domingo, 21 de outubro de 2018

Os vencidos da vida



Os olhos verdes, pequenos e distantes, vistos de perto, como tudo o que é verde, todas as coisas pequenas e todos os olhos devem ser vistos. Eram os teus olhos.

As mulheres frágeis, vazias e amantes, como todas as mulheres que o homem desejava deviam ser. E tu não eras.

Os passos dos homens de sucesso e elegantes como todos os dos que dizem vencer na vida devem ser. Não era eu.

- Que importa esta conversa?! Que interessa o resto?! São frias e mundanas todas as coisas!

Os campos, verdes, grandes e gigantes, vistos de longe, que só não são céu porque existe o horizonte. E no horizonte oposto estamos nós.

O eco dos tratores cantando canções dantes e a visão das ceifeiras aos volantes.
Mas nós continuamos a trabalhar para o pão nosso de cada dia!...

Os dentes dos poderosos e importantes e os bicos das suas damas. Nós seus serventes. 
Tu, a outra, o outro e as mamas da puta desta vida.

Sim, fui traído como o espermatozóide que saiu por uma punheta! Pela porta da traição só entram ou saem os vencidos.

Quero todos os campos cobertos de videiras! Quero todos os olhos pequenos! Quero tudo com vinho!

(um porco pode usar óculos mas nunca poderá fazer uma poema)

3 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Um porco nunca poderá fazer uma poema?
Não estou tão certo disso!
Todas as palavras são as exactas
as mesmas,
com que se escrevem poemas!

Zambujal disse...

... mas tu (porque és rei?) podes!
E fizeste um belo poema. Que muito te agradeço, apesar do "olho ao peito" ter dificultado a leitura...
Dir-te-ei mais coisas oportunamente, porque o poema merece.

Forte abraço

Manuel Veiga disse...

quero tudo com vinho e uma camisa lavada ao Domingo!
tanto me basta!

com vénia, Majestade!

abraço