quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

E eu é que sou o porco?!

Antes de começar a aporcalhar, deixem-me acautelar que matar é um ato incomparavelmente mais porco do que desenhar uns cartoons porcos. Não faltam textos com os quais me identifico sobre o repúdio relativo ao ato terrorista mais falado esta semana - não necessariamente o mais hediondo. Aqui e acolá surgem reflexões fora da linha comum dos opinantes do sistema que também curto.

A mim, porco por opção de personagem, sobram-me os restos. É assim que me resta falar dos que hipócritamente se levantaram como os arautos da liberdade de expressão. Como se não existisse histórico das suas reações a certas opiniões que lhes tocam as partes fracas, como se não soubessemos como são condicionadas as redações dos orgãos de informação, como se os gregos não estivessem a sentir, nestes mesmos dias, que as democracias ocidentais afinal estão limitadas às ideias que os democratas que detêm o poder defendem como únicas.

"Eu Sou Charlie", pousaram agora mesmo com esta frase para a TV, uns fatiotas nossos de Lisboa convidados pelo criativo António Costa. Eu gostava de ver como reagiriam, caso  estivessemos num país com condições para ser possível um Charlie Hebdo (nunca os ouvi falar de José Vilhena, muito menos na sua defesa quando foi processado pela princesa do Mónaco),  se uma publicação portuguesa se atrevesse a mostrar cartoons com o Santo Padre a sodomizar o Mário Soares, o Portas a fazer um felácio ao Passos com um submarino enfiado no, a Senhora de Fátima assim e assado, e deixem-me parar porque tenho cu.

É claro que não matariam! Pudera! Claro! Não é disso que estou a falar! Mal por mal prefiro-os, a esses monstros extremos orientais que ajudaram a criar! O resto que me sobrou e de que estou a falar é: será que apareceriam publicamente a defender a liberdade de expressão?

Não meus senhores, estarei a vosso lado no que toca a lutar contra a bárbarie, discutirei abertamente convosco a história do último século, mas no que toca a liberdade de expressão e democracia, não pousarei ao vosso lado. E por favor, não me comam!


3 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Bem esgalhado!

cid simoes disse...

Esta encenação é de tal modo diabólica, tudo o que se encontra por detrás deste crime tem objetivos tão perigosos, que se tornam difíceis de acreditar.

Camolas disse...

Liberdade de expressão, quando toda a notícia tem um valor económico, quando assisto ao telejornal e apanho com carradas de publicidade travestiada de notícia??
Estou contigo!