quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Saudade

à memória de meu amigo Barros que foi e nunca se pronunciou

1
Oh! Como eu gostava de voltar à Realidade...
Tanto que eu gostava de voltar à Realidade...
- Mas como?! – Não tenho meio de transporte!
Tanto que eu gostava de visitar a campa de um tijolo,
meu amigo,
sepultado lá... na realidade!
Mas não posso, não tenho meio de transporte!

Era um bom tijolo. Chamava-se Barros,
era banco e mesa na minha pequena casa.
Um dia convidei Deus para jantar na minha pequena casa,
Barros não aguentou com a divindade e, desfez-se em pedaços
no coração da minha pequena casa.
Por isto, o sepultámos na Realidade...

2
-Não! Ninguém voltará!
Diz uma lei qualquer da “Constituição da Natureza”.
- Mas eu sou real, nasci lá!
- Real sou eu!
responde-me o rei, e eu pergunto:
- Quem mais ama a pátria que o Exilado?
e o Sol responde. O Sol responde a tudo.
É o maior amigo que tenho aqui onde estou,
no Mundo em que as estrelas do mundo real
são os candeeiros duma cidade.

11 comentários:

ana rita disse...

Como a vida foi madrasta para o teu amigo Barros!

NINHO DE CUCO disse...

Aqui está um belo poema que me faz recordar José Fanha quando diz: "Pai dói-me o peito".
Um abraço

quintarantino disse...

Sentido!

Odysseus disse...

É a vida, madrasta e triste para alguns, sortuda e bafejada para outros. Que ao menos encontre a felicidade que lhe faltou.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Impressionante, majestade. E digo majestade porque és um rei interior.
Quem tem essa sensibilidade tem sempre um pouco da luz do sol. Não precisa acolher-se às lâmpadas da cidade. Que mais não seja tem a minha mão que, como outras mãos, lhe darão um pouco de amizade e de calor humano.

Zé Povinho disse...

A única certeza que há, é que todos partiremos um dia. Ricos, pobre, felizes ou infelizes, nenhum fica cá para sempre. A natureza é a única que nos coloca a todos em plena igualdade.
Abraço do Zé

NÓMADA disse...

Dizes algo de especial, de uma forma especial, porque és especial.Não estejas s triste porque mesmo só com as luzes da cidade não deixamos de ver o céu.

MARIA disse...

Olá, pois o dia será menos luminoso, mas estes dias também têm o seu lado positivo, designadamente , produzem o efeito bonito de aproximar mais os afectos e as amizades entre as pessoas.
E passou, já é amanhã, a crer no relógio...
E agora que já recebeu vários mimos amigos e deve estar melhor disposto pedia-lhe o favor de actualizar o link da MARIA que mudou, podendo ser encontrada nos seguintes urls : http://marialuacheia.blogspot.com ou no blog referenciado através do presente comentário.
Obrigada.
Maria

Debaixo do Bulcão disse...

Sem conhecer o que deu origem a este poema (e, portanto, não o podendo entender completamente), digo-lhe que gostei. Muito.
Quero copiá.lo para publicar no meu blog Debaixo do Bulcão.
Posso?

Cumprimentos

António Vitorino

7 Pecados Mortais disse...

Belo texto...profundo! Temos é de esperar pelos dias de Sol e nunca nos refugiarmos na luz dos candeeiros. Um grande abraço de quem precisa muito do Sol e está farto dos candeeiros.

martelo disse...

na terra da verdade...