sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Primeiro lançamento do bácoro

Servos, nobres e fidalgos, o King não abdica da sua soberania. Este blogue só fechará as suas janelas por desaparecimento do seu monarca ou por abandono do seu último súbdito.

Bem sei que a blogsfera, e em particular o Rei dos Leittões, já conheceu melhores dias. Já lá vão dez anos a postar bacoradas, 1213 postes, 223369 visualizações. Longe vão os tempos em que as 200 visitas por dia me motivavam. Ontem mesmo, as estatísticas anotavam 37, o que, atendendo à quase ausência de publicações recentes, não deixa de ser melhor que 7.

Não é a primeira vez que faço a comparação de "comércio tradicional e centros comerciais" com "blogosfera e facebook". Até eu me rendi aos supermercados e, fora deles, já só compro praticamente, a carne, a fruta, o remédio para os ratos, as torneiras e a roupa interior. E o que são a carne, a fruta, o remédio para os ratos, as torneiras e a roupa interior da blogosfera? Deixo à vossa consideração a descoberta dos paralelismos.
Da minha parte continuarei com a tasca aberta, a mercearia, a drogaria ou o que lhe queiram chamar e continuarei a visitar blogues velhos-amigos e outros de referência.

Reconheço que, por troco de não deixar rasto de comentários no meu circuito blogosférico familiar, também já só por aqui andam meia dúzia de comentadores assíduos. Serão apenas esses os leitores prováveis deste texto no ponto em que ele vai - é justo!

Mas é a esses que este poste se dirige. Uma palavra especial a alguns que andam por aqui quase há uma década, que não conheço pessoalmente, nem sequer uma foto, um nome próprio ou o concelho de residência. Foi com eles que um certo mês de 2006, por uma razão que não consigo definir exatamente, este sítio começou a fazer parte duma blogosfera anónima que fazia furor contra Sócrates e os seus acólitos, que trocava ideias, que conspirava, que se constituía como a primeira verdadeira rede social do espaço cibernético.

Depois foram vindo outros e até amizades que, por esta via, se transpuseram para a vida "real". Enfim, esse tempo lá vai.

Chegou agora o tempo de responder a todos os que foram deixando na caixa de comentários a mensagem "devias pôr isto em livro!", a todos os amigos mais próximos que me têm azucrinado a cabeça com a sugestão atrevida "devias escrever um livro!".

Fui sempre renitente porque sou avesso à exposição pública, porque sempre achei ridícula a mania que todas as pessoas têm que a sua vida dá um livro, porque sempre distingui o jazz e a música clássica do punk rock e da música pimba. 
Não sei dizer se isto é punk ou foleirice, apenas reconheço que foi fácil:
seleccionei uns textos aqui escritos, juntei-os, falei a alguém para fazer a capa e a paginação, fez-se livro e foi agora publicado. 

Não será, portanto, nenhuma obra do vosso interesse porque tudo o que lá está por aqui está também e, porventura, já o lestes. Fica aqui apenas o registo porque, como companheiros destas andanças, entendi dever-vos a informação.



O primeiro lançamento do bácoro realizou-se ontem, no café Camões da terra onde resido, com porto à mesa e uma troca de palavras circunstanciais. Não estava muita gente, era só eu e um amigo. Eu paguei o porto e ele esqueceu-se - só pode ter sido esquecimento! - de pagar o livro.

29 comentários:

Zé Povinho disse...

É sempre bom revisitar os textos deste cantinho, onde me considero sempre convidado a dar uns palpites.
Abraço e dedos no teclado

J.Frade, regressou ao passado, e disse...

- Antes de mais registo a preocupação de Sua Majestade com a saúde dos ratos que até manda comprar na drogaria do burgo remédio para tratar as doenças (ou sará da saúde?) dos simpáticos roedores. Até me pergunto se essa preocupação não terá a ver com o nome do autor da obra.
- Depois outra preocupação, esta minha e grande: onde poderei adquirir, pagando claro, a mencionada obra, se possível uma primeira edição e, ouro sobre azul, com uma dedicatória do autor.
- Por fim desejar a Sua Altesa Real, Sua Realíssima Esposa, aos Príncipes e ao Real caniche as maiores felicidades e saúde.
O súbdito
J.Frade

(Foi em termo análogos a este que, durante muito tempo, comentei os "postes" deste blogue.)

Maria disse...

Estive hoje nessa terra real de Sua Majestade e nem vi o bácoro nem ouvi falar dele.
Eu, humilde serva, não entendi....

Rogerio G. V. Pereira disse...

Acho que teu segmento de mercado
é o teu público distraído
se me tivesses desafiado
claro que lá tinha ido

e já agora onde o encontro
eu pago o livro e o porto
...a pronto

Camolas disse...

Se visitar Vossa Senhoria tenho direito a Porto e livro ?

Camolas disse...

Se visitar Vossa Senhoria tenho direito a Porto e livro ?

cid simoes disse...

"O Bácoro" impõe-se, às bacoradas de muitos que por aí circulam.

Zambujal disse...

Ainda estou a rir. E caem-me lágrimas dos olhos, que não sei se são do riso se das cataratas.
Rio (onde o povo se lava, dizia o homem de Melo, sem saber bem o que dizia), rio porque devia ter pago o porto (do desembarque do livro) que tomei como oferecido (com aquela dedicatória, pá!, era para pagar?).
Essa ainda me hás-de pagar... vai chamar pendura ou caloteiro a um dos teus heterónimos (feios, ratos, porcos... e bons!)
Abraço a sério

Pata Negra disse...

Zé Povinho
Tu és dos primeiros! Há quanto tempo não andamos por aqui?
Abraço amigo! Parabéns pelo teu trabalho!

Pata Negra disse...

J. Frade
Obrigado por todos os teus comentários. Havemos de arranjar maneira de degustar o bácoro - pagas uma sandes de leitão e eu dou-te um bácoro.
Queres melhor!?
Abraços para a barraca

Pata Negra disse...

Maria
Não foste à feira dos suínos! Quando vieres outra vez, pergunta pelo bacoreiro, alguém te há-de indicar o caminho para a pocilga.
No mínimo receberás um beijo suíno.

Pata Negra disse...

Camolas
porto, dormida, roupa lavada e uma ninhada de bácoros!
Cá te espero, cavalheiro!

Pata Negra disse...

Rogério,
Haveremos de encontrar modo para a transação!
Um abraço até

Pata Negra disse...

Cid,
um bácaro impõe-se sempre onde quer que esteja! Imagina um porco a entrar num espaço público - ninguém fica indiferente!
Um abraço com um bácoro a caminho pelos canais habituais.

Pata Negra disse...

Zambujal
Rir? Rio? Rio de rir? Rio das águas? Há livros e que não têm preço! O porto?!
Acho que jogou melhor que o benfica!
Um abraço até ao próximo balcão.

maceta disse...

Rei Pata, o caminho é sempre para a frente e onde há bolota

abraço

Manuel Veiga disse...

abres o livro ou é apenas a capa?


abraço

Judite Castro disse...

Pois. Confesso que faço parte da lista dos que têm falhado a visita regular.
Mas quero comprar o livro. Vai estar em livrarias?
Posso encomendar? Pago portes e livro.

Judite Castro disse...

Pode ser à cobrança no destinatário
Cumprimentos

Pata Negra disse...

Maceta,
haja bolota, que porcos não faltam!
Abraço da corte

Pata Negra disse...

Manuel,
é a capa claro! o miolo é em papel creme!
Um abraço e bons poemas

Pata Negra disse...

Judite,
Este livro só existe nos circuitos clandestinos! Creio que não é difícil fazer-to chegar!
Bjs

O Puma disse...

Como posso adquirir a tua pérola?
Abraço amigo
Pago-te em escudos

Pata Negra disse...

Puma
reidosleittoes@gmail.com
Um abraço com pérolas

João Miguel Salgueiro Gameiro disse...

Uma vez Rei nunca se perde a Majestade.
Gostei, como sempre.

Maria disse...

Ainda bem que sua Majestade se mantém pela blogosfera aonde o venho lendo com o mesmo gosto que guardaria e leria esta sua real publicação em Livro.
Um beijinho amigo.
Maria

Pata Negra disse...

Maria
Gosto em revê-la. Podemos tratar disso via email.
Beijinhos

Anónimo disse...

O Pata Negra é IMORTAL!

Pata Negra disse...

Ó anónimo, queres dizer que eu posso de deixar de ir ao médico e tomar comprimidos?