segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sete Pés Cinco

Quando chegou ao albergue percebeu que a nova companheira já estava deitada. Enrolou-se no saco cama preocupado com o facto de poder ressonar e incomodar. Não viria a pregar olho, os ruídos da festa e a ansiedade da caminhada não o permitiram.

Seriam seis da madrugada quando pressentiu a partida da francesa. Sentiu-se feliz e aliviado por poder preparar-se em solidão. Com a trouxa pronta, desceu as escadas e sentou-se cerimoniosamente à secretária para assinar o livro de registo e carimbar a credencial de peregrino. Escreveu, como viria a escrever em todos os livros do Caminho, o nome dos Sete Pés, sem qualquer outra referência a não ser a da nacionalidade de origem. Fixou o nome que o precedia na lista: Marie France.

A cidade estava ainda deserta e denunciava a noite de festejos, quando os sete pés de Sete Pés se fizeram ao Caminho. O Pé de Meia, o Pé Chato e o Água Pé queixavam-se do pequeno almoço e do preço. O Pé de Atleta e o Pé de Vento pareciam cavalos a galopar pelos campos. O Pé Descalço e o Pé-Ante-Pé mediam cada passo e apontavam as vieiras estampadas em azulejos que indicavam o Caminho de Santiago.


Ainda não havia uma légua de caminho e já o Água Pé e o Pé Chato reclamavam por uma paragem onde o corpo fosse recompensado. Uma mercearia de aldeia apareceu na hora certa, uma sandes de “xamón” e uma “cerveza” prepararam os pezinhos para atravessar a monotonia do longo Polígono Industrial Las Gándaras. Não era aquilo que se esperava do mítico caminho, os pés começaram a desentender-se e armaram um pé de vento por causa dos diferentes ritmos de andamento.
Ao fim da estrada que serve o complexo industrial, um complexo de nós encontra a auto-estrada e a carretera nº550 que servem a Galiza de alto a baixo. Entre as poeiras, os ruídos e os rails, sobranceira a um viaduto e isolada, uma casa de rés-do-chão a duas águas, uma taberna quase portuguesa e uma mulher quase minhota a aviar, resistem. O cenário pôs de acordo os sete pés e, ali mesmo, no silêncio do corpo a que pertencem, entre perguntas e respostas circunstanciais com a taberneira, ditaram regras e sentenças uns aos outros.
Saíram de acordo quanto ao facto que seria de bom viajante ir recolhendo informações, expressões e alimento, parando em todas as tabernas que aparecessem pelo Caminho. Não era só o Água Pé que gostava de tabernas, todos os pés gostavam, não porque gostassem de vinho mas porque das recordações de infância, a taberna lá do sítio que não gostara de engolir o facto da Puta ter dado à luz um filho, era o único local público onde Sete Pés pudera aprender e exercitar um pouco de vida social. A mãe mandava-o ir comprar tabaco, fósforos ou uma lata de atum e ele lá ia preparado para as graçolas dos fregueses e para reagir às suas tentativas de tirar nabos da púcara acerca das andanças da mandatária da compra. Por vezes, aviado e com troco, saía de corrida sem dar troco às provocações. Outras vezes dava-se ao jogo e elaborava inteligentes respostas e mentiras.
Para além de razões saudosistas, encantava-o também o romantismo, a austeridade e a humildade das tabernas: o calor do vinho, gerador de conversas, discussões, desgarradas e às vezes também de zaragatas; o balcão cheio de manchas que nunca era pintado, dois ou três bancos mochos, três ou quatro fregueses, quatro ou cinco pipos e cinco ou seis produtos - vinho, tabaco, fósforos, latas de conserva, amendoins, castanha pelada e pouco mais. Aos Domingos também havia tremoços.
- Por pensar nisso, já se comiam uns tremoços!...

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Na próxima semana há mais. Pode ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Obras no sotão

Há sempre uma folha dobrada num livro que não se abre há muitos anos:
Nos tempos que correm
I
Estou lúcido demais para gritar.
O sangue dói demais
Porque é feito de maravilhas e desastres
que os olhos, sempre os olhos, forçam a entrar

Versos?! – Versos não,
que já passou o tempo em que tudo foi dito,
de modo que, NOS TEMPOS QUE CORREM,
não convém falar

II
Se dentro de três dias a Virgem não me aparecer no olival,
faço-me sapo,
fumo um mar de charutos
e rebento...
-Olé! Pelo menos foi o que me disse o Presidente quando lhe contei
não haver grito nem voz,
nem deus que me contente!...
Percebo muito pouco da vida para entender as palavras dum homem do Poder
mas o senhor Presidente não me ia enganar!
-Não restam dúvidas! Estou tramado! Três dias de vida meu Deus!
Só porque nasci ontem e, entretanto, perdi o norte à minha origem!

- Errar é humano! (diz-se que os astronautas não podem errar)
Mas errar por essas ruas e encontrar um panfleto:
PROCURA-SE BICICLETA DE CORRIDA CINZENTA MGR-12-85
entrar em casa,
pôr-se em pelota,
não encontrar o sofá,
ficar desesperado,
fechar-se no quarto de banho,
esconder a chave,
escrever este texto,
dormir no banheiro,
acordar afogado,
sair pela janela,
apresentar-se ao trabalho,
- não é humano, aconteceu-me a mim! (logo eu sou um psiconauta)

“-alucinado!...
não há virgens,
não há reencarnações
e, embora existam sapos que incham,
não rebentam!...

muda de casa,
compra um chapéu,
faz-te um homem,
NOS TEMPOS QUE CORREM
os poetas têm que parar,
e cura-te! cura-te, que a vida são três dias!”

- disse-me isto, o Sol...
acendi um charuto e pensei para comigo:
estou são e sóbrio...
estou quase “O HOMEM IDEAL”...
MGR-12-85

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Limpando o sotão

- Esta sebenta vai para o lixo mas este papel fica:

Os vencidos da vida
Os olhos vermelhos, pequenos e distantes
-espelho baço.
As mulheres frágeis, vazias e amantes
-que estimulam.
O passo dos homens de sucesso e elegantes.
- Que importa o resto?! Frias e mundanas são todas as coisas!

Os campos, verdes, grandes e gigantes
- o horizonte.
As ceifeiras cantando canções dantes
- ecoando.
Os dentes dos poderosos e importantes
- os servidos.
Tu, a outra, o outro e a puta desta vida.
A porta da traição é o escape dos vencidos.

Quero todos os campos cobertos de videiras!
Quero tudo com vinho.
oitentas

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sete Pés Quatro


Albergue de Tuy
Era Sexta-Feira Santa e em Tuy havia festa.
- Estranho, festejarem o dia do calvário!...
Entrou na catedral românico-gótica e procurou informações acerca do albergue. Era logo ali nas traseiras. A porta secular estava entreaberta. Entrou. Chamou por gente até aparecer do alto da escadaria que subia do hall para o primeiro andar, uma mulher a responder em francês. Sete Pés dizia pouco mais do que “oui”, “non”, “bonjour” e “mademoiselle”. Recordava com saudade a Violeta, a professora da preparatória que apresentara as personagens da família Dupont e seu cão Patapouf. Tirara o quinto ano! Na altura foi um grande feito para um filha da puta como ele mas era frustrante ter de admitir que não conseguia construir uma frase com meia dúzia de vocábulos e relembrar a superioridade de sua mãe no domínio do francês, ela cuja aprendizagem se deve ter iniciado na cama com turistas e emigrantes, no meio de simulações de satisfação sexual a dizer Oh Non! Oh Non! Oh Non! Oh Oui! Oh Oui! Oh Oui!

A francesa era também peregrina e fez entender que já estava instalada desde a tarde e que não vira sinais de existirem funcionários no alojamento. Esclarecido, subiu as escadas percebendo que a mulher desaparecera para a camarata feminina e que ele teria de tomar lugar na dos homens. Os dois espaços estavam separados por uma divisória que não chegava ao tecto sendo possível escutar, de um para o outro lado, os movimentos que se passavam em ambos. Não existiam sinais de outros peregrinos e as instalações respiravam austeridade, asseio, bom gosto e hospitalidade. Um duche de água quente animou o caminhante. Se encontrasse sempre aquelas condições pelo caminho seriam excedidas as suas expectativas.

Quando saiu para jantar não viu a tal senhora. Veio a encontrá-la nas ruas da cidade velha, atoladas de povo em festa. Trocaram apenas um breve e deferente cumprimento. Jantou bem, deu uma volta digestiva e regressou ao albergue.

No dia seguinte a sua forma seria posta à prova e era aconselhável deitar cedo. Caminharia triste e fechado? Caminharia alegre e aberto? Andaria devagar e pesado? Andaria depressa e ligeiro? Concluíra, em tempos, da observação das pessoas, que a forma como cada um anda em determinada andança é função da vida com que se dá a primeira passada do dia. No seu caso, possesso de sete vidas, esse espírito variava consoante o pé que andava e só se manteria constante se algum dos sete se impusesse aos restantes e tomasse o comando, o que era raro na democracia interior que cultivava. O Caminho era de todos os pés e, como tal, seria de esperar variações de humor continuadas.

Quando chegou ao albergue percebeu que a nova companheira já estava deitada. Enrolou-se no saco cama preocupado com o facto de poder ressonar e incomodar. Não viria a pregar olho, os ruídos da festa e a ansiedade da caminhada não o permitiram.
 
No seguimento do Sete Pés Três e para continuar no Sete Pés Cinco.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Andamos a fazer obras no sotão

Do Rio que, como a vida, passa…

A ti que escondes a poderosa beleza das crianças
E manténs o prazer de subir ao cume das montanhas:

Afinal não chega a ser o rio que nos separa
Nem a mesa da tua sala de jantar…
Talvez o mar, talvez a tua trança…
Ou o meu eu de desgraça,
Esta forma tão sem graça de aqui estar!
Sei lá! Que importa?!
Se a ferida não cessa de sangrar
E o meu cais tem sempre naus à porta para atracar!....
Algumas vêm do fim do oceano e partem enquanto sonho…
Outras vêm do sul e quando eu falo, vão!...
É certo, também há as do sol,
Trazem o ventre e o coração ao léu…
Ficam umas horas e vão com os pescadores
E eu fico olhando o rio… a barra… o céu…

Contigo foi diferente:
Eu parti de Sagres à aventura
E temo o fim das tardes de Lisboa, das noites de Verão…
Talvez o oceano, o sul, o sol nos desencontre…
Eu ficarei com a noite.
- E o Rio?!
1983

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Bombeiros estão bem dotados

Neste tempo de vindimas, das minhas histórias do Água Pé e companhia, dos caminhos da Galiza, estou em estado blogodepressivo de modo que só me apetece rir!
O autarca da Coruña Carlos Gonzalés-Garcés Santiso dá um bom exemplo aos nossos: riam-se!


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sete Pés Três

E assim, ganharam vida e existência sete vidas na forma de sete pés: Pé de Meia, Pé de Atleta, Água Pé, Pé Chato, Pé Ante Pé, Pé de Vento e Pé Descalço.

Agora que a mãe se finara e lhe deixara liberdade para caminhar, Sete Pés poderia deixar a terra que não gostara de sua mãe, que não gostou de o ver nascer, que não lhe perdoou o facto de não ter pai. A falecida cuidara de Sete Pés e, neste particular, do Pé de Meia, facto que lhe permitiria sobreviver durante uns largos tempos sem preocupações financeiras se, como era de sua condição, gastasse massa apenas no essencial.

Os sete pés reuniram-se numa espécie de concílio e determinaram o Caminho. Porque teria de ser tomada uma direcção, porque deveria existir uma razão, embora pouco católicos, encontraram na seguinte premissa uma boa justificação:
“- Nunca será peregrino ou caminhante o cristão que não for a Santiago de Compostela a pé!”
E foi assim que a assembleia fez caminho de pé posto e determinou esse destino! Cada pé daria os seus passos, cada pé teria as suas motivações para caminhar, entre outras: Pé de Meia iria para gozar rendimentos, Pé de Atleta por desporto, Água Pé para tascas, Pé Chato para se chatear com os outros pés, Pé Ante Pé por temor ao Altíssimo, Pé de Vento para recolher a energia do caminho e Pé Descalço para fazer turismo e ouvir canções galegas.

Pé de Meia esclareceu os seus pares sobre a herança que a mãe puta juntara e encarregou-se de fazer um estudo económico; Pé de Atleta faria a preparação física; Pé de Vento trataria da lista de vestuário; Pé Descalço dos artigos de higiene; Pé Ante Pé dos artigos de farmácia; Pé Chato e Água Pé fariam não sei o quê.

Com os pés no estribo entenderam que não seria “caminhar” andar nas estradas portuguesas e tomaram o comboio até ao Minho.
Era fim de tarde quando poisaram pés em Valença. A mochila às costas denunciava o peregrino e, já na avenida que desce para o rio, um carro parou e o condutor perguntou se era preciso alguma coisa. Que não, mas mesmo assim o homem apresentou-se como padre José Maria, pároco dali, foi ao porta-bagagem e retirou uma oferta que constava de um guia do Caminho Português de Santiago e de um folheto com salmos e orações. Deu algumas indicações, alguns conselhos e a sua bênção e partiu com ar satisfeito de quem serviu.

Satisfeito também seguiu Sete Pés até à ponte de Gustavo Eiffel. Viu o edifício abandonado da antiga fronteira atenuar-lhe os receios de, pela primeira vez na vida, entrar num país estrangeiro.
- Um país estrangeiro, não é bem assim! - Interiorizara. A Galiza é quase Portugal, da língua e de outras coisas.

Começou a pisar o passeio pedonal da ponte já noite escura, rendendo cada passo a cada um dos pés e ouvindo, de cada um, um som diferente da trepidação dos ferros mal aparelhados. Os seus passos eram o cumprimento de todos os seus desejos, pensava:
- Que mais poderá desejar um homem na vida além de caminhar?!
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Já houve Sete Pés Um, Sete Pés Dois e para a semana haverá Sete Pés Quatro.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sete Pés Dois


Não admira, portanto, que Sete Pés nunca tivesse tido afeição pelas pessoas. A mãe andava por lá na Vida e na Volta durante grande parte do dia ou da noite. A casa era pequena e sem condições e Sete Pés passava o tempo a vadiar pelas redondezas sem um amigo que lhe desse troco, sem um adulto que o tratasse por menino. Diriam os pais aos filhos “tu foge dele!”, diriam as comadres às comadres “à minha porta não pára ele!”…

Na escola foi sempre enjeitado mas aprendia razoavelmente. Com o tempo, as pessoas deixaram de o considerar perigoso e começaram a tolerá-lo da mesma forma que se toleram os cães sem dono. Quando entrou na adolescência começou a refugiar-se na música e, com catorze anos, conhecia tudo o que era música rock desde os anos sessenta até à sua época. Ouvia noite fora as estações de rádio que passavam das suas músicas e gravava cassetes estéreo a mono para duplicar a sua capacidade de armazenamento. Estes gostos e conhecimentos ainda lhe trouxeram um ou outro laivo de amizade mas Sete Pés não fora formado para valorizar o convívio ou a amizade. Além da música passava o tempo a caminhar. Adorava andar pelos campos a pensar e a observar tudo o que havia e não havia. Quando frequentou a escola da vila, que distava quinze quilómetros, muitas vezes aconteceu dispensar o comboio e regressar a casa a pé e, se por acaso, pelo caminho, alguém lhe oferecesse boleia, recusava-a. Ia a Fátima a pé sem ser por Fé e chegava a ir ver concertos de rock à cidade maior também à pata.

Tinha consciência de que este gosto lhe viera do facto de ter encarnado a alcunha “Sete Pés”. Aliás, ainda não teria dez anos quando se auto convenceu de que tinha mesmo sete pés embora, fisicamente, a realidade só revelasse dois a quem o via. Entendia que os seus Sete Pés constituíam uma entidade extra-física, tipo mistério da Santíssima Trindade mas, em vez de três, com sete em um ou do tipo do diabo configurado nos sete demónios do inferno.

A fantasia foi-se desenvolvendo no seu espírito e, com os anos, a sua imaginação de caminhante solitário foi criando na sua mente sete personalidades distintas que conversavam e discutiam entre si, que debatiam e determinavam a vida do ser uno vísivel Sete Pés.

E assim, ganharam vida e existência sete vidas na forma de sete pés:
Pé de Meia,
Pé de Atleta,
Água Pé,
Pé Chato,
Pé Ante Pé,
Pé de Vento
Pé Descalço.
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Na semana passada houve Sete Pés Um e para a semana haverá Sete Pés Três.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Leitão à sexta

Embora um pouco discreto e cabisbaixo o Rei continua determinado em focinhar nas cercas da república. Há sempre assunto, quando a alma não é pequena, pode é não haver tempo se se anda sem pachorra e pachorrento. Fiquemos por aqui.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Canção de Setembro

Arraial Popular e Verão

Quem são os deuses a quem se dirigem os foguetes que rasgam o ceú
Quem foram os homens que rasgaram o véu da mulher-a-dias

Canção de Setembro tentando ainda o vinho velho
pelas suas histórias, pelas suas alegrias

Desgraça de viúvos desencantados
que entregam seus cabelos à desordem
Partem os filhos homens à espera do ano de regresso
Lá para o meio da vida quando os filhos a tiverem no começo

o meu piano está coberto de poeira
e cria flores
e queria esperança e graça

a Este são dores
as cores da nossa casa

No Inverno de Paris ouvir-se-ão as melodias do Verão de cá
(a todos os conterrâneos emigrantes lá)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sete Pés Um

O Caminho do Fim da Terra

Sete Pés assistiu ao enterro da mãe acompanhado pelo coveiro, pelo cangalheiro e pelo ajudante. Recebeu os sentimentos do trio com a expressão melancólica com que sempre viveu e desceu sozinho e em paz, entre o mármore das campas, arcanjos e epitáfios, até à saída do cemitério. Engoliu, soluçando, pensamentos que se desfiavam e emaranhavam desde o dia em que nascera até às pazadas de terra que ainda ouvia ecoar.

Finalmente desapertara-se o seu único laço parental, entregue a mãe, sentia-se livre para enfrentar o mundo e a vida. Adorava a solidão, não gostava do lar nem do trabalho, adorava correr mundo, amava a liberdade da aldeia mas detestava os preconceitos dos aldeões que o detestavam por ser filho de quem era.

De pequeno, recordava os tempos em que os conterrâneos o corriam à pedrada e o tratavam por Filho da Puta. Como ele fugia com desembaraço e porque, a certa altura, talvez tivessem achado demasiado cruel a alcunha, começaram a chamar-lhe o Sete Pés. Certo é que a sua presença não era desejada à porta de ninguém. Enquanto cresceu, Sete Pés foi percebendo que, apesar de frequentemente ouvir chamar filho da puta a muita gente, o seu caso era mais sério, ele não era um filho da puta qualquer, a sua mãe era mesmo puta de ofício. Ora, nada mais trágico do que um menino tomar consciência de que é filho duma puta e, ainda por cima, ser conhecido e tratado por Filho da Puta.

Não seria só pela mãe que era corrido; por vezes tinha fome e roubava fruta. Uma vez roubou um par de calçado, facto que lhe valeu a fama de larápio. Aquelas sapatilhas estavam mesmo a pedi-las: as duas, lado a lado, no arrebate da casa a apanhar sol, com ar de quem não entrou para tomar ar e não sujar o chão finório, a olharem para os seus bonitos pés descalços e zás, toca a correr a sete pés, rua abaixo. Quando encontrou um local recatado para as experimentar teve um laivo de consciência e deixou-as ali mesmo:
- Gaita para os meios pequenos, não as posso usar, o dono vai reconhecê-las!
Alguém o viu correr com elas na mão - uma aldeia pode parecer deserta mas existem sempre olhos vigilantes por detrás dos postigos, dos muros, das moitas ou das ovelhas – e Sete Pés acabou por ser julgado por todos os que tiveram conhecimento do ilícito e castigado pela acentuação do desprezo que por nascença lhe moviam.
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Depois do Quarto, da Fábrica e do fracasso da história que não consegui acabar porque não encontrei título, proponho-me a mais um folhetim. Desta vez irei até ao fim, custe o que custar. Todas as segundas! para a semana há o dois.
Abaixo os romancistas, a literatura e o desporto de competição! Isto é apenas para ver se encolho a barriga! 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Leitão à sexta

Está visto que a coisa anda mal e que não tenho coisa para escrever, por isso, fui rebuscar um leitão de 2008. E viva a porca!
Férias? Nunca passei férias! O tempo das férias levei-o sempre a amanhar o milho do Vale Grande, a roçar mato para a vaca, a tirar o esterco ao porco!... Ouvi Agosto sobre Agosto, de emigrantes e migrantes, mil e um palpites acerca da altura exacta da torre Eiffel e contemplei a cultura dos que sabem os nomes das muitas ruas e avenidas de Lisboa.
Se dum lado me ficou a ideia que a tal torre deve ser mesmo muito alta, do outro ficou-me a resposta que se dava à desgarrada quando se perguntava quantas as ruas da cidade maior: "Quantas ruas tem Lisboa / eu te vou “ispelicar” / tem metade ao comprido / outras tantas a atravessar"
Neste vai e vem de uns e no ficar sempre por cá de outros, ganharam-se muitas palavras novas e perderam-se as nossas. Apareceram muitas máquinas novas e desapareceram as noras e os burros. E fiquei eu, até um dia destes, contente por as coisas terem evoluído ao ponto de eu ter um blogue e de nele escrever sobre nada, por tudo e por nada, e à sexta...

Esta coisa de escrever é como dormir. Dorme-se sempre sobre alguma coisa: sobre a enxerga, sobre o chão, no sofá, ou sobre a amada... escreve-se sobre a mesa, sobre o papel, nas costas de outro, sobre porcos... mas nunca sobre nada! A não ser que escrever sobre... Não, hoje não vou falar de Sócrates!...


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Uma ternura de notícia para uma pessoa que não está bem

"O dispositivo de combate a fogos no Gerês actuou para proteger pessoas e bens"
Ao autor da frase desculpa-se! É ministro de Sócrates! Mas que dizer da comunicação social que lhe dá destaque?!
Vou voltar a escrever a frase para meditar mais sobre o seu conteúdo:
"O dispositivo de combate a fogos no Gerês actuou para proteger pessoas e bens"

Variantes da notícia:
Dispositivo protegeu sempre pessoas e bens
"O dispositivo reagiu protegendo sempre o essencial, pessoas e bens"
Gerês: primeira missão era «proteger pessoas e bens»
"A nossa principal preocupação é salvar pessoas e bens e tudo correu bem nesse sentido"
"A nossa primeira preocupação quando é um fogo florestal é salvar pessoas e bens."

Para a desgraça não ser tão grande deveríamos ter também um dispositivo de combate que actuasse para proteger as coisas que não são bens, nem pessoas ou talvez ter um ministro que estivesse bem.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Povo e o Fogo

Ai que arde tudo! Ai que arde tudo!
Olhem-me além aquelas chamas!
Ai credo tanto fumo! Se não houvesse vento!...
Olhem-me aquelas casas e cabanas lá ao fundo!
Não sei se irão a tempo! Está um tempo quente como brasas!
Olhem-me aquela gente! Isto é o fim do Mundo!
Ai que aflição! Não sei que diga mais!...
Olha os bombeiros! Uhhh! Olha o avião! Brrum!
Ardem pinheiros, pinhas e pinhais!
Salve-se quem puder! Salve-nos Deus!
O Estado devia de... Deviam os bombeiros...
Isto devia de ir à televisão!
Olha o avião! Brrum! Um carro de bombeiros! Uhhh!
Ai credo tanto fumo! O prejuízo que aí vai!
As oliveiras que ardem nunca mais dão azeite!
Coitados dos pinheiros! Faltam bombeiros! Uhhh!
Dêem-lhes água! Coitados oh! Dêem-lhes leite!
Isto é o Inferno! O Sol desapareceu!
Olhem-me os céus! Ai Deus!
Ai que arde tudo! - Ardeu.

O senhor ministro, no princípio de Agosto, elogiava a eficiência e dizia que a área ardida era inferior à do ano passado. Em meados de Agosto o senhor ministro garantia eficácia e afirmava que a área ardida era inferior à de dois mil e três. Em finais de Agosto o senhor ministro reconhece que nunca ardeu tanto mas que também nunca as condições foram tão adversas, congratulando-se com a eficácia das medidas do seu ministério, assegurando a inocência do primeiro ministro e registando a preocupação do senhor presidente da república! Em Outubro o senhor ministro acabará a dizer: a Rússia teve mais área ardida!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pata Negra em Filme

Enquanto a Tristíssima Trindade, o sham pum três em um, os três dos três tristes partidos socialistas portugueses, o PS Triste Alegre, o PS Nobre Soares e o PS Defensor de Sócrates, se degladiam na invenção da Tetratíssima Tetraindade, um andor com três tristes rosas enfiadas num Cavaco, Pata Negra de Megafone em Punho anuncia:
- Ainda a Procissão Vai Nu Adro!
Porque calou a comunicação social este filme?!
O filme, sucesso em Cannes e proibido, fala do Rei dos Leittões, Alegre em terra onde os Porcos não se comem, Nobre em terra onde os Porcos são Reis, Defensor de Moura, Barrancos e Olivença e que, se mais fita e crença houvesse, enfiava aos três um Cavaco no buraco de onde vem merda!
Merda de País! Vota Pata Negra! Porque nem todos os porcos são iguais!...
Isto não é montagem:


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ainda bem que não há fogos

A Rússia está a ser assolada por grandes incêndios e Vladimir Putin tem aparecido no terreno a reconhecer a gravidade da situação, a ineficácia dos meios de combate e o apoio às populações afectadas. Ainda bem que por cá não há incêndios de grande gravidade, graças à eficácia das medidas tomadas, e as populações não precisam de apoio porque assim o primeiro ministro não precisa de aparecer.

Alguma comunicação social, em vez de passar reportagens da Rússia, passa reportagens de pequenos focos de incêndio em Portugal mas a verdade virá sempre ao de cima e, com as primeiras chuvas, o primeiro ministro virá à televisão dizer que todos os focos estão extintos e que a área ardida foi bem menor que o ano passado nem que, para existir alguma verdade ao de cima, tenha de se referir apenas às Berlengas.

Rematará o seu discurso assim:
“Fica agora evidente para todos os portugueses de boa fé a enormidade das calúnias, das falsidades e das injustiças que sobre os incêndios foram insistentemente repetidas durante os últimos meses, muitas vezes com um único objectivo: o de me atacarem politicamente e pessoalmente”.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O traçado da IC

(da explicação da imagem da postagem anterior)
- Os gajos explicaram-me, isto é o Ponto de Encontro 736. Se algum gajo se aleijar tem de ser trazido para aqui porque é aqui que vem ter a ambulância!

Tó Zé, o esclarecedor, nasceu aqui, cresceu aqui, aqui aprendeu a tratar do gado, do pasto, da vinha e do vinho. Nunca desenvolveu sonhos de sair daqui, nem mesmo quando, há quinze anos, a asfaltagem da estrada permitiu que aqui chegasse o primeiro automóvel. Com a estrada asfaltada um tipo adoutorado, amante do sossego, comprou aqui um terreno e fez uma casa. Tó Zé e a mãe viúva aprenderam a ter vizinhança e cuidam dela como uma horta. Não há muros entre os dois lares que se completam harmoniosamente com conhecimentos, haveres, gatos, galinhas e copos.

Tó Zé, amante do gado, da terra dura e do sítio com vista para um pedaço de Portugal, herdou uma parcela e comprou outra. Nelas estabeleceu a sua criação de gado bovino e caprino. A coisa não dava para muito mas dava para viver intensamente as alegrias e chatices da sua vocação de pequenino.

E não é que o raio do traçado da estrada lhe acertou ao comprido na propriedade, atirando uma borda de nada para a metade que vai ficar do lado de lá e quatro metros quadrados - quatro metros quadrados, reza a escritura já lavrada - na metade que fica do lado da casa da mãe?!
- Antes queria que tivessem feito aqui um rio! Pelo menos podia comprar um barco para atravessar com a tratorinha para o outro lado! Já viste? Fiquei sem nada! Para que porra quero eu o cheque? Nem dá para ir ao Brasil buscar uma brasileira! Vamos mas é beber um copo que este ano ainda há vinho! Para o ano, nem isso!

Chegaram hoje as máquinas, começaram a tombar árvores quase tão impiedosamente  como os homens que riscaram no mapa a estrada a passar por aqui. São dias trágicos. Dizem que a IC vem desenvolver não sei quê em nome de não sei que progresso, que vem de não sei onde e vai sei lá para  onde, que custa não sei quanto, pago por não sei quem e que tem de estar pronta antes que chova!
- Já viste a minha vida!? Eu já tinha ouvido falar de icês mas nem sequer sabia que eram estradas! Traçado de IC!? Pensei que era alguma marca de gasosa! Como não gosto de estragar o vinho, gosto dele simples, pensei que não era nada comigo! Afinal traçaram-me foi do mapa a mim! E já me disseram que são estradas tão boas que nem podem andar nelas as tratorinhas!... É assim a vida do "home" pobre!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ponto de Encontro

Esta vida está cheia de símbolos e sinais. Alguém foi colocar este a 30 metros da minha porta, ao fim do beco em que vivo. Alguém me é capaz de explicar o que é que isto significa?!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sondagens só para alguns

Depois dum fim-de-semana agitado por arraiais de campanha, eis-me a falar dos outros.

Segundo a sondagem TSF/Diário Económico:

Cavaco – 67%; Alegre – 20%; Nobre 10%; Moura 0,7%. Tais resultados significam que neste momento os candidatos de direita totalizam 97.7% das intenções de voto. Restam 2,3%  para o tradicional candidato comunista, para o Garcia Pereira, para o D.Duarte, para D.Pata Negra e para brancos e nulos?!
Estas sondagens não são sérias nem isentas. Se propuserem às pessoas escolher entre quatro melões, elas escolherão aquele cuja casca lhes for mais familiar. Mas se lhes derem a oportunidade de escolher entre quatro melões e um porco, obviamente que escolherão o porco. A não ser que sejam talibans e, nesse caso, acabarão por ser bombardeados pela aviação norte-americana.

Estes quatro são apenas as quatro patas da mesma porca. Eu sou o porco. Vou cobri-la. Não permitas que limitem as tuas escolhas.
Pata Negra, um presidente só para alguns.

domingo, 1 de agosto de 2010

Na praia com o candidato

Portugueses e Portuguesas do sexo masculino e do sexo feminino.
Regresso mais confiante na vitória, isto apesar de não ter conseguido uma única assinatura de apoio à minha candidatura.
Imagem adulterada daqui
Há um século que este povo solarengo vem intensificando e modificando a tradição de passar férias nos areais. Assim, por esta altura de verão, meio Portugal passa boa parte do dia, em cuecas de licra ou tirilene, a fazer castelos de areia, a molhar os pés e o que cada um tem, a ler a Bola e a TV Guia, a ouvir a conversa do lado, a invejar as mamas do lado, a falar de nada ou de papo para o ar.
Dizem que vêm para ali apanhar ar e apanhar sol! Esta gente nunca apanhou azeitonas, nem túbaras, nem peixe, sacrifica-se um ano inteiro no apanha aqui, no apanha dali e a apanhar bonés para terem a sua semana de êxtase a apanhar ar e sol – por hora, das poucas coisas que ainda não pagam imposto. Sabem que na retaguarda, aqueles em quem votam e que passam o tempo a criticar, lhe estão a tratar do emprego; sabem que por incúria o país, que tanto dizem amar, está a arder e o primeiro ministro poderá estar no Uganda porque não é bombeiro mas, tal muçulmano que cumpre a sua Meca, nada é mais importante do que apanhar ar e sol na certeza que dessa faina terão muitas para contar durante todo o ano.

Percorri quilómetros de praias com uma capa na mão e um bloco A4, abordei milhares de veraneantes pedindo uma assinatura – nem uma! As mais diversas respostas, expressões, olhares, risos, amuos, ofensas, palmadinhas, esguios, ignorações. Podem imaginar!
Um tipo que estava a jogar ao jogo do galo com a sogra com conchinhas deu-me esperança:

- Bom dia! Eu sou o Pata Negra, Rei dos Leittões, candidato à Presidência da República e teria muito prazer em ter a sua assinatura como subscritor.
- Um senhor é um dromedário de duas bossas!
- Um dromedário de duas bossas?! Está a querer dizer-me que eu não existo?! E o senhor anda a papar a sua sogra!
- A papar?! O senhor está a chamar-me bebé?!

E comecei a correr praia além a caminho de Belém.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A grande marcha do candidato

Imagem do Fliscorno


Enganam-se os que pensam que alguém pode parar esta fuga para a vitória.
Como candidato vou jogar mais uma cartada que tenho na manga.
Voltarei vitorioso.
Esperem uns dias.
Só pararei onde Portugal acabar.
Espero milhares e milhares de pessoas seminuas à minha espera!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os soldados também sabem discursar

Anda por aí este vídeo:
"Discurso de um soldado americano, (vejam antes que o vídeo seja banido da net.) O soldado apareceu morto meses depois do discurso. A autópsia revelou ter sido um ataque cardíaco ( depois de um discurso desses, é difícil acreditar em ataque cardíaco. A menos que tenha sido provocado... não seria de estranhar)"

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mais uma grande não apreensão de droga

922 carros?! Isto é um país ou é um cartel?! Anda tudo drogado?!
A palavra ao Corta-Fitas:
A compra pelo governo de 922 automóveis para seu uso entre 2008 e 2010, os piores anos da crise gerada pelos socialistas e agravada pela crise internacional;
A miseravelmente enganadora e profundamente triste explicação do governo de que se trata, não da compra de carros, mas de «actualização do inventário»;
A ideia profundamente socialista de que na compra de 922 automóveis de luxo novos para uso dos governantes não se gastaram dezenas de milhões de euros, mas antes se «pouparam» 3 milhões (em relação ao gasto maior que poderia ter acontecido, reparem), porque a compra foi feita centralizadamente;
...
Mais trágico do que o facto é existir eleitorado que o tolera! Eles consomem coca não apreendida, o povo consome o ópio nosso de cada dia!

domingo, 11 de julho de 2010

Mega, giga e tera-agrupamentos

Mega, giga e tera-agrupamentos criados por micro, nano e pico razões.
Já estamos habituados a que o governo apresente razões esfarrapadas para as medidas mal pensadas com que vai desgovernando. Em muitas delas, a motivação “poupança” é logo posta em cima da mesa, negada por pudor político pelos ministros mas atirada pavlovamente por oposições, partidários e populaça, o que acaba por jogar sempre a favor do governo:
- Pois é pá! Não há dinheiro! Os gajos têm de cortar em algum lado!

E assim se diz também no caso dos mega-agrupamentos escolares. Ora, para mim, essa aqui não pega. Nada se poupa na criação de entidades administrativas com 3000 alunos e 600 professores, é mais fácil alimentar uma capoeira do que um monstro, uma vara do que um “Vara”. A razão esfarrapada da parte do governo é que esta medida vai permitir que um aluno entre num agrupamento com 3 anos e só de lá saia aos 20. É a imobilidade escolar dos filhos a compensar a mobilidade laboral dos pais.

Dizem alguns que por detrás desta medida está a intenção de esvaziar o significado histórico da escola pública, esvaziando o conceito formativo de escola e promovendo a entidade inócua e plebeia do agrupamento/ajuntamento. No futuro não se perguntará “em que escola estudaste” mas “em que agrupamento andaste”. Como não acredito que exista no partido alguém com profundidade ideológica para tanto, não vou nessa.

Outros, dizem que tudo isto está a ser feito meio em segredo e à pressa para criar o cargo de grande director, com direito a motorista e reforma vitalícia, e arranjar lugar para a "boyzada" antes que a vaca mude de quintal. Um partido referenciado nos valores irrepreensíveis que vão de Mário Carlucci Soares a José Pinto de Sousa, de alcunha o Sócrates, nunca faria uma patifaria dessas.

Ora, na minha suína opinião, este é mais um caso que indicia a chegada de um carregamento de coca a Lisboa. Isto é mais ou menos assim:
Enquanto a malta da rua se organiza em gangs, fuma uns charros e diz:
- Eh pá, há muito tempo que não vamos fazer merda ao Mega-Bar! Vamos lá hoje virar umas cadeiras?
A malta da alta dos corredores da Alçada Rodrigues, snifa uns pós e
- Eh pá, há muito tempo que não damos uma golpada na educação! Tens alguma ideia?!
- Eh pá, que tal se desfizéssemos os agrupamentos feitos há dois anos e fizéssemos mega-agrupamentos?
- Porreiro pá! O “mega” dá um toque de novas tecnologias à coisa e é medida para aquecer sindicatos, presidentes de junta e divertir a malta!
- Este pó dá cá uma pica!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

E se metessem o chip no

Os senhores podem portajar,
as estradas, os carreiros e as pontes,
as fontes, os rios e as praias,
os campos, as manadas e os estrumeiros,
as saias da vossa mãe e o cu dos vossos santos tios.

Podem portarjar também senhores,
os castelos, os túmulos e os museus
as igrejas, os túmulos e os mausoléus,
os hospícios, os hospitais e os parques,
as hortas, os tomates e os ceús.

Ponham portagens em todos os carreiros,
nas "ás", nas "bês" e nas "icês",
para vespas, cavalos e ovelhas.
Mas não me acabem com os portageiros,
nem me ponham chips nas orelhas.

É que eu gosto da oralidade de dizer e ouvir "bom dia" durante a viagem
e, só para isso, vale a pena encontrar uma portagem.

Prefiro a medicação oral e ouvi dizer que os chips são ogivais!
Pronto, está-me a dar para isto, estou quase a dar com o título,
não escrevo mais!....

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Portugal foi iluminado?!

Nestes últimos dias não tenho feito nada porque não tenho tempo para nada, não tenho pensado porque não tenho cabeça e não tenho dado de comer ao blogue porque não.
Hoje, ouvi falar por toda a a parte que Portugal foi iluminado pela Espanha. A princípio pensei que tinha a ver com o mercado ibérico de energia. Só mais tarde percebi que se tratava de um jogo da bola! Um tipo que não percebe nada da gíria futebolística pode ser homem?
Agora percebo porque, à noitinha de ontem, a minha vizinha me perguntou, quando me viu de mangueira na mão:
- Então anda a regar e não vê Portugal ?!
E eu na minha inocência, convencido que era mais uma das suas desajeitadas tiradas:
- Não vejo outra coisa à minha volta! Nem que subisse ali à serra de Sicó, só veria território nacional! Já enjoa!
Agora percebo outro zum zum! De facto, não fazia muito sentido aquilo que percebi noutra conversa, que o Eça de Queiroz tinha tirado o Victor Constâncio do banco de Portugal! Não, tudo está relacionado com um jogo da bola que uns rapazolas de ambos os países jogaram e, ao que parece, os portugueses foram iluminados!
Só não percebo é como é que esta gente, cujo gosto musical passa por um estranho instrumento que tem o sugestivo nome de vulvadela, que passa a vida a repetir o ordenado do Futre e a contar cromos do mundial e  cuja principal receita para resolver o problema nacional passa pela soberania do rei de espanha, se sente quando, na terminologia deles, Portugal joga com Espanha! Então ó gente, se fosse tudo junto como é que poderia haver o jogo?! O melhor é continuarmos separados para poderem ver o Portugal-Espanha.
Estas coisas digo eu que de futebol apenas sei dizer que a bola é redonda e que de Portugal sei que é o segundo maior país da Península Ibérica.

Entretanto, continuamos à frente da Espanha, não temos regiões mas, como estamos em crise, temos dois primeiro ministros e o Mário Soares, os três iluminados.


domingo, 20 de junho de 2010

Rica prenda

- Pai, vou fazer anos, ofereces-me um MP4?
- Um MP4? O MP4 dar-to-ei quando casares ou mesmo que não cases, desde que não te “celibates” por optares pela vida religiosa!... Um MP4?! Porque não um hamburguer?!
- Lá tás tu outra vez com a tua mania de que as prendas têm de ter utilidade!
- Pois desta vez vou oferecer-te uma inutilidade, uma coisa que apenas servirá para te lembrares sempre de mim, algo que mostrarás aos teus netos e os teus netos aos seus netos, fazendo sempre referência ao antepassado "eu"!

E assim foi, falei a uma retroescavadora e fui a um sítio do vale onde jazia uma pedra cilíndrica, grande demais para ser marco, pequena demais para ser menir. Ou melhor, um grande marco para assinalar um aniversário, um pequeno menir para sinalizar uma geração.

A máquina ergueu o monumento no quintal, chamei a moça, abraçou a prenda e gritou de emoção:
- Tenho um menir! Tenho um menir!
A moça já é uma rapariga, sabe o que é um menir e sai aos seus, gosta de coisas simples e também tem uma pedra!

A foto da cerimónia:
Adivinhem quantos anos fez?! Quem adivinhar pode casar com ela… se ela quiser! Mas que não seja pelo MP4!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Coisas da minha mãe (2)

No final dos anos sessenta um rapaz ia para França trabalhar e, ao fim de poucos anos, fazia uma casa estilo “maison” com janelas “a la fenêtre”, organizava uma festa de casamento de três ou quatro dias e partia de novo levando consigo a rapariga com quem se havia escrito.

Como quase toda a gente lá da aldeia, eram primos afastados mas só por especiais afinidades a minha mãe acedeu ao convite. Pela dimensão da boda anunciada, a visita aos noivos devida iria esfrangalhar o magro orçamento familiar. Lembrou-se então de uma das dela. Para reforçar o montante da visita, ofereceria ainda um par de galinhas, sabendo de antemão que a casa nova não tinha capoeira e que, nessa situação, a noiva teria das ir entregar à guarda da sua mãe.

E assim foi, entregue a cesta, a rapariga pegou nela agradecida e, toda contente e ao ritmo dos caracácás, dirigiu-se à sua casa de solteira:
- Oh Mariazinha mas eu estou a reconhecer estas galinhas! Estas galinhas parecem-me das minhas! Quem tas deu?
- Foi a mãe do João!
- Não digas mais, está tudo dito! Deixa lá que não as pôs em saco roto! Hei-de pregar-lhe uma partida que ela nunca mais irá esquecer!...
E era assim que se fazia alegre a vida!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Coisas da minha mãe (1)

Levantava-se muito cedo, isso sim, três, quatro, cinco da manhã para ir para a Lisboa, para a Beira Alta, para a Beira Baixa. Chegar tarde era raro. Se tal acontecesse aguardaríamos de orelhas esticadas o apito poderoso da Scania a anunciar a sua entrada na aldeia e a pedir ceia na mesa. No pior dos cenários, a Maria Rosa, do posto de telefone público, a dar o recado de que lhe tinha telefonado a dizer que só viria no dia seguinte porque a camioneta teria ficado atolada nas lamas de Mação.
Mas o vício da sueca, às vezes, também fazia das suas.
- Já que o pai nunca mais chega vamos comer nós, meninos!
Agradecida a refeição ao Pai do Céu, a mulher pôs-se a preparar a do pai da casa. Composto o tacho das migas, aconchegou-o com os frascos de condimentos e utensílios que habitualmente a compunham, a alcofa do almoço para o trabalho.
- Vem comigo João! Guardas-me o medo! Vamos levar a ceia ao teu pai à taberna!
E lá fomos ambos, ladeira abaixo, surpreender os quatro fregueses que, sentados nas únicas quatro cadeiras, à volta da única mesa do estabelecimento, batiam as cartas tão aficionados que nem pela fome davam.
A chegada de mulher e filho, marcou surpresa, concentrou olhares mas não anunciou grandes problemas:
- Ah mulher do diabo! Não me digas que lhe vens bater?!
Quando a alcofa pediu lugar na mesa, as gargalhadas interromperam definitivamente a jogatana mas o esposo não se sentiu troçado, antes se dispôs de imediato à refeição e largou orgulhoso aos companheiros uma cara que perceptivelmente queria dizer “vocês gostavam de ter uma mulher assim!...”
- São servidos?!
- Vamos mas é acabar com isto que se a minha vier traz é a vassoura!
Eis senão quando, depois do entusiasmo das primeiras garfadas se sentiram umas couves cruas entre os dentes para logo de seguida se descobrir que só por cima a comida era de gente. E, sem pensar no que dizia:
- Ah mulher dum cabrão que querias que eu comesse a lavagem do porco!
Com mais um coro de gargalhadas, comentários e impropérios, compôs-se a partida e regressámos ao lar todos bem dispostos.
E era assim que a vida se fazia alegre!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Estou farto do "obviamente demito-o"

Ó Nobre, isso são banalidades! O que é ferir os altos interesses da nação? Onde é que está o risco? Esse "obviamente demito-o", na sua forma original, foi dito incondicionalmente!
Dito dessa forma, antecedido de interesses subjectivos e riscos às curvas, não diz nada! Um tipo pode dizer que "não sabia e sabia" e isso não ser considerado mentira em nome da estabilidade política. O Cristiano Ronaldo não terá perfil intelectual para querer conhecer o Nelson Mandela mas se ele disser que foi o Mandela que o quis conhecer é porque o foi e não o obrigará a fazer figura de Chico BuarqueMas mesmo que Cristiano Ronaldo tivesse mentido poderia continuar a jogar na selecção. Um primeiro ministro é que nunca! Poderia não ter ferido os altos interesses da nação porque a nação já está calejada, poderia não ter pisado o risco porque está habituado a saltá-los, mas no fim de tantas, esta faria a manchete: "Desmentido de cantor provoca demissão de governo".
O senhor Nobre teria sido claro e provaria estar à altura deste seu adversário se dissesse:
"Nas actuais circunstâncias eu demitiria o governo".
Porque sei que existem alguns portugueses que ainda não decidiram se vão votar Pata Negra ou Fernando Nobre vou ser mais claro:
Se eu ganhar as eleições, como espero, quando levantar a caneta da tomada de posse, virar-me-ei para o primeiro ministro e direi em directo:
- E tu pá, estás demitido!
Se nenhum outro candidato tem esta frontalidade é bem possível que daqui a uns meses eu tenha de mudar de casa!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A bola é redonda

nós que... acabávamos os trabalhos de casa à pressa para ir jogar à bola;
nós que... éramos obrigados ao "guarda redes avançado" ou a "quem tiver perto defende".
nós que... obrigados a "guarda redes avançado" perguntávamos "e passar de meio campo vale?";
nós que... quando se faziam as equipas se fossemos escolhidos em primeiro sentíamo-nos os maiores;
nós que... sendo escolhidos em último estávamos destinados a ir à baliza;

nós que... tínhamos sempre um apelido de um jogador importante para nos sentirmos mais fortes;
nós que... quem chegar primeiro aos 10 vence;
nós que... fingíamos não ouvir as nossas mães a chamar quando começava a ficar escuro e depois havia sempre alguém que dizia "quem marcar ganha!" mesmo que o resultado tivesse em 32-1;
nós que... vivemos o terror das botas caneleiras;
nós que... tínhamos ténis sem marca que faziam bolhas nos pés;
nós que... percebíamos o sentido das camisolas alternativas quando víamos TV a preto e branco;
nós que... tínhamos de deixar jogar o dono da bola mesmo que fosse uma nulidade e não quisesse ir à baliza;
nós que... "falta um, posso jogar?" ... "é pá não
 sei, a bola não é minha...";
nós que... "posso entrar?" ... "tens de encontrar um par porque se não ficamos com um a menos";
nós que... as balizas eram feitas com o que houvesse à mão;
nós que... mesmo vivendo um pouco longe uns dos outros, saímos sempre de casa com a esperança de encontrar os amigos com a bola debaixo do braço....
O essencial deste texto  circula pela web com diferentes adaptações sendo difícil identificar o autor. Pareceu-me honesta a referência que liga a sua origem à tradução de um e-mail em italiano. Eu também abusei mas deixo o mérito ao autor desconhecido que, se der por isto, que se acuse!


agora o futebol é outro, muito mais interessante e alienante,
agora praticamos o desporto, de média na mão, frente à TV,
agora é muito importante saber quanto ganha o jogador, 
- é também muito importante que o puto tenha como referência o Cristiano Ronaldo!
- o puto não dá na escola mas ia ser um grande jogador se não fosse uma lesão!

há violência?! paciência!
há corrupção?! onde é que não?!
é ópio do povo?! é ócio e distracção!
é só para homens!? também o sacerdócio! 

nos próximos tempos estamos todos a olhar na direcção do Cabo das Tormentas a pensar em Portugal, como se Portugal se reduzisse a uma equipa de futebol, como se fosse possível cumprirmos aí nosso sucesso pessoal e colectivo.
Não confundam futebol com patriotismo! Estou-me nas tintas para o lugar de Portugal no festival da canção!
Estou-me nas tintas para o futebol! Serei pouco homem?!

sábado, 12 de junho de 2010

Incensurável mentira

2Ele disse que não sabia e sabia, isso não quer dizer que tivesse mentido. Até porque, se tivesse mentido, nasceria outro mentiroso que disse que apenas censuraria a mentira "do que disse que sabia e não sabia" mas que se absteria de censurar a moção de censura que censurava o caminho da estagnação económica, do retrocesso social e da liquidação da soberania nacional. 
Isto é, chegámos a uma situação em que, em nome da estabilidade política mais vale ter no poder um homem que diz que não sabe e sabe dumas coisas, do que um outro que, tal como ele, diz que sabe de soluções económicas e sociais para Portugal e que, tal como ele, escolhe o caminho das políticas económicas que se fazem com o sacrifício das políticas sociais.
Espremido este texto julgo que exprimi a opinião que também sou pela estabilidade política. A não ser que amanhã acorde num país em que as pessoas não suportem ser governados por gente que não mente e  que habitualmente falta à verdade.
Enfim,
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.]
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.]A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.]vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso ,pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

10 de Junho - Condecorem-me porra!

Ai estas carinhas, estes portes, estes fatos, estas satisfações mútuas, estas palmas, este público, este país! Eu nunca vi pátria assim tão pequena e com tantos feitos!

Olha quem está ali! O omnipresente, o opinador geral da república, o especialista de generalidades! De manhã está numa escola  a falar sobre preservativos, à tarde no grémio a falar sobre touradas, à noite na TV a falar sobre os capacetes das forças de segurança e durante a noite a escrever sobre o caso Esmeralda ou sobre as qualidades do presidente da Câmara de Santarém. Nem sei como consegue arranjar tempo para ser condecorado.
Juro que me pus ao poste por ser 10 de Junho, que escolhi este vídeo porque gosto da música e abomino os actores.  Deus está em todo o lado e o Moita Flores pode aparecer por lá. Portanto, é-me difícil justificar que não esperava encontrá-lo aqui! Veio mesmo a calhar, era para servir o filme cru, não era para escrever nada que já é tarde e já escrevi!
- Oh querida que horas são?!
- Olha, pergunta ao Moita Flores!
- Não tenho o número dele!
- Não faz mal, ele tem o teu!
Vou acabar por aqui, tenho de ir atender!

Vídeo amador do blogue http://aventar.eu

terça-feira, 8 de junho de 2010

Tirem os vossos filhos do conservatório!



Angolana?! O tipo que colocou este vídeo no youtube devia ser amarrado às cordas do violão! Segundo alertou o amigo Salvoconduto: "Ao que parece de angolana não tem nada, nem o sexo, uma vez que se trata de um homem, Ronnie de seu nome e do Botswana".

domingo, 6 de junho de 2010

Governo é criminoso ou tem o fecho aberto?!

Imagem daqui

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O governo não é o Estado. Falar do governo em abstracto favorece e iliba as criaturas que o compõem. Esta gente tem nome e a sua governação tem contornos criminosos: estão a acabar com o interior do país!

O Pintainho Sousa com os seus Sousa, Soares, Santos, Pedros, Pereiras, Augustos, Silvas, Silveiras, Teodoros, Vieiras,  Marias, Marianos, Valentes, Lacões, Mendonças, Alçada e toda a cambada, chegaram num bando de audis pretos à vila de Adantes e foram recebidos em passadeiras vermelhas protegidas do vento, por vasos de flores de plástico e com palmas de galinhas amestradas.
O mestre Pintainho falou:
- Em nome da melhoria da vossa qualidade de vida, da melhoria da qualidade dos serviços prestados, da melhoria da qualidade de acesso aos serviços, dos serviços com qualidade melhorada, da qualidade melhorada de serviços, venho anunciar-vos um conjunto de medidas que visam combater a desertificação do interior e comprovam o investimento que o governo faz na melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem no interior:
1º- Vamos fechar a escola
2º- Vamos fechar o hospital
3º - Vamos fechar o centro de saúde
4º- Vamos fechar o quartel
5º- Vamos fechar a esquadra
6º- Vamos fechar o cartório e o tribunal
7º- Vamos fechar as empresas e as pocilgas
9º - Vamos fazer aqui uma reserva ecológica e dar incentivos ao arranque da vinha e do olival
10º- Passará nestes campos uma auto-estrada com um nó a 20 Km daqui
10º- Quando houver disponibilidade orçamental faremos aqui um lar de idosos.

Seria criminoso que não tomassemos estas medidas. 

E as galinhas contentes bateram palmas, cortaram fitas como nas inaugurações e foram todos viver para a cidade de Adagora. A seguir veio o mestre Coelhinho e ouviram em Adagora, o mesmo discurso que o Pintainho lhe tinha lido em Adantes. Ficaram à toa mas ficaram na mesma contentes e então foram todos viver para Adalisboa.
Em Adalisboa há escolas, hospitais, quartéis, esquadras, tribunais, cartórios, pontes, transportes, empresas, empregos e, quando as pessoas querem ver a natureza, podem sempre passear pela auto-estrada e ver Adantes ao longe, a sonhar com o dia em que terão qualidade de vida para poderem irem passar os últimos dias da vida àquela vila onde, segundo ouviram dizer, existe um lar.
Entretanto, não tarda, mais Coelho, menos Pinto, em Adantes vive apenas um casal holandês e em Adagora o Presidente da Câmara queixa-se que já não tem eleitores.

O autor deste texto, residente em A-dos-Bácoros,  jura solenemente que não sabe onde fica Adantes e que o Chico Buarque nunca o convidou para tomar um café em sua casa.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A caminho de Belém

Escolhi-me para vosso rei, vós escolher-me-eis para vosso Presidente!
Não farei a figura triste da figura alegre que diz que fará e, ao mesmo tempo ,diz que quem pode fazer é o governo. Não terei a nobreza de mudar a minha dedicação aos outros dos confins para Belém. Não serei cavaco porque seria incapaz de pernoitar com maria.

A minha candidatura não está adormecida, eu é que tenho sono! Pedem-me ideias, promessas, programas, manifestos!... Ainda não perceberam, eu quero ser apenas o Presidente!

1- Quando eu for presidente dormirei nas arcadas da Praça do Comércio e lá deixarei toda a frota automóvel com a chave na ignição.
2- Quando eu for presidente comerei sandes de fiambre e nos faustos jantares haverá apenas vinho e pão.
3- Quando eu for presidente todos os soldados que andam em missões em países de que o povo não sabe o nome serão mobilizados para beber sagres e apanhar sol na costa.
4- Quando eu for presidente irei, como discreto cidadão, na manifestação.
5- Quando eu for presidente demitirei de imediato o governo porque quem vai mandar sou eu.
6- Quando eu for presidente não haverá perto de mim nenhum cabrão.
7- Quando eu for presidente não irei à europa porque a europa é aqui.
8- Quando eu for presidente acabarei com o dinheiro que não existe.
9- Quando eu for presidente a minha companheira nã será primeira dama porque esse assunto é meu.
10- Quando eu for presidente os meus amigos terão razões para contentamento e os meus inimigos irão viver para o Brasil.
 
Vota em mim! Não tenho ideias nem discurso articulado! Sou do povo! Sou porco no sentido poético do termo! Não tenham medo alguns! Tenham medo outros! A candidatura vai de estrume em popa!
Não me peçam ideias, nem promessas, nem programas, nem manifestos! Quem vos pede sou eu: votem em mim! Mudem o rumo da pocilga!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Acto

Eu falei que isto ia dar merda! Postei isto em 9 de Julho de 2007. O estuário do Tejo, Lisboa, o país, nunca mais foram os mesmos. Não está actual e tudo indica que já passou o orgasmo.

Legenda: não tenho pincel para mais.

Eles estão aí
Tomando posições, ocupando lugares, arrastando cadeiras!
Uns assistem, outros dão assistência,
Uns apontam notas, outros apontam o dedo!

A televisão é a ordem, a informação a fonte segura!
A estátua é outdoor, a acção é a comitiva,
A lei é o fax, o estudo, a circular!
Eles estão aí!
“Senhores à força, mandadores sem lei”…
Sócrates vive a sua grande noite! O seu acto! O país vive as trevas do seu eclipse.
A virilidade do traste está à prova. É evidente o recurso ao "viagra"! A sua esterilidade é evidente!

Há rapazes de fato preto e aprumado empunhando as velas, preparando clisteres, agarrando as toalhas, afiando as línguas, castrando os cavalos, puxando as cortinas, ligando holofotes, apagando luzes, para que Sócrates possa foder a nação! São os mordomos de companhia!
Eles andam por aí!
"São os mordomos do Universo todo"

Já ocuparam as sedes, as escolas, os jornais e a repartição!
Entram pelos arraiais de microfone ao alto,
estão na paragem auscultando a conversa,
carregam as urnas das suas vítimas,
selaram as urnas das suas escolhas.
Eles estão em toda a parte e veem na noite!
"Dançam a ronda no pinhal do rei"

A legitimidade das sondagens assegura à nação uma longa e escura noite!
Muitos preparam-se para ficarem acordados! Muitos adormecem embalados!
Uma madrugada destas a praça imunda viverá a ressaca e concluirá acerca da inutilidade da festa grande!

A arrogância da corja de Sócrates sedimenta-se na ideia da perpetuidade da sua grande noite! Os boys vão assegurando lugares seguros e reformas generosas.

Já só tenho ideias e sentimentos a granel! Entrei no estado de revolta! Acredito que em certas intimidades se esteja preparando a revolução!
Tenho de ir dormir! O acto de Sócrates é uma violação!
O seu governo está para a democracia assim como a pornografia está para o amor!

A falsa nobreza da classe da classe política! Um ciclo com fim em si mesmo!
"Vêm em bando com pés de veludo"
Eles andam por aí!