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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A incrível história do casal que ganhou o euromilhões.

“Sendo – quase ­– certo que nunca irá ganhar o primeiro prémio do euromilhões, viva ao menos essa experiência, lendo a incrível história dum casal que a viveu”

Eh pá! Desculpem lá aproveitar este meio para este assunto mas para um autor-menor ser lido vale tudo!

Publiquei mais um livro e quantos mais despachar melhor! 

Mensagem privada com a vossa morada. Todas as semanas vou ao correio despachar as encomendas, dão-me nove em vez de oito e recebem em casa "A incrível história do casal que ganhou o euromilhões".

Ou então na FNAC online ou na Bookmundo online, clicando nas ligações assinaladas.  

A sinopse reza assim:

"Francisca e Jacinto levam uma vida simples em Vale dos Ovos até descobrirem que ganharam o Euromilhões. A fortuna, porém, não lhes traz paz: pesa-lhes o segredo que decidem guardar para proteger a tranquilidade e evitar a cobiça alheia.

Forçados a abandonar o trabalho e a lidar com o vazio da ociosidade, veem-se obrigados a inventar desculpas para explicar o novo conforto financeiro e a construir uma teia de mentiras que, pouco a pouco, se torna o seu principal entretenimento.

No quotidiano em que se escondem, começam a questionar quem são e quem podem fingir ser. A riqueza expõe tensões, desperta consciências e mostra-lhes que o dinheiro não traz felicidade automática, mas oferece a liberdade – e a tentação – de reinventar a própria identidade.

A história transforma-se numa sátira social sobre inveja, classe e o preço absurdo de tentar viver como pobre quando se está podre de rico."




sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Uma ideia de prenda

O Natal dos nossos tempos cumpre-se com prendas. Quantos não vivem, nesta época, angústias por não saberem o que oferecer a determinadas pessoas? Mas que prenda é que eu vou dar a esta pessoa? Depois, o problema é que é difícil resistir à aparente inevitabilidade de ir ao centro comercial e engordar, com as nossas compras, o grande e insaciável “natal-capital”.

Por acaso, eu não tenho esses problemas. Para mim, prendas são garrafão de vinho, garrafão de azeite ou garrafão de literatura, adquiridos obrigatoriamente em mercados tradicionais ou paralelos.
O vinho e o azeite podem fazer mal à saúde; os livros, não.

Para mim, se não me oferecerem um livro, comprarem-me um ou dois já seria uma bela prenda.
Enviem-me a morada e ele vos chegará. Campanha de Natal — 10 euros a peça, incluindo portes.

Ou então compre na FNAC - online.







sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Prefácio

O destino, caprichoso como é, decidiu mudar a vida de um casal simples, habituado ao pão contado e à vida discreta: ofereceu-lhes aquilo que muitos sonham e quase ninguém alcança – o primeiro prémio do Euromilhões.

O que poderia ser apenas uma história de riqueza fácil e ostentação transforma-se num conturbado enredo de segredos, lorotas e dissimulações. Cada justificação, cada meia palavra, cada aparência mantida é parte de um jogo delicado, em que a ganância alheia é sempre uma ameaça à espreita. Os protagonistas vão descobrindo que não é fácil ser rico às escondidas, ao mesmo tempo que vão mostrando que, por vezes, a maior riqueza não está nos números que brilham num talão premiado, mas na capacidade de reinventar a vida sem deixar rasto.

Este livro não é apenas a crónica de uma sorte improvável: é um retrato da condição humana, das máscaras que vestimos para proteger o que nos pertence, e das ironias que se podem esconder no diário de pessoas do nosso convívio. Um convite ao leitor para espreitar, com cumplicidade, os bastidores de uma vida dupla – simples por fora, literalmente rica por dentro.

Transformador Generativo Pré-treinado

sábado, 27 de setembro de 2025

Saiu-me pior que a encomenda

 Conversa no messenger:

- Como faço para encomendar o livro?

- Teré téu téu! 

- Teré téu téu.

- Por transferência, mbway, uma nota de 10 num envelope pelo correio ...

- Morada - xxxxxxxx

Nem queria acreditar! A 200 metros de mim em linha reta, um pequeno quintal, um muro alto, um  portão alto, uma casa entre casas, deixa-se ver apenas o telhado e uma janela de águas furtadas. Podia lá ir eu, diretamente, colocá-lo na caixa do correio. 

Mas não. Gosto dum pretexto para ir à vila, entrar na estação, tirar a senha, acenar a cabeça a um conhecido, fixar um rosto que ficará retido na memória e deixará de me ser cara estranha, apreciar os movimentos do espaço e do balcão, uma envia um vale de correio, um casal trata dos seus certificados de aforro, uma idosa levanta a reforma, um logista levanta uma encomenda. Topo os livros... 

- Não nos bastavam os supermercados e as feiras de artesanato a venderem livros, agora até os CTT já vendem livros! Os livros compram-se nas livrarias ou encomendam-se ao autor pelo correio!

Chega a minha vez. Levo sempre o dinheiro trocado, 56 cêntimos se for um, 1 euro e 12 cêntimos se forem dois, 1 euro e 68 cêntimos se forem três. O funcionário esboça um sorriso aliviado por não ter de fazer o troco.

Adelaide Silva. Há anos que a vejo sair do carro para fechar ou abrir o portão enquanto aguardo que a rua fique desimpedida, é então que tenho oportunidade de espreitar para o pátio e conhecer um rasgo do território que está para lá do muro alto. Entra novamente no carro, quase sempre desprezando-me  embora, algumas vezes, já sentada no habitáculo, me deixe dúvidas se ajeita o retrovisor ou me acena com um obrigado ou um desculpe.

Ou então embirra com a minha cara de homem que, desta forma, já lhe conhece bem os traços e os jeitos para a reconhecer, ao longe, no areal da Figueira. Os homens daqui são assim, muito machos, ler livros para eles é coisa de mulheres.  Elas leem mas não vão dirigir-se a uma cara que tão bem reconhecem pela caricatura da capa - comprava-lhe um livro mas ele é um trombudo!

Ora essa! Nas palavras cruzadas diz-se que "não fazem milagres" e eu convivo bem com isso! Aliás, nem sei bem onde enfiar o olhar, a próxima vez que vir a Adelaide.

Herdou a casa, já me tinham dito. Era bailarina, teve um entorse ou as pernas não davam mais e veio refugiar-se aqui entre muros. Sabe-se que quando se ausenta, deixa o portão fechado a cadeado e vai a Lisboa para se atualizar, cuidar-se ou passear.

Deve ler muito para, não sei porque meandros, me encomendar um "homem". Duvido que sonhe que vivemos a 200 metros um do outro em linha reta. Desvendar a coincidência, tal como desenvolvermos conversa, seria embaraçoso. Por isso, de meu preceito, escolhi o caminho mais fácil, fui aos correios à vila para enviar um "homem" para uma vizinha. 

10 euros, incluindo 56 cêntimos, mais gasolina e envelope com remetente para devolução em caso de problemas com o destinatário. Estraguei tudo! Ontem abri a caixa de correio e tinha um bilhete: 

"Gostei muito! Gostaria de trocar umas palavras consigo sobre o homem que me persegue. Toque na sineta que está ao lado do portão."

E agora?


 

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

No Caminho

-  Quanto é que pagaste para te publicarem o livro? Foi muito caro?

-  Ganhas, ao menos, algum dinheiro com isso?

Questões clássicas que os mais atrevidos me colocam. Como se desconstruir os sonhos em palavras e gravá-las no objeto livro, tivesse de ser avaliado na fatura duma gráfica ou no somatório da coluna "receitas" duma folha de cálculo.

O que não sabem é que publicar um livro não é como apresentar aos amigos um móvel que se fez para a casa de banho, os livros são paridos, expulsam para a luz vida que já não cabe em nós.

Não, eu não paguei para publicar.  Paguei com horas de transposição para o teclado, pensamentos que se reuniram e formaram na parada da noite, soldados que sobre o meu comando desfilam nesta coreagrafia pretensiosamente literária ou, se quiserem, com mais modéstia, apenas uma história que se inventa e conta. Ganho por acreditar no prazer que pode gerar cada exemplar impresso nas pessoas anónimas que gostam de ler e no processo de realimentação - em inglês "feedback" - que algumas vezes recebo com um "tá porreiro pá".

- Hoje em dia qualquer um pode publicar um livro! Dizem-me alguns desvalorizando-me sem intenção.

E eu observo: 

Que mal há nisso que eu só vejo bem? Ainda bem que o livro deixou de ser apenas democrático do lado do leitor e passou também a ser democrático do lado do escritor.

Pronto, finalmente o Caminho do Fim da Terra chegou à FNAC online.

Para quem preferir pode sempre contactar-me que eu próprio o envio. Terei todo o prazer nisso.


quinta-feira, 24 de julho de 2025

Novo livro com a patada negra

Dizem que eu tenho mau feitio mas muito jeito para marketing. Isto é muito simples: publiquei mais um livro, quem quiser comprar compra e quem não quiser não compra!



domingo, 29 de junho de 2025

Rei dos Leittões volta a publicar

Gostamos mais de papel, quer se trate de livros, quer se trate de dinheiro: eis a razão primeira que me levou a voltar a publicar. 

O Caminho do Fim da Terra é um livro de bolso para ler num dia de verão e pode interessar a três tipos de leitores: a quem já foi a Santiago a pé, a quem nunca foi a Santiago a pé mas pretende ir, a quem nunca foi nem nunca irá a Santiago a pé.

SINOPSE:

Sete Pés é um jovem que perde a mãe, ficando sem família. Sentindo-se livre, resolve então dedicar-se àquilo que mais gosta de fazer - caminhar - e parte para Santiago de Compostela. Durante o Caminho conhece Marie France, com idade para ser sua mãe, e prolonga com ela o Caminho até Finisterra para viverem uma paixão. A chegada a Finisterra, meses mais tarde, é ensombrada pela morte e Sete Pés é preso sem fazer questão de provar a sua inocência. 


O Caminho do Fim da Terra pode ser pago por meios digitais. Dez euros com portes de correio - é só dar a morada. Se for entregue em mão e pago em papel, é menos um euro.

À venda na Bookmundo online:
Pagamento por Multibanco, Cartão de crédito, PayPal ou MBway.
É um livro de bolso para ler num dia de verão. Também é bom para oferecer a três tipos de pessoas.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

O homem que me persegue já vai longe.

A personagem Pata Negra, Rei dos Leittões, acaba de lançar um livro com o pseudónimo João Rato. O autor, que está por detrás da personagem, do monarca da pocilga e do pseudónimo, disse a propósito do homem que o persegue:

- Ninguém acredita em mim, acabou o tempo da verdade.
Não perceberam? Querem que faça um desenho? Fiquem com um filme e comprem a porcaria do livro!


sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Se não há desculpa para não comprar, é melhor arranjar razão para não ler!

(Desculpem lá aproveitar-me do espaço da pocilga para denunciar o "homem que me persegue" mas não tenho ao meu alcance muitas outras formas de divulgação).

Não me rendo à máquina monstruosa dos monopólios do capitalismo mas... 
Quem teriam sido as almas cibernéticas que puseram à venda na FNAC "o homem que me persegue" como se ele fosse um homem escravo, um aspirador ou um bacalhau?!

- Não sei mas faço ideia. 
Isto não me mete medo mas, se começaram a pingar os "royalties"... (ah!ah!ah! - boneco amarelo a rir - não sei pôr isso). 

Mas atenção: não me rendo nem me vendo!





sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Novo livro do Pata Negra

Cá estou eu novamente armado. Comprem! Comprem! Leiam! Leiam!...


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Esgotado o livro dos bácoros - obrigado!

É com enorme satisfação, ou imensa pena, que informo que "o bácoro que me persegue" está esgotado.


A todos os que contribuíram para isso, um obrigado. Foram mais de três meses de expediente, com idas aos correios, com entregas pessoais, de contabilidade doméstica afinada, entre expedidos, vendidos, distribuídos, oferecidos e até trocas, lá se foram todos e, por distração, quase eu ia ficando sem nenhum.

Sinceramente não esperava. Até porque não era esse o objetivo primeiro - esgotar a tiragem. Picado por próximos, decidi-me a ele um dia, papel é papel, livro é livro e, se memória futura se deseja, tenho medo que um dia os discos magnéticos, a nuvem ou o próprio blogger, sejam atacados por uma doença informática e, dum momento para outro, horas de devaneios de escrita se evaporem na atmosfera caótica da sociedade da informação.

Sabia de antemão que não seria de esperar que a fidalguia da corte, profunda conhecedora das prosas do monarca, se interessasse por aí além, que santos da casa, gordos de curiosidade, passassem pelos buracos das fechaduras, que leitores do José Rodrigues dos Santos ou do Nicholas Sparks, gente de facebooks mas não de blogues, se dessem ao trabalho de adquirir um livro de bacoradas.

Sabia também que de autores menores, as editoras não procuram os ganhos com as vendas, que serão sempre escassas em linha com a discrição da divulgação, mas usurpam o necessário lucro do bolso do próprio autor.

Sabia ainda que o que escrevo, que procuro sempre num verbo que cative quem pouco lê (quem muito lê tem mais que ler), não é nada que mereça ser de banca; que o vernáculo brejeiro e a impudência podem desagradar a culturas mais sensíveis; que o amadorismo popular aprisiona a ficção ao autobiográfico e que a autobiografia só se tolera depois da fama.

Por fim, teimoso no que é meu, avesso à exposição pública, por idiossincrasia, temeroso à microfonia, teimei que o livro só circularia em comércio clandestino ou na candonga.
E pronto, está esgotado, prometo que não falarei mais do dito que já muito ego revelei aqui por o ditar, deixo-vos apenas com três histórias que com ele se fizeram acontecer.

Da primeira vez a senhora dos correios nada estranhou, lá para a terceira ou quarta, começou a habituar-se mas, como as entregas se começassem a repetir e alguns vales de correio a levassem a perceber que se tratava de negócio, um dia, ao deparar-se com mais um despacho, largou-se com um comentário:
- Está a vender bem ao que parece!
- Desculpe, não percebi!
- O livro, só pode ser um livro que anda a vender!
- Ah! Mais ou menos! - disse eu sorrindo.
- Sabe, há pacotes que denunciam o conteúdo mas mesmo assim nos aguçam a curiosidade.
Abri a pasta e perguntei-lhe:
- Quer um? Ofereço-lho!
- Muito obrigada por me matar a curiosidade.

O meu amigo Lúcio Mouco vende velharias na feira e conhece-me por eu lhe perguntar o preço de quase tudo e não lhe comprar quase nada. Vende torneiras avariadas, lavatórios rotos, louça rachada, puxadores ferrugentos, santos partidos, vinis riscados, vende tudo, até livros velhos. Propus-lhe então, ao meu alfarrabista, a venda pública e exclusiva dum exemplar. Ele aprontou-se. É simples, rasga-se a página que tem o ano, amarrota-se um pouco, massaja-se em farinha para lhe dar pó e, como tudo, pode dar venda. E vendeu o primeiro e o segundo, julgo, ainda por lá anda entre outros no caixote da especialidade.

Não esperava que quem já me conhecesse do que escrevo me fizesse apreciações elogiosas à obra de autor de livro único ou que desconhecidos me mandassem mensagens para expressar particular agrado pelo que leram. Não tive observações especiais ao seu conteúdo mas tive ao objeto, à capa e até ao tipo de papel. Também houve um que se descaiu e largou-se  com a dita "hoje em dia qualquer um já escreve um livro". Arreliado com estas reações? Não! Acho normais, como conhecedor maior do meu papel, do meu lugar e dimensão! ...
Mas o comentário mais excêntrico, foi dum amigo, que ao ver-se em mãos com o objeto fez a sua primeira crítica de satisfação:
- É grosso!...

domingo, 16 de outubro de 2016

Terceiro lançamento do bácoro

Mais do mesmo. Começo a ficar farto de me pedirem para ir para aqui e para acolá lançar o livro. Mas pronto, até os cães gostam!...
Pelo menos, nesta nova forma de lançar livros, não tenho que me sujeitar:
- Olhe, importa-se de me fazer uma dedicatória?
- Mas para quê?
- Porque sim!

- Pronto, porque não!?


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Primeiro lançamento do bácoro

Servos, nobres e fidalgos, o King não abdica da sua soberania. Este blogue só fechará as suas janelas por desaparecimento do seu monarca ou por abandono do seu último súbdito.

Bem sei que a blogsfera, e em particular o Rei dos Leittões, já conheceu melhores dias. Já lá vão dez anos a postar bacoradas, 1213 postes, 223369 visualizações. Longe vão os tempos em que as 200 visitas por dia me motivavam. Ontem mesmo, as estatísticas anotavam 37, o que, atendendo à quase ausência de publicações recentes, não deixa de ser melhor que 7.

Não é a primeira vez que faço a comparação de "comércio tradicional e centros comerciais" com "blogosfera e facebook". Até eu me rendi aos supermercados e, fora deles, já só compro praticamente, a carne, a fruta, o remédio para os ratos, as torneiras e a roupa interior. E o que são a carne, a fruta, o remédio para os ratos, as torneiras e a roupa interior da blogosfera? Deixo à vossa consideração a descoberta dos paralelismos.
Da minha parte continuarei com a tasca aberta, a mercearia, a drogaria ou o que lhe queiram chamar e continuarei a visitar blogues velhos-amigos e outros de referência.

Reconheço que, por troco de não deixar rasto de comentários no meu circuito blogosférico familiar, também já só por aqui andam meia dúzia de comentadores assíduos. Serão apenas esses os leitores prováveis deste texto no ponto em que ele vai - é justo!

Mas é a esses que este poste se dirige. Uma palavra especial a alguns que andam por aqui quase há uma década, que não conheço pessoalmente, nem sequer uma foto, um nome próprio ou o concelho de residência. Foi com eles que um certo mês de 2006, por uma razão que não consigo definir exatamente, este sítio começou a fazer parte duma blogosfera anónima que fazia furor contra Sócrates e os seus acólitos, que trocava ideias, que conspirava, que se constituía como a primeira verdadeira rede social do espaço cibernético.

Depois foram vindo outros e até amizades que, por esta via, se transpuseram para a vida "real". Enfim, esse tempo lá vai.

Chegou agora o tempo de responder a todos os que foram deixando na caixa de comentários a mensagem "devias pôr isto em livro!", a todos os amigos mais próximos que me têm azucrinado a cabeça com a sugestão atrevida "devias escrever um livro!".

Fui sempre renitente porque sou avesso à exposição pública, porque sempre achei ridícula a mania que todas as pessoas têm que a sua vida dá um livro, porque sempre distingui o jazz e a música clássica do punk rock e da música pimba. 
Não sei dizer se isto é punk ou foleirice, apenas reconheço que foi fácil:
seleccionei uns textos aqui escritos, juntei-os, falei a alguém para fazer a capa e a paginação, fez-se livro e foi agora publicado. 

Não será, portanto, nenhuma obra do vosso interesse porque tudo o que lá está por aqui está também e, porventura, já o lestes. Fica aqui apenas o registo porque, como companheiros destas andanças, entendi dever-vos a informação.



O primeiro lançamento do bácoro realizou-se ontem, no café Camões da terra onde resido, com porto à mesa e uma troca de palavras circunstanciais. Não estava muita gente, era só eu e um amigo. Eu paguei o porto e ele esqueceu-se - só pode ter sido esquecimento! - de pagar o livro.

sábado, 5 de julho de 2008

Menino pechisbeque

Não é meu lugar tratar coisas que toda a nossa blogosfera torce e comenta - pelo menos em cima do acontecimento! Gosto de digerir e averiguar se há alguma coisa a acrescentar!

Nesta linha, o caso do "Menino de Oiro" nem caberia aqui. Acontece que o PALAVROSSAVRVREX excede qualquer tratamento e o Joshua é um rico proprietário de palavras - este latifúndio que aqui deixo, de palavras, é dele. Ele, que muitas outras tem até nem se ver o fim! (baralhei-me com as vírgulas??)



As biografias de jogadores de futebol normalmente são medíocres em tudo.
Mesmo as dos treinadores de futebol o são claramente
(a de Mourinho estava gralhística e terrivelmente mal escrita)
assim como a de certos presidentes de clubes, que têm um péssimo estilo,
por muito que vendam. «O Menino de Ouro do PS» é um título claramente futebolístico!

A biografia autorizada de José Sócrates, o mais célebre optimista da nossa praça, não foge à regra. O quê? O biografado não é nem jogador, nem treinador, nem ex-amante de um dirigente desportivo?
Pois não, mas a lógica que subjaz ao livro é a mesma:
passar a existir, poder vender a existência,
forçá-la a todos, a essa existência, mitificar o saco de batatas.
E também exemplificar esses princípios batidos de auto-ajuda: Eu consigo!
Eu era obscuro mas tornei-me no primeiro Primeiro-Ministro profissional do Mundo.
Os outros são pessimistas e negativos. Mas eu sou optimista e positivo.
Ou outros não tentam e por isso não conseguem.
Eu consigo porque acredito, tento e luto.

O resultado? O resultado é a venda intensiva de livros
como aconteceu com Vitor Baía, Nuno Gomes, Carolina Salgado ou Figo,
as quais, biografias, como se sabe,
todas elas são rápida e extraordinariamente bem vendidas
e logo a seguir, por serem esquecíveis,
bem esquecidas em Portugal a não ser por cineastas e procuradores-gerais-adjuntos.
O resultado é atirar mais achas-porreiro-pá para a fogueira das vaidades espectaculares
em causa e produzir contraste com o que vai maioritariamente de oposto
nas bastas psiques de desempregados, desiludidos e falidos em Portugal.

KiWitorino e Dias Loureiro foram, histriónicos, ao show patético de lançamento
de este best seller anunciado, o primeiro perorando, dentro do seu habitual número de circo,
sobre o profissionalismo político do biografado, um precursor na matéria.
O segundo a atropelar-se nas palavras e a arranjar ideias para levitar
da maledicência e da malquerência públicas essa figura benfazeja para todos, o PM:
sofregamente o dizia tão hiperbólico que doia,
lembrando muito o muito inócuo e inexistente Alberto Martins,
líder parlamentar! E Dias Loureiro testemunha ter-se emocionado!
O homem relatou que se emocionou com o inesperado lado dos afectos do biografado!
«Papá, papá, já sou Ministro...» A emotividade e Dias Loureiro seriam outra Biografia!
Passar a existir, emergindo das cinzas da irrelevância, emociona qualquer um.
Aliás, demos de repente pela sua existência, pela de Dias Loureiro,
precisamente pelo que de magnífico e encomiástico teve a dizer do PM e da biografia,
ali na solidão pungente daquela sala às moscas.
Não consta que nos apercebamos dele em lado algum a fazer alguma coisa.
Pronto, há o Conselho de Estado. Mas agora sabemos que o zénite do fervor socratinesco
não está em Alegre e quejandos, não!, está todo em Dias Loureiro.
Cheira-me ao milagre das chantagens contagotísticas do QREN,
tendo em conta os bons comportamentos opinativos sobre o PM
como critério, na dúvida, para dele, do QREN, se beneficiar!

Mas afinal, o que é que se biografa aqui? O desrespeito pelas regras?,
pela clareza de processos?, biografa-se a política-espectáculo?,
a técnica da dilação?, do encapotamento?, das meias-tintas?,
da mentira e outros artifícios processuais?, uma certa pressãozinha?,
um certo controlozinho bem apertado?, uma certa deriva personalista e imagística?,
um certo não olhar a meios?,
um certo afrontamento estratégico de uma classe profissional de cada vez?,
uma certa forma de preservar os privilégios da nomenklatura sustentacular do Poder
alegremente dependurada anonimamente na Grande Teta Estatal?, como?,
onerando impiedosamente toda a gente!,
uma certa forma de “retórica” do Estado de Direito e do Social, mas só retórica?,
um certo optimismo e positividade exclusivamente fotogénicos?,
uma certa solidão providencial salazarística?, sim,
essa virgindade salazarística absoluta com que se afeiçoou ao Poder
e o contempla embevecido, compenetradíssimo, messianíssimo,
porque claramente sente ter desposado Portugal e que Portugal é todo Cio por ele,
é isto que se biografa aqui? Só pode ser isto que se biografa aqui!
A Eduarda Maio que me desculpe, mas o sucesso que auguro ao seu livro
é o sucesso da biografia do Emplastro, se lha fizessem,
a qual do ponto de vista da utilidade e do interesse gerais,
neste tempo de angústias e angustiado cerco geral a toda a gente,
seria tudo o que se encontra por aí ao preço da uva mijona.