quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A teoria da relatividade

Os bancos têm acumulado lucros inexplicáveis. Os bancos são donos do dinheiro. Os bancos vivem numa promiscuidade descarada com o mundo da política. Os bancos brincam com as nossas poupanças e cobram-nos as taxas que bem entendem. Os bancos roubam.
Nos últimos dias a televisão tem agitado as audiências por causa duns assaltos a umas dependências bancárias de província. Não se ouviram banqueiros queixosos desesperados, as acções dos bancos vítimas, por esse motivo, não foram afectadas e creio que as somas roubadas não afectarão as centésimas de milésimas dos resultados trimestrais que serão publicados. No entanto, ao que parece, um dispositivo policial desproporcionado foi destacado para a caça aos assaltantes.
Os homens que roubam os bancos devem ser presos.
(Também os bancos deviam ser presos mas isso é outra história)
Roubaram-me há uns tempos a casa. Levaram-me três iogurtes naturais, a pulseira de baptismo, 45 euros, o filme Garganta Funda e um leitor MP3. A polícia tomou conta da ocorrência, levou os meus dados pessoais e passados uns meses recebi uma carta do tribunal a informar-me do arquivamento do processo.
Os homens que me assaltaram a casa não devem ser presos. Só que me devolvessem a cassete do filme, eu já ficava contente.
Em termos relativos não se compara os montantes roubados aos bancos com o inventário dos bens que me foram levados. Em termos percentuais a mossa tocou-me muito mais a mim do que aos donos dos bancos.
No meu humilde direito, julgo que a polícia se deveria ter envolvido muito mais no meu caso, muito mais grave em termos relativos.
Que fique claro, eu não defendo ladrões de qualquer espécie!...

13 comentários:

MARIA disse...

Caro Rei dos Leittoes,
Os bancos brincam com as poupanças dos outros ( que minhas já nem as tenho), brincam com o meu vencimento, cobram as taxas que entendem, os Bancos roubam! Subscrevo integralmente. E não se prendem Bancos.
Agora, se um deles ler este post, logo se oferecerá com um novo tipo de crédito que o compense por tão dura perda sofrida em sua casa ...
Ladrão é sempre ladrão, mas vê, até os há com bom gosto... roubaram-lhe então três iogurtes naturais...
é tal qual digo...

Metralhinha disse...

Como os bancos pagam mais impostos, em valores absolutos, que o cidadão, logo têm direito a maior empenho das autoridades policiais e judiciais. É tão simples como isso.

Kaotica disse...

Amigo João Rato

Célere virá o juízo final da bancarrota. Venho aqui só roubar um pouco da tua amizade e te avisar que tens um prémio no Pafúncio.

Abraços

o guardião disse...

O Sol quando nasce é para todos, pena é que alguns estejam à sombra.
Cumps

Tiago disse...

Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão... O meu último post fala precisamente sobre isto. Fica bem ;)

Moriae disse...

anda aí uma onda curiosa ... depois da minha garagem entraram em casa do meu companheiro. Foram quase apanhados e lucrámos umas sapatilhas nike de tamanho 38 já que o larápio com a pressa as deixou num cantinho. Pois é fácil o resultado i.e. conclusões da GNR: ai aquela zona ... é sempre o mesmo! olhe, registamos mas veja lá se quer apresentar queixa já que terá que pagar os custos. E leve as sapatilhas que não as queremos. Não há necessidade. Posto isto, viemos alegremente para a terrinha conversar com os locais que confirmaram a vaga de assaltos com o mesmo modus operandis. Parece que numa casa, deixou umas adidas (juro que é verdade!) e apesar de não fazer "mal às pessoas", entra-lhes em casa com elas presentes. Sobretudo as velhinhas.
Aprendi tb que, se a pessoa "se chegar ao suspeito" e lhe der uma malha ele devolve o furto do "malhante" e em princípio não regressa ao seu poiso.
João, era só para dar uma achega ...

João Rato disse...

Maria
os yogurtes faziam-me mais falta do que uma nova agência ao BPI

metralhinha
o Estado deveria existir para os cidadãos, não para os bancos, os bancos não são cidadadãos. Reclamo o regresso das panelas!....

Kaótica
já por lá passei, muito obrigado, vou ter que arranjar tempo, a coisa não pode ser feita em cima de um joelho, quanto muito dos dois
bejos

Guardião
Uns ao sol, outros à sombra e outros às escuras.

Tiago
lá passarei
abraço

Moriae
Ah essas personagens fazem parte das terrinhas, quase que as compõem, se não forem violentos são muito queridos. Senti-los na calada da noite vasculhando os nossos haveres e a voz do meu avô saindo da cama: Oh ladrão deixa-me dormir, o dinheiro está na talha de azeite!

Anónimo disse...

João, se lhe roubaram os iogurtes é porque estavam com fome.
Devemos dar de comer a quem tem fome.
chau

Moriae disse...

LOL! João, só se for para o teu Avô!!!!!!! Desculpa e com todo o respeito mas a coisa de querida não tem nada! E vais ver que a coisa ainda vai dar molhada! Olha q'esta!!!!!!!!! [fiquei zangada ;)]

João Rato disse...

Anónimo
Até aí tudo bem, mas bem que me podiam ter deixado o filme!

Moriae
A minha história tem contornos de verdade. De facto a minha casa foi assaltada mas os prejuízos foram insignificantes. Mas o que dói mesmo é a sensação de violação que nos invade nos tempos que se seguem, conheço o sentimento!
Mas isso passa, talvez ainda primeiro de que a tua pequena zanga por eu brincar com coisas sérias!
A ideia do avô veio-me de um filme japonês que vi há muitos anos, nunca mais me esqueceu a deixa.
Um abraço de pazes

Moriae disse...

João, eu estava a brincar contigo! De todo! E entendo o que dizes porque nós tb nos sentimos assim, assim como outras pessoas ali da terra. É terrível! E depois, cada noite que se lá passa é uma noite de angústia! Ainda ontem, outro alarme a tocar, polícia de madrugada ... enfim ...
E tb, da última vez que entraram lá em casa, estavam lá 3 adultos e duas crianças!!!! Isso é o cúmulo!!!!
Grande abraço amigo!

Anónimo disse...

João, passei por uma experiência semelhante. Só que o prejuizo "patrimonial" foi, na moeda de então, superior a 2.500 contos. Mas o prejuízo "sentimental" de muitas das peças roubadas, esse, não tem valor. As autoridades queriam que indicasse um suspeito. Tinha as minhas suspeitas mas não suficientes para sujeitar uma pessoa à violência de um interrogatório policial. E se essa pessoa estivesse inocente, como é que eu me iria sentir? Recebi, meses depois, a informação de que o processo havia sido arquivado. Mas o trauma foi tal que, eu e minha mulher, deixámos de gostar da casa que havíamos ajudado a desenhar e mandáramos construir, devagarinho, à medida das nossas possibilidades. Dizia a minha mulher que a casa ficara "suja"! E na verdade sentimos um grande alívio quando a conseguimos vender e comprámos a actual.
A história deste assalto, até pelos valores envolvidos, é diferente da tua. Mas precisamente, embora os valores sejam diferentes, o empenho demonstrado pelas autoridades parece-me igual.
Um abraço solidario do

João Rato disse...


as autoridades são demasiado sérias para perceberem alguma coisa da "ladroage".
Tb eu mudei de casa, a minha casa agora não é minha, é do BCP. Não fiz muros mas tenho uma etiqueta S24, vigilância 24 horas. Não é por isso que me sinto em segurança, é porque o meu vizinho, outro Zé, tem um armeiro e pêras e cada vez que um gato mia na calada da noite vem à porta e atira três tiros para o ar ou para o vulto. É claro que com um Zé destes não há pelintra que se aproxime. Além disso, se alguém estudar o terreno com antecedêcnia topará com facilidade que esse Zé é o meu maior amigo. Tenho sempre os zés com bons amigos.
Um abraço e pêras.