quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Como esconder o desejo sexual?

De acordo com o The Independent, uma pesquisa realizada no hospital John Radcliffe, em Oxford, mostrou que, em algumas pessoas, o espirro pode ser provocado por desejos sexuais.
O estudo foi iniciado pelo otorrinolaringologista Mahmood Bhutta, que atendeu um paciente que tinha uma sequência “incontrolável” de espirros a cada vez que tinha um pensamento com conotação sexual. Após atender esse paciente, Bhutta contactou o psiquiatra Harold Maxwell e os dois iniciaram, pela internet, uma pesquisa sobre o tema. Encontraram 17 pessoas que tinham esse problema. Revista Época


ESPIRRO SOB SUSPEITA

Jornal britânico lembrou episódio de 2007, quando a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, espirrou durante encontro com o então presidente da Rússia, Vladimir Putin (à esq.), e o ex-líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev

Afinal não estou só. Não sou de estudos, não ligo muito a estudos, a não ser que me digam directamente respeito e vão ao encontro dos meus problemas. É caso para eu dizer: 17 não, 18!...

Folgo em saber que nenhum dos leitores me conhece pessoalmente, caso contrário, se vier para a rua constipado, vou acabar numa relação.

Até à presente confissão, este era um assunto guardado na intimidade entre mim e a minha companheira. Com um espirro meu, tanto lhe pode dar para sair repentinamente de casa dizendo que vai sozinha às compras, como lhe pode dar para avançar na minha direcção a pretexto dum ponto negro na orelha esquerda. Se espirro enquanto caminhamos na rua, começa a olhar à volta a procura dum motivo para alimentar o ciúme.

Quando começámos a nosso enamoramento levou um tempo até que tivesse aceite que, quando éramos apenas amigos, nem todos os espirros que eu dava tinham a ver com ela.
- Então tinham a ver com outras?!

Há uns dias, quando tive conhecimento desta notícia, expliquei-lhe mais acerca do modo como aprendi a disfarçar os meus impulsos nessa idade:
- Como, na maior parte dos homens, a coisa pende mais para o lado esquerdo, aprendi a ter sempre o lenço e o telemóvel no bolso direito das calças!...
- Tu és um mentiroso! Nesse tempo não existiam telemóveis!

Pois, não sei onde fui buscar esta do telemóvel, posso muito bem pôr as mãos nos bolsos. O pior é que, manda a educação burguesa, quando se espirra se deve pôr a mão, o lenço ou as duas coisas à frente da boca. Por isso, é sempre bom andar com o telemóvel. Atchin!!!...!!!!

Nota: Na eventualidade deste texto ser lido por alguém com o mesmo problema, seria bom que o manifestasse na caixa de comentários. Eu próprio tratarei de passar a informação aos investigadores de Oxford. Quem sabe se não seremos muito mais de 20? Quem sabe se não poderemos vir a formar a Sneezing Syndrome Association of Desire?

000000000000000000000000

OO OOOOOO OOOOO OOOOOOOOO OOOOOOOOOO OOOOOOO OOOOOO

0 00 0000000000000000000000 OOOOOOOOOOOOOOOOOOOO OOOOOOOOOOOOO

não! não são zeros nem ós! são partículas dum espirro que acabei de dar

sábado, 17 de novembro de 2018

Marrem que é vermelho

triste fado o nosso
quando marrar é o nosso maior consolo,
somos filhos da pastagem e do touro,
marramos no preto, no vermelho e no mouro.

marrar em tudo, marrar sempre,
pelo são martinho, pelo natal e pelo entrudo.
marrar por todo o lado e contra não sei quê,
no mercado, nas redes, na tv e nos jornais,
no cais, nos  transportes, no trabalho e à mesa.
gente tesa! cum carvalho!
marra que é demais!
marram nos touros, nas touradas e nos animais.
cornos que deus os dê!
que deus está de todos os lados!

marram no sporting, no porto e no benfica,
porque são verdes, azuis ou encarnados.
marram em tudo o que mexe porque vêem pouco.
marram no vento, no parlamento, no inverno e no governo.

e foi tanto o que se viu na manifestação da CGTP!...

então? não marraram? foi vermelha? foi pequena? foi grande?
gente que deus a dava!...
e, no entanto, não se marra. porquê?...


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Nos cornos e na pele do touro


Doze quilómetros por maus caminhos de terra batida, entre pinhais, lugares, vinhas e milheirais, o homem ao guião, a mulher pendura na traseira do selim da motorizada, sentada de lado por impedimento da saia justa ao joelho, a criança, essa sim escarrapachada, sobre o depósito da gasolina. Fomos à Praça de Toiros de Abiul à primeira e última tourada a que assisti, ao vivo, na vida.

Trouxe de lá a primeira resposta à questão do que queres ser quando fores grande (?), moço forcado, pois claro e, douto na lide pela experiência, comecei a liderar as pegas ao carneiro grande quando ia guardar as ovelhas com os meus primos. 
Também, no recreio da escola, brincávamos às touradas. Aí, rodavam todos por todos os papéis. O que fazia de touro tinha de rodar o cinto de modo a que a fivela e a ponta ficassem na parte das costas para fazer o rabo. Fazia-se a pega como mandam as regras e, na parte do toureio, as garrochas eram as espigas duma erva daninha que se pegavam às camisolas de lã. Eu era bom na pega, no rabo, como cavaleiro, como touro ou como cavalo.

Quando, já jovem, fui a uma garraiada, diverti-me do lado de fora, dono de juízo para não me pôr nos cornos do touro. Ponho-me agora na pele dele.

"É pá! Porque é que estes humanos, que tratam de mim todos os dias, me carregaram agora para  cima desta camioneta? Porventura vão levar-me para outras pastagens. Estou a gostar do passeio. Mas, espera aí, desapareceram os campos, isto para aqui é só casario! Olha, querem que eu desça! Mas para quê, se aqui não vejo erva que se coma? Pronto, querem que eu vá por este corredor além? Vocês é que mandam! Se querem, eu vou! É lá! Tanta algazarra! Nunca vi um espaço assim sem verde! Pasto também não vejo! Ena pá tanta gente! E se gritam! Será para mim? Deve ser, sinto-me o centro. Olha aquele ali com um pano vermelho! Está a meter-se comigo! Vou correr para ele! Cobarde, fugiu! Outra vez? Anda cá que eu te digo! Na verdade até estou a gostar da brincadeira! E parece-me que todos estes humanos que aqui estão à volta também estão a gostar! Venham, venham todos brincar para a areia, vamos fazer uma festa! Até que enfim que vejo um cavalo! Vou ter com ele! Corro atrás dele! Estou a divertir-me tanto! Ai! Então? O tipo bem cheiroso que ia em cima dele espetou-me qualquer coisa nas costas!? Este tipo merece uma cornada nas pernas! Ai vai levá-las, vai! Não fujas cavalo que eu não te aleijo! Eu quero é apanhar esse empertigado que te cavalga! Ai! Outra? Agora doeu! Desta vez não me escapas! Gaita! Estou cansado! Mas o homem insiste em desafiar-me? Vou lá outra vez? Não vou? Não, que ainda me espeta outra no lombo! Mas o gajo está mesmo a pedi-las! Vou! Não fujas! Este cavalo tem cá uma corrida e faz cá umas fintas! Mas o que eu gostava mesmo era de apanhar uma perna do teu cavaleiro! Ai! Ai! Ai! Outra! Estou a sangrar! Este tipo quer matar-me! Desisto? Não sei que faça! Não confio mais em seres racionais! Vejo-os tão contentes! E o gajo bem vestido que me feriu? Todo ele é cagança! Vão embora? Vão embora vão! Eu também ia, mas não vejo forma de sair daqui! Outra vez o pequenote da capa vermelha. Quer festa? Tenho dores. Agora já não me apetece! Não insistas pá! Pronto já vi, queres uma cornada? Vai, vai, vai, ai que te safaste por pouco. E pronto, não vejo saída! Olha-me agora uma manada deles! Que será que estes querem? Olha que vocês não têm cavalos para fugir de mim! Se vêm por bem deixem-se estar! Olhem que eu já não estou para festas! Estão a chamar-me? Querem tourada chamem os vossos pais! Olhem que eu vou! Vou! Ah! Assim eu gosto! Estão a abraçar-me! Cuidado que eu ainda piso algum! Então? Vão embora? Então e tu? Que é que ficaste aí a fazer agarrado ao meu rabo? Gostas de rabos? Porra, já estou farto de andar à volta! Larga lá isso que eu não corro atrás de ti! Estou é com umas dores do caraças! Estou a ver bem? Gaita! Nunca vi tanta vaca! Agora que estou ferido é que mas trazem? Até que enfim que vejo campinos! Finalmente entre amigos! Querem levar-me convosco? Eu vou! Mas vocês não sabem é as dores com que estou! O melhor será mesmo matarem-me. Não me admira nada que seja para isso que me levam! Adeus humanos! Sei que nasci para morrer mas vocês também não escapam!"

Digamos, portanto, que até podíamos, inclusive os touros, divertirmo-nos muito com as touradas. A crueldade dos que espetam por prazer é que é demais. Porque é que não fazem como na esgrima ou no paintball onde ninguém se aleija? É que toda esta polémica das touradas em que, de um lado estão os que gostam dos touros e lhes espetam ferros, do outro estão os que gostam de touros mas nunca deram uma palha a nenhum, começa a ser ela própria uma tourada em que o touro é o cidadão comum. 

Dizem uns: se deixarmos de comer frango de aviário, acabam os frangos de aviário e os aviários. 
Dizem outros: não faço mal a uma mosca e gosto muito de bife de boi preto mal passado.
Haja paciência!
Animal nunca! Porco sempre! 



quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Uma história sem piada


No jardim do Cardal existe um lago circular com uma estátua ao meio, não me lembro se com um peixe a deitar água pela boca, se com um menino a mijar. O lago é rodeado por um passeio com várias ramificações e limitado por um conjunto de colunas de pedra que formam uma pérgula que dá caminho às trepadeiras.

Nós passávamos ali todos os dias a caminho de outros cantos do jardim, com os livros de filosofia e química debaixo do braço e, todos os dias, estava um velho sentado no mesmo banco. Tive intenções de um dia falar com aquele velho mas nunca o cheguei a fazer. Não me lembro se o velho olhava para nós, para o jornal ou para a estátua.

Passou um grupo de jovens de mochila às costas e telemóvel na mão, um deles sorriu-me. 
A esta distância não consigo ver se está um peixe a deitar água pela boca ou um menino a mijar, quanto mais ler um jornal! 

Porra! Mijei-me todo! Provavelmente achei piada a alguma coisa que me passou pela cabeça! O pior é que já não me lembro da piada nem se algum dia passei por este lago e tive intenções de falar com um velho que estava aqui sentado! Não importa! Se não falei então, falo agora! Isto de um tipo falar sozinho dá nestas histórias.

sábado, 3 de novembro de 2018

No Brasil também há outono

é o outono...

tombam as folhas, os bêbados, o brasil

um soldado varre as folhas secas para as esquecer
um copo partido jaz em plena avenida
um facho queima os lábios duma canção do chico


vieram más notícias com as primeiras chuvas
os sinos dobram um enterro de vivos
a um canto da alma

todos sabem que ninguém morreu

não há estação nem mau tempo que resista  
às forças vivas de povos acossados
aos versos imortais dos seus cantores

por cá abril também não se conteve
nada está concluído
até já brasil
espero-te em breve

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A Grande Manifestação Nacional do Dia 15 é feita de nós


Do outro lado da rua onde moro também há casas com janelas e, como é natural, há uma janela que encaixa mais no ângulo da minha janela. Como é natural,  estando-me nas tintas para que seja observado daquela janela, observo diariamente que atrás  daquela janela vive uma mulher que anda em casa de um lado para o outro, que às vezes fica imóvel e, que às vezes, vem à janela. Como faço esta observação há alguns anos, sei que aquela mulher, tal como eu, vive sozinha, tal como eu tem uma certa idade, que se está nas tintas para que eu espreite a sua intimidade e que também lhe é indiferente a minha. Sei também, do que tenho observado, que aquela mulher não tem gato nem tem cão.

No fim de contas, tal como eu, aquela mulher é uma das mulheres da rua, uma das mulheres da cidade, uma das mulheres do país, salvaguardando que eu sou tudo isso menos mulher. 

Não tem gato nem cão mas tem um bácoro. Sim, um bácoro! Vive lá para trás da casa mas, de vez em quando, escapule-se do quintal pela porta das traseiras, atravessa a casa e sai pela porta principal. Depois é esperar pela solidariedade da rua para que, cercado, se veja obrigado a fugir pela  única saída, que é  afinal a entrada do número sete. Eu, que vivo no oito, nunca dei um passo para a recolha e limito-me a observar a tourada da minha janela, desconfio que o leitão não é de estimação nem é sempre o mesmo. Se fosse o mesmo já seria um porco! Estou convencido que a mulher o cria para depois o comer.

Aparentemente esta história, esta janela, esta mulher poderiam ser indiferentes a esta rua, a esta cidade, a este país. Acontece que hoje mesmo, véspera do Bolinho, a mulher agitou, da janela dela para a minha, um chouriço enquanto me inquiria se eu queria um. Se fosse eu o ofertante poderia ser mal interpretado! Mas uma mulher é uma mulher e, em resposta ao meu aceno positivo, não tardou à minha porta com a oferta, não sem que trouxesse acompanhada uma pergunta:

- O senhor vai à Manifestação Nacional do dia 15?
- Ó minha senhora, nem o Bolinho a 1, nem o São Martinho a 11, o meu próximo grande dia é o dia da Grande Manifestação Nacional do dia 15!

Eu sabia que teria de ter alguma coisa em comum com esta mulher, alguma coisa que muitas outras mulheres e homens têm em comum! Homens e mulheres únicos na sua rua, na sua cidade, no seu país, na sua luta e  que, com outras mulheres e homens únicos, fazem uma rua, fazem uma cidade, fazem um país, fazem uma Grande  Manifestação.

- Só por isso, por ambos irmos, o senhor devia convidar-me para lhe ajudar a comer o chouriço!
- Vamos, temos de acertar o amor com que dia 15 vamos tratar da nossa vida e da Grande Porca!

Aparentemente esta história não tem sentido. Que importa as histórias não terem sentido se conseguirmos dar aos dias o sentido histórico que eles exigem?

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Depois de reconhecermos o casamento gay , está na hora de aceitarmos a poligamia


Qual será mais avançada, uma religião que obrigue à monogamia ou ao celibato ou uma outra que permita a poligamia?

Quando eu andava lá, no seminário, pedi namoro a uma rapariga e ela disse que não porque eu andava no seminário. Ele há cada razão para dizer não!...

Apesar do povo, lá da terra, me elogiar a vontade de querer ser padre e ser da opinião que os padres tinham quantas mulheres queriam, como o caso se tivesse repetido com outras moças acabei por perder a vocação e abandonar o seminário.

Como o seminário me induziu uma maturidade prematura, acabei por começar a sentir inclinação por mulheres mais velhas. Acontece que nas minhas investidas era sempre confrontado com o argumento de que eram casadas! Ele há cada argumento!...

Acabei por casar, note-se, com uma mulher e, a partir daí,  virou tudo do avesso. Virei mais jovem e comecei a apreciar as mulheres mais jovens. Só que, quando abordava alguma, vinha sempre a justificação de que eu era casado. Ele há cada justificação!...

A mulher com quem casei diz que me ama e que não deixaria de me amar por eu ser padre, ela casada ou eu casado. Mas, quando avancei com a proposta avançada da poligamia, ela não percebeu nada das minhas intenções e respondeu-me que para aturar homens já lhe bastava um. Ele há cada uma!...

Como é chalaça velha, essa de se dizer que se dorme com uma pessoa casada, e tenho em muita consideração a opinião do povo, estou a pensar seriamente em reconsiderar a minha vocação, e enveredar pela carreira clerical, até porque, ao que parece, já não existem seminários. Não me venham é depois com a desculpa que "não porque tu és padre!"

Espero bem que não! Voto de celibato sim mas não de castidade!
No fundo, será uma forma de  contornar a proibição da poligamia, indo ao encontro da tolerância popular relativamente às relações do clero com o sexo oposto e de pôr à prova a afirmação e o amor da mulher casada com quem vivo.
Eu até gosto dela mas, afinal de contas, gostar tanto de mulheres e só viver com uma, não é vida!

domingo, 21 de outubro de 2018

Os vencidos da vida



Os olhos verdes, pequenos e distantes, vistos de perto, como tudo o que é verde, todas as coisas pequenas e todos os olhos devem ser vistos. Eram os teus olhos.

As mulheres frágeis, vazias e amantes, como todas as mulheres que o homem desejava deviam ser. E tu não eras.

Os passos dos homens de sucesso e elegantes como todos os dos que dizem vencer na vida devem ser. Não era eu.

- Que importa esta conversa?! Que interessa o resto?! São frias e mundanas todas as coisas!

Os campos, verdes, grandes e gigantes, vistos de longe, que só não são céu porque existe o horizonte. E no horizonte oposto estamos nós.

O eco dos tratores cantando canções dantes e a visão das ceifeiras aos volantes.
Mas nós continuamos a trabalhar para o pão nosso de cada dia!...

Os dentes dos poderosos e importantes e os bicos das suas damas. Nós seus serventes. 
Tu, a outra, o outro e as mamas da puta desta vida.

Sim, fui traído como o espermatozóide que saiu por uma punheta! Pela porta da traição só entram ou saem os vencidos.

Quero todos os campos cobertos de videiras! Quero todos os olhos pequenos! Quero tudo com vinho!

(um porco pode usar óculos mas nunca poderá fazer uma poema)

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O rebanho dos zé-ninguém, as ovelhas, os cães, os lobos e os cabrões.


Não devo ser o único que reteve o nome de Wilhelm Reich por ele ter escrito um livro com o nome, arriscado para a época, " A função do orgasmo". Também não devo ser o único que já ouviu falar do livro mas nunca o leu. No meu caso a temática diz-me pouco, sobre o ponto de vista intelectual, é claro.

Acontece que vim a travar conhecimento do autor através duma obra com o título traduzido, "Escuta Zé Ninguém" e que li, assim num só jogo, num dia cinzento de janeiro de 79. Na altura a leitura marcou-me tanto que a recordo mais que o meu primeiro orgasmo que me acontecera alguns anos antes. Aliás, desse episódio, retenho fraca memória, não me lembrando sequer se ocorreu sozinho ou com companhia.


Do "Escuta Zé Ninguém" ficou-me o hábito de fazer uma auto-crítica contínua de modo a ter consciência dos atos ou opinões em que estou a ser um zé-ninguém. 


Se não fossemos todos uns zé ninguém, poderíamos ter mais controlo sobre o nosso destino e sobre a História. Mas não, não passamos dum rebanho conduzido pelos latidos dos cães que agem às ordens do grande monstro capitalista. Os pastores existem apenas no nosso imaginário religioso. Umas centenas de indivíduos anónimos, põem e dispõem do nosso quotidiano, tendo ao seu serviço os políticos e as instituições que nos governam. As pessoas do povo não passam de ovelhas, cabras, carneiros, cordeiros ou cordeirinhos mansos. Existem também as ovelhas negras, que barufastam mas não fazem mossa; os lobos que causam prejuízos aos donos disto tudo, fazem frente aos cães mas não poupam o rebanho. 



Retiro o que disse: não sou um zé-ninguém, não sou caprino ou canino. Embora dominado, o serviço que farei aos cães da frente e aos senhores, sim aos senhores, do mundo, será sempre ser porco, porco para com eles, bácoro para o povo e rei para os leitões.  Com isto tudo já me esquecia de chamar aos capitalistas, cabrões.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Bichinho do Teatro


Carlos Bicho, Carlitos no meio familiar, Bichinho entre os colegas, já tinha tido a experiência de actor na peça os Três Porquinhos, em pequenino mas era agora, já de buço, a primeira vez que pisava palco com pano e luzes numa sala de plateia cheia e às escuras.

O pai fizera-se à mãe, quando jovens se encontraram a sós num recanto dos bastidores do teatro da colectividade, ele ponto, ela contra-regra e honraram esse encontro mesmo depois de extinta essa actividade, participando como público em tudo o que era teatro, fosse na aldeia, na cidade, no Carmo ou no Trindade.

A professora Gertrudes era professora de português e honrava a sua profissão como especialista em Maias de Essa, amante de Camões e mulher de Gil Vicente. Da mesma forma que só lavava com Omo, só barrava o pão com Planta e só bebia Sagres, limitava orgulhosamente a sua cultura literária a este trio.

Há muitos anos que encenava com os seus alunos o Auto da Barca. Um lençol branco e outro vermelho a cada um dos cantos do palco; cada um com três cantos presos, um em cima e dois em baixo, de modo a fazerem vela triangular; na base deles mais dois lençóis castanhos presos a três cadeiras e a formar arco faziam as barcas; uma moça meiga em fato de comunhão solene a fazer de anjo; um moço espevitado, com rabo e cornos de diabo; o resto da turma nos restantes papéis; com jeito ou sem jeito, com brancas ou com rimas e “ó da barca” soavam as pancadas.

O pai do Carlos além de se auto-considerar com currículo de espectador, suficiente para desprezar as competências da professora encenadora, recomendou ao filho a recusa do papel secundário que lhe fora anunciado e acrescentou:

- Tu dizes-lhe que, em vez de participares na peça, preferes fazer uma recitação poética no final! Ela que não se preocupe com a escolha que eu trato disso!

Realizados o auto e os aplausos, Carlitos foi apresentado e apresentou-se sozinho, frente à ribalta, focado por um potente projector.

Todo ele e tudo nele abanava. De voz a abanar tentou começar. Nos rápidos pensamentos que lhe abanavam a cabeça pensou no que o pai, espectador, estaria a pensar. Não o conseguiu distinguir na penumbra da assistência repleta de olhos escuros e faces sombrias. Tentou novamente a primeira palavra. O olhar da professora Gertrudes à frente da fila da frente cortou-lhe a primeira sílaba. Sentiu um líquido viscoso escorrer-lhe pelas calças abaixo. Era o golpe final. Só lhe restava desistir corajosamente. Deu meia volta em direcção ao fundo do palco, esperou risos de troça e só ouviu silêncio, convenceu-se que com a luz intensa toda a gente via as calças claras com a mancha escorreita e escura e num acesso de raiva, virou a cara ao público e declamou:

- Caguei para isto tudo!

E dito isto, saiu das luzes com uma bomba de gargalhadas a estoirar entre estilhaços de palmas a aplaudir.

A professora Gertrudes que além de Essa, Camões e Gil Vicente também adorava microfones, subiu ao palco, cantou desculpas por esta mas também por outras quaisquer coisinhas e chamou ao palco a directora, o presidente, a vereadora, o pároco e a senhora que emprestara os lençóis.

Fora de cena, sob o fundo dos discursos que duravam mais tempo do que a própria peça, sob as salvas pedidas a este e àquilo, que eram mais devidas que aos actores, pai e mãe consolavam o filho:

- Estiveste bem! Foste verdadeiro e ninguém viu! Foste o verdadeiro actor! O público aplaudiu! Que mais queres tu?
- Quero ir para casa para mudar de calças!

NOTA: Se essa o incomoda leia os comentários.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Tenho muito a fazer pelo Brasil mas só isto a dizer...


isto não é um poema

desabafo
que não pude não
fazer e não pude fazer
de outra forma
que não fosse
assim
fatiando as frases
no espaço
aqui
hoje
eu vi
aterrorizado
um artista assassinado
Moa do Catendê,
mestre de capoeira,
autor do Badauê —
por conta de uma divergência política num bar
da Bahia
depois corri o dedo
sobre a tela e
vi e ouvi
arrepiado
Luiz Melodia
(também negro e compositor,
também com o cabelo rastafari,
como a vítima do post anterior)
cantando
“no coração do Brasil”
e repetindo muitas vezes
esse refrão
“no coração
do Brasil”
“no coração do Brasil”
que tento sentir
pulsar ainda
entre a luz de Luiz
e a treva
desse buraco vazio
que não pulsa mais no peito
de Moa do Catendê
e “não existe amor em SP”
ou “no coração do Brasil”
fraturado
nesses dias
brutos
de coturnos
chucros
a chutar a cara
de quem
ama
arte
cultura educacão
liberdade de expressão
diversidade
cidadania
solidariedade
democracia
mas não se dá
a mínima
o que importa é se subiu
a bolsa
caiu
o dólar
se todos vão prosseguir
seguindo
docilmente para o abismo
nessa insanidade coletiva
em que o Brasil nega
qualquer Brasil
possível
cega
qualquer futuro possível
e o ódio
o horror e o
ódio
e nada que se diga faz sentido
mais
para quê
expor na cara desses caras
a palavra explícita
(gravada em vídeo e repetida, repetida, repetida)
do seu “mito”
dizendo
“eu apoio a tortura”
“eu defendo a ditadura”
“eu vou fechar o congresso”
“não servem nem para procriar”
“não te estrupro porque você não merece”
“a gente vai varrer esses vagabundos daqui”
“o erro foi torturar e não matar”
“viadinho tem que apanhar”
etc etc etc etc etc
e tudo mais
que repete incansavelmente
há anos
ante câmeras e microfones
para quê mostrar de novo
e de novo
o mesmo nojo
se é justamente
por isso
que o idolatram?
e sempre haverá
os que vêm disfarçar
dizendo:
“estamos entre dois extremos”
“sim, mas veja a Venezuela”
“é para acabar com a corrupção”
“nós queremos segurança”
ou
“não é bem assim...”
enquanto constatamos cada vez mais
que sim,
é assim
mesmo, é assim
que é
mas
como li por aí:
“como explicar a lei Rouanet para quem
ainda não assimilou a lei Áurea?”
ou: como explicar a lei da gravidade
para quem ainda crê
que a terra é plana?
e querem defender sua ignorância com dentes
e garras
querem
matar atirar vingar
a quem?
em nome de quem?
(pátria, família, propriedade, segurança?)
se nessa seara não há direitos
nem respeito
ensino ou dignidade
só horror e
ódio, ódio
e horror
as palavras perdem a clareza
os valores perdem o valor
a vida perde o valor
Marielle
remorta remorrida rematada
por sua placa
rompida rasgada desonrada
pelas mãos truculentas de
brutamontes prepotentes
com suas camisetas estampadas
com a face do coiso
que redemonstra sua monstruosidade
quando vende
em seus próprios comícios
camisetas de outro
ultra-monstro
ustra

aquele que além de torturar
levava crianças para verem
suas mães torturadas

e esses mesmos
abomináveis
que, diante de uma claque vergonhosa,
se orgulham
de terem
rasgado as placas
com o o nome Marielle Franco
estão sim
agora
eleitos
satisfeitos
mas não saciados
de todo o sangue
de inocentes
que há de correr
só por serem
diferentes
excitando em outros
o desejo de exercer
seu obscuro
poder
de milícia polícia esquadrão da morte
e o anúncio da Rocinha metralhada
como solução
a barbaridade finalmente
institucionalizada
como diversão
o Brasil finalmente
sem coração
fora da ONU
e dos acordos internacionais pelo
meio-ambiente
sem controle
de sensatez ou mentalidade
sem limite humanitário
“não vai ter ong!”
“não vai ter ativismo!”
“não vai ter mimimi!”
bradam
cheios de si e de ódio
criminosos contra o crime
opressores pela família
amorais pela moral
apesar de todos
os alertas
da imprensa internacional
de esquerda, de centro, de direita
só não vê quem não quer
a tragédia anunciada
divulgada
não como boato
mas escancarada
-mente
enquanto
empoderados pelo discurso
de ódio
de horror e ódio
seus eleitores
já saem pelas ruas
dando tiros
e gritos
enxurradas de fakes
suásticas nazistas gravadas com canivete
na pele da menina
que usava “ele não” estampado na blusa
e a promessa de violência desmedida
se concretizando
antes mesmo de começar o segundo turno
e nem um centímetro de terra para os índios
e nem um pingo de direitos civis ou humanos
e a volta da censura e o ódio,
o ódio, o horror
e o ódio
pra encerrar de vez
o sonho de uma nação
que tem a chance
de dar ao mundo
sua contribuição
original
agora fadada a repetir o que de pior já houve
na história
sem história agora
sem Museu Nacional
nem cultura nem educação
abolir filosofia e arte
em seu lugar:
moral e cívica
escola militar
religião
geografia dos lucros e dividendos
massacre das minorias
horror e ódio
e ódio
e horror
crescente permanente enquanto dure
pois ninguém larga o osso assim tão fácil
depois de um golpe
que precisa parir outro golpe
ou autogolpe
alimentado por todas as fakes e facas
contra as costas de artistas
como Moa
mas na cabeça de quem apóia
tudo se justifica:
o fascismo
a tortura dos presos
o sumário julgamento sem juri
autorização dada à polícia
para matar
e o ódio aos pobres
as blitzes ostensivas
a guerra declarada
dos que aceitam assassinos para combater bandidos
se está tudo invertido mesmo
pobre elegendo milionário,
pelo avesso e ao contrário
então se autoriza a sórdida
barbárie
dos fortes contra os fracos
algo está muito doente
no Brasil
no descoração do Brasil
que mente, se omite, agride, regride
para avançar sem freios
em direção ao fascismo
seguindo a música hipnótica do
ódio,
horror e ódio
pregados em igrejas
em nome de Deus
e de Cristo
só desamor em nome de Cristo
violência e brutalidade em nome de Cristo
armas e tortura
e preconceito em nome de Cristo
de Deus e de Cristo
armar a população
para metralhar os adversários
os diferentes
os miseráveis
os favelados
os do outro lado
os que se manifestam
ou contestam
ou pensam de outra forma
ou se vestem
de outra cor ou tem
outra cor ou
qualquer pretexto
que se crie
para espalhar o ódio, o horror
e o ódio
do machismo ao estupro
da mentira ao linchamento
do homicídio ao genocídio
(“tinha que ter matado pelo menos trinta mil!”)
já sem democracia
palavra vazia
em boca
de quem compactua
(e não são poucos)
pensando ser
possível
alguma forma de
neutralidade
nesse momento
como Pilatos
lavando as mãos
a chamada mídia
tenta fazer média
ao dizer que os dois lados são igualmente
extremistas e perigosos
mas então
onde estavam nos últimos três mandatos
e meio
antes do pesadelo Temer?
estavam numa ditadura comunista
e não sabiam?
na verdade
todos sabem muito bem
que o extremismo
vem de um só
lado, que
quer se eleger para acabar
com eleições
e que o grande perigo é mesmo
esse jogo
de equivalências que,
na verdade
serve ao monstro
pois a omissão é missão impossível
neste agora
impossível
mascarar o sol
da ameaça
hostil e explícita
do nazismo
crescente
com a peneira furada
de um bom senso
mediano hipócrita indiferente
que sempre
vai dizer:
sim, mas a Venezuela...
como se não tivéssemos ouvido exatamente isso
em 64,
quando diziam:
— Sim, mas Cuba...
para justificar a ditadura militar
que tanto elogiam
hoje em dia
e que o atual
presidente
do nosso Supremo Tribunal Federal
decidiu
que agora vai chamar
de “movimento”
em vez de
“golpe militar”
para adoçar um pouco a boca
amarga
do sangue
impregnado
que não vai sumir assim
mudando a nomenclatura
desnomeando a já tão dita
“ditadura”
mas esse des-
-equilíbrio
ético
que diz
preferir uma autocracia
perfeita
a uma
defeituosa
democracia
esse
erro
que nenhum arrependimento será
capaz de reparar
quando for tarde
demais
ainda dá
para evitar
ainda
é tarde
de menos
para
conter
ainda dá                     
para conter o ódio
o horror e o ódio
ainda dá

Isto não é um poema - Arnaldo Antunes / Tribalista

humildemente transposto d"as palavras são armas"

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O Chouriço do Custódio



Albertina casou tarde e enviuvou cedo sem que lhe tenha vingado prole. Deixou-lhe o falecido, gado e fazenda suficientes para não morrer de fome e trabalho para não ter tempo para encantar outro de companhia.
Eram os dias em que teria de levar a porca ao porco e o porco mais falado daquele ano, era o do Custódio, casado e sem filhos, o qual levava por emprenhamento um chouriço por cria.

Levou, ciosa, o cio da porca aos currais do cobridor, com um baraço, uma verdasca e uma saca de milho para lhe acertar o caminho. Custódio abriu a porta, ajudou a empurrar a porca para dentro e fechou o ferrolho. Ambos ficaram de braços na cerca, de olho no entusiasmo do macho e no jeito da fêmea mas nada acontecia.

- Ó homem vai lá tu! - queria dizer ela encaminhar o porco ou ajeitar o rabo à porca...
 E, quando acabou de insistir pela terceira vez, riu-se de embaraço por ter reparado na asneira que repetira. Reparou também que Custódio desapertara o cinto e rogou-lhe por Deus:
- Ó homem não castigues o animal!
Quando o viu baixar as calças pensou para consigo:
- Ai este raio que me vai dar cabo da porca! Eu nem quero pensar o que ela pode parir!

Albertina resistiu por instinto mas acabou rendida pelo desejo sobre um carro de rodas onde ambos se envolveram em duas valentes...  - faltou-me agora o termo... ou rima!... mas já  agora que, como narrador, pus o bedelho no enredo, aproveito para um conselho:
- Albertina, lá por não os haver, não quer dizer que não te tenhas metido em maus lençóis!

Consumado o ato  humano, ainda em recomposição, espreitaram para o lado de dentro do curral onde, agora sim, os animais faziam a sua parte num infindável coito que ambos classificariam, em pensamento, como invejável.

As coisas aconteceram, as coisas acontecem e, ao fim de doze semanas, a porca pariu doze bácoros. Custódio não reclamou a dúzia de chouriços.
Ao fim de seis meses Albertina foi aos Doze com os leitões. Custódio, encontrou-a e disse-lhe:
- Albertina, que barriga é essa?!
Albertina, cúmplice do seu estado, fez silêncio.
Ao fim de doze meses, tinha o menino, portanto, já três meses, envergonhada por ter copulado com homem casado, Albertina continuava a recusar identificar o nome do pai, o que muito irritava os curiosos e ainda mais o padre que, como ministro da confissão, se achava no direito de tudo saber.

Mas, ao fim de trinta e um meses,  na Festa de Santa Madalena, deu-se o trinta e um:
Custódio, dirigiu-se a ela e referindo-se ao menino que  trazia ao colo:
- Então, como é que se porta o chouriço?!
Albertina, recordando o modo submisso com que se entregou sobre o carro de rodas, insubmissa, atirou de alto e em som para que toda a gente ouvisse
- Não me fodes outra vez! Um grande chouriço me saíste tu! Agarra-o que é teu filho!

Custódio ficou com o menino nos braços e chorou. A mulher dele, dando de caras com a cena, largou-lhe uma deixa de palavras coradas:
- Aí tens nas mãos o que eu, pelos vistos, não te consigo dar!

E o arraial animou-se de tal forma que ninguém foi julgado ou foi juiz, Custódio continuou a viver com a mulher, a mulher continuou amiga de Albertina, o padre renunciou ao celibato e casou com Albertina.

Hoje em dia, na aldeia, já ninguém vai com a porca ao porco, já ninguém vai estudar para padre e toleram-se com mais abertura certas paixões de ocasião. Contudo, mudados os tempos, o puto nunca se livrou de ter como alcunha "O Chouriço do Custódio".


domingo, 7 de outubro de 2018

Não tenho pena de Cristiano Ronaldo



Ó menino Cristiano, isto dos problemas na vida não pode calhar sempre aos mesmos! Preocupam-me muito mais os resultados eleitorais no Brasil do que o teu caso com a justiça americana! Registo apenas que entre tu e essa mulher, um dos dois é vítima e um dos dois está a mentir! Mas olha, é o que acontece a quem goza dos belos prazeres entre a gente rica americana, a quem dorme em luxuosos hotéis e anda em altos carros!
Tivesses tu um velho volkswagen carocha e podia ser que a justiça resolvesse o caso assim:

A moça recorreu à justiça, acusando o namorado de a ter violado.
- Diga-me lá menina o que lhe aconteceu.
- Então o meu namorado convidou-me para dar um passeio no seu carocha...
- E a menina foi?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência, fui!...
- E conte lá, depois...
- Depois parou o carro numa mata...
- E a menina não disse nada?
- Ó senhor juiz, eu na minha inocência, pensei...
- Sim, mas conte lá...
- Depois começou a fazer-me umas festinhas...
- E a menina não reagiu?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência...
- E depois, que lhe fez ele mais?
- Tirou-me as cuequinhas e....
- E a menina deixou?...
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência deixei...
- Então e a seguir?
- A seguir mandou-me ir para o banco de trás...
- E a menina foi?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência fui!
- Foi e depois?
- Depois abriu-me as pernas...
- E a menina não estranhou?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência...
- Abriu as pernas e?...
- Disse-me para as estender e enfiou-me cada um dos pés naquelas pegas que estão por cima das portas.
- E a menina não resistiu?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência ...
- Ó menina vá-se embora que inocente sou eu que há vinte anos que tenho um volkswagen e ainda não tinha percebido para é que servem as pegas!!!