segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Como os nossos pais

Deixo-vos esta canção para começar. Há já alguns dias que um "objecto" dela ilustra o cabeçalho deste reino. Hoje junto a letra assinalando a negrito alguns dos versos e convidava, os prontos para a luta, a clicarem no triângulozinho do play no entretanto da leitura.
Trata-se duma canção de António Carlos Belchior onde a Elis política se revela. Para aqueles que viveram o Abril, que se alongou por outros meses e tantas vidas fora, deixo a sugestão desta poder ser a canção do começo de um Novo Adeus talvez, quem sabe, um próximo "E Depois do Adeus".
Nas intimidades da blogosfera está para surgir uma Revolução. Temos de trocar umas ideias sobre o assunto. Comecemos:


"Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos

Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa

Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos
jovens

Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua

É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão

Digo que estou encantada com uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente
jovem reunida

Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói
mais

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo
que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais


Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não
enganam não

Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém


Você pode até dizer que 'eu tô por fora, ou então que
eu tô inventando'

Mas é você que ama o passado e que não vê

É você que ama o passado e que não vê

Que o novo sempre vem


Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova
consciência e juventude

Tá em casa guardado por Deus contando vil metal

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo,
tudo, tudo que fizemos

Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais! "

15 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Parabéns. Gosto e de que maneira! É uma constatação que recuámos no tempo em atraso e em condições de vida cada vez mais precárias. Mas não piorámos em tudo e a capacidade de juntar sinergias é muito, muito maior. E eu acredito que as pessoas se unam em tempos de crise.

NINHO DE CUCO disse...

Gosto do teu poema. Quanto a teres partido os teclados, amigo, ainda não fizeste a reclassificação de toda uma vida. Possivelmente tens agido sempre de forma coerente contigo próprio.
Porém, mesmo a partir teclados, tens ganho espaço de intervenção na blogosfera e, certamente, irás encontrar forças maiores que poderão fazer a diferença. Havia uma canção revolucionária que dizia; tu sozinho não és nada juntos temos o mundo na mão.

Quintarantino disse...

De pé, ó vítimas da fome... como? quê? ai, não se pode... pronto, pronto... não se canta "A Internacional"... mas, aqui entre nós e muito, muito, muito baixinho... nós estamos vivos. E estaremos...

MARIA disse...

É bom guardar da tradição de nossos pais alguns alicerces, nunca deixando de construir as nossas próprias vidas com a coragem que há-de servir para alicerçar depois, a vida dos nossos filhos no futuro.
A primeira de todas as revoluções tem que acontecer dentro de nós. Só nessa circunstância alcançaremos ferramentas e armaduras para as batalhas exteriores.
PS - Notou Vª Majestade que o seu amigo Quintarantinho mudou novamente o look do perfil...
Está muito bem, sim senhor. O que pensará a noivinha da boa febra que vossa Majestade apadrinhará?
Olhando daqui, parece impressionada...
Um bj a ambos ( estou a brincar, por favor não me levem a mal... )
Maria

Kaotica disse...

Bingo! Mais um dos meus poemas-letra preferidos. Na voz da grande Elis, fazem-nos tanta falta vozes que se levantem, como a dela. Mostra bem o nosso instinto conservador mas ao mesmo tempo conservamos a esperança no novo. A dor de saber que as coisas para mudarem demoram mais tempo do que seria desejável e que quando se vai a ver não mudaram assim tanto (outros mudaram demasiado!) e, em ambos os casos, é preciso começar tudo de novo.

Bjos

Odysseus disse...

De poema não conheço a melodia, mas foi um gesto muito bonito da tua parte

Marreta disse...

Não creio que o semáforo esteja ainda fechado, mas que está alaranjado está.
Será que irá fechar brevemente? Penso que sim.
Infelizmente não revejo no presente, nos "jovens" a que se refere o poema, a força, determinação e principalmente a consciência político-social para impedirem o sinal de fechar completamente.
É triste mas é o que constato todos os dias.
É claro que há excepções e por aqui na blogosfera, encontram-se muitas. Mas esta é uma realidade um pouco virtual em comparação com a vida "real" e a realidade quotidiana do télélé, do carro oferecido pelo papá, do polo Burberry, enfim da ostentação enganadora e da opulência faz-de-conta.
Sinais do tempo. A Terra gira e com ela giramos todos também.
O tempo a que se refere a canção há-de chegar, vai chegar certamente, mas não para já. Infelizmente...
Saudações.

NÓMADA disse...

Um mundo novo há-de despontar um dia talvez não muito distante. É preciso não desistir. É preciso que juntos falemos a uma só voz.

Zé Povinho disse...

"Ainda somos os mesmos e vivemos". Os tempos mudam, as pessoas mudam, mas os problemas e as dificuldades apenas se transformam.
Resistir, saber que o caminho da defesa da justiça tem muitos espinhos, e estar disposto mesmo assim, a continuar por esse caminho... ? Um dia isto vai ter que mudar, veremos quem está disposto a alinhar.
Abraço do Zé

João Rato disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Rato disse...

silêncio culpado
eu nem diria as pessoas, eu diria é preciso que nós nos unamos neste tempo de crise!
Temos que encontrar uma forma de exteriorizar essa união!...
um abraço de união

ninho de cuco
não sei se tenhi agido.
Canta, canta amigo canta... cantei ainda rebento antes do 25 de Abril - nem sei se era revolucionária ou proibida, a canção, sei que se cantava.
uma abraço amigo

João Rato disse...

Quintarantino
Atão, e aquela?
-"Unidade!Unidade!Unidade! No trabalho contra o capital...
Um abraço de unidade

Maria
Ao fim de tantas lutas, continuamos a vivar como os nossos pais. Também concordo que a revolução tem que começar em cada um de nós. Pela nossa parte, já começou!
Uma abraço revolucionário

Kaótica
Voltamos a encontrar-nos em preferências e sentimentos comuns. Coincidências? Não!...
Uma abraço de esperança

Odysseus
Se bem entendi as tuas palavras, não "clicaste" na caixinha de música que está mesmo por cima da postagem mais recente. Sem a melodia o posto fica incompleto.
Um abraço com música

Marreta
O sinal pode partir aqui da nossa blogosfera. Estamos a um pequeno passo disso. É necessário inventar o gesto e definir a senha de partida. Estamos nessa?
Um abraço sinal

Nómada
Esse mundo novo está a um passo. Temos que dar esse passo.
Um abraço próximo

Zé Povinho
Já sabia que alinharias. Cresce sobre nós a responsabilidade de fazermos algo, um pouco mais que postar. O quê? Teremos que descobrir. Estamos abertos a sugestões.
Um abraço alinhado

Watchdog disse...

Parabéns João!
Muito bem escolhido!

1 Abraço!

Moriae disse...

alinho no segundo sublinhado. no 1º tb porque ... sempre jovens!

João Rato disse...

watchdog
ai que bem escolhido!
Um abraço escolhido

moriae
e em outras lutas alinharás também...
um abraço de luta