quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A minha mensagem é

Que em dois mil e quinze
Me levante todos os dias
E todos se levantem
Que se levante a vida
Que se levantem os mortos
Que se levante o povo
Que se levante o país
Que se levantem as vozes
Que se me levante a voz
Que se me levante o falo
Que a falar é que a gente se entende
E que outros valores mais altos se levantem
Que não os do oeste ou de levante

E que de hoje a um ano eu me levante disposto a gravar mais uma mensagem e vós a gramá-la:

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Como se estraga uma noite de natal

Desde há muitos anos que é ditado que em família não se discute política. Talvez porque em família conhecemos melhor os fracos e as intenções de cada um. Contudo, a conjuntura a isso obriga e a política, desta vez, não deu tréguas aos assuntos costumeiros.

Colocada a crise na mesa como uma travessa, cada um puxou das suas razões e das suas receitas para compor a conversa.

O da direita tomou as culpas ao rendimento social de inserção e disse de sua sentença que o que não querem é trabalhar (e eu a encher); a outra disse que também não se importava de estar desempregada e que não compreendia porque é que certa gente recebe tanto como quem está a trabalhar (e eu a encher); outro, ainda à direita, criticou as reformas dos políticos e mostrou-se totalmente a favor da redução do número de deputados (e eu a encher); outra lembrou o buraco do BES e elogiou a esperteza de varas, portas, e duartes e do cavaco que não é burro nenhum (e eu a encher); também à direita, um novo ainda, disse que não se pode querer ter saúde à borla quando se fuma e se come toucinho (e eu a encher); ainda do mesmo lado, um dos mais velhos não compreende porque é que se tem de estudar à borla se quem ganha com isso são eles (e eu a encher); e a europa e o euro; e o passos e o sócrates; e os funcionários públicos e os da tap; e a grécia e a alemanha... (e eu encher) ; e as reformas que já ninguém vai ter; e o morrer sem remédios; e a fome e a caridade e o padre (e eu a encher) e para o ano seja o que Deus quiser ( e eu a encher); são todos iguais e se tu lá estivesses farias o mesmo... e já lá vão... deixem-me contar... já não sei quantos copos enchi... parece que não vi ninguém à minha esquerda, deixei de ver quem estava em frente, levantei-me em direcção ao presépio, peguei no burro e na vaca e atirei-os ao chão para evitar partir um copo!
- Vós já nem ao papa obedeceis! Também não obedeceis à memória dos nossos avós nem sequer a vós próprios obedeceis! Vamos sim, vamos ter direito a reformas e ao estado social! Vamos sim, ter um futuro mais justo para nós e para os nossos filhos! Portugal tem futuro! Basta que tenhamos consciência de classe e vontade de lutar! Foi assim sempre: eles têm as armas, nós temos os números! Protestem comigo, encham as ruas comigo! Foi o povo nas ruas que fez a revolução de Abril!

E sai lá do canto da lareira a voz da minha prima beata solteira, debaixo do bigode postiço e beato - sim, porque um bigode daqueles numa mulher só pode ser postiço para enganar o padre que não gosta de mulheres:
- O papa não disse nada disso! Foram os comunistas que inventaram isso só para o foder!
- Tu é que precisavas disso!

E dito isto fui arrastado para fora da sala, para o frio da rua, para o carro e cheguei a casa com o Natal estragado.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Bom Natal

Embora ande perdido, não me esqueço dos amigos no Natal. Esta é a minha mensagem pessoal para desejar pessoalmente um Bom Natal ao pessoal.
Um dia destes volto, prometo! Já agora um Bom Natal e não comam carne de porco!