Segundo o meu ângulo de visão a professora apontava para o que estava no lugar de Barrabás. O do meio, nas condições em que estava, seminu e espetado numa cruz, não conseguiria fazer mal a ninguém e o do outro lado, um velho careca, parecia o Popeye, "desmusculado" e inofensivo, em farda número 1.
Dessa visão da parede do quadro nasceu-me uma nova resposta ao "que queres ser quando fores grande?!". Para mal dos meus sonhos fiquei sempre pequeno!..
Veio o mês de Abril e vi que o velho trocou a Armada pelo Exército e começou a usar monóculo porque não via a coisa. Mas, mesmo assim, continuou a ver tão mal que se trocou consigo próprio e, vendo um pouco mais, conseguiu que depois de Abril, viesse Maio e houvesse Verão. Depois mudou de voz e começou a falar pausadamente como se todo o povo andasse na recruta. Depois ganhou bochechas e fez-se vedeta e bonacheirão. Com o andar dos anos o velho passou a andar sempre preocupado e a chorar por tudo e por nada. Por fim, o velho encheu as bochechas de bolo rei e continou a ser Américo apesar de, depois de tantos nomes, responder agora ao nome de Aníbal.
Agora é a minha vez: anti-republicano, anti-militar, boa visão, voz de cotovelo, magro, despreocupado, anti-cavaco e novo e pequenino!
Nunca me chamaram príncipe e eu fui-o! Já me chamaram rei e eu sou-o. Mas para limpar o esterco da pocilga, eu estou disposto a trocar o trono pelo berço dourado de Belém!
Levante-se o primeiro português que, enquanto a professora da primária falava, não pensou em ser Presidente da República! Eu ainda penso!
Não penses mais neles!
Escolhe o menos porco!
Só vota em Pata Negra quem se enxerga!










