sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Quando a malta perder a paciência


As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obsolescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
“declaro vaga a presidência”!



Mauro Iasi

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Parábola para quem consegue ler mais de duas linhas

A primeira razão daquela civilização era mudar a face da terra, o que significava torná-la plana, eliminando os vales e os montes. Passara o tempo das pás e picaretas e o desenvolvimento trouxera escavadoras, giratórias, niveladoras, cilindros, camiões e outras poderosas máquinas de terraplanagem.

A Terra Plana resultara duma associação de outras empresas da Zona Centro e era a sociedade que dava cartas aos territórios vizinhos. Pela sua ação, povoações que outrora se debatiam com as agruras do relevo, locomoviam-se agora confortavelmente por todo o lado, excepto, claro está, pelos vales e  montes que iam deixando de existir.

A Mexe Terra era uma pequena empresa da Zona Sul e não dormiu enquanto não conseguiu um tratado de união com o seu sucesso de referência, a Terra Plana. Para lá dos donos, os mais civilizados, também os seus trabalhadores deitaram foguetes e deram vivas a máquinas novas que chegariam, a novas condições que os igualariam aos centrais e, sobretudo, à visão futura da imensa planície em que iriam transformar a sua terra.

A Terra Plana dotou-a, de facto, de máquinas melhores mas eram as usadas que já não lhe serviam, forneceu-lhe financiamentos para algumas movimentações de terras de interesse central mas aumentos de rendimentos? "nem pensar! porque é precisamente nos baixos salários que vós sois bons e, atenção, o mármore é para nós e o mar é nosso!".

Chegados ao presente, os trabalhadores da Mexe Terra vão reconhecendo o engodo e questionam os patrões mas estes, que apesar de tudo melhoraram os seus meios de locomoção e gozam de prazer quando se sentam à mesa com os maiores do Centro, respondem-lhes com a impossibilidade de sobreviverem fora da Terra Plana, com a necessidade da construção do caminho único como forma de tornar lisa e suave a face das terras do Sul.

Será já no futuro que os filhos dos operadores das máquinas e todos os sulistas, apercebendo-se da infertilidade da terra movida e que a vida não tem jeito nenhum sem montes e vales, tomarão o poder apropriando-se das máquinas para abrir vales e erguer montanhas.

É provável que ainda vão a tempo, pena que o profeta já tenha morrido.

Patrão da Mexe Terra preparando-se para assinar a entrega da sua empresa e o futuro dos seus trabalhadores à Terra Plana.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Presépio nº1

Não percebo porque é que alguém teve esta ideia em vez de mim.


O presépio cá do palácio dos leittões é este:



domingo, 15 de dezembro de 2019

Parábola para quem não entende



Porque sempre fora assim, por temor, devoção, ou desejo perverso de ser dominada, aquela família, proprietária das fazendas mais férteis da ribeira, era das que mais contribuía para a fartura da abadia. Era, diz-se bem, porque quando Simão tomou o lugar de seu pai, nem mais um serviço, moeda, alqueire, almude ou oração, saiu daquela casa para os rabos ou barrigas da igreja.
Claro que, juntamente com os seus, teve rapidamente a resposta esperada: hereges, danados,  almas do diabo, cacodoxos, malditos e outros nomes mais, além de ostracizados, amaldiçoados e devidamente excomungados.

Em conformidade com "os livros dos livros" das orações e regras dos mitras, seria justo, respeito pela fé de cada um, pelo direito que cada um tem ao que é seu, à sua vida e sua opinião mas não: clamado, pregado e com sentença, dito e redito dos púlpitos e altares, que nenhum freguês poderia comprar trigo daquelas terras, ai de alguém que lhes vendesse um grão de arroz, que ficasse mudo quem dirigisse aceno ou palavra aquela gente. Exceção se faria, apoio e acolhimento, a alguém da prole que confessasse arrependimento ou vontade de matar o patriarca.

Perante o afrontamento, a família de Simão reagiu unida e com orgulho, com o seu suor, a sua vontade, a sua razão, foi resistindo ao monstruoso poder que emanava das naves clericais. Não sem que a certa altura se começasse a notar que alguns rabos da família já não enchiam as calças, que algumas crianças traziam o pipi e pirilau ao léu, que com tamanha força não se notasse algum desânimo, que alguns sobrinhos mais manhosos não começassem a mexer os cordelinhos das ceroulas do abade e a denunciar  insatisfação.

Nas homilias já se podia demonstrar: vejam o que acontece a quem não obedece a Deus, vejam como estão sozinhos os que não ouvem os santos, vejam a miséria a que chega quem não traz pão nem vinho à igreja, morrem de fome os que não reconhecem a autoridade dos pastores do rebanho. Vós cristãos tendes o dever de dar a esmola a essa gente, convertei pela caridade os mais famintos, mostrai-lhes como são grandes as obras que andamos a fazer para elevar a torre e dotá-la de mais sinos.
Simão e os seus mandavam à merda estas oferendas e iam aguentando dizendo, a quem os pudesse ouvir, que tinham esperança que outras famílias boas a eles se juntassem contra os poderosos e pelo direito a não ter religião.

E como tais declarações, embora silenciadas nas assembleias, chegassem à sacristia, de imediato se fez um levantamento das famílias menos católicas e se decidiu intervir junto das mesmas, para que não tomassem o mesmo caminho e, a bem ou a mal, seguissem as orientações da santa madre igreja, trabalhassem muito, contribuíssem com oferendas, cultivassem a pobreza e a castidade ...
- Ai isso é que não! - disse o benjamim de Simão.

(dedicado aos povos que, hoje mesmo, resistem às ofensivas do imperialismo)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Do Brasil, sem sorrisos amarelos ou camisas amarelas

Versão de Ciranda da Bailarina para tempos bolsonáricos
A artista é Nah Rachid, a letra é de Marco Merlin.

Reparando bem
Todo mundo tem querela
Quando encontra alguém da família
Tem primo coxinha de camisa amarela
Só a bailarina que não tem
E não é fascista
Não fala com racista
Passado de golpista
Ela não tem
Pesquisando bem
Todo mundo tem parente
Que repassa falsa notícia
Todo mundo tem um vizinho prepotente
Só a bailarina que não tem
E da sua janela
Não bate na panela
Nem ódio da favela
Ela não tem
Confessando bem
Muita gente é violenta
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem uma tia truculenta
Só a bailarina que não tem
Vô autoritário
Papai reacionário
Ou tio sanguinário
Quem não tem
Não sobra ninguém
Todo mundo tem marido
Que faz com a mão uma arminha
Ou tem namorado do Escola sem Partido
Só a bailarina que não tem
Nem misoginia
rancor, homofobia
Guru de astrologia
Ela não tem
A mamãe também
Pode até ficar chocada
Quando a filha vota em machista
Todo mundo tem uma irmã alienada
Só a bailarina que não tem
Colega de direita
Patrão que não respeita
Amigo que despeita
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O último outono dos que vão morrer antes do verão




É  Outono...
tombam folhas, bêbados e soldados...
e o caruncho rompe impiedoso nos lábios do poema

funerais parados na beira da estrada
palavras doentes perecem no leito

um carro chegou com as primeiras chuvas
à quinta do Tio Costa do Vale das Promessas...
os sinos dobram os lençóis assinados
a um canto da alma
pela último período que a avó experimentou...
e o cão desapareceu...

nova estação... mau tempo
não haverá sol
porque haverá ausência
não haverá voz
porque o canto no silêncio é desrespeito
e se os mortos permanecem vivos na nossa memória
não haverá mortos nem vivos
haverá Outono

(depois, as varredeiras colhem as folhas secas
para as esquecer)

domingo, 20 de outubro de 2019

Puta que pariu os catalães

Se a história tivesse sido outra.



Não houve o 1 de Dezembro de 1640, Portugal, tal como a Catalunha, continuaram a pertencer à coroa espanhola. Não existiu o 5 de Outubro de 1910, Portugal continuou a estar dependente dum poder de matriz sanguínea.
No início dos anos 30, em alguns povos do reino de Espanha, sobretudo na Catalunha e em Portugal,  começaram a declarar-se alguns movimentos independentistas, libertários, socialistas, republicanos.

A ação desses movimentos progressistas acaba por fazer da Espanha uma república onde se manifestam as vontades de novas repúblicas e por ter um desfecho numa sangrenta guerra civil. Os republicanos são vencidos pelas forças fascistas, lideradas em Portugal pelo general Carmona e, no resto da Espanha, pelo general Franco que impõe uma república ibérica à sua medida.  Este, assumindo-se como generalíssimo, acabou por conceder um poder territorial especial ao seu parceiro de armas português. Fica, no entanto, uma mancha no mapa da sua vitória, a Catalunha resistiu ao seu poder de fogo e conseguiu constituir-se como estado independente, reconhecido por muitos estados e tolerado por Hitler, ou reservado para intervenção futura.

Nos anos 70, adivinhando a morte e o fim do seu reinado, Franco achou por seu poder, deixar a grande Espanha entregue ao rei de coroas, filho da corte a quem permitira, até então, a sobrevivência num palácio maior, da província maior, Portugal, nesses anos vigiada pelo almirante subalterno, Américo Tomás.

Embora ressuscitassem, na altura, algumas manifestações republicanas e independentistas nas quais Portugal se destacava, fantasmas da guerra, apatias ideológicas e promessas de democracia, acabaram por viabilizar a nova monarquia e o filho do rei velho regressou ao palácio, palacianamente aclamado mas, naturalmente, sem votos.

O novo reino de Espanha preparou, entretanto, a sua  entrada na CEE e, travessuras da história, acabou por ter de reconhecer a república da Catalunha e assinar a adesão à comunidade no mesmo dia.

Nos anos 10 do novo século, Portugal - que nunca se sentira bem com a sua consciência nacional por depender de famílias castelhanas - onde as ideias republicanas sempre tiveram expressão popular, onde o direito dos povos à autodeterminação sempre foi um direito querido, entra num processo independentista e proclama unilateralemnte a sua independência. Fortemente condicionado pelo capitalismo, pelo poderio bélico da comunicação social, pelo poder Bruxelas-Madrid, vítima de chantagem generalizada, o país fica suspenso.

Em outubro de de 2019, mais do que a hipocrisia dos senhores da Europa, que intercederam pela formação de novos estados da ex-Jugoslávia à ex-União Soviética, o que irritava mais os portugueses que reclamam a independência são as declarações dos governantes da Catalunha e, sem atenderem que as mesmas não traduzem necessariamente os sentimentos dos cidadãos que se fazem representar, dizem chateados:
-Puta que pariu os catalães!


sábado, 12 de outubro de 2019

Princípio do utilizador-pagador

Num banco artificial do jardim artificial, em frente ao lago artificial, está um velho natural sentado naturalmente à espera do Outono. É um reformado. Vive às minhas custas, portanto!... E, no entanto, o velho não paga nada por ali estar. Mas devia pagar! Não pensem que se trata de um daqueles bancos antigos de tábuas horizontais, pintadas de vermelho e com perfil de ésse invertido! Não! É um banco de design moderno e sem encosto, tipo banca de matança de porco, todo fundo europeu!... Para estes bancos, deviam existir banquímetros para dar cobro ao inquestionável pensamento do utilizador-pagador.
Não pensem que o velho está ali a fazer alguma coisa. Está só a pensar.
Eu penso que nunca me irei sentar naquele banco. Porque obra de fundo com participação nacional o hei-de estar a pagar?!
Eu penso nas folhas a cair. Devia de me ser descontado o tempo em que da janela do meu emprego eu vejo as folhas cair.
E era só, vou perguntar ao velho se tem nome e se sabe quando vem o Outono.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Crise, a palavra dos que não têm palavra



Alice Serra das Fontes ficou viúva com cinco filhos às costas e fez das tripas coração para chegar aos setenta e oito anos que ontem completou. Para assinalar o feito convocou os herdeiros, dispensando netos, noras e genros, e fez uma panela de mexudas.
A mais nova, professora, anda revoltada e deprimida com o que está a acontecer com as escolas. Os irmãos acham que ela era uma privilegiada e acham muito bem que a obriguem a não gostar do que faz.
O segundo mais novo é operário e anda preocupado porque é voz corrente que a empresa vai ser deslocalizada. Os irmãos acham natural e que a culpa é dele porque estava acomodado ao dinheirinho certo ao fim do mês e nunca se esforçou por fazer outra coisa.
A do meio tem um “comes e bebes” mas a coisa vai de mal a pior porque a malta não tem dinheiro. Os irmãos sempre acharam que ela escolhera aquela vida porque não dava trabalho e que puxava nos preços quanto queria, e, por isso, as suas dificuldades não os impressionam.
O segundo mais velho anda na construção e anda desanimado porque acha que a coisa vai ficar torta outra vez. Os irmãos acham que ele quase que chegava a rico sem saber ler nem escrever e que é bom que se convença que também tem de saber o que é a crise.
O mais velho é criador de gado e, com as condições que lhe estão a exigir, vai ter de fechar a exploração. Os irmãos concordam porque não lhes agrada o cheiro que, às vezes, anda no ar e porque, além disso, ele dá medicamentos aos porcos.
- Vocês, parece que se esqueceram que precisam uns dos outros! Não foi para ver isto que eu vos andei a criar! Fazem-me lembrar o governo que ataca tudo a torto e a direito como se a única coisa que funciona bem neste país fosse a governação!
Estais todos angustiados porque vos convencestes que o vosso mal era o bem dos outros e que ficaríeis bem se os outros ficassem mal!
Pois eu preciso de vós os cinco. Deixei de fazer queijos pelo facto de me exigirem azulejos e fiquei conformada com a reforma de 300 euros. Agora vejo que errei, devia ter lutado contra estes cabrões de Lisboa e acomodei-me! Agora peço-vos que me ajudem, quero 50 euros de cada um como prenda de anos! Em quem vais votar?
- Eu nunca votei!
- Eu nunca mais voto!
- Votar, para quê?
- Com o meu voto, ninguém conte!
- Eu voto na puta que os pariu!
- Puta que os pariu aos cinco! Querem ver que tem de ser a velha a votar por vocês todos! Em quarenta anos de votos nunca tive tanta vontade de votar! Vou votar sim! Vou votar contra estes cabrões dos Rios, Passos, Costas, Centenos e Assunções que há quarenta anos que nos andam a foder com a crise e não há maneira do povo ver que a crise é esta cambada de adoutorados que andam sempre a cagar sentenças de remédios e não há maneira de acertarem!
De saída, os cinco trocaram entre si umas palavras: se ao menos a gente tivesse dinheiro para a pôr no asilo!

domingo, 29 de setembro de 2019

Há que chamar os burros pelo nome


Estou aqui, 57 anos, filho de mãe mãe, pai operário. Não me queixo  do que penei, não me vanglorio do que realizei e o meu médico tem-me dito que eu não devia de abusar tanto.
Em abril de 75 eu era um puto adolescente e trazia um autocolante do PPD colado na face duns sapatos que já tinham sido do meu primo, filho do meu tio que tinha um mercedes branco. 
Em 79 votei pela primeira vez.  Já tinha vivência e consciência para não votar nos cabrões que nos têm governado mas os meus parentes, colegas e amigos, sempre votaram ora neste, ora naquele, ora em função de uma promessa específica, ora rejeitando uma medida em particular, consoante a cara de um cartaz, seduzidos por uma boa prestação num debate televisivo, como resposta ao fastio dos que tinham estado, como aposta de experimentar novamente os outros, por eu sei lá?!...

Diga-se, em abono da verdade democrática, que não é por isso que estão melhor ou pior do que eu. Na verdade todos nós usamos sapatos, portugueses ou não, mas em primeira mão, tenho um carro em segunda mão mas é mercedes e pronto, é alemão, tomamos diariamente banhos de água quente e temos em comum o facto de todos estarmos revoltados com a situação.

Tenho contra os governantes que temos tido um dedo médio sempre à mão e continuo a ter sempre um abraço para os meus próximos. Mas nestes últimos tempos tenho-me interrogado bastante sobre a quem devo pedir contas, aos eleitos, ou aos eleitores?
Por diferentes razões, nem a uns nem a outros. Aos primeiros porque nunca acreditei nem acredito neles. Aos  segundos porque lhes leio o arrependimento de terem errado. 
Estou revoltado mas não aposto na revolta, aposto na revolução. Os meus parentes, colegas e amigos não: "isto está mau", "não podemos fazer nada por causa da globalização", "a crise é geral", "já não vamos ter reforma", "são todos iguais", "e o que é que acontece se eu for a uma manifestação?", "greves só se for dum mês", "matar alguns" e entre tantas destas que conhecemos e ouvimos a maioria remata "com o meu voto não contam mais eles!".

... e entretanto as sondagens são deles, os votos são deles, é tudo deles, até a opinião dos meus parentes é feita por eles, a resignação dos meus colegas joga a favor deles, a abstenção dos meus amigos serve-os a eles, eles! eles! nós? quem somos nós?
eu não sou os meus parentes, colegas e amigos e é por eu não ser eles, ou eles eu, que tenho andado triste, 
não lhes posso pedir contas que eles zangam-se! zangam-se com muito! eu zango-me com pouco! como por exemplo pelo facto de estar a escrever um texto e me surgirem sempre rimas vulgares, pelo facto de querer acabar o texto e me surgirem sempre vulgaridades como a presente... mas que se lixe! o importante é que o que digo se torne in-citável! ou então o importante seria que os meus parentes, colegas e amigos pensassem  como eu! mas não! estou fodido!

(este palavrão no fim fica a matar! este meu mau gosto vem-me de ser do povo! quem é o povo?)

quem é o povo? uma cambada de burros? isto é que eu sou um cavalo! não, estou apenas a ser um pouco porco com os meus amigos, que tomam banho todos os dias e sempre votaram nos porcos a quem chamam respeitosamente pelo nome. Agora admiram-se pelo triunfo dos porcos! Estou fodido com eles! Pronto! 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

E a bomba caiu - sic


Já muito raramente vejo telejornais - irrito-me! Acabo de ver o telejornal da SIC - desliguei a televisão.
Na história da humanidade apenas duas bombas atómicas, muitas, foram lançadas sobre populações. Assinalam-se anos. "Uma bomba atómica caiu sobre Hiroshima". Fala-se da data, do número de mortos, passam imagens. Uma bomba caiu. Não foi lançada, não havia avião nem se referem autores. Simplesmente a bomba caiu. Um ministro japonês discursa na circunstância do aniversário do inqualificável acontecimento e apela à erradicação das armas nucleares. A peça jornalística refere a Coreia do Norte e passa a Nagasaki. Continuamos sem saber de onde choveu a segunda bomba, foi mais uma que simplesmente caiu. Completa-se a informação sobre o fim do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e ilustra-se a peça com imagens do Reagan e em seguida do Putin. Fica-se sem saber quem rasgou o tratado e sem compreender porque raio se juntam duas personagens de tempos históricos diferentes.
Desliguei a televisão, desabafei este texto e agora vou à net para ver se consigo averiguar se alguma nação está por detrás do lançamento dessas duas bombas que, cá para mim, é a mesma que renunciou ao tratado assinado.

sábado, 3 de agosto de 2019

A vida, o país, só param se não houver mulheres.


Na primeira greve o governo culpou o povo por ter corrido para os postos de abastecimento de combustível, tendo apontado esse alarmismo como a principal causa da crise energética. Anunciada a segunda greve, o governo aconselhou as pessoas a atestarem os depósitos e a deslocarem-se o mínimo possível.

- Vá lá a gente entender isto! Bem, tenho de ir atestar! - observou a 1ª mulher.
- Isto são greves políticas - ou não viessem aí eleições!... - comentou o 1º homem.
- Também os governos agem, na sua ação, em função dos calendários eleitorais!...  A greve é um direito! - disse o 2º homem.
3º homem - Meia dúzia de indivíduos não têm o direito de parar o país! O governo tem de fazer alguma coisa!
- Não é a questão de serem meia dúzia! Enquanto não derem cabo dos comunistas isto não vai lá!... - acrescentou o 4º homem.
5º homem - Homem, mas segundo ouvi, este sindicato é novo e nem de esquerda é! Acontece que estão a cair numa armadilha, o governo prepara-se para utilizar o impacto negativo da greve em seu favor virando o povo contra os camionistas! Entretanto, toda a gente se esquece dos preços elevados!
6º homem - Então mas o governo não tem nada a ver com isto! Isto é entre uns tipos que já ganham bem e ainda querem mais e uns empresários que não têm margem para isso! Por causa deles não tarda aí um novo aumento dos preços!
- Ora, a mim não me incomoda que queiram ganhar o dobro ou o triplo ! O que me incomoda é que vos incomode tanto a luta duns tantos trabalhadores por um aumento de salário e nunca  vos tenha visto levantar a voz contra os lucros astronómicos do negócio do petróleo! O que me incomoda é que estejais tão incomodados com a possibilidade dum incómodo de alguns dias sem gasóleo e nunca vos tenha visto levantar a voz pelos que há anos estão sem água, eletricidade e paz, graças a primaveras de sangue ocidental! - rematou o 7º e último homem.

- Ainda bem que não são onze! Nesse caso a conversa tinha sido outra vez sobre remates e ordenados de jogadores!... Vou mas é atestar! - interveio a 2ª mulher enquanto se dirigia à saída!

O (a) jovem tirou os olhos do telemóvel e perguntou: 2ª mulher de quem?!
Como ninguém lhe tivesse respondido continuou e escreveu uma mensagem em que avisava:
"Comida para gatos pode faltar"

sábado, 20 de julho de 2019

Estamos a ser testados


Bolsonaro, Trump,  João Miguel Tavares - que têm estas três figuras em comum? São arraçados de fascistas senhores!
Ora, o presidente de todos os telespectadores, nascido e formado num ninho de fascistas, chama irmão a um, convida outro, nomeia o aquele-outro para o dia da raça e vocês não acham que é demais?