Há uns anos eu frequentava uma graduação, já não me lembro em quê, e ao fim do primeiro ano a Diretora do Curso quis ouvir a opinião dos alunos acerca do modo como estavam a decorrer as atividades. Reunidos numa sala com as mesas dispostas em "O", chegou a vez de falar a moça mais verbal e despistada da turma que disse:
- Estou a adorar! Dou-me bem com todos os colegas. É um ambiente impecável! Só por isso já vale a pena andar aqui! Sei o nome de toda a gente. Só daquele colega de óculos ali é que ainda não sei o nome mas trato-o por "Amor", é um hábito meu, quando não sei o nome duma pessoa trato-a por "Amor"!
E dito isto, apontando na direção da minha discreta figura, acrescentou:
- Mas já agora, peço desculpa, podes dizer-me o teu nome?
- Olha - também já não me lembro do nome dela - se não te importas eu prefiro que me continues a tratar por "Amor"!
E dito isto, a Diretora do Curso estoirou em ruidosas gargalhadas, no que foi seguida por todos os presentes. Não sei se riam por verem a Doutora a bandeiras despregadas se pelo motivo que a levou a desprender-se do seu estatuto. Como resultado outras colegas, por troça, brincadeira, ou por amor, também me começaram a tratar por "Amor".
Hoje, o meu filho, que teima em conservar uma postura de menino grande e não dispensa a sobremesa sempre que experimentamos um novo restaurante, viu-se assim agraciado pela mocinha que lhe pousou o gelado à frente:
- Aqui tens, meu querido!
Olhámos em coro para a querida e, quando voltei a encontrar o olhar dele, confrontei-me com uma expressão vitoriosa à qual respondi com um ensinamento baseado na experiência:
- Sabes filho, por vezes é preferível que não saibam o nosso nome!... O gelado é doce?
- Não, pai, é querido!


.png)





