terça-feira, 6 de agosto de 2019

E a bomba caiu - sic


Já muito raramente vejo telejornais - irrito-me! Acabo de ver o telejornal da SIC - desliguei a televisão.
Na história da humanidade apenas duas bombas atómicas, muitas, foram lançadas sobre populações. Assinalam-se anos. "Uma bomba atómica caiu sobre Hiroshima". Fala-se da data, do número de mortos, passam imagens. Uma bomba caiu. Não foi lançada, não havia avião nem se referem autores. Simplesmente a bomba caiu. Um ministro japonês discursa na circunstância do aniversário do inqualificável acontecimento e apela à erradicação das armas nucleares. A peça jornalística refere a Coreia do Norte e passa a Nagasaki. Continuamos sem saber de onde choveu a segunda bomba, foi mais uma que simplesmente caiu. Completa-se a informação sobre o fim do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e ilustra-se a peça com imagens do Reagan e em seguida do Putin. Fica-se sem saber quem rasgou o tratado e sem compreender porque raio se juntam duas personagens de tempos históricos diferentes.
Desliguei a televisão, desabafei este texto e agora vou à net para ver se consigo averiguar se alguma nação está por detrás do lançamento dessas duas bombas que, cá para mim, é a mesma que renunciou ao tratado assinado.

sábado, 3 de agosto de 2019

A vida, o país, só param se não houver mulheres.


Na primeira greve o governo culpou o povo por ter corrido para os postos de abastecimento de combustível, tendo apontado esse alarmismo como a principal causa da crise energética. Anunciada a segunda greve, o governo aconselhou as pessoas a atestarem os depósitos e a deslocarem-se o mínimo possível.

- Vá lá a gente entender isto! Bem, tenho de ir atestar! - observou a 1ª mulher.
- Isto são greves políticas - ou não viessem aí eleições!... - comentou o 1º homem.
- Também os governos agem, na sua ação, em função dos calendários eleitorais!...  A greve é um direito! - disse o 2º homem.
3º homem - Meia dúzia de indivíduos não têm o direito de parar o país! O governo tem de fazer alguma coisa!
- Não é a questão de serem meia dúzia! Enquanto não derem cabo dos comunistas isto não vai lá!... - acrescentou o 4º homem.
5º homem - Homem, mas segundo ouvi, este sindicato é novo e nem de esquerda é! Acontece que estão a cair numa armadilha, o governo prepara-se para utilizar o impacto negativo da greve em seu favor virando o povo contra os camionistas! Entretanto, toda a gente se esquece dos preços elevados!
6º homem - Então mas o governo não tem nada a ver com isto! Isto é entre uns tipos que já ganham bem e ainda querem mais e uns empresários que não têm margem para isso! Por causa deles não tarda aí um novo aumento dos preços!
- Ora, a mim não me incomoda que queiram ganhar o dobro ou o triplo ! O que me incomoda é que vos incomode tanto a luta duns tantos trabalhadores por um aumento de salário e nunca  vos tenha visto levantar a voz contra os lucros astronómicos do negócio do petróleo! O que me incomoda é que estejais tão incomodados com a possibilidade dum incómodo de alguns dias sem gasóleo e nunca vos tenha visto levantar a voz pelos que há anos estão sem água, eletricidade e paz, graças a primaveras de sangue ocidental! - rematou o 7º e último homem.

- Ainda bem que não são onze! Nesse caso a conversa tinha sido outra vez sobre remates e ordenados de jogadores!... Vou mas é atestar! - interveio a 2ª mulher enquanto se dirigia à saída!

O (a) jovem tirou os olhos do telemóvel e perguntou: 2ª mulher de quem?!
Como ninguém lhe tivesse respondido continuou e escreveu uma mensagem em que avisava:
"Comida para gatos pode faltar"

sábado, 20 de julho de 2019

Estamos a ser testados


Bolsonaro, Trump,  João Miguel Tavares - que têm estas três figuras em comum? São arraçados de fascistas senhores!
Ora, o presidente de todos os telespectadores, nascido e formado num ninho de fascistas, chama irmão a um, convida outro, nomeia o aquele-outro para o dia da raça e vocês não acham que é demais?

domingo, 30 de junho de 2019

O Pensador da esplanada do Samambaia


Quando Egídio virou urbano, assentou praça numa grande esplanada da base de um prédio médio, num bairro com pequenas moradias. Foi lá que ganhou o hábito do galão e da torrada, do café com cheiro, da imperial com tremoços e do jornal diário. A princípio a mesa era só sua mas, com o andar do tempo, das conversas triviais, do futebol, da esquerda, da direita, dos livros, dos poetas, das histórias, dos filmes, dos discos, dos espectáculos, a mesa encheu e estendeu-se a outras ao lado. Egídio fez amigos, grandes amigos que com ele na esplanada planeavam frentes de salvação nacional, negócios, sonhos mas sobretudo saídas e noitadas e, às vezes, também se estudava.

Egídio estava a crescer. O pai, agricultor, pagava-lhe a vida ali para ele ser doutor. Não poderia adivinhar ou entender que já era muito mais do que isso, um homem pensador.

Com o andar dos anos os amigos começaram a partir e a casar e Egídio começou a ficar só com o Casimiro que fazia acrobacias com a bandeja. A namorada de Casimiro ganhou caminho para o quarto arrendado do Egídio e acabaram ambos por levar um enxerto de porrada.

Para evitar Casimiro e esconder os hematomas dos outros clientes da esplanada, planearam ambos arrendar um T2 num bairro do outro lado da cidade mas Egídio, pensador, não adivinhou novos amigos nem uma esplanada como aquela em que a bandeja vazia caía umas vezes pelo falhanço de uma acrobacia outras vezes porque Casimiro gostava de chamar a atenção. Dados os factos, acabaram-se as brincadeiras e se, a Casimiro não faria mossa ter uma namorada que fumava muito, que teve um deslize e que tinha muito horror aos bois e ao campo, já o pai de Egídio, camponês, nunca suportaria mulheres que fumassem e em segunda mão. Mas mais dia, menos dia, exigiria de tanta mesada, ao menos, a ponta dum canudo!

Sem curso, sem amigos e sem namorada, Egídio voltou ao pai...
- Isto na cara?! 
- Foi um professor que me bateu!
.. e à terra demonstrando os seus conhecimentos de Coimbra. Ainda tentou a lavoura adquirindo um tractor em troca dos bois mais uns fundos cee. Ainda foi três meses professor de português. Ainda quase casou com uma professora de Francês.

Mas, com o andar dos anos, Egídio habitou-se à pequena esplanada dum café, que fica no largo grande da pequena aldeia e voltou a falar de coisas triviais, de futebol, da esquerda e da direita, de livros, de poetas, de histórias, de filmes, de discos e espectáculos e, se alguém lhe prolonga a atenção, saca dos grandes amigos do passado - alguns grandes senhores agora! - diz que vai fazer vida com uma brasileira, que vai montar "negócio de fartura", que isto vai dar fome, que o português matou a agricultura - não amanhou, agora que se amanhe!

Enfim, um pensador! 
PS: Todos nós temos uma esplanada e conhecemos um Egídio. Porque todas as vidas são grandes, só se pode falar delas em síntese, como me aconteceu agora neste texto pequeno e trivial. Hoje fui ao funeral do pai do Egídio, estive na esplanada do café da terra e diziam as bocas, que falam com espuma de cerveja, que o filho não quer é trabalhar, que tem uma grande vida e que acabará por morrer não se sabe como. - Ora! Nem eu!
Pensemos: Desde quando é que pensar não é trabalho!? Desde quando é que viver não é mais do que pensar!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Todos menos eu


Se lá, dos microfones e alto-falantes dos media, os comentadores, do alto da sua superioridade intelectual, nos tentam convencer que a sua opinião terá de ser a nossa; 
Se lá, dos media e dos seus troninhos, os governantes, à guarda da sua pretensa legitimidade eleitoral, se acham no direito de falar por nós; 
Se lá, dos seus palanques e em nome dos seus donos, os candidatos se sentem com mandatos, antes de serem eleitos;
Declaro que não reservo aos ditos o direito de fazer a minha opinião, de falar por mim, ou de tomarem como certa a minha concordância;
Não, senhores comentadores, governantes e aspirantes a uma e outra coisa, é ridículo, abusivo e anti-democrático, repetirem:

"os portugueses desejam...
os portugueses querem...
os portugueses gostam...
os portugueses adoram...
os portugueses confiam...
os portugueses devem...
os portugueses precisam...

os portugueses percebem...
os portugueses sabem...
os portugueses estão...
os portugueses vão...
os portugueses são.. 
os portugueses assim... 
os portugueses assado!..."

não sou nenhum de vós nem considero algum,
não sou senso comum, digam, pelo menos:
- Todos os portugueses menos um...

terça-feira, 14 de maio de 2019

E quem emprestou o dinheiro ao gajo? Não tem nome?



Joe!
És o maior.
Eles não te perdoam...
Aos 19 anos, percebeste que ser trolha não dava nada e foste da Madeira para a África do Sul, para te juntares aos teus 2 irmãos mais velhos, que tinham umas cantinas nos bairros pobres do Cabo, onde vendiam enlatados, sumos e bananas madeirenses, à população negra.
Levavas as calças rotas no cu.
Fizeste o mesmo percurso que fizeram outros milhares de madeirenses: 
África do Sul, Venezuela e Américas.
Por lá “labutaste” quase 40 anos.
Das cantinas, “dizem” que passaste para os “diamantes”, num tempo em que “eles” se “transacionavam” de todas as maneiras, a todas as horas e por todo o lado… 
Há uma dúzia de anos, aportaste à capital do império. 
Escorriam-te dólares e diamantes dos bolsos.
Falavas um português mascavado e provocavas apenas gargalhadas. 😀
Mas eles não sabiam que o último a rir, é aquele que ri melhor.
Desataste a ”comprar” tudo:
Vinhas, jornais e pinturas.
Impingiam-te serigrafias e gravuras e garantiam-te, serem raras “obras de arte”. 😂
Ofereceste os teus vinhos de marca, a políticos, jornalistas, pintores e administradores de bancos...
Embriaguês coletiva.
Tinhas que “construir” uma imagem. Aconselharam-te a “comprar” umas entrevistas, em jornais de “referência”. 
Assim o fizeste.
O Expresso e o Público prestaram-se à “coisa”.
A jornalista encartada perguntou-te:
“Senhor comendador 😂 onde é que arranjou tanto dinheiro?”
Respondeste:
Oh baby, sabes, um dia a minister dos diamantes da África do Sul, mandou-me chamar e disse-me:
Oh Joe, my friend,
tenho umas minas de diamantes abandonadas, tu não “quereres” tomar conta daquilo? 
Eu “querer” e fiz aí a money, much money.... 🙄
Em Portugal leram esta “coisa” e o país inteiro, em vez de se rebolar no chão a rir, dividiu-se em 2. 
Os néscios, acreditaram. 
Os “outros” fingiram acreditar. 
Nos teus bolsos brilhavam diamantes… 💎
E continuaste a ”comprar”:
Quintas, bacalhaus, bacalhoas, consciências, silêncios, budas e ações. De Azeitão ao Bombabarral, ninguém te levava a mal...
Joe, you are a best, more best 
E quando “nomeaste” o teu “advogado” minister, houve alguns que perceberam, que o teu money pagara a campanha eleitoral do Sócras e outras...
E que a “coleção” que te impingiram, que pouco vale, havia de ser avaliada em 400 milhões e te haviam de oferecer o CCB.
De mão beijada
Yes, minister...
o céu era o teu limite...🎆
Money, much money...
Joe, tu és muito à frente.
Fizeram-te comendador 
“three times”.
Tu agradeceste à Minister:
Oh baby! Thanks...
Ela riu-se muito...🌝
Com o teu minister no bolso e o 1° minister no colo, iniciaste o teu reinado.
Tu não “tinhas” nada, “tinhas” apenas o grande talento de fingir que “tinhas”.
O Alves dos Reis ao pé de ti era um amador...
Desataste a pedir 1000 milhões ao erário público, CGD, para comprares one bank… 
Nem aí a malta percebeu.
Ontem, na AR, quando te riste à gargalhada, eles finalmente perceberam que quem ri por fim, é quem ri melhor...😀
Agora é tarde, muito tarde...
Joe, my frend, tu és um show men. Ainda está para nascer, quem te faça o ninho atrás da orelha.
Só te falta a estátua. 
Ainda guardas as calças rotas no cu, com que foste para a África do Sul?
Não te rias...😊
I like Your smile .
Money...Very money...


domingo, 12 de maio de 2019

EU?



Um pouco mais de europa – e somos nada,
Um pouco mais de espanha – e mais ninguém.
Para atingir, votámos na pior cambada...
Se ao menos soubéssemos votar bem... 

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Pegar ou largar? Em vão... Tudo é uma cota
Numa grande europa virada a outros mundos; 
E o grande país perdido em fundos,
O grande país - ó mar! - quase europa... 

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o progresso, quase a porta e a panaceia, 
Quase o princípio e o fim - quase a salvação... 
Mas no meu país tudo se remedeia... 
Entanto tudo não passou duma ilusão! 

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minhalma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve marca UE ... e tudo aproveitou... 
- Ai o desejo de ser - quase, igual aos alemães...
Nós falhámos entre nós, falhámos por vinténs,
Terra que não parou mas não avançou... 

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Anos de esperança que desbaratámos... 
Cidadanias que sonhámos alcançar... 
Direitos que perdemos sem os experimentar...
Tratados que nos trataram e não votámos...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Desse continente, encontro só imagens... 
Terras do interior – vejo-as defraudadas; 
E carteiras de políticos, sujas, recheadas, 
Passou o argumento de que eram só vantagens... 

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Numa esperança imberbe acreditando em tanto, 
Tudo construímos sem pensar pra quê... 
Hoje, resta-nos o betão do desencanto 
Das coisas que de tão grandes ninguém vê... 

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Listas de candidatos avançam sobre mim a fustigar-me
em luz.
Todo confuso, quero escolher... Onde votar-me? 
Um boletim para uma cruz
Que me leve, e eu escolho ficar...

Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...

Não é necessário lembrarem-me que não chego aos calcanhares de Mário de Sá Carneiro!
E eu quero por força ser burro...Que a um porco nada se recusa!!

sábado, 4 de maio de 2019

A colossal mentira dos 600 milhões

Uma mentira muitas vezes repetida acaba por ser aceite como verdade. Estou assustado porque quase ninguém a desmente. Registo ESTA exceção.


Contas do governo:

600 milhões / 100 000 professores / 14 meses = 428 euros de aumento mensal, em média, para cada professor.

Desmontemos a mentira com cálculos simples: não chegam a 100 mil os professores na carreira; a diferença média líquida entre escalões não chega aos 100 euros; a parte ilíquida retorna na prática aos cofres do Estado; a parte líquida, transformada em consumo ou em depósitos, também terá uma parcela convertida em impostos; os professores do 1º escalão e do 2º não terão todo o tempo para recuperar; existem milhares de docentes travados no 4º e no 6º escalão;  milhares de professores serão aposentados sem usufruir da recontagem porque o "tempo e o modo" é para "arrastar" por alguns anos...
Sem dados técnicos que nos permitam avaliar o valor destas variáveis atenuantes, que será significativo, não os tenhamos em conta. Tomando como referência a progressão máxima que poderá estar em causa e que só tocará a alguns, a subida de dois escalões, façamos um cálculo, acessível a qualquer leigo:

2 escalões x 100 euros x 14 meses x 100000 professores = 280 milhões

Mas atenção, não foi aprovado "o tempo e o modo", isto é, não se compreende onde é  que a lei quer chegar, não se percebem os tons vitoriosos dos representantes da classe, a birra do governo é uma encenação.

Sabe-se uma coisa e essa não se pode admitir: são mentirosos!

Por isso, Senhor António Costa, da minha parte, pode até substituir o Brandão pela Maria de Lurdes: ACABOU!

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Dia do colaborador


Então ó santos silva limpopó, não arranjaste nenhum guaidó prá china?

Por vezes a hipocrisia vai mesmo longe: o que vêem estes senhores na democracia chinesa que não conseguem ver na venezuelana?

Sinónimos de "santos silva": revolucionário de ocasião, chuchalista, filho da puta, colaborador.

Colaboradores o carvalho! Trabalhadores! Caralh.!

(alternativa na informação: https://www.youtube.com/watch?v=BRPtKbFVF_8&feature=share)

quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de abril - precisa-se



Ano após ano, abril vai-se-nos sumindo por entre documentários, testemunhos e comemorações; vai-se-nos sumindo por entre as leis, o poder e os governantes; vai-se-nos sumindo por entre os papéis, as máquinas e as portas dos locais de emprego; vai-se-nos sumindo nas escolas, nas repartições e nas ruas; vai-se-nos sumindo entre os dedos – o 25 de abril não é para guardar entre mãos, é para agarrar! Está escorregadio?! Untemos as mãos com as areias que nos atiram para os olhos! Dói? Não tivéssemos permitido que o untassem com manteiga!

Todos cantam o Grândola, é uma vergonha! A televisão, pela espuma dos lábios dos netos bastardos de Salazar, reescreve a história e reinventa os heróis; qualquer indício duma ventosidade duma quadrilha de fascistas é imediatamente e mediaticamente espalhada aos quatro ventos; o menino querido do último ditador é omnipresente e presidente; o governo é uma filial de Bruxelas; a moeda é alemã; a soberania vai-se-nos sumindo entre os dedos - este não é povo unido nem de abril, não dá graças aos anjos nem aos soldados! O nosso anjo da guarda é o FMI!

Só festejarei o 25 de abril com outro 25 de Abril, tudo o resto ou é fachada ou é saudade.

domingo, 21 de abril de 2019

Vamo lá?

Hoje, como todos os domingos, acordei com a voz da tratorinha do Tó Zé:
Tram!Tam!Tam!Tam! Tram!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!
...não tem o chiar das rodas dos carros de bois de antigamente mas tem mais melodia que o zunir dos carros transpondo o viaduto;
Tram!Tam!Tam!Tam! Tram!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!
...não lembra o “pouca-terra” dos comboios de outrora mas tem a muita vida que o Tó Zé transporta:

mudar umas forquilhadas de estrume para o talho de baixo;
Tram!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!...

- É assim a vida do home pobre!
... trazer uma paveia de mato para o ganau
Tram!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam! Tam!Tam!Tam!Brum!!!...

- A vida está é para os empregados do estado!
... ir à vinha pôr líquido e queimar vides
Tram!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!...

- Vamo lá?!... Ele tem que se beber senão tem de se entornar!...
uma macheia de pasto prás ovelhas

Tram!Tam!Tam!Tam!Tram!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!...

- A minha vontade é matar o gado todo! ...
ir buscar farinha ao Zé do Vale

Tram!Tam!Tam!Tam! Tram!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!...

- Amanhã vai-me nascer um bonito borrego! … 
Vamo lá!...

(e eu contente de viver no campo e de ouvir e ver passar o dia inteiro a tratorinha, o cumprimento das palavras do Tó Zé / não ouço no sacho as cantadeiras nem provo a bucha sob o carvalho velho mas ouço "Brrum!Tam!Tam!", o Tó Zé pensando e, “vamo lá”!

Tram!Tam!Tam!Tam!Tram!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!...
ai ai ai o campo e este canto do céu que tenho na Terra, aqui /
gostava de não ser empregado, não ter carro e ter uma tratorinha e também a vontade de mudar o mundo do Tó Zé)

Tram!Tam!Tam!Tam! Tram!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!...
- A minha vontade é matar o gado todo, plantar eucaliptos e deitar-me à sombra!
… Tem boa cor não tem?!
... Não levou nada!
... Ele tem de se beber senão entorno-o!
... É o segundo hoje!... 
... É quase noite!... 
... Um caldo e não tardo lá, em cima dela, que amanhã tenho que galgar às seis da matina!

a voz da tratorinha sabe bem
Tram!Tam!Tam!Tam!Tram!Tam!Tam!Tam!Tam! Brum!!!...


e depois, durante o último, este pormenor da parede da adega do Tó Zé / não há anos nem calendários que vençam esta vontade de viver / viva a vida!

sábado, 20 de abril de 2019

Primeiro de maio


Estou muito baralhado com o calendário católico desde que ousaram fazer-me trabalhar no dia de Todos os Santos. Vão vender natais, páscoas, trezes de maio e dia dos defuntos para o raio que vos parta! Eu vou mas é ao futebol!

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Santa sexta-feira

Ressuscitarei

Sexta-feira Santa. O que contam para mim estas datas do calendário católico? - Contam!

Não tenho segredos no que toca à minha relação com Deus!
- Deus?! Oh Deus! Que Fé a minha! Estamos cá, é Páscoa!

Não sei se acredito no Deus dos Judeus, ou noutro, mas uma coisa que não sou é "católico não praticante"! Quando muito sou "culturalmente católico". De outra forma não estaria aqui a recorrer a imagens para assinalar este tempo. Não me vou esticar mais, a minha vida pessoal, o ponto em que estão as minhas batatas, a minha triste conta bancária, não são para aqui chamados!
Sou pacato, tenho sido um livro aberto revelando as páginas esborratadas, amarrotadas, dobradas, sublinhadas, enfim, abertas.

E, nesta parte, como tenho pecado um pouco pela ingenuidade, direi apenas, respeito! Respeito tanto, que me limito às imagens.

Esta imagem é uma repostagem - repostagem, palavra nova! - talvez a imagem seja suficientemente expressiva para revelar a minha relação com a Páscoa.
E se não revelar? O que é que isso importa?
O tempo da semana que mais gostamos é sexta-feira à noite! Santa sexta-feira!

terça-feira, 16 de abril de 2019

Feios, porcos e maus



Compram aos catorze a primeira gravata
com as cores do partido que melhor os ilude.
Aos quinze fazem por dar nas vistas no congresso
da jota, seguem a caravana das bases, aclamam
ou apupam pelo cenho das chefias, experimentam
o bailinho das federações de estudantes.
Sempre voluntariosos, a postos sempre,
para as tarefas da limpeza após o combate.

São os chamados anos de formação. Aí aprendem
a compor o gesto, interpretar humores,
a mentir honestamente, aí aprendem a leveza
das palavras, a escolher o vinho, a espumar
de sorriso nos dentes, o sim e o não
mais oportunos. Aos vinte já conhecem pelo faro
o carisma de uns, a menos valia
de outros, enquanto prosseguem vagos estudos
de Direito ou de Economia. Começam, depois
disso, a fazer valer o cartão de sócio: estão à vista
os primeiros cargos, há trabalho de sapa pela frente,
é preciso minar, desminar, intrigar, reunir.
Só os piores conseguem ultrapassar esta fase.

Há então quem vá pelos municípios, quem prefira
os organismos públicos - tudo depende do golpe
de vista ou dos patrocínios que se tem ou não.
Aos trinta e dois é bem o momento de começar
a integrar as listas, de preferência em lugar
elegível, pondo sempre a baixeza acima de tudo.

A partir do Parlamento, tudo pode acontecer:
director de empresa municipal, coordenador de,
assessor de ministro, ministro, comissário ou
director executivo, embaixador na Provença,
presidente da Caixa, da PT, da PQP e, mais à frente
(jubileu e corolário de solvente carreira),
o golden-share de uma cadeira ao pôr-do-sol.

No final, para os mais obstinados, pode haver
nome de rua (com ou sem estátua) e flores
de panegírico, bombardas, fanfarras de formol.

José Miguel Silva
Movimentos no Escuro, Relógio d'Água, Lisboa, 2005.