terça-feira, 13 de abril de 2010

A cultura da crise


Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos em tempo de crise.

Na boca dos abastados senhores do poder não se ouve outro pretexto para a situação que não seja a crise. A crise justifica a própria crise. A crise é o melhor remédio para a crise.
Crise atrás de crise. Crise após crise. Sempre crise.
Sempre vivi em crise. Queria viver ao menos um dia da minha vida em que não houvesse crise.

Crise! Crise! Crise!
A crise é filha de uma puta que é a conjuntura!
A crise serve todos os interesses;
conforma os pobres - incha os ricos;
contém os que protestam - alivia os que mandam;
açaima os que trabalham - solta os que exploram;
justifica a miséria - tolera o enriquecimento;
dá mote aos poetas - torna brilhantes os comentadores.

Crise! Crise! Crise!
Palavra banal quando é dita, palavra que irrita, palavra que justifica.
Está instalada a cultura da crise!
Em nome de todas as razões, em nome de todos os interesses, a crise serve e a crise castiga.
Não há nada mais fácil nem mais lucrativo do que gerir em estado de crise,
serve o governo, serve os que mandam, serve os que podem,
em suma, serve a selva capitalista.

Pois então que a crise exploda de uma vez por todas!
Estou farto de ser cidadão pacífico!
Que rebentem os locais de trabalho, os locais de férias e as ruas!
Que rebentem as escolas, os hospitais e os tribunais!
Que rebente o povo e que eu dele rebente!

Crise!... Crise!... Crise!...
A culpa é filha de uma puta, a conjuntura!...
Os intelectuais  falam baixinho entre eles, num canal de televisão que ninguém vê! Falam de fins. Para eles está tudo em fins, acabaram as ideologias, as lutas, os direitos, acabou a História !

Nas veias dos políticos corre o sangue sólido de actores que trocam de papéis e de adereços, que lançam vozes na sala para ouvirem os seus ecos, que lambem os seus espelhos, que abrem e fecham o pano ao ritmos dos seus discursos, que representam personagens e fantasmas provocando a sonolência dos espectadores. Mas um espectador, mesmo entre sonos, bate sempre palmas! E, se os ratos do velho teatro lhe roerem os pés, julgará sempre que é comichão dos sapatos! Nem que esteja descalço!

E depois, nos camarotes, entre cenas de interesse, de prazer e coscuvilho, estão jornalistas, banqueiros, empresários, proprietários, juízes e generais e outros mais a sombrearem, com gestos e acenos, a pequenez da plateia submissa, reverente e admiradora, sempre disposta a sonhar com um lugar nos camarotes!...

Ai! Onde é que eu ia!? Falava da cultura da crise!...
O estado da crise já compete com o estado do tempo quando falamos para alguém sem tema de conversa. Em todas as conversas, pressente-se, que a última coisa que queremos saber é a a verdade.
- Crise? Qual crise? A financeira, a económica, a social, a política, a democrática, a do petróleo, a sectorial, a nacional, a internacional ou a da justiça?

Eu quero que se lixe a crise eu vou mas é ver o Benfica!

13 comentários:

antonio - o implume disse...

Espero que não dê a crise nisso!

Zé Povinho disse...

Neste palco da vida é a crise que nos lixa. Crise de políticos (sérios), crise de valores (bandalheira), crise da justiça (gatunagem) e a crise de paciência, que ataca quem está farto desta trampa toda.
Abraço do Zé

salvoconduto disse...

Até o Sporting está em crise...

Matem-me essa puta!

Camolas disse...

Através do medo se domina a ignorância, prima irmã da tristeza, carcereira mor desta vida de merda em que nos embalaram.
Disseste tudo Camarada!!!

do Zambujal disse...

Houve quem tivesse dito - e há quem o repita - que o capitalismo traz nas suas entranhas a crise...
Mas vivó Benfica (ora bolas!)

Abraço
(dá aí um ao Zé Luís)

Marreta disse...

"Pois então que a crise exploda de uma vez por todas!
Estou farto de ser cidadão pacífico!
Que rebentem os locais de trabalho, os locais de férias e as ruas!
Que rebentem as escolas, os hospitais e os tribunais!
Que rebente o povo e que eu dele rebente!" - Ora aqui está a verdadeira sabedoria suína, que eu como mandatário nacional, subscrevo e apoio na íntegra!
É isto que é preciso, um armagedão!

Saudações do Marreta.

O Guardião disse...

O raio da crise serve para justificar a incompetência do governo, sendo certo que há uns quantos javardos que se vão enchendo, com ou sem crise.
Cumps

Ferroadas disse...

Crise? Qual?

A do gajo que tem que roubar para dar de comer aos filhos?

Do gajo que tem de enganar meio mundo para dar às putas?

Do gajo que tem de aturar o filho de puta do patrão todos os dias?

Do gajo que está no desemprego?

Do gajo que é precário?

Do especulador da bolsa que quer ganhar dinheiro sem fazer nada de útil?

Do gajo que faz vigarices e deposita os lucros em Off-Shores?

Do político corrupto que jura a pés-juntos que está inocente?

Do gajo que ganha 3 milhões de euros por ano e ainda diz que é justo?

Etc., etc., etc.,

Porra, já me dói-em os dedos.

A crise sempre existiu no gajo que se levanta às 6 da matina e chega a casa às 8, farto de encher os cofres do patrão e com as mãos cheias de calos. Para estes sempre existiu crise.

Abraço

MARIA disse...

Estou tal qual Vossa Majestade : sempre vivi em crise.
Acho urgente matar a crise para não morrer às mãos dela .
;)

Um beijinho amigo

Maria

Compadre Alentejano disse...

Crise? qual crise? A que serve para o Mexia receber milhões de euros da EDP?
Quando crescer, quero ser presidente da EDP, ou da PT, ou da ZON, ou da GALP ou... da puta que os pariu!...
Um abraço
Compadre Alentejano

opolidor disse...

no meio da crise há sempre quem encha a puta da mula...
abraço

JFrade disse...

Também pergunto: crise, qual crise? Crise era o Benfica não ganhar o Campeonato (agora Liga); crise era o Papa não vir a Fátima; crise era acabar o "fado", canção nacional.
Havendo Futebol, Fátima e Fado (os permanentes três Fs), como antes de Abril, não há crise que meta medo a um portuga.
(Não sei porquê, veio-me agora à mente o José Mário Branco e o seu FMI).
JFrade

caralavada disse...

Crise? Qual crise?
O Zé Povinho só sabe viver no meio da crise. Se lhe tirarem a crise tiram-lhe tudo.