sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Leitão à sexta

Serei sempre uma criança apesar de


Hoje foi dia de vindima. Pisar as uvas é o meu maior prazer. Amanhã vou levantar-me com a madrugada, fazer a repisa e aproveitar o mosto do último aperto para a água pé. Depois é lavar os cestos e tratar das vasilhas. É por isso que hoje o leitão é só a brincar, acabo de comer com a malta um pedaço de broa com azeitonas e um copo de pinga. Vou dormir.

22 comentários:

Metralhinha disse...

Depois dum dia desses é mesmo o que faz falta... a pinga!

MARIA disse...

Olá João Rato,
Teve um dia muito atribulado...
Deve estar cansado.
Eu aproveitaria para descansar.
O cheirinho das suas uvas pisadas sente-se daqui . É uma delícia. Verdadeiramente afrodisíaco.
O vídeo dos pequenos leitões é uma ternurinha. Eu fiquei embevecida com a casinha dos dois - tão arrumadinha . Nunca vira dois porquinhos tão limpinhos e tão apaixonados .
E a caminha deles com a rendinha branca... Logo se vê que não os trata em pocilga ...
Gostei muito. Muito ternurento.
Bj
Maria

Raposa Velha disse...

Ah e o pés tingidos de tinto? :) Por acaso faz muito anos que já não piso as uvas. Confesso que ficar com as mãos e com os pés encardidos não era a minha maior preferência. Mas já o espichar do vinho novo, com o repasto associado que dávamos aos compradores, isso sim, tenho "sôdáde" :)
Boas pisadelas!!!

NINHO DE CUCO disse...

Como eu te invejo por estares na vindima e por teres dentro de ti capacidade para estar na vindima. Um homem, perdão, um leitão com essas raízes, que procura a justiça e se dói com os que sofrem, é um bem precioso neste mundo egoísta e desumanizado.

CORCUNDA disse...

As saudades que eu tenho duma coisa dessas (das vindimas, porque da pinga felizmente não vai faltando!). Qualquer dia tenho que pensar seriamente em mudar-me para o campo. Largo a Torre do Tombo e instalo-me num moínho, ou melhor numa adega.
Abraço do Corcunda.

João Rato disse...

Metralhinha
Hoje continuei, 7 horas, pés dentro do lagar, força no aperto, tanta força que às dez já havia apetite pra um petisco e goela para
água pé nova (por aqui faz-se sempre uma adiantada pra servir de entusiasmo prós trabalhos da nova colheita). Estou nas sete quintas!
Abraço

João Rato disse...

Maria
nem queira saber como se faz o vinho por aqui: os pés mal lavados pisando o futuro néctar. Nem queira saber as conversas enleadas, as bocas e as picadelas entre pares que se dizem nesta faina! Enfim, tão porquinhos que nós somos!
Gostava de contar os acontecimentos que acontecem enquanto as uvas se tranformam em vinho mas hoje foi um dia de arrebenta e talvez amanhã os ventos já soprem para outras bandas!
Bjs

João Rato disse...

Raposa Velha
Gostava de bebê-lo, se percebo!
Também eu, mas também gosto do desafio do esforço da vindima. Ontem veio uma trovoada: o abrigo debaixo da figueira, as considerações do rancho acerca do tempo, o inventar de assuntos e conversa, o rir por tudo e quase nada, as roupas coladas ao corpo, as botas com quilos de barro de sola... um agradável sacrifício em nome de Baco! Vale a pena!
Abraço

João Rato disse...

Ninho de Cuco
Ah, eu gosto! Nada de pensado me move nestas andanças, talvez e apenas, a desvantagem de pensar mais naquilo que se diz ou no que digo, de apreciar com outro olhar cada momento - pecados menores dum entruso em casa própria.
Abraço

João Rato disse...

Corcunda
Quando diz qualquer dia tenho que pensar, já está a pensar em...
Queira vir para o monte! Queira vir para o monte! Que no monte está-se bem! (há uma canção popular com uma letra em "eu").
Venha, já tenho a torneira aberta!
Saia do tombo, também pode esconder-se nas adegas!
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Este post recorda-me algo já distante perdido na minha infância. Nunca fui a uma vindima mas passava longos tempos numa quinta e adorava toda aquela actividade ligada à terra, à natureza e ao convívio. Quem nasceu e viveu urbano, sem ter tido contacto com esse tipo de experiência, viveu só pela metade seja qual for a intensidade dos momentos que tenha tido.

CHEVALIER DE PAS disse...

pois penso que para se mudar o rumo do vento vão ter que meter mesmo uma cunha ao s. pedro!
what comes around...

Zé Povinho disse...

Desde que vim cá para baixo deixei de poder fazer a vindima que era uma festa e um verdadeiro momento de confraternização. Sei que é uma canseira física, mas o resto compensava,
Guardo-me para o S, Martinho, se houver uma aberta.
Abraço do Zé

João Rato disse...

Silêncio Culpado
Viver na província é bom mas também tem os seus custos. Apesar de tudo, prefiro. Vale mais ficar todo partido da vindima do que estar aborrecido num engarrafamento!
Abraço

João Rato disse...

chevalier de pas
sopre o vento para onde soprar o meu piparote já esta a ferver.

João Rato disse...

Só num santo é pouco, nem no Todos os Santos chega. O melhor é mesmo todos os dias com a medida de cada um.
Um brinde ao vinho novo!

Kaotica disse...

Olá João Rato

Com que então a pisar uvas. Quem me dera! Foi coisa que nunca fiz mas que todos os anos tenho vontade de experimentar. Aposto que é excelente para aliviar as tensões e depois a machadada final do copito a cair na fraqueza. Isso é que é tradição!

Bom descanso e boa repisa!

Um abraço

o guardião disse...

Nunca pisei, por cá temos uma prensa que aprendi a apertar. Bom descanso, e que a pinga apanhe um bocadinho de frio para ficar à maneira.
Cumps

Watchdog disse...

Seu "populista"!...

1 Abraço!

martelo disse...

alem de que pisar as uvas desinfecta os pés...
bom vinho!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Bem,mas as vindimas já acabaram? E foram ou não bem festejadas?

João Rato disse...

Kaótica
A arte de fazer o vinho novo está na sabedoria com que se bebeu o vinho velho! Nunca é tarde para experimentar e há tantas uvas ainda por pisar, tanto vinho ainda para falar...
Um brinde de vinho que o há-de ser!


Guardião
Também temos prensa - ainda daquelas que puxam pelo ritmo dos braços esforçados - o esmagador eléctrico, a bomba eléctrica para envasilhar, mas existe ainda o pulsar da azáfama da vindima e um quase ritual que dá outro sabor ao vinho.
Um abraço de copo na mão

Watchdog
Populista eu? Sócrates? Portas?
Não me chame isso, chame-me zé, rude, saloio, labrego, mas nunca me chame um nome onde se encaixe essa gente!
O vinho não é popular é civizacional. Um abraço bem regado!

Martelo
os pés é que desinfectam o vinho.
Abraço

Silêncio Culpado
Não há vindima sem festa nem festa sem vinho.
Um abraço