domingo, 1 de julho de 2007

O Código Félix Revisto

Imagem do WheHaveKaosInTheGarden, é óbvio!
I
- Um grupo de pessoas com estudos faz um estudo – o povo venera pessoas com estudos que estudam – e escreve um livro branco – para o caso não sei porque é que a cor interessa – sobre as relações laborais!
- Esse grupo de pessoas toma o nome de comissão – comissão para dar a ideia de que não têm interesses monetários – e é constituído por pessoas escolhidas em função dos resultados que se pretendem!
- Os resultados são tornados públicos e acentua-se a ideia que se trata apenas dum estudo de especialistas.
- Uns meses depois o estudo serve de base à lei, em vez das 31 medidas que se propunhamde a bem dos trabalhadores, aprovam-se apenas 27, e passa na televisão a assinatura dum acordo entre o governo, a UGT e a CIP.
- O governo elogia a concertação, a UGT diz que o acordo foi bom, a CIP diz que ficou aquém…
II

- Bagão Félix, católico de sacristia, revela mais uma vez, em entrevista, a sua preocupação com os pobres trabalhadores - manobrados pelos sindicatos que exploram as suas fraquezas – e com os patrões que não encontram enquadramento legal para distribuir os lucros do trabalho pelos seus assalariados.
- Bagão Felix sente-se o símbolo traído desta cruzada e aparentemente tem razão!
III

O PS disse sempre que iria rever o Código Laboral do Félix e vai fazê-lo! Ingénuos os que acreditaram que o iria fazer em favor de quem trabalha. A prova está aí e vai ser aprovada pelo governo de um partido que tem o descaramento de não mudar de nome e permanecer com a designação “socialista”!
O Governo, muito embora reconheça e compreenda os protestos dos trabalhadores, adverte que as suas normas são para respeitar e assegura que as medidas vão ser tomadas quer eles concordem ou não.
IV

Quem fez o estudo, estudou, investigou, fez contas, simulou e chegou à conclusão que chegou:
- Para acabar com o desemprego a melhor forma é acabar com o emprego.
- Acabar com o emprego não é acabar com o trabalho!
- Só se deve trabalhar quando há trabalho e só se devem ser retribuídas as horas de trabalho efectivo.
- Devem existir apenas os descansos suficientes para o trabalhador retemperar forças para poder continuar a trabalhar.
- A todos aqueles que estão em situação de desespero e que se dispõem a trabalhar por sopa e meia deve ser dada a oportunidade de substituírem aqueles que não fazem tudo o que lhe mandam em nome de direitos fora de moda.
- ……………………………………………………………………………….
V

Quem fez o estudo, chegou à conclusão que em nome da criação de riqueza no país, era necessária a redução do período e do subsídio de férias.
No primeiro ponto estou de acordo. De facto 22 dias é muito tempo para quem gosta de trabalhar e quem não gosta de trabalhar não deve ter direito ao trabalho. Além disso se estão muito tempo de férias, derretem mais dinheiro e depois queixam-se que ganham pouco. Também é preciso não esquecer que descansam nos sábados, domingos e feriados!

Já não estou de acordo, e tenho as minhas dúvidas acerca do trabalho de investigação que foi feito na parte em que conclui que a redução do subsídio de férias pode contribuir para o desenvolvimento social e económico do país. Na minha opinião essa redução deveria ser aplicada no subsídio de Natal. Senão vejamos:
- Nas férias bebem-se umas bejecas, uns tremoços, vai-se à festa da aldeia e compra-se um bolo de andor – tudo consumo de produtos inteiramente nacionais que colocam a economia do país a ganhar!
- No Natal, compram-se prendas e ornamentos nos chineses, compra-se bacalhau aos espanhóis e o champanhe tem de ser francês para a ocasião!
Porra! Já estou a escrever de mais!…

4 comentários:

Anónimo disse...

Mas estavas a escrever coisas acertadas! Continua que estavas a ir no bom caminho.
O tal livro branco (não será mais correcto chamar-lhe negro?) é um ataque descarado aos direitos dos que trabalham com inúmeros benefícios para os patrões. Depois dos funcionários públicos, chegou a vez dos que trabalham para empresas privadas sofrerem com a política capitalista deste governo que se intitula de socialista. Mas não entremos em pânico! O governo virá dizer que o que vem no tal livro branco é apenas um dos vários estudos preliminares que encomendou e que não é sua intenção levá-lo à prática. Espera pela volta! Nestes próximos 6 meses de presidência da UE não convém que haja muita contestação interna. Mas depois veremos. Voltarão o despotismo e as medidas para tramar os que trabalham. E, não se esqueçam, a decisão do local do novo aeroporto. Que será, obviamente na Ota, a despeito de todos os estudos imparciais que recomendem outro local. Tão certo como eu me chamar

(Porra! Já escrevi demais)

João Rato disse...

Talvez até estivesse a escrever coisas acertadas mas há sempre alguém para continuar e melhorar as nossas ideias...Zé
Porra! Já estou outra vez a escrever demais! Até amanhã!

Moriae disse...

Não estava a escrever demais nem nunca esteve.
abraço,
M.

João Rato disse...

moriae
não é bem assim, a partir de um certo número de caracteres a coisa pode descambar...
um abraço