quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

ser e não ser


se falo do passado, dizem que sou saudosista
se tento adivinhar o futuro, exercito a bruxaria
se sou crítico do presente, dizem que sou pessimista
se revelo um pensamento, isso é filosofia
se defendo um ideal, dizem que sou idealista
se faço uma metáfora,  faço uma poesia
se defendo a revolução, dizem que sou anarquista
se apelo à revolta, quero é rebaldaria
se faço greve, dizem que sou sindicalista
se me mantenho em silêncio, estou em estado de apatia
se me manifesto, dizem que sou comunista
se aponto um negro, isso é xenofobia
se me reparo na saia curta, dizem que sou machista
se abraço crianças, acusam-me de pedofilia
se grito de insatisfação, dizem que sofro de histerismo
se me queixo duma dor, sofro de hipocondria
se me levanto a sonhar, dizem que é sonambulismo
se me dói a barriga, são efeitos da bolimia
se compro um canivete, dizem que sou consumista
se bebo um copo, dependo da alcoolemia
se me sai um traque chamam-me porco

antes porco de que louco
antes doido que varrido
pois que  o seja
sei que é pouco
poeta não sou
fazer uma lista
não é poesia
mas pouco mais
se não me lembro do porco
terminava tudo em "ista"
e "ia"
- ia pá! falta-me a rima com "ais" pró "mas pouco mais"! já sei:
ai os ais de quem não aia!
- ai pá! falta-me a rima com "aia"! já sei:
que o primeiro ministro caia
ao descer a escadaria de S.Bento
- ai pá! ele não sai por lá!
... pronto é melhor não falar da saia do papa Bento que saía
estou completamente e ia...
... aonde é que eu ia?!
se até o papa saiu porque é que eu não me posso sair! saiu-me assim!
que é que eu hei-de fazer?! não sei escrever de outra maneira!
(o importante é fazer textos incitáveis que não se possam citar)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Da Avenida da Liberdade não se vê o céu

Meu filho, meu amor, meu irmão, meu camarada, meu companheiro, quão grande é a ave Nida quando se enche da nossa Liberdade, de nós...



Companheiro

quando voltarmos a ser a razão dos que nos mandam
não te esqueças de recordar que sobrevive connosco a avenida
sob o olhar atento daqueles que nos ignoravam
e de alma erguida

Camarada
quando a guerra voltar a ser ganha pela razão
não te esqueças do tempo que passámos entrincheirados
sob o avançar cobarde dos mais fortes
e levantados

Irmão
quando recordarmos de novo a lição de história
não esqueceremos os mares outrora navegados
e que os olhos do avô eram verdes
mesmo fechados

Amor
quando as coisas voltarem a melhorar
não te esqueças da foto que temos da manifestação
com o olhar de meter inveja aos que a não viram
nem ao coração

Filho
quando chegar a tua vez
não esquecerás honrar quem te ensinou a luta
de perseguidos, presos, assassinados
por tanto filho da puta

Porque os direitos não caem do céu!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

... da palavra mais feia do calão


(porque umas vezes vale mais a palavra,
outras vezes, o palavrão)

Partir...
Partir para aqui e pra acolá
Partir pra lá...
Partir para o Alasca
Partir pro outro lado e partir pra todo o lado
Partir sei lá...
Partir sei lá o quê
Partir a loiça toda
Partir os cornos contra as mamas da estátua da liberdade
Partir a cuca a rir...
Partir pra ter saudade
Partir pro infinito porque nunca chegarei
Partir porque já chega
Partir pra onde os outros não vão
Partir só por partir e partir tudo
Partir para Caracas ou ir para o Irão
Fazer um partida
Partir uma
Partir o baralho
Partir para a palavra mais feia do calão
Partir sei lá o quê pra onde pra que lado
Partir-me todo
Partir parado

Parti ontem
Cheguei ontem talvez
Talvez de onde de lá de mim de alguém
do mar ou do passado

Cheguei talvez agora
Vou-me embora
Sei lá pra onde de mim pra lá pra aqui pra aí
prá lua ou pro futuro

Bolas! Nunca parti um copo! Nunca saí daqui!....

Pronto para partir
Pronto! Não jogo com o baralho todo
Não digo um (palavra mais feia do calão)

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Florbela espanca os versos


Aquela espécie de soneto, sem regras de soneto mas ainda assim com qualquer coisa de soneto, não era de ler só por ler, em de banco de espera, sanita ou sarau, não era de guardar na gaveta ou de enviar por carta. Um ato de despedida onde não faltasse a poesia, uma última poesia de amante despedido. Convidei-a para um petisco no José Manel dos Ossos, saquei dum dos bolsos de trás das calças Lois a folha A4 dobrada em quatro, provei o vinho, desdobrei o manuscrito, pousei-o sobre a toalha plástica de padrão xadrez, pousei-lhe o copo em cima sobre um vinco, e lia-a enquanto degustava um osso, não sem antes perguntar:
- posso?

Florbela

Flor-minha-bela-ser-perdidamente
porquê? porquê perdidamente
fingindo amor-amar-perdidamente?

a porta do nascente abriu-se em cio
janela morta e dor
perdida de tanto ser amada

Flor-minha-bela-ser-perdida-a-mente
o moço de recados de prazer
partirá pelos prados férreos do poente
como quem parte do sítio da chegada

Flor-minha-Bela
parte! parte perdidamente!

perdido eu também fico
e também parto descontente
de perder-te.

Florbela espancou todos os versos, um a um, comeu e bebeu tanto quanto eu, retribuiu-me de igual para igual todos os olhares, pagou a conta e terminou, numa entoação de desprezo, com a expressão:
- Poetas!...

Como poderia eu ser um poeta se, passados tantos anos e enganos, não resisto, a despropósito, de borrar a escrita e terminar com um nome capaz de acabar de vez com toda a poesia? augusto santos silva!

domingo, 27 de janeiro de 2019

o pequenino augusto santos silva


Acontece lá para leste mas nós não ligamos muito porque raramente vêm daí os nossos ventos. Na Itália que se lixe, eles já tiveram o Berlusconi e não veio daí mal a pior. A Andaluzia nem sequer é um país. Na América ou no Brasil, bons ou maus, serão sempre nossos amigos e nós deles, pelo que era nosso dever enviar o Botas dos Beijinhos ao beija-mão ao Trump e ao Bolsonaro.

Mas isto pega-se e pode chegar cá! Se quereis a prova, olhai o pequenino augusto santos silva, da escola dos agora meninos do coro de George Soros, qual Rambo do ridículo, torcendo para que amanhã chova em Caracas!





sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Os homens de Lucina

(Lucina - nome poético da lua)

marinheiros da lua.
existência de navios na barra, à solta.
toca três vezes a guitarra eléctrica.
é a libertação,
a independência,
é a revolta...

homens da física e da astronáutica nada nos disseram
da nudez e dos orgasmos de Lucina,
escrava da Terra, e do Mar ama que se fez,
da noite para os seus abraços,
da mente para os seus porquês.

menina de mil esposos falando a meia voz dos meninos de Adolfo,
do pedantismo burguês dos cães da frente,
dos braços perversos da Nação.

alguém falou do Céu e calou seus astros
alguém falou de Adão e calou seus avós
alguém ousou simular a fantasia
nos corações dos órfãos da espada de haraquiri...

nada me detém,
sou um macho da Lua,
não preciso que o Poder caia nem que a terra do sonho seja aqui,
sou um macho da lua.

Lucina libertou-me...
levou-me para longe da cidade
levou-me para longe da floresta
libertou-me! libertou-me!

nas intimidades de Lucina estão preparando a revolução, 
limpai as vossas armas, 
muitas cabeças vão rolar na praça pública.

quero apenas libertar-me
das discussões da bola dos meus vizinhos
da negritude da sombra do bácoro que me persegue.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Janis Joplin Mercedes Benz

"Oh Senhor, porque é que não me compras uma Mercedes Benz?
Todos meus amigos têm porsches,
Eu preciso de ser recompensado,
Trabalhei a vida inteira,
sem a ajuda dos meus amigos
Então Senhor, porque é que não me compras um Mercedes Benz?"
(... a TV a cores dispenso!...)
Não sei o que se passa com os meus mitos! Foram mitos porque a morte os projectou? Foram mitos porque as máquinas comerciais americanas abusaram da minha inocência? Foram mitos porque eu era jovem e sensível?
Sei que os ouço agora e já não sinto a mesma música nem a mesma poesia, sinal que a música e a poesia que eu recebia e sentia não era só deles mas também era minha. Com os anos passados eu deixei passar uma certa juventude de modo que, porque perdi uma certa harmonia em reboliço, por demais que tome as culpas aos riscos da primitiva tecnologia do vinil, a culpa não é minha mas o caso é comigo! Que se lixem os Doors, os Deep Purple, os Stones - é pá! é melhor parar de enumerar! - fica ainda a orelha erecta cada vez que a Janis Joplin ecoa em qualquer lugar, a qualquer hora.
(parto do princípio que quem esticou a leitura até aqui está a ouvir a faixa)
Esta canção atravessou-me o ouvido! No meu parco inglês percebi o pedido. No meu parco inglês cantei muita vez esta canção! Nunca desejei ter um Mercedes! Nunca tive preconceitos por marcas de carros ou raças de burros! O Senhor nunca teria ouvido um pedido destes, primeiro porque era cantado em vão e segundo porque ninguém percebe um palavra do meu inglês. Foi, portanto, por acaso, que me tornei proprietário de um Mercedes! Velho! Note-se! O Mercedes tornou-se no Volks Wagen (carro do povo)! Há Mercedes para todas as camadas! Diz-me quanto dinheiro tens e eu arranjarei um Mercedes à tua medida!

Vinha eu a sair do festival Sete Sóis ou Sete Luas - ou as duas coisas, sei lá, o caso é para mais! - e ao chegar junto da minha viatura constatei que lhe/me faltava a estrela. O GNR circunstante apercebeu-se da minha exaltação e abeirou-se averiguador.
- Deixe lá homem! São jovens! Fazem colecção!
- O Senhor guarda não percebe?! Eu preferia que me tivessem levado o carro e me tivessem deixado a estrela aqui no chão!
O guarda deu meia volta, provavelmente ia buscar o balão. Ao longe ainda lhe gritei:
- Ó senhor guarda! Eu só tenho um Mercedes por acaso!
Gostar das estrelas dos Mercedes e de Janis Joplin não é o meu maior pecado, o meu maior pecado é revelar-me tanto quando a lucidez me deixa a nu! Este blog está mesmo a chegar ao fim! Ao fim e ao cabo!....

sábado, 5 de janeiro de 2019

2019 - o ano do porco


Que em dois mil e dezanove
Eu me levante todos os dias,
Que se levantem as árvores,
Que se levante a vida,
Que se levantem os mortos,
Que se levantem os porcos,
Que se levante o povo,
Que se levante o país,
Que se levantem as vozes,
Que se me levante a voz,
Que se me levante o falo
Que a falar é que a gente se entende
E que outros valores mais altos se levantem!...

Que em dois mil e dezanove
Os juros caiam,
O petróleo caia,
O bêcêpê caia,
A sónai caia,
O governo caia,
O Costa caia da cadeira
E o Marcelo tropece numa passadeira vermelha
E caia pela escada abaixo.

Se os juros caíssem talvez me sobrasse algum.
Se o bêcêpê caísse talvez a casa passasse a ser minha de facto.
Se o petróleo caísse talvez eu pudesse, no Verão, dar uma volta à praia.
Se a sónai caísse talvez eu não acordasse aos domingos com o despertador a dizer:
- Podíamos ir ao Continente! ...
Se o governo caísse eu teria novamente a oportunidade de votar em quem não ganha!
Se o Costa  caísse talvez voltasse um Passos e viesse a seguir outro vinte cinco setenta e quatro e, então, num próximo ano novo eu iria acreditar que vale a pena desejar bom ano aos demais!

Sobem os encargos com juros, o gasóleo, os resultados da banca, as ações das grandes superfícies, as sondagens da direita, o capitalismo vai de vento em popa, o governo sobe, o Costa baba-se, limpa a boca com a direita e o cu com a esquerda!...
Dois mil e dezanove? Eu quero é dois mil e setenta e quatro! Dois mil e setenta e quatro euros de vencimento!...

Escrevi isto num dia em que me achei mais pachorrento...

sábado, 29 de dezembro de 2018

this is the end, my only friend

Não faço montagens - o da direita é o Marcelo
foto do ano novo

Isto é o fim da picada!
Marcelo fez questão de ir apertar a mão a Trump, mesmo sabendo que poderia correr o risco de ser confundido com o rei de Espanha! Não lhe valeu de nada mas trouxe - interesses de Estado? É interesse de Estado o reconhecimento duma América dirigida assim? 

Mas com Bolsonaro isto pia mais próximo e mais fino. Pior que Trump! - diziam uns. Mais perigoso que Trump! - diziam outros. E todos temos o direito de dizer dum e outro uma coisa qualquer! Temos até o direito de nos contradizermos com as opiniões que emitimos acerca de um ou de outro.



Quem não tem o direito de se contradizer com aquilo que prega, são os guardiões e os representantes da nossa democracia. Como pode a RTP nomear Bolsonaro como a personalidade do ano? Porque tem de ir Marcelo à tomada de posse do novo presidente do Brasil?
Em nome de que causa maior se pode legitimar a mediocridade sem medir os efeitos nefastos desse apoio - porque é de apoio que se trata - no florescimento de novos Trumps e Bolsonaros?

A RTP é a Globo? Não! Isso é a SIC!

Marcelo é um deles? Não! No entanto, não deixa de ser um daqueles a quem estas novas velhas visões da democracia não fazem muita impressão! Nasceu no meio deles e deles cresceu! 
Que bela fotografia de recordação Marcelo vai trazer para colocar na cristaleira lá da casa!
Putas que pariram trumps, bolsanaros, o de israel, o da hungria, o da turquia, o da ucrânia, o de espanha, o da polónia, o da japónia, o da anatólia, o francês, a inglesa e também... o portonhês!... 
Viva a revolução, o revirão, o reviralho e vão todos para o... brasil! 
Bolso, estou a bolsar, bolsonaro, metê-lo, marcelo... ai!

Dos 160 chefes de estado convidados por Bolsonaro, só 12 aceitaram o convite.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Movimento relativo


Vou desligar.
Parem de me dar notícias
Porque eu já sei que as coisas acontecem.
Parem de escrever bons livros
Porque o meu ritmo de leitura é lento.
Parem de fazer bons filmes
Porque tenho uns em atraso para ver.
Parem de inventar músicas
Porque eu tenho discos que nunca ouvi.
Parem com a tecnologia
Que eu já não dou conta dos botões.
Parem de me oferecer produtos
Que eu tenho a despensa cheia.
Parem de me anunciar espectáculos
Que eu já não tenho agenda.
Parem de fazer leis
Que eu faço questão de andar legal.
Parem de fazer estradas
Porque eu já não sei por onde hei-de ir.
Parem o comboio
Porque eu vou apear-me.
Parem a camioneta
Porque me apetece vomitar.

Ainda o sinal não estava verde
E já me estavam a apitar.
Parem! Stop! Dêem-me tempo! Dêem-me espaço!
Parem que eu não consigo acompanhar!
Oh! Estou a ficar para trás!
Parem de me encher a cabeça.
Deixem-me respirar.
Respirem.
Todos os livros, músicas e filmes estão compostos.
Chega de tecnologia.
A Terra está esgotada.
Já vi todos os números de circo.
Todas as leis estão feitas e todas as cidades construídas.
Será este o caminho?! Não são estradas a mais!?
Não vou para mais lado nenhum!
Não quero mais nada!
Vou viver aqui que aqui há terra!
Vou descansar.
E tu? Ficas comigo? Ou fico só?

domingo, 23 de dezembro de 2018

A minha terra natal


Tenho de viver este tempo a dar e receber as boas festas como o homem da portagem da ponte dá e recebe os bons dias.

O inverno ainda é verão. Verão que o natal é estação. Se não há comboios na estação, então eu não posso partir nem chegar.

(chalaças de Natal...)


Ora aí está o Natal, amigo do ambiente, das câmaras e famílias endividadas, dos pobres que nem factura de electricidade têm para pagar.
*Eh-lá luzes, anjinhos, meninos e trenós iluminados nas torres das igrejas, nas fachadas dos edifícios presidenciais, nos reclames dos espaços comerciais, nas varandas e chaminés!
*Eh-lá lojas de coisas que não valem nada, jantares de cabritos e cabras, discursos de beneméritas com cruzes e colares, de excessos de mesa com orações a recordar os que não têm!
*Eh-lá santa inocência de meninos grandes, de burros, de vacas e de árvores de plástico!
É tão bom lembrar-nos dos que não têm nada, nem que seja ao menos para sentirmos o orgulho de termos tudo! Não é?
Viva o planeta sobreaquecido com luzes a apagar e a acender! Viva a falência em abundância! Viva um menino que nasceu há dois mil anos! Viva o Pai Natal da coca-cola! Vivam os arredondamentos das beneméritas grandes superfícies! Viva o Natal!
Vivam os videntes, como eu, que advinham um bom Natal para uns e um mau Natal para outros, que já sabem que na missa do galo o padre vai dizer que o Natal deve ser todos os dias, que uns poetas de quadra vão repetir que Natal é sempre que um homem quiser, que o Costa vai prometer que vai haver um novo ano e o Marcelo vai beijar os pés de um menino de barro e perfumado.
Que seria deste povo sem o Natal que une os pequenos e os grandes, os magros e os gordos, os foliões e os deprimidos, os sós e os acompanhados, o leitão e os comprimidos, os infelizes e os felizardos, os doentes e os de boa saúde, os vivos, os saudosos e os que estão a morrer? Mas pronto, o que é importante é que no dia vinte seis cada um vá à sua vida, volte ao trabalho e encolha os ombros quando lhe perguntarem como é que foi o Natal!
Ai o meu Natal! Ai o meu Natal!... é só de mim que ando desnatalizado!...

(* o "eh-lá" foi plagiado duma ode qualquer do Fernando Pessoa e continuo a gostar de recorrer a títulos que não têm nada a ver)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O Rei está vivo e bem (in)vestido

Minha Majestade deseja a todos os súbditos, fidalgos, servos, amos, amas, animais e até aos filhos da puta, Grandiosas Festas.


Não é uma gruta, é uma arena, sem virgem mãe, sem zé insonso, sem burro, sem menino: apenas e só a vaca sagrada, da sorte, leiteira, da vida, de carga, com força, com cornos, com rabo,com bafo, puta ou simplesmente, vaca!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Como esconder o desejo sexual?

De acordo com o The Independent, uma pesquisa realizada no hospital John Radcliffe, em Oxford, mostrou que, em algumas pessoas, o espirro pode ser provocado por desejos sexuais.
O estudo foi iniciado pelo otorrinolaringologista Mahmood Bhutta, que atendeu um paciente que tinha uma sequência “incontrolável” de espirros a cada vez que tinha um pensamento com conotação sexual. Após atender esse paciente, Bhutta contactou o psiquiatra Harold Maxwell e os dois iniciaram, pela internet, uma pesquisa sobre o tema. Encontraram 17 pessoas que tinham esse problema. Revista Época


ESPIRRO SOB SUSPEITA

Jornal britânico lembrou episódio de 2007, quando a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, espirrou durante encontro com o então presidente da Rússia, Vladimir Putin (à esq.), e o ex-líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev

Afinal não estou só. Não sou de estudos, não ligo muito a estudos, a não ser que me digam directamente respeito e vão ao encontro dos meus problemas. É caso para eu dizer: 17 não, 18!...

Folgo em saber que nenhum dos leitores me conhece pessoalmente, caso contrário, se vier para a rua constipado, vou acabar numa relação.

Até à presente confissão, este era um assunto guardado na intimidade entre mim e a minha companheira. Com um espirro meu, tanto lhe pode dar para sair repentinamente de casa dizendo que vai sozinha às compras, como lhe pode dar para avançar na minha direcção a pretexto dum ponto negro na orelha esquerda. Se espirro enquanto caminhamos na rua, começa a olhar à volta a procura dum motivo para alimentar o ciúme.

Quando começámos a nosso enamoramento levou um tempo até que tivesse aceite que, quando éramos apenas amigos, nem todos os espirros que eu dava tinham a ver com ela.
- Então tinham a ver com outras?!

Há uns dias, quando tive conhecimento desta notícia, expliquei-lhe mais acerca do modo como aprendi a disfarçar os meus impulsos nessa idade:
- Como, na maior parte dos homens, a coisa pende mais para o lado esquerdo, aprendi a ter sempre o lenço e o telemóvel no bolso direito das calças!...
- Tu és um mentiroso! Nesse tempo não existiam telemóveis!

Pois, não sei onde fui buscar esta do telemóvel, posso muito bem pôr as mãos nos bolsos. O pior é que, manda a educação burguesa, quando se espirra se deve pôr a mão, o lenço ou as duas coisas à frente da boca. Por isso, é sempre bom andar com o telemóvel. Atchin!!!...!!!!

Nota: Na eventualidade deste texto ser lido por alguém com o mesmo problema, seria bom que o manifestasse na caixa de comentários. Eu próprio tratarei de passar a informação aos investigadores de Oxford. Quem sabe se não seremos muito mais de 20? Quem sabe se não poderemos vir a formar a Sneezing Syndrome Association of Desire?

000000000000000000000000

OO OOOOOO OOOOO OOOOOOOOO OOOOOOOOOO OOOOOOO OOOOOO

0 00 0000000000000000000000 OOOOOOOOOOOOOOOOOOOO OOOOOOOOOOOOO

não! não são zeros nem ós! são partículas dum espirro que acabei de dar

sábado, 17 de novembro de 2018

Marrem que é vermelho

triste fado o nosso
quando marrar é o nosso maior consolo,
somos filhos da pastagem e do touro,
marramos no preto, no vermelho e no mouro.

marrar em tudo, marrar sempre,
pelo são martinho, pelo natal e pelo entrudo.
marrar por todo o lado e contra não sei quê,
no mercado, nas redes, na tv e nos jornais,
no cais, nos  transportes, no trabalho e à mesa.
gente tesa! cum carvalho!
marra que é demais!
marram nos touros, nas touradas e nos animais.
cornos que deus os dê!
que deus está de todos os lados!

marram no sporting, no porto e no benfica,
porque são verdes, azuis ou encarnados.
marram em tudo o que mexe porque vêem pouco.
marram no vento, no parlamento, no inverno e no governo.

e foi tanto o que se viu na manifestação da CGTP!...

então? não marraram? foi vermelha? foi pequena? foi grande?
gente que deus a dava!...
e, no entanto, não se marra. porquê?...