segunda-feira, 28 de março de 2011

Escondam a Islândia!

Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão!
A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate dos bancos. Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura.

Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos.
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Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua.


Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Parlamento exigindo a renúncia do governo conservador  em bloco. E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde.


Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os problemas continuaram.


Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros dos EUA e do Reino Unido. Com o colapso, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos e planeando a cobrança desses valores à Islândia.


Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações. Em Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.


Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto.


Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses. A nova Constituição, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet.
É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que não parece dar tréguas: é que toda a revolução islandesa "está a passar despercebida"(?) nos media internacionais.

9 comentários:

Zé Povinho disse...

Está bem clara a razão porque todas estas movimentações do povo da Islândia foram abafadas na imprensa europeia: é um exemplo que não interessa aos sacanas que lucram com as crises.
Abraço do Zé

Zé Marreta disse...

Ora bem. Se por cá os "à rasca", os "CGTP" e etc, em vez de terem ido mamar copos depois das manifs fossem direitinhos da avenida para São Bento e só de lá saíssem quando obtivessem medidas concretas, também conseguiriamos obter a responsabilização dos culpados pela situação actual e a garantia de medidas que pudessem pelo menos não conduzir a mais uma fantochada como é a última medida desgovernamental de alteração do "ajuste directo".

Saudações de um Zé Marreta que gosta sempre de mamar a sua bejeca depois das manifs.

antonio - o implume disse...

Chiu! Fala baixo...

Mas isto existe mesmo? Islândia? Inventaste tudo não iventaste?

do Zambujal disse...

... mas de que vale escondedr a ponta do iceberg?!

Grande abraço

Ferroadas disse...

Por conhecimento do país (Islândia) sei que aquele Povo nunca verga, foram enganados por banqueiros especuladores, nomeadamente ingleses e holandeses, estão a dar a volta por cima, ali, assunto de interesse nacional é referendado, já o fizeram duas vezes em relação à entrada na UE, foi sempre rejeitado pelo Povo, ali efectivamente o Povo é quem mais ordena. Têm a vantagem de serem poucos (320 mil habitantes), mas por cá também se poderia fazer o mesmo, houvesse vontade e coragem.

Abraço

Camolas disse...

Começo a perceber de onde vem a minha paixão pela Islândia.
E por falar em Islândia, vamso ter em Serpa nos Encontros de Cultura, o vulcão Mayra Andrade. Quem dizes a uma visita da Corte à tapada alentejana.

O Guardião disse...

Será que os portugueses estão dispostos a aprender com os bons exemplos?
Cumps

opolidor disse...

e segundo parece os responsáveis pela "façanha destruidora" vai a tribunal...para serem julgados, evidentemente, e não para ficarem em preventiva e depois... Bahamas.
abraço

O Puma disse...

Islândia ao poder

Que vivam os condomínios