quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Gostava de encontrar estes dois tipos na manifestação

"seria ridículo os portugueses aceitarem os sacrifícios que lhes estão a ser impostos sem se manifestarem nas ruas ou sem greves"... "neste contexto, a população não sair à rua, é dar a ideia de que somos um povo de molengas. Pareceríamos "parvos, ou mortos"!
Julgo que quem disse isto foi o presidente da CIP - Conferência Ipiscopal Portuguesa - ao abrigo do acordo ortográfico.

Julgo que quem referiu isto foi o ex-presidente da CIP - Confederação da Indústria Portuguesa - ao abrigo do acordo da troika apostólica.
 
No dia 1 de Outubro, dia da manifestação, gostava de encontrar estes dois tipos na manifestação, um a reinvidicar como um sacrificado e o outro a distribuir cigarros  aos desempregados. Sei de fonte segura que nenhum deles vai estar. Sei que um é Van Zeller e o outro Policarpo mas é provável que lhe troque os nomes, as funções e as citações. Sei que são citações como as deles que me dão mais força para me manifestar. Sei que ambos vão almoçar nesse dia mas eu ainda não sei se almoço. Poderão até almoçar juntos mas tenho a certeza que não os vou encontrar à mesa nem na rua!


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Quarto 2

(Se não leu o Quarto 1 este quarto não faz sentido)A casa ficava num bairro social dos anos cinquenta mas o crescimento da cidade tinha-a envolvido a ponto do seu valor se tornar de classe média para cima; era uma das do meio dum conjunto de quatro, tinha um pequeno jardim à frente e um pequeno quintal atrás, tinha uma sala, uma cozinha e uma casa de banho no rés-do-chão e, no primeiro andar, três quartos com as três portas juntas no patamar do cimo da escada. O quarto da dona Graça dava para a frente e ocupava tanta área como os outros dois - um das filhas e o outro dos hóspedes - que davam para as traseiras.
À medida que o meu companheiro de quarto se foi afastando da vida da casa eu fui-me tornando cada vez mais da casa. Dona Graça arranjou emprego, como cozinheira, num conhecido restaurante da zona e tentava arranjar um companheiro que lhe compusesse a família.
Noite dentro, a senhoria bateu-me à porta do quarto e chamou-me ao dela para que o Zé Maria quando chegasse, como sempre fora de horas, não interrompesse a conversa a que me chamava. Sentámo-nos na beira da cama e passou-me às mãos uma revista feminina, aberta nas páginas daqueles anúncios em que as pessoas sós tentam encontrar parceiros para troca de amizade e mais não sei o quê. O escolhido, de seu nome Virgolino, estava detido no estabelecimento prisional de Paços de Ferreira e procurava uma mulher com alma.
- Ora essa, dona Graça! Se quer alma encontra em si a porta certa!
- Precisava da tua ajuda, João, para me escreveres a carta! Como sabes assino o nome e pouco mais!...
Deu-me um bloco e uma caneta e começou a ditar-me, com palavras curtas, a sua vida e a sua alma, pedindo-me ajuda aqui e acolá na forma ou no conteúdo. A cumplicidade prolongou-se além da carta em contactos e afectos que denunciavam carências mútuas e punham em contraste a minha pouca experiência e a sabedoria da senhora da minha casa. Senhora de corpo abastado de cozinheira negra, de suor africano, de – só de lembrar-me!
- Que isto não seja entendido como pagamento!
Devem ter sido das únicas palavras que se interpuseram por qualquer um de nós. Acordei de madrugada, passei-me para o meu quarto e adormeci novamente. O Zé Maria ainda acordou e resmungou:
- Que é esta merda?! Isto são horas de chegar a casa? Andas a ficar mais moina que eu ou quê?!
O presidiário respondeu e estas cartas repetiram-se durante dois ou três meses, à razão de uma por semana e, no dia seguinte, eu nunca ia às aulas.

Na próxima quarta há mais Quarto

domingo, 25 de setembro de 2011

Compro jipe usado


Em Julho o padre levou-me no seu carocha - ele de batina à época, eu com a única roupa que tinha sem remendos - ao Seminário Diocesano para fazer estágio e provas que atestassem o jeito e a verdade da minha vocação. Vi-me deitado à noite, numa camarata com mais trinta meninos que estavam ao mesmo e, pela primeira vez, senti o que era não ter mãe para aconchegar as mantas.

O edifício era quase a estrear, dinheiro de esmolas, dinheiro dos santos, dinheiro alemão, projecto alemão, desenho certo para as funções a que estava destinado, tudo pensado, para os mais pequenos, para os quase padres, para os padres, para as criadas, para as freiras, para o culto, para o estudo, para o lazer, conforto, funcionalidade, inteligência! A gente abria uma torneira e corria água vinda sei lá de onde, fria ou quente, era só escolher, adeus banhos de alguidar, adeus mãos sujas do esterco dos currais, adeus pó do pasto, adeus frio, ai tanto livro que há aqui para ler, ai tanto jogo, dois campos de futebol, ai eu tenho de passar!

E para passar tinha a meu favor ter sido o melhor da classe na minha escola - éramos só dois e o Ginado era mais virado para o gado - ser mesmo eu, e isso era importante nos testes psicotécnicos diários que fizeram durante toda a semana; ser devoto, e isso era evidente na atenção que prestava aos oradores, no modo como entoava o Pai Nosso ou erguia as mãos nas práticas religiosas que, obviamente, incluíam o tirocínio. Na entrevista final com o reitor vieram as perguntas principais:
- E diz-me lá filho, de onde te veio esta ideia de quereres ser pastor do Senhor?!
- Foram dois missionários lá à escola, gostei e fiquei com vontade de ser como eles!

Foram dois jovens felizes que falaram alegremente das missões no ultramar e que projectaram slides coloridos com fotografias da cor quente do solo  africano, com grupos de negros sorridentes ao lado de missionários brancos sorridentes, um jipe, mulheres com as mamas à mostra lavando a roupa no rio, uma capela com telhado de colmo - macacos me mordam se eu não hei-de um dia ir também para além mar anunciar a salvação!

Não lhe contei o quadro nem lhe contei que um dia, no fim da catequese, fiquei de espera a uma cachopita de outro lugar para lhe dar umas palavras e mais um beijo. Os amigos do meu lugar não me esperaram e eu tive de regressar a casa sozinho pelo pinhal. A lição do dia tivera uma ilustração do inferno com o Satanás de cornos e forquilha a picar seres metuendos em chamas. Tudo somado, o caminhar sozinho e a pensar, o pecado da luxúria, o medo de me queimarem quando morresse, fez-me lembrar que a melhor forma de me salvar e ter o Céu garantido era ir para padre.

- E quando sentiste o chamamento de Deus, meu filho?!
- Eu vinha da catequese, e lá numa curva onde existem uns carvalhos…

Esperem aí! Compro!... Mas não tenho dinheiro!!



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A caricatura do meu país

está na Madeira!

Que levantem a mão os madeirenses que nunca a apertaram a João Jardim!
Ele é o eleito! Ele é assim! Ele foi sempre assim! Ele há-de ser sempre assim qual Gabriela!
Querem-nos fazer passar a ideia que ele é o único, que ele é o culpado, que só ele deve ser julgado, como se não soubessemos que, tal como todos os outros, sairia cantando e ilibado!
Numa coisa ele tem razão, e nessa razão reside a sua força, a comunicação social do continente é, no fundo, como a da Madeira. Assistimos nos últimos dias, nos media dominantes, a uma campanha sem escrúpulos, desinformativa, tendenciosa, mafiosa, arrogante, contra a Madeira em modos que só nos fazem lembrar João Jardim! 
Se um dia houver um tribunal que em boa hora julge todos os "Jardins" deste país, a sala não pode ser em Porto Santo porque não caberão lá todos os mochos! Jardim é apenas a caricatura e, com caricaturas, não vamos lá; são precisas as fotos tipo passe de todos os que foram estudar filosofia ou que acabaram em comentadores da situação nos media dominantes que agora descobriram a Madeira e ainda não sabem onde é a Cova da Beira!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Regresso ao Quarto

Já todos leram um livro pela segunda vez, voltaram a ver um filme, um espectáculo, um castelo, uma novela, experimentaram pela segunda vez uma relação. Às vezes é melhor do que a primeira vez, às vezes desilude, às vezes é porque calha ou porque convém mas é sempre porque lhe deu da primeira vez algum prazer ou também porque não se encontra nada novo para fazer. E aqui estou eu à volta das palavras tentando, em vão, ter alguma coisa de novo para dizer. Só me saem rimas de desgarrada de adega: "er"... ´ão"... e só não me sai "inha" porque repeti muitas vezes as leituras de certos poetas que desrimam para acertar. Nadinha, nadão me ocorre, tantos são os estímulos, tantos os temas, tantas as razões, paixões, raivas, motivos, motivações e tão pouca é a pachorra, o espírito, o tempo!... E também o tempo, os tempos não ajudam!... Costumo dizer que perdi o estado de poesia! Inspiração?! Não! Que é isso!?  Expiração! Isso sim! Vou expirar! Não! Já expirei!
Serve a presente lengalenga para enquadrar a reposição da saga o Quarto; e os motivos são: por impulso, por conveniência, por vontade, porque apetece, para preencher um vazio, um nu, cá por coisas!... Por outras coisas vou manter os comentários da primeira edição!
Aos velhos leitores, desculpas esfarrapadas! Aos novos leitores, passem bem... por aqui, no post abaixo: (dois pontos)

Quarto 1

O quarto era arrendado, aos dois, por dois contos e duzentos a cada um, com dois banhos por semana e cama feita. Ficámos de pensar. Dona Graça fez questão de dar conta da sua situação passional, tinha um amante. Viera de Moçambique, a toque de Independência, arrastada por um colono branco septuagenário de quem tinha duas filhas. O velho morrera e eram as herdeiras que garantiam o direito ao tecto perante a demanda que a viúva branca, que nunca pusera o corpo em África, lhe movia reclamando a posse da vivenda.
As moças, de 17 e 15, a mãe de 35, tinham formas e sorrisos de fazer estremecer a mancebia de tal forma que, já na rua, Zé Maria esfregava as mãos de entusiasmo e dizia para mim:
- Para mim já está pensado, negócio feito!
O espaço exíguo para os dois, dois divãs, uma mesinha, um guarda-fatos, uma pequena mesa, uma cadeira, uma janela de poucas vistas, as paredes pintadas de vermelho…
- Eu reparei lá nisso! Paredes vermelhas? Viva o Benfica!...Viva o comunismo!
Lá abancámos a tralha e diga-se que, passada uma semana, a vida já era familiar. Ao serão jogávamos às cartas com as meninas e com o senhor Carlos que, entretanto, começou a trazer também o filho.
Um dia, o senhor Carlos presenteou com um carro Graça e foram, os cinco, desbundá-lo pela noite. Os tristes hóspedes ficaram e acordaram por volta das sete da manhã com gritos e pancadas de escândalo na porta de entrada. Fomos ao quarto dos amantes espreitar pela janela, duas mulheres possessas diziam das suas para dentro da casa e a vizinhança fazia já roda ou espreitava. Fomos abrir a porta informando com calma que estavam ao engano.
- Que não e não e não!
- Que somos apenas hóspedes e que somos os únicos seres dentro da casa e que não podemos permitir a entrada que a casa não é nossa!
Com a diplomacia possível para o caso lá conseguimos que mãe e nora partissem vencidas mas não convencidas. Talvez tivesse sido falsa a pista, talvez eles tivessem tido um acidente, talvez fossem fantasias e não cornos o que as trouxe ali.
Certo é que, do Senhor Carlos e do seu filho único nunca mais se ouviu falar. A casa virou festa, era música e mais música merengue até a polícia deixar, era a condução do Zé Maria a fazer chiar o Simca 1000 enquanto a Dona Graça não passava na carta, era a beleza da juventude, era a vida!...

domingo, 18 de setembro de 2011

Uma coisa que se me meteu na cabeça

- Que diabo de ideia que se havia de meter na cabeça do chachopo!
Pensaria minha mãe durante a lida. Para o meu pai ter um filho médico ou padre, era dos maiores orgulhos que um homem pode ter. Como para os mais pobres médico pia fino, só lhes restava o ofício dos altares em que os estudos são bem mais baratos.
- Se lá chegares, dar-te-ei a melhor charneca!
- Não! Eu quero ser missionário e vou fazer voto de pobreza.

Conversariam os dois na minha ausência:
- Que diabo de ideia que se havia de meter na cabeça do chachopo!
- Em vez de invocares o diabo devias era dar graças a Deus!
- Olha tu, agora armado em santo, há mais de cinco anos que não vais à confissão!... O rapaz tem lá feitio para padre! É um corrécio desajuizado!
- Lá por andar sempre à procura de ângulos para espreitar por baixo das saias das mulheres, isso não quer dizer que não tenha jeito para pregar! Uma coisa não impede a outra! Não lhe hão-de faltar oportunidades de molhar o bico ao prego!.. Oh!Oh! Os padres têm as mulheres todas!

Como o caso, raro na aldeia, chegasse ao conhecimento de todos e todos sem excepção já me tratassem por Padre Nunca, não restou à mãe outra coisa senão ir apresentar o menino possesso ao senhor prior.
O homem fez uma longa entrevista a mãe e filho para averiguar a autencidade da vocação e, ao fim de algum tempo, opinou sabiamente:
- Não me parece com perfil para franciscano. Um dia destes combinamos e, eu próprio, o levarei ao seminário diocesano!

O padre ficou contente. Nunca tinha tido seminaristas no seu rebanho! O contentamento expressou-se numa nota de cinquenta escudos que me enfiou no bolso ao sair.

Minha mãe começava a conformar-se, pelo menos estudaria de graça e só aquele dinheiro, já valia bem o caminho que fizeramos do monte até à igreja. E, como tinha uma unha de poeta popular, inventou logo ali uma para eu cantar, que obviamente nunca mais esqueci:

O Senhor Padre Ferreira
Pessoa de altos estudos
Perdeu o amor à carteira
E deu-me cinquenta escudos

sábado, 17 de setembro de 2011

Hay que ser rebelde

Camila Vallejo, líder estudantil chilena, foi-me apresentada pelo Samuel Cantigueiro. No "bons tempos hein" conheci esta bonita homenagem:


Para que mais gente a conheça, deixo aqui o meu tributo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Sapo surpreende

Parece que Passos Coelho andou lá para a Prússia e saiu-se com uma tão original que o portal Sapo fez dela destaque para o tema Crise: "A Europa tem de falar a uma só voz".
Não perceberam os "sapos" que o que ele queria dizer era: "Na Europa tem de falar uma só voz". Referia-se obviamente à sua senhora Merkel que já fala como se a Alemanha não tivesse perdido a guerra. Assim, como tão bem poliu o amigo maceta da Caixa de Pregos:
Vergou-se à Ângela!? Vá à merkel!

domingo, 4 de setembro de 2011

A Festa

A festa da minha aldeia não era igual às festas das outras aldeias. Primeiro, porque não tinha santo. Existia no largo um nicho que era enfeitado pela ocasião, tinha um Cristo crucificado de latão mas ninguém lhe ligava patavina. Depois, a festa era num dia de semana, coisa rara e estranha. Finalmente, a festa era diferente de todas as outras porque diferentes eram as gentes da minha terra. E, por estas coisas, muita gente havia das redondezas que tirava o dia para por lá foliar.

Do programa das festas não constava quermesse, banda filarmónica, procissão, leilão mas existiam sempre originalidades e bailes que chegaram a determinar a alguns mordomos a excomunhão. Julgo que o que determinava a diferença era o empenho de todos, a organização, a boa disposição e a empatia que enfeitavam o arraial.

Durante o ano inteiro discutia-se e comentava-se a festa do ano anterior e discutia-se e projectava-se a festa seguinte, à lareira, nos campos ou nas tabernas, como se a festa fosse em si mesma uma tarefa familiar com um fim, como a colheita do milho, a vindima ou a matança do porco. E eu, como os demais, desde pequeno que me fui fazendo aos meus papéis porque para todos havia o seu lugar. As crianças varriam os recintos e corriam em recados, os burros iam buscar a verdura das acácias para enfeitar as ruas, as raparigas faziam as flores de papel, os rapazes espalhavam os cartazes, as mulheres tratavam da comida, os homens erguiam palcos e vedações, as velhas zelavam pelas tradições, os velhos trespassavam artes.

Mas foi no tempo em que eu tive idade para ser mordomo que a festa se transformou.

Entusiasmados pelo crescente sucesso da festa mudámos a data para o fim de semana e, ano após ano, começámos a edificar estruturas permanentes, a contratar serviços, a entregar explorações e até a arranjar um espaço de programa para o prior fazer das suas.
Ao fim de alguns anos a festa ganhou dimensões muito maiores que a própria aldeia, a televisão descobriu-a e filmou-lhe as diferenças. A exposição mediática ditou o meu afastamento. Começaram a vir pessoas que não tinham por razão de vir o convívio são, com gente tão boa, a conversa com o velho que fazia os balões de ar quente, o programa cultural ou o vinho da terra e, pior do que isso, começaram a ser a grande maioria. Vinham, porque tinham visto na televisão e, quem sabe, podiam também eles ser vistos ou pelo menos, se voltassem a ver poderiam dizer que tinham lá estado.

É difícil explicar aos amigos que me afastei da festa porque já não dá trabalho, porque já tem missa, porque tem muita gente e que dar na televisão tira-lhe força.

A este propósito vale a pena ler uma conhecida crónica de um conhecido autor que nunca fez uma festa mas gostou duma.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um vulcão na Festa do Avante


Amanhã, sábado, vai estar na Festa do Avante o Vulcão Mayra Andrade.
Conheci Mayra Andrade por acaso. Estava por acaso em Porto Covo e por acaso, numa noite de Verão, vi-me no Festival de Músicas do Mundo. Surpreendido pela revelação, enquanto a ouvia, segredei à minha filha de dez anos:
- Ouve e vive este momento, vais ouvir falar muito desta mulher ao longo da tua vida!
E na continuação da nossa vida temos ouvido muito a sua música e nunca mais esquecemos aquela noite.
A noite em que conhecemos Mayra Andrade e em que nos roubaram a estrela do Mercedes.
Vinhamos a sair do festival e, ao chegar ao carro, constatámos que lhe/nos faltava a estrela. O GNR circunstante apercebeu-se da minha exaltação e abeirou-se averiguador:

- Deixe lá homem! São jovens! Fazem colecção!
- O Senhor guarda não percebe?! Eu preferia que me tivessem levado o carro e me tivessem deixado a estrela aqui no chão!
O guarda deu meia volta - provavelmente ia buscar o balão. Ao longe ainda lhe gritei:
- Ó senhor guarda! Eu só tenho um Mercedes por acaso!
Gostar das estrelas dos Mercedes e de Mayra Andrade não é o meu maior pecado, o meu maior pecado é não ter carro para ir à Festa do Avante!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Do amigo da loucura lúcida

Tive um amigo que assinava Nuno Albuquerque. Já aqui falei dele. Ontem fui à terra e deram-me notícias dele: ninguém sabe dele mas todos dizem que deve ter enlouquecido de vez. Porque a ele lhe devo alguma da loucura que tenho, transcrevo um texto, dos poucos que me legou e que, por loucuras várias, ainda guardo.

5 para as 3 da manhã do dia 21 de Outubro de 1982
Carta aos irmãos
Quem me chama? És tu lua inventada nas correntes que o meu peito estala com a facilidade dum Super-homem.
Chamam-me cínico pois a fera procura macular o último reduto.
Escrevo para resistir à mágoa, mas não vou parar esta luta para a glória.
Dentro de mim há a força do caos e procurarei não desiludir os apostadores porcos e pérfidos. Odeio os apostadores e a mim só me resta o que veio no meu encalce a buscar aquele puto que as mulheres anseiam mas têm vergonha de exigir. Combato e participo da verdade daquele génio que às tantas da madrugada sangrou na crucificação mais terrível dos últimos tempos.

A vingança é a arma dos sãos e a mentira a ponta da lança a matar os traidores. O Partido será fundado sobre o cadáver do Rei. Este relógio de bolso marca o tempo da solidão que a minha cabeça, transformada em insónia pesada, levanta ao ar para proclamar a ironia - o modelo a seguir por aqueles putos a transbordar de loucura e raiva. A mim putos brancos - darei-vos a vitória destas mãos traídas mas puras. Aquele pénis revelou o segredo e tu choraste por não teres a pistola apontada à sereia. Escrever Escrever até ao infinito desta Terra a pedir chuva e não parar os cavalos nas tabernas saloias que na sua insignificância geram a mesquinhez a inveja e a tragédia deste País a abarrotar de clérigos burros.

Paro para me deitar e ir bater com a cabeça na almofada e rebolar na exiguidade da cama onde trabalhando a Razão me aproximarei de ti Senhor doente que irás rezar ao espírito de um povo o porquê da tortura e dos processos abertos - (tem piada que mais tarde serão revistos) e então muitas cabeças rolarão no asfalto e na praça pública desejando nunca terem nascido - Adiante Adiante Adiante - Vou fumar um cigarro poderoso e assassino. Adeus irmãos até à próxima carta.
Viva o Rei ---- Viva o Rei----

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dá-lhe gás! Dá-lhe água! Dá-lhe!

Um aumento de gás e água de 283% de imposto cego?!

Como?! - Eu explico! Ou melhor, o Anónimo  tem explicado!
Eles dizem que a taxa de IVA sobre a água e sobre o gás vai aumentar de 6% para 23% (isto se os 23 não passarem para 25!) e nós comemos: um aumento de 17%, portanto!
Porquê então falar em 283%?! Façamos contas: sobre um consumo de 10 euros, nós pagávamos 60 cêntimos - sobre os mesmos 10 euros vamos começar a pagar 230 cêntimos - mais 170 cêntimos, portanto!
170/60 corresponde a 283%! Isto é, não nos comam por tolos, a receita arrecadada em imposto não corresponde a mais 17% mas sim a mais 283% da que antes era arrecadada! Isto, salvaguardando, é claro, o aumento do consumo da lenha, da cêra, do vinho e da fuga aos impostos por embriaguês!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Leitão da Quinta

Não comentem! Isto é só mesmo para cumprir calendário! O Rei está impávido, pálido, inquieto e sereno!
O Povo está impávido, pálido, inquieto e sereno! O Povo não diz nada mas ouve-se tão bem! Também, a mim, não me apetece dizer nada! Perdi o discurso, a opinião, o estado de poesia mas não perdi a voz! Um dia destes ainda vou dizer das minhas e quem sabe, o Povo volte a construir um mês...

domingo, 7 de agosto de 2011

Quando a asae nasce, nasce para todos

Não gosto da asae. Age com exibicionismo, brutalmente e irracionalmente. Foi na asae que foi descoberto um critério de avaliação que premiava os funcionários que conseguissem fechar mais estabelecimentos!...

Aqui na pocilga quando matamos um porco, entra cada facada, cada cortadela ou cada garfada, há sempre alguém a dizer: olhem se viesse aqui a asae?! Troçamos de quem usa faca e garfo, faz-nos impressão que exista gente que toma banho todos os dias e custa-nos a acreditar que alguém limpe os beiços ou o rabo com papel.
E ...
Acontece que, falando em linguagem ordinária, trata-se do cúmulo ideológico da discriminação, do fim do streap-tease de intenções deste governo! Estes tipos só pensam nos pobres! Porque raio hão-de resguardar essas instituições da fúria da asae?! E os outros, os restaurantes que pagam impostos e criam riqueza, vão ter de continuar sujeitos  ao "fascismo higiénico"?!... 

A não ser que o trabalho da asae seja mesmo sério  e se passe o contrário, que se dispensem os pobres da segurança e da higiene alimentar, nesse caso, acho que deveria haver uma demissão de emergência! Isto apesar de eu não lavar as mãos antes de ir para a mesa!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Leitão da Quinta

Meus senhores, minhas senhoras, amigos, companheiros e camaradas, estou farto disto!
Farto de quê!? Das férias?! Não! Eu não nasci para trabalhar mas para viver! De Portugal?! Da Vida?! Do Mundo?! Não! Eu gosto de viver em Portugal e de sentir que Portugal faz parte do Mundo!...
Estou farto da blogosfera?! Não! Não troco os meus blogues por qualquer jornal ou folhetim paroquial e os meus Amigos "blogueres", são tão grandes como outros amigos daqui e dacolá, disto e daquilo, são Amigos!...
Estou farto das notícias, do país, da crise, da situação, da conjuntura, das declarações, dos comentários, dos comentadores, dos especialistas, dos analistas, do descaramento, da afronta, da provocação, das soluções, das inevitabilidades, das medidas, das soluções, dos  cortes,  dos despedimentos, da pobreza, da caridade,  dos aumentos, das diminuições, dos índices, das taxas, dos números, dos aumentos, das descidas, das subidas, da merda em que isto se tornou!...
Estou também farto de me chamarem utente, utilizador, cliente, consumidor, colaborador, pessoa, cidadão, português, abusando da minha condição, decidindo e falando em meu nome, e deixando nas entrelinhas que eu, privilegiado, malandro, tenho de pagar!...
Mas em resumo digo, estou farto! Abusando um pouco, estamos fartos!...
Mas não resignados! Privatizem a puta que os pariu! Vendam as estradas, as pontes e as fontes! Façam dos Jerónimos um centro comercial e do mosteiro da Batalha uma casa delas! Que seja heresia o termo "serviço público"! Que a Nação  não tenha nada Nacional! Que concorram ao governo - se não é isso que já está a acontecer - grupos económicos e que se entregue o governo e a assembleia a grupos privados! Grupo Amorim - 10 deputados! Grupo Belmiro - 7 deputados! Grupo Balsemão - PSD! Grupo Mota-Engil - PS! Lobbie Gay - CDS!
E depois, só para justificar a democracia, um activista de esquerda vai à televisão fazer umas declarações, no enquadramento que se achar mais desajeitado, acerca de uns trabalhadores que julgavam que a fábrica ia durar sempre!...
Isto são outros tempos!
Talvez sejam! Mas contra rumos, rimas e marés, este blogue não dobra! Contra todos os Passos! Anuncio-vos a nacionalização deste Blogue! Porque este blogue é um serviço público, este blogue passa a ser, a partir de hoje, propriedade do Estado! 
Estou farto disto?! Eu estou de férias!... Mas estou farto disto!... É natural que a partir de agora, em vez de andar por aqui a partir destas, começe a andar por aí a partir de outras!
Rei da Nação, Nacionalizado, Não Resignado!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Leitão da Quinta

Já me tinha esquecido que era quinta, julgava que era sábado. Sou um sujeito de compromissos banais. Comprometi-me em dar leitão à quinta e todas as quintas aqui estarei com porco.
Ah! Pois!... Depois do "e tudo o vento levou", este filme deve ser dos mais conhecidos entre nós. Veio-me parar aqui de outros tempos deste reino. O argumento é este: dinossauros da política?!
Visto de dentro, da direita para a esquerda, Cavaco, Passos e eu. Com que então dinossauros?! E que dizer daquele rei que come cebolas ao pequeno almoço?!