Domingo, 4 de Março de 2012
Quinta-feira, 1 de Março de 2012
DEMOlição do conceito de poesia
coisas do Pata Negra 16 já cuinharam Marcadores: poesia
Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
Quarto 24
Pressenti a despedida quando, uma noite esvoacei pela cidade com Virgolino, esse desencaminhador, até chegar a casa com uma de caixão à cova. Num estado lastimável, encontrei-me a sós com a sanita. Sentava-me para obrar, apetecia-me vomitar, virava-me e enfiava a cabeça na sanita e apetecia-me outra vez a outra coisa… andei ali às meias voltas e nada, nem dum lado nem do outro, nada saía!
Que noite mal passada. Pela manhã regressei à casa de banho para me recompor com uma chuveirada. Fechei a porta. Longe de mim imaginar que ia ali encontrar a razão que me levaria a decidir definitivamente abandonar o número sete. Não existiria motivo mais forte que pudesse justificar a minha determinação. Corri a cortina da banheira, lá estava, o motivo, a justificação, a razão. Nada que pudesse ser explicado mas algo que ficaria para mim como um segredo. O segredo que me libertou das minhas três mulheres. Nesse momento, percebi que deveria de existir mais vida para além daquele quarto com as paredes pintadas de vermelho e buraco de fechadura em forma de coração.
A banheira com um palmo de água e, ali estendido, indiferente a todas as regras e preceitos, um bacalhau de molho.
Pensei na tão apreciada cozinha de Dona Graça, acalmei-me pelo facto de só pontualmente ter comido lá em casa mas porra, era um bacalhau!... Como português, eu tinha um grande respeito pelo bacalhau, o bacalhau, esse símbolo da alma lusa!
- Tomo banho!?... Não tomo?!... Deixo estar o bacalhau?!... Não deixo?!... Penduro-o onde?! – hesitações que me faziam lembrar a situação que vivera durante a noite com outra peça dos sanitários.
E o bacalhau? Tomar banho com o bacalhau?
Pergunto ao leitor o que fazer perante uma situação destas? - Simples: quarto 24 FIM
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
Gato por leitão
coisas do Pata Negra 8 já cuinharam Marcadores: poesia
Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
Discurso cruel
Dizem que temos de trabalhar mais e despediram-me?!
coisas do Pata Negra 6 já cuinharam
Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Entrevista com Zeca Afonso
coisas do Pata Negra 24 já cuinharam Marcadores: autores, datas
Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
Quarto 23
Espreito pelo buraco da fechadura em forma de coração. Vejo apenas o espelho do roupeiro. Odeio aquele espelho. A última vez que me fixei nele passei-me, eu e os meus sentidos, para o lado da imagem. Dei pelo meu físico no meio do quarto, de pernas a tremer e à minha espera. E eu, ao mesmo tempo contente por tamanha proeza e ao mesmo tempo, com pressa, com receio de não conseguir regressar. Saí da imagem do espelho ao fim de alguns instantes e fui para a cama mas não consegui dormir durante a noite com os meus pensamentos a cheirarem a naftalina.
Julgo que por detrás deste acontecimento estará o facto de alguns cigarros do Virgolino não terem marca.
Julgo que começa a transparecer, pela fluência do texto, mais um motivo pelo qual hoje o quarto está fechado.
Julgo que isto já deu o que tinha a dar! (Basta ver que os últimos parágrafos começaram por “julgo”). Esperava-se que o quarto descambasse em romance, em paixão, em sexo sobre sexo, em tragédia, em comédia, em diário, em história apaixonante – não deu nada disso e, por isso, deu nisto. Na incentivadora opinião dos estimados comentadores: foi um folhetim.
Só uma última espreitadela na história: Dona Graça era muito mais velha do que eu - tinha trinta e tal anos. Hoje, eu tenho muito mais do que isso, logo, a Graça era uma moça nova. Pena que na altura eu não tivesse idade para perceber isso.
“Oh tempo volta para trás
Dá-me tudo o que perdi
Tem pena e dá-me a vida
A vida que eu já vivi”
Isto não pode acabar assim: para a semana haverá mais quarto
coisas do Pata Negra 16 já cuinharam Marcadores: O quarto
Domingo, 19 de Fevereiro de 2012
Alguém que explique ao Cavaco como é que se fazem os bébés
coisas do Pata Negra 8 já cuinharam Marcadores: História
Sábado, 18 de Fevereiro de 2012
Três males e um só remédio
Não, não são fascistas! São menos do que isso!
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
Nada cabrão
Nada me ocorre
Nada me tem
Nada me inspira
Nada me vem
Nada me leva
Nada me vai
Nada me educa
Nada me instrói
Ai que me dói
Estou muito mal
Crise nos ossos, na figadeira
Crise nos cornos, intestinal
Crise no cu, hemorroidal
Crise de diarreia
Crise financeira
Crise europeia
Crise nacional
Crise de emprego
Ai se eu te pego
Eu te devoro
Às vezes choro
Às vezes rio
Às vezes imploro
Às vezes vou
Ás vezes venho
Por vezes vou ao bar da Associação e digo sou
Eu que vos ouço a dizer que devia ser assim e assado
Eu que vos ouço a dizer que se devia salvar o estado
de abril que está ser roubado
E a malta acha que se deve revoltar
Mas nem sequer um passo de marcha
Nem ao menos um minuto de greve
Dizem que tem de haver revolução
Em cima de nós não
Cavaco é um cabrão
Que foi aqui chamado só por causa da rima
Tem um ar terno de parvo espertalhão
Este governo dói-me
Tanta estupidez, tanta resignação
Tanta afronta, tanto conformismo
Nada me dói, nada me pega
Ninguém me instrói
Há gritos na rua
Nada ela nua – pronto, estraguei o texto todo!
Não, ainda tenho mais um rima:
Lua
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Quarto 22
Eu sabia lá se éramos irmãos!? Pelas minhas contas, nem a proponente acreditava nisso! Ela, senhora de olho, deitava a filha na cama ao lado da minha mas, certamente, que tinha alguma na fisga: “este rapaz tem futuro… pode ser que… bem conheço os seus apetites… não resiste a certas cheiros e a certas curvas…”
Enfim, Dona Graça colocava-nos aos dois no mesmo quarto, como quem põe dois passarinhos na gaiola e aguarda que estes acasalem. Isto era eu a pensar!
Na prática, Gina saíra-me muito difícil. Foi já contado de soslaio que, ocasionalmente, se geravam algumas humidades entre os dois mas, no quarto do humilde hóspede, as investidas acabavam sempre em estaladas desconfortáveis ou em ameaças de “eu vou dizer à minha mãe!”
Para animar ainda mais a luta que travávamos, por vezes, enquanto eu estudava, Gina abeirava-se-me nas costas da cadeira, fazia-me umas massagens no pescoço, enfia-me as mãos pelo peito abaixo, eu levantava-me, deitávamos sobre a cama e chegados a um certo ponto, lá estava o pobre estudante vitimizado por um dos desfechos relatados no parágrafo anterior. Outras vezes o contrário, avançava eu com as minhas mãos e os meus trejeitos mas era sempre o mesmo o fim do filme.
Para compor ainda mais a luta que travávamos, todas as noites se ouviam, dos dois quartos dos dois casais vizinhos – para quem não se lembra: Graça e Virgolino, Tânia e Carlos – a actividade de leitos que cumpriam a sua função mais nobre.
Era o “eu” mediterrânico que estava a ser posto em causa. Ninguém acreditaria, nem a minha santa mãe se o soubesse, que no meu quarto dormia uma rapariga e que eu nada! …
Pensamentos contraditórios assolavam-me o desejo e a cabeça: nem Gina era para mim nem eu para ela, para quê insistir? Mas que sentido, que razão, que destino nos fazia aos dois partilhar um quarto tão exíguo?! E depois, verdade seja dita, Gina sabia equilibrar o quotidiano com os ingredientes próprios de uma relação de irmãos.
Ultrapassou as marcas na noite em que à luz ténue do visor do rádio, já os dois em posição de adormecimento, me fez perceber, intencionalmente, que desenvolvia uns movimentos de auto-satisfação.
Levantei a cabeça como quem pergunta “mas o que é que se passa para aí?!” e recebi resposta:
- Livra-te de saíres da tua cama?!
Lá aguentei, num terrível suplício, a provocação, para ouvir no final:
- Então Cabitche, gostaste? Fez-te algum efeito?!
Fiquei calado e calado adormeci envolto em pensamentos que nem conto porque qualquer um advinhará com facilidade. Que raio de rapariga aquela! Como é de lei, a dificuldade aguçava o apetite. Quer perante os da casa que conviviam com a situação, quer junto dos amigos e familiares que nem a sonhavam, uma caldeirada de sentimentos e pensamentos absorviam o meu ego masculino: orgulho da minha pureza, vergonha da minha impotência, a Gina quase irmã, a Gina quase mulher, o gostar e o feminino, o sexo cru e o amor…
Sei que a história ficaria mais composta se contasse que numa noite mais fria a provocadora se veio enfiar na minha cama, nos meus cobertores, em mim e sem grandes surpresas lá vencemos a pureza e demos cumprimento à inadiável iniciação. Mas isso nunca chegou a acontecer. Definitivamente, repito, nem Gina era para mim nem eu para ela.
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
Porque hoje é Dia da Rádio
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
Fui e não te vi
coisas do Pata Negra 10 já cuinharam Marcadores: Manifestação histórica
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Filha da puta da padeira
Quando eu reclamei que o pão tinha aumentado e me tinham cortado o vencimento, respondeu-me ela:
- Dê graças a Deus por ter emprego!
Quando eu me queixei por ter sido despedido e o pão ter subido, deu-me a resposta:
- Dê graças a Deus por ter saúde!
Quando eu chorei pela minha depressão e lamentei o preço do pão, consolou-me assim:
- Dê graças a Deus por estar vivo!
E perguntei então:
- E o que é que Deus me dá em troca?!
E não é que a puta da padeira, que parece mais nova que a mãe, e ainda por cima vende pão, me diz:
- Olhe! Coma bolota e não deixe que lhe cortem os carvalhos!
Ainda bem que os tenho! Mas não se têm desenvolvido muito porque apanham a sombra dos tomates e pepinos.
coisas do Pata Negra 8 já cuinharam Marcadores: História





