Bem podem os anónimos, silvas, manuéis e outros perfis estranhos tentar golpes palacianos! Bem pode o facebook-caralivro tentar "belmirizar" o ciberespaço! Bem podem os fantasmas de santa comba erguer-se da tumba entusiasmados pelo renascer da direita necrófaga! O Rei e a Corte continuarão serenos, reinando com a situação, cortanto a torto e a direito em prol da revolução! Aporcalharemos os cavalos selvagens da nobreza e cavalgaremos os porcos capitalistas! Na Grécia a revolução já começou! Viva o meu cão Loukanikos e a minha amada que faz hoje anos de casada e anda armada! Não tem piada mas rima! Não sou eu que estou em baixo nem ela que está em cima! Viva o programa da troika, o programa do governo, o programa do Manuel Luís Goucha, o programa das festas, o programa do verão! Hoje é quinta de Leitão!...
quinta-feira, 30 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
Fabrico de terços
Terços daqueles de rezar! Para quem não percebe porque deles rezo, lembro Maria do Rosário, aquela com quem, ainda há poucos dias, estabeleci conversa na sequência duma reclamação de uma "santa" adquirida na sua loja. Pois outras coisas ela me contou sobre o fabrico de artigos religiosos e, entre elas esta, curiosa, que não resisto a contar:
Crescia Fátima nos salazarentos anos trinta, já a Fé em milagres do Céu fazia milagres comerciais de vendas de santinhos, de água, de vinhos e enchidos quando um pastor, pouco pastorinho, começou para lá a caminhar em dias de ajuntamento, para vender os seus terços artesanais. Eram feitos de caroços de azeitona, que era o que por ali mais havia além de pedras e pobreza. A mulher aos serões esburacava as "contas", uma a uma, com uma sovela e ele durante o dia encadeava o arame nos terços.
- Mas um terço feito de caroços de azeitona não seria muito agradável à vista?!
E foi assim que começou por aqui a indústria de produtos religiosos. Um dia o pastor já entusiasmado pelo sucesso do negócio foi a Lisboa, descobriu bolinhas de vidro da Marinha Grande já com o furo feito e tudo, e então aí, foi um ver se te avias até aos nossos dias.
sábado, 25 de junho de 2011
É um descontentamento inconsequente?
De facto, devo ter nascido há muito mais tempo. É que, embora compreenda e sofra as inquietações desta juventude, não consigo compreender como querem ter uma palavra a dizer nas decisões, colocando de parte o direito de votar, rejeitando os partidos ou a hipótese de constituirem um novo, emigrando. Pois é, já houve tempos em que a malta não podia votar nem constituir organizações de carácter político! A memória é importante!
Penetrem nos partidos, mudem-nos por dentro, criem partidos novos, inventem, participem, votem porque se é verdade que a democracia é muito mais que partidos e eleições, não será menos verdade que sem partidos e sem eleitos dificilmente existirá democracia.
Bom filme com boas rimas:
Penetrem nos partidos, mudem-nos por dentro, criem partidos novos, inventem, participem, votem porque se é verdade que a democracia é muito mais que partidos e eleições, não será menos verdade que sem partidos e sem eleitos dificilmente existirá democracia.
Bom filme com boas rimas:
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Leitão da Quinta
Vamos voltar ao Rei do Leittões com uma "repostagem", para ver se a malta me volta a tratar por Majestade e o reino se endireita porque, também aqui, a coisa está a ficar torta. Doravante haverá Leitão à Quinta - só por compromisso consigo dar de comer ao blogue!
Comam então que hoje o Leitão é de porco engordado, daquele que é capaz de fazer festa e alimentar uma parte da aldeia em dia de matança.
A primeira matança da minha memória conta-se assim:
Era Janeiro, mês em que o frio da França devolvia os emigrantes à terra, época em que nada havia para fazer com a terra, tempo em que o frio melhor conservava as carnes, altura certa para fazer a matança do porco que já estava mais que gordo.
Mal me levantei, comecei a seguir todos os passos do homem que era meu pai, empenhado em demonstrar-lhe que para homem também eu caminhava. Não tardou muito a chegada das pessoas mais chegadas para fazer o sacrifício.
João vai à barraca buscar 4 pregos e o martelo para fazermos a banca com estas duas tábuas e dois cepos / Vai buscar um balde de água para lavar as tábuas que estão cheias de teias / Bom dia Joãozito, hoje levantaste-te cedo / És tu que vais pegar o porco / Vai buscar a corda da burra para atar uma perna ao porco / Tens medo / Sai daí João que o porco ainda te morde / João vai chamar a mãe para trazer o alguidar para aparar o sangue / Tiveste medo / João vai buscar umas macheias de agulhas à meda e fósforos à cozinha / Vai buscar a forquilha velha que a nova não se põe no fogo porque destempera / Segura aqui com a sachola esta pata para chamuscar o lado debaixo da perna / Filho vai à adega encher o jarro e traz um copo para o pessoal / João vai à eira velha que há por lá uns pedaços de telhas de canudo para raspar o bicho / João agarra aqui nas unhas a ver se estão quentes / Pesava mais do que tu ó cachopo / João vai buscar mais agulhas / Vai buscar mais água à tina / João despeja aqui água nesta orelha / Despeja aqui na pata / João dá mais um copo ao pessoal / Segura aqui nas patas da frente João para começar a abrir o animal / O pessoal está com sede João / Vai buscar um baraço para lhe atar o cu / Vai chamar a mãe para trazer a água quente para escaldar a língua / Se queres saber como é o teu corpo olha aqui para o porco / Toma lá a bexiga que eu daqui a bocado faço-te uma bola / Olha que a malta está com sede João / Vai à barraca buscar o chambaril / Tu não o ajudas a levar que ele é pesado para ti / João vou agarrar-te ao colo e enfias ali a corda para pendurarmos o morto / Vai buscar um alguidar para o sangue escorrer / Agarra aqui nesta pata para sacarmos as tripas / Agarra o alguidar desse lado / Agarra aqui no fígado / Agarra aqui a ver se eu deixo / Vai buscar uma cana para manter o peito aberto / Dá um copo ao pessoal não vês que o pessoal está com sede / Os homens vão comer a bucha mas tu João vais com as mulheres ao ribeiro lavar as tripas que pode ser preciso alguma coisa….
À noite toda a gente se reuniu novamente para comer a cacholada. Comentou-se animadamente à mesa a criancinha que eu era.
- Ó João, pró ano já estarás com idade de ajudares e poderes fazer alguma coisa!
- E se fossem todos pró carvalho!?
E assim acabou valentemente o dia da primeira matança da minha memória com um valente estalo do homem que era meu pai.
terça-feira, 21 de junho de 2011
nós-eu-euro-europa
A Troika Labrega do Kaos
Um pouco mais de europa – somos nada,Um pouco mais de espanha – somos ninguém
Para atingir, votámos em cambada
Se ao menos soubéssemos votar bem...
Pegar ou largar? Em vão... perdemos cota
Numa grande europa virada a outros mundos;
E o grande país afundado em fundos,
O grande país - ó mar! - quase europa...
Quase o progresso, quase a porta e a panaceia,
Quase o princípio e o fim - quase a salvação...
Mas no meu país tudo se remedeia...
Entanto tudo não passou duma ilusão!
De tudo houve marca UE ... e tudo aproveitou...
- Ai o desejo de ser - quase, igual aos alemães...
Nós falhámos entre nós, falhámos por vinténs,
Terra que não parou mas não avançou...
Anos de esperança que, desbaratámos...
Cidadanias que sonhámos alcançar...
Direitos que perdemos sem os experimentar...
Tratados que nos trataram e não votámos...
Desse continente, encontro só imagens...
Terras do interior – vejo-as defraudadas;
E carteiras de políticos, sujas, recheadas,
Passou o argumento de que eram só vantagens...
Numa esperança imberbe acreditando em tanto,
Tudo construímos sem pensar pra quê...
Hoje, resta-nos o betão do desencanto
Das coisas que de tão grandes ninguém vê...
Um pouco mais de europa – somos nada,
Um pouco mais de espanha – somos ninguém
Para atingir, votámos em cambada
Se ao menos tivessemos agora votado bem...
Não é necessário lembrarem-me que não chego aos calcanhares de Mário de Sá Carneiro!
E eu quero por força ser burro...Que a um porco nada se recusa!!
domingo, 19 de junho de 2011
Terra do Não
- Lembras-te irmão, de quando eras flor...
e chamavam por ti e não respondias,
pela simples razão de que as flores não falam nem ouvem?
- Ah, agora eu compreendo:
o pai nunca mais cortou as uvas
desde que a mãe morreu!
De então para cá:
eu fui a Primavera do Sol desonrada
com a putez impotente do avô materno,
eu fui o Verão frio nas praias do mal,
o Outono assassino da tal lucidez...
e vem aí o Inverno,
e eu ainda não acredito no Natal...
- Não! Da vingança humilde aos cornos de marfim
e das rosas que deixei cair, não me arrependo!
- Quem pode acreditar,
que no sangue do amor navegue o ópio,
ou que na seiva das plantas o Sol se esconda para dormir a Noite?
- Eis-me chegado à Terra do Não.
Traído dei por mim no mar turbulento da civilização,
e naufraguei aqui,
Terra do Não...
- Aguardando a chegada de algas marinhas,
morrendo de mão dadas aqui,
Terra do Não...
e chamavam por ti e não respondias,
pela simples razão de que as flores não falam nem ouvem?
- Ah, agora eu compreendo:
o pai nunca mais cortou as uvas
desde que a mãe morreu!
De então para cá:
eu fui a Primavera do Sol desonrada
com a putez impotente do avô materno,
eu fui o Verão frio nas praias do mal,
o Outono assassino da tal lucidez...
e vem aí o Inverno,
e eu ainda não acredito no Natal...
- Não! Da vingança humilde aos cornos de marfim
e das rosas que deixei cair, não me arrependo!
- Quem pode acreditar,
que no sangue do amor navegue o ópio,
ou que na seiva das plantas o Sol se esconda para dormir a Noite?
- Eis-me chegado à Terra do Não.
Traído dei por mim no mar turbulento da civilização,
e naufraguei aqui,
Terra do Não...
- Aguardando a chegada de algas marinhas,
morrendo de mão dadas aqui,
Terra do Não...
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Para a praia e em força
A empresa da ponte declarou insolvência e a obra está parada. No resto do terreno não se calam os cilindros, caterpillos, giratórias, escavadores, camionetas. São seis da madrugada. Não dormi nada por solidariedade com os trabalhadores da estrada. Estão a trabalhar vinte e quatro horas por dia como se fosse uma festa. É uma alegria! Estou grato por estarem a fazer uma estrada à minha porta, no lugar onde antes era a minha horta. Vai servir-nos para chegarmos mais depressa à praia.
Só não percebo porque tem de ser feita tão depressa. Têm pressa de ter falta de trabalho?! Têm medo de haver falta de dinheiro?! A falta da estrada não é assim tanta e já não vai servir esta época balnear!
E para a seguinte vamos lá ver como estará o preço do gasóleo e se não haverá já portagens nos caminhos de cabras.
Vá lá, aguentem os motores, prolonguem o emprego, arrastem o capital! Dormir é um dever e um direito! Temos tempo!
terça-feira, 14 de junho de 2011
Mais um milagre de Fátima
A minha tia foi menina, rapariga, solteirinha, solteirona e agora é beata demais para poder vir a ser santa. Porque respeito muita a sua devoção à Virgem, na preparação da viagem do passado fim-de-semana à Terrinha, passei por Fátima e comprei-lhe uma santa.
Entrei na loja e senti-me intimidado pelo olhar multiplicado das santas multiplicadas, intimidação essa, reforçada pela abordagem da lojista que, ao dirigir-me a palavra em tom de freira, recebeu a minha seca amabilidade:
- Que virgem desejais senhor?!
- Com menos de meio metro e luminosa! É para a minha tia que já está de pés para o Céu e vê muito mal!
- Escolha daqui!
- Mas são todas iguais!?
- Nesse caso tem a escolha facilitada!
- Já estão benzidas?!
Sorriu por me ter descoberto o grau de prática religiosa; é obvio que ninguém vende objectos religiosos já benzidos! Essa operação fica ao cuidado de cada um e foi coisa que, pela pressa, não consumei mas que fiz questão de ocultar à minha tia que também me tem ocultado, com esperteza de sacristia, as contas bancárias e outros bens que aguardo para um dia.
- Tia! Trago-lhe uma prenda! Olhe só para este olhar!... Benzida pelo cardeal de Cracóvia que esteve esta semana em Fátima!
Quando no domingo voltei à casa para engraxar a despedida, estava a velha com toda a velha vizinhança, debitando o terço à volta da imagem colocada em cima de uma mesa na varanda virada ao sol. A minha chegada interrompeu o mistério e disse a minha tia:
- Filho, a santa chora!
- Nesse caso devolvê-la-ei! Ainda está na garantia!
- Cala-te homem do diabo! Olha! Vê!...
Para meu espanto era verdade demais mas não suficiente para erguer a minha Fé - relembre-se o segredo de que não tinha havido tempo para ser benzida!
E cá regressei deixando em paz a Fé dos que a cultivam mas assaltado por um combate interior que me teria de levar ao fundo da verdade.
- Minha senhora! Venho reclamar dum produto que adquiri aqui na passada sexta-feira!
- Lembro-me de si, levou uma Nossa Senhora luminosa! Não me diga que é daqueles que julgam que é preciso lâmpada!?
- Não, a imagem chora e está a perturbar emocionalmente a pessoa a quem a ofereci!
Relatei-lhe os factos e recebi a explicação:
- Como as imagens são arrefecidas em água quando saem da máquina de intrusão, como só depois de cravados os olhos em cera se fecha a cabeça, é natural que com o calor alguma cera se derreta e deixe verter eventuais gotas de água que não tenham escorrido durante o processo de fabrico.
É claro que seria difícil eu convencer a minha tia e as suas vizinhas! Fiquemos pois com mais um milagre!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Cagavacando
Antes: O Presidente da República, Cavaco Silva, diz que quem se abstiver nas legislativas perderá “legitimidade para depois criticar as políticas do Governo”.
Como essa comparação não se pode fazer, mais valia estar calado como tantas vezes faz. Da minha parte concluo que o apelo não valeu nada:
Se uns milhares decidiram ir às urnas porque pensaram:
- É pá, tenho de ir votar porque o Cavaco ameaçou que, se eu não o fizer, depois não posso criticar o governo!
Outros tantos milhares pensaram:
- É pá, era para ir votar mas, cá por Cavacos, já não vou, quero provar que tenho o direito de criticar o governo sem ter votado!
Como essa comparação não se pode fazer, mais valia estar calado como tantas vezes faz. Da minha parte concluo que o apelo não valeu nada:
Se uns milhares decidiram ir às urnas porque pensaram:
- É pá, tenho de ir votar porque o Cavaco ameaçou que, se eu não o fizer, depois não posso criticar o governo!
Outros tantos milhares pensaram:
- É pá, era para ir votar mas, cá por Cavacos, já não vou, quero provar que tenho o direito de criticar o governo sem ter votado!
terça-feira, 7 de junho de 2011
Resultados eleitorais prometedores
PPD-CDS-PSD-PP conseguem maioria absoluta! Sacana do relógio, desta vez, atrasou três dias. Receio que já se tenham apercebido. Lamento o atraso.
Dizem que vão continuar a cortar vencimentos, pensões, subsídios, direitos e a aumentar impostos, preços, contribuições e flexibilidades. Há uma única taxa que vai descer. Tudo para o país ficar melhor.
- Que raio de país é este que fica melhor se o povo ficar pior?! Que raio de mudança é esta?!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Passos contados
Milhares de manifestantes exigiram na rua a demissão do governo ultra-liberal! O desemprego aumentou, a miséria alastrou, a companhia de águas todos os dias sela torneiras e eu tenho um relógio que num dia adianta meses!
Vitória
Mergulhámos novamente na longa noite sem sequer ter existido dia!
O país, o povo e o "grande" PS têm de pagar o ter escolhido, consentido, ignorado, tolerado José Sócrates. O preço é muito mais que a crise, vamos ter de suportar a joto-petulância de Passos Coelho e o abanar de rabo de Paulo Portas! Ei-los! Em todo o seu esplendor! Este é o preço sócrates! Há outros preços a pagar mas esses são em euros, carcanhol!
Até que um dia a vaidade dos nomes dê lugar à voz escondida pela notícia!
O país, o povo e o "grande" PS têm de pagar o ter escolhido, consentido, ignorado, tolerado José Sócrates. O preço é muito mais que a crise, vamos ter de suportar a joto-petulância de Passos Coelho e o abanar de rabo de Paulo Portas! Ei-los! Em todo o seu esplendor! Este é o preço sócrates! Há outros preços a pagar mas esses são em euros, carcanhol!
Até que um dia a vaidade dos nomes dê lugar à voz escondida pela notícia!
domingo, 5 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
40- O Caminho do Fim da Terra
Xésus Agrelo nunca se perdoará de, na condição de primeiro a encontrar os cadáveres de Marie France e Pierre Patapouf e de, no mesmo momento ter confirmado, pela falta de seus pertences, a partida inesperada de Sete Pés, ter sido o primeiro a apontá-lo como alegado homicida, acusação essa que fez de imediato no telefonema em que participou as mortes à polícia de Cee.
Quando, como resultado da autópsia, ficou provado que as vítimas teriam morrido por ingestão de cogumelos venenosos, já era tarde para dar o braço a torcer, arriscado ter de encontrar novos culpados e embaraçoso ficar-se por causa acidental. Assim sendo, não por conspiração inconsciente, mas por má consciência de que seria mais fácil culpar um forasteiro sem raízes, possesso de ciúmes, do que um merceeiro querido da terra, criou-se a tese de que o homicida havia colhido cogumelos venenosos no campo e os misturara com os comprados para consumar o crime. Ao proceder assim, o esperto, fazia também pender a suspeita sobre a casa de comércio onde tinha um calote considerável.
A justiça aceitou também, como argumento, o facto dos cogumelos serem petisco tradicional daquelas bandas, vendidos desde sempre naquele estabelecimento e de não existir relato de alguma vez terem provocado a indigestão a alguém quanto mais a morte. Estava atestada, portanto, a impossibilidade da experiência dos naturais poder falhar na colheita das espécies comestíveis.
O crime, o criminoso e as vítimas, com o passar do tempo, foram caindo no esquecimento de toda a gente menos na pesada consciência de Xésus Agrelo. A memória dos factos e a amizade com Sete Pés, avivados pelas várias visitas que fizera ao cárcere, estavam-lhe a dar cabo do sono e mais lhe deram na noite em que eu fui seu hóspede. Não admira pois que, na manhã seguinte, a pretexto de me oferecer pequeno almoço, me tenha dado lugar na sua mesa, me tenha inquirido acerca das leituras que me proporcionou, tenha desabafado sobre mim a sua inquietação e me tenha proposto um plano de acção para que a justiça fosse feita.
E, porque fartos de histórias contadas estamos todos e de abaixo assinados estamos cheios, depois de eu ter entrado, convido-o a si leitor, também a entrar na história que, a partir daqui, deixará de ser escrita para ser vivida.
O nosso plano consiste em reunir um grupo de activistas capaz de ir, daqui até à Corunha, percorrendo os Caminhos de Santiago, reclamar a libertação de Sete Pés. Sabemos como os meios de comunicação social são atraídos por este tipo de iniciativas e é quase certo que o seu impacto pode despoletar a reabertura dum processo mal contado.
Preparem a mochila e ponham-se ao Caminho. É só seguir as vieiras até encontrar esta que o filme documenta. Nas imediações da mesma existe um albergue onde estou alojado à vossa espera. Conhecer-me-eis pelas botas. Quando formos sete, partiremos. Libertai-vos!!!
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Foi nas monumentais
Naquela idade eram a fome e o desejo que nos moviam. Aconcheguei-lhe uma orelha nos meus lábios e confessei-me. Ela não afastou o ouvido nem a orelha. O almoço na cantina tinham sido favas e eu nunca gostei de favas. Tinha fome. Trinquei. Ela afastou-se repentinamente com um ai de dor e eu, desajeitado, fiquei com um pedaço de carne preso aos dentes que, no embaraço, acabei por engolir.
Encontrei-a passados muitos anos num daqueles almoços de antigos colegas onde se comparam cabelos brancos, barrigas e marcas de automóveis. Tentei falar-lhe mas ela continua determinada a nunca mais me ouvir e a não me falar. Ela está de não se desejar mas aquela cicatriz na orelha fica-lhe a matar.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Acabei as obras no sotão
Depois de vos ter contado aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, das coisas que se podem encontrar quando se dá a volta a um sotão, encontrei hoje mais esta de adolescente a precisar de algumas coisas. Andamos a dar às coisas novo poiso, este poster fica ali, este livro vai para o lixo, este caderno para acolá e...
... dele cai uma folha manuscrita que mia como um gato quando se estatela no chão:
... dele cai uma folha manuscrita que mia como um gato quando se estatela no chão:
O gato Haicomo
Desde que Deus o Homem e a Mulher fez
Que as palavras calaram a voz dos animais.
Somente Haicomo responde em inglês
Quando o acusam de viver igual aos seus iguais:
- I?! How?!... Me?!... How?! Mim...au?!
Mai de sete vidas estão passadas,
Incandescentes os olhos se consomem
E as fêmeas perecem no celeiro
Porque esse gato é Homem…
Quando o cantor range o dente,
Como árvore que tomba à raiva do machado,
Haicomo responde como sente,
Vira-se ao mundo e finge-se assanhado:
- I?! How?!... Me?!... How?! Mim...au?!
Mais de sete vidas estão passadas,
Na estalagem as portas apodrecem
E os olhos do tempo lambem o solo
Porque essa carne é Homem…
O gato vive numa árvore que conheço.
Vive roendo as garras
Como um jovem desempregado cuidando as unhas.
No tronco, uma placa em mármore:
Cuidado com o Gato
Dez 79
segunda-feira, 23 de maio de 2011
39- O Caminho do Fim da Terra
Se este fosse um escrito vulgar de escrever para vender, daqueles em que os autores vagueiam presos às suas experiências pessoais, procurando afinidades com que os leitores se identifiquem e inventando fantasias com cenários impossíveis que surpreendam e agarrem, provavelmente esta história acabaria aqui. Acontece que estamos enfiados na descrição autêntica de factos vividos e não estamos perto do final mas ainda no começo. Isto porque agora é que vai ser, entro eu.
Quis o destino que, na sequência de uma discussão familiar por causa das canas dos feijões, eu arrumasse a trouxa e me fizesse ao Caminho. Porque do Caminho já muito sabeis de Sete Pés e Marie, deixarei apenas o registo que o fiz sozinho até chegar a Pradís e que aí cheguei, encharcado por uma valente carga de água, rente à noitinha, situação que me obrigou a procurar a sempre à mão hospitalidade dos galegos.
- Xésus Agrelo! Benvindo a Padrís!
Os mais atentos, recordarão porventura este cumprimento, no ponto em que também o nosso par aqui chegou.
- Português?! Oh lá! Lá! O único que por aqui parou, deixou má memória! Fosse eu supersticioso e não lhe daria abrigo! O caso deu naufrágio e morte, a coisa que mais temem as gentes que habitam esta costa que, não por acaso, tem o nome de Cuesta da Muerte!...
E foi da continuação deste encontro que recolhi a informação que trouxe esta história até aqui. Xésus Agrelo fez-me entrega da casa da tragédia para pernoita e deixou-me a noite, entregue a documentos que guardava do julgamento de Sete Pés, destacando destes um molho à parte de fotocópias do diário de Marie France, diário esse, cujo conteúdo já conheceis sobejamente, que outra coisa não tenho feito neste livro – se assim se pode chamar a estas postagens – senão contá-lo.
Serei, também eu, daqui para frente, protagonista, cidadão real que não aspirando nem tendo traquejo ou expediente para ser escritor ou autor de alguma coisa, encontrou na personagem proprietária deste blogue a forma de testemunhar o caso esquecido de um português sem pátria, de um aldeão sem terra, sem família, quase sem nome, preso há sete anos na Galiza, sem ter merecido, ao menos, um dezasseisavos de uma página do Correio da Manhã.
Sete Pés estaria inocente, se não tivesse de se encontrar um culpado, teria quem o defendesse se não estivesse só, estaria em liberdade se não estivesse preso, mas continuará caminhando porque disso não se pode impedir um sonhador, nem que o amarrem.
__________________________________________________ Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.
domingo, 22 de maio de 2011
Ventos de Espanha
SKA-P - uma Espanha silenciada e verdadeiramente revolucionária.
Orgulloso de estar entre el proletariado es difícil llegar a fin de mes y tener que sudar y sudar "pa" ganar nuestro pan.
Éste es mi sitio, ésta es mi gente somos obreros, la clase preferente por eso, hermano proletario, con orgullo yo te canto esta canción, somos la revolución.
¡SI SEÑOR! La revolución, ¡SI SEÑOR!, ¡SI SEÑOR!, somos la revolución, tu enemigo es el patrón,
¡SI SEÑOR!, ¡SI SEÑOR!, somos la revolución, viva la revolución. "Estyhasta" los cojones de aguantar a sanguijuelas, los que me roban mi dignidad. Mi vida se consume soportando esta rutina que me ahoga cada día más.
Feliz el empresario, más callos en mis manos mis riñones van a reventar. No tengo un puto duro, pero sigo cotizando a tu estado del bienestar.
¡RESISTENCIA! Éste es mi sitio... En esta democracia hay mucho listo que se lucra exprimiendo a nuestra clase social. Les importa cuatro huevos si tienes catorce hijos y la abuela no se puede operar. Somos los obreros, la base de este juego en el que siempre pierde el mismo "pringao", un juego bien pensado, en el que nos tienen callados y te joden si no quieres jugar.
¡RESISTENCIA! ¡DES-O-BE-DIEN-CIA!
sábado, 21 de maio de 2011
Debate Sócrates Passos Coelho
eu fiz...
eu farei...
o que eu disse...
o que eu digo...
o que eu sei...
comigo...
comigo...
comigo...
eu sou...
sempre fui...
aconteço...
mereço...
fui eu que...
sou eu que...
eu! eu! eu! eu!...
mas então eles não representam ninguém!? nunca dizem nós?!
eu farei...
o que eu disse...
o que eu digo...
o que eu sei...
comigo...
comigo...
comigo...
eu sou...
sempre fui...
aconteço...
mereço...
fui eu que...
sou eu que...
eu! eu! eu! eu!...
mas então eles não representam ninguém!? nunca dizem nós?!
Pois fiquem sabendo que não nos comem por tansos! Não se trata de escolher um primeiro ministro entre dois ou mais! No dia cinco vamos eleger os deputados para a Assembleia da República! Aconteça o que acontecer, cá continuaremos, nós!...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Que ninguém mais diga merda
... mas diga merkel!...
proponho que de ora em diante se passe a dizer:
vão todos para a merkel!
vão todos à merkel!
cheira aqui mal como a merkel!
sócrates é uma merkel!
isto está uma merkel!
merkel para isto!
mas que merkel é esta?!
por acaso já não nos chega a merkel que cá temos?!
só nos faltava cá mais esta merkel!
outro assunto:
ligo tanto à merkel do futebol como à publicidade de pensos higiénicos
mas ainda não vendi a merkel da televisão
mas esta merkel de fazer dos debates políticos um jogo de ganhou este e perdeu aquele e, no final, os canais terem uns comentadores políticos com discurso de jornalistas desportivos, leva-me a concluir que estamos mesmo na merkel e que só há uma solução:
partir esta merkel toda a começar pela televisão!
proponho que de ora em diante se passe a dizer:
vão todos para a merkel!
vão todos à merkel!
cheira aqui mal como a merkel!
sócrates é uma merkel!
isto está uma merkel!
merkel para isto!
mas que merkel é esta?!
por acaso já não nos chega a merkel que cá temos?!
só nos faltava cá mais esta merkel!
outro assunto:
ligo tanto à merkel do futebol como à publicidade de pensos higiénicos
mas ainda não vendi a merkel da televisão
mas esta merkel de fazer dos debates políticos um jogo de ganhou este e perdeu aquele e, no final, os canais terem uns comentadores políticos com discurso de jornalistas desportivos, leva-me a concluir que estamos mesmo na merkel e que só há uma solução:
partir esta merkel toda a começar pela televisão!
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