quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O último outono dos que vão morrer antes do verão




É  Outono...
tombam folhas, bêbados e soldados...
e o caruncho rompe impiedoso nos lábios do poema

funerais parados na beira da estrada
palavras doentes perecem no leito

um carro chegou com as primeiras chuvas
à quinta do Tio Costa do Vale das Promessas...
os sinos dobram os lençóis assinados
a um canto da alma
pela último período que a avó experimentou...
e o cão desapareceu...

nova estação... mau tempo
não haverá sol
porque haverá ausência
não haverá voz
porque o canto no silêncio é desrespeito
e se os mortos permanecem vivos na nossa memória
não haverá mortos nem vivos
haverá Outono

(depois, as varredeiras colhem as folhas secas
para as esquecer)

domingo, 20 de outubro de 2019

Puta que pariu os catalães

Se a história tivesse sido outra.



Não houve o 1 de Dezembro de 1640, Portugal, tal como a Catalunha, continuaram a pertencer à coroa espanhola. Não existiu o 5 de Outubro de 1910, Portugal continuou a estar dependente dum poder de matriz sanguínea.
No início dos anos 30, em alguns povos do reino de Espanha, sobretudo na Catalunha e em Portugal,  começaram a declarar-se alguns movimentos independentistas, libertários, socialistas, republicanos.

A ação desses movimentos progressistas acaba por fazer da Espanha uma república onde se manifestam as vontades de novas repúblicas e por ter um desfecho numa sangrenta guerra civil. Os republicanos são vencidos pelas forças fascistas, lideradas em Portugal pelo general Carmona e, no resto da Espanha, pelo general Franco que impõe uma república ibérica à sua medida.  Este, assumindo-se como generalíssimo, acabou por conceder um poder territorial especial ao seu parceiro de armas português. Fica, no entanto, uma mancha no mapa da sua vitória, a Catalunha resistiu ao seu poder de fogo e conseguiu constituir-se como estado independente, reconhecido por muitos estados e tolerado por Hitler, ou reservado para intervenção futura.

Nos anos 70, adivinhando a morte e o fim do seu reinado, Franco achou por seu poder, deixar a grande Espanha entregue ao rei de coroas, filho da corte a quem permitira, até então, a sobrevivência num palácio maior, da província maior, Portugal, nesses anos vigiada pelo almirante subalterno, Américo Tomás.

Embora ressuscitassem, na altura, algumas manifestações republicanas e independentistas nas quais Portugal se destacava, fantasmas da guerra, apatias ideológicas e promessas de democracia, acabaram por viabilizar a nova monarquia e o filho do rei velho regressou ao palácio, palacianamente aclamado mas, naturalmente, sem votos.

O novo reino de Espanha preparou, entretanto, a sua  entrada na CEE e, travessuras da história, acabou por ter de reconhecer a república da Catalunha e assinar a adesão à comunidade no mesmo dia.

Nos anos 10 do novo século, Portugal - que nunca se sentira bem com a sua consciência nacional por depender de famílias castelhanas - onde as ideias republicanas sempre tiveram expressão popular, onde o direito dos povos à autodeterminação sempre foi um direito querido, entra num processo independentista e proclama unilateralemnte a sua independência. Fortemente condicionado pelo capitalismo, pelo poderio bélico da comunicação social, pelo poder Bruxelas-Madrid, vítima de chantagem generalizada, o país fica suspenso.

Em outubro de de 2019, mais do que a hipocrisia dos senhores da Europa, que intercederam pela formação de novos estados da ex-Jugoslávia à ex-União Soviética, o que irritava mais os portugueses que reclamam a independência são as declarações dos governantes da Catalunha e, sem atenderem que as mesmas não traduzem necessariamente os sentimentos dos cidadãos que se fazem representar, dizem chateados:
-Puta que pariu os catalães!


sábado, 12 de outubro de 2019

Princípio do utilizador-pagador

Num banco artificial do jardim artificial, em frente ao lago artificial, está um velho natural sentado naturalmente à espera do Outono. É um reformado. Vive às minhas custas, portanto!... E, no entanto, o velho não paga nada por ali estar. Mas devia pagar! Não pensem que se trata de um daqueles bancos antigos de tábuas horizontais, pintadas de vermelho e com perfil de ésse invertido! Não! É um banco de design moderno e sem encosto, tipo banca de matança de porco, todo fundo europeu!... Para estes bancos, deviam existir banquímetros para dar cobro ao inquestionável pensamento do utilizador-pagador.
Não pensem que o velho está ali a fazer alguma coisa. Está só a pensar.
Eu penso que nunca me irei sentar naquele banco. Porque obra de fundo com participação nacional o hei-de estar a pagar?!
Eu penso nas folhas a cair. Devia de me ser descontado o tempo em que da janela do meu emprego eu vejo as folhas cair.
E era só, vou perguntar ao velho se tem nome e se sabe quando vem o Outono.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Crise, a palavra dos que não têm palavra



Alice Serra das Fontes ficou viúva com cinco filhos às costas e fez das tripas coração para chegar aos setenta e oito anos que ontem completou. Para assinalar o feito convocou os herdeiros, dispensando netos, noras e genros, e fez uma panela de mexudas.
A mais nova, professora, anda revoltada e deprimida com o que está a acontecer com as escolas. Os irmãos acham que ela era uma privilegiada e acham muito bem que a obriguem a não gostar do que faz.
O segundo mais novo é operário e anda preocupado porque é voz corrente que a empresa vai ser deslocalizada. Os irmãos acham natural e que a culpa é dele porque estava acomodado ao dinheirinho certo ao fim do mês e nunca se esforçou por fazer outra coisa.
A do meio tem um “comes e bebes” mas a coisa vai de mal a pior porque a malta não tem dinheiro. Os irmãos sempre acharam que ela escolhera aquela vida porque não dava trabalho e que puxava nos preços quanto queria, e, por isso, as suas dificuldades não os impressionam.
O segundo mais velho anda na construção e anda desanimado porque acha que a coisa vai ficar torta outra vez. Os irmãos acham que ele quase que chegava a rico sem saber ler nem escrever e que é bom que se convença que também tem de saber o que é a crise.
O mais velho é criador de gado e, com as condições que lhe estão a exigir, vai ter de fechar a exploração. Os irmãos concordam porque não lhes agrada o cheiro que, às vezes, anda no ar e porque, além disso, ele dá medicamentos aos porcos.
- Vocês, parece que se esqueceram que precisam uns dos outros! Não foi para ver isto que eu vos andei a criar! Fazem-me lembrar o governo que ataca tudo a torto e a direito como se a única coisa que funciona bem neste país fosse a governação!
Estais todos angustiados porque vos convencestes que o vosso mal era o bem dos outros e que ficaríeis bem se os outros ficassem mal!
Pois eu preciso de vós os cinco. Deixei de fazer queijos pelo facto de me exigirem azulejos e fiquei conformada com a reforma de 300 euros. Agora vejo que errei, devia ter lutado contra estes cabrões de Lisboa e acomodei-me! Agora peço-vos que me ajudem, quero 50 euros de cada um como prenda de anos! Em quem vais votar?
- Eu nunca votei!
- Eu nunca mais voto!
- Votar, para quê?
- Com o meu voto, ninguém conte!
- Eu voto na puta que os pariu!
- Puta que os pariu aos cinco! Querem ver que tem de ser a velha a votar por vocês todos! Em quarenta anos de votos nunca tive tanta vontade de votar! Vou votar sim! Vou votar contra estes cabrões dos Rios, Passos, Costas, Centenos e Assunções que há quarenta anos que nos andam a foder com a crise e não há maneira do povo ver que a crise é esta cambada de adoutorados que andam sempre a cagar sentenças de remédios e não há maneira de acertarem!
De saída, os cinco trocaram entre si umas palavras: se ao menos a gente tivesse dinheiro para a pôr no asilo!

domingo, 29 de setembro de 2019

Há que chamar os burros pelo nome


Estou aqui, 57 anos, filho de mãe mãe, pai operário. Não me queixo  do que penei, não me vanglorio do que realizei e o meu médico tem-me dito que eu não devia de abusar tanto.
Em abril de 75 eu era um puto adolescente e trazia um autocolante do PPD colado na face duns sapatos que já tinham sido do meu primo, filho do meu tio que tinha um mercedes branco. 
Em 79 votei pela primeira vez.  Já tinha vivência e consciência para não votar nos cabrões que nos têm governado mas os meus parentes, colegas e amigos, sempre votaram ora neste, ora naquele, ora em função de uma promessa específica, ora rejeitando uma medida em particular, consoante a cara de um cartaz, seduzidos por uma boa prestação num debate televisivo, como resposta ao fastio dos que tinham estado, como aposta de experimentar novamente os outros, por eu sei lá?!...

Diga-se, em abono da verdade democrática, que não é por isso que estão melhor ou pior do que eu. Na verdade todos nós usamos sapatos, portugueses ou não, mas em primeira mão, tenho um carro em segunda mão mas é mercedes e pronto, é alemão, tomamos diariamente banhos de água quente e temos em comum o facto de todos estarmos revoltados com a situação.

Tenho contra os governantes que temos tido um dedo médio sempre à mão e continuo a ter sempre um abraço para os meus próximos. Mas nestes últimos tempos tenho-me interrogado bastante sobre a quem devo pedir contas, aos eleitos, ou aos eleitores?
Por diferentes razões, nem a uns nem a outros. Aos primeiros porque nunca acreditei nem acredito neles. Aos  segundos porque lhes leio o arrependimento de terem errado. 
Estou revoltado mas não aposto na revolta, aposto na revolução. Os meus parentes, colegas e amigos não: "isto está mau", "não podemos fazer nada por causa da globalização", "a crise é geral", "já não vamos ter reforma", "são todos iguais", "e o que é que acontece se eu for a uma manifestação?", "greves só se for dum mês", "matar alguns" e entre tantas destas que conhecemos e ouvimos a maioria remata "com o meu voto não contam mais eles!".

... e entretanto as sondagens são deles, os votos são deles, é tudo deles, até a opinião dos meus parentes é feita por eles, a resignação dos meus colegas joga a favor deles, a abstenção dos meus amigos serve-os a eles, eles! eles! nós? quem somos nós?
eu não sou os meus parentes, colegas e amigos e é por eu não ser eles, ou eles eu, que tenho andado triste, 
não lhes posso pedir contas que eles zangam-se! zangam-se com muito! eu zango-me com pouco! como por exemplo pelo facto de estar a escrever um texto e me surgirem sempre rimas vulgares, pelo facto de querer acabar o texto e me surgirem sempre vulgaridades como a presente... mas que se lixe! o importante é que o que digo se torne in-citável! ou então o importante seria que os meus parentes, colegas e amigos pensassem  como eu! mas não! estou fodido!

(este palavrão no fim fica a matar! este meu mau gosto vem-me de ser do povo! quem é o povo?)

quem é o povo? uma cambada de burros? isto é que eu sou um cavalo! não, estou apenas a ser um pouco porco com os meus amigos, que tomam banho todos os dias e sempre votaram nos porcos a quem chamam respeitosamente pelo nome. Agora admiram-se pelo triunfo dos porcos! Estou fodido com eles! Pronto! 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

E a bomba caiu - sic


Já muito raramente vejo telejornais - irrito-me! Acabo de ver o telejornal da SIC - desliguei a televisão.
Na história da humanidade apenas duas bombas atómicas, muitas, foram lançadas sobre populações. Assinalam-se anos. "Uma bomba atómica caiu sobre Hiroshima". Fala-se da data, do número de mortos, passam imagens. Uma bomba caiu. Não foi lançada, não havia avião nem se referem autores. Simplesmente a bomba caiu. Um ministro japonês discursa na circunstância do aniversário do inqualificável acontecimento e apela à erradicação das armas nucleares. A peça jornalística refere a Coreia do Norte e passa a Nagasaki. Continuamos sem saber de onde choveu a segunda bomba, foi mais uma que simplesmente caiu. Completa-se a informação sobre o fim do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e ilustra-se a peça com imagens do Reagan e em seguida do Putin. Fica-se sem saber quem rasgou o tratado e sem compreender porque raio se juntam duas personagens de tempos históricos diferentes.
Desliguei a televisão, desabafei este texto e agora vou à net para ver se consigo averiguar se alguma nação está por detrás do lançamento dessas duas bombas que, cá para mim, é a mesma que renunciou ao tratado assinado.

sábado, 3 de agosto de 2019

A vida, o país, só param se não houver mulheres.


Na primeira greve o governo culpou o povo por ter corrido para os postos de abastecimento de combustível, tendo apontado esse alarmismo como a principal causa da crise energética. Anunciada a segunda greve, o governo aconselhou as pessoas a atestarem os depósitos e a deslocarem-se o mínimo possível.

- Vá lá a gente entender isto! Bem, tenho de ir atestar! - observou a 1ª mulher.
- Isto são greves políticas - ou não viessem aí eleições!... - comentou o 1º homem.
- Também os governos agem, na sua ação, em função dos calendários eleitorais!...  A greve é um direito! - disse o 2º homem.
3º homem - Meia dúzia de indivíduos não têm o direito de parar o país! O governo tem de fazer alguma coisa!
- Não é a questão de serem meia dúzia! Enquanto não derem cabo dos comunistas isto não vai lá!... - acrescentou o 4º homem.
5º homem - Homem, mas segundo ouvi, este sindicato é novo e nem de esquerda é! Acontece que estão a cair numa armadilha, o governo prepara-se para utilizar o impacto negativo da greve em seu favor virando o povo contra os camionistas! Entretanto, toda a gente se esquece dos preços elevados!
6º homem - Então mas o governo não tem nada a ver com isto! Isto é entre uns tipos que já ganham bem e ainda querem mais e uns empresários que não têm margem para isso! Por causa deles não tarda aí um novo aumento dos preços!
- Ora, a mim não me incomoda que queiram ganhar o dobro ou o triplo ! O que me incomoda é que vos incomode tanto a luta duns tantos trabalhadores por um aumento de salário e nunca  vos tenha visto levantar a voz contra os lucros astronómicos do negócio do petróleo! O que me incomoda é que estejais tão incomodados com a possibilidade dum incómodo de alguns dias sem gasóleo e nunca vos tenha visto levantar a voz pelos que há anos estão sem água, eletricidade e paz, graças a primaveras de sangue ocidental! - rematou o 7º e último homem.

- Ainda bem que não são onze! Nesse caso a conversa tinha sido outra vez sobre remates e ordenados de jogadores!... Vou mas é atestar! - interveio a 2ª mulher enquanto se dirigia à saída!

O (a) jovem tirou os olhos do telemóvel e perguntou: 2ª mulher de quem?!
Como ninguém lhe tivesse respondido continuou e escreveu uma mensagem em que avisava:
"Comida para gatos pode faltar"

sábado, 20 de julho de 2019

Estamos a ser testados


Bolsonaro, Trump,  João Miguel Tavares - que têm estas três figuras em comum? São arraçados de fascistas senhores!
Ora, o presidente de todos os telespectadores, nascido e formado num ninho de fascistas, chama irmão a um, convida outro, nomeia o aquele-outro para o dia da raça e vocês não acham que é demais?

domingo, 30 de junho de 2019

O Pensador da esplanada do Samambaia


Quando Egídio virou urbano, assentou praça numa grande esplanada da base de um prédio médio, num bairro com pequenas moradias. Foi lá que ganhou o hábito do galão e da torrada, do café com cheiro, da imperial com tremoços e do jornal diário. A princípio a mesa era só sua mas, com o andar do tempo, das conversas triviais, do futebol, da esquerda, da direita, dos livros, dos poetas, das histórias, dos filmes, dos discos, dos espectáculos, a mesa encheu e estendeu-se a outras ao lado. Egídio fez amigos, grandes amigos que com ele na esplanada planeavam frentes de salvação nacional, negócios, sonhos mas sobretudo saídas e noitadas e, às vezes, também se estudava.

Egídio estava a crescer. O pai, agricultor, pagava-lhe a vida ali para ele ser doutor. Não poderia adivinhar ou entender que já era muito mais do que isso, um homem pensador.

Com o andar dos anos os amigos começaram a partir e a casar e Egídio começou a ficar só com o Casimiro que fazia acrobacias com a bandeja. A namorada de Casimiro ganhou caminho para o quarto arrendado do Egídio e acabaram ambos por levar um enxerto de porrada.

Para evitar Casimiro e esconder os hematomas dos outros clientes da esplanada, planearam ambos arrendar um T2 num bairro do outro lado da cidade mas Egídio, pensador, não adivinhou novos amigos nem uma esplanada como aquela em que a bandeja vazia caía umas vezes pelo falhanço de uma acrobacia outras vezes porque Casimiro gostava de chamar a atenção. Dados os factos, acabaram-se as brincadeiras e se, a Casimiro não faria mossa ter uma namorada que fumava muito, que teve um deslize e que tinha muito horror aos bois e ao campo, já o pai de Egídio, camponês, nunca suportaria mulheres que fumassem e em segunda mão. Mas mais dia, menos dia, exigiria de tanta mesada, ao menos, a ponta dum canudo!

Sem curso, sem amigos e sem namorada, Egídio voltou ao pai...
- Isto na cara?! 
- Foi um professor que me bateu!
.. e à terra demonstrando os seus conhecimentos de Coimbra. Ainda tentou a lavoura adquirindo um tractor em troca dos bois mais uns fundos cee. Ainda foi três meses professor de português. Ainda quase casou com uma professora de Francês.

Mas, com o andar dos anos, Egídio habitou-se à pequena esplanada dum café, que fica no largo grande da pequena aldeia e voltou a falar de coisas triviais, de futebol, da esquerda e da direita, de livros, de poetas, de histórias, de filmes, de discos e espectáculos e, se alguém lhe prolonga a atenção, saca dos grandes amigos do passado - alguns grandes senhores agora! - diz que vai fazer vida com uma brasileira, que vai montar "negócio de fartura", que isto vai dar fome, que o português matou a agricultura - não amanhou, agora que se amanhe!

Enfim, um pensador! 
PS: Todos nós temos uma esplanada e conhecemos um Egídio. Porque todas as vidas são grandes, só se pode falar delas em síntese, como me aconteceu agora neste texto pequeno e trivial. Hoje fui ao funeral do pai do Egídio, estive na esplanada do café da terra e diziam as bocas, que falam com espuma de cerveja, que o filho não quer é trabalhar, que tem uma grande vida e que acabará por morrer não se sabe como. - Ora! Nem eu!
Pensemos: Desde quando é que pensar não é trabalho!? Desde quando é que viver não é mais do que pensar!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Todos menos eu


Se lá, dos microfones e alto-falantes dos media, os comentadores, do alto da sua superioridade intelectual, nos tentam convencer que a sua opinião terá de ser a nossa; 
Se lá, dos media e dos seus troninhos, os governantes, à guarda da sua pretensa legitimidade eleitoral, se acham no direito de falar por nós; 
Se lá, dos seus palanques e em nome dos seus donos, os candidatos se sentem com mandatos, antes de serem eleitos;
Declaro que não reservo aos ditos o direito de fazer a minha opinião, de falar por mim, ou de tomarem como certa a minha concordância;
Não, senhores comentadores, governantes e aspirantes a uma e outra coisa, é ridículo, abusivo e anti-democrático, repetirem:

"os portugueses desejam...
os portugueses querem...
os portugueses gostam...
os portugueses adoram...
os portugueses confiam...
os portugueses devem...
os portugueses precisam...

os portugueses percebem...
os portugueses sabem...
os portugueses estão...
os portugueses vão...
os portugueses são.. 
os portugueses assim... 
os portugueses assado!..."

não sou nenhum de vós nem considero algum,
não sou senso comum, digam, pelo menos:
- Todos os portugueses menos um...

terça-feira, 14 de maio de 2019

E quem emprestou o dinheiro ao gajo? Não tem nome?



Joe!
És o maior.
Eles não te perdoam...
Aos 19 anos, percebeste que ser trolha não dava nada e foste da Madeira para a África do Sul, para te juntares aos teus 2 irmãos mais velhos, que tinham umas cantinas nos bairros pobres do Cabo, onde vendiam enlatados, sumos e bananas madeirenses, à população negra.
Levavas as calças rotas no cu.
Fizeste o mesmo percurso que fizeram outros milhares de madeirenses: 
África do Sul, Venezuela e Américas.
Por lá “labutaste” quase 40 anos.
Das cantinas, “dizem” que passaste para os “diamantes”, num tempo em que “eles” se “transacionavam” de todas as maneiras, a todas as horas e por todo o lado… 
Há uma dúzia de anos, aportaste à capital do império. 
Escorriam-te dólares e diamantes dos bolsos.
Falavas um português mascavado e provocavas apenas gargalhadas. 😀
Mas eles não sabiam que o último a rir, é aquele que ri melhor.
Desataste a ”comprar” tudo:
Vinhas, jornais e pinturas.
Impingiam-te serigrafias e gravuras e garantiam-te, serem raras “obras de arte”. 😂
Ofereceste os teus vinhos de marca, a políticos, jornalistas, pintores e administradores de bancos...
Embriaguês coletiva.
Tinhas que “construir” uma imagem. Aconselharam-te a “comprar” umas entrevistas, em jornais de “referência”. 
Assim o fizeste.
O Expresso e o Público prestaram-se à “coisa”.
A jornalista encartada perguntou-te:
“Senhor comendador 😂 onde é que arranjou tanto dinheiro?”
Respondeste:
Oh baby, sabes, um dia a minister dos diamantes da África do Sul, mandou-me chamar e disse-me:
Oh Joe, my friend,
tenho umas minas de diamantes abandonadas, tu não “quereres” tomar conta daquilo? 
Eu “querer” e fiz aí a money, much money.... 🙄
Em Portugal leram esta “coisa” e o país inteiro, em vez de se rebolar no chão a rir, dividiu-se em 2. 
Os néscios, acreditaram. 
Os “outros” fingiram acreditar. 
Nos teus bolsos brilhavam diamantes… 💎
E continuaste a ”comprar”:
Quintas, bacalhaus, bacalhoas, consciências, silêncios, budas e ações. De Azeitão ao Bombabarral, ninguém te levava a mal...
Joe, you are a best, more best 
E quando “nomeaste” o teu “advogado” minister, houve alguns que perceberam, que o teu money pagara a campanha eleitoral do Sócras e outras...
E que a “coleção” que te impingiram, que pouco vale, havia de ser avaliada em 400 milhões e te haviam de oferecer o CCB.
De mão beijada
Yes, minister...
o céu era o teu limite...🎆
Money, much money...
Joe, tu és muito à frente.
Fizeram-te comendador 
“three times”.
Tu agradeceste à Minister:
Oh baby! Thanks...
Ela riu-se muito...🌝
Com o teu minister no bolso e o 1° minister no colo, iniciaste o teu reinado.
Tu não “tinhas” nada, “tinhas” apenas o grande talento de fingir que “tinhas”.
O Alves dos Reis ao pé de ti era um amador...
Desataste a pedir 1000 milhões ao erário público, CGD, para comprares one bank… 
Nem aí a malta percebeu.
Ontem, na AR, quando te riste à gargalhada, eles finalmente perceberam que quem ri por fim, é quem ri melhor...😀
Agora é tarde, muito tarde...
Joe, my frend, tu és um show men. Ainda está para nascer, quem te faça o ninho atrás da orelha.
Só te falta a estátua. 
Ainda guardas as calças rotas no cu, com que foste para a África do Sul?
Não te rias...😊
I like Your smile .
Money...Very money...


domingo, 12 de maio de 2019

EU?



Um pouco mais de europa – e somos nada,
Um pouco mais de espanha – e mais ninguém.
Para atingir, votámos na pior cambada...
Se ao menos soubéssemos votar bem... 

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Pegar ou largar? Em vão... Tudo é uma cota
Numa grande europa virada a outros mundos; 
E o grande país perdido em fundos,
O grande país - ó mar! - quase europa... 

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o progresso, quase a porta e a panaceia, 
Quase o princípio e o fim - quase a salvação... 
Mas no meu país tudo se remedeia... 
Entanto tudo não passou duma ilusão! 

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minhalma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve marca UE ... e tudo aproveitou... 
- Ai o desejo de ser - quase, igual aos alemães...
Nós falhámos entre nós, falhámos por vinténs,
Terra que não parou mas não avançou... 

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Anos de esperança que desbaratámos... 
Cidadanias que sonhámos alcançar... 
Direitos que perdemos sem os experimentar...
Tratados que nos trataram e não votámos...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Desse continente, encontro só imagens... 
Terras do interior – vejo-as defraudadas; 
E carteiras de políticos, sujas, recheadas, 
Passou o argumento de que eram só vantagens... 

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Numa esperança imberbe acreditando em tanto, 
Tudo construímos sem pensar pra quê... 
Hoje, resta-nos o betão do desencanto 
Das coisas que de tão grandes ninguém vê... 

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Listas de candidatos avançam sobre mim a fustigar-me
em luz.
Todo confuso, quero escolher... Onde votar-me? 
Um boletim para uma cruz
Que me leve, e eu escolho ficar...

Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...

Não é necessário lembrarem-me que não chego aos calcanhares de Mário de Sá Carneiro!
E eu quero por força ser burro...Que a um porco nada se recusa!!

sábado, 4 de maio de 2019

A colossal mentira dos 600 milhões

Uma mentira muitas vezes repetida acaba por ser aceite como verdade. Estou assustado porque quase ninguém a desmente. Registo ESTA exceção.


Contas do governo:

600 milhões / 100 000 professores / 14 meses = 428 euros de aumento mensal, em média, para cada professor.

Desmontemos a mentira com cálculos simples: não chegam a 100 mil os professores na carreira; a diferença média líquida entre escalões não chega aos 100 euros; a parte ilíquida retorna na prática aos cofres do Estado; a parte líquida, transformada em consumo ou em depósitos, também terá uma parcela convertida em impostos; os professores do 1º escalão e do 2º não terão todo o tempo para recuperar; existem milhares de docentes travados no 4º e no 6º escalão;  milhares de professores serão aposentados sem usufruir da recontagem porque o "tempo e o modo" é para "arrastar" por alguns anos...
Sem dados técnicos que nos permitam avaliar o valor destas variáveis atenuantes, que será significativo, não os tenhamos em conta. Tomando como referência a progressão máxima que poderá estar em causa e que só tocará a alguns, a subida de dois escalões, façamos um cálculo, acessível a qualquer leigo:

2 escalões x 100 euros x 14 meses x 100000 professores = 280 milhões

Mas atenção, não foi aprovado "o tempo e o modo", isto é, não se compreende onde é  que a lei quer chegar, não se percebem os tons vitoriosos dos representantes da classe, a birra do governo é uma encenação.

Sabe-se uma coisa e essa não se pode admitir: são mentirosos!

Por isso, Senhor António Costa, da minha parte, pode até substituir o Brandão pela Maria de Lurdes: ACABOU!

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Dia do colaborador


Então ó santos silva limpopó, não arranjaste nenhum guaidó prá china?

Por vezes a hipocrisia vai mesmo longe: o que vêem estes senhores na democracia chinesa que não conseguem ver na venezuelana?

Sinónimos de "santos silva": revolucionário de ocasião, chuchalista, filho da puta, colaborador.

Colaboradores o carvalho! Trabalhadores! Caralh.!

(alternativa na informação: https://www.youtube.com/watch?v=BRPtKbFVF_8&feature=share)