A poesia não gramatical, o livro sem autor, o vinho, a beata para dois, o grupo da erva, o sexo todo, o pequeno furto, ouvir Paco de Lucía e o que falava Zaratustra, vender flautas de cana na Praça 1º de maio, apanhar o autocarro para Mil Fontes.
- Não me importo de quem tem carros, parelhas e montes!
És cúmplice Emanuela! Afinal partilhámos os mesmos versos, a mesma ideia e o mesmo saco de cama.
Temos, portanto, de ir juntos até ao ponto de fuga da Avenida. Chegar ao fim da tarde, antes de arrumarem as mesas das esplanadas. Ainda a tempo de recordar a lista: tomar consciência de classe; tomar partido; tomar lugar; fazer a nossa parte. E depois beber o último trago na certeza, cada vez maior, que o mundo vai de mal para pior. Vencidos e invencíveis. Dependentes e independentes. Não há nada mais revolucionário do que ser tudo e o seu contrário.
Não, nunca tirámos uma selfie!
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