O "SAPO" informa com o mesmo jeito com que os sapos caem:
Título da encomenda: "UGT demarca-se das manifestações marcadas"
Título que recomendo: " CGTP marca manifestação para 1 de Outubro"
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
A Festa
A festa da minha aldeia não era igual às festas das outras aldeias. Primeiro, porque não tinha santo. Existia no largo um nicho que era enfeitado pela ocasião, tinha um Cristo crucificado de latão mas ninguém lhe ligava patavina. Depois, a festa era num dia de semana, coisa rara e estranha. Finalmente, a festa era diferente de todas as outras porque diferentes eram as gentes da minha terra. E, por estas coisas, muita gente havia das redondezas que tirava o dia para por lá foliar.
Do programa das festas não constava quermesse, banda filarmónica, procissão, leilão mas existiam sempre originalidades e bailes que chegaram a determinar a alguns mordomos a excomunhão. Julgo que o que determinava a diferença era o empenho de todos, a organização, a boa disposição e a empatia que enfeitavam o arraial.
Durante o ano inteiro discutia-se e comentava-se a festa do ano anterior e discutia-se e projectava-se a festa seguinte, à lareira, nos campos ou nas tabernas, como se a festa fosse em si mesma uma tarefa familiar com um fim, como a colheita do milho, a vindima ou a matança do porco. E eu, como os demais, desde pequeno que me fui fazendo aos meus papéis porque para todos havia o seu lugar. As crianças varriam os recintos e corriam em recados, os burros iam buscar a verdura das acácias para enfeitar as ruas, as raparigas faziam as flores de papel, os rapazes espalhavam os cartazes, as mulheres tratavam da comida, os homens erguiam palcos e vedações, as velhas zelavam pelas tradições, os velhos trespassavam artes.
Mas foi no tempo em que eu tive idade para ser mordomo que a festa se transformou.
Entusiasmados pelo crescente sucesso da festa mudámos a data para o fim de semana e, ano após ano, começámos a edificar estruturas permanentes, a contratar serviços, a entregar explorações e até a arranjar um espaço de programa para o prior fazer das suas.
Ao fim de alguns anos a festa ganhou dimensões muito maiores que a própria aldeia, a televisão descobriu-a e filmou-lhe as diferenças. A exposição mediática ditou o meu afastamento. Começaram a vir pessoas que não tinham por razão de vir o convívio são, com gente tão boa, a conversa com o velho que fazia os balões de ar quente, o programa cultural ou o vinho da terra e, pior do que isso, começaram a ser a grande maioria. Vinham, porque tinham visto na televisão e, quem sabe, podiam também eles ser vistos ou pelo menos, se voltassem a ver poderiam dizer que tinham lá estado.
É difícil explicar aos amigos que me afastei da festa porque já não dá trabalho, porque já tem missa, porque tem muita gente e que dar na televisão tira-lhe força.
A este propósito vale a pena ler uma conhecida crónica de um conhecido autor que nunca fez uma festa mas gostou duma.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Um vulcão na Festa do Avante
Amanhã, sábado, vai estar na Festa do Avante o Vulcão Mayra Andrade.
Conheci Mayra Andrade por acaso. Estava por acaso em Porto Covo e por acaso, numa noite de Verão, vi-me no Festival de Músicas do Mundo. Surpreendido pela revelação, enquanto a ouvia, segredei à minha filha de dez anos:
- Ouve e vive este momento, vais ouvir falar muito desta mulher ao longo da tua vida!
E na continuação da nossa vida temos ouvido muito a sua música e nunca mais esquecemos aquela noite.
A noite em que conhecemos Mayra Andrade e em que nos roubaram a estrela do Mercedes.
Vinhamos a sair do festival e, ao chegar ao carro, constatámos que lhe/nos faltava a estrela. O GNR circunstante apercebeu-se da minha exaltação e abeirou-se averiguador:
- Deixe lá homem! São jovens! Fazem colecção!
- O Senhor guarda não percebe?! Eu preferia que me tivessem levado o carro e me tivessem deixado a estrela aqui no chão!
O guarda deu meia volta - provavelmente ia buscar o balão. Ao longe ainda lhe gritei:
- Ó senhor guarda! Eu só tenho um Mercedes por acaso!
Gostar das estrelas dos Mercedes e de Mayra Andrade não é o meu maior pecado, o meu maior pecado é não ter carro para ir à Festa do Avante!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Do amigo da loucura lúcida
Tive um amigo que assinava Nuno Albuquerque. Já aqui falei dele. Ontem fui à terra e deram-me notícias dele: ninguém sabe dele mas todos dizem que deve ter enlouquecido de vez. Porque a ele lhe devo alguma da loucura que tenho, transcrevo um texto, dos poucos que me legou e que, por loucuras várias, ainda guardo.
5 para as 3 da manhã do dia 21 de Outubro de 1982
Carta aos irmãos
Quem me chama? És tu lua inventada nas correntes que o meu peito estala com a facilidade dum Super-homem.
Chamam-me cínico pois a fera procura macular o último reduto.
Escrevo para resistir à mágoa, mas não vou parar esta luta para a glória.
Dentro de mim há a força do caos e procurarei não desiludir os apostadores porcos e pérfidos. Odeio os apostadores e a mim só me resta o que veio no meu encalce a buscar aquele puto que as mulheres anseiam mas têm vergonha de exigir. Combato e participo da verdade daquele génio que às tantas da madrugada sangrou na crucificação mais terrível dos últimos tempos.
A vingança é a arma dos sãos e a mentira a ponta da lança a matar os traidores. O Partido será fundado sobre o cadáver do Rei. Este relógio de bolso marca o tempo da solidão que a minha cabeça, transformada em insónia pesada, levanta ao ar para proclamar a ironia - o modelo a seguir por aqueles putos a transbordar de loucura e raiva. A mim putos brancos - darei-vos a vitória destas mãos traídas mas puras. Aquele pénis revelou o segredo e tu choraste por não teres a pistola apontada à sereia. Escrever Escrever até ao infinito desta Terra a pedir chuva e não parar os cavalos nas tabernas saloias que na sua insignificância geram a mesquinhez a inveja e a tragédia deste País a abarrotar de clérigos burros.
Paro para me deitar e ir bater com a cabeça na almofada e rebolar na exiguidade da cama onde trabalhando a Razão me aproximarei de ti Senhor doente que irás rezar ao espírito de um povo o porquê da tortura e dos processos abertos - (tem piada que mais tarde serão revistos) e então muitas cabeças rolarão no asfalto e na praça pública desejando nunca terem nascido - Adiante Adiante Adiante - Vou fumar um cigarro poderoso e assassino. Adeus irmãos até à próxima carta.
Viva o Rei ---- Viva o Rei----
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Dá-lhe gás! Dá-lhe água! Dá-lhe!
Um aumento de gás e água de 283% de imposto cego?!
Como?! - Eu explico! Ou melhor, o Anónimo tem explicado!
Eles dizem que a taxa de IVA sobre a água e sobre o gás vai aumentar de 6% para 23% (isto se os 23 não passarem para 25!) e nós comemos: um aumento de 17%, portanto!
Porquê então falar em 283%?! Façamos contas: sobre um consumo de 10 euros, nós pagávamos 60 cêntimos - sobre os mesmos 10 euros vamos começar a pagar 230 cêntimos - mais 170 cêntimos, portanto!
170/60 corresponde a 283%! Isto é, não nos comam por tolos, a receita arrecadada em imposto não corresponde a mais 17% mas sim a mais 283% da que antes era arrecadada! Isto, salvaguardando, é claro, o aumento do consumo da lenha, da cêra, do vinho e da fuga aos impostos por embriaguês!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Leitão da Quinta
Não comentem! Isto é só mesmo para cumprir calendário! O Rei está impávido, pálido, inquieto e sereno!
O Povo está impávido, pálido, inquieto e sereno! O Povo não diz nada mas ouve-se tão bem! Também, a mim, não me apetece dizer nada! Perdi o discurso, a opinião, o estado de poesia mas não perdi a voz! Um dia destes ainda vou dizer das minhas e quem sabe, o Povo volte a construir um mês...
domingo, 7 de agosto de 2011
Quando a asae nasce, nasce para todos
Não gosto da asae. Age com exibicionismo, brutalmente e irracionalmente. Foi na asae que foi descoberto um critério de avaliação que premiava os funcionários que conseguissem fechar mais estabelecimentos!...
Aqui na pocilga quando matamos um porco, entra cada facada, cada cortadela ou cada garfada, há sempre alguém a dizer: olhem se viesse aqui a asae?! Troçamos de quem usa faca e garfo, faz-nos impressão que exista gente que toma banho todos os dias e custa-nos a acreditar que alguém limpe os beiços ou o rabo com papel.
E ...
E ...
... esta medida do Plano de Emergência Social em que o governo, pretendendo simplificar as regras da segurança e da higiene alimentar nas instituições de carácter social, retira a ASAE a responsabilidade da sua fiscalização... poderia, à partida, contar com o apoio das nossas mentes porcas.
Acontece que, falando em linguagem ordinária, trata-se do cúmulo ideológico da discriminação, do fim do streap-tease de intenções deste governo! Estes tipos só pensam nos pobres! Porque raio hão-de resguardar essas instituições da fúria da asae?! E os outros, os restaurantes que pagam impostos e criam riqueza, vão ter de continuar sujeitos ao "fascismo higiénico"?!...
A não ser que o trabalho da asae seja mesmo sério e se passe o contrário, que se dispensem os pobres da segurança e da higiene alimentar, nesse caso, acho que deveria haver uma demissão de emergência! Isto apesar de eu não lavar as mãos antes de ir para a mesa!
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Leitão da Quinta
Meus senhores, minhas senhoras, amigos, companheiros e camaradas, estou farto disto!
Farto de quê!? Das férias?! Não! Eu não nasci para trabalhar mas para viver! De Portugal?! Da Vida?! Do Mundo?! Não! Eu gosto de viver em Portugal e de sentir que Portugal faz parte do Mundo!...
Estou farto da blogosfera?! Não! Não troco os meus blogues por qualquer jornal ou folhetim paroquial e os meus Amigos "blogueres", são tão grandes como outros amigos daqui e dacolá, disto e daquilo, são Amigos!...
Estou farto das notícias, do país, da crise, da situação, da conjuntura, das declarações, dos comentários, dos comentadores, dos especialistas, dos analistas, do descaramento, da afronta, da provocação, das soluções, das inevitabilidades, das medidas, das soluções, dos cortes, dos despedimentos, da pobreza, da caridade, dos aumentos, das diminuições, dos índices, das taxas, dos números, dos aumentos, das descidas, das subidas, da merda em que isto se tornou!...
Estou também farto de me chamarem utente, utilizador, cliente, consumidor, colaborador, pessoa, cidadão, português, abusando da minha condição, decidindo e falando em meu nome, e deixando nas entrelinhas que eu, privilegiado, malandro, tenho de pagar!...
Mas em resumo digo, estou farto! Abusando um pouco, estamos fartos!...
Mas não resignados! Privatizem a puta que os pariu! Vendam as estradas, as pontes e as fontes! Façam dos Jerónimos um centro comercial e do mosteiro da Batalha uma casa delas! Que seja heresia o termo "serviço público"! Que a Nação não tenha nada Nacional! Que concorram ao governo - se não é isso que já está a acontecer - grupos económicos e que se entregue o governo e a assembleia a grupos privados! Grupo Amorim - 10 deputados! Grupo Belmiro - 7 deputados! Grupo Balsemão - PSD! Grupo Mota-Engil - PS! Lobbie Gay - CDS!
E depois, só para justificar a democracia, um activista de esquerda vai à televisão fazer umas declarações, no enquadramento que se achar mais desajeitado, acerca de uns trabalhadores que julgavam que a fábrica ia durar sempre!...
Isto são outros tempos!
Talvez sejam! Mas contra rumos, rimas e marés, este blogue não dobra! Contra todos os Passos! Anuncio-vos a nacionalização deste Blogue! Porque este blogue é um serviço público, este blogue passa a ser, a partir de hoje, propriedade do Estado!
Estou farto disto?! Eu estou de férias!... Mas estou farto disto!... É natural que a partir de agora, em vez de andar por aqui a partir destas, começe a andar por aí a partir de outras!
Rei da Nação, Nacionalizado, Não Resignado!
Rei da Nação, Nacionalizado, Não Resignado!
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Leitão da Quinta
Já me tinha esquecido que era quinta, julgava que era sábado. Sou um sujeito de compromissos banais. Comprometi-me em dar leitão à quinta e todas as quintas aqui estarei com porco.
Ah! Pois!... Depois do "e tudo o vento levou", este filme deve ser dos mais conhecidos entre nós. Veio-me parar aqui de outros tempos deste reino. O argumento é este: dinossauros da política?!
Visto de dentro, da direita para a esquerda, Cavaco, Passos e eu. Com que então dinossauros?! E que dizer daquele rei que come cebolas ao pequeno almoço?!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Suspensão da avaliação dos professores
Cá por coisas, nunca foi meu hábito falar por aqui de educação. Mas, porque me deslizei na mensagem anterior, porque sinto um silêncio ensurdecedor, vou escrever.
Há pouco mais de dois meses a votação parlamentar de projectos parlamentares pela suspensão do actual modelo de avaliação de desempenho de professores, deu tema aos jornais, fez desfilar a boca de comentadores, entusiasmou blogues do ramo e até foi discutido em cafés e em salas de professores.
Hoje, sobre a votação de diplomas idênticos, em situações idênticas, paira um silêncio suspeito! Idênticas, quer dizer, o governo já não é o mesmo e, pior que isso, já nem há sinais dos tradicionais opinadores. No parlamento foi assiml:
- O PCP, igual a si próprio, adaptou às circunstâncias um novo diploma e desmascarou o PSD.
- O BE, como é seu hábito, pegou na iniciativa do PCP e acenou aos media.
- O PS, com sentido histórico, deixou claro que continua a não ir com os professores.
- O CDS, à sua maneira, desenfiou um nim para não desagradar ao noivo.
- O PSD, igual a si mesmo, confirmou que ganhou o jeito de desdizer o que dizia há meses.
Para os que votaram contra e para os conformados do senso comum, o argumento é que estamos no fim e já vem aí outro modelo para avaliar os malandros dos professores. E fico com o exemplo de Santana Castilho que é mais ou menos assim: "se a receita está errada é sempre um erro tomar a dose até ao fim".
domingo, 24 de julho de 2011
Relatório de auto-avaliação preenchido
Professores não querem ir para férias sem fazer o seu relatório de auto-avaliação.
Não tenho uma boa notícia mas tenho um bom e-mail que recebi:
Não tenho uma boa notícia mas tenho um bom e-mail que recebi:
Pessoal, tenham calma, passem o fim de semana como se não fossem professores, não entrem em paranóia, não se enervem com a elaboração do relatório de auto-avaliação. Na próxima quarta-feira, 27 de Julho, vai ser votado na Assembleia da República o diploma do PCP pela suspensão do modelo de avaliação dos professores e, contrariamente ao que muitos dizem, pode ser que o PSD não seja igual ao PS e mantenha a posição que tinha há três meses atrás.
O relator
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Cimeira do Euro
- Querido, hoje fui ao mercado e ganhei 10 euros!
- Vendeste o cão?!
- Não! Comprei uma saia por 20 euros que a semana passada custava 30!
- Ora! Tu devias era usar calças!... Como os homens!
- Vendeste o cão?!
- Não! Comprei uma saia por 20 euros que a semana passada custava 30!
- Ora! Tu devias era usar calças!... Como os homens!
E isto tudo por causa de uma notícia que avançava que Portugal ganhou hoje não sei quantos milhões porque os juros desceram não sei quantas décimas!...
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Leitão da Quinta
Neste tempo em que os porcos triunfam deitando sobre as nossas vidas os seus dejectos, que o povo derrame sobre eles a sua sabedoria e os engorde para depois, os sangrar!!!....
Ghibli
A cada porco o seu ditado:Porco fresco e vinho novo, cristão morto.
Porco magro é que suja a água.
Porco que tem fome, sonha com bolota.
Porco rabão nunca enganou o patrão.
Porco safio, porco de brio.
Porco velho não se coça em pé de espinho.
Porcos com fome, homens com vinho, fazem grande ruído.
Porco fiado todo o ano grunhe.
Porca de um ano, cabra de um mês, e mulher dos dezoito aos vinte e três.
Em Janeiro, um Porco ao sol e outro ao fumeiro.
Morto por morto, antes a velha que o porco.
Mulher que assobia, ou capa porcos ou atraiçoa o marido.
Quem com farelos se mistura, porcos o comem.
Quem com porcos sonha, até o mato lhe ronca.
Ainda a propósito dos que nos governam:
"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem." (Mt 7:6)
terça-feira, 19 de julho de 2011
Lembrei-me de Torga
Lembrei-me agora que não me lembra a primeira vez que ouvi falar de Miguel Torga. Mas lembrei-me dele e...
Tive, no liceu, um professor de Português, residente em Coimbra, que se aventurou a conseguir de Miguel Torga uma entrevista cujo fim era fazê-la ouvir aos seus alunos.
E lá estou eu tão perto de Torga, de ouvido esticado, a tentar perceber do som fanhoso da cassete rasca, umas ideias – já mais que carcomidas pelos anos – acerca do lugar de um Deus incerto, numa certa existência, enfim, coisas que nos interessam tanto na adolescência. Ficou pelo menos a recordação do episódio, a proximidade e dedicação exclusiva dos trinta minutos do Poeta para uns trinta da turma – para o caso convém acreditar que o bom professor teria só uma turma – e uma simpatia continuada pelo nome impresso Miguel Torga.
Já nem vou falar pelas passagens na Portagem de Coimbra – sítio onde devo já ter passado em todas as horas das vinte e quatro que têm os nossos dias – em que havia tantas vezes uma voz mais poeta, pacata ou etilizada que dizia:
- Olha! Aquela é a janela do consultório do Miguel Torga!
Anos mais tarde, um amigo, missionário jesuíta em Moçambique, pediu-me a mim e à 4L para o acompanhar na recolha de uma encomenda nas oficinas da diocesana Gráfica de Coimbra. O padre gestor conhecera-o em Maputo e a caridade dera-lhe para a oferta dos títulos de direito que quisesse para enriquecer a biblioteca do colégio africano. Confessou-me, o amigo, que era na formação da advocacia a sua aposta, por ser a de mais interesse na desejável ligação da Igreja à coisa política.
E lá entrámos nós oficina adentro,
- Podem levar os que quiserem desde que não estejam em paletes completas!
Nunca na minha vida havia estado no meio de tanto livro e tragédia maior nenhum do meu interesse. Minto, de encadernação modesta, capa branca, “Miguel Torga – DIÁRIO – XII – 3ª edição revista – Coimbra”, aos montes.
Era a oportunidade de fazer a cobrança do meu frete, os amortecedores de traz em baixo, mas pelo menos seis exemplares não os poupei aos padres, por direito!
Serviram-me para oferecer de mão beijada quatro e tenho agora dois, acabo de verificar. Dois filhos. Pelo menos aí não deve haver contenda na divisão da herança! Como eu me orgulho deste roubo!
Tive, no liceu, um professor de Português, residente em Coimbra, que se aventurou a conseguir de Miguel Torga uma entrevista cujo fim era fazê-la ouvir aos seus alunos.
E lá estou eu tão perto de Torga, de ouvido esticado, a tentar perceber do som fanhoso da cassete rasca, umas ideias – já mais que carcomidas pelos anos – acerca do lugar de um Deus incerto, numa certa existência, enfim, coisas que nos interessam tanto na adolescência. Ficou pelo menos a recordação do episódio, a proximidade e dedicação exclusiva dos trinta minutos do Poeta para uns trinta da turma – para o caso convém acreditar que o bom professor teria só uma turma – e uma simpatia continuada pelo nome impresso Miguel Torga.
Já nem vou falar pelas passagens na Portagem de Coimbra – sítio onde devo já ter passado em todas as horas das vinte e quatro que têm os nossos dias – em que havia tantas vezes uma voz mais poeta, pacata ou etilizada que dizia:
- Olha! Aquela é a janela do consultório do Miguel Torga!
Anos mais tarde, um amigo, missionário jesuíta em Moçambique, pediu-me a mim e à 4L para o acompanhar na recolha de uma encomenda nas oficinas da diocesana Gráfica de Coimbra. O padre gestor conhecera-o em Maputo e a caridade dera-lhe para a oferta dos títulos de direito que quisesse para enriquecer a biblioteca do colégio africano. Confessou-me, o amigo, que era na formação da advocacia a sua aposta, por ser a de mais interesse na desejável ligação da Igreja à coisa política.
E lá entrámos nós oficina adentro,
- Podem levar os que quiserem desde que não estejam em paletes completas!
Nunca na minha vida havia estado no meio de tanto livro e tragédia maior nenhum do meu interesse. Minto, de encadernação modesta, capa branca, “Miguel Torga – DIÁRIO – XII – 3ª edição revista – Coimbra”, aos montes.
Era a oportunidade de fazer a cobrança do meu frete, os amortecedores de traz em baixo, mas pelo menos seis exemplares não os poupei aos padres, por direito!
Serviram-me para oferecer de mão beijada quatro e tenho agora dois, acabo de verificar. Dois filhos. Pelo menos aí não deve haver contenda na divisão da herança! Como eu me orgulho deste roubo!
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Se quisermos podemos voar
- Quem é que mandou o avião de papel?!
Quem nunca foi autor visado pela professora por um arremesso destes, nunca andou na escola! Todos nós já sonhámos uma vez durante o sono que voávamos. É humano o desejo de voar.
“… que distante vai o tempo em que João Baptista Torto, enfermeiro, barbeiro e sangrador se lança para o ar e… para a morte, da torre da sé de Viseu, com dois pares de asas presas ao corpo. Foi há aproximadamente 400 anos.”
“… numa longa série de pioneiros da navegação aérea, costuma encabeçar a lista o padre português Bartolomeu Lourenço de Gusmão que, a 8 de Agosto de 1709, conseguiu elevar-se de uma passarola, numa experiência realizada em Lisboa”
E outros, por esse mundo fora, foram insistindo até aos dias de hoje.
Afinal não se conseguiu voar a bater asas, o Zeppelin falhou mas o céu está cheio de aviões.
É por isso que eu continuo a acreditar numa sociedade socialista! A minha dúvida é:
-Poderá este texto ser um avião de papel?!
Portugal vai de tratorinha, tiraram-lhe as rodas e tentam convencer-nos que vamos andar! Conseguiremos pôr isto a voar.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Leitão da Quinta
Depois de ler isto, não conclua que me falta um parafuso mas sim uma porca.
Estou farto disto! Não me apetece escrever! A web transborda de palavras e imagens! O facebook, tenho dito, é uma espécie de grande superfície comercial que abafou as tabernas e merceerias da blogosfera! Já não se trata de não poder competir, a verdade é que tenho a sensação de não ter nada para vender e, muito menos, para dar! Toda a gente bota sentença e opinião e eu transformei-me numa espécie de D. Duarte de Bragança destes espaços, com pose e graça mas sem trono e sem reino.
Estou em estado blogo-depressivo. Tenho um profundo respeito e admiração por toda a corte, a perfeita conciência que os tempos que correm é dos porcos que rodopiam à nossa volta, razão determinante para continuar.
Rei dos Leittões! Na verdade, leitão é o meu prato preferido mas longe de mim, o apetite ser motivo eloquente para determinar um título tão popularucho!
Eu levava a lavagem, tirava o esterco, punha mato e pegava com valentia de forcado o porco quando era para capar ou para matar.
A nossa casa não era casa de lavrador de parelhas, além das quatro ovelhas, só tínhamos mesmo a porca.
A porca, se não adoecesse e eu tivesse que lhe abrir a cova, era assunto em que eu me fazia homem!
A porca, se não adoecesse e eu tivesse que lhe abrir a cova, era assunto em que eu me fazia homem!
Levar a porca, para vender os bácoros, até aos 12. A minha mãe com uma saca de milho e um baraço atado à perna traseira da mãe suína e eu, atrás, com uma verga na ninhada! E quando vinha um carro?!... O desembaraço para arredar caminho, tinha que ser rápido que o homem era de outra condição!
Depois, no largo, a mãe deixava as deixas de preço e o "vem já" e ia fazer a sua volta. E eu ficava ali crescendo com a feira, convencido que o meu futuro passaria sempre por ali. Creio que cheguei, eu próprio, a vender os bácoros, talvez um tio por perto tivesse vindo acertar ofertas, quase sempre e naturalmente a minha mãe fechava. Mesmo que fosse só a porca-mãe, por bom negócio, que voltasse casa, a estrada de regresso era um tormento – fosse um burro e bastaria um arre para que ele compreendesse o alívio que é retornar ao lar.
Vem daqui a minha proximidade com os leitões. Depois, a simpatia especial por aqueles labutadores de churrasco que se auto-coroam Reis.
Rei dos Leittões só com um t?! Não dois tês:
O Google, a princípio, incrédulo, perguntava - será que quereria dizer Rei dos Leitões?
Agora já não! Já se habituou! Experimentem! Esta é a prova de que este blog até o poderoso motor do Google dobrou!
Se o leitor é amigo, estará ainda a correr o scroll lock e a pensar com o seu dedinho rolante -onde é que isto vai parar?? Se tem como intento um fim, evita de continuar! Faça-me um obséquio, deixe um comentário com o texto “fui dos tais” – deste modo poderei quantificar os que passaram muito além da quinta linha!
A minha saudosa mãe tomou sempre como rumo para os seus filhos, um futuro com comida. Como poderia ter sonhado, que o facto de me ter delegado parte da responsabilidade da suinicultura, teria dado origem a tão intelecta reflexão sobre a génese e existência dum blogue! Talvez seja mesmo a comida que nos faz banais!
Hoje comi mesmo bem!... Comi leitão!
Serve este post para mostrar que, não sendo possível, um porco andar de bicicleta, pode andar na corda bamba! Que farei com este blogue!? Olhem, vou cagueando!
domingo, 10 de julho de 2011
Como eles me põem
Eu creio na transmigração das almas
por isto de Eu viver aqui em Portugal.
Mas eu não me lembro o mal que fiz
durante o Meu avatar de burguês.
Oh! Se eu soubesse que o Inferno
não era como os padres mo diziam:
uma fornalha de nunca se morrer...
mas sim um Jardim da Europa
à beira-mar plantado...
Eu teria tido certamente mais juízo,
teria sido até o mártir São Sebastião!
E inda há quem faça propaganda disto:
a pátria onde Camões morreu de fome
e onde todos enchem a barriga de Camões!
Se ao menos isto tudo se passasse
numa Terra de mulheres bonitas!
Mas as mulheres portuguesas
são a minha impotência!
in Cena do Ódio - Almada Negreiros
lembrei-me daquela:
- o que pensa do Almada-Negreiros?
- X
por isto de Eu viver aqui em Portugal.
Mas eu não me lembro o mal que fiz
durante o Meu avatar de burguês.
Oh! Se eu soubesse que o Inferno
não era como os padres mo diziam:
uma fornalha de nunca se morrer...
mas sim um Jardim da Europa
à beira-mar plantado...
Eu teria tido certamente mais juízo,
teria sido até o mártir São Sebastião!
E inda há quem faça propaganda disto:
a pátria onde Camões morreu de fome
e onde todos enchem a barriga de Camões!
Se ao menos isto tudo se passasse
numa Terra de mulheres bonitas!
Mas as mulheres portuguesas
são a minha impotência!
in Cena do Ódio - Almada Negreiros
lembrei-me daquela:
- o que pensa do Almada-Negreiros?
- X
sábado, 9 de julho de 2011
Eles são inteligentes
A melhor maneira de acabar com o desemprego é facilitar os despedimentos e pôr os desempregados a trabalhar.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Leitão da Quinta
O porco faz esterco, o esterco é fertilizante. Podiam-nos ter chamado esterco em vez de lixo. Só há uma solução, obrigar os porcos a comer o lixo e depois pô-los a fazer esterco.
Seguidamente, comê-los a todos para acabar com a merda.
E, finalmente...
Seguidamente, comê-los a todos para acabar com a merda.
E, finalmente...
Acabar com eles!
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Como eles resolveram o problema
Cortaram vencimentos, subsídios e aumentaram os impostos. Criaram um governo de maioria e muito liberal. Seguidamente, novamente, cortaram os vencimentos, subsídios e aumentaram os impostos e, finalmente, os mercados acalmaram!...
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O ponto de vista deles
Se as pessoas deram cabo da sua saúde com abusos alimentares, a resposta médica não cabe ao Serviço Nacional de Saúde.
domingo, 3 de julho de 2011
Olha para eles
Ainda mantêm o ar de quem estreou um carro novo, ainda estão na fase de o molhar com os jornalistas e, para já, só tomam medidas. Não querem tomar mais nada?!
sábado, 2 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Dois passos
Do impincelável martelo-maceta da caixa de pregos para os paços do porco, esta polidela a dois passos:
1º passo:
2ºpasso:
1º passo:
2ºpasso:
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Leitão da Quinta
Bem podem os anónimos, silvas, manuéis e outros perfis estranhos tentar golpes palacianos! Bem pode o facebook-caralivro tentar "belmirizar" o ciberespaço! Bem podem os fantasmas de santa comba erguer-se da tumba entusiasmados pelo renascer da direita necrófaga! O Rei e a Corte continuarão serenos, reinando com a situação, cortanto a torto e a direito em prol da revolução! Aporcalharemos os cavalos selvagens da nobreza e cavalgaremos os porcos capitalistas! Na Grécia a revolução já começou! Viva o meu cão Loukanikos e a minha amada que faz hoje anos de casada e anda armada! Não tem piada mas rima! Não sou eu que estou em baixo nem ela que está em cima! Viva o programa da troika, o programa do governo, o programa do Manuel Luís Goucha, o programa das festas, o programa do verão! Hoje é quinta de Leitão!...
terça-feira, 28 de junho de 2011
Fabrico de terços
Terços daqueles de rezar! Para quem não percebe porque deles rezo, lembro Maria do Rosário, aquela com quem, ainda há poucos dias, estabeleci conversa na sequência duma reclamação de uma "santa" adquirida na sua loja. Pois outras coisas ela me contou sobre o fabrico de artigos religiosos e, entre elas esta, curiosa, que não resisto a contar:
Crescia Fátima nos salazarentos anos trinta, já a Fé em milagres do Céu fazia milagres comerciais de vendas de santinhos, de água, de vinhos e enchidos quando um pastor, pouco pastorinho, começou para lá a caminhar em dias de ajuntamento, para vender os seus terços artesanais. Eram feitos de caroços de azeitona, que era o que por ali mais havia além de pedras e pobreza. A mulher aos serões esburacava as "contas", uma a uma, com uma sovela e ele durante o dia encadeava o arame nos terços.
- Mas um terço feito de caroços de azeitona não seria muito agradável à vista?!
E foi assim que começou por aqui a indústria de produtos religiosos. Um dia o pastor já entusiasmado pelo sucesso do negócio foi a Lisboa, descobriu bolinhas de vidro da Marinha Grande já com o furo feito e tudo, e então aí, foi um ver se te avias até aos nossos dias.
sábado, 25 de junho de 2011
É um descontentamento inconsequente?
De facto, devo ter nascido há muito mais tempo. É que, embora compreenda e sofra as inquietações desta juventude, não consigo compreender como querem ter uma palavra a dizer nas decisões, colocando de parte o direito de votar, rejeitando os partidos ou a hipótese de constituirem um novo, emigrando. Pois é, já houve tempos em que a malta não podia votar nem constituir organizações de carácter político! A memória é importante!
Penetrem nos partidos, mudem-nos por dentro, criem partidos novos, inventem, participem, votem porque se é verdade que a democracia é muito mais que partidos e eleições, não será menos verdade que sem partidos e sem eleitos dificilmente existirá democracia.
Bom filme com boas rimas:
Penetrem nos partidos, mudem-nos por dentro, criem partidos novos, inventem, participem, votem porque se é verdade que a democracia é muito mais que partidos e eleições, não será menos verdade que sem partidos e sem eleitos dificilmente existirá democracia.
Bom filme com boas rimas:
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Leitão da Quinta
Vamos voltar ao Rei do Leittões com uma "repostagem", para ver se a malta me volta a tratar por Majestade e o reino se endireita porque, também aqui, a coisa está a ficar torta. Doravante haverá Leitão à Quinta - só por compromisso consigo dar de comer ao blogue!
Comam então que hoje o Leitão é de porco engordado, daquele que é capaz de fazer festa e alimentar uma parte da aldeia em dia de matança.
A primeira matança da minha memória conta-se assim:
Era Janeiro, mês em que o frio da França devolvia os emigrantes à terra, época em que nada havia para fazer com a terra, tempo em que o frio melhor conservava as carnes, altura certa para fazer a matança do porco que já estava mais que gordo.
Mal me levantei, comecei a seguir todos os passos do homem que era meu pai, empenhado em demonstrar-lhe que para homem também eu caminhava. Não tardou muito a chegada das pessoas mais chegadas para fazer o sacrifício.
João vai à barraca buscar 4 pregos e o martelo para fazermos a banca com estas duas tábuas e dois cepos / Vai buscar um balde de água para lavar as tábuas que estão cheias de teias / Bom dia Joãozito, hoje levantaste-te cedo / És tu que vais pegar o porco / Vai buscar a corda da burra para atar uma perna ao porco / Tens medo / Sai daí João que o porco ainda te morde / João vai chamar a mãe para trazer o alguidar para aparar o sangue / Tiveste medo / João vai buscar umas macheias de agulhas à meda e fósforos à cozinha / Vai buscar a forquilha velha que a nova não se põe no fogo porque destempera / Segura aqui com a sachola esta pata para chamuscar o lado debaixo da perna / Filho vai à adega encher o jarro e traz um copo para o pessoal / João vai à eira velha que há por lá uns pedaços de telhas de canudo para raspar o bicho / João agarra aqui nas unhas a ver se estão quentes / Pesava mais do que tu ó cachopo / João vai buscar mais agulhas / Vai buscar mais água à tina / João despeja aqui água nesta orelha / Despeja aqui na pata / João dá mais um copo ao pessoal / Segura aqui nas patas da frente João para começar a abrir o animal / O pessoal está com sede João / Vai buscar um baraço para lhe atar o cu / Vai chamar a mãe para trazer a água quente para escaldar a língua / Se queres saber como é o teu corpo olha aqui para o porco / Toma lá a bexiga que eu daqui a bocado faço-te uma bola / Olha que a malta está com sede João / Vai à barraca buscar o chambaril / Tu não o ajudas a levar que ele é pesado para ti / João vou agarrar-te ao colo e enfias ali a corda para pendurarmos o morto / Vai buscar um alguidar para o sangue escorrer / Agarra aqui nesta pata para sacarmos as tripas / Agarra o alguidar desse lado / Agarra aqui no fígado / Agarra aqui a ver se eu deixo / Vai buscar uma cana para manter o peito aberto / Dá um copo ao pessoal não vês que o pessoal está com sede / Os homens vão comer a bucha mas tu João vais com as mulheres ao ribeiro lavar as tripas que pode ser preciso alguma coisa….
À noite toda a gente se reuniu novamente para comer a cacholada. Comentou-se animadamente à mesa a criancinha que eu era.
- Ó João, pró ano já estarás com idade de ajudares e poderes fazer alguma coisa!
- E se fossem todos pró carvalho!?
E assim acabou valentemente o dia da primeira matança da minha memória com um valente estalo do homem que era meu pai.
terça-feira, 21 de junho de 2011
nós-eu-euro-europa
A Troika Labrega do Kaos
Um pouco mais de europa – somos nada,Um pouco mais de espanha – somos ninguém
Para atingir, votámos em cambada
Se ao menos soubéssemos votar bem...
Pegar ou largar? Em vão... perdemos cota
Numa grande europa virada a outros mundos;
E o grande país afundado em fundos,
O grande país - ó mar! - quase europa...
Quase o progresso, quase a porta e a panaceia,
Quase o princípio e o fim - quase a salvação...
Mas no meu país tudo se remedeia...
Entanto tudo não passou duma ilusão!
De tudo houve marca UE ... e tudo aproveitou...
- Ai o desejo de ser - quase, igual aos alemães...
Nós falhámos entre nós, falhámos por vinténs,
Terra que não parou mas não avançou...
Anos de esperança que, desbaratámos...
Cidadanias que sonhámos alcançar...
Direitos que perdemos sem os experimentar...
Tratados que nos trataram e não votámos...
Desse continente, encontro só imagens...
Terras do interior – vejo-as defraudadas;
E carteiras de políticos, sujas, recheadas,
Passou o argumento de que eram só vantagens...
Numa esperança imberbe acreditando em tanto,
Tudo construímos sem pensar pra quê...
Hoje, resta-nos o betão do desencanto
Das coisas que de tão grandes ninguém vê...
Um pouco mais de europa – somos nada,
Um pouco mais de espanha – somos ninguém
Para atingir, votámos em cambada
Se ao menos tivessemos agora votado bem...
Não é necessário lembrarem-me que não chego aos calcanhares de Mário de Sá Carneiro!
E eu quero por força ser burro...Que a um porco nada se recusa!!
domingo, 19 de junho de 2011
Terra do Não
- Lembras-te irmão, de quando eras flor...
e chamavam por ti e não respondias,
pela simples razão de que as flores não falam nem ouvem?
- Ah, agora eu compreendo:
o pai nunca mais cortou as uvas
desde que a mãe morreu!
De então para cá:
eu fui a Primavera do Sol desonrada
com a putez impotente do avô materno,
eu fui o Verão frio nas praias do mal,
o Outono assassino da tal lucidez...
e vem aí o Inverno,
e eu ainda não acredito no Natal...
- Não! Da vingança humilde aos cornos de marfim
e das rosas que deixei cair, não me arrependo!
- Quem pode acreditar,
que no sangue do amor navegue o ópio,
ou que na seiva das plantas o Sol se esconda para dormir a Noite?
- Eis-me chegado à Terra do Não.
Traído dei por mim no mar turbulento da civilização,
e naufraguei aqui,
Terra do Não...
- Aguardando a chegada de algas marinhas,
morrendo de mão dadas aqui,
Terra do Não...
e chamavam por ti e não respondias,
pela simples razão de que as flores não falam nem ouvem?
- Ah, agora eu compreendo:
o pai nunca mais cortou as uvas
desde que a mãe morreu!
De então para cá:
eu fui a Primavera do Sol desonrada
com a putez impotente do avô materno,
eu fui o Verão frio nas praias do mal,
o Outono assassino da tal lucidez...
e vem aí o Inverno,
e eu ainda não acredito no Natal...
- Não! Da vingança humilde aos cornos de marfim
e das rosas que deixei cair, não me arrependo!
- Quem pode acreditar,
que no sangue do amor navegue o ópio,
ou que na seiva das plantas o Sol se esconda para dormir a Noite?
- Eis-me chegado à Terra do Não.
Traído dei por mim no mar turbulento da civilização,
e naufraguei aqui,
Terra do Não...
- Aguardando a chegada de algas marinhas,
morrendo de mão dadas aqui,
Terra do Não...
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Para a praia e em força
A empresa da ponte declarou insolvência e a obra está parada. No resto do terreno não se calam os cilindros, caterpillos, giratórias, escavadores, camionetas. São seis da madrugada. Não dormi nada por solidariedade com os trabalhadores da estrada. Estão a trabalhar vinte e quatro horas por dia como se fosse uma festa. É uma alegria! Estou grato por estarem a fazer uma estrada à minha porta, no lugar onde antes era a minha horta. Vai servir-nos para chegarmos mais depressa à praia.
Só não percebo porque tem de ser feita tão depressa. Têm pressa de ter falta de trabalho?! Têm medo de haver falta de dinheiro?! A falta da estrada não é assim tanta e já não vai servir esta época balnear!
E para a seguinte vamos lá ver como estará o preço do gasóleo e se não haverá já portagens nos caminhos de cabras.
Vá lá, aguentem os motores, prolonguem o emprego, arrastem o capital! Dormir é um dever e um direito! Temos tempo!
terça-feira, 14 de junho de 2011
Mais um milagre de Fátima
A minha tia foi menina, rapariga, solteirinha, solteirona e agora é beata demais para poder vir a ser santa. Porque respeito muita a sua devoção à Virgem, na preparação da viagem do passado fim-de-semana à Terrinha, passei por Fátima e comprei-lhe uma santa.
Entrei na loja e senti-me intimidado pelo olhar multiplicado das santas multiplicadas, intimidação essa, reforçada pela abordagem da lojista que, ao dirigir-me a palavra em tom de freira, recebeu a minha seca amabilidade:
- Que virgem desejais senhor?!
- Com menos de meio metro e luminosa! É para a minha tia que já está de pés para o Céu e vê muito mal!
- Escolha daqui!
- Mas são todas iguais!?
- Nesse caso tem a escolha facilitada!
- Já estão benzidas?!
Sorriu por me ter descoberto o grau de prática religiosa; é obvio que ninguém vende objectos religiosos já benzidos! Essa operação fica ao cuidado de cada um e foi coisa que, pela pressa, não consumei mas que fiz questão de ocultar à minha tia que também me tem ocultado, com esperteza de sacristia, as contas bancárias e outros bens que aguardo para um dia.
- Tia! Trago-lhe uma prenda! Olhe só para este olhar!... Benzida pelo cardeal de Cracóvia que esteve esta semana em Fátima!
Quando no domingo voltei à casa para engraxar a despedida, estava a velha com toda a velha vizinhança, debitando o terço à volta da imagem colocada em cima de uma mesa na varanda virada ao sol. A minha chegada interrompeu o mistério e disse a minha tia:
- Filho, a santa chora!
- Nesse caso devolvê-la-ei! Ainda está na garantia!
- Cala-te homem do diabo! Olha! Vê!...
Para meu espanto era verdade demais mas não suficiente para erguer a minha Fé - relembre-se o segredo de que não tinha havido tempo para ser benzida!
E cá regressei deixando em paz a Fé dos que a cultivam mas assaltado por um combate interior que me teria de levar ao fundo da verdade.
- Minha senhora! Venho reclamar dum produto que adquiri aqui na passada sexta-feira!
- Lembro-me de si, levou uma Nossa Senhora luminosa! Não me diga que é daqueles que julgam que é preciso lâmpada!?
- Não, a imagem chora e está a perturbar emocionalmente a pessoa a quem a ofereci!
Relatei-lhe os factos e recebi a explicação:
- Como as imagens são arrefecidas em água quando saem da máquina de intrusão, como só depois de cravados os olhos em cera se fecha a cabeça, é natural que com o calor alguma cera se derreta e deixe verter eventuais gotas de água que não tenham escorrido durante o processo de fabrico.
É claro que seria difícil eu convencer a minha tia e as suas vizinhas! Fiquemos pois com mais um milagre!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Cagavacando
Antes: O Presidente da República, Cavaco Silva, diz que quem se abstiver nas legislativas perderá “legitimidade para depois criticar as políticas do Governo”.
Como essa comparação não se pode fazer, mais valia estar calado como tantas vezes faz. Da minha parte concluo que o apelo não valeu nada:
Se uns milhares decidiram ir às urnas porque pensaram:
- É pá, tenho de ir votar porque o Cavaco ameaçou que, se eu não o fizer, depois não posso criticar o governo!
Outros tantos milhares pensaram:
- É pá, era para ir votar mas, cá por Cavacos, já não vou, quero provar que tenho o direito de criticar o governo sem ter votado!
Como essa comparação não se pode fazer, mais valia estar calado como tantas vezes faz. Da minha parte concluo que o apelo não valeu nada:
Se uns milhares decidiram ir às urnas porque pensaram:
- É pá, tenho de ir votar porque o Cavaco ameaçou que, se eu não o fizer, depois não posso criticar o governo!
Outros tantos milhares pensaram:
- É pá, era para ir votar mas, cá por Cavacos, já não vou, quero provar que tenho o direito de criticar o governo sem ter votado!
terça-feira, 7 de junho de 2011
Resultados eleitorais prometedores
PPD-CDS-PSD-PP conseguem maioria absoluta! Sacana do relógio, desta vez, atrasou três dias. Receio que já se tenham apercebido. Lamento o atraso.
Dizem que vão continuar a cortar vencimentos, pensões, subsídios, direitos e a aumentar impostos, preços, contribuições e flexibilidades. Há uma única taxa que vai descer. Tudo para o país ficar melhor.
- Que raio de país é este que fica melhor se o povo ficar pior?! Que raio de mudança é esta?!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Passos contados
Milhares de manifestantes exigiram na rua a demissão do governo ultra-liberal! O desemprego aumentou, a miséria alastrou, a companhia de águas todos os dias sela torneiras e eu tenho um relógio que num dia adianta meses!
Vitória
Mergulhámos novamente na longa noite sem sequer ter existido dia!
O país, o povo e o "grande" PS têm de pagar o ter escolhido, consentido, ignorado, tolerado José Sócrates. O preço é muito mais que a crise, vamos ter de suportar a joto-petulância de Passos Coelho e o abanar de rabo de Paulo Portas! Ei-los! Em todo o seu esplendor! Este é o preço sócrates! Há outros preços a pagar mas esses são em euros, carcanhol!
Até que um dia a vaidade dos nomes dê lugar à voz escondida pela notícia!
O país, o povo e o "grande" PS têm de pagar o ter escolhido, consentido, ignorado, tolerado José Sócrates. O preço é muito mais que a crise, vamos ter de suportar a joto-petulância de Passos Coelho e o abanar de rabo de Paulo Portas! Ei-los! Em todo o seu esplendor! Este é o preço sócrates! Há outros preços a pagar mas esses são em euros, carcanhol!
Até que um dia a vaidade dos nomes dê lugar à voz escondida pela notícia!
domingo, 5 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
40- O Caminho do Fim da Terra
Xésus Agrelo nunca se perdoará de, na condição de primeiro a encontrar os cadáveres de Marie France e Pierre Patapouf e de, no mesmo momento ter confirmado, pela falta de seus pertences, a partida inesperada de Sete Pés, ter sido o primeiro a apontá-lo como alegado homicida, acusação essa que fez de imediato no telefonema em que participou as mortes à polícia de Cee.
Quando, como resultado da autópsia, ficou provado que as vítimas teriam morrido por ingestão de cogumelos venenosos, já era tarde para dar o braço a torcer, arriscado ter de encontrar novos culpados e embaraçoso ficar-se por causa acidental. Assim sendo, não por conspiração inconsciente, mas por má consciência de que seria mais fácil culpar um forasteiro sem raízes, possesso de ciúmes, do que um merceeiro querido da terra, criou-se a tese de que o homicida havia colhido cogumelos venenosos no campo e os misturara com os comprados para consumar o crime. Ao proceder assim, o esperto, fazia também pender a suspeita sobre a casa de comércio onde tinha um calote considerável.
A justiça aceitou também, como argumento, o facto dos cogumelos serem petisco tradicional daquelas bandas, vendidos desde sempre naquele estabelecimento e de não existir relato de alguma vez terem provocado a indigestão a alguém quanto mais a morte. Estava atestada, portanto, a impossibilidade da experiência dos naturais poder falhar na colheita das espécies comestíveis.
O crime, o criminoso e as vítimas, com o passar do tempo, foram caindo no esquecimento de toda a gente menos na pesada consciência de Xésus Agrelo. A memória dos factos e a amizade com Sete Pés, avivados pelas várias visitas que fizera ao cárcere, estavam-lhe a dar cabo do sono e mais lhe deram na noite em que eu fui seu hóspede. Não admira pois que, na manhã seguinte, a pretexto de me oferecer pequeno almoço, me tenha dado lugar na sua mesa, me tenha inquirido acerca das leituras que me proporcionou, tenha desabafado sobre mim a sua inquietação e me tenha proposto um plano de acção para que a justiça fosse feita.
E, porque fartos de histórias contadas estamos todos e de abaixo assinados estamos cheios, depois de eu ter entrado, convido-o a si leitor, também a entrar na história que, a partir daqui, deixará de ser escrita para ser vivida.
O nosso plano consiste em reunir um grupo de activistas capaz de ir, daqui até à Corunha, percorrendo os Caminhos de Santiago, reclamar a libertação de Sete Pés. Sabemos como os meios de comunicação social são atraídos por este tipo de iniciativas e é quase certo que o seu impacto pode despoletar a reabertura dum processo mal contado.
Preparem a mochila e ponham-se ao Caminho. É só seguir as vieiras até encontrar esta que o filme documenta. Nas imediações da mesma existe um albergue onde estou alojado à vossa espera. Conhecer-me-eis pelas botas. Quando formos sete, partiremos. Libertai-vos!!!
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Foi nas monumentais
Naquela idade eram a fome e o desejo que nos moviam. Aconcheguei-lhe uma orelha nos meus lábios e confessei-me. Ela não afastou o ouvido nem a orelha. O almoço na cantina tinham sido favas e eu nunca gostei de favas. Tinha fome. Trinquei. Ela afastou-se repentinamente com um ai de dor e eu, desajeitado, fiquei com um pedaço de carne preso aos dentes que, no embaraço, acabei por engolir.
Encontrei-a passados muitos anos num daqueles almoços de antigos colegas onde se comparam cabelos brancos, barrigas e marcas de automóveis. Tentei falar-lhe mas ela continua determinada a nunca mais me ouvir e a não me falar. Ela está de não se desejar mas aquela cicatriz na orelha fica-lhe a matar.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Acabei as obras no sotão
Depois de vos ter contado aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, das coisas que se podem encontrar quando se dá a volta a um sotão, encontrei hoje mais esta de adolescente a precisar de algumas coisas. Andamos a dar às coisas novo poiso, este poster fica ali, este livro vai para o lixo, este caderno para acolá e...
... dele cai uma folha manuscrita que mia como um gato quando se estatela no chão:
... dele cai uma folha manuscrita que mia como um gato quando se estatela no chão:
O gato Haicomo
Desde que Deus o Homem e a Mulher fez
Que as palavras calaram a voz dos animais.
Somente Haicomo responde em inglês
Quando o acusam de viver igual aos seus iguais:
- I?! How?!... Me?!... How?! Mim...au?!
Mai de sete vidas estão passadas,
Incandescentes os olhos se consomem
E as fêmeas perecem no celeiro
Porque esse gato é Homem…
Quando o cantor range o dente,
Como árvore que tomba à raiva do machado,
Haicomo responde como sente,
Vira-se ao mundo e finge-se assanhado:
- I?! How?!... Me?!... How?! Mim...au?!
Mais de sete vidas estão passadas,
Na estalagem as portas apodrecem
E os olhos do tempo lambem o solo
Porque essa carne é Homem…
O gato vive numa árvore que conheço.
Vive roendo as garras
Como um jovem desempregado cuidando as unhas.
No tronco, uma placa em mármore:
Cuidado com o Gato
Dez 79
segunda-feira, 23 de maio de 2011
39- O Caminho do Fim da Terra
Se este fosse um escrito vulgar de escrever para vender, daqueles em que os autores vagueiam presos às suas experiências pessoais, procurando afinidades com que os leitores se identifiquem e inventando fantasias com cenários impossíveis que surpreendam e agarrem, provavelmente esta história acabaria aqui. Acontece que estamos enfiados na descrição autêntica de factos vividos e não estamos perto do final mas ainda no começo. Isto porque agora é que vai ser, entro eu.
Quis o destino que, na sequência de uma discussão familiar por causa das canas dos feijões, eu arrumasse a trouxa e me fizesse ao Caminho. Porque do Caminho já muito sabeis de Sete Pés e Marie, deixarei apenas o registo que o fiz sozinho até chegar a Pradís e que aí cheguei, encharcado por uma valente carga de água, rente à noitinha, situação que me obrigou a procurar a sempre à mão hospitalidade dos galegos.
- Xésus Agrelo! Benvindo a Padrís!
Os mais atentos, recordarão porventura este cumprimento, no ponto em que também o nosso par aqui chegou.
- Português?! Oh lá! Lá! O único que por aqui parou, deixou má memória! Fosse eu supersticioso e não lhe daria abrigo! O caso deu naufrágio e morte, a coisa que mais temem as gentes que habitam esta costa que, não por acaso, tem o nome de Cuesta da Muerte!...
E foi da continuação deste encontro que recolhi a informação que trouxe esta história até aqui. Xésus Agrelo fez-me entrega da casa da tragédia para pernoita e deixou-me a noite, entregue a documentos que guardava do julgamento de Sete Pés, destacando destes um molho à parte de fotocópias do diário de Marie France, diário esse, cujo conteúdo já conheceis sobejamente, que outra coisa não tenho feito neste livro – se assim se pode chamar a estas postagens – senão contá-lo.
Serei, também eu, daqui para frente, protagonista, cidadão real que não aspirando nem tendo traquejo ou expediente para ser escritor ou autor de alguma coisa, encontrou na personagem proprietária deste blogue a forma de testemunhar o caso esquecido de um português sem pátria, de um aldeão sem terra, sem família, quase sem nome, preso há sete anos na Galiza, sem ter merecido, ao menos, um dezasseisavos de uma página do Correio da Manhã.
Sete Pés estaria inocente, se não tivesse de se encontrar um culpado, teria quem o defendesse se não estivesse só, estaria em liberdade se não estivesse preso, mas continuará caminhando porque disso não se pode impedir um sonhador, nem que o amarrem.
__________________________________________________ Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.
domingo, 22 de maio de 2011
Ventos de Espanha
SKA-P - uma Espanha silenciada e verdadeiramente revolucionária.
Orgulloso de estar entre el proletariado es difícil llegar a fin de mes y tener que sudar y sudar "pa" ganar nuestro pan.
Éste es mi sitio, ésta es mi gente somos obreros, la clase preferente por eso, hermano proletario, con orgullo yo te canto esta canción, somos la revolución.
¡SI SEÑOR! La revolución, ¡SI SEÑOR!, ¡SI SEÑOR!, somos la revolución, tu enemigo es el patrón,
¡SI SEÑOR!, ¡SI SEÑOR!, somos la revolución, viva la revolución. "Estyhasta" los cojones de aguantar a sanguijuelas, los que me roban mi dignidad. Mi vida se consume soportando esta rutina que me ahoga cada día más.
Feliz el empresario, más callos en mis manos mis riñones van a reventar. No tengo un puto duro, pero sigo cotizando a tu estado del bienestar.
¡RESISTENCIA! Éste es mi sitio... En esta democracia hay mucho listo que se lucra exprimiendo a nuestra clase social. Les importa cuatro huevos si tienes catorce hijos y la abuela no se puede operar. Somos los obreros, la base de este juego en el que siempre pierde el mismo "pringao", un juego bien pensado, en el que nos tienen callados y te joden si no quieres jugar.
¡RESISTENCIA! ¡DES-O-BE-DIEN-CIA!
sábado, 21 de maio de 2011
Debate Sócrates Passos Coelho
eu fiz...
eu farei...
o que eu disse...
o que eu digo...
o que eu sei...
comigo...
comigo...
comigo...
eu sou...
sempre fui...
aconteço...
mereço...
fui eu que...
sou eu que...
eu! eu! eu! eu!...
mas então eles não representam ninguém!? nunca dizem nós?!
eu farei...
o que eu disse...
o que eu digo...
o que eu sei...
comigo...
comigo...
comigo...
eu sou...
sempre fui...
aconteço...
mereço...
fui eu que...
sou eu que...
eu! eu! eu! eu!...
mas então eles não representam ninguém!? nunca dizem nós?!
Pois fiquem sabendo que não nos comem por tansos! Não se trata de escolher um primeiro ministro entre dois ou mais! No dia cinco vamos eleger os deputados para a Assembleia da República! Aconteça o que acontecer, cá continuaremos, nós!...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Que ninguém mais diga merda
... mas diga merkel!...
proponho que de ora em diante se passe a dizer:
vão todos para a merkel!
vão todos à merkel!
cheira aqui mal como a merkel!
sócrates é uma merkel!
isto está uma merkel!
merkel para isto!
mas que merkel é esta?!
por acaso já não nos chega a merkel que cá temos?!
só nos faltava cá mais esta merkel!
outro assunto:
ligo tanto à merkel do futebol como à publicidade de pensos higiénicos
mas ainda não vendi a merkel da televisão
mas esta merkel de fazer dos debates políticos um jogo de ganhou este e perdeu aquele e, no final, os canais terem uns comentadores políticos com discurso de jornalistas desportivos, leva-me a concluir que estamos mesmo na merkel e que só há uma solução:
partir esta merkel toda a começar pela televisão!
proponho que de ora em diante se passe a dizer:
vão todos para a merkel!
vão todos à merkel!
cheira aqui mal como a merkel!
sócrates é uma merkel!
isto está uma merkel!
merkel para isto!
mas que merkel é esta?!
por acaso já não nos chega a merkel que cá temos?!
só nos faltava cá mais esta merkel!
outro assunto:
ligo tanto à merkel do futebol como à publicidade de pensos higiénicos
mas ainda não vendi a merkel da televisão
mas esta merkel de fazer dos debates políticos um jogo de ganhou este e perdeu aquele e, no final, os canais terem uns comentadores políticos com discurso de jornalistas desportivos, leva-me a concluir que estamos mesmo na merkel e que só há uma solução:
partir esta merkel toda a começar pela televisão!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
38- O Caminho do Fim da Terra
Falaram até fartar, de coisas que não interessam à história. Comeram e beberam como abades, partilharam naturalmente dos arrumos, sem oportunidade, dos dois de que reza a história, privarem para um ajuste de contas do passado. Ao menos uma frase a dois, uma palavra, reconstruir ou completar um beijo que não fora bem dado há seis meses atrás. Nada. Muito pelo contrário, a pretexto dum dia cansativo, a mulher presente propôs cama e descaradamente decidiu, sem ouvir aquele que, nos termos presentes, era o dono da casa:
- Se não te importas, trazes as tuas coisas para a sala e dormes no sofá! Como eu e o Patapouf somos dois, justifica-se o quarto para nós!...
Desilusão, portanto, na libido de todos os Pés. Entre marido e mulher, não há lugar para mais de quatro pés!
Com todos os haveres junto ao sofá, assumiu obedientemente o seu papel. Deitou-se. Ouvia o mar, ouvia sussurros de francês, não dormia, não conseguia imaginar o amanhã, parecia ter chegado a um dia sem saída. A pouco e pouco só o mar se ouvia. A longa insónia despertou com o cantar do galo dos Agrelos. Naquela madrugada o galo cantou diferente, cantou como um clarim!
E foi assim que, silenciosamente para não dar de si, se pôs a preparar a sua mochila. Partiria, agora mesmo, para Finisterra! Chegara a hora de terminar o seu Caminho.
Quando chegou ao farol do cabo de Finisterra o mar reflectia os primeiros raios da manhã. Sete Pés, fitando o oceano, não apreciou saber e sentir que a Terra não acabava ali e invejou não ter vivido no tempo em que se acreditava nesse fim.
De qualquer modo, era conveniente aceitar que não poderia caminhar para mais além. Olhou então para trás, para terra, e sentiu vontade de fazer o Caminho de Finisterra a Oliveiroa – que não tinha conhecido - voltar até Santiago, fazer o Caminho do Norte até aos Pirinéus – não o francês que sabia pelos relatos que estava massificado - atravessar a Europa, ir por Jerusalém para o Tibete, Novosibirsk, estreito de Bering, Alasca, Califórnia, México, Andes, Terra do Fogo… Mas para quê?! Se aí chegado teria de concluir que os Caminhos da Terra não têm fim!?
De costas para o mar, os Sete Pés distribuíam entre si estes pensamentos. Remataram com uma visão panorâmica sobre todo o Continente que começava naquele promontório. O caminho que ali chegava, também dali partia e dava ligação a todos os caminhos que existiam. O melhor era dar uma volta ao farol para dar um nó na estrada.
Ia na meia volta quando avistou um jipe da guardia civil rodando na sua direcção. Ficou parado a observá-lo. O carro parou a seus pés. Apearam-se quatro militares e algemaram-no. Sem oferecer resistência e em silêncio de fim, sentiu os seus pés libertarem-se e correrem em pelotão para o abismo do cabo. Um casal de franceses havia aparecido morto em Padrís.
- O senhor está preso, acusado de homicídio!
- Ainda bem que não comi cogumelos!
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Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.
sábado, 14 de maio de 2011
Novo Milagre em Fátima
Peregrinos de Fátima acreditaram que auréola que se formou em torno do Sol era milagre
A imprensa de hoje faz notícia, embora denunciando cepticismo, do facto:
- O Sol ficou com uma auréola à volta, precisamente quando passava um vídeo sobre João Paulo II e houve muitos peregrinos que gritaram: Milagre!!!
Primeira pergunta - porque é que olharam para o sol em vez de estarem atentos ao vídeo?!
Segunda pergunta - não sabem que olhar para o sol pode causar lesões irreversíveis na visão?!
Terceira pergunta - foi a primeira vez que viram uma auréola à volta do sol?!
Na verdade, temos presentes todos os ingredientes para acreditar num milagre: crise, pobreza, desesperança, necessidade de acreditar no impossível! E vinha mesmo a calhar à Igreja e aos senhores do poder!
Mas falta uma coisa: é que já não estamos em 1917! Este milagre vai ficar por aqui mesmo! Só vai ser notícia hoje!
Também, para que raio é que nos ia servir o facto de uma auréola à volta do sol ser milagre e não ser uma coisa natural de tempo de trovoada?! O que é que isso ia adiantar?! Ainda se fosse, brotar do sol uma voz dizendo:
- Todas as troikas são obra do diabo! Quem votar em troikistas vai para o inferno!
(só falei disto porque estava em Fátima a essa hora e não vi nada, estava a almoçar na Adega Funda)
ÚLTIMA HORA: segundo o DN o fenómeno foi provocado pela luz reflectida por cristais de gelo na atmosfera. Um crente, incrédulo, pergunta:
- Mas quem pôs lá o gelo?!
E eu pergunto:
- Onde é que está o Whisky?!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
37- O Caminho do Fim da Terra
Ouviu um carro parar na rua. Ouviu conversa de saudações. Seria Xésus Agrelo a cumprimentar a neta? Não seria de boa educação ir espreitar à janela. Bateram à porta.
- Eh lá! Já?! Queres ver que tenho de ir conhecer, beijar já a moçoila e atirar-lhe à vista o brilho sedutor dos meus lindos olhos?! - pensou, caminhando determinado em direcção à porta de entrada.
Puxou o trinco. Abriu. Surpresa!!!...
Os olhos embaciaram-se, engasgou, embranqueceu, apoiou-se na porta, tremeu e abanou todo ele, traído pelos pés que se enfiaram os sete, como um rabinho, entre as pernas.
Era Marie acompanhada por um homem. Outro?! Não, o “mari”!
Um a um, escorregaram das massas musculadas das pernas másculas e ocuparam o seu lugar em fila indiana para dar cumprimento aos devidos cumprimentos. Pé de Atleta à frente, em segundo Água Pé, a seguir o Descalço e o de Meia, Pé de Vento sem ordem e, por fim, Pé Ante Pé cauteloso e o Pé Chato a resmungar.
Um a um, Marie sentiu-os perante o olhar desconfiado do marido que sentiu demasiadas expressões para um cumprimento só.
Claro que era para entrar! Para comer, seria mais difícil – o frigorífico não estava muito satisfeito! Pernoitar?! É pá! Calma aí! Vamos pensar:
- Situação estranha! Situação complexa! Ela a cumprimentar sete! Os sete cumprimentando o marido! O marido a cumprimentar um! Que estranha visita esta! Que complexo encontro! Que situação embaraçosa! Que pretenderá Marie?! Uma cama com onze pés?!...
Marie disse que comprara peixe em Finisterra e que trataria do jantar! Sete Pés iria mostrar a praia a Pierre Patapouf e os vestígios do derrame do Prestige, seria uma oportunidade de se conhecerem. Enquanto isso, ela preparava as coisas e iria conversar um pouco com os Agrelos. Já agora – continuava Marie a comandar - que passassem pela mercearia e comprassem isto e aquilo e cogumelos do campo, se os houvesse! Isto porque prometera a Patapouf fazer-lhe prova do petisco que aprendera com os galegos e que só com cogumelos da Galiza se pode fazer! Seria o aperitivo ideal para o grande jantar que se advinhava. O facto de ser sabido que Sete Pés não apreciava, não importava!
- Que estranho jantar!... O casal de franceses com os cantos dos lábios a escorrer o azeite dos cogumelos! O terceiro, o séptulo, a pão com azeitonas. Ela falava para ele. Ele falando para o marido! O marido a falar para ele! Falavam os três, diga-se os nove, como se se tratasse de uma relação natural!…
Que raio de história Marie teria contado, da sua história do Caminho, ao seu marido? A verdadeira? Será que o velho é daqueles destesoados que gozam a ver a esposa chap-chap com outros? Será essa a proposta do fim do vinho?
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Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.
Todas as segundas feiras.
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
Foto inédita de Barack Obama com Bin Laden morto ao lado.
Barack Obama fez uma comunicação ao país, tendo ao lado o cadáver de Osama Bin Laden preso por cordéis:
Obama afirmou que eliminar Bin Laden não significa o fim do terrorismo mas que as Forças Monetárias Internacionais vão continuar o seu trabalho. (Repara-se no humor negro do orador que tem uma seta no casaco a apontar para o outro como quem diz: a culpa foi dele!).
Estou muito confuso, estes últimos dias têm dado cabo de mim: o casamento da Rainha da Inglaterra com D. Duarte; a beatificação de José Sócrates; o suicídio de Bin Laden!... Só me falta mesmo um dia destes, aumentar o preço dos combustíveis; aparecer-me um tipo a exigir-me agradecimentos porque me assaltou a carteira ameaçando-me que me levava tudo e afinal deixou-me uma moeda; ou uma caravana do PS passar à minha porta a pedir-me o voto!...
Estou muito confuso! Já não sei se sou americano, muçulmano, católico, monarca, republicano ou português! Sei apenas que ninguém me vai obrigar a votar em nenhuma troika que mande no país!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
36- O Caminho do Fim da Terra
- Vês uma mancha negra além no oceano?
Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.
Marie iniciou então o longo discurso do momento que ambos esperavam. Tudo muito bem explicado: tinha família e vida em França, era muito mais velha que ele que ainda tinha uma vida pela frente. Viver ali, assim por muito mais tempo não era vida, as verdadeiras paixões têm um tempo de duração limitado e etc... Além disso?! Sim! Teria de admitir ser tão pragmática quanto amante da boa vida: aquela mancha negra!...
- Talvez a mancha seja um sinal a dar-me a ordem de ir embora!...
- E a mim de ficar!...
- Tens muito para caminhar rapaz! Amanhã de manhã partirei para Finisterra para acabar finalmente com este Caminho! Suplico-te que, em caso algum, me sigas. Deixarei a renda paga para mais seis meses!
- Não é necessário, o trabalho que faço com Xésus Agrelo compensa bem a renda! Além disso, tenho uns bons cobres no banco em Portugal, herança da putez da minha rica mãe!
- São só seis meses! O tempo que eu poderia continuar aqui contigo!
Marie retirou-se para dentro de casa e todo o resto do dia movimentou-se tacticamente de modo a evitar o tema ou qualquer despedida. Arrumou as suas coisas num silêncio apenas quebrado com curtos diálogos sobre questões práticas: onde é que está isto? isto fica aqui! não te esqueças que isto funciona assado! Diz ao Xésus Agrelo que… e pede-lhe desculpa por não me despedir!... Se não te importas vou dormir no sofá para não te acordar quando partir!
Os pés estavam demasiado calejados para que o acontecimento lhes fizesse mossa!
- Finalmente livre!
Dissera para si quando morreu sua mãe e agora voltava a dizer a mesma coisa:
- Finalmente livre para cultivar os seus pés!
Três dias depois da partida de Marie a praia ficou negra de morte! Sete Pés foi dos primeiros a ir para o areal sofrer e fazer parte da primeira equipa de voluntários que começou ali a trabalhar. Ao fim de algum tempo foi integrado numa equipa remunerada pela Junta e aí trabalhou durante seis meses, impondo sempre uma condição: limparia crude em todo o lado desde que de lá não se avistasse o cabo de Finisterra.
- O português tem uma pancada! O home é tolo!... - Diziam os colegas.
Já a costa estava quase limpa, ou pelo menos na situação em que já não é possível limpar mais, Sete Pés experimentava o prazer de, do banco corrido, da varanda corrida das traseiras da casa, olhar o mar como se ele fosse um pouco de obra sua. Já não era o mar negro, nem a Costa da Morte, era o mar salgado e a costa da vida.
Pensou que para a sua, esta história, a continuação do diário de Marie, ter enredo para dar livro, deveria ter encontrado nas equipas de limpeza uma irmã de que a mãe nunca lhe havia falado. Ou talvez, quem sabe, a neta “vinte e teen” de Xésus Agrelo, que chegaria nestes dias do Canadá para passar umas férias com o avô, não lhe traria pés para um romance e o romance se arrastasse como um novela da tvi; e o amor se viesse a estabilizar numa vida normal que apenas interessasse a quem a vivesse!?...
Voltou a olhar o mar e falou-lhe alto como um louco:
- Não penses que esta história vai acabar aqui! Esta casa é um barco que não se dá à água mas quem aqui entrou tem de aguentar, enjoar, tresandar a sal, vomitar azul até, à falta de porto, desejar a tempestade para poder naufragar!
(pois, meu fiel leitor, se está farto atire-se à água, porque há ainda muito oceano que não passou a Padrís! – hei-de chegar ao fim, só com um leitor!)
__________________________________________________ Todas as segundas feiras.
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domingo, 1 de maio de 2011
Que hei-de fazer com este dia?!
Que hei-de fazer com este dia?!
Sou filho de mãe, mãe, pai operário, sou pai, trabalhador, revolucionário! Já sei! Tive uma ideia: vou almoçar fora com a família!
Sou filho de mãe, mãe, pai operário, sou pai, trabalhador, revolucionário! Já sei! Tive uma ideia: vou almoçar fora com a família!
Há duas mães que não esqueço, uma é a de Gorki e outra é a Minha!
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