimento que continuam sujeitas a taxas de IRC reduzidas (10% e 12,5%).

Daqui se conclui que os estrangeiros e SGPS dominam a bolsa, e estes não são pelas novas regras de tributação abrangidos.

O Governo apresentou uma previsão de 200 milhões de euros. Mas é evidente que com todas estas isenções das mais-valias que continuarão a existir, o crescimento efectivo da receita será certamente inferior àquele valor.

As medidas que o Governo se propõe tomar para diminuir o défice têm como efeito diminuição dos rendimentos do trabalho, o empobrecimento de quem vive exclusivamente desses rendimentos e, ainda, pensionistas que maioritariamente vivem das pensões mínimas, além dos desempregados.

Como a CGTP-IN tem referido, os ricos para serem cada vez mais ricos, obrigam os trabalhadores a ficarem mais pobres.

A CGTP-IN apela aos trabalhadores, aos reformados e aos desempregados que se indignem contra estas políticas e exijam outras políticas.

Estas são importantes causas que nos devem mobilizar a todos. Vamos realizar uma grande Manifestação, em Lisboa, no dia 29 de Maio.

Lisboa, 11.05.2010CGTP-IN (retirado do Pimenta Negra)



sábado, 22 de maio de 2010

Que Abril fecunde Maio e nasçam os outros meses

Chegaste agora mesmo de um clique. Deste a volta à lista de favoritos, carregaste num link dum blogue anarquista, procuraste notícias de candidatos nobres ou alegres, escreveste no google "leitões" ou qualquer outra merda relacionada com porcos ou, mais certo, és fidalgo ou amigo do Rei dos Leittões. Pois bem, aqui estás e eu não tenho nada de novo para te dar. O velho truque, a rebuçado-filme do youtube para entreter já não dá resultado, estamos fartos de imagens. O Rei, raposa velha, não no sentido Almeida Santos ou Jaime Gama, mas no sentido mais animal do termo, encontra uma forma - que forma?! - de te obrigar a ver um filme do youtube. Como eu te compreendo! Não estás com pachorra para parares por aqui a ver um filme!? Então até amanhã!
Porque o filme me foi indicado pela amiga Maria, porque o filme me diz muitas coisas e, entre essas coisas que sábado é dia 29 de Maio, porque no filme vejo o Sérgio a ser libertado, porque acredito que esta canção do Chico vai ser de amanhã... olhem não tenho mais nada para dizer e compreendo que não estejam para parar por aqui um clique de tempo! Que se clique isto tudo! Mas estou cá com uma fixação no próximo sábado! Vá lá! Não custa nada! Vamos recomeçar Abril!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Palavras que me levam a Belém

Alguns  comentários apanhados na subscrição de apoio à candidatura "Pata Negra à Presidência - O presidente Sabão"
Name: Marreta
Comments: Como Mandatário Nacional da candidatura, deixo aqui o meu firme apoio ao candidato Pata Negra, o único que vejo capaz no panorama suíno nacional de garantir uma mudança real neste atoleiro de podridão em que mergulhou o nosso país, podre de corrupção, compadrio e lambe-botismo. É já tempo de literalmente atirar a javardice que nos tem (des)governado ao longo de tantos anos para o lugar certo: a lixeira. Demos então lugar a sangue novo, a ideias novas, a projectos novos. Elejamos o mais sincero e original de todos os candidatos, aquele que afirma e reafirma com convicção que será o presidente de alguns portugueses e não de todos, coisa que nenhum dos outros candidatos até ao momento foi capaz de assumir, sabdendo nós de antemão que depois de eleitos farão dessa regra o seu modus vivendi. Abaixo os candidatos de plástico, fantoches e cínicos, viva o Rei dos Leittões Pata Negra. Façamos história ao eleger pela primeira vez um presidente monarca. POCILGAS SIM, BARRACAS NÃO! PINHEIRO DE AZEVEDO O PORCO NÃO TEM MEDO! VIVA A JUSTA LUTA DOS OPERÁRIOS DA MEALHADA! # Marreta.

Name: Maria Portugal Comments: Eu que conheço a alma desta candidatura escrita nas palavras de sabedoria e de revolta com que no espaço do seu blogue se pronuncia sobre o que a todos nos aflige e por isso nos deveria unir também a todos, naturalmente digo sim a esta iniciativa. Porque o humor é a arma com que a inteligência combate a injustiça e abençoados aqueles que não dormem sobre a consciência da vida e combatem. E porque é de facto necessário erguer a voz e lembrar aos políticos que é para o Povo que devem dirigir o respectivo trabalho : Em frente, estarei sempre consigo, aonde quer que chegue ou vá! Maria

Name: Compadre Alentejano
Comments: Num momento tão importante como este, não podia faltar. Abraço Compadre Alentejano

Name: Filomena Ferreira
Comments: Apoio e apoiarei um suíno à presidência!..

Name: Donatien Alphonse François
Comments: O candidato certo para a pocilga nacional!

Name: José Alberto Santos 
Comments: Apoio incondicionalmente esta candidatura. As urnas é que devem decidir quem nos governa. Não pode ser meia dúzia de borucratas a impedir, com os pretextos mais variados, viciados e ilógicos candidaturas limpas das más influências partidárias ou de lobis com intensões inconfessáveis. Apoio incondicionalmente esta candidatura porque sei que por detrás de D. Pata Negra está um Homem Inteiro que não corre atrás da fama ou do lucro, apenas pensa que pode fazer mais, melhor e mais limpo que outros candidatos.

Name: José Lopes 
Comments: Apoiante da 1ª hora. Contra a situação voto no D. Pata Negra, o candidato dos descontentes.
Name: Quink644
Comments: Desde a primeira hora a apoiar o candidato no qual me revejo. Em vez de um garrafão, viva o candidato sabão!

Name: José Falado
Comments: Porque é preciso agitar mentes e consciências, voto Pata Negra à Presidência.

Name: Ricardo Madruga
Comments: Porque a intuição das mulheres nunca se engana e Maria o apoia, que vire isto do avesso, buscando novo começo para real democracia. Pata Negra à Presidência!

Name: Maria Isabel Pedrosa Branco Pires
Comments: O melhor Presidente que poderemos ter. Apoio incondicional. Um Homem Público de Superior Competência!

Name: Ferroadas
Comments: Vamos eleger o primeiro presidente da república com tomates negros

Name: Kaos
Comments: O wehavekaosinthegarden apoia a candidatura do Pata Negra e podem contar com a minha assinatura e o meu voto.

Name: Júlio Leitão
Comments: Antes um porco assumido que porcos fingidos...

Name: Maria Paula Adrião Montez
Comments: Qualquer cidadão tem o direito a candidatar-se, mas o D. Pata Negra não é um cidadão qualquer, por isso tem todo o direito a candidatar-se! Apoiado! Já agora deixe que lhe pergunte em primeira mão se apoia as guerras do Iraque e do Afeganistão e se está disposto a colocar em causa a estratégia da NATO. É que a sua resposta em muito contribuirá para obter o meu apoio e o meu voto!

Name: Norberto D'Almeida Fernandes Cavalheiro
Comments: Apoio integralmente a candidatura de Sua Majestade Rei dos Leittões

Name: Lídia Maria Das Neves SoaresComments: Por um Presidente que defenda a justiça social EFECTIVAMENTE. Um Presidente que não diga que defende a justiça social e, ao mesmo tempo, queira defender os mecanismos que geram a injustiça. Por uma candidatura transparente, genuina e sincera.

Name: Jorge Sineiro
Comments: ...e juntos levaremos teu estandarte se a tanto nos ajudar engenho e arte. Por uma política inclusiva Não adesiva!

Name: Águia D'ouro
Comments: Estou contigo REI... a gente só vai conseguir mudar o país quando a maioria entender que um país decente é o povo que faz e não ficar esperando pelo governo ou que a solução de todos os problemas do nosso país caia do céu.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Só me apetece vomitar

A pocilga transborda de esterco. Ninguém ousará ler ou escrever se estiver encravado em merda até ao pescoço. A ninguém lembrará a máquina fotográfica durante um terramoto. Ninguém filmará a tragédia se fizer parte dela. A ninguém lembrará relatar a desgraça se, no tempo do relato, puder fazer algo para a evitar.
Isto, apesar de existirem noivos que filmam o próprio casamento e governantes que apenas governam as suas próprias imagens.
Este clip é feito com imagens, obviamente, do WeHaveKaosInTheGarden (o Kaos foi um dos 100 primeiros subscritores da candidatura "Pata Negra, um presidente só para alguns") e com o fundo sonoro (por acaso não está grande merda) - de Cris Nicolotti. A letra da música, na minha modesta sensibilidade poética, traduz um dos maiores poemas que se fez em língua portuguesa desde D.Dinis. Repetida e insistentemente em redundância, a "palavra maior", "a sempre dita", "a mais popular", a "mais portuguesa", "a proibida", "a que fica mal", "a que todos dizem", transborda das suas sílabas e enche cada verso, cada estrofe, enche o poema, o tempo histórico e cumpre o destino-presente que não foi maldição, nem foi advinhado. Este destino foi por uns meticulosamente preparado, por outros irresponsavelmente ignorado e, por nós outros, conscientemente e repetidamente avisado.
Não me apetece falar do assunto. Estou com vómitos. Para cúmulo dos cúmulos, é dito insistentemente e aceite pacatamente que, para sairmos da merda, devemos continuar nela. Vão para a puta que os pariu com a estabilidade política, duma só vez, tivemos 48 anos dela.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

PS - Partido da Sinceridade

Mas até já no Brasil implicam com os gajos?!

E entretanto!... Enquanto!...

"A RTP 1 transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A SIC transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A TVI transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A RTP África transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A TSF transmitia em directo as cerimónias de Fátima.
A Rádio Renascença transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

Tive medo de ligar a torradeira!..".
(entre aspas encontrado num e-mail que enviaram ao Cantigueiro)

Entretanto, cheio de coragem, mesmo não tendo pão, liguei a torradeira. Deitou fumo. Pensei na rede eléctrica, na tomada, no PT, na EDP, na REN, na teia de generais, sargentos, cabos, fios de ligação que partem da central térmica de interesses - aqueles cabrões entraram-me casa a dentro pelo cabo de alimentação da torradeira! O fumo já não era o de "habemos papa" mas sim de "habemos acordo":  o Partido da Sinceridade  e o Partido da Sinceridade Decalcado anunciavam a Salvação aos PECadores. Da torradeira saiu uma voz, com sotaque de papa, que dizia: "vamos foderunt, estás salvo!"

Reduziram-me os rendimentos do meu trabalho, reduziram-me os direitos de cidadão, aumentaram-me os impostos e as contribuições. Fiquei aliviado, senti-me com um futuro mais risonho e pensei para comigo: só eu é que estou doido, só eu é que ligo a torradeira sem ter pão e ouço vozes estranhas a sair no meio de fumo.

Voltei á sala e fiz "zapping". Todos os canais faziam cobertura a uma grande manifestação de populares em Fátima. Não tinham cartazes nem palavras de ordem. Alguns tinham estolas vermelhas, outros cachecois vermelhos, outros acenavam lenços da Renova. Não reclamavam nada dos seus governantes, nem do seu país. Tinham expressões tristes mas afirmavam felicidade, não advinhavam o futuro mas acreditavam que o sol podia rodar, deitavam lágrimas à sua sorte mas o seu clube era um dos maiores a jogar, não acreditavam no presente mas davam graças por já não usarem lenços de linho como os seus avós.

Pois é, nem a TV, nem a minha torradeira dizem, mas no final do mês a seguir a Abril, mês das espigas,  mês das cantigas, mês de Maria, mês do Dia do Trabalhador vai haver uma Manifestação a sério.
29 de Maio




quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ó Fátima, cala-te, deixa-me ouvir o vento!

Nasci, cresci e vivo com Fátima. A minha mãe agradeceu à Nª Senhora de Fátima o meu nascimento. Em criança, pedi à lareira o terço que a NªSenhora me pediu que pedisse. Já fui não sei quantas vezes a Fátima a pé e conheço de perto a realidade histórica e actual. Gosto de ir a Fátima porque lá se ouve o vento e interesso-me pelo fenómeno nas suas múltiplas vertentes. Conforta-me o facto da Igreja Católica não fazer de Fátima dogma de Fé e rendo-me à evidência de Fátima existir. Ao fim de séculos de aparições e milagres por tudo quanto é ermo parecem ter parado por aqui as revelações do Ceú. Parece que agora é mais difícil ou, ao que "aparece", já não é necessário!
Que ninguém ouse desmistificar Fátima porque Fátima interessa a todos. Interessa ao crente para aliviar a mente e acreditar em melhores dias. Interessa às freiras para terem casa e terem que fazer. Interessa aos padres para colmatar as ausências à Missa Dominical e apascentar os fiéis. Interessa aos bispos para se fazerem ver e serem ouvidos. Interessa ao Papa para sair de S.Pedro e recolher uns fundos. Interessa ao governantes quando não há Benfica ou a fadista está rouca.  Interessa à região porque Fátima é turismo e é comércio. Fátima, interessa a todos! Calemo-nos, pois, todos! Quem souber rezar que reze! Quem souber ganhar que ganhe! Eu fico a ouvir o vento à sombra de uma azinheira que nem sabe a sua idade! E este vento, ainda que venha do norte, não se escreve com "b" nem letra maíscula embora a velocidade XVIKM/h seja uma velocidade aceitável para um pensador "relantim" como eu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Não serei o candidato de todos os portugueses

Recebi, de apoiante desconhecido, este filme de campanha. É um sinal claro de que as vontades não acabam neste blogue, outros blogues começam agora a dar voz a esta candidatura e a subscrição conta já com 600 assinaturas.

Seria a altura de tornar público o Manifesto da Candidatura. Acontece que não me apetece. Esta não é uma candidatura pessoal, é uma candidatura do Reino dos Leitões e espera a participação de todos. Por isso, peço a vossa colaboração com bocas. Depois, juntando todas as bocas, o Manifesto nascerá!

Não vale a pena dizer banalidades do tipo:
 "Quero ser mais do que o vosso Presidente, quero ser o vosso aliado e o vosso companheiro de viagem"
eu poderia dizer: "Quero ser menos do que vosso Presidente, sou um de vós e convosco quero fazer uma viagem" - Tal como Alegre não sei a que viagem se faz referência mas deve de existir uma diferença, a dele é em 1ª classe e a nossa é num vagão de gado.
"Sou candidato a Presidente da República, impulsionado por imperativo moral, de consciência e de cidadania."
eu poderia dizer: "Sou candidato a Presidente da República, por um impulso anormal, de inconsciência e de mania" - Tal como Nobre vivo de impulsos mas os meus rejeitam a moral de sempre, a consciência burguesa e a cidadania parola que começa e acaba nos discursos.

Do vosso Rei e não tarda Presidente
Pata Negra

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estamos gregos mas de cabeça baixa

"...
Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: a mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem política, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa - citam-se ao par a Grécia e Portugal.
..."
Eça de Queirós " in Farpas, pg 312"

Pensaremos, o caso, afinal, não é assim tão grave, já em 1872 estávamos assim! Pois é, só que a Nossa Senhora só apareceu 45 anos depois (1917)!

Valha-nos nossa Senhora de Fátima?!
Imagem da Atlantis representando a NªSrª de Fátima (homenagem a Vento16?!).

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vou ser preso

A conjuntura está a irritar-me: não escrevo, não leio, não penso, não ajo.
Companheiro
Deveríamos morrer na prisão. Mas não, morreremos no hospício, no AVC – sei lá onde é que isso fica! - na rua a ganir ou no acidente de viação!
Eles conduzem-nos a esse fim e nós aceitamos porque gostamos da água quente do esquentador a correr-nos pelo pescoço, pela barriga, pelo cu e dos pés quentes.
Orgulhamo-nos de sermos contidos, descemos a avenida da liberdade em dias e horas marcadas, com a polícia avisada e erguemos umas faixas com frases contidas ou para meterem graça – somos engraçados - à espera da notícia e, afinal, a notícia vem sempre de outro país nem que seja da Grécia.
Somos engraçados. Somos racionais.
Fervemos, queimam-nos a ferida, a raiva é contida e a vida é em casa, temos esquentador. Isso de ser preso por rebentar é coisa antiga. Afinal de contas há liberdade - embora contida!
Mas o grito de agora, já não é “liberdade”, é “existimos”!
Não os venceremos em vida mas deveríamos morrer na prisão e não no chuveiro.Democracia?! Demo! Assim não! Eu tenho o dever de morrer na prisão! Haja água quente, companheiro! Não queria morrer só como toda a gente!

domingo, 2 de maio de 2010

Mãe

A mãe morreu!
A crueza do verbo:
morrer.
O sentimento que faz pequena a palavra:
Mãe!...

Metade de nós
Que vai à frente
Prá lá, pró não sei pra onde!
Finalmente adulto de corpo inteiro:
Órfão de mãe!

A mãe morreu!

E no entanto passados anos,
Os lábios procurando o mamilo
Ao passar pela mesinha do telefone:
- Já não posso telefonar à minha mãe!

Lembrar-me todos os dias
e hoje sobretudo,
Pelo o orgulho de nunca termos ligado patavina a este dia.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Partir

... da palavra mais feia do calão

(porque umas vezes vale mais a palavra,
outras vezes, o palavrão)

Partir...
Partir para aqui e pra acolá
Partir pra lá...
Partir para o Alasca
Partir pro outro lado e partir pra todo o lado
Partir sei lá...
Partir sei lá o quê
Partir a loiça toda
Partir os cornos contra a estátua da liberdade
Partir a cuca a rir...
Partir pra ter saudade
Partir pro infinito porque nunca chegarei
Partir porque já chega
Partir pra onde os outros não vão
Partir só por partir e partir tudo
Partir para a palavra mais feia do calão
Partir uma
Partir sei lá o quê pra onde pra que lado
Partir-me todo
Partir parado

Parti ontem
Cheguei ontem talvez
Talvez de onde de lá de mim de alguém
do mar ou do passado

Cheguei talvez agora
Vou partir
Sei lá pra onde de mim pra lá pra aqui pra aí
pro sol ou pro futuro

Bolas! Nunca parti um copo! Nunca saí daqui!....


(Andei toda a tarde a plantar batatas. Ainda não é tarde, dizem. Estou todo partido!...)

(por falta de dotação onde se lê: "partir os cornos contra a estátua da liberdade" deve ler-se "apalpar as mamas à estátua da liberdade")

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Amélia

O Zorze disse que eu e o Marreta éramos uma Amélias.
Éramos jovens. Amélia fez questão de pernoitar comigo sem que eu percebesse para quê. Passado tantos anos, encontrei-a hoje e percebi - Amélia tem cinco filhos.

Para quê escrever se há tanto para ler

Sobre o envelhecimento

Bolas, esqueci-me daquilo que ia para escrever!....

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Não pedincho votos

Do ilustrador de serviço Fliscorno

Os outros candidatos pedem o voto a todos os portugueses. Eu quero os votos só de alguns. Dispenso e, se puder, impeço, os votos dos fascistas, liberais e outros que mais.
Em particular, dispenso o voto
Do Soares, do Cavaco e do Jardim,
Do Balsemão, do Moniz, do Valentim,
Do Loureiro, do Belmiro e do Amorim.

Do Silva Lopes, do Beleza e do Salgueiro,
Do Salgado, do Vara e do Rogeiro,
Da Goucha, da Baião e da Júlia Pinheiro,

Do Moita Flores, do Miguel e do Marcelo,
Do Pacheco, do António e do Metelo,
E não digo o nome de mais nenhum camelo
Que só dos recordar fiquei pelo cotovelo
De tal forma que me saiu a decisão
De não dar nenhuma entrevista à televisão

Para votar Pata Negra é condição:
Ser limpo, ser porco e ser decente
e ter olhos para ver que sou diferente!

Se queres um lugar na pocilga subscreve em Pata Negra à Presidência

Sigam o exemplo deste súbdito:

Majestade.

Cá em casa assinámos todos e já divulguei pelos amigos e conhecidos pedindo para assinarem e para pedirem aos seus amigos e conhecidos para assinarem e pedirem aos seus amigos e conhecidos para assinarem e pedirem aos seus... bem, Sua Majestade já percebeu, é uma espécie de D. Branca só que não há dinheiro envolvido, apenas a assinatura muma petição. Que não é uma petição qualquer. É uma petição que pretende que a "NOMENKLATURA" permita que um cidadão livre, não comprometido com partidos, movimentos, lóbis, média ou similares, se candidate a um cargo a que, pela nacionalidade, idade e registo criminal, tem direito.
Juntos vamos conseguir!Alberto Cardoso




sexta-feira, 23 de abril de 2010

2574

Todos os anos escrevo em Abril, em Maio e no Outono. Se em Maio me dá vontade de escrever porque os campos me põem a cantar e no Outono escrevo a queda das folhas e o Inverno que aí vem, já em Abril é por uma outra razão especial, é por causa do dia 25, que os outros meses também têm mas não é igual. É verdade que já há gente que não vê nada de especial nesse dia e outra gente que pretende que ele não seja especial mas, para nós outros é! É por isso que se escrevem e se leêm coisas, como este post, em Abril e não no Natal que também é um dia 25 especial.

Tenho a infância marcada pela lembrança ténue e breve de um Abril, no tempo em que à volta das crianças se dizia:
- O Mário Soares é um cabrão! Cabrões dos fascistas! Cabrão do Sá Carneiro! Cabrões dos comunistas! Cabrão do Otelo, do Spínola, do Cunhal! Cabrões da PIDE! Cabrão do Salazar!

E no fim, a Gaiola Aberta a rematar:
- E não há ninguém que parta os cornos a estes cabrões?! 

Depois veio o 1º aniversário. Foi uma seca esperar por ti e por ti, oh pai e mãe, para que votassem pela primeira vez e depois fomos para a Venda ver a televisão até altas horas. Depois veio o segundo aniversário e lembro-me do fervilhar das imagens e das canções na rádio e na TV, das sardinhadas, das corridas, dos cartazes, da política que eu começava a perceber. Como era "esperança" ver as pessoas a discutir o amanhã! Depois veio o quarto, o quinto, o sexto e por aí fora e era bom sentir que Abril era sentir, falar, pulsar, razão, cantar, esperança, justiça, futuro, revolução.
Até que começaram a surgir os discursos de embalar, uns trabalhos para a escola sempre com a mesma foto a preto e branco, a artrose a apanhar o braço e o punho esquerdo, a voz oca dos vereadores a cantar "o povo é quem mais ordena" no largo da câmara, e Abril a esvair-se ano após ano, nas políticas de cada dia.

- O que tem Abril e Sócrates em comum?! Ambos são esperança, excepto o Sócrates!

Também! Para escrever isto, mais valia estar quieto! Vou mas é mudar de assunto:
O padre deixava-me ir para o orgão de pedais do salão paroquial e, porque me ouvia do cartório, foi dizer à minha mãe que eu só tocava o "Malhão" e a "Gaivota" e que um bom instrumento para eu estudar era a enxada.
Faço ideia o que pensou quando soube que eu gostava de Doors e ouvia Sex Pistols e que vivia da música naquele conjunto daquela história que faliu por ser sem título!
Mas!... O que tem isto a ver com Abril?!
Cipriano viveu a infância de Abril em França. Nini, meu companheiro de estrada e palco, começou muito novo a tocar. Era Abril, era Paris, eram muitos os emigrantes portugueses e pela pátria-língua era a mesma Gaivota que voava ou se cantava! E era este o filme (com Proud Mary à mistura):

 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O que é um transístor

Esta informação não é técnica, é para leigos, para gente que, apesar de se estar nas tintas para o transístor, se sente mal por não fazer a mínima ideia do que é esse bicho.
Não sei se alguém o disse, ou se apenas sou eu que o digo, que o progresso tecnológico da humanidade tem como três principais marcos as invenções da roda, da máquina a vapor e do transístor. Se as duas primeiras são fáceis de entender pelo senso comum já a terceira, regra geral, é aceite mas não compreendida.
Talvez uma explicação caseira ajude a perceber os mais desentendidos na coisa tecnológica, o papel do transístor no nosso quotidiano. Pelo menos é essa a intenção.
O transístor foi inventado no final da década de 40 e, de então para cá, tem sido a peça central no desenvolvimento tecnológico que nos envolve, de tal forma que, podemos dizê-lo, qualquer lar dos tempos de hoje tem em casa milhões de transístores, no limite da ignorância, sem saber o que é isso.

O transístor não tem duas nem quatro patas, tem três terminais - base. emissor e colector - e, na versão mais vulgar,  é internamente constituído por três camadas de silício dopado com elementos de composição electrónica distinta.

O transistor, na sua função tradicional, tem a capacidade de amplificar/ampliar um pequeno sinal, como o que é captado por uma simples antena ou por um microfone, à custa de uma corrente de alimentação (por exemplo de uma pilha).
Em modo, incorrecto na linguagem técnica mas de percepção mais compreensível para o leigo: imaginem que uma nota musical entra pela base, o transístor vai buscar corrente eléctrica à pilha pelo emissor e adiciona-a, amplificando-a e fornece-a no colector (espero que nenhum técnico, daqueles que ninguém percebe nada do que eles dizem, vá ler este post porque certamente iria reprovar a minha simplificação).
E este é o processo básico que torna audíveis e visíveis sinais eléctricos que andam pelos ceús e pelos cabos em absoluto silêncio.

Mas foi a função do transístor como comutador/interruptor que viria a revolucionar as nossas vidas com o aparecimento dos computadores e das tecnlogias digitais. É que, além de poder amplificar, o transístor, consoante tenha ou não corrente na base, conduz ou não conduz, liga ou desliga, isto é, comuta, permitindo, neste haver e não haver corrente eléctrica, a transmissão de informação em uns (1) e zeros (0), isto é, codificada. Se for um "A" o código pode ser 1000001 então o transistor terá de, sucessivamente em tempos sincronos, conduzir (1), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), não conduzir (0), conduzir (1).

Não sei se ajudei! Talvez tenha baralhado! É que um computador tem milhões de transistores para brincar com um simples "A".



segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Caminho de Belém

A recolha de assinaturas "D.Pata Negra à Presidência da República" já começou:

Assina em
e divulga nos blogues, no facebook, por email, no emprego, na família, à saída da igreja, no autocarro, na cama, na casa do ... mais velho, à chapada. Por tudo e por nada pergunta:

- O quê?! Ainda não deste a tua assinatura pela candidatura do Pata Negra?! Continuas parvo ou quê?!

A primeira candidatura verdadeiramente revolucionária, enraizada no povo anónimo, assumidamente para pisar o esterco da pocilga, sem formalidades, nem formalismos, sem vaidades nem holofotes, sem segundas intenções mas bem intencionada, sem discursos mas com olhares.

Querem 7500 assinaturas, aqui estão elas! Excluam-nos do boletim de voto e nós acrescentaremos à mão a nossa escolha.

Não sou um candidato sabonete, sou um candidato sabão!
Não serei o presidente de todos os portugueses, serei o presidente só para alguns.

sábado, 17 de abril de 2010

E tudo o Bento tolerou


Não me lembro de na história das tolerâncias uma tolerância de ponto ter sido anunciada com tanta antecedência. A pressa é inimiga do perfeito e do Prefeito. 
A tolerância dada aos funcionários públicos não parte de motivações religiosas mas de razões políticas: a maioria dos funcionários já faz programas para aproveitar a folga e, quiçá, fazer ponte, mas é oportuno amaciar os castigos a que tem sido sujeita a classe. Não vai ser um dia de descanso que afectará a sua produtividade já que esta não é maior, não por falta de trabalho mas sobretudo por falta de gestão e orientação das chefias políticas. Por outro lado, qualquer motivo que sirva de pretexto para aprofundarmos uma sociedade de lazer é benvindo e, num país que aposta no turismo como forma de viver, qualquer oportunidade de saída é benvinda para animar a economia.

O que indigna muita gente é o facto discriminatório da tolerância respeitar apenas aos empregados do patrão Estado e, entre esta gente, estão principalmente os que pensam que os funcionários públicos não fazem nada  (nesta linha não percebo qual é o problema de mais um dia sem trabalhar) , aqueles que acham que o Estado não deve mandar no sector privado e outros que exigem do Estado a laicidade mas gozam sem protestar todos os feriados do calendário católico.

Neste caldo de pensamentos de um ser católico culturalmente mas que não reza à Senhora de Fátima e muito menos ao Papa, atrevo-me a sugerir que o país pare todo no dia 13 e trabalhe no feriado da quinta Corpo de Deus que nem mesmo os mais católicos sabem porque o é.

Porque não ter pena dos funcionários públicos que estão a ser instrumentalizados para encher as ruas e dar vivas a um Papa que não anda em boas saias e para fazer desse acontecimento uma diversão mediática que distraia o povo dos problemas em que o poder político o tem enfiado?

Quem que ver o Papa vá a Roma! 
Luta pela sociedade do lazer, pelo país das praias!
Diz não à tolerância! E... lembrei-me agora do título:
- O que é que o Bento tolerou?!
Enfim um caldo de pensamentos...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A tia de Louçã

Já suspeitava que Louça é filho de tia! Não tenho qualquer interesse em conhecer a tia de Louça! Pergunto-me de onde é que Sócrates conhecerá a tia de Louça para lhe chamar mansa. Não é habitual este reino fazer eco de coisas que muita gente agarra mas este vídeo chamou-me a atenção, não pelo manso Sócrates, não pela mansa tia, não pelo "estamos em família" que traduz o abanar de mãos final do sobrinho mas, curiosamente, pelas expressões de rosto, do outrora senhor do seu nariz, Sócrates: cara de morte anunciada!
O Balsemão já começou a construir o novo Sócrates, desta vez não tem nome de filósofo mas de peça de caça! Venha ele! Um dia os fatos de Sócrates serão dele, por agora ainda tem pêlo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A cultura da crise


Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos em tempo de crise.

Na boca dos abastados senhores do poder não se ouve outro pretexto para a situação que não seja a crise. A crise justifica a própria crise. A crise é o melhor remédio para a crise.
Crise atrás de crise. Crise após crise. Sempre crise.
Sempre vivi em crise. Queria viver ao menos um dia da minha vida em que não houvesse crise.

Crise! Crise! Crise!
A crise é filha de uma puta que é a conjuntura!
A crise serve todos os interesses;
conforma os pobres - incha os ricos;
contém os que protestam - alivia os que mandam;
açaima os que trabalham - solta os que exploram;
justifica a miséria - tolera o enriquecimento;
dá mote aos poetas - torna brilhantes os comentadores.

Crise! Crise! Crise!
Palavra banal quando é dita, palavra que irrita, palavra que justifica.
Está instalada a cultura da crise!
Em nome de todas as razões, em nome de todos os interesses, a crise serve e a crise castiga.
Não há nada mais fácil nem mais lucrativo do que gerir em estado de crise,
serve o governo, serve os que mandam, serve os que podem,
em suma, serve a selva capitalista.

Pois então que a crise exploda de uma vez por todas!
Estou farto de ser cidadão pacífico!
Que rebentem os locais de trabalho, os locais de férias e as ruas!
Que rebentem as escolas, os hospitais e os tribunais!
Que rebente o povo e que eu dele rebente!

Crise!... Crise!... Crise!...
A culpa é filha de uma puta, a conjuntura!...
Os intelectuais  falam baixinho entre eles, num canal de televisão que ninguém vê! Falam de fins. Para eles está tudo em fins, acabaram as ideologias, as lutas, os direitos, acabou a História !

Nas veias dos políticos corre o sangue sólido de actores que trocam de papéis e de adereços, que lançam vozes na sala para ouvirem os seus ecos, que lambem os seus espelhos, que abrem e fecham o pano ao ritmos dos seus discursos, que representam personagens e fantasmas provocando a sonolência dos espectadores. Mas um espectador, mesmo entre sonos, bate sempre palmas! E, se os ratos do velho teatro lhe roerem os pés, julgará sempre que é comichão dos sapatos! Nem que esteja descalço!

E depois, nos camarotes, entre cenas de interesse, de prazer e coscuvilho, estão jornalistas, banqueiros, empresários, proprietários, juízes e generais e outros mais a sombrearem, com gestos e acenos, a pequenez da plateia submissa, reverente e admiradora, sempre disposta a sonhar com um lugar nos camarotes!...

Ai! Onde é que eu ia!? Falava da cultura da crise!...
O estado da crise já compete com o estado do tempo quando falamos para alguém sem tema de conversa. Em todas as conversas, pressente-se, que a última coisa que queremos saber é a a verdade.
- Crise? Qual crise? A financeira, a económica, a social, a política, a democrática, a do petróleo, a sectorial, a nacional, a internacional ou a da justiça?

Eu quero que se lixe a crise eu vou mas é ver o Benfica!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

7 anos numa J7

Esta história, pela sua natureza de blogue, tem invertida a ordem cronológica. Deve, por isso, ser lida da mensagem mais antiga para a mais recente. Trata-se de um relato que ficou incompleto porque me estava a fugir a boca de mais para a verdade.