quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Mulher que gosta de ler

Não me entusiasmo com sessões de longas anedotas, embora algumas delas me mereçam um breve riso, raramente me estimulam a gargalhada. Aprecio as muito curtas tipo – Vai chover! – Vai tu!
Terei por isso de justificar esta semi-longa história. São as mulheres senhores! São as mulheres! Ofereço esta história às mulheres.
Receio que a oferta só por si já contenha residualmente indício da minha cultura mediterrânica. Perdoem-me as contempladas, mas a verdade é que sou mesmo desajeitado no que toca a prendas. A mulher deste homem que assim se assume, gosta de contar aos mais chegados, com escárnio afecto, que a primeira prenda que lhe dei foi um corta unhas.
A história/anedota, ainda nem começou e já vai longa, sou um poço de contradições.

O homem gosta de pescar, a mulher de ler. O homem dorme a sesta, a mulher aventura-se a uma volta de barco – que bom ler um livro, no silêncio do lago, no barco, flutuando como o calmo romance!

Num estado policial a autoridade, qual Deus dos judeus, está em toda a parte.
- Bom dia minha senhora. Posso saber o que está aqui a fazer?
- A ler um livro, não vê? Parece-me óbvio.
- A senhora está numa área restrita em que a pesca é proibida.
- Sinto muito, senhor guarda, mas não estou a pescar, estou a ler.
- Sim, mas está num barco que contém equipamento de pesca. Obviamente que a senhora pode começar a pescar a qualquer momento. Se não sair daqui imediatamente terei de a multar.
- Se o senhor guarda fizer isso terei de acusá-lo de assédio sexual!
- Mas eu nem sequer a toquei!
- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei pode começar a qualquer momento.
- Bom dia minha senhora!

Moral da história: Nunca discuta com uma mulher que lê, é certo que ela pensa.

8 comentários:

Kaotica disse...

Agradeço a oferenda, pela parte que me toca.
Gostei dessa resposta de o polícia ter "todo o equipamento". Ah granda mulher!

Abraço

o guardião disse...

Que falta de poder de observação do polícia...eheheh
Cumps

MARIA disse...

Deliciosamente bem escrito , bem disposto, um post muitíssimo agradável.
Tenho só uma observação a fazer no que respeita ao moral da história : havia que averiguar se a senhora lia, ou se não se tratavam de meras imagens...
É que pensasse a mesma realmente e jamais se predispunha a usar um equipamento que previamente não houvesse sido examinado, considerado próprio para consumo sem dano para a saúde humana e que garantidamente , com êxito , pudesse ser reutilizado.
Bj
Maria

João Rato disse...

Kaótica
vê-se à que lês e mais, que escreves.
Abraço

Guardião
será que ela se antecipou aos avanços do guarda?

Maria
a história diz que lia um livro, não uma revista de sala de espera de consultório médico. Depois, a mulher não se revelou predisposta, antes pelo contrário, aplicou a velha táctica do falso assédio.
Bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

A anedota tem muita piada, a conclusão nem tanto. Sabes por que razão as mulheres lêm menos e fazem, quando o fazem, leituras mais cor-de-rosa? Claro que sabes. Eu já percebi que sabes e, por isso és um dos meus comentadores favoritos. Mas não nos podemos ficar pelo saber é preciso não darmos continuidade à injustiça com a nossa indiferença. Cada um de nós, sozinho, não muda o mundo mas pode contribuir para que ele melhor. A blogosfera também servirá para que se questione, para que se juntem vozes descontentes. Mas, para isso, terá que verificar-se uma postura de abrangência das diferentes correntes de opinião e de sensibilidades políticas. Tenho muitos visitantes brasileiros e mesmo de outros países.Alguns estão linkados no meu blogue que foi criado única e exclusivamente para questionar. Estou com este arrazoado todo para te dizer que estou contigo e que percebo perfeitamente a tua revolta perante um mundo fracturante, injusto e cruel. Tens a minha mão e a minha solidariedade.

CORCUNDA disse...

Nada mais certo.
Já agora, também sou mais apreciador das curtas, do tipo: dói-me aqui - então passa para ali!, ou quando carrego aqui dói-me - então não carregue!, ou, quero aquele bolo - D'hoje? - Não, doze e quinhentos..., ou, dê-me um pão - De Ló? - Não dali!
Enfim, um abraço.

João Rato disse...

Silêncio Culpado
Um dos nossos grandes problemas é falta de participação das mulheres em certos sectores da vida em sociedade.
Na política, por exemplo, os partidos do regime chegaram ao ridículo de estabelecerem quotas - tipo segurem-me, senão eu bato-lhe - como que reconhecendo que naturalmente, ou por vontade própria, não conseguem integrar mulheres nos seus assuntos. Quando aparecem mulheres, elas vem sempre com o rótulo de mulheres com tomates, o que quer dizer que nem sequer são bem mulheres, são mulheres homens.
Ergamo-nos pois, mulheres mulheres e homens homens deste país, contra o atraso de sermos ainda uma sociedade de machistas, governada por machistas e... é melhor ter cuidado com aquilo que escrevo!...

João Rato disse...

Corcunda
gostei das tuas curtas. Com tantas curtas quase que eras longo.Mas não!
Aquela - diga lá! - Lá!