segunda-feira, 15 de março de 2010

14- Intervalo

Este número catorze é um intervalo. Atenção ao filme no final.
A história está cansada. Esta coisa do “sem título” já chateava e, apesar de ter recebido, da parte de alguns leitores, interessantes sugestões acho que vou optar por títulos avulso.
A história está cansada: o reviver da juventude está a dar-me para o verbo fácil, pró piroso e para a irresponsabilidade. A história deveria acabar aqui! E o que faço das notas que tenho para desenvolver? E que dizer desta mania das histórias terem de durar 24 semanas? 24 quartos!... 24 fábricas!... Não sei porque é que tenho esta fixação no número 24! Por serem duas vezes doze, doze meses, um ano, doze apóstolos, duas dúzias?! Por ser metade da minha idade?
O que fazer duma história que nem sequer tem centro para título? E os leitores? Parece que fugiram todos para o caralivro! – Preferem o palavreado encaixotado do jovem caixa belmiro-dependente do Continente, às histórias do senhor Cartucho da mercearia do bairro!
- Blogosfera?!
- Não, agora virei para o facebook!
Que se lixe! Nós os bons somos tão poucos! Suficientes para estarmos aqui a mastigar uma história com poucos condimentos!...
Mas, como vou conseguir chegar ao número 24 sem a Teresa? Pode haver história sem amor de mulher pelo meio? Deixei Teresa ir para Espanha. O que faço da história sem Teresa? Volto a Teresa? Teresa despediu-se de mim com uns beijos mas, entre os queixos, atravessou e comprimiu a sua mão e fez distinguir o dedo médio para que ele se humidificasse e entretivesse entre os lábios fartos de encontros repetidos. Aquele dedo médio, lascivo, íntimo, irreverente, mastro, revoltoso, submisso, altivo, soube-me a desfecho, a começo, a presente, a passado, a futuro. Melhor dizendo, era de Teresa e soube-me a Teresa.

Teresa foi para Espanha, durante anos enviou-me cartas que ontem mesmo, 14 de Março de 2010, voltei a reler. Visitou-me/nos em anos seguintes em casa ou em palcos, repetimos uns beijos, ressaboreámos a alcatifa empoeirada do chão da J7 mas não mais que isso. Talvez um sentimento entre corpos às vezes nos tivesse dito: podia ter dado, não deu! Mas as cartas que eu recebi, reli-as hoje, são um molho delas.

A filmagem vídeo ainda era só para alguns. Filmar em fita de cinema era muito caro. Por isso restam escassos e curtos registos em filme. Aqui fica um deles. Andaríamos na estrada há poucos meses e ainda apenas a fazer os intervalos da banda sénior. Ainda tocávamos pouco mas éramos tão engraçados! Algures em 78 ou 79.

11 comentários:

Camolas disse...

" Já houve tempos em que tinha tudo não tendo quase nada..."
(J. P)

antonio - o implume disse...

Bem! Esta coisa até tem direito a video atestando a veracidade da história! Agora fiquei banzado!

Esqueceste as 12 tribos de Israel!

O Guardião disse...

Vídeo curtido este, sim senhor. Não sei se o número 24 é obrigatório, mas depois da Teresa...
Cumps

MARIA disse...

Era tudooooooo verdade ?!...
Oh céusssssssss!!!!!

É bom tê-lo de volta. Não intervale Majestade. Para intervalo já basta a vida.
:)
Um beijinho sempre amigo da


Maria

André D'Abô disse...

caro pata:
eis teresa, pois, dando o fio da meada. talvez não devesses tê-la deixado ir a espanha, talvez tenhas que buscá-la (bem como ao título); se acaso tenhas que intervalar para isso, que seja. sigo leitor e escutador dessa pequena saga mambembe - sem rumo e sem título.
saudações de cá com os melhores votos e um cheirinho de alecrim, pá!

salvoconduto disse...

Vê lá se te desimerdas, ou arranjas substituta para a Tresa ou tens que a trazer de bolta!

Zorze disse...

Leitao,

Falas de karmas que so tu podes resolver, desde que descubras a chave dourada dos misterios e apos sete voltas na fechadura prateada dos sete misterios da caveira de cristal depois de proferidas as tres magicas palavras, que ditas no tom certo, sao a salvacao da humanidade, logo de todos nos.

Quanto aos titulos, pudera te ajudar, tambem sou parco na materia.

Ja agora e nao pela primeira vez, neste espaco virtual, nao se consegue por assentos nem cedilhas.
Num outro contexto poderia ser do grelunfio, mas parece me que dever estar configurado para o teclado americano.

Abraco,
Zorze

P.S. Quem es no Facebook, ponto de interrogacao...

do zambujal disse...

Meu Caro cronista (ou ex-cornista), que outro és que a magestade suina,
a tua narração (desistido da marração) tem sido rica e suculenta. Muito t'a agradeço.
Peço-te que prossigas e nos vás deleitando, ainda por cima coma incrustração de pérolas sonoras e visuais (embora com pouca visualidade para as teclas e o teclista...).
Sabes que mais? Um abraço

Marreta disse...

Está bom! Está bom! O guitarrista tinha futuro (não sei se o teve...). O das teclas eras tu, correcto (estilo Stranglers!)? O da bateria era filho do baixista?!
Epá aquilo era som muito evoluído para a plateia, esse pessoal, vê-se bem, não acompanhava o requinte da obra musical. Grande pérola!
Deu-me vontade de desencaixotar a minha Fender e desenferrujar os dedos!

Saudações do Marreta.

Marreta disse...

Está bom! Está bom! O guitarrista tinha futuro (não sei se o teve...). O das teclas eras tu, correcto (estilo Stranglers!)? O da bateria era filho do baixista?!
Epá aquilo era som muito evoluído para a plateia, esse pessoal, vê-se bem, não acompanhava o requinte da obra musical. Grande pérola!
Deu-me vontade de desencaixotar a minha Fender e desenferrujar os dedos!

Saudações do Marreta.

Camilo disse...

Lindo!!!