segunda-feira, 23 de maio de 2011

39- O Caminho do Fim da Terra


Se este fosse um escrito vulgar de escrever para vender, daqueles em que os autores vagueiam presos às suas experiências pessoais, procurando afinidades com que os leitores se identifiquem e inventando fantasias com cenários impossíveis que surpreendam e agarrem, provavelmente esta história acabaria aqui. Acontece que estamos enfiados na descrição autêntica de factos vividos e não estamos perto do final mas ainda no começo. Isto porque agora é que vai ser, entro eu.

Quis o destino que, na sequência de uma discussão familiar por causa das canas dos feijões, eu arrumasse a trouxa e me fizesse ao Caminho. Porque do Caminho já muito sabeis de Sete Pés e Marie, deixarei apenas o registo que o fiz sozinho até chegar a Pradís e que aí cheguei, encharcado por uma valente carga de água, rente à noitinha, situação que me obrigou a procurar a sempre à mão hospitalidade dos galegos.

- Xésus Agrelo! Benvindo a Padrís!
Os mais atentos, recordarão porventura este cumprimento, no ponto em que também o nosso par aqui chegou.
- Português?! Oh lá! Lá! O único que por aqui parou, deixou má memória! Fosse eu supersticioso e não lhe daria abrigo! O caso deu naufrágio e morte, a coisa que mais temem as gentes que habitam esta costa que, não por acaso, tem o nome de Cuesta da Muerte!...

E foi da continuação deste encontro que recolhi a informação que trouxe esta história até aqui. Xésus Agrelo fez-me entrega da casa da tragédia para pernoita e deixou-me a noite, entregue a documentos que guardava do julgamento de Sete Pés, destacando destes um molho à parte de fotocópias do diário de Marie France, diário esse, cujo conteúdo já conheceis sobejamente, que outra coisa não tenho feito neste livro – se assim se pode chamar a estas postagens – senão contá-lo.

Serei, também eu, daqui para frente,  protagonista, cidadão real que não aspirando nem tendo traquejo ou expediente para ser escritor ou autor de alguma coisa, encontrou na personagem proprietária deste blogue a forma de testemunhar o caso esquecido de um português sem pátria, de um aldeão sem terra, sem família, quase sem nome, preso há sete anos na Galiza, sem ter merecido, ao menos, um dezasseisavos de uma página do Correio da Manhã.

Sete Pés estaria inocente, se não tivesse de se encontrar um culpado, teria quem o defendesse se não estivesse só, estaria em liberdade se não estivesse preso, mas continuará caminhando porque disso não se pode impedir um sonhador, nem que o amarrem.
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Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.

7 comentários:

antonio - o implume disse...

Ora aqui está um volte-face, um relançar da tensão do plot. Temos pois novo personagem. Vejamos se também não acaba a comer os cogumelos.

O Guardião disse...

Veremos o que é que o autor faz com o personagem Sete Pés daqui em diante.
Cumps

opolidor disse...

Pata
se calhar ainda arrancas o dos pés da prisa...


veremos.

abraço

Zé Povinho disse...

O pobre fica preso? Cá estarei para seguir os próximos...
Abraço do Zé

JFrade disse...

Isto está fracote. Os comentários escasseiam e os que aparecem são a despachar. O pessoal anda a colar cartazes, a distribuir propaganda e esferográficas nas feiras e mercados, a passear de autocarro de terra em terra atrás (ou à frente) dos candidatos e depois dá nisto: não têm tempo para ler a história do Sete Pés, logo agora, em que o autor passa a protagonista e a coisa promete desenvolvimentos extraordinários. Depois das eleições regressarão, uns mais tristes que outros, claro. É a vida…
JFrade

MARIA disse...

Ohhh Majestade então o Rei vai nu e a pé por entre galegos ai, ai...expectante e apreensiva. Proteja a coroa, que se lha tomam de assalto .... xiiii....

;)

Beijinho amigo

Maria

Anónimo disse...

Existe uma altua na vida que percebemos que so nos resta sonhar mesmo! É tudo tão injusto e imperceptivel aos olhos de alguns que ate dá raiva! Se eles sonhassem o quanto...nem se atreveriam a ...

PUTA DE VIDA!