segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

27- O Caminho do Fim da Terra

Madrugaram. Antes de partirem, teriam de tomar uma decisão: o Caminho tinha ali uma bifurcação, ou se partia para Múxia e se terminava a peregrinação no Cabo de Finisterra, ou se fazia o contrário e se acabava no Santuário da Nossa Senhora da Barca, em Múxia. Pelos encontros que viriam a ter pelo Caminho acabaram por perceber que foram os únicos a escolher de Oliveiroa a Múxia e dali a Finisterra. Na justificação encontrada pelos dois, o seu objectivo final era chegar ao Fim da Terra e não ir ver o casco de uma barca de pedra em que a Virgem teria navegado para aparecer a Santiago. Acrescente-se que ambos tinham conhecimentos de física suficientes para poderem duvidar dessa da barca de pedra.

Mudando de física, Sete Pés recuperou de tal forma da véspera - o amor também faz milagres - que naquele dia só lhe apetecia andar. Parecia que os pés o puxavam para a frente e, desta vez, era Marie que ficava para trás e ele que tinha de fazer as esperas junto às sombras e junto às fontes.

Espera única aconteceu quando atingiu a primeira cumeada do caminho que deu vista ao oceano. Três pés fizeram-se crianças e ficaram presos de olhar a dizer “olha o mar”, três pés olharam para trás e gritaram para Marie “mar à vista!” e o sétimo pé, Pé de Atleta, disse para consigo, este mar é um obstáculo que nos vai impedir de continuar! Caminhar sobre as águas?! – Outra vez a física!!!...
Quando Marie se aproximou ao ponto de poderem compartilhar, ficaram ali olhando como se fosse a primeira vez que viam o mar. Sentaram-se e começaram a “divanavegar”:

- Tudo o que está à volta, o céu e os campos verdes que se estendem por aí abaixo até à costa, são apenas a moldura que se esquece quando se aprecia um quadro. E o quadro é o mar, pintado vivo, com as águas obedientes ao mando do vento, brilhando em línguas de sol reflectido, o mar. Como é possível que uma massa homogénea que se observa de longe tenha tanto para contemplar?! Que força! Quanta poesia e afinal é só água e mais água eterna e igual!
- Quando eu era pequeno cheguei a ter uma ideia de negócio genial: exportar água salgada para países sem mar!
- E se tudo o que é água fosse vinho e a água tivesse o papel do vinho?! Beber vinho, tomar banho em vinho, lavar a roupa com vinho, chover vinho, rios de vinho, mar de vinhos!...
- Cala-te! Muito vinho dá enjoo!
- Mas que jeito teria uma festa com água?!
- Daqui por uma hora, por volta do meio-dia, lá estaremos, aquela povoação que se vê além, deve ser a vila piscatória de Múxia!... Calcorreemos a parte de baixo da moldura!

Aliviaram o passo para a velocidade de burro. Melhor dizendo, como se fossem os dois de burro, com o azul do céu que dividia as copas das árvores como guia, a colherem pássaros e pêros e a separarem-nos para um e outro lado dos ceirões. Isto é, separando geografia de poesia, Costa da Muerte – assim se chama o mar onde embica a linha de fuga que o burro segue como fim – de “lágrimas de Portugal”...
E depois Maria a rematar:
- C’est la mer!
- Não pisei nada nem me cheira mal!
- Ce qu’il était?
Enfim, o mar, vida e morte, paz e tempestade, poesia e transtorno, um novo capítulo no Caminho, o mar!
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Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A última da Líbia.

Esta é a última informação que recebi sobre a Líbia. Deixou-me algumas interrogações sobre o que se estará a passar. Continuarei a acompanhar a situação.
O Rei dos Leittões apoirá todos os movimentos que aproximem culturas e civilizações. Dê um passo: deixe de comer carne de porco.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Revolução na Islândia

Texto recebido por email, na versão original francesa visitável nos sítio assinalado.

Por incrível que possa parecer, uma verdadeira revolução democrática e anticapitalista ocorre na Islândia neste preciso momento e ninguém fala dela, nenhum meio de comunicação dá a informação, quase não se vislumbrará um vestígio no Google: numa palavra, completo escamoteamento.
Contudo, a natureza dos acontecimentos em curso na Islândia é espantosa: um Povo que corre com a direita do poder sitiando pacificamente o palácio presidencial, uma "esquerda" liberal de substituição igualmente dispensada de "responsabilidades" porque se propunha pôr em prática a mesma política que a direita, um referendo imposto pelo Povo para determinar se se devia reembolsar ou não os bancos capitalistas que, pela sua irresponsabilidade, mergulharam o país na crise, uma vitória de 93% que impôs o não reembolso dos bancos, uma nacionalização dos bancos e, cereja em cima do bolo deste processo a vários títulos "revolucionário": a eleição de uma assembleia constituinte a 27 de Novembro de 2010, incumbida de redigir as novas leis fundamentais que traduzirão doravante a cólera popular contra o capitalismo e as aspirações do Povo por outra sociedade.

Quando retumba na Europa inteira a cólera dos Povos sufocados pelo garrote capitalista, a actualidade desvenda-nos outro possível, uma história em andamento susceptível de quebrar muitas certezas e sobretudo de dar às lutas que inflamam a Europa uma perspectiva: a reconquista democrática e popular do poder, ao serviço da população.   Ver aqui.

Desde Sábado 27 de Novembro, a Islândia dispõe de uma Assembleia constituinte composta por 25 simples cidadãos eleitos pelos seus pares. É seu objectivo reescrever inteiramente a constituição de 1944, tirando nomeadamente as lições da crise financeira que, em 2008, atingiu em cheio o país.
Desde esta crise, de que está longe de se recompor, a Islândia conheceu um certo número de mudanças espectaculares, a começar pela nacionalização dos três principais bancos, seguida pela demissão do governo
de direita sob a pressão popular.
As eleições legislativas de 2009 levaram ao poder uma coligação de esquerda formada pela Aliança (agrupamento de partidos constituído por social-democratas, feministas e ex-comunistas) e pelo Movimento dos Verdes de esquerda. Foi uma estreia para a Islândia, bem como a nomeação de uma mulher, Johanna Sigurdardottir, para o lugar de Primeiro-ministro.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eles comem tudo


Amigo canto e morte
maior que o pensamento
abril não morre

por mais que novos ventos se levantem
de rumo a falsas índias
levando incautos marinheiros deste cais
abril traz sempre voz

virão mais cinco e mais
cantando sim ao dizer não
virão como tu outros iguais
fazer de Maio cantiga
fazer de Abril canção

amigo canto e sempre
até
Linha do Setil- Fev-1987

Lá onde estiveres, sabe amigo que eles já comeram tudo e agora estão-nos comendo a nós! E fazem-no com o mesmo descaramento com que, depois de te verem morto, começaram a reconhecer o José Afonso e a dizerem que gostam das suas canções.
Linha do Norte, Fev-2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

26- O Caminho do Fim da Terra

Apontaram-lhe a porta da casa da camarata. Tinha dois pisos. No rés-do-chão chamou por Marie, em português, dando sinal da sua chegada.
- Maria!?... Maria!?... Oh Maria!?...

Ouviu a sua resposta do primeiro andar e subiu as escadas arrastando-se penosamente.
Ao vê-lo assim, a namorada aproximou-se dele, ajudou-o a apear a mochila e sugeriu-lhe que se deitasse. Enquanto o descalçava animou-o com o facto de todos os outros terem preferido acomodar-se no rés-do-chão. Tudo indicava que aquele espaço seria só para eles.

- Precisas de descansar. Eu vou lavar roupa. Tens alguma coisa para lavar?
Indicou-lhe um saco de plástico com roupa miúda no cimo da mochila e, mal ela virou costas, adormeceu. Já era noite escura quando Marie o acordou para que fosse tomar banho e se preparasse para jantar.

Do outro lado da rua ficavam a cavalariça, o refeitório e a recepção, a primeira de todos os albergues que se assemelhava a um posto de turismo. Foi também a primeira vez que teve de preencher uns impressos com dados pessoais e informações da credencial do peregrino. A voluntária de serviço comentou com agrado o facto raro de ver um português por ali. Estivessem à vontade e dessem uma volta que a marca da casa seria ela própria cozinhar um caldo galego para todos.

À volta da mesa da sala de jantar seriam uns quinze, uns quantos já conhecidos em Negreira, outros novos, a maioria viajantes solitários mas genuinamente solidários. Sete Pés, pela língua mãe, era o que melhor entendia o discurso da anfitriã que, no fim de confirmar a presença de todos, pousou servilmente a panela na mesa e falou de seu direito. Para terminar, pedia apenas que no final lavassem a loiça e limpassem a cozinha. Pagamentos, se alguém os pretendesse fazer, existia um mealheiro de barro junto ao fogão.
-Que refeição!
No final a autogestão dos arrumos funcionou e o convívio proporcionado estendeu-se para a rua em serão, com diálogos aprofundados ou difíceis, consoante os canais de interesses ou linguísticos abertos. Houve quem tocasse flauta e quem acompanhasse com la-la-las.

Pé de Meia brincou com Marie acerca do que pensariam os outros do par que faziam, se seriam mãe e filho, se freira velha com presbítero novo, se companheiros ocasionais do caminho, se amantes fugidos às regras dos comuns.
Marie repostou que não tinham de ser nada, que podiam ser isso tudo e que naquele momento não passavam de um homem e uma mulher a precisar de cama.

E por esta conversa se despediram dos demais. Tinham mais que fazer. E fizeram. Dir-se-ia que os seus companheiros de Caminho se haviam combinado entre si para reservarem aquele espaço e a respectiva janela em exclusivo para os dois. Ou não! Poderia ser apenas a mão do Apóstolo, ou do destino, a conceder graças aos dois. Deitaram-se num vai e vem de permutas e partilhas de leitos que faziam o jogo do enamoramento. Pelo toque dos corpos dir-se-ia que já não se tratava de uma aventura mas antes dum caso estudo de paixão.
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Todas as segundas feiras.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dia de Portugal

Dedico áquela que foi encarregada pelo médico de me vigiar um sinal nas costas.

No dia do Pai , lembro-me dos que não têm pai.
No dia da Mãe, lembro-me dos que não têm mãe.
No dia da Mulher, lembro-me dos homens.
No dia dos Animais, lembro-me dos homens.
No dia da Árvore, lembro-me dos homens e dos ninhos.
No dia da Água, lembro-me do vinho.
No dia Sem Carros, lembro-me dos cavalos.
No dia do Não Fumador, lembro-me de fumar.
No dia do Consumidor, lembro-me do Continente.
No dia da Europa, lembro-me de África.
No dia de Portugal, lembro-me dos que não são portugueses.
No dia de Camões, lembro-me de Bocage.
No dia da Liberdade, lembro-me da prisão.
No dia do Trabalhador, lembro-me dos desempregados.
No dia da Defesa, lembro-me dos meus dezoito aninhos.
No dia das Mentiras, lembro-me do primeiro ministro.
No dia de Todos os Santos, lembro-me de todo o povo.
No dia de Natal, lembro-me do Ano Novo.
No dia da República, lembro-me do Rei.
No dia de Reis, lembro-me do Rei dos Leitões
No dia dos namorados, lembro-me dos que não têm namorada.
Mas a verdade é que geralmente não me lembro de nada.
A não ser quando tenho comichão mas costas:
- O amor chega aqui!
- Só se me disseres que dia foi ontem!...
- Segunda-feira!
- Dia de Portugal!...
Qual dos dois o melhor!... A idade não perdoa!
Imagem desviada do Zé Povinho

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

25- O Caminho do Fim da Terra


Foram dos primeiros a deixar o albergue. Nesta parte do território norte da Galiza a densidade populacional desce notoriamente e as raras aldeias que se atravessam cheiram a criação intensiva de gado bovino.

Ao longo do dia os ciclo-peregrinos e os supostos irmãos e irmãs, ultrapassá-los-iam com alegres saudações.

Marie France levava, quase sempre, umas centenas de metros de avanço. Essa distância adiava o desejo, sempre presente – lembre-se que só se fez amor ainda um dia e já lá vão sete e que Sete Pés era rapaz para vinte anos – e atrelava um comboio de fantasias:

Pé de Vento – naquele moinho abandonado!... Pé Chato – de meia em meia hora!... Pé Ante Pé – atrás daquela moita!... Pé de Meia – dava tudo o que tenho!... Pé de Atleta – no meio da estrada!... Pé Descalço – todos nus!... Água Pé - Na retrete do próximo café!
Mas quando Marie esperou para acertar passo, nem beijo se deu quanto mais sinais de enrolamento!
… já que Marie tinha o pé mais ligeiro, que retomasse e levasse o seu ritmo de andamento! No extremo, encontrar-se-iam no albergue de Oliveiroa.

Mal sabiam os pés que os esperava a mais dura prova de todo o Caminho! Chegaram a temer o pior, sucumbir no deserto por falta de socorro. Pelo passo de lesma e pela quantidade de gente que tinha passado, Sete Pés seria a última alma do dia neste troço.

Nunca mais se via sinal de casario que lhe desse alívio, nem ao menos o aconchego dum chão de árvore onde se pudesse deitar um bocado para retemperar. Só via bostas de vaca e estrada asfaltada e, de vez em quando, animava-se um pouco por ouvir um barulho de um tractor. Se o agricultor por ali passasse, pedir-lhe-ia boleia, fosse para onde fosse.

Quando voltou a ver gente, já estava a atravessar a Ponte sobre o rio Xallas, à entrada de Oliveiroa. Deitou-se no banco de uma paragem de autocarro. Uma mulher que o viu ali naquele estado foi buscar-lhe água. Recebido o apoio sentiu forças para vencer os dois quilómetros que o separavam do albergue. Este fica localizado num pedaço de aldeia antiga recuperado para o efeito.

Sete Pés subiu em andar e rosto esmorecidos o arruamento ladeado pelos vários edifícios de traço rural que compõem as instalações. Sentados por ali em rebates e muros estavam parte dos companheiros da noite anterior. A malta das bicicletas, essa não, não era a mesma - por questões óbvias as etapas diárias não coincidiam.

Ouviu rebentar uma salva de palmas que encorajavam a sua chegada à meta, olhou desconcentradamente para o seu público e agradeceu com um sorriso arrancado ao extremo do cansaço.

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Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Que esperto que eu sou!

Apresentada como "a música que o Governo prepara para responder à camarada Deolinda", o tema "Que Esperto Que Eu Sou" é a divertida versão feita pelos Homens da Luta sobre os versos do - muito aclamado - original dos Deolinda.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pare, Escute, Olhe

Há uns meses  assisti, gratuitamente, ao filme "Pare, Escute, Olhe" de Jorge Pelicano. Gostei tanto que prometi a mim mesmo que haveria de escrever alguma coisa sobre o assunto. Gostei tanto que na primeira oportunidade comprei o DVD, não só porque o queria ter - e eu não sou muito de ter - e rever mas também porque senti que deveria contribuir para ajudar a pagar a produção.

O filme conta-nos da linha do Tua, da crueldade e irresponsabilidade com que se têm dado cabo dos transportes ferroviários, dos rios, das povoações do interior, do país. Tem lá tudo, Portugal, a paisagem, a fotografia, a luz, o povo, os velhos, os novos, os activistas, os protagonistas políticos dum lado e doutro, os cães, o desacarrilamento, o humor de partir. 
Este é um guião que não se rende ao politicamente correcto porque a crítica não foge aos nomes. As personagens, os culpados, as vítimas, os defensores têm nome e rosto de bilhete de identidade. Talvez por esta ousadia tarde o sucesso mediático que lhe é devido. Isto apesar dos prémios.
Recomendo vivamente!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

24- O Caminho do Fim da Terra


Só se chega ao albergue de Negreira depois de atravessar a cidade. Por isso, jantaram primeiro num restaurante do centro e só depois pousaram para a noite. Contrariamente ao que havia acontecido no Caminho Português onde pernoitaram quase sempre sós, encontraram ali dúzia e meia de peregrinos, alemães, holandeses, franceses, italianos, nenhum português, alguns pedestres mas a maioria de bicicleta. Andavam ou estavam no exterior, na sala, na cozinha, nos balneários, nas camas ou à volta delas, pelo que demorou algum tempo até o nosso par encontrar e acomodar o seu espaço de repouso. Perante o cenário Pé Descalço desabafou para Marie:
- Não me agrada nada este ambiente, para mim mais de três pessoas é uma multidão!
- E duas pessoas? São o quê?!
- Somos nós!

- Ora! Dentro de cada um de nós existem várias pessoas! Par exemple, cette femme que te está aqui a massajar os Pés não é a mesma mulher que deixou um marido numa vila dos Alpes com o telecomando nas mãos, nem sequer é a mesma que te viu em Tuy! Foste tu que me disseste que sempre te chamaram Sete Pés, pressinto que nenhum dos teus Pés vive o mesmo Caminho. Quando trato os teus pés, seja a massajá-los, seja a cuidar das bolhas, seja a acariciá-los, tenho a estranha sensação que eles se transfiguram mudando de forma e tacto… Porque começaram eles agora a estremecer?! Tens cócegas?

O estremecimento teria tido origem numa reacção em cadeia dos sete pés! O desvendar por terceiros de um segredo da mais profunda e pessoal intimidade pode pôr em pânico o seu guardador. Para disfarçar a sua existência séptupla, Pé Descalço desatou a rir e recolheu os pés:
-Pára! Tenho cócegas!...

Parte dos albergados não revelava intenções de fé apostólica romana, salvo um italiano ou outro com ar de missão e umas francófonas com jeitos conventuais, estes com rugosidades da casa dos cinquenta além. Os restantes eram jovens “flower power”, pelo menos nos trajes e nos cheiros, em grupos de dois ou três, ou quatro, ou solitários como Sete Pés.

Mas nem Marie, nem os Pés escaparam ao ambiente de partilha e boa disposição criado com surpreendente espontaneidade. No alpendre e na sala de convívio houve bom serão com intercâmbio de experiências de caminhos e até havia quem cantasse baixinho. Toparam-se ou toleram-se uns cigarros suspeitos mas discretos e a pouco e pouco, com o avançar da hora, respeitosamente, cada qual acabou por adormecer no seu canto. As camas de Marie e Sete Pés estavam encostadas uma à outra o que permitiu que adormecessem de braços tocados, impedidos pela proximidade da vizinhança de consumarem o que quer que fosse.
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Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Canções Proibidas

... no seguimento da mensagem anterior...
Se a canção-arma se bate no abstracto, porque a situação se deve à crise, à conjuntura, ao sistema, à vida ou ao Além, poderá consolar lamentações mas será pouco eficiente no combate. Mesmo que ela se carregue de subtileza para ter êxito - porque tem medo de ser mal entendida, de arriscar, de ser frontal e no extremo, até de ser proibida - como não põe o dedo na ferida mas apenas fala da doença será pouco consequente. O mesmo se pode dizer do humor.
Talvez então seja a hora de perguntar porque se calaram os Gatos Fedorentos e eles não dizem nada, porque se deixou de ouvir o Sem Eira Nem Beira dos Xutos e Pontapés e eles não dizem nada, porque nunca ouvi esta canção de Paco Bandeira na Rádio?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Para animar a parvalheira

aqui se fez reconhecimento ao trabalho dos Deolinda. Que a música é boa, portuguesa, talentosa, é do reconhecimento geral e chega a todos. O mesmo não se poderá dizer da sua mensagem política. Ouvem-se e entoam-se as letras em concerto mas tudo se canta como se fossem letras do Carlos Tê ou de ridículas canções de amor.
Depois do "picadela" do Movimento Perpétuo e Associativo acaba de sair do forno uma mordidela com "Que parva que eu sou!". 
Ouvi dizer que houve um espectáculo no Porto e o público adorou! Mas será que a doçura da voz e o embalar da melodia permitirão que os dentes se sintam e façam doer?! Será que ainda não temos pedras para descalcetar a nossa praça Tahrir? O que nos falta para ir para a rua gritar?

Entretanto Anibal Cavaco Silva ganhou as eleições e quase todos sentenciam que é irrealista pensar que o próximo primeiro ministro não seja José Sócrates Pinto Sousa ou Pedro Passos Coelho.
Isto, ao mesmo tempo que quase ninguém afirma que vota neles.
Não votam, consentem! Não votam mas cantam!

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.

Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?

Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar

Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.

Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

23- O Caminho do Fim da Terra

O autor entendeu, porque sim, por passe ou toque de escrita, mudar o título à história de “Sete Pés” para “O Caminho do Fim da Terra”. Poderá parecer apenas um capricho, uma vulgaridade mas “caminho”, “fim”, “terra”, “Caminho do Fim”, “Fim da Terra”, “Caminho do Fim da Terra”, são significados que se enfiaram na tinta do teclado.

Entretanto, há vinte e três semanas que estendo este pedaço de pacata prosa para contar apenas seis dias do Caminho – hoje é quinta feira de aleluia - de Sete Pés e Marie France. Talvez esta coisa tenha uma duração de telenovela, talvez tenha um fim súbito devido a uma entorse causada por uma pedra do Caminho. Uma coisa é certa, terá Fim.

Aproveito o aparte para reconhecer que sinto a amizade e o calor dos alguns e dos alguéns que me têm acompanhado na caminhada, particularmente daqueles que, com os seus comentários, têm dado água a Sete Pés para que ele caminhe e tenha força na verga para “acaminhar” com Marie. A revelação da vossa presença é a melhor retribuição que posso ter. Aqui não há dever, apenas prazer!
Peço desculpa pela interrupção.                                    
Pata Negra


Sete Pés nem se lembrou dos propósitos delirantes que o trouxeram ali, sentiu que vencera um Bojador sem saber que ele existia ou os seus aléns. Ao fundo da rua das Hortas, nos limites da cidade, encontraram o primeiro marco com a vieira de indicação do Caminho e tomaram a direcção, quase sem falarem.

Enquanto não desapareceu definitivamente a vista das torres da catedral, Pé de Atleta dava, de quando em vez, uns passos de costas para experimentar a sensação de as ver cada vez mais longe.

Partir de Santiago, o local onde se quis chegar, dá volta à cabeça, põe todas as coisas ao contrário, parece que se parte com a mochila desarrumada com o convencimento de que no fim do novo Caminho ela estará no estado de preparação com que primeiramente estava quando se partiu de casa para Compostela. Acredita-se que a forma física com que se chegará ao novo fim será melhor do que aquela do princípio do primeiro caminho. O espírito desconstrói-se e reconstrói-se a cada gesto ou passo, largando de si tudo o que se soltar, agarrando para si tudo o que estiver à mão. Nunca mais se é o mesmo!....

E ia Pé de Vento soprando estas idiotices quando todos sentiram que a forma física lhes falhava ao pensamento. Pé Ante Pé lembrou que, como partiram em cima do joelho, iam em jejum, sem água, dados à Providência. Numa daquelas intermináveis subidas que aparecem nos caminhos e que parecem que vão em direcção ao céu, Água Pé desfaleceu. Foi necessário Marie voltar atrás e socorrê-lo com água da sua e com chapadas se bem que, só com o boca-a-boca ele reanimou e sorriu de malandro. Ela, também marota, deu-lhe um estalo misto de carícia e castigo, de afecto e rejeição. Foi novo o facto de já não serem peregrinos independentes porque permaneceram por ali os dois, mais de meia hora, à espera que se recompusesse da fraqueza e, esse tempo teve uns beijos na testa a medir temperaturas, umas molhadelas de água na cara com uns beijitos a fechar, manifestações humanas a confirmar: estamos juntos!

Depois de dobrar o monte, este se render ao vale e o vale oferecer o rio Tambre, encontraram no lugar balnear de Ponte Maceira, a esplanada ideal para abrirem o namoro. Conversa para aqui e para acolá, olha ali, olha lá, cerveja é ideia má, que espectáculo de chá, que lugar espectacular, e já está: um poderoso beijo de sete segundos, a sete bocas, assinado no final por uma demora igual de olhar.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sete Pés Vinte e Dois


Embora já ambos tivessem reconhecido que a chegada a Santiago, talvez pelo mesmo fogo com que o Espírito Santo deu a S. Tiago e aos outros apóstolos o dom de falarem várias línguas, desdobrara a língua a Sete Pés de tal forma que o seu francês já fluía com poucos tropeços, Marie não entendeu a piada. Passou-lhe o resto da sua cerveja e acelerou o passo para acenar a um táxi. Sete pés seguiu-a, com reflexões ofegantes, a comparar galegos, gauleses e portugueses, a dizer que em Sagres começava a Aventura e o Mundo, em Finisterra acabava a Terra e a Fé e em França havia a Torre Eiffel! …

Ela abriu a porta ignorando as palavras do moço. Com um sorriso de dentes estáticos e com um pé dentro do carro e o outro fora, deu-lhe um beijo. Estáticos também e perfilados, os sete pés seguiram o táxi a desaparecer, vencendo os candeeiros da avenida e deram por si com uma botelha de cerveja em cada mão, trincando, pé a pé, o rasto da passagem dos lábios húmidos da francesa pelos seus. E ali permaneceram alguns momentos, trocando dedos dos pés e a patinar:

- Voltar ao bar? Não teria sentido! Vaguear pelas ruas? Não teria sentido! Ir para o quarto e perder os sentidos?!... Quase conseguiu pensar! Rodou os pensamentos!... Conseguiu! Arrancou! De pés acelerados, depois de mais uma rua, e mais uma e outra, encontrou a entrada do prédio onde, horas antes, havia negociado uma pernoita.

Cravou o sono etilizado nos lençóis e acordou cedo com a luz da manhã e o ruído leve da cidade. A ressaca fez jorrar sentimentos soltos de arrependimento e culpa. Teria de se arrumar a si e à mochila a tempo de se anteceder à partida de Marie para lhe pedir desculpa.

- Mas vou pedir-lhe desculpa de quê?
Interrogava-se ele, num passo réptil, a caminho da Praça do Obradoiro. Mesmo que não conseguisse formalizar qualquer pedido, não cairia de desajeito ou inconveniência porque nunca é pecado repetir uma despedida.

Sentou-se junto ao Hostal dos Reis Católicos, no lugar cimeiro da rampa em que começa a Rua das Hortas e o caminho de Finisterra. Pela hora, seria improvável que Marie já tivesse partido e pela norma era obrigatório que ela passasse por ali.

Acomodou a espera, sentado no chão e recostado na mochila, até avistar a esperada a atravessar a praça de mapa na mão. Ela deu por ele a algumas dezenas de pés de distância, sorriu abertamente da surpresa, causou embaraço por não conter o passo e ao passar, alargou ainda mais o sorriso e largou a pergunta que já havia acontecido outras vezes no Caminho:
- Allons y!?
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Vou votar Cavaco

Decidi agora mesmo, VOU VOTAR CAVACO.
Vou votar em Cavaco porque é preciso que isto acabe duma vez por todas. O país tem de bater no fundo rapidamente para o que o povo acorde. Não adianta mais andar a remendar isto com "menos maus", a adiar uma solução radical e revolucionária que reponha a democracia e inicie o caminho do progresso. Quanto pior, melhor! Isto tem de doer ainda mais, o descaramento tem de ir ainda mais longe para que o pessoal se enxergue! Por isso escolho aquele  que, na minha real visão, é o pior.

Esta reflexão foi apenas uma forma de testar aqueles que julgam conhecer-me. Mas vocemeçês estavam a acreditar?! Eu alguma vez ia votar nesse homem?! Cruzes Cavaco! Eu sou uma personagem de ficção -  Real Pata Negra - sem direito a voto! Mas vós, que sois reais, aproveitai  "o quase nada do voto" porque é "o quase nada que têm" para exercer a democracia! O voto tem valor!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sete Pés Vinte e Um


A noite transformou-se numa tertúlia de resistentes.

Pé Chato reparou que Marie já abria a boca de não perceber coisa com coisa e libertou os outros pés para prepararem o término dos assuntos políticos com os convivas. Tarde demais, remoeu-se Sete Pés. Fora traído pelo ego que o tentou e levou ao centro das atenções, não se lembrava de alguma vez ter sido centro em toda a sua vida. Fora preciso vir para tão longe dos “santos da terra”, para os santos de Compostela, para que alguém reparasse na existência do seu vulto. Só que esquecera, “não se pode servir a dois senhores!”. Enquanto se embriagara com o momento de vedeta da dança de seus pés, tinha perdido a oportunidade de acertar, fechar ou abrir contas com aquela que, ali e naquele momento, era a sua mulher.

Precipitou a despedida e saiu com Marie, cada um com uma cerveja na mão. Ela, já o dissera, iria de táxi para Monte Gozo e o caso terminaria ali.
- Assim? - Interrogou Pé de Vento.
Marie com o verbo maduro, felino e inteligente, obrigou-o a reconhecer as evidências que determinavam o fim. Os sete Pés, pouco experientes em argumentos de namoro, renderam-se, um a um e deixaram Marie moldar o epílogo.

Enquanto caminhavam pelas ruas históricas para a Avenida Figueiroa, descaminhando o passo para dar tempo ao naco de coisas que haviam de ser faladas, Marie revelou-lhe que o seu Caminho não terminava ali. Existia um prolongamento dos Caminhos de Santiago, cuja história vinha de AC. Antes dos descobrimentos marítimos, antes de para ali terem levado os restos mortais do Apóstolo, antes do Apóstolo por ai ter passado, já mortais faziam Caminho até Finisterra. Pensava-se que terminava ali a Terra, daí o nome - Fim da Terra. Melhor dizendo, o fim do que se conhecia. Chegar aí, com o desconhecimento que havia américas, índios, que a terra era redonda, com o convencimento que, para além da linha que separa o azul marinho do azul celeste, existiria um abismo, fim, Deus, trevas, Desconhecido, seria uma experiência digna de reconstituição para qualquer caminhante que tivesse recolhido no Caminho as lições dos antepassados.

Nos dias de hoje muitos são os peregrinos que, chegados a Santiago, entusiasmados no prazer de caminhar, pretendendo adiar o fim da caminhada, encontram nessa razão antiga o pretexto para continuar e só param em Finisterra. E assim seria também para ela.

Nenhum dos sete pés sentiu coragem para lhe fazer proposta de companhia mas, exceptuando Pé Chato ( não a vamos largar! – disse entre pés), todos ficaram no ar perante o dado novo que poderia haver mais estrada para andar.

Pé de Vento velejou para consigo no “e se mais mundo houvera lá chegara” e deu vela a Água Pé para soltar a sua graça:
- Nós lá em Portugal, no extremo oposto a esse, também temos um cabo desses mas não tem um nome tão significante, tem um nome de uma marca de cerveja!
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Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sete Pés Vinte

Saíram e foram juntos ao Secretariado Consistorial requerer a Compostela, com as provas do Caminho, os Pés com a credencial e Marie com o diário.
Decidiram jantar a dois, em sítio de “não interessa o preço”. Ele foi procurar quarto e ela compras. Marcaram encontro, seguros de que nenhum deles era da espécie de falhar, às sete, ali mesmo, naquele local.

Marie vestiu a autoridade das escolhas e fez questão de pagar a conta. Ceado o requinte peregrino-burguês, acabaram por prolongar a noite num bar, pouco cuidado, onde entraram porque se aperceberam que aí se tocava e cantava sem amplificadores, palco ou formalidades de espectáculo. Pela decoração do espaço, pelo ambiente que se respirava e pelo teor das canções aperceberam-se que se tratava dum ponto de encontro de independentistas galegos.
Já sentados, em curtas observações, assentaram que existiam condições para ali consumar o serão de despedida ou não se respirasse na atmosfera do local uma confluência de romantismos e utopias que ambos cultivavam como se comprovava, aliás, pela forma e pelas vontades com que haviam Caminhado.

O diálogo de Pé Descalço com o homem que serviu, denunciou a presença portuguesa. Curiosamente o galego não tocou no Porto nem no Benfica mas foi directo ao José Afonso, ao 25 de Abril e à questão histórica-linguística do galaico-português. Ao fim de algumas dessas, rematou:
- Quando um galego encontra um português sente que pertencer a Espanha é coisa de reis e de golpadas reais.
- Somos todos galegos!
Acrescentou Pé-Ante-Pé. E Pé de Vento:
- Na minha aldeia quando vêem muitos miúdos juntos perguntam: “Pariu aqui a galega?!

O tema criou entusiasmo sob a presença marginal de Marie que, mesmo percebendo muito pouco, dispensava todas as atenções à conversada.
Não demorou muito tempo até que todos os clientes, todos com estar de habituais, se apercebessem da presença dum português na sala, a julgar pela convergência e simpatia dos olhares, rara e bem vinda. Não demorou muito tempo até que os músicos lhes dedicassem Zeca e Adriano e que a voz portuguesa de Água Pé ficasse só a cantar “O Cantar da Emigração”. Aguentou a iluminação dos “olhofotes” porque se lembrou de que para ser actor teria de esquecer que havia público e só avermelhou o rosto frágil quando, subitamente, se esmoreceu num “... cortar teu pão” final, sentindo os aplausos da plateia a agitar os fumos dos cigarros e a acusar a revelação do artista que nunca tinha sido experimentado.

Marie estava encantada pela intervenção do seu rapaz e aliviada pelo facto de ver comprovadas as distâncias que nunca os poderiam unir. Tudo não passaria de um caso secreto e efémero, presente do Caminho.
A noite transformou-se numa tertúlia de resistentes.
Água Pé entusiasmado com a conversa esticou-se até ser incompreendido:
- Lá no fundo eu até vos invejo! Tenho pena que Portugal seja independente de Espanha!...
Cada um dos ouvintes revelou em cada olho um ponto de interrogação desbotado mas o provocador remediou com um esclarecimento piadético:
- …para poder pertencer a um movimento independentista!!!...
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Todas as segundas feiras.
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sábado, 8 de janeiro de 2011

O que diz Cavaco

Esclarecedor?!:

Esclarecedor?!
Este tipo tem possibilidades de ganhar as eleições! Para essa hipotética vitória poderá contribuir não só o facto de ele ser assim e ter feito isto, mas também o facto de ele não parecer ser assim e se insistir que ele fez isto.
Entretanto o país parece estar a ser engolido no poço sem fundo do BPN, atirado para lá pelos competentes ex-ministros do PSD, pelos actuais competentes ministros do PS, pelo competente Vitor Constâncio e pelo competente Cavaco Silva.
A Vítima tem os seus votos contados, de gente que faz parte disto, de gente que aceita isto, de gente que não sabe disto, de gente que não percebe nada disto, de gente que acha que isto é cabala - muita gente, portanto! Mas o Raposa Velha sabe bem que quem lhe poderá dar a vitória é a abstenção e então, joga tudo nela!
Eu vou votar! Há mais cinco!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dia de Reis - O dia em que o Rei faz anos.

Já lá vão mais de 700 posts, mais de 4000 comentários, quase 70 000 visitas. Não sei para quê!
Blogue Rei dos Leittões, há
a dizer a mesma coisa. Não sei para quem!