Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
As mamas de Angelina Jolie têm outras mamas por trás
O anúncio de Angelina Jolie se submeter a uma dupla mastectomia(remoção cirúrgica de ambos os seios), mesmo que ela não tenha cancro da mama não é algo inocente, espontâneo, nem ”uma escolha heróica“, como foi retratado noa mídia.
NaturalNews percebeu que tudo coincide com uma bem-cronometrada campanha corporativa com fins lucrativos que foi sendo planejado durante meses e só aconteceu de modo a coincidir com a próxima tomada de decisão da Suprema Corte Federal dos EUA sobre a viabilidade da patente sobre o gene BRCA1…
Angelina Jolie é parte de um esquema empresarial inteligente ( e DIABÓLICO) para proteger e gerar bilhões de dólares em patentes de genes BRCA1, e para influenciar a decisão do Supremo Tribunal dos EUA (uma opinião)
Domingo, 19 de Maio de 2013
A cultura da crise
Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos em tempo de crise.
Na boca dos abastados senhores do poder, não se ouve outro pretexto para a situação que não seja a crise.
A crise justifica a própria crise.
A crise é o melhor remédio para a crise.
Crise atrás de crise.
Crise após crise.
Sempre crise.
Sempre vivi em crise.
Queria viver ao menos um dia da minha vida em que não houvesse crise.
Crise! Crise! Crise!
A crise é filha de uma puta que é a conjuntura!
A crise serve todos os interesses:
conforma os pobres - incha os ricos;
contém os que protestam - alivia os que mandam;
açaima os que trabalham - solta os que exploram;
justifica a miséria - tolera o enriquecimento;
dá mote aos poetas - torna brilhantes os comentadores.
Crise! Crise! Crise!
Palavra banal quando é dita, palavra que irrita, palavra que justifica.
Está instalada a cultura da crise!
Em nome de todas as razões, em nome de todos os interesses, a crise serve e a crise castiga.
Não há nada mais fácil nem mais lucrativo do que gerir em estado de crise,
serve o governo, serve os que mandam, serve os que podem,
em suma, é a bolota da selva capitalista.
Pois então que a crise exploda de uma vez por todas!
Estou farto de ser cidadão pacífico!
Que rebentem os locais de trabalho, os locais de férias e as ruas!
Que rebentem as escolas, os hospitais e os tribunais!
Que rebente o povo e que eu dele rebente!
Crise!... Crise!... Crise!...
A culpa é filha de uma puta, a conjuntura!...
Os intelectuais falam baixinho entre eles, num canal de televisão que ninguém vê! Falam de metas e finalidades. Para eles as metas são como o horizonte onde nunca se chega e as finalidades são os fins. Está tudo em fins, acabaram as ideologias, os povos, os direitos, acabou a História !
Nas veias dos governates corre o sangue sólido de actores que trocam de papéis e de adereços, que lançam vozes na sala para ouvirem os seus ecos, que lambem os seus espelhos, que abrem e fecham o pano ao ritmos dos seus discursos, que representam personagens e fantasmas provocando a sonolência dos espectadores. Mas um espectador, mesmo entre sonos, bate sempre palmas! E, se os ratos do velho teatro lhe roerem os pés, julgará sempre que é comichão dos sapatos! Nem que esteja descalço!
E depois, nos camarotes, entre cenas de interesse, de prazer e coscuvilho, estão jornalistas, banqueiros, empresários, proprietários, juízes e generais e outros mais a sombrearem, com gestos e acenos, a pequenez da plateia submissa, reverente e admiradora, sempre disposta a sonhar com um lugar nos camarotes!...
Ai! Onde é que eu ia!? Falava da cultura da crise!...Então a crise cultiva-se?!
O estado da crise já compete com o estado do tempo quando falamos para alguém sem tema de conversa. Em todas as conversas, pressente-se, que a última coisa que queremos saber é a a verdade.
- Crise? Qual crise? A financeira, a económica, a social, a política, a democrática, a do petróleo, a sectorial, a nacional, a do euro, a da europa, a mundial ou a da justiça?
Eu quero que se lixe a crise, eu vou mas é ver o Benfica!
Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
Vendo casa no Gerês
Há pessoas que, cegas pelos holofotes, perdem a percepção e a lucidez de quando devem retirar-se. Salazar foi Salazar até morrer, Amália não devia ter cantado até tão tarde, já ninguém vê os filmes de Manoel de Oliveira a não ser por respeito, Mário Soares é uma dor de alma vê-lo opinar, Herman José e Medina Carreira perderam a piada.
Em contraponto: Bento XVI arrumou os sapatos vermelhos, Madalena Iglésias não sei se já morreu, Álvaro Cunhal só reapareceu no dia do seu funeral, Sérgio Godinho deve viver numa quinta, Guterres dedicou-se aos pobres e o Mário Mata é proprietário dum parque de campismo.
Isto é, todos temos o nosso tempo de palco e, se não percebermos o momento em que nos devemos retirar, oportunidade que não tem necessáriamente a ver com a idade - a plateia só conheceu Agostinho da Silva de barbas grisalhas - perdida a oportunidade, acabamos por deixar a marca do ridículo porque, naturalmente, a última imagem tem tendência a ser a que perdura mais.
Mas quem sou eu para dar conselhos a esta gente?! Este blogue já devia ter desaparecido há uns tempos!
Ah! Mas isso é outra coisa! Ninguém tem nada a perder pela insistência nestas bacoradas! Uma personagem de ficção é uma personagem de ficção, um blogue é um escrito de gaveta, seja o autor um jovem ridiculamente apaixonado, um meia idade sem horta ou um aposentado à procura de rimas para um pensamento. Já um homem de direito a wikipédia para cima, é outra coisa! Seja ele dos meus, dos outros ou da puta que o pariu!
Isto tudo para dizer o seguinte: o Presidente da República, Anibal Cavaco Silva, já não está bom da cabeça, pois não?!... Então?!
Digam-lhe apenas que ele pode continuar a ser o marido da primeira dama e que o carro já não está na rodagem, precisa de ser abatido!
Para Boliqueime não, o Algarve precisa de atrair mais turismo! Para Santa Comba não, o cemitério está cheio! Mas por acaso eu tenho uma casa no Gerês, não empresto a qualquer um mas vendo a qualquer um!
Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
Maria aparece a Maria
Andavam Aníbal e Maria a passear o rebanho, não na Cova de Iria, mas no Poço de Boliqueime, quando viram dois clarões como se fossem relâmpagos. Nesse momento, viram em cima de uma azinheira uma Senhora vestida de branco e mais brilhante do que o Sol. Que disse: "Não tenhais medo." E Maria: "Donde é Vossemecê?" O rebanho não se surpreendeu, já se habituara a ver Maria muito afoita de conversa. O Aníbal é que não percebia nada, porque enquanto a prima via, ouvia e falava com a Senhora, ele só via mas não ouvia. A primita segredou-lhe ao ouvido e então ele virou-se para o rebanho [leitor, por favor, leia os telexes da Lusa para ver que não é o cronista que endoidou] e disse: "Penso que a sétima avaliação foi uma inspiração da Nossa Senhora de Fátima. É o que a minha mulher diz." O rebanho ficou espantado: 1) porque não sabia que os primos se tinham casado; 2) porque aquilo era a primeira aparição e não a sétima avaliação; 3) não entendia como a Angela Merkel (os rebanhos são muito prosaicos e o que veem, veem) se aguentava em cima da pequena azinheira. Havia um quarto espanto: como é que o Aníbal para confirmar que pensa, diz o que a Maria lhe diz? Mas o rebanho estava era preocupado com os cortes - em tempos de troika, até os três pastorinhos passam a dois - e com aquele "não tenhais medo" da gorda da azinheira que lhes cheirava a ameaça. Ruminava, o rebanho: isto nem com o Milagre do Sol em Outubro vai lá...
Domingo, 12 de Maio de 2013
Mais um treze de Maio
Vivo nas barbas de Fátima! Aqui ao lado, na barra lateral deste blog pocilga, se colocarem na caixa de pesquisa "Fátima", encontrarão mensagens de Fátima sobre o que penso, sobre o que vejo, sobre o que respeito e não respeito. À minha porta passam peregrinos, dia e noite, respeitados, apesar de escolherem o Caminho do Sofrimento, desrespeitados pelo Caminho que lhes traçaram. É uma dor de alma ver estas almas palmilhando o asfalto dos cabrões quando poderiam calcorrear os carreiros das cabras.
Sou recorrente nesta observação, mas enfim, não há junta de estradas, nem santa igreja, nem grupo de escuteiros que saiba fazer melhor: sem perigo de atropelamento, não há peregrinação.
Mas volto a este tema porque hoje, mesmo hoje, vi uma senhora peregrina, só - que é a forma mais perfeita de se ser peregrino - atravessar a passadeira aqui do burgo, de pés descalços. Abeirei-me sem piedade, solidariedade ou curiosidade, foi um acto de observador:
- Já reparou que não leva nada calçado?!
- Venho de Vila Nova de Poiares descalça! Num país de católicos, ainda não se abeirou de mim uma única alma que me tenha oferecido um par de sapatos! Quando chegar ao santuário vou roubar os primeiros que estiverem à mão! Dirão:
- É ladra!
Responderei:
- Sou cristã!
Tudo é de todos! Se uns sapatos não estiverem calçados, quem terá o direito dos reclamar!
Sexta-feira, 10 de Maio de 2013
Com papas e bolos se enganam os tolos
BOM DIA, EU SOU FRANCISCO... O PAPA DOS POBRES!
ENCANTADO, EU SOU PEDRO...PASSOS COELHO......... UM DOS SEUS MELHORES FORNECEDORES!!!
da caixa de emaile
Quarta-feira, 8 de Maio de 2013
Pensamento
Fico sempre de pata atrás quando, em conversas, o interlocutor está sempre de acordo comigo, fico sempre desconfiado que, quando em conversas, também está sempre de acordo com outros, mesmo com aqueles com quem não estou em acordo.
(aproveito para anunciar aos amigos blogosféricos que, assim que a crise passe, voltarei em força!...deixem-me digerir!)
(aproveito para anunciar aos amigos blogosféricos que, assim que a crise passe, voltarei em força!...deixem-me digerir!)
Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
Haja memória mas haja também futuro
Foste embora! É natural, tantos se vão embora!...
Mas no teu caso existiam tantas coisas que ainda tinhas para me ensinar e, modéstia à parte, tantas coisas que precisavas de aprender comigo!....
Quando eu te fazia perguntas, não me respondias e ficavas com aquele ar de quem já leu tantos livros que não responde a perguntas banais. Eu gostava de te falar de acontecimentos públicos ou privados porque, embora me ouvisses com toda a atenção, o teu silêncio era a garantia de que não contarias a ninguém o meu desabafo ou o meu falar dos outros.
Quantas vezes corremos pelos campos, eu atrás de ti, gritando "é prá aqui e é prá ali!" julgando que era o teu guia mas, afinal, era eu que era conduzido pela liberdade dos teus passos...
Foste embora! Logo agora que a luta vai exigir tanto de mim e que outros porcos mais altos se levantam, tu deixas-me mesmo sabendo que para vencer dois porcos maus são necessários dois mil porcos porcos bons. No fundo, "de porco e louco todos temos um pouco", diz o povo, não é?!
É natural que tenhas levado contigo uma parte de mim e que tenhas deixado comigo uma parte de ti!
Fica sabendo que não comerei nem uma peça do teu toucinho! Nunca se mata um porco com seis meses, porque um porco com seis meses nem é leitão, nem está em acção de matar! Afinal o Zé do Espeto não passa ele também dum porco, porque é um homem do povo, é um porco bom, porque é um homem que serve o sistema, é um porco mau! Quero dizer, é um porco assim assim! Não tem memória e por isso aceita o futuro como uma fatalidade! Aceita os porcos maus com naturalidade! E, por isso, acha natural matar um porco de meia idade - há quem diga que os porcos nunca têm meia idade - que me ensinou tanto e de quem eu era amigo.
em memória de um porco autêntico que foi menos porco do que qualquer ministro
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Terça-feira, 30 de Abril de 2013
... Maio quem te criou?...
RECUSA
Convosco, não, traidores! Que poeta decente poderia
Acompanhar-vos um segundo apenas?
À quente romaria do futuro
Não vão homens obesos e cansados.
Vão rapazes alegres.
Moças bonitas,
Trovadores,
E também os eternos desgraçados,
Revoltados
E sonhadores.
Miguel Torga
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Sábado, 27 de Abril de 2013
Troco carro velho por burro novo
Não gosto de carros. Quando vou a algum lado e vejo muitos carros sinto a paisagem violada, vivo a festa estragada, como o caldo entornado. Gosto de caminhar a pé. Gostava de viajar de burro mas infelizmente este não é o tempo dos burros e não é muito prático cavalgar porcos.
As ideias passam-me pela cabeça como carros transpondo um viaduto. As notícias passam na tv como os carros na ic. Os governantes desfilam como carros no túnel do marquês. A minha prosa é um carro avariado na avenida. A minha poesia é um carro que pifou na subida da serra dos candeeiros. A minha vida é um carro de rolamentos descendo a rua do castelo. Nunca comprei um carro novo. Nunca ofereci um carro à minha mulher.
Há carros de vidros escuros na autoestrada. As pessoas que têm carros velhos não podem andar neles porque os senhores que andam nos carros de vidros escuros as impedem com preços e regras. As pessoas não se apercebem que, na prática, é proibido andar de burro e os porcos não se deixam cavalgar.
Se não tiver carro não posso ir para o trabalho. Na tv passam anúncios de carros. Os governantes também gostam muito de aviões. Uma das minhas limitações é não conseguir perceber os lucros das companhias do petróleo. Um dos meus problemas de integração social prende-se com o facto de não conseguir ver poesia num carro. A minha vida não é um carro mas a minha vida seria muito melhor se só eu tivesse carro porque eu não gosto de ver muitos carros.
As ideias passam-me pela cabeça como carros transpondo um viaduto. O governo é um grupo que anda de carro. Andam grupos de jornalistas recolhendo notícas de carro. O meu sonho é conseguir legalizar um carro de burro para transporte de porcos.
Sexta-feira, 26 de Abril de 2013
O que é um XIXO?
Bom, um XIXO é um petisco de carne bovina cortada aos cubos. Este fim de semana queriam que eu comesse XIXO mas vou desligar a televisão!
Quarta-feira, 24 de Abril de 2013
Crianças de Abril
Tenho a infância marcada pela lembrança ténue e breve de um Abril.
Tenho a infância marcada pelas conversas nos farnéis do campo, no almoço da fábrica, na taberna aonde os homens iam, nos encontros no átrio da igreja e, no meio de tudo isso, um certo Abril!
Tenho a infância marcada pelos arraiais com rancho folclórico e cornetas de música incerta, os comes e bebes em chão de feto e sombra de rama de eucalipto e à noite a luz sempre a falhar. E o conjunto que só fazia barulho – diziam os velhos! Tenho a infância marcada por uma televisão a preto a branco que só dava notícias e filmes de que eu gostava!
Nesse tempo, um certo Abril rompeu a História e pela primeira vez ela se fez de todas as serras, paredes, lugares e lugarejos deste povo.
Do fedelho ao avô, do primo de Lisboa à tia freira, do padre ao barbeiro e à padeira, toda a gente botava sentença e opinião. Um país dividido em mil partidos e unido num Abril.
- De que partido é ele?!
Importava mais que a idade, a terra ou a profissão.
A política…
- O Mário Soares é um cabrão! Cabrões dos fascistas! Cabrão do Sá Carneiro! Cabrões dos comunistas! Cabrão do Otelo, do Spínola, do Cunhal! Cabrões da PIDE! Cabrão do Salazar!
Ressalvo o respeito pelos visados mas era assim a voz do povo em que cresci.
E no fim, a Gaiola Aberta a rematar:
- E não há ninguém que parta os cornos a estes cabrões?!
Tenho a infância marcada pela lembrança de um Abril que já lá vai. Como antes dele, já não se fala política. Na hora da receita ainda se sente a divisão:
- O que era preciso cá, era um novo Salazar!
Julgo que já o temos.
- O que era preciso era outro 25 de Abril!
Talvez um dia …
Ressalvo o respeito pelos visados mas era assim a voz do povo em que cresci.
E no fim, a Gaiola Aberta a rematar:
- E não há ninguém que parta os cornos a estes cabrões?!
Tenho a infância marcada pela lembrança de um Abril que já lá vai. Como antes dele, já não se fala política. Na hora da receita ainda se sente a divisão:
- O que era preciso cá, era um novo Salazar!
Julgo que já o temos.
- O que era preciso era outro 25 de Abril!
Talvez um dia …
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José Villhena
Domingo, 21 de Abril de 2013
Milagre do diabo
Amarida Cruz tinha licença da câmara da vila para o negócio. Carregava os ceirões à burra com uma mesa de duas gavetas - uma para os trocos e para o que desse, outra para os panos e para o que viesse – duas garrafas de aguardente, dois garrafões de vinho, meio alqueire de tremoços, um pacote de café de cevada e outro de açúcar, uma caixa de fósforos, uma cafeteira, um jarro, seis copos, meia dúzia de chávenas, uma colher para cada par, um alguidar e uma bilha para a água. Se vendesse tudo seria dia grande.
Fazia o mercado de segunda, os dois, os doze e os vinte e quatro, arraiais de santos e enfeites de merendeiras, saídas de missa e o são joão.
Tomara este negócio para somar aos “dias fora” porque perdera a força do marido que, ainda por cima, a deixara de meses. Ao malvado tinham-se-lhe enfiado umas ideias na cabeça, não ia à missa nem à confissão, dizia mal do Salazar e lia livros que não eram da igreja. Por estar possesso de ideias que não lembravam ao diabo acabou preso e deportado para África ou para a Índia, sabia-o ela mas não o povo que o tinha como morto num descarrilamento. Soube a mulher aproveitar a coincidência da data do desastre com a do embarque onde, por excepcional concessão da polícia, teria ido despedir-se do demónio, regressando à terra em falso luto e de lágrimas teatrais - “ficou todo desfeito! nem foi possível fazer-se funeral!”.
Com tamanha mentira seria mais fácil voltar a ter homem do que se soubessem vivo o desgraçado que ela tinha de esquecer. Não teve a sorte de outro mas fez do filho um braço de trabalho! Não estava para o perder ao serviço do exército ou do Carmona. Chegada a idade da inspecção ensinou-o a ter um dedo torto e advertiu-o vezes sem conta para que se eles lhe perguntassem como ele o tinha antes não se descaísse e o mostrasse direito.
Regressou o grupo de mancebos do quartel, em dia de domingo, depois de uma noite de folia sem pregar olho como era tradição, ao largo da igreja, ainda havia gente de finais de missa. Uns contentes porque apurados e dois a pagarem rodadas por ficarem livres. Eufórica com a esperteza que transmitiu ao filho, pagou ela própria não recebendo dinheiro para a gaveta e ela própria apanhou uma piela de caixão à cova. Foi bem torcida que, sensibilizada pela sede dos rapazes e tendo a venda toda já esgotada, se virou para o filho do sacristão, o outro safo por não conseguir dobrar a língua, e lhe disse também de língua enrolada:
- E tu não pagas nada?! … Sabes bem onde há vinho na igreja!... Vai lá que a esta hora já está tudo a almoçar! Ninguém vai ver!
Estava a garrafa roubada a passar de boca em boca quando um homem, vindo do lado da estação se aproximou! Amarida da Cruz não teve dúvidas! Era o diabo do homem que voltava!
Deu três passos cambaleantes para trás, deu de traseira no tanque do chafariz do largo e, antes de bater com o traseiro na água, gritou alto:
- Milagre!!!
- Pôla! Robê pinga já consagada!
(Bem sei que as histórias se repetem e esta é uma delas! Na falta de melhor, há que pôr histórias contadas a render!... Enquanto houver electricidade para o carregador do portátil, este blogue vai continuar, nem que se repita! Todos os sábios se repetem! Não serei sábio mas vivo essa utopia!
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