terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

11- Alguém acha por aí um título?!

Para ouvir durante a leitura. "Tango para Tereza" em boa hora sugerido pela fidalga Maria.

Em Setembro tivemos direito a novos equipamentos. Cipriano partilhou comigo os pormenores do segredo da sua viagem e o seu projecto de voltar a Paris daí a uns meses para preparar o nascimento do filho que ia ter da cunhada. Na sequência, alertou-me para os cuidados que eu deveria ter com a fecundidade da minha namorada e topei que começava a preparar terreno para a afastar sem me melindrar. A família dela já havia telefonado várias vezes advogando a sua falta no circo; apesar de já estar connosco há dois meses ainda não se tornara na vocalista principal; fazia os seus coros e cantava as suas canções passando o resto do tempo a fumar e a beber nas imediações do palco; estava a contribuir para o abandalhamento da banda; Cipriano tolerava os fumos mas o cheiro não lhe podia chegar ao nariz; a família estava a ficar farta da empregada e hóspede…


Apesar desta conversa, o patrão, que também era técnico de som, passava com a Teresa muitos dos momentos em que esta não estava no palco. Por vezes dançavam juntos uma ou outra moda mais agitada mas, naquela noite, um tango pareceu-me mais intenso que o habitual. Depois do tango, tocámos um dos longos blues que chegavam a dar para um dos músicos ir ao bar buscar cervejas entre os solos, quando dou pelos dois muito agarradinhos a dançar “slowmente”. Comecei a ficar incomodado e a parecer-me que os meus colegas, enquanto tocavam, davam olhares maledicentes à situação. Levantei-me dos teclados e fui junto a cada um sugerir uma aceleração gradual que fizesse o lento blues evoluir para rock n´roll “speedado”. Consumada a transformação do tema dei pela falta do par no salão de baile.

Terminada a música, Tarolas sorriu de escárnio e apontou duplamente para o chão. Desci as escadas da lateral do palco ao fundo das quais existia uma entrada de meia altura fora das vistas do público. Baixei-me para espreitar sobre o olhar atento do denunciante. O espaço tinha pouco mais de um metro de altura e tinha a escuridão rasgada pelas linhas de luz que as frestas do soalho do palco deixavam passar. Não vi quase nada, não quis ver! Mas que estava para lá um casal em vias de facto lá isso estava!...

13 comentários:

André D'Abô disse...

a música está perfeita... passando de slowmente para speedmente, gostei muito do desfecho no escuro, da recusa por ver que o rock só serviu para esquentar os ânimos.
abraços! e que se f... do título, pá!!

Zé Povinho disse...

O outro, aquele da PT disse que tinha sido "encornado", mas não sabemos ainda quem estava lá debaixo do palco...
Abraço do Zé

do zambujal disse...

... e doeu-te muito? É que essas coisas doem p'ra caraças. Então quando entram nas vias do facto consumado...

Olha, paciência! E conta o resto...

Compadre Alentejano disse...

Deve dar cá uma dor de corno do caraças!... Pior que o da PT...
Abraço
Compadre Alentejano

Alberto Cardoso disse...

Olá Majestade.
Se percebi direitinho a história que aqui nos conta, a Teresinha era uma cachopa “fogosa” que Sua Alteza Real não tinha “disponibilidades” para saciar a moça, que a pobrezinha tinha que recorrer a terceiros para lhe apagarem a fogueira que a consumia e que Sua Alteza Real não gostou de ver o Cipriano, qual bombeiro, abnegadamente, a apagar o fogo que Sua Alteza, por falta de material, não debelou em tempo oportuno. É a vida Majestade. Tenho pena da Teresita: o que a pequena terá sofrido em silêncio e quanto lhe terá custado ter que recorrer ao Cipriano para lhe resolver um problema que era da responsabilidade de outro. Quem me dera estar eu presente nesta circunstância porque seria eu, com o espírito de missão que me é reconhecido, a apagar o fogo que consumia a pobre Teresa, fazer o rescaldo e a pôr água e mais água na mata para prevenir um eventual reacendimento. Era um trabalho árduo, eu sei, mas que faria com todo o prazer!
Os meus respeitosos cumprimentos.
Alberto Cardoso

salvoconduto disse...

Filho da puta do Cipriano! Te juro que lhe apertava os tomates! Ficava a falar fininho. Ai ficava, ficava! Ele que já despachou a cunhada para França para onde é que vai despachar a Trezinha? Eu fodia-lhe a aparelhagem toda, provocava um incêndio e se fosse preciso até lhe mijava nos sapatos! Isto depois de ter bebidido uma quantas bejecas, para garantir que lhe os enchia. Tens a certeza de que não dava para mijar de algun canto, de modo a que escorrecesse para cima deles?. Outra solução era fechá-los ali dentro com cadeado e chamar quer a mulher do Cipriano e a família da Trezinha, com os gritos de que ela estava a ser violada. Havias de ir co caralho Cipriano!

MARIA disse...

Majestade, estes vossos fidalgos de corte que me perdoem...
Todos pressupõem que o casal que se apresentava no escuro eram Cipriano e Teresinha. Mas como ?
Se estavam a dançar ....
É que nem é necessário trazer aqui a "Secreta" para desvendar isto, claramente, não era a Teresinha, pois pese embora Vª Majestade nos confidenciar que não lhe proporcionava , em público, muitos actos de carinho, é ÓBVIO que uma mulher sua não iria com Cipriano nenhum, além de uns toques de tango :)
E ainda assim, importa dizer que Cipriano foi longe, além do ponderável...
Talvez por isso, tomada de surpresa, a reacção da moça não fosse imediata.
Mas realmente não acredito que sendo sua mulher ela buscasse ou aceitasse qualquer outro aconchego mesmo no escuro :)

Contudo também achei que o modo como brinca com isso, possibilitando essa interpretação, é de um HOMEM que sabe exactamente o que vale, e sabe que nada precisa provar a ninguém nessa matéria.

Polemizou o enredo, carregou-o de mistério : 5*****

Um beijinho amigo

Maria

opolidor disse...

Rei Pata

confessemos que ao som do rock até ganha freio nos dentes...
abraço

Pata Negra disse...

Que comentários eternecedores: o do André, do Zé, do Zambujal e do Compadre. E então o do Alberto!!! Vale mais que a própria história! E o do Salvoconduto?! Tão solidário!!! E o da Maria?! Amoroso! Parece até que me poderia substituir na invenção da história!... Ai Polidor que saudades do rock com enredo!
Pois é, caros amigos! É fácil descrever os factos translúcidos do passado, mas catar as memórias dos sentimentos que envolveram esses factos!... Até à próxima terça vou dar-me a esse trabalho! E olhem, tenham um pouco de paciência e compreensão: se exagero, se incorro, se exponho, se minto, se chateio, se abrevio, se...
Tudo não passa de uma brincadeira com que me entretenho mas gozo com o prazer que tenho ao ver que mais adultos, vós, gozais também ao me ver brincar.
Um abraço infantil para todos vós! É bom sentir-vos por aqui! Seremos poucos, seremos alguns!

antonio - o implume disse...

Rapaz, mas comem-te sempre as tuas heroínas? Já no "quarto" ela foi com o empregado do bar, agora o patrão... que sina!

Alberto Cardoso disse...

Acredito, Majestade, que escrever estas histórias lhe dêem um enorme prazer. Mas, atrevo-me a dizê-lo, não é menor o prazer que nós, os que aqui vêem comentar, encontramos nos seus escritos. E, devo dizê-lo também, a qualidade dos comentários é uma “mais-valia” deste espaço (não me refiro, obviamente, aos meus comentários).
Se me permite a intimidade, Majestade, envio-lhe um grande abraço de sincera amizade e também de gratidão: é que sem o Rei dos Leittões a blogosfera não era tão boa.
Alberto Cardoso

Alberto Cardoso disse...

dêem, não. dê

Milu disse...

Apesar de nunca lhe ter sentido, ao ler esta história continuada, um sentimento profundo pela Teresinha, a verdade é que uma traição é sempre um rude golpe. Há até casais, que mesmo não podendo ver a cara um do outro, quando um deles vem a saber de uma eventual facadinha do outro elemento, acaba dominado por acessos de ciúmes, situação um tanto incompreensível, mas que se deve, naturalmente, aos intrincados labirintos intrínsecos à alma humana.
Um abraço.