domingo, 19 de junho de 2011

Terra do Não

- Lembras-te irmão, de quando eras flor...
e chamavam por ti e não respondias,
pela simples razão de que as flores não falam nem ouvem?
- Ah, agora eu compreendo:
o pai nunca mais cortou as uvas
desde que a mãe morreu!
De então para cá:
eu fui a Primavera do Sol desonrada
com a putez impotente do avô materno,
eu fui o Verão frio nas praias do mal,
o Outono assassino da tal lucidez...
e vem aí o Inverno,
e eu ainda não acredito no Natal...
- Não! Da vingança humilde aos cornos de marfim
e das rosas que deixei cair, não me arrependo!
- Quem pode acreditar,
que no sangue do amor navegue o ópio,
ou que na seiva das plantas o Sol se esconda para dormir a Noite?

- Eis-me chegado à Terra do Não.
Traído dei por mim no mar turbulento da civilização,
e naufraguei aqui,
Terra do Não...
- Aguardando a chegada de algas marinhas,
morrendo de mão dadas aqui,
Terra do Não...

23 comentários:

NINHO DE CUCO disse...

Impressionante a tua poesia. Só um percurso sofrido a poderá ditar. Porém, acredita no que eu digo, há sempre um dia para acreditar.E por mais longa que seja a noite e por mais do Não que seja a terra, todos os dias são um recomeço.
Abraço.

Marreta disse...

Eh pá, estava a ver que nunca mais ressuscitavas! Até pensei que os pregos eram mesmo de boa qualidade...
Toca a transformar isto na TERRA DO SIM!
Saudações do Marreta.

Tiago R Cardoso disse...

E voltou com força poética.

quintarantino disse...

Viva, viva El' Rei a Majestade Leitoónica... gostei... apreciei...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sim, eu aprecio.Mas sinto a tua dor. Sinto essa estrada longa em que te feristes a caminhar. E enterneço-me sem te conhecer porque caminhas na Terra do Não mas teimas em viver. Viver com amplidão. Acredito que o Sim há-de nascer.

Zé Povinho disse...

Isto por estes lados não vai bem. Os tempos pelo meu lado também não têm sido muito bons, mas todos dias amanhece e a esperança renasce. Devagar e com muita vontade talvez cheguemos à Terra do Sim.
Abraço do Zé

NÓMADA disse...

Olha amigo eu também tenho caminhado muito no deserto. Porém há sempre um óasis e um fogo amigo para além da minha vontade de poder, sabe-se lá quando, chegar à cidade da paz e da justiça.

Maria, Flor de Lotus disse...

Recordo com alguma ternura , nestas minhas lides blogosféricas, um amigo virtual, sem rosto, mas cheio de irreverência provocatória, de sentido de humor, sempre surpreendendo e acordando os demais com o avesso das coisas, ou mostrando simplesmente os remendos dos fundos das calças de grife...
Lembro-me de posts desse amigo que cairam como lápides de mármore precioso no charco do lado mais cinzento da blogosfera. Lembro-me e recordamos todos os amigos (as) o quanto é extraordinário...
Ele deve lembrá-lo também...
Vou valer-me de PALAVRAS DELE para comentar o seu poema :
"...a poesia sente-se, por isso por norma , não comento poesia."
E eu Maria gralha que dificilmente se cala, CALEI-ME a este seu poema.
Porque em Terra de Não nenhuma linguagem como a do silêncio fala melhor.
É lindo.Parabéns.
Um bj
Maria

7 Pecados Mortais disse...

Viver na Terra do Não, é triste, mas acredito que no Não, venhas a descobrir o Sim...Abraços.

Jorge Borges disse...

Companheiro João,
Também eu me sinto a viver na Terra do Não. Talvez a minha tenha menos poesia e beleza do que a tua, mas não creio. A realidade actual é demasiado crua e dura para com as pessoas, para que nos possamos permitir cruzar os braços.
Alternativas a este neoliberalismo selvático procuram-se. Com urgência.
Abraço solidário

SILÊNCIO CULPADO disse...

Vim ver como estás.

NÓMADA disse...

Cheguei aqui à Terra do Não
à Terra do João Leitão
que podia ser eu
também do Não.
Mas não, não sou
porque, venha o que vier,
tu és meu irmão
e na Terra do Não
eu irei colher
as rosas que caíram
do teu entardecer.

opolidor disse...

Pata

assim se afigura esta terra, uma terra do não ou da negação... mas, ainda acredito que é possível revolver a arejar a terra.

abraço

Zorze disse...

Pata Negra,

Muito bom, mesmo!

Abraço.

Anónimo disse...

Chiça!
Eu ia para pôr aqui um comentário mas, por curiosidade, fui espreitar o que havia acontecido aos comentadores de 2007. E não é que a maioria concelou os respectivos blogues pouco tempo depois.
Chiça!
Isto deve ser mau olhado.
Eu nem me identifico para não me acontecer nada de mal.
Anónimo
P.S. Tenho pena do "Limpa Metais". Mesmo sendo um esquerdalho do pior não lhe desejo mal. O que seria do circo sem palhaços?

Anónimo disse...

e ainda há quem seja contra a lei do aborto...

Anónimo disse...

Eu sou a favor. Mas nas primeiras semanas.
É que algumas senhoras distraem-se e abortam muito tarde. E depois pode acontecer que os "abortados" virem esquerdalhos e, até, venham a ser autores de blogues.
Chiça!
Anónimo

Anónimo disse...

Lembro quando ele era ainda uma flor, mas respondia, respondia sempre.Hoje nesta terra do não,já não responde, calou-se para sempre.
Abraço sentido nesta terra que começa vezes de mais a dizer não.
mfm

do Zambujal disse...

Para já, sem mais nada, conseguiste surpreender-me.
Para já, sem mais nada, gostei muito. Mas tenho de ler de outra maneira, com outro... tempo de leitura.
Para já, sem mais nada, tens ali "pérolas", com um começo esmagador e um final excelente.
Terei de ler, de outra maneira, com outro tempo, o que está no meio, o trânsito.

Grande abraço

Anónimo disse...

Obrigado pelo masculino e pela transparencia! Acho que pertencemos à mesma terra (do não),gostava tanto de ser aquela pessoa...de ter a fama e o proveito mas NAO CONSIGO! E se eu tivesse este jeito para poesia, a minha (ainda que por razoes diferentes)seria tanto ou mais sentida que a tua! É a vida, e tenho pena que me conheças tão mal ...que me tenhas sujeitado aqui neste blogue a quem nunca ofendi, a diversas humilhações...isso custou-me horrores como podes imaginar, ainda assim nao consigo ....ups falhou-me a tecla. E porque apesar do meu mau feitio considero-me uma pessoa humana e sensivel, acho que ainda assim teras ca sempre um cantinho especial (qdo gosto das pessoas, eskeço mto depressa o mal que me fazem; o Bem, por seu lado recordo-o toda a Vida, acho que é o meu truque para aguentar o "barco".
Retribuição de abraço, igualmente sentido. Ate sempre (na terra do Não) mfm

Pata Negra disse...

Ó anónimo das 20.56, vamos lá ver se nos entendemos, eu não entendo nada do seu problema; pelo tipo de escrita creio não ser a primeira vez que por aqui "desabusta"; não me ofendo pelos seus "desabustamentos"! O que lamento profundamente é que tenha utilizado as iniciais do nome de um comentador, habitual deste blogue, para insinuar desordem! Aqui, tudo está no seu sítio e a "mfm" - do blogue a Roda - é uma velha amizade blogosférica que prezo e que não merece ser envolvida desta forma.
Não se "anonime", dê um nome falso, assim, pelo menos, saberemos que é sempre o mesmo problema que fala!
Um abraço humano e sensível e claro

Anónimo disse...

upss desculpe sua magestade, se ha alguma coisa que eu jamais fui aqui neste seu blogue ou pa alguem, foi anonima (para si pelo menos).Sou transparente demais para o Bem e para o Mal (e se fui "anonima de nome" aqui, foi por boas causas, como deve calcular).
..mas pronto reli o que escrevi, li o seu texto posterior consigo entender perfeitamente a sua mágoa (é legitima), o que fica sempre por entender é a MINHA, mas pronto tenho de encaixar que nao tenho DIREITO a ela!
Só mais uma coisa: da desonestidade que aqui fui tantas vezes acusada, quero lembrar que tudo o que escrevi aqui foi SENTIDO, mas que tive sempre o cuidado de rematar que SENTIA assim mas que NAO PODIA... por os motivos que nao vale a pena aprofundar (sao obvios demais).
Entretanto percebi que me tivesse respondido, pegando numa coisa sem jeito nenhum: troca de nomes: mfm, a quem, desde ja peço as minhas desculpas, como deve calcular nao foi essa a minha intenção (nao fixo as iniciais todas e pensei que uma das letras fosse diferente). Ate esta justificação é ridicula mas pronto como tanta coisa na vida, como o vir aqui ainda depois de tudo...eu juro que quero parar, mas NAO CONSIGO, é que o facto de nao me entender tbem MAGOA demais!
Abraço sensivel, humano e claro
wyz

Anónimo disse...

Bem pensando bem e interpretnado melhor tudo, quero que durma descansado e é a ultima vez que o incomodo. DESCULPE, ha coisas na vida que nao valem a pena. Os amigos de alguem sao sempre aqueles, que entendem quando mais ninguem entende; ou entao os que se esforçam por entender o que à partida nao é entendível!
Tudo a correr bem, felicidades e ate sempre (na terra da mágoa)
wyz (desculpe tbem a minha capacidade de idealizar: é ENORME)