quinta-feira, 22 de maio de 2008

Sophia

Não é hábito deste Reino publicar palavras alheias assim sem mais nem menos. Mas o direito à preguiça é um direito do Rei. E já estou a falar demais! A poesia não se comenta, bebe-se como o Whisky, sem comida, quando muito com uns!... Não! Não dou mais pistachos nem amendoins!
Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica
(Sophia de Mello Breyner Andresen-1976)

11 comentários:

Jorge Borges disse...

A esquerda comete erros, quando vista pela direita. A inversa também é válida. Agora, pergunto: quem é que comete os erros mais graves? De tão poucos para tantos?

Um abraço de esquerda

Tiago R Cardoso disse...

e sinceramente poesia sente-se...

excelente escolha.

meg disse...

Amiga Pata Negra,
Cada cabeça sua sentença.
Eu como não sei escrever, quando quero dizer alguma coisa e não sei como, recorro a quem sabe, como muito bem o fizeste agora com a Sophia. E que bem que ela o faz.
Bom fim de semana e um avraço amigo.

meg disse...

Abraço, claro!!!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra
A Sophia diz tudo. E que bem que diz.
Quanto a não saberes escrever.... Sabes e bem. Deixaste-me um comentário de peso e que muito apreciei.
Devemos manifestar a nossa revolta.Fazer o barulho que for preciso.Mas jamais pactuar com as injustiças tenebrosas.

Abraço

Boris disse...

Pata Negra, Pata Negra
estamos a bater no fundo
com direita ou com a esquerda
o mal que está é profundo.

Um milhão de portugueses
nem 10 euros chega a ter
para alimentar um dia
do seu penado viver.

Trabalham já sem horário
e nem contrato p´ra se ver,
o que conta é o empresário
o pobre pode morrer.

Vendem-se as habitações
de luxo e de bem viver,
andam nas ruas os carrões
e vão de férias a valer.

O pobre conta os tostões
e mal consegue sobreviver
nesta vida aos tropeções
com tanta prista a vencer.

Pata Negra, Pata Negra
não podemos nos conter!

alberto cardoso disse...

Sophia Andreseen foi uma enorme poetisa. Leio e releio a sua poesia sempre com redobrado prazer. Já ofereci, a pessoas que amo, poemas dela. Simplesmente! Que me agradeceram, reconhecidas.
Creio que a sua “obra” menos conseguida foi o filho que nos deixou e que no semanário Expresso da passada semana ocupou 1/3 do espaço destinado à sua habitual crónica a queixar-se dos malvados dos bloguistas que o difamam quando lhe atribuem afirmações CONTRA os professores que ele JAMAIS proferiu.JAMAIS! Eu quase chorei com ele, tal a infâmia. É ou não verdade que todos, mas TODOS, sabemos que o Miguel Sousa Tavares, benza-o Deus, é um indefectível defensor dos professores??? Pois, apesar de termos ali um aliado de peso, não só não lhe agradecemos como o difamamos. Não era necessário…
Alberto Cardoso

Compadre Alentejano disse...

O maior erro que a esquerda fez, e eu também entrei, foi ter colocado em primeiro-ministro um homem que se veio a revelar de direita.
Esse foi o nosso grande erro, e como tal, já prometi a N.Senhora de Fátima uma velinha quando o grande aldrabão sair do governo. Oxalá seja já em 2009...

Um abraço
Compadre Alentejano

Karina Meireles disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Karina Meireles disse...

Melhor errar por aão, que por omissão...
Um abraço libertário!

O Guardião disse...

Não me atrvo a comentar a Sophia, mas há muito que penso que muitos que se apelidam de esquerda não sabem o que isso é, porque o socialismo de que se reclamam defensores deve estar encerrado em alguma masmorra subterrânea, e já não na gaveta como se diz.
Cumps