quarta-feira, 27 de junho de 2007

Quase Europa



Um pouco mais de europa – somos nada,
Um pouco mais de espanha – somos ninguém
Para atingir, votámos em cambada
Se ao menos nos deixassem agora votar bem...

Pegar ou largar? Em vão... perdemos cota
Numa grande europa virada a outros mundos;
E o grande país afundado em fundos,
O grande país - ó mar! - quase europa...

Quase o progresso, quase a porta e a panaceia,
Quase o princípio o fim - quase a salvação...
Mas no meu país tudo se remedeia...
Entanto tudo não passou duma ilusão!

De tudo houve marca UE ... e tudo aproveitou...
- Ai o desejo de ser - quase, igual aos alemães...
Nós falhámos entre nós, falhámos por vinténs,
Terra que não parou mas não avançou...

Anos de esperança que, desbaratámos...
Cidadanias que sonhámos alcançar...
Direitos que perdemos sem os experimentar...
Tratados que nos trataram e não votámos...

Desse continente, encontro só imagens...
Terras do interior – vejo-as defraudadas;
E carteiras de políticos, sujas, recheadas,
Passou o argumento de que eram só vantagens...

Numa esperança imberbe acreditando em tanto,
Tudo construímos sem pensar pra quê...
Hoje, resta-nos o betão do desencanto
Das coisas que de tão grandes ninguém vê...

Um pouco mais de europa – somos nada,
Um pouco mais de espanha – somos ninguém
Para atingir, votámos em cambada
Se ao menos nos deixassem agora votar bem...

Não é necessário lembrarem-me que não chego aos calcanhares de Mário de Sá Carneiro!
E eu quero por força ser burro...Que a um porco nada se recusa!!

3 comentários:

Kaotica disse...

Poesia modernista de intervenção: finalmente!
Não rima mas é verdade e a poesia modernista não precisa de rimar.
Nós é que precisamos de passar este muro de betão do desencanto com que esta triste traste realidade nos tolhe.
O pior disto tudo é que poucos votarão bem!
Abraços

martelo disse...

porque muitos burros até são inteligentes...

João Rato disse...

Kaotica
continuaremos nem que a voz nos doa
abraço

martelo
há até quem diga que os burros são dos animais mais inteligentes, azar o meu que me deu para o lado dos suínos!
abraço